Roleta Russa

11 Capítulo 11


Como sempre, ela era a única que não queria estar ali. Não era que ela não queria sair com suas melhores amigas — Valerie e Rose eram muito mais do que amizades cordiais e carinhosas para ela. A amizade ia muito além de reuniões eventuais em restaurantes chiques, ligações em datas festivas ou outras cerimônias. Elas eram suas irmãs, dispostas a todo tipo de aventura, de noite ou de dia; dispostas a cruzar a cidade durante a madrugada com garrafas de Bourbon e um estoque de lencinhos de papel para conterem uma crise de choro devido a uma desilusão amorosa.

Então, em nome das mulheres que faziam sua vida menos árdua e mais feliz, ela topou ir a um bar no meio da semana, um bar lotado de universitários babacas e suas músicas duvidosas. Valerie estava usando jeans e uma blusinha preta com um decote excepcional. Ela dificilmente usava jeans tão justos, embora ficasse maravilhosa neles. Os cabelos loiros estavam bagunçados e os lábios pintados de vermelho sangue brilharam em um sorriso quando Rosie voltou com as bebidas, um coquetel rosa-choque que fez Regina premeditar a ressaca do dia seguinte.

Rosie estava com um vestido curto, preto, exibindo elegantemente o corpo bem definido. Os ombros estavam em evidência, assim como as pernas, e Regina suspirou pois sabia que nada disso importava. Era mais fácil Regina e Valerie saírem dali acompanhadas do que ela conhecer alguém, tudo graças a sua insistência de conhecer o cara certo, sendo que Regina duvidava profundamente da existência de tal elemento.

Ao fundo, Regina identificou a voz de John Newman. Sabia alguma coisa sobre, cantor novo, voz boa, perspectiva que refrescante para ouvidos acostumados à melancolia exagerada de Ed Sheeran. Gostava das músicas, e considerando que desde que chegara naquele lugar as vozes se misturavam à Taylor Swift, era algo que ela podia aceitar. Relaxou contra o balcão, sendo abraçada por Valerie alguns minutos depois, o perfume adocicado da loira marcando sua chegada. “Hey baby girl” Chamou ela, dando a volta e sentando-se ao lado dela, no balcão. Os olhos azuis alinharam-se com os olhos cor de avelã de Regina. “Você está bem?”

“Estou.”

“Você sabe que não deveria mentir para mim, não sabe?”

Regina sorriu, dando-se por vencida. “Não é nada, Val. Eu prometo. Tive algumas discussões com Roxy e Jefferson essa semana, mas nada que boas doses de álcool não possam amenizar.”

“Na próxima vez que eu encontrar com ele serei obrigada a chutar ele direto nas bolas.”

“Valerie.” Advertiu Regina, embora um sorriso gostoso houvesse se instalado em seus lábios. Talvez fosse uma boa ideia. Ela certamente gostaria de assistir e não sentiria nenhuma compaixão pelo homem.

“Você precisa de um namorado. Qual foi a última vez que teve uma diversão mais direcionada?”

“Eu não bebi o suficiente para discutirmos a minha vida sexual, Val.”

Valerie abriu os lábios em um largo sorriso, virando o rosto para encarar o rapaz no bar. Piscou para ele, flertando abertamente. “Você ouviu, darling. Mais uma dose daquela bebida rosa. Para duas.”

“Você falou com Giles?” Valerie suspirou antes de voltar a encarar a morena ao seu lado. Regina podia sentir a cortina de receio sobre a mesma. “Valerie, eu sei que você está com medo, mas é muito claro que você não tem certeza sobre essa separação. Quando você se divorciou de Peter, você virou as costas e nunca mais olhou para trás. Mas você sequer consegue falar sobre o Giles sem ficar desviando o olhar para o nada. O que está acontecendo de verdade?”

“Regina.” Valerie parecia séria. Por segundos, Regina ficou preocupada de que algo mais sério estivesse mesmo acontecendo. “Eu traí o Giles.” Suas bochechas estavam coradas e a morena percebeu que sua amiga não gostava de tocar naquele assunto, mesmo depois de todo aquele tempo.

