Roleta Russa

16 Capítulo 16


Eles haviam ensaiado aquela operação milhares de vezes. Regina seguiu exatamente o protocolo; posicionou as equipes de atiradores, analisou os perímetros, fechou as rotas de fugas. Não havia como escapar. Sua preocupação eram as reféns – há algum tempo eles desconfiavam que um grupo de mulheres estavam sendo mantidas naquele cativeiro, e precisavam repensar toda a entrada com o intuito de reduzir as baixas ao ponto inexistente.

Respirou fundo, posicionando-se atrás do oficial com o escudo e acenou para Graham. Ele guiou os outros oficiais pela lateral oposta. Algo estava errado, ela podia sentir. Estava tudo muito, muito silencioso.

Ainda assim, havia civis em perigo. Apressou-se em entrar, seguindo a frente que adentrava o local com cautela. As vozes ecoavam em sua mente, gritos distantes de Quadrante 1 limpo!, Ala Oeste limpa! e ela percebeu que o som que a estava ensurdecendo eram as batidas de seu próprio coração.

Foi quando ela percebeu que toda a equipe estava parada. Olhares de compaixão a encontraram e ela não entendeu; afastou-se, encaixando-se entre os vazios do pequeno grupo até chegar na última sala. Era por isso que eles estavam olhando-a daquela maneira; quase como se estivessem lhe pedindo desculpas.

Aos seus pés, jogados de maneira desmazelada e sem um pingo de humanidade, jaziam os corpos das mulheres que ela viera salvar. Letras garrafais haviam sido escritas na parede com os que ela acreditava ser o sangue das vítimas.

Você chegou tarde, delegada.

Regina respirou fundo, sentindo a bile voltando com força até a borda de sua garganta. Precisava manter a calma e a disciplina, uma equipe inteira esperava por instruções. “Tirem foto de tudo. Chamem a perícia e os legistas. Enfatizem que quero que eles chequem cada centímetro deste lugar em busca de digitais. Isolem esse local. Todo mundo para fora depois disso e certifiquem-se de checar minuciosamente quem está entrando e saindo. Não quero que comprometam essa cena.”

A maioria deles já se encontrava em retirada da cena quando John alcançou-lhe o antebraço. “Regina...”

“Delegada Mills.” Corrigiu ela, encarando-o com as sobrancelhas arqueadas.

“Delegada Mills...” Repetiu ele, sem contestar. “Você está bem?”

“Como assim?”

“Regina... Eu sei que você estava confiante que íamos salvá-las e....”

Ela encarou-o como se ele tivesse acabado de estapear sua face e ele arrependeu-se imediatamente. Soltou-a, parecendo de repente incrivelmente envergonhado.

“Não confunda as coisas, Graham. Aqui eu sou sua chefe e cabeça dessa operação. Você pode me chamar de Delegada. Não interessa se estou bem, mal, com enxaquecas ou borboletas na barriga, oficial. Estamos aqui a trabalho. E se tivéssemos feito nosso trabalho direito, não estaríamos recolhendo corpos.”

“Nós não tínhamos como saber...”

“Eu disse que estávamos grampeados. Madeleine está grampeada. A diretoria não me ouviu e essas mulheres pagaram o preço por isso.” Ela suspirou. “Mais alguma coisa, oficial?”

“Não senhora.” Rebateu ele, assumindo a posição ereta e submissa à autoridade dela.

“Obrigada. Agora volte ao trabalho. Preciso que foque nas coisas importantes aqui.”

Regina deixou o edifício. Caminhou, saindo do perímetro; o ar queimava seu peito, forçando seu sistema respiratório ao limite. Mantenha a calma. Ela olhou ao redor. Tudo estava cercado. Não havia como eles terem escapado, a menos que soubessem o que estava por vir. Toda a operação estava comprometida.

Grunhiu, fechando o punho e socando a porta da viatura. O impacto machucou a costa de sua mão, mas ela não podia se importar menos. A dor de uma pancada nada se comparava com o que a esperava. Não era sequer relevante considerando que ela teria que colocar-se na frente de uma coletiva de imprensa para dizer às famílias daquelas mulheres que ela fora incapaz de salvá-las.

Discou o número da Oficial Mendoza.

“Mendoza.”

“Mills falando. Mendoza, preciso que você convoque o conselho. Diga que é urgente. Não pode ser no saguão de convenções da delegacia. Arrume um local seguro, contate o Conselho Nacional de Segurança, faça o que for necessário. Acredito que a delegacia possa estar grampeada.”

“Sim, senhora.”

Regina voltou o caminho e orientou alguns policiais para criar um cerco; a imprensa chegaria em pouco tempo e ela não queria repórteres xeretando onde não deviam. Isso significaria dar a quem quer que fosse o Papai Noel um relatório completo do que eles haviam descoberto e ela não permitiria que isso acontecesse – nem que ela tivesse que quebrar câmera por câmera.

