Road To Nevada
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Esse capítulo tá um pouco grande, mas foi necessário pra dar umas informações iniciais....
Ele já estava no meu computador há um tempo, resolvi postar agora por um lapso, e gerou isso.(Esse o motivo da capa/sinopse tosca)
Então....Leiam!
~HAVER~
Estava olhando para o teto de madeira do meu quarto, tentando pegar no sono, quando ouço meu celular tocando com aquele som irritante. “Preciso falar com você” dizia o SMS, o ignorei e olhei no relógio, eram 23:00 horas. Por isso que eu não conseguia dormir, ainda era relativamente cedo. Voltei para a mensagem, decidindo se responderia. O remetente era Lucas, é claro; meu namorado há três meses, infelizmente.
Na visão das minhas amigas éramos o casal perfeito, ele era bonito, inteligente, e blá blá blá... Mas eu nunca gostei muito dele, só que nunca tinha dito isso para ninguém. Só aceitei namorar com ele por maioria de votos.
Isso se chama agir sob pressão.
Cheguei à conclusão que ele provavelmente queria me dar um presente de aniversário, já que eu tinha feito 14 anos na semana passada, então peguei meu celular e digitei algo como “A gente se fala amanhã na escola”. E fiquei com o celular na mão, admirando... Meu tão cobiçado Iphone. Eu tinha ganhado do meu avô por parte de pai, dono de uma empresa distribuidora de eletrônicos, algo assim, nunca soube direito no que ele trabalhava, só sabia que ele era muito rico. E ele sempre me deu tudo que eu queria, incluindo uma festa de aniversário na casa de praia, quando eu ganhara o Iphone. Sim, casa de praia, moro na Califórnia, mas eu, meus pais e meu irmão moramos na área mais modesta, longe da praia. Na verdade meu bairro nem parece ser parte da Califórnia.
Revirei na cama, não conseguia dormir de jeito nenhum, então resolvi pegar meu fone de ouvido, sempre dormi melhor com música. Mas quando levantei da cama, pisei em uma lata de Coca-Cola.
Nossa... Meu quarto estava muito bagunçado; o quarto era bem pequeno, a parede era rosa, desde meus 9 anos, o piso de madeira, uma cama, meu guarda-roupa, milhões de pôster(Para esconder a tinta rosa), meu laptop escondido embaixo da cama(Não tinha espaço para escrivaninha) e alguns itens(Livros, CDs). No momento meu quarto estava com pacotes de Doritos espalhados, roupas sujas em cima do tapete e cadernos em cima da cama.
Como eu não conseguia dormir, comecei a arrumar o quarto. Recolhi as roupas, passei um pano com detergente no chão com esperança de tirar o cheiro de Doritos; mas quando fui limpar embaixo da cama, a vassoura trouxe, junto com a poeira e latas de refrigerante, um envelope.
Provavelmente era um envelope branco, mas estava amarelado, talvez pelo tempo ou pela sujeira (ou pelos dois). Dentro havia uma foto de um homem de aparência jovial, com cabelos loiros (provavelmente tingidos) e olhos que logo reconheci: castanho-claros (igual aos de meu irmão e de meu pai) na frente de uma pirâmide do Egito, e com uma pele bronzeada (provavelmente queimada pelo sol do deserto), eu particularmente não lembrava quem era aquele homem, mas provavelmente era um parente meu, pela semelhança com meu pai. No verso da foto estava escrito “Parabéns pelos sete anos, seu tio está com saudade”, com uma caligrafia bem familiar para mim, era como eu tivesse visto essa letra ontem...
Coloquei a foto em cima do laptop e fui dormir, ou pelo menos tentei.
***
Acordei com os raios do Sol batendo no meu rosto (Às vezes gostaria de saber quem foi o arquiteto gênio que planejou uma janela próxima da cama), é lógico que eu tinha uma cortina, mas meu irmão tinha aberto, esse era o modo favorito de tortura dele...
–Você não tem mais o quê fazer Andrew?? –Exclamei irritada.
–Tenho sim, tenho várias coisas mais legais pra fazer do que acordar você, e eu iria fazer essas coisas se você fosse responsável o bastante para acordar sozinha! –O garoto estava totalmente arrumado para ir para escola. Detesto ter que dizer, mas meu irmão era um garoto relativamente bonito, tinha cabelos castanho-avermelhados e extremamente lisos, daqueles que caiam no rosto, olhos castanho-claros; um corpo esportivo por causa de um curso de esgrima que ele fizera nos últimos 6 anos, mas saiu esse ano pois nosso avô tinha o proibido de fazer(se ele fosse menos nerd e mais como eu teria feito escondido), pois é, ele era o único nerd forte que eu conhecia.
–Você não é obrigado a me acordar, deixe que eu me vire sozinha, deixe que eu falte a escola, não é seu problema mesmo! –Eu disse, me levantando e separando meus livros para as aulas do dia.