“Val…” Sussurrou Regina, chocada com essa confissão.

“Não me odeie, por favor. Eu sei que é um assunto delicado para você e eu não me orgulho de ter feito isso. Eu…”

“Foi por isso que você não me contou?” Regina sorriu, olhando para ela carinhosamente. “Valerie, eu jamais julgaria você por isso. Você é uma irmã para mim.”

“Eu sei, mas eu não queria tocar nas feridas que ainda estavam abertas.”

Regina suspirou. “Rosie sabe disso?”

“Não. Não seria justo contar a uma e não à outra. Então eu mantive segredo.”

Regina ponderou sobre o assunto. Era claro que Valerie havia cometido um erro, mas tudo o que ela conseguia pensar era quão difícil havia sido para a loira passar por isso sem o apoio delas. A lidar com essa culpa em segredo. “Eu sinto muito por você ter lidado com isso sozinha. Deve ter sido difícil.”

Regina deslizou a mão para o rosto da mesma, acariciando-a delicadamente e afastando o brilho das lágrimas nos olhos da outra. “Não interessa o que tenha acontecido, isso não muda nada, Valerie. Você continua sendo minha irmã mais velha, a pessoa mais centrada que conheço, e eu amo você. Okay?”

“Okay.” Aceitou Valerie.

“Ao menos posso perguntar com quem?”

“Com aquele personal trainer.”

Os olhos de Regina quase escaparam de suas órbitas e rolaram pelo balcão. “Aquele deus espanhol? Valerie!” Ela riu, e Valerie sorriu. “Foi por isso que você o dispensou tão rápido?”

“Eu não conseguia mais olhar para ele.” Confessou a loira.

“Bom, eu conseguiria olhar para aquele homem por horas.”

Valerie encarou-a maliciosamente. “Parece que sua libido acordou, Mills.”

“Eu não estou morta, dah-ling.” Provocou Regina.

A bebida delas chegou. Regina olhou duvidosa para o drinque cor de rosa decorado com um morango e guarda-chuva de copo, mas Valerie o bebeu como água. Resignada, ela bebeu o seu. Bem, aquilo explicava a avidez de suas amigas. Qualquer que fosse o fundo alcoólico daquele drinque, ele estava praticamente anulado pela mistura de groselha e baunilha, e mais alguma coisa que tornava aquele o melhor drinque que ela já havia bebido nos últimos meses. Ainda estava registando o sabor daquela obra-prima quando sentiu as unhas de Valerie fincadas no seu antebraço. Um lampejo de dor fez com que ela voltasse sua atenção para a amiga.

“Regina... Acho que eu bebi demais.”

Regina revirou os olhos, tentando encontrar o que quer que Valerie vira que a fizeram questionar sua sobriedade. “Não faz nem uma hora que nós…”

Puta merda.

“Você está vendo o que eu estou vendo?” Sibilou Valerie.

Rosie Bell estava no canto do pub., mas o que elas se perguntaram era quem era aquele homem com as mãos na cintura dela, beijando-a como se não houvesse amanhã. O salto da mesma estava fincado na calça jeans dele, na parte posterior de sua perna; e Regina ergueu as sobrancelhas quando ele se debruçou e capturou a pele do pescoço da mesma, e tudo que Rosie fez foi entrelaçar suas unhas pelos cabelos escuros e deixá-lo continuar.

“Wow.” Respondeu Regina, voltando ao balcão com um sorriso bobo nos lábios. “Isso é inédito.”

“Quem é ele?” Perguntou-se a loira. Rosie Bell não tinha ficadas de uma noite, Rosie Bell não beijava rostos sem nome. Rosie era adepta de crenças absurdas sobre homens cavalheiros e apaixonados. E lá estava ela, sendo a única a se divertir naquela noite.

“Ela não vai escapar depois.” Constatou Regina, e Valerie balançou a cabeça, concordando.