Seu celular tocou novamente e ela atendeu sem checar o visor. “Mendoza?”

“Regina?”

Ah não.

“Jefferson, não é um bom momento.”

“Você não pode ficar me evitando para sempre, Regina. Eu tentei te ligar ontem, mas Valerie...”

“Você tem um minuto antes que eu desligue essa ligação.”

“Regina.” Ralhou ele, visivelmente irritado e ela sentiu uma ligeira vontade de rir. Como é que ele conseguia ser tão egocêntrico? Ele sequer se dava conta do tamanho do problema com o qual ela estava lidando para ter que se importar com os dramas pessoais dele.

“Estou contando.”

“Emma pediu para eu marcar um jantar com você e as crianças. Eu sei, eu disse que você não aceitaria, mas ela insiste e eu...”

“Tudo bem, Jefferson. Marque o jantar. Ligue para Greta, combine com ela.”

“Mas Regina...”

Ela respirou fundo, os olhos fixos nos primeiros furgões jornalísticos que começavam a apontar na direção oeste. “Jefferson eu estou no meio de uma operação policial, uma cena de crime, e diversos corpos. Será que você pode entender que eu concordo com esse jantar, mas eu preciso fazer a porra do meu trabalho agora e você está me atrapalhando?”

“Entendido, Delegada.” Resmungou ele, visivelmente ofendido.

Ela desligou sem dizer nada, enfiando o celular no bolso da frente. Estava prestes a entrar no edifício quando observou Graham saindo apressadamente na sua direção, carregando o que ela sabia não serem boas notícias.

“Me dê boas notícias, Graham.” Suplicou ela, já sabendo que receberia o contrário disso.

Ele sorriu de maneira melancólica antes de voltar a fechar o rosto. “Madeleine foi atacada e está a caminho do hospital.”

***

A primeira coisa que Roxanne aprendera naquele dia fora que Nicole Bates era bastante desorganizada. Incrivelmente eficiente, sim, mas na verdade só ela conseguia se encontrar dentro de sua bagunça. Os cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo balançavam de um lado para o outro enquanto ela corria, esbaforida, entre o telefone e a planilha aberta, e Roxy não pensou se seria mais fácil ela transferir o arquivo para um dispositivo móvel. Mas bem, ela estava ali para aprender, então resolveu calar-se. Podia modificar algumas coisas quando estivesse sozinha.

“Não, não. Não foi isso que ela pediu, Marc. Ou você incluiu os anúncios da Bulova ou você vai me causar problemas e se você me causar problemas eu vou até a sua casa para passar por cima de você com um tanque de guerra. Não. Não estou brincando, Marc. Arrume os anúncios.”

Ela desligou o telefone e deu meia volta na cadeira giratória, um sorriso cansado dançando em seus lábios finos. “Onde é que eu estava?”

“Na planilha de lançamentos.” Respondeu Roxy.

“Certo.” Ela deslizou até o notebook, e reabriu a planilha. “Essa planilha é de uso exclusivo meu, no caso, vai ser de uso exclusivo seu. Temos aqui tudo que entra e sai da revista, financeiro, físico, recursos humanos. No sistema integrado, você tem os lançamentos atualizados por dia, conforme o financeiro e o jurídico vão acertando, mas a sua tia, quer dizer, a Senhora Deville, ela precisa dessa planilha atualizada fielmente. Tudo bem?”

“Tudo bem.”

“Às vezes ela vai precisar que você lide com fornecedores, clientes e artistas. Essas duas pastas aqui tem a ficha de cada um deles e você faz muito bem em estuda-las. Eventualmente, quando somos solicitadas em reuniões ou eventos, é importante saber quem é quem.”

“Certo.”

O celular dela tocou. Nicole suspirou, retirando o mesmo do bolso. “Louis, quantas vezes eu já lhe disse para não me ligar durante o expediente? Você quer que eu seja demitida?” Roxy abaixou a cabeça, forçando-se a fingir que não estava ouvindo nada. “Eu também te amo querido. Eu ligo depois.”

Roxy pensou em Leo, mas afastou os pensamentos tão rápido quanto eles chegaram. “Me desculpe, Roxanne. Ele anda muito carente durante os preparativos para o casamento, sabe?”

“Não sei...” Respondeu a garota, mas tentou recuperar adicionando um pouco de compaixão. “Mas imagino como deve ser.”

“Você tem namorado?”

“Não.” Respondeu ela, sorrindo.

“Isso é surpreendente. Você é muito bonita.”

“Eu prefiro focar na minha carreira primeiro.” Rebateu ela, ligeiramente acanhada.

“Você é mesmo sobrinha dela.” Suspirou a loira, arqueando as sobrancelhas. “Bem, vamos continuar. Ah, os detalhes. A Sra. Deville só come carne branca no almoço. Chá de...”

“Hibisco com gotas de xarope de macadâmia e água com gás sem gelo, com essência de limão à parte. Quanto à alimentação dela, podemos pular. Eu entendo bem.”

