Robin sentou-se na cadeira próxima à vidraça. Era uma boa tática para encontros; se de repente algo saísse do controle, era só chamar a atenção para as pessoas passeando pela rua e voilá, crise resolvida. Ele estava prestes a pedir desculpas a ela por ter feito um pedido tão insolente quando ela aceitou se encontrar com ele.

Qualquer que tenha sido o motivo, ele achou bem apropriado não dar tempo a ela de mudar de ideia. Passou-lhe um endereço de um café bonito e discreto, situado em uma vila residencial e tranquila da cidade. Ele estava ansioso, e isso o incomodava. Ele já estava calejado na arte dos encontros; por que é que aquele parecia o primeiro encontro de sua vida?

Se deu conta de que ainda não sabia o nome dela. Mas ele havia a descrito para a hostess, além de ter deixado seu nome. A atendente perguntou novamente se ele desejava fazer seu pedido, mas ele não achou cavalheiro começar antes dela chegar. Por algum motivo, a discussão com seu pai lhe veio à tona e ele teve que se esforçar para afastá-la. Aquele não era o momento para pensar nas coisas erradas de sua vida.

“Olá, Robin.”

Ele virou-se imediatamente, encontrando um par de olhos castanho chocolate que o fitavam com curiosidade. Levantou-se e ajudou-a a tirar o casaco, colocando-o sobre o banco. Ela usava uma camisa social azul bebê, dois botões abertos, uma pequena sombra de pele à mostra. Os cabelos lisos e escuros caíam sobre os ombros, e ela usava jeans e botas. O perfume dela era estonteantemente viciante, e marcava a presença dela. Ele pensou no fato de estar usando jeans e uma camisa de flanela, e que parecia um fazendeiro tomando café com uma modelo.

“Olá, estranha.” Sorriu ele, e ela sentou-se, ajeitando-se no espaço e jogando os cabelos para trás. Ela o observou silenciosamente enquanto ele pedia o cardápio para a atendente. Robin podia jurar que a mulher deu graças a Deus por ele finalmente pedir alguma coisa.

“Regina.” Disse à morena na sua frente, a voz rouca e firme. Era um som incrivelmente memorável. “É o máximo de informação sobre mim que vou conceder a você.”

“Nesse caso é melhor eu usá-la até a exaustão.”

Quando a atendente chegou, ele pediu um café mocha, com leite e calda de caramelo, e frutas cristalizadas. Regina esboçou um sorriso, balançando a cabeça. “Apenas um café expresso para mim, duas colheres de açúcar. Obrigada.”

Quando voltou sua atenção para ele, percebeu que ele a estudava. Os olhos azuis pareciam mais límpidos do que ela se lembrava. A raiva que ela um dia sentira por ele parecia ter se dissipado, e no momento ela sustentava um misto de curiosidade e irritabilidade. Ele parecia mais bonito, e ela não sabia se era seu cérebro cedendo à pressão de Rosie Bell ou se ela havia bebido demais na noite do pub. De qualquer forma, aquela camisa xadrez vermelha o deixava muito bem.

“Bem, você disse que queria conversar. Para isso alguém precisa falar aqui...”. Provocou ela, e ele sorriu, exibindo as covinhas nos cantos de seus lábios e ela imediatamente sentiu-se um pouco mais encantada por ele.

“Qual sua música preferida de Tom Odell?”

Ela mordeu a pele por dentro de sua bochecha, segurando-se para não sorrir. Ele estava jogando baixo. Por que é que ele tinha que perguntar sobre seu cantor favorito? Poderia falar do tempo. De livros que ela jamais leu mas tinha opiniões formadas sobre. Sobre a temporada de tênis em Cannes.

“Por que? Você pretende tirar um violão do bolso e cantar para mim?”

“Não me subestime, Regina.” Ela adorou a maneira com que o nome dela deslizava para fora dos lábios dele, quase como uma oração. Uma súplica. Ele sorriu.

“Eu acho que é.... Sparrow.”

“É uma letra sensacional.” Ele ajeitou-se no banco, alinhando os ombros e ela percebeu que ele tinha um corpo bem mais torneado do que imaginava. Ou ela não havia prestado atenção o suficiente até então. “Tom é um homem bastante sensível. As letras dele são tão poéticas quando tristes.”

“A vida sem melancolia seria muito cansativa.”