Regina voltou sua atenção para o balcão, distraindo-se com o menu, quando ouviu sua amiga gargalhar. “Parece que Rosie não vai ser a única a se dar bem esta noite.” Sussurrou ela, aproximando-se de Regina. Quando Regina virou-se para ela, encontrou malícia e solidariedade nos olhos azuis, mas não entendeu. A loira deixou o balcão e se afastou, ainda sorrindo como quem acabara de descobrir algo maravilhoso.

Nada daquilo fez nenhum sentido até que a voz rouca e familiar, a mesma voz que a acalentava durante seus sonhos eróticos, ressoou atrás dela.

“Regina.”

Oh, não.

***

Quando Killian concordou em ir com eles ao Kinky Box, Robin achou que era apenas uma brincadeira. Seu irmão mais novo havia se distanciado absurdamente quando Robin renunciou sua função como administrador dos negócios de seu pai e a relação dos dois sofreu consideravelmente.

Mas Killian parecia feliz com a perspectiva de eles passarem algum tempo juntos. Usando jeans e uma camiseta preta e tênis, ele facilmente se passava por um dos universitários que frequentavam aquele bar. Puxaram uma mesa em um dos cantos, perto do banheiro e pediram algumas cervejas. A música era horrível. Robin sentia-se pessoalmente ofendido por quem que fosse o responsável por aquela playlist.

“Eu vi que vocês saíram em destaque em uma revista. Isso é demais!”

Robin sorriu. Little John parecia muito mais orgulhoso do feito. “Aquela noite seu irmãozinho aqui estava inspirado. Tudo graças a uma certa morena que…”

Robin deu um soco no ombro do amigo, não tão forte, mas não tão gentil, porém eficaz para inibir a continuidade do assunto. “Graças à Ruby, que nos convidou para tocar sabendo que haveria editores no local.”

Killian desconfiou que não somente isso, mas decidiu não insistir. “É um grande impulso. Como vocês pretendem aproveitar isso?”

Robin trocou um olhar rápido com John. Killian estava pensando exatamente como seu pai; guiado por motivações materialistas. Suspirou, antes de continuar. “Vamos continuar fazendo o que fazemos. Nós cantamos por prazer, Killy. Ninguém aqui pretende ser o novo Coldplay ou Franz Ferdinand.”

Killian parecia ter desanimado com aquela resposta. Voltou a beber sua cerveja, o olhar perdido entre os diversos rostos na multidão. Robin estava prestes a falar alguma coisa quando percebeu que o irmão levantou de repente. Parecia hipnotizado por algo. Por alguém. Tudo fez menos sentido ainda quando ele cruzou a multidão e ficou frente a frente com uma mulher. Era ela linda, o corpo delicado delineado por um vestido Preto, cabelos loiros emoldurando o rosto e parando logo abaixo dos ombros. “Você conhece?”

Robin balançou a cabeça, negando. Quem quer que fosse aquela mulher, parecia tão surpresa e tão genuinamente feliz por ver seu irmão. Tudo fez menos sentido ainda quando Killian enfiou as mãos nos cabelos dela e a puxou para um beijo bastante ousado para quem estava no meio da multidão.

John riu, dando uns tapinhas na costa do loiro ao seu lado. “Aprenda com o caçula, Locksley.”

Mas a visão de Robin já estava toda comprometida. Lá estava ela, sentada no banco paralelo ao balcão do bar, usando uma saia preta e uma blusinha de seda sustentada em seus ombros por duas alças minúsculas. As pernas cruzadas destacavam a linha do músculo lateral de suas coxas e ele engoliu em seco enquanto seus olhos o lembravam brutalmente o quão maravilhosa ela era. Levantou-se, sem dizer nenhuma palavra a John e tirou algumas pessoas do seu caminho. A amiga dela, ele se lembrava, era a mesma que a acompanhou na noite do The Rabbit Hole, o viu. Ela gargalhou e debruçou-se para dizer algo à Regina, afastando-se logo em seguida, como que dando a ele uma oportunidade única e generosa de conversar com ela.

“Regina.” Chamou ele, ansioso, o coração batendo nervosamente.