Nicole sorriu. “Você é esperta. Vai se adaptar rapidinho.”

“Assim eu espero. Não posso vacilar.”

“Por que ela é sua tia?”

“Porque eu prometi à minha mãe.” Respondeu Roxy, pensativa e Nicole apenas sorriu, aceitando a resposta e movendo a conversa para o próximo tópico.

***

Henry estava na biblioteca, terminando as tarefas de química quando seu celular tocou. Ele pensou duas vezes antes de atender quando viu o nome dela no visor, mas quem ele queria enganar? Ele jamais recusaria uma chamada dessas.

“Oi Violet.”

Um leve barulho foi tudo o que ele recebeu em resposta. “Violet?”

“Henry...”

Ela estava chorando.

“Violet, você está bem?”

“Henry, você pode vir aqui em casa?” A voz dela estava fina e frágil, intercalada por soluços.

“Posso, mas o que aconteceu? Você está me deixando preocupado.”

“Eu...” Ele percebeu que ela ainda estava chorando. “Você estava certo sobre Cole. Ele é um idiota.”

“Vocês brigaram?”

“Eu não deveria ter ligado.”

Ele engoliu em seco. “Violet, nós ainda somos amigos. Estou na escola. Chego em dez minutos aí, tudo bem?”

“Okay.”

Ele estava prestes a desligar quando ouviu-a chamando por ele. “Sim, Violet?”

“Me desculpe por não ter confiado em você.”

Ele fechou os olhos, digerindo com cuidado o peso daquelas palavras. Ao abrir os olhos, ele parecia cansado. “Tudo bem. Estou a caminho.”

***

Ele chegou em oito.

Subiu as escadas que já lhe eram familiares, e bateu na porta do quarto dela. “Pode entrar.” Violet estava deitada no escuro, e ele deixou que permanecesse assim. Colocou a mochila no chão, e subiu na cama dela, deitando-se do lado dela. Percebeu que ela ainda estava com o uniforme, exceto pelos pés calçando apenas um par de meias cor de rosa.

“Onde está todo mundo?”

“Eles foram ao cinema.” Resmungou ela.

Ele engoliu em seco, os olhos fixos nas estrelas de plástico que ela havia colado no teto. Elas brilhavam no escuro, mas ele já sabia. Ele conhecia cada centímetro daquele quarto como o seu. Havia passado muito, muito tempo ali. Eles ficaram em silêncio; de qualquer forma, ele também não sabia o que dizer. Algum tempo depois, Violet aproximou-se, deitando a cabeça contra o peito dele e Henry pediu licença para colocar o braço por baixo do pescoço dela, de modo que agora ele podia acariciar suas costas enquanto ela o abraçava delicadamente, um braço atravessado sobre o abdômen dele.

Henry não sabia se perguntava sobre a briga. Sobre Cole. Ele era tão inexperiente que por um segundo, teve vontade de rir de sua própria desgraça. “Henry... Eu preciso te contar uma coisa.”

“Okay.”

“Você promete que vai continuar falando comigo depois que eu te contar isso?”

Isso queria dizer que possivelmente era algo ruim, mas ele tinha que aguentar. “Não há nada que você possa me dizer que vá fazer eu me afastar de você, Vi.”

Ela suspirou, os braços apertando-se ainda mais contra a cintura dele, como se ele fosse escapar por entre os seus dedos. Uma sensação que ele já estava calejado de tanto sentir. “É que... eu não sei, Henry. Depois de tudo, eu me sinto tão indigna do seu carinho. Da sua atenção. Eu afastei você por causa de um cara que... honestamente.... Você era meu melhor amigo desde que éramos crianças e eu simplesmente...”

“Independentemente do que possa ter acontecido, nós não estamos aqui? Juntos? Conversando como fazíamos antes?”

“Sim.”

“Então pare de se lamentar. Sim, as coisas ficaram estranhas entre a gente, mas bem... Depois do divórcio dos meus pais, eu estou aprendendo que estranho é o novo normal.”

Ela riu e ele sentiu-se como um raio de sol no meio de uma tempestade escura.

“Eu usei drogas com ele.” Confessou ela, num sussurro quase inaudível. Henry voltou sua atenção para ela, mas Violet fitava a camiseta dele, a atenção fixa em alguma dobra do tecido – uma atitude quase desesperada para evitar os olhos dele. “Eu sei que foi um erro, Henry. Eu estava tão... cega. Eu achei que isso faria ele gostar mais de mim. No final, eu percebo que eu não sou uma daquelas pessoas. Eu não sirvo para isso. Eu... todas aquelas coisas só me faziam sentir uma pessoa horrível. Algo que eu preciso esconder da minha família e dos meus amigos não pode ser uma coisa boa.”