Ele sorriu. “Nós músicos estaríamos todos desempregados.”

“A vida sem música é um grande tormento. Não sei se eu aguentaria.” Comentou ela, batendo as unhas recém pintadas com um esmalte preto na mesa de madeira branca. Ele não diria nada a ela, mas naquele momento ele sentiu-se ainda mais atraído por ela. Uma mulher que apreciava a paixão de sua vida, como ele poderia não reagir a aquilo?

“Você tem interesse profissional em música, Regina?”

“Não.” Disse ela sorrindo. De fato, muito longe daquilo. “Eu sou apenas uma apreciadora de arte. E música nada mais é do que a arte através do som.”

“Parece que temos uma alma artística aqui.” Brincou ele e ela sorriu.

A atendente aproximou-se deles, servindo suas bebidas. Robin a ajudou, sob o olhar atento de Regina. Assim que ela se afastou, ela bebericou um pouco de seu expresso antes de continuar. “Você pensa bem pouco sobre mim, Robin. De acordo com a nossa última conversa você deve achar que sou uma viciada em trabalho, viciada em analgésicos e descontente com a vida.”

“Eu nunca diria isso.”

“Mas deve ter pensado.”

“Talvez sobre o vício em trabalho, o restante fica por sua imaginação e risco.” Ele bebeu um gole de sua bebida e achou-a deliciosa. “Eu não conheço você, Regina. Qualquer conclusão que eu tire corre o risco de estar horrorosamente equivocada. A menos é claro que você me deixe conhecer você.”

“Ou que você não tire conclusões a meu respeito. Que tal?”

Ele sorriu. “Eu prefiro a primeira opção. Mas me fale, Senhora Apreciadora de Arte. Quais seus artistas preferidos. Escultores. Exposições.”

“O mal das pessoas é achar que arte se resume a um quadro pendurado em um museu chique em Amsterdã. Claro que há obras primas majestosas sendo exibidas ao redor do mundo. Acho que a verdadeira arte está em tudo que nos rodeia. Nas músicas que você canta. Em como você se veste, mesmo que pareça ter saído de um seriado do Texas.” Ela riu. “Na maneira que amamos uma pessoa, na maneira que falamos. Seu sorriso, sua personalidade, as coisas em que acredita, seus sonhos. Como você bebe essa sua xícara de qualquer que seja essa bebida com cara de Natal. Como decoramos nossa casa, nossa lista de compras, a comida que cozinhamos. Nossa letra cursiva, ou como nos sentimos. Tudo é arte. A vida é arte.”

Ele bateu palmas e ela sentiu suas bochechas queimando. “Pare com isso.”

“Você tem noção de quão lindo é isso que acabou de dizer? E passional? Tenho que aplaudir mesmo. Todo mundo deveria.”

Ela olhou em volta, certificando-se de não ter nenhum rosto conhecido ali. “Você tem sérios problemas.”

“Você também, mas tudo bem.” Rebateu ele e ela fitou-o por alguns segundos, pensando o quanto ele não tinha ideia da veracidade daquelas palavras. Regina tinha muitos problemas e ele provavelmente correria na direção contrária se soubesse. De repente, ela perguntou-se o que estava fazendo ali. O que ela esperava daquele encontro? Nunca daria certo. Ela sabia disso. Os fracassos de seus relacionamentos eventualmente acabavam sendo por conta de suas atitudes ou a falta delas e iludir-se achando que dessa vez seria diferente era uma tolice. Mas ela prometera se comportar, ou ao menos tentar ser amigável. Por Rosie.

“Está tudo bem?” Perguntou ele, parecendo ter notado a mudança em seu humor.

“Tudo.”

“Não está se sentindo confortável aqui?” Ele encarou os olhos dela de maneira firme. “Se em algum momento você quiser ir embora, Regina, eu vou entender.”

“Não, eu...” Ela respirou fundo. “Me desculpe. Estou com a cabeça cheia.”

“Quer conversar?”

“Achei que já estávamos.” Riu ela, e ele sorriu. “Além do mais, é apropriado contar minha vida pessoal para um completo estranho?”

Ele gesticulou como se estivesse ofendido, colocando as mãos no peito e fazendo uma careta. “Primeiramente eu não sou um completo estranho. Você sabe onde eu moro, tem o telefone da minha casa em seu celular, sabe o nome da minha banda. Você é muito mais estranha para mim do que eu para você.”