Ela se virou devagar, e ele suspirou, agradecendo aos céus pela oportunidade de ver aquele rosto magnífico outra vez. Não que ela estivesse feliz em vê-lo. Assim que os olhos cor de chocolate focaram nos seus, ele percebeu que ela grunhiu como se tivesse sentido uma leve pancada. “Ah não.” Resmungou ela. “Você não.”

“Também estou feliz em te ver.” Rebateu ironicamente, tentando entender quando é que a sorte havia se virado contra ele. A última lembrança que tinha desta mulher era ele a beijando compulsivamente contra o carro dela e agora parecia mais que ela gostaria de passar por cima dele com o veículo.

“Você está me seguindo?”

“Você é bastante paranoica. Já fazem praticamente três semanas. Eu teria que ser um perseguidor muito lento.”

“Você não é exatamente rápido.” Flertou ela, e ele sentiu seu estômago se contorcendo de ansiedade.

“O que quer dizer com isso, Regina?” Mas ela não respondeu. Virou-se para o balcão e pediu outro drinque. Robin segurou a língua entre os dentes antes de continuar. “Como você está?”

“Tentando ficar bêbada.”

“Quem está dirigindo?” Questionou ele, colocando o cotovelo sobre o balcão e focando toda a sua atenção nela, deixando-a livremente enrubescida.

“Cuide da sua vida, Robin. Eu cuido da minha.”

“Eu não entendo. Como foi que eu reconquistei o seu desprezo depois de estarmos tão bem?”

Ela gelou. Mal ele sabia que ela poderia sentir muitas coisas sobre ele, mas desprezo não era nenhuma delas. Vergonha? Talvez, depois dos sonhos absurdos que eles protagonizaram. Atração? Muita. Vontade de empurrá-lo contra a parede igual ao rapaz que fizera o mesmo com a sua amiga? Sim, definitivamente. Mas acima de tudo, ela sabia que ele tinha tudo para lhe desestruturar; sabia que ele mexia com ela, em níveis que ela sabia que ninguém nunca havia alcançado, e que era um risco gigantesco deixá-lo se aproximar. Ela tinha medo, mas jamais admitiria isso.

“Você não tem outras mulheres para atormentar, Robin?” Ela virou-se para ele, tentando bloquear seus instintos. “Você é bonito, você canta bem, eu tenho certeza que não tem problemas em arrumar fãs.”

“Já passou pela sua cabecinha teimosa que talvez eu só esteja interessado na mulher que continuamente tenta me dar um fora?”

Ela não respondeu, e esforçou-se em esconder o sorriso que veio do fundo da sua garganta. O que era ridículo, mas quem poderia culpa-la? Robin era um homem maravilhoso, o aspecto físico era estonteante, a personalidade excepcional. Um cavalheiro, um homem sedutor, um cantor talentoso. E estava interessado nela. Decidiu então que por alguns minutos poderia aproveitar essa sensação e o leve impulso em sua autoestima.

“Além do mais você acabou de admitir que me acha bonito e que eu canto bem. Já ganhei a noite.”

Regina suspirou. Aparentemente, ele não pretendia ir embora. Ela deu meia volta, encostando-se no balcão e ficando ao lado dele. Eles ficaram ali, lado a lado, observando as outras pessoas como velhos amigos julgando a multidão; Regina com seu drinque cor de rosa e Robin com sua cerveja. “Você vai me falar seu sobrenome?”

Perguntou ele e ela sorriu, mas não virou-se para ele. “Não.”

“Você é difícil, Regina.” Resmungou ele, mas o tom de voz dele indicou que ele não estava preocupado.

“Então desista.”

“Nem nos meus sonhos mais sombrios.”

Ela riu, achando aquilo bastante brega, mas ao mesmo tempo era indubitavelmente romântico. O que estava acontecendo com ela? Sua atenção voltou para Rosie e seu amante, e ela riu. Eles deveriam procurar um lugar mais reservado, ou logo aquele rapaz enfiaria as mãos por baixo de seu vestido na frente de todos.

“Pelo menos meu irmão está se dando bem.” Comentou ele, e ela virou-se para ele, subitamente interessada.