Ele odiava Cole. Agora mais do que nunca. Ele sabia que não podia culpa-lo totalmente, afinal, havia sido uma decisão dela. Mas ele simplesmente não podia evitar. Ainda a acariciando, ele sorriu, e finalmente ela voltou a olhar para ele. “Isso não muda quem você é, Violet. Uma atitude ou algum erro que você cometeu não reescreve quem você é. Nós não somos absolutos. Somos constantes, flexíveis, mutáveis. Podemos ser bons ou ruins, isso depende da continuidade das nossas ações.”

“Então você não está com raiva de mim?”

“É claro que não.” Respondeu ele, abraçando-a. “Mas eu espero, de coração, que você não continue nesse caminho. Quer dizer, basta olhar para a minha irmã. Eu não quero que você passe pela mesma coisa, entende?”

“Sim.” Violet ajeitou, fitando sua atenção no teto estrelado. “Como ela tem lidado com isso?”

“Eu acho que apesar de ser um saco, tudo o que aconteceu fez bem a ela.” Ele sorriu, pensando na irmã. “Quer dizer, eu e Roxy sempre nos demos bem. Mas ultimamente, ela parece estar se dando melhor com a minha mãe também. E com esse emprego novo, e com Leo, quer dizer... fazia muito tempo que eu não via minha irmã animada com as coisas.”

“Eles estão namorando?”

“Ela disse que não. Mas eu sei que ela gosta dele.”

“E Leo...”

“Precisa ser cego para não perceber o quanto ele está apaixonado por ela. O que é horrível, porque ele é meu amigo e ela é minha irmã e eu fico ewwww, mas bem, ela está sempre mais sorridente perto dele. E tudo o que eu quero é que ela seja feliz. Eu quero que todos da minha família sejam felizes.”

Violet segurou na mão dele, os dedos encaixando-se delicadamente e Henry deixou a mente divagar. Será que sua mãe estava feliz? Será que estava faltando algo a ela? Será que eles estavam sendo egoístas e ignorando o fato de que ela estava passando por uma fase ruim?

***

“Ele estava sorrindo igual uma criança, eu estou falando sério!” Rosie sorriu, olhando a maneira que sol cobria os edifícios menores ao andar de seu apartamento. Bebendo seu café, ela cogitou fazer uma parada rápida na revista para ver como Roxanne estava se saindo em seu primeiro dia.

“Eu não acredito que ela dormiu com ele e não me contou. Isso não é a cara da Regina, Killy.”

“Mas vocês não estão brigadas?” Perguntou ele e ela apertou involuntariamente o aparelho contra a orelha, tentando aproxima-lo. Um dia, e ela já estava com saudades. Droga.

“Isso não interessa. Sexo é um assunto muito importante, entendeu? Muito. É um parâmetro de profundidade. Ela tinha que ter me contado.”

“Isso quer dizer que você contou para elas sobre a nossa vida sexual?” O silêncio na linha fez com que o moreno arregalasse os olhos do outro lado da linha. “Rosie! Ela pode acabar namorando com o meu irmão, pelo amor de Deus, eu não quero que meu próprio irmão saiba como eu sou na cama.” Rebateu ele exasperado, fazendo-a rir do outro lado da linha. “Isso só pode ser um pesadelo terrível do qual eu vou acordar em...”

A campainha tocou, e Rosie colocou a caneca sobre o balcão, caminhando até a porta com o aparelho no ouvido. Estranhou o fato do porteiro não ter ligado, e isso significava que só podiam ser duas pessoas, apesar de uma delas ser completamente improvável. Valerie Deville ou

“Regina.” Constatou ela, encarando a morena na sua frente.

“Oi. Posso entrar?” Pediu ela, polidamente.

“Killian, eu preciso desligar. Beijo.” Respondeu ela, os olhos azuis firmes na outra mulher que aguardava aval para entrar. Rosie estendeu a mão, sinalizando para que ela adentrasse o apartamento. Regina entrou, ainda incerta e um pouco desconfortável. Rosie caminhou com ela até a sala, sinalizando o sofá. “Posso te servir alguma coisa? Chá, café, vinho... eu não tenho nada mais pronto, realmente não estava esperando visita e eu...”

“Eu só quero conversar.” Respondeu Regina.

“Okay...” Concluiu Rosie, ainda bastante chocada. Uma atitude tão... inesperada, vindo de alguém que ela conhecia tão bem. As duas sentaram-se em sofás diferentes, mas posicionados frente a frente. Regina colocou a bolsa ao seu lado, cruzando as pernas delineados por um jeans escuro, as botas de salto alto evidentes no ar.

“Rosie...” Começou ela, olhando em volta. Ela havia ensaiado como começar muitas vezes e repetido inúmeras vezes durante o trajeto. Mas estar frente a frente com alguém em quem ela confiava e amava com tanta força, bem, isso intensificava as coisas de uma maneira incrível. Não que ela não estivesse confortável com Rosie; a mulher era praticamente sua irmã de outra mãe. Ela só não estava acostumada a falar sobre aquele assunto.