Ela concordou. “Você está certo.” Bebericou outro gole de seu café.

“Além do mais, o fato de eu ser estranho é muito melhor. Eu não conheço ninguém da sua vida, vão ser apenas nomes aleatórios.”

Ela sabia que ele tinha razão. No pior dos casos ela nunca mais o veria novamente, e ela seria apenas uma estranha que contou sua vida a um estranho em um café aleatório, como nos livros. “Meu ex marido vai se casar. Mas ele não me disse, na verdade eu tive que descobrir lendo uma nota no jornal.”

Robin balançou a cabeça, indicando que estava acompanhando. Ela continuou.

“Eu queria dizer que não me importo, mas eu me importo. Não é por ele. Eu não tenho nenhum interesse nele. Mas isso me faz pensar em como as coisas acabaram entre a gente. Fomos casados por dezoito anos, de-zoi-to anos. É muito tempo. E ele simplesmente se apaixonou por ela. E agora ele vai começar do zero com ela, e eu... bem, eu estou aqui desabafando com um cara que quase matei atropelado.”

Robin sorriu. “Veja pelo lado bom, se tivesse me matado não teria com quem desabafar.” Ele bebeu outro gole de sua bebida. “Eu acredito que na vida, todas as pessoas que conhecemos tem um papel específico. Algumas vão nos testar, algumas vão nos usar, algumas vão nos amar e outras vão nos ensinar coisas. Mas as mais importantes são as que trazem à tona o melhor de nós.”

“Você quer dizer que eu não trouxe o melhor dele à tona?” Ela franziu o cenho. “O que é que você sabe? Você não o conhece para poder falar isso.”

“Hey, hey, calma aí.” Pediu ele, erguendo as mãos e pedindo piedade. “Eu não disse isso. Mas com o tempo, nós aprendemos que nem todos os amores duram para sempre. Talvez você tenha cumprido seu papel na vida dele, e essa nova pessoa esteja iniciando o dela.”

“E onde é que eu fico com isso tudo?”

“Você quer ficar com ele?”

“Não.” Ela mordeu o lábio inferior antes de olhar na profundidade de olhos azuis. “Esse casamento já não era a junção de amor e cumplicidade e apoio muito antes de acabar. Eu...”. Ela mexeu o café, brincando com a pequena colher. “Eu só não acho justo ele estar tão feliz e eu não. Ele ter deixado de me amar tão rápido só me faz questionar se ele realmente me amou de verdade um dia.”

Robin terminou sua bebida e acenou para que a atendente trouxesse outra. “Ele disse isso? Que não a ama mais?”

Regina pareceu surpresa com a pergunta. “Não, mas.... Ele vai se casar com outra. Não é óbvio?”

“É claro que não.” Ele sorriu, balançando a cabeça. “O fato de duas pessoas terminarem um relacionamento não quer dizer que deixaram de se amar, Regina. Só que elas preferiram parar de machucar uma à outra.”

Ela subitamente sentiu-se muito imatura. Por que é que ela nunca havia visto as coisas daquela maneira em dois anos? Ela estava agindo através das emoções, e era claro que aquilo não estava lhe ajudando a se tornar uma pessoa melhor. Não estava lhe proporcionando nenhum crescimento e sim a afogava mais e mais em auto piedade.

“Pessoas são temporárias, Regina. Não deixe seu mundo circular ao redor de alguém. Foque em você. Se você gosta de arte, faça arte, veja arte. Nós passamos tanto tempo esperando por outro alguém que esquecemos de viver, esquecemos que as pessoas se vão e que acabamos eventualmente sozinhos.”

“É uma perspectiva um pouco triste, não acha?”

“A vida é um pouco triste, não acha?”

Ela sacudiu os ombros. Sim, a vida é um pouco triste. De repente, ela sentiu-se muito interessada no homem à sua frente. Ela jamais diria que o homem que ela inicialmente achou grosseiro e idiota era na verdade tão sábio. Tão culto. “Mas você não parece ter uma vida um pouco triste. Parece que sabe exatamente o que quer, como quer, e o que fazer. De onde vem essa segurança? Como que você consegue?”