“Aquele cara engolindo minha amiga é seu irmão?”

Ele riu, as covinhas marcadas nas laterais do sorriso e aquilo causou coisas a ela. “Sim, aquele é o Killian. Meu irmão mais novo.”

“Espero que ele não banque o espertinho para cima dela. Ou teremos um problema.” A voz dela não deixou espaço para dúvida e ele admirou a lealdade e instinto protetor dela sobre as amigas.

“Killy não será um problema.” Afirmou ele, voltando a encarar o irmão que agora havia entrelaçado os dedos aos dedos da amiga dela, ambos caminhando na direção da saída. “Killian não é o tipo de homem que curte relacionamentos de uma noite. Ele gosta de namorar.”

“Rosie também.” Divagou Regina. “É exatamente por isso que me surpreende ela ter grudado no seu irmão dessa maneira.”

“Talvez eles tenham uma história antiga.”

“Eu pensei isso. Aquela bruxinha não me contou? Que amiga é essa?”

Robin riu. Ela olhou em volta, e Valerie não estava em lugar nenhum. Rosie possivelmente ficaria ocupada o resto da noite, pelo andar da carruagem e pela maneira que ela e Killian estavam se agarrando. O que a deixava sozinha, com ele.

Uma combinação perigosa.

O álcool de seus drinques finalmente estava lhe afetando. Tudo que ela queria era que Robin a beijasse, e os motivos que ela inicialmente usou como desculpas para evitar que aquilo acontecesse estavam cada vez mais distantes. Fazia muito, muito tempo que ninguém a tocava daquela maneira, muito tempo desde o último orgasmo ministrado por outra pessoa, muito muito tempo.

“Eu aceito.”

Ela ergueu o olhar assustada, perguntando-se se havia dito algo, se estava pensando em voz alta e envergonhando-se na frente dele. Mas ele sorriu, e virou-se para ela, aproximando seus corpos alguns centímetros a mais, nada que invadisse o espaço pessoal dela. “O que quer que seja que tenha dilatado suas pupilas e feito você suspirar dessa forma. Eu quero.”

Ela mordeu o lábio inferior, encarando os lábios dele. Lábios macios e apetitosos que ela felizmente já provara e que seria mentira dizer que não desejava provar de novo. Lábios que ela almejava, mas não. Não podia deixar-se guiar por sua libido e esquecer que haveria um amanhã, que se ela deixasse aquilo acontecer não demoraria muito tempo para estar perdidamente apaixonada pelo homem de olhos azuis. Ela não queria mais se apaixonar.

“Quantas vezes eu vou ter que pedir que me deixe em paz, Robin? Eu não quero nada. Eu não quero você. Me deixa em paz.”

Cambaleante e com alguma dificuldade, ela o abandonou ali e seguiu o caminho do banheiro. Seu peito ardia de remorso, de arrependimento por ter dito tantas mentiras. Ela nunca havia o desejado tanto quanto naquele momento. Mas assim que alcançou a porta, ela sentiu as mãos macias porém indubitavelmente firmes guiando para dentro do mesmo. A luz se acendeu, e ela ouviu o som familiar da tranca sendo rotacionada na fechadura.

“O que você pensa que está fazendo?” Sussurrou ela, respirando pesadamente.

Ele a segurou pela cintura e girou seus corpos, pressionando-a contra a porta, encurralando-a entre ele e a superfície de madeira. “Eu quero que você olhe nos meus olhos e diga que não me quer. Diga que não sente nada, e então você pode ir.”

Ela poderia dizer. Poderia mentir ao homem que a prendia contra aquela porta, mas ali, naquele instante, isso não faria diferença. Ela estava certa de que suas inibições haviam se afogado no álcool que dançava em seu organismo, e ela estava excitada, muito mais do que gostaria de admitir. E ele estava bem ali, o mesmo homem que fazia todo tipo de coisas a ela em seus sonhos, olhando-a com firmeza e uma camada espessa de desejo. Ela suspirou, certa de que teria tempo para se arrepender em outro momento. Virou o rosto e alcançou o interruptor, batendo nele e mergulhando ambos na penumbra. Escuridão os vestiu e sua voz finalmente ressoou até os ouvidos dele, em alto e bom tom. “Eu não vou mentir para você, Robin.”