“Antes que você fale, Regina, eu preciso pedir desculpas.” Rosie sorriu, embora timidamente. “Não foi correto da minha parte esconder as coisas de você, sendo que cabe a você dizer o que você pode ou não lidar, ou com o quem você quer ou não lidar. Não sou eu que devo fazer decisões por você. É tão fácil para mim querer proteger você e eu meio que me deixei levar por isso.”

“Tudo isso começou muito antes, Rosie. Eu fugi disso, por tanto tempo, e como vou culpar vocês por tentar me proteger se eu agi como se a mera menção do nome dela fosse uma facada? Toda vez que qualquer tópico relacionado ao divórcio ou ao novo relacionamento de Jefferson era trazido à tona eu me fechava, me recusando a falar sobre e implorando para vocês praticamente mudarem de assunto. Eu criei esse bloqueio entre nós. Então me desculpe por ter brigado com você. Eu fui muito injusta.”

Quando Regina ergueu o olhar, Rosie estava encarando-a com um sorriso bobo nos lábios. “O que foi?”

“Quem é você e o que fez com a minha amiga Regina?”

“Idiota.”

“Isso tudo é efeito de uma noite com o Robin?”

O rosto da morena ganhou cor imediatamente. “Que? O que você já está sabendo? Eu vou matar o Robin se ele...”

“Hummmmm, então você está confirmando?”

“Eu não transei com ele!”

“Não?”

“Não. Foi ele quem disse isso? Porque se foi, eu vou castrar ele com as minhas próprias...”

“Ow ow ow. Não foi ele.” Riu Rosie, deliciada com o jogo que acabara de virar contra a delegada. “Killian só disse que o irmão dele estava muito sorridente, mas que se recusou a falar sobre vocês e então nós fizemos a conta e....”

A ideia de que Robin estava sorrindo por causa dela causou um efeito imediato em seus próprios lábios e ela se viu sorrindo. Rosie arregalou os olhos. “Você está sorrindo... Regina, o que está acontecendo entre vocês?”

“Nada.”

“Pare de mentir. Você sorriu de um jeito que... bem, que... eu não sei. Eu não lembro de ter visto você sorrindo desse jeito faz séculos e você acabou de me dizer que não transou com ele. O que está acontecendo? Vocês estão apaixonados? Ah meu Deus! Vocês estão namorando? Regina...”

“Você saiu de um livro do John Green? Eu acabei de conhecer o cara, Rosie, como assim estamos apaixonados e namorando?”

“As coisas acontecem como nos livros, às vezes. Não subestime o poder da arte.”

“Eu subestimo o poder dessa sua imaginação, isso sim.” Regina suspirou, tentando não sorrir mais. “Eu e Robin estamos nos conhecendo, indo devagar. Eu tenho filhos, não vou expor minha família a qualquer um antes de ter certeza que não é um affair de duas semanas.”

“O fato de você estar pensando em apresenta-lo às crianças não te diz o quanto esse relacionamento é importante para você?”

“Rosie.” Ralhou Regina, incomodada com a insistência da amiga.

“Tudo bem! Vou deixar vocês pombinhos em paz. Por enquanto.” Enfatizou ela, sorrindo.

“Eu estava com saudades de você.” Confessou Regina. “Agora que resolvemos essa questão, você pode me dar algo forte para beber?”

A expressão de Rosie suavizou-se. “Dia difícil?”

Regina balançou a cabeça, concordando. Não podia dizer nada sobre o que acontecia em seu trabalho, mas isso não importava. Uma das coisas que ela mais prezava em suas duas melhores amigas era que elas entendiam a dinâmica que regia sua vida, e simplesmente seguiam o sentido das engrenagens. Não faziam perguntas que não podiam fazer, não se importavam em não saber o que não podiam saber, mas estavam sempre dispostas a ceder um ombro amigo, um sofá macio, uma dose de uísque com gotas de licor.

Rosie voltou segundos depois com um copo com meia dose. Regina sorriu, brindando com a xícara de café da amiga e elas sentaram-se no mesmo sofá, contemplando juntas o silêncio e a companhia uma da outra.

***

“Boa tarde, Senhor Locksley.” Cumprimentou ela, ao entrar em seu escritório. Robin sorriu, acompanhando Roxanne até que a mesma se sentou no sofá. Vestia calça social e uma camiseta de linho, os cabelos presos.

“Boa tarde, Roxanne.” Respondeu ele, sentando-se no mesmo local de sempre. No meio da mesa, encostado sobre a superfície de madeira. Roxy reparou que o final da tarde o deixava mais despojado. As mangas da camisa social estavam puxadas para cima no antebraço de maneira descuidada, a gravata estava frouxa, dois botões estavam abertos. “Como estamos hoje?”

“Cansados?” Rebateu ela, cruzando as pernas e ele sorriu.