A atendente trouxe a bebida dele, mas ele nunca conseguiu pegá-la. Regina puxou-a pelo pires, roubando-a dele e arqueou uma sobrancelha, como quem o desafiava. Ele apenas virou-se para a atendente e sorriu. “Você poderia me trazer mais um, por favor?”

“Eu nem sempre fui assim. Por muito tempo eu aceitei ser oprimido a fazer coisas que não queria, porque era isso o que esperavam de mim. Mas eu não era feliz.” Ele respirou fundo, encarando os olhos cor de chocolate. A beleza dela lhe tirava a concentração o tempo todo. “Mas a infelicidade é sufocante. Parece que a vida não vai para a frente. Parece que estamos vegetando, suportando os dias em um cansaço interminável.”

“O que mudou?” Perguntou ela, bebendo o mocha e entendendo o que ele via naquilo. Era um gosto maravilhoso. A lembrava realmente do doce sabor das manhãs de Natal. Era quase como se ela pudesse ouvir jingle bell tocar ao fundo e sentisse o panetone sendo servido no café da manhã.

“Eu me rebelei.” Ele riu, como se lembrasse de algo cômico. “Claro que não foi fácil lidar com a rejeição do meu pai, com os apuros financeiros, com as dificuldades. Mas olhando para a vida que tenho hoje, sinto que valeu a pena. Coisas maravilhosas acontecem quando se é honesto consigo mesmo e se passa a fazer aquilo que você ama e que lhe faz feliz. É como se vida desacelerasse. Você para de contar os minutos para o final de semana, para os feriados, para eventos especiais. Você consegue viver cada momento como se fosse único, e volta a entender o que é se sentir um ser humano. Você simplesmente embarca nessa onda que é a vida, repleto de contentamento e alegria.”

“Eu só consigo sentir inveja de você neste momento.”

“Talvez seja a hora de você se rebelar.” Brincou ele e ela pareceu realmente pensar no assunto. “Você não tem nenhuma obrigação de ser a mesma pessoa para sempre, nem mesmo por quinze minutos, se não quiser. Você pode evoluir.”

“Você é tão... poeta.” Concluiu ela, pensativa.

“Isso é ruim?” Ele a encarava com os olhos fixos e ela teve vontade de rir. Ele estava genuinamente preocupado com a opinião dela e ela achou aquilo absurdamente doce da parte dele.

“Não.” Ela bebeu outro gole de sua bebida. “Só inesperado.”

“Acho que nossos pré-julgamentos foram precipitados.”

O celular dela tocou e ela pediu desculpas a ele antes de atender. Ela respondeu de maneira estritamente formal e ele não soube se ela estava fazendo isso por causa dele ou era de certa forma um hábito. Na verdade, ele estava concentrado na maneira com que ela encarava seus lábios, como se tivesse hipnotizada por eles. Se ela soubesse o quanto aquilo era ainda mais difícil para ele, ela não faria aquilo. Percebeu que ela desligou a chamada e colocou o celular dentro da bolsa. “Eu preciso ir. Você me acompanha até o carro?”

Robin balançou a cabeça, pedindo apenas um minuto para fechar a conta e ela concordou.

***

Eles caminharam em silêncio até o carro. Mas os pensamentos quase podiam ser ouvidos. Nenhum dos dois queria que aquele encontro acabasse; por alguma razão, ambos se sentiram confortáveis e seguros na presença um do outro. Poderiam ficar conversando sobre as nuances da vida o resto da noite, e nenhum dos dois iria reclamar. Mas era uma chamada do trabalho e ela precisava responder. Eram os ossos do ofício de escolher trabalhar a favor do exercício da justiça – não havia hora certa para fazê-lo.

Caminharam pela calçada e entraram no estacionamento. Robin avistou o carro familiar e riu, pensando nas voltas que o mundo dava. Quem diria que ele estaria ali, protelando em deixar novamente a dona daquele carro ir embora, mas por uma razão completamente oposta?

Regina virou-se para ele, parando ao lado da porta. Os olhos cor de avelã alinharam-se com os azuis brilhantes e por alguns segundos ela ficou ali apenas o observando. “Robin, obrigada. Eu nem me lembro da última vez que me senti tão em casa na presença de alguém, o que é um absurdo, já que eu...”

“Não me conhece direito.” Concluiu ele, e ela concordou, sem quebrar o contato visual. “Mas você poderia. Basta querer.”