Deslizou uma das mãos pelo pescoço dele, ouvindo-o respirar pesadamente e então fincou as unhas em sua nuca, aproximando-o, tocando os lábios dele com os seus. “Me beije.”

Ela sequer teve tempo de respirar, pois ele a empurrou contra a porta enquanto tomava posse de seus lábios. Fogo espalhou-se por suas entranhas quando ela sentiu a maciez misturada à urgência da língua quente que a explorava; Robin deslizou as mãos até sua bunda, abrindo a palma das mesmas e fechando-as sobre as nádegas, uma pegada firme e repleta de tesão que a fez gemer guturalmente.

“Regina.” Gemeu ele, inebriado pela atração absurda que sentia por aquela mulher. Um arrepio percorreu sua espinha quando ele a sentiu puxando sua camiseta para cima, a palma quente e macia percorrendo seu abdômen. Ela não desceu nem subiu, mantendo o toque ali e ele entendeu aquilo como um sinal de que não devia apressar as coisas. Deveria tomar seu tempo e aproveitar o que quer que ela deixasse acontecer.

Encaixou uma das pernas entre as pernas dela e permitiu que ela achasse seu ponto de apoio, criando uma fricção que lhe fosse agradável. Preferiu focar em seus beijos, acariciando a cintura dela, apertando-a, enquanto sua boca tomava a dela em carícias molhadas e intensas; Regina beijava como uma rainha, um toque poderoso e confiante capaz de transformá-lo em uma montanha obsoleta de sensações. Sentiu quando ela subiu os dedos por seus braços, tateando-o no escuro, marcando a superfície da sua pele com toques quentes e suaves. As unhas dela brincavam com a sua nuca, arranhando suavemente até que ela segurou ali com as duas mãos e o puxou para si, beijando-o com tanta vontade que seu corpo abandonou a superfície da porta por alguns instantes.

“Meu Deus” Gemeu ela, quando Robin não aguentou mais e precisou ceder à tentação de beijar seu pescoço, de saborear sua pele com beijos molhados e leves mordidas. Ela era uma deusa e a cada segundo que eles passavam se descobrindo naquela escuridão, mais ele se sentia um eterno súdito de seus caprichos. Sentiu quando Regina segurou na mão que acariciava seu quadril e congelou por instantes, achando que havia ultrapassado os limites, mas ela manteve seu toque ali, direcionando-o sobre seu seio esquerdo enquanto abaixava suavemente a alça de sua blusinha fina de seda.

“Tem certeza?” Questionou ele, preocupado de estar lendo os sinais errados.

Uhummm foi tudo que ele conseguiu ouvir antes de sentir os dedos dela percorrendo seus cabelos, puxando-o na direção do seio nu. Robin beijou a pele ao redor de seu mamilo, ouvindo a respiração dela atingir picos extremos de ansiedade, observando que ela estava tremendo — todo o corpo dela estava tremendo — e finalmente fechou os lábios ao redor dele, acariciando-o com a língua de maneira quente e doce, sugando com calma e atenção. O gemido que escapou por entre os lábios dela seguiu caminho diretamente para a ereção entre as pernas dele e Robin sentiu um leve espasmo em sua perna, tamanha a força feita para manter seu corpo sob controle.

Regina sentiu a garganta secar. Naquele momento ela não conseguia pensar em nada que não fosse o prazer produzido em seu corpo por Robin; em como ele a estava reduzindo a uma porção de tesão latente. Tudo — sua insegurança, motivação, receio, qualquer ideia que tivera sobre aquele homem — tudo havia evaporado. Ele continuou sugando seu mamilo delicadamente e ela gemeu, porque seu corpo não ia produzir um alívio para aquele pico gritante de excitação sozinho. Ela precisava dele.