“Não posso discordar.” Ele apoiou as mãos na mesa, e ela percebeu que os músculos dele se flexionaram. “Hoje foi seu primeiro dia no trabalho, suponho.”

“Sim.”

“E o que você achou?”

Ela suspirou. “Acho que as pessoas têm certa resistência a mim por eu ser sobrinha da dona. Acham que sou metida, essas coisas.”

“Você é?”

Ela fez uma careta de incredulidade. “Você me acha metida, Senhor L.?”

Robin riu, as covinhas sendo marcadas instantaneamente. “Eu perguntei o que você acha. Pessoas falam sobre pessoas todos os dias, Roxanne. Não quer dizer que elas falem sempre a verdade. Ninguém sabe mais sobre você do que você mesma, então, eu refaço a pergunta. Você acha que é metida?”

Roxy encarou-o por algum tempo. Soltando os ombros, ela disse. “Talvez eu seja. Um pouco.”

“De qualquer forma, isso nunca deve importar.”

“Você deveria dar esse tipo de conselho? Quer dizer, achei que psicólogos tinham que dizer ‘Ah, mas você pode melhorar isso’ ou ‘Você sempre pode crescer como ser humano’.”

“Eu pratico uma terapia diferente.”

“Estou percebendo.” Disse ela sorrindo.

“Estou dizendo que não importa porque veja bem, sua tia é sua chefe. Ela já conhece você. Ela sabe como é sua personalidade. Por isso você não deveria se importar. Você precisa fazer seu melhor e provar sua eficiência. Seu profissionalismo. É isso o que sua chefe barra tia ainda não conhece. Às vezes nós queremos tanto uma coisa, tanto, mas tanto mesmo que nós a arruinamos antes mesmo de começa-la. Nós pensamos demais. Fantasiamos demais. Imaginamos, criamos expectativas, nos preocupamos, criamos dúvidas. Não caia nessa armadilha, Roxy. Deixe a situação fluir naturalmente. Deixe que o tempo dê as cartas.”

Ele percebeu o olhar de admiração nos olhos dela e sorriu, acanhado. “O que foi?”

“Você me chamou de Roxy.”

“Roxanne, eu quis dizer Roxanne.”

“Seu segredo está a salvo comigo, Senhor L.”

“Como estão as coisas na sua casa?”

“Você quer dizer como estão as coisas com a minha mãe.”

Ele ajeitou-se na mesa. “Sempre que eu lhe falo sobre a sua casa você traz sua mãe para o holofote. Isso quer dizer que é a relação que mais lhe preocupa.”

Roxy ajeitou-se no sofá, descruzando as pernas. O movimento não passou despercebido, mas ele decidiu não comentar. Essa era uma faceta muito interessante sobre ela. Havia algo ali, algo na relação com sua mãe que a impedia de ficar totalmente em paz. Como um espinho preso no calcanhar, uma pulsação de dor localizada a cada passo. Uma abordagem direta poderia fechar aquela rachadura para sempre e ele jamais teria a oportunidade de entender o que precisava de cura ali. Então, lhe restava apenas esperar o momento em que o espinho sairia sozinho. “Quer dizer, porque eu me preocuparia com a minha relação com o meu pai? Meu pai... Ele se preocupa com: Emma, o trabalho dele, a imagem dele e depois a gente. Nessa ordem.”

“Isso não incomoda você?”

“Apesar de ser ruim para o meu ego, eu não ligo. Tanto faz. Não é como se ele fizesse algo realmente decisivo no nosso dia-a-dia, minha mãe tem tudo nas mãos. Como sempre.”

“Você parece ter muito orgulho dela, apesar de tentar mascarar com esse orgulho desnecessário.”

As bochechas dela ganharam um tom rosado e ele suprimiu um sorriso vitorioso. “Bem, a verdade precisa ser dita. Minha mãe é mesmo uma mulher sensacional e independente e meu pai é quem sempre precisou dela.”

“Um minuto.” Pediu Robin. Ele deu meia volta, pegando um caderno e uma caneta. “Eu gostaria que você repetisse essa frase. Vou anotá-la.”

Roxy revirou os olhos, achando aquilo uma besteira. Quando seus olhos castanhos voltaram a encontrar os olhos azuis do psicólogo, percebeu que ele estava bastante sério. “Estou esperando.”

“Minha mãe é mesmo uma mulher sensacional e independente e meu pai é quem sempre precisou dela. Pronto?”

“Pronto.” Respondeu ele, terminando de escrever aquilo.

“Não sei porque o senhor é tão obcecado com essa coisa minha e da minha mãe.”

“Porque isso é importante para você. Então, se torna importante para mim. Você pode não perceber, Roxanne, mas está tão impresso em você que percorre suas digitais. Sua mãe está tatuada na sua pele.”

“Que ótimo.” Resmungou ela.

“E o seu irmão? Você não costuma falar muito dele.”