“Eu... não sei se estou pronta.” Ela quebrou o contato visual, e ele percebeu que havia vacilado. Pressioná-la ia afastar aquela mulher e ele jamais conseguiria recuperar o tempo perdido. Não havia espaço para erros.

“Tudo bem, Regina.”

“Você é muito agradável.” Ela começou a brincar com as chaves do carro, os olhos fixos no peito dele, na flanela vermelha e preta.

“Você não é tão chata assim também.” Rebateu ele e ela riu, uma risada verdadeira e firme e ele adorou aquele som. Ele poderia ouvi-lo em um loop infinito, todos os dias. Ele percebeu que ela estava protelando para ir embora, e não podia culpa-la; ele também não queria que ela fosse.

“Regina?” Questionou ele, e de repente percebeu que eles estavam ainda mais próximos.

“Hm?” Murmurou ela, mas não ergueu o rosto. Robin posicionou o dedo indicador sobre o queixo dela e levantou lentamente, fazendo-a olhar em seus olhos. Ela podia sentir a respiração dele contra seus lábios. Eles estavam tão próximos que podiam sentir o calor emanando de seus corpos.

“Você não faz ideia de como que eu quero beijar você agora. Eu não consigo respirar pensando em quanto eu gostaria de sentir seus lábios e eu sei que”

Foi quando ela puxou a camisa dele, e o calou, encaixando os lábios macios nos lábios dele. Uma onda de calor e eletricidade atravessou o corpo dele, e ele fechou os olhos, aproveitando ao máximo aqueles segundos de sobrecarga física. Mas assim que ele tentou entreabrir os lábios e ganhar mais acesso, Regina o soltou e virou-se, prestes a abrir a porta do carro. Ainda amortecido pelo que acabara de acontecer, Robin deu um passo à frente e a puxou pelo braço, empurrando-a contra a lateral do carro e prensando-a entre ele e seu corpo. Diferente do beijo que ela havia lhe dado, ele deslizou as mãos para o pescoço dela e a beijou com firmeza, deslizando a língua para a boca dela sem pedir licença. Calor e desejo tomou conta deles, e Robin não conseguia saciar-se, beijando incansavelmente, provocando-a, suas línguas deslizando uma sobre a outra e incrementando ainda mais as ondas de calor que agora bailavam entre eles. Regina suspirou, uma das mãos indo até a nuca dele e segurando-o com firmeza, como se ela tivesse medo de que ele fosse escapar de seus lábios e a outra mão estava cuidadosamente posicionada sobre o bolso posterior de seus jeans, sob a linha do quadril dele, apertando-o contra seu corpo. Robin percebeu que ela estava lhe dando o aval necessário, e inclinou-se rapidamente, deslizando seus beijos molhados e preguiçosos para o pescoço dela. Regina gemeu baixo e ele sentiu-se amaldiçoado por aquele som tão irresistível, certo de que ele faria tudo para ouvir aquilo de novo. Mas ele não podia levar aquilo muito longe, não estando em público. Voltou a beijar a boca dela com fome e necessidade até sentir a inegável necessidade de ar. Afastou suas bocas e percebeu que ela estava igualmente ofegante.

“Regina, eu” Ele respirou fundo, mantendo suas testas encostadas. “Eu precisava fazer isso.”

“Eu estou feliz que tenha feito.” Sussurrou ela, antes de puxar a nuca dele e beijá-lo mais uma vez, de maneira rápida. “Mas eu realmente preciso ir. Eu estou me atrasando.”

Ele se afastou, soltando o corpo dela e ela sorriu para ele, levemente enrubescida pelo que acabaram de fazer. “Quando vou poder vê-la novamente?”

Ela encarou-o como se ele tivesse feito uma pergunta que ela esperava não ser feita. Regina caminhou até ele e acariciou seus cabelos, empurrando-os para trás. Segurou-o pela mandíbula e então beijou o rosto dele delicadamente. Deslizou os lábios até a orelha dele e sussurrou.

“Quando nossos caminhos se cruzarem novamente.”

Sem mais, ela virou-se e entrou no carro; segundos depois ela deu partida no mesmo e desapareceu pela avenida. Robin deslizou a mão pelo rosto, pensativo. Ele nunca se dera ao luxo de acreditar em coisas como destino, mas agora, ele precisava não somente acreditar, mas também torcer para que acontecesse o mais rápido possível.