Robin soltou seu mamilo fazendo pressão com os lábios, soltando-o suavemente antes de subir o caminho de volta para os lábios suculentos dela. Beijou-a com volúpia, escorregando para a bochecha, continuando com os beijos abertos, língua sobre pele até alcançar a orelha dela onde ele deslizou a língua de cima a baixo, causando um arrepio que percorreu o corpo dela de cima à baixo. “Me diga o que fazer, Regina. Me diga como te dar prazer e eu vou ficar mais do que feliz em fazê-lo.”

Ela gemeu, apertando o bíceps dele com as unhas, enlouquecida pelo turbilhão de emoções sob a sua pele. “Use os dedos.” Pediu ela, e uma das mãos deslizou para a nuca dele, puxando seu rosto, alinhando seus lábios e finalmente mergulhando os olhos cor de chocolate na margem límpida de seus olhos azuis, seduzindo-o. “Para dentro, e me deixe beijar você.”

Ela ergueu uma das pernas, acompanhando a lateral das pernas dele e encaixou seu salto na parte posterior, aproximadamente na altura do joelho. A inclinação era sugestiva, e Robin acariciou sua coxa enquanto a beijava incansavelmente, brincando com sua língua, acariciando-a, redescobrindo sensações que há muito estavam esquecidas. Ele afastou a calcinha dela, murmurando gemidos baixos e incoerentes ao perceber o quanto ela estava excitada, encharcada de tesão por ele. Deslizou o polegar pela entrada dela, pressionando de maneira sutil, provocando-a na direção de um limite que ela não podia lidar. Ela apertou a boca contra a dele antes de enfiar a língua, beijando-o com toda a sua capacidade libidinosa; Robin grunhiu, e ela agradeceu por eles estarem em um ambiente escurecido, assim o sorriso vitorioso dela podia passar despercebido.

Robin circulou sua entrada com o indicador e o dedo médio, perguntando novamente se ela tinha certeza, se estava tudo bem, e ela deslizou as mãos para seus ombros, apertando as pontas dos dedos ali com força. “Robin, por favor.”

Quem era ele para resistir a um pedido daqueles? Ele deslizou os dois dedos para dentro dela, e eles gemeram imediatamente, o som ecoando em uníssono. Ela puxou-o pelo cabelo, voltando a beijá-lo com urgência, e Robin continuou empurrando os dedos para dentro dela, para dentro da carne quente e apertada, tentando não focar na maciez dentro dela, no quanto ele gostaria de ajoelhar e lamber toda aquela carne até Regina explodir em seus lábios. Não, não fora isso o que ela pediu, e ele só iria dar a ela o que ela quisesse. Os gemidos dela lhe tiravam a concentração, mas ele manteve o ritmo, os dedos encharcados, entrando e saindo dela com facilidade. Regina já não sabia se gemia ou se o beijava, a mente em devaneio, o corpo em seu limite, calor sendo descarregado em todos os seus pontos nervosos, como um vulcão entrando em erupção em diversos pontos diferentes. “Mais forte…” Pediu, em um sussurro, o corpo pequeno e feminino arqueando-se contra a porta, esfregando-se contra a mão dele; Robin mordeu o lábio inferior, conferindo mais força e pressão nos dedos que a invadiam, aumentando o ritmo, curvando seus dedos, ouvindo-a gemer cada vez mais alto, e mais alto, e mais alto.

Ohhhh meu — mas ela nunca terminou. Ele roçou o polegar sobre seu clitóris e ela perdeu suas estribeiras, apertando as unhas com tanta força em seus ombros que ele jurou que aquilo deixaria marcas; mas Robin também não estava pronto para aquilo. Regina tinha uma figura desenhada, o corpo pequeno e feminino, delicado, e a maneira com que o corpo dela se contraiu, as costas formando um arco, os seios empinados para a frente, os espasmos que amoleceram suas pernas, e ela estava tão linda, como é que uma mulher atingindo seu ápice poderia ser tão poético? Mas ele não teve tempo de pensar nisso, porque ela soltou um último gemido, baixo, que parecia uma súplica chorosa e aquilo atingiu exatamente a ereção em suas calças, e foi mais do que ele conseguia aguentar. “Porra, Regina” Gemeu ele, escapando por seu próprio desfiladeiro, o quadril chacoalhando violentamente, enquanto ele apoiou seus braços na porta, tomando cuidado de não esmagar seu corpo contra o dela. Seu corpo estava tremendo, e ele respirou fundo.