“Porque ele não é tão interessante. Por incrível que pareça, ele é bem saudável. Ele se dá bem com as pessoas, ele tem bons amigos, ele é dedicado nos estudos, educado, um bom garoto. Eu sou a má influência na vida dele.” Riu ela.

“Gostaria de conhecê-lo um dia. Poderia trazê-lo?”

“Ele vai estar do lado de fora quando a sessão acabar. Eu o apresento.”

“Ele espera você para ir embora? É legal da parte dele.”

“Como eu disse, ele é um bom garoto.”

“Como Leo.”

O nome fez com que ela o encarasse de imediato. “O que tem ele?”

“Também é um bom garoto.”

“Sim...” Roxy pensou por alguns segundos. “Você o conhece?”

Robin manteve o silêncio por alguns instantes. Ele podia decidir entre falar a verdade e ser apenas vago. Mas essa também era uma manobra psicológica. Roxanne havia se permitido a vulnerabilidade na frente dele diversas vezes, fazer o mesmo apenas ajudaria a melhorar a qualidade da relação deles. “Sim, eu o conheço. Na verdade, ele é como um sobrinho para mim.”

“Eu não sabia...”

“O pai dele era meu melhor amigo. Will Scarlett.”

Roxy manteve os olhos nele, subitamente muito interessada. “O que aconteceu com ele?”

“Leo nunca te contou?”

“Ele só disse que o pai dele morreu, mas não disse o que aconteceu.”

“Talvez eu não seja a pessoa certa para lhe contar. Por que você não pergunta a ele?”

Ela revirou os olhos, emburrada. “Eu tinha certeza que você ia dizer isso, nem sei por quê me dou ao trabalho de perguntar.”

“Por que eu acho que vocês fazem bem um ao outro. E acredite, Roxanne, eu não teria incentivado você a se aproximar dele se eu não achasse você uma boa pessoa. Ele é quase um filho para mim.”

Ela sorriu e ele sorriu em resposta, continuando logo em seguida. “Você tem tido problemas com Tyler? Ou com recaídas de substâncias?”

“Não. Eu nem posso pensar nisso. Eu realmente não quero estragar as coisas dessa vez, Senhor L.”. Ela começou a brincar com as próprias mãos, indicando seu súbito nervosismo. “Eu sei que minha mãe já me deu muitas chances e ela sempre vai dar. Mas sabe quando você quer ser mais? Mais do que uma decepção? Mais do que aquela pessoa que estraga tudo? Eu vejo quem o Leo é, ou quem o Henry é, eu vejo a maneira que eles cuidam das pessoas e agem corretamente, e sempre tem olhos para o bem, e eu quero ser assim. Eu quero ser mais do que simplesmente legal com quem eu gosto. Como chama isso?”

“Crescimento.”

Ela sorriu. “Então é isso. Eu não quero mais estragar tudo. Eu quero crescer.”

“Você está no caminho certo, Roxanne. Mas não pense demais. Não tente prever o que acontecerá daqui um mês. Não tente pensar no que acontecerá daqui a um ano. Foque nas vinte e quatro horas à sua frente e o que você pode fazer para dar mais um passo na direção daquilo que você deseja ser. Aos poucos, você chegará ao seu destino.” Ele virou-se para a mesa e pegou um pedaço de papel. “Eu tenho um exercício para a próxima semana. São cinco princípios que eu gostaria que você usasse para o seu dia-a-dia. Vamos ler todos eles e se tiver algum que você tenha dificuldade de aceitar, ou não acredite, nós trocamos agora. Tudo bem?”

“Tudo bem, eu acho.” Disse ela, incerta, pegando o papel que o homem lhe estava estendendo.

“Para ser uma pessoa melhor? Esse título é tendencioso, sabia?” Brincou ela e ele mostrou a língua.

“Você lê ou eu leio?”

“Você.” Rebateu ela, imediatamente e ele a observou por alguns segundos.

“Só porque você disse isso, você que vai ler. Todos.”

“Essa terapia é uma mentira, estou sendo agredida emocionalmente aqui.”

“Comece a leitura, Hatter.”

“Certo. Para ser uma Roxy melhor.” Começou ela, e ele sorriu com a modificação. “Número um: seja impecável com a sua palavra. Só fale aquilo que você realmente pode honrar. Nem menos nem mais.” Eles trocaram um breve olhar e ela continuou. “Número dois: Não leve as coisas para o pessoal. Às vezes, as pessoas têm outros problemas. Às vezes, damos um significado às palavras ou situações que simplesmente não estavam ali. Nós os fabricamos.” Ela encarou o papel. “Mas e se a pessoa quis mesmo dizer aquilo? Você não espera que eu fique levando desaforo calada, espera? Eu não sou assim, sinto muito. Minha mãe tem sangue latino, nós...”

“Roxanne.” Pediu ele, chamando a atenção dela. “Eu não quero que você se torne um robô. Você tem emoções, elas são incontroláveis. Você eventualmente vai ter raiva de alguém ou alguma coisa, e tudo bem. Essa lista são coisas que você pode trabalhar, aos poucos. Ou você pode jogar no lixo quando sair daqui, o caso é: depende de você. Não se cobre tanto assim, até porque você já está fazendo muito mais do que imagina.”

“Número três...” Continuou ela. “Não assuma nada. Não tire conclusões precipitadas. Não pense pela outra pessoa, não suponha que sabe o que ela está pensando. Em caso de necessidade, pergunte. Número quatro: Sempre faça o seu melhor. Seja pouco. Seja muito.”

Ela virou o papel, mas não havia nada atrás. “Só isso?”

“Sim.”

“Achei que teria mais coisas.”

“Poucos alvos fazem com que seja mais fácil focar neles. Lembrando que você não precisa usar isso como uma oração diária, mas durante a semana pode ser muito interessante você pensar neles, ou em como coloca-los em prática.”

“Tudo bem... Eu vou tentar.”

“Isso é o suficiente.” Robin encarou-a e fitou o relógio atrás dela, suspenso na parede. “Nós encerramos por aqui.”

“Já?”

“Você ganhou vinte minutos.”

“Pelo quê?” Perguntou ela, desconfiada.

Robin sorriu, parafraseando a frase dela. “Minha mãe é mesmo uma mulher sensacional e independente e meu pai é quem sempre precisou dela. Pronto?”

“É sério. Dispensada por hoje, Roxanne.”

Ela sorriu. “Você é demais, Senhor Locksley!” Respondeu, já colocando a bolsa sobre o braço e caminhando na direção da saída.

“Onde você vai?” Perguntou ele.

“Mas eu não fui dispensada?”

“Sim...” Respondeu ele, vestindo o terno e colocando a bolsa sobre o ombro, guardando os cadernos dentro da mesma logo em seguida. “Mas você me disse que ia apresentar seu irmão.”

“Ah.” Respondeu ela.

Honestamente, ela pensara que ele não estava falando sério. Adultos nunca falavam. Eles indicavam vontades, desejos, intenções, mas na prática, realizavam muito pouco. Eles não agiam de acordo com suas palavras. Mas Robin Locksley não era um adulto muito comum e talvez por isso, ou principalmente por isso, que ela gostava tanto dele.

***

“Como é o nome?”

“Andrews. Madeleine Andrews.” Respondeu Regina. A atendente digitou algumas coisas, e em seguida ergueu os olhos, em busca do crachá.

“E a senhora é....”

Regina suspirou. Retirou a insígnia do bolso frontal. “Delegada Regina Mills. Policia Federal.”

“A senhora Andrews acabou de entrar na sala de ressonância magnética. Vocês terão que aguardar trinta e cinco minutos até o final do procedimento, depois disso poderão falar com ela no quarto.”

“Obrigada.”

“Poderia ser pior.” Rebateu Graham, e ela concordou, balançando a cabeça. O fato de que o Papai Noel não havia ordenado o assassinato de Madeleine só podia significar que ela era importante para a solução do caso. De alguma forma, ela era também importante para ele. Não tão importante que ele não pudesse machucar, mas ele não se livrara dela como ele possivelmente faria.

“Acho que devemos pedir um mandato para a casa dela, Graham.” Começou Regina, os olhos atentos na movimentação do hospital, macas de um lado para o outro, paramédicos, e então...

A tatuagem.

Os olhos de Regina identificaram primeiro a tatuagem. O pássaro coberto por uma aquarela verde, as asas abertas e então ela sabia de quem se tratava. O resto foi apenas um borrão; ela abriu caminho até a maca, tirando quem quer que fosse do seu caminho até que ela alcançou a maca.

“Senhora, você não pode...”

“Valerie, o que aconteceu com você?”

Mas estava bastante obvio. Regina, mais do que ninguém, sabia exatamente o que aqueles ferimentos e hematomas indicavam. “Quem foi?”

Valerie estava respirando pesadamente, lágrimas borrando seu rosto e Regina sentiu seu coração despedaçando-se a cada segundo.

“Senhora...” Pediu o paramédico, impaciente.

“Valerie, só me dê um nome.”

“Re... Regina...” A voz dela estava saindo com dificuldade.

“Valerie.”

“Giles.” Sussurrou como se fosse quebrar. “Foi o Giles.”

“Você vai ficar bem, Val. Eu prometo. Eu vou estar aqui. Fica tranquila.” Regina deixou que eles se afastassem, empurrando a maca para dentro do pronto socorro. Seu coração batia descompassado.

“Aquela não era sua amiga? A editora?”

“Eu preciso que você encontre uma pessoa para mim, Graham.” Pediu ela, sem olhar para ele. Podia sentir o gosto de sangue em sua boca. A velocidade de sua pulsação. “Giles Underwood.”

“O que faço com a localização?”

“Só me dê um endereço, Graham.”

“O que você vai fazer?”

“Eu vou matar esse filho da puta.”