“Robin, isso…”

Ele encostou a cabeça contra a dela, têmporas encostadas, respirações bagunçadas. “Você me fez gozar nas calças.” Ele riu, e ela acompanhou sua risada, deliciada.

“Me desculpe.”

“Não se desculpe. Valeu a pena.”

Eles permaneceram ali contra a porta por algum tempo. Alguém bateu na porta, tentando rodar a maçaneta e de repente eles se deram conta de onde estavam. No banheiro. Do bar. “Precisamos ir.” Sussurrou ela, parecendo muito mais calma do que antes.

Ela acendeu a luz, e então, eles trocaram um olhar sob a luz. Um olhar que revelou muito mais coisas do que Regina estava preparada para lidar. Robin a olhava com completa adoração, com uma devoção que a deixava incerta, perdida, e talvez despreparada. Ela esperava o olhar mais lascivo possível, a malícia, o olhar do homem que havia acabado de fazê-la explodir de prazer em seus dedos, mas ele não podia ser esse homem, podia? Ele tinha que ser apaixonante. Um cavalheiro em pleno exercício do cavalheirismo.

“Tudo bem?” Perguntou ele, parecendo levemente preocupado com o dilema interno dela.

Regina consentiu, balançando a cabeça. Sem falar nada, ela segurou seu rosto, deslizando o polegar sobre sua barba, acariciando-o enquanto memorizava cada detalhe de seu rosto. Logo em seguida, ela se aproximou e beijou sua boca, apenas o suave encostar de seus lábios, um intercâmbio de calor e carinho. Quando se separaram, ela sorriu. “Pode ir na frente. Eu vou me limpar e encontro você no balcão.”

Ele balançou a cabeça, saindo do banheiro sorridente. Lavou a mão na pia do lado de fora, pedindo desculpas à garota na fila do banheiro e ganhando um sorriso de adoração em retorno. Sentou-se na banqueta, virou-se para o bartender e pediu uma cerveja. Ele precisava conhecê-la melhor. Tinha certeza disso. Depois do que acabara de acontecer, ele não tinha dúvidas de que o que quer que fosse isso, era recíproco e Regina era sensacional, Regina era uma mulher sem precedentes, nada que ele tenha visto ou conhecido em toda a sua vida e ele não iria deixá-la escapar assim. Ela iria afastá-lo, mas ele ia insistir, insistir até ela aceitar que ele a queria. Muito.

Terminou sua cerveja, aguardando pacientemente. Algum tempo depois, percebeu que a fila do banheiro estava se desfazendo. Estranhou, caminhando até o mesmo e percebendo que a fila não estava se desfazendo. Estava simplesmente andando. Ele olhou em volta, procurando ao redor. Será que ela já havia chegado ao balcão e ele não tinha visto?

“Se você está procurando aquela moça, ela foi embora.” Disse um dos rapazes com boné de universidade, encostado na parede atrás dele.

“Qual moça?”

“A morena. Saia preta, blusinha brilhante. Ela acabou de sair.”

Robin fitou ao redor, mas não a viu. Desconfiado, ele caminhou até a varanda, o local onde a maioria dos fumantes estava reunido, mas de onde ele sabia que poderia ver a rua abaixo deles. Encaixou-se no pequeno vão entre o banco e o vaso de uma planta que estava praticamente morta e olhou para a rua, para a confusão de carros e jovens com suas garrafas, bebendo despreocupadamente. Um táxi encostou, e então ele a viu, mas no segundo seguinte, ela desapareceu dentro do mesmo e no segundo seguinte a este, o táxi seguiu seu caminho.

Irritado, Robin fechou os olhos, respirando fundo, tentando aplacar o turbilhão de emoções que ela acabara de produzir nele.

Por que é que aquela maldita mulher tinha que ser tão complicada?