–Sim, sou obrigado, pois se você faltar a mamãe vem me perturbar: “Ah, porquê você não acordou sua irmã? Você sabe como ela é!” –Ele disse, revirando os olhos e imitando a voz de nossa mãe. –Ah, se arruma logo, já são 7:30! –Exclamou saindo do quarto.
–Putz! –Xinguei baixinho, já estava atrasada. Corri para o banheiro e tomei uma ducha rápida, depois corri para o quarto e coloquei uma calça jeans, uma camiseta qualquer, uma jaqueta de moletom por cima e um all star. Logo fui para a nossa cozinha simples de modulado verde e peguei o primeiro suco que vi na geladeira.
–Você quer um sanduíche? –Perguntou Andrew de algum lugar que eu não tinha visto.
–De onde você veio criatura? –Exclamei assustada e ele encolheu os ombros como resposta. – Não, obrigada.
–Mas eu quero, -Ele disse, cortando o pão. –Desde quando você gosta de manga? –Ele olhou para o suco de caixa na minha mão.
–O quê? Ah, foi o primeiro que eu peguei. Não deve ser tão ruim... –Dei o primeiro gole e quase cuspi, Andrew viu minha careta e riu. Olhei irritada pra ele. –Onde estão nossos pais? –Perguntei, mudando de assunto.
Com a pergunta, o sorriso dele se desfez.
–Estão trabalhando... –Ele começou a olhar a lixeira como se fosse muito interessante.
–Que novidade... –Ironizei, irritada, joguei o suco cheio na lixeira e fui escovar os dentes. Tudo que tenho a dizer é que nossos pais estavam sempre trabalhando, e isso é super clichê, aquela mesma história dos pais ausentes e tal. Sempre fora assim na nossa família.
Escovei meus dentes, penteei meus cabelos claros ondulados(Com mechas roxas) para o lado e passei um lápis de olho preto.
Voltei para o quarto, peguei minha mochila cheia de bottons e olhei para o relógio do celular. Eram 8:15.
–Merda! –O horário de entrada era 8:00 horas. –Andrew! Se formos rápidos a gente consegue chegar no segundo horário! –Gritei, indo em direção da porta da frente. Meu irmão já estava me esperando no lado de fora, impaciente.
Fomos correndo, sem trocar uma palavra para não perder o fôlego. Nossa casa ficava a 35 minutos da escola. Íamos andando sempre, menos quando nossos pais estavam em casa e levavam a gente de carro, mas isso com certeza era uma raridade.
***
Chegamos ofegantes ao muro da escola, encharcados de suor, e o clima quente de verão não ajudava.
–8:40 –Disse Andrew, olhando para o relógio que nunca largava, tinha ganhado de nosso avô, em seu aniversário de 16 anos, dois meses atrás.
–Estamos 10 minutos adiantados –Eu disse decepcionada. –E eu com esperança de faltar hoje.
Andrew só revirou os olhos. Peguei meu IPhone e usei sua tela como espelho, o lápis de olho havia escorrido na correria.
–Se eu fosse você eu limparia isso, você tá igual a um panda... -Ele disse analisando meu rosto com uma expressão de deboche.
Olhei pra ele com raiva.
–Não não, pandas são muito fofos, você tá mais para um...dálmata... –Ele disse pensativo.
–Vai te ferrar Andrew! –Eu disse, pensando em vários xingamentos e ao mesmo tempo passando a mão freneticamente para limpar os olhos.
Quando finalmente escolhi um argumento, e ia começar a colocar os xingamentos para fora a campainha da escola bateu.
–Salvo pelo gongo! –Ele gritou, correndo para sala de aula.
Direcionei-me à minha sala, que era no bloco A, do ensino fundamental II, já a de Andrew era o B, do ensino médio. A escola tinha uma aparência antiga, com paredes de ladrilho laranja. Mas dentro das salas era completamente diferente: Uma porta de alumínio para cada sala de aula, e ao entrar na sala havia um chão de ladrilho branco e paredes verde-claras (na minha sala estavam totalmente rabiscadas).
Ao entrar na sala cruzei o caminho do professor de inglês, que tinha dado a 1ª aula que eu perdera. Rezei para ele não me perceber.
Fui totalmente ignorada por ele.
Como era de imaginar, a sala estava uma zona, alunos estavam em pé, conversando (alguns até gritando). Vasculhei o lugar à procura das minhas duas amigas, Mia (Amélia) e a Bel (Isabela), e logo as vi. Estavam no canto, vendo alguma coisa no celular da Bel. Sim, basicamente minhas amigas eram só elas, e neste momento você pensa: “Como uma pessoa tão legal quanto a Haver tem apenas 2 amigas?”; eu sou muito seleta com as minhas amizades(alguns diriam que eu sou antissocial); na minha opinião, quanto menos amigas você tiver, menos confusões irão acontecer.
Cheguei perto delas e anunciei:
–Estou aqui! Para sua felicidade! –Elas levantaram o olhar para mim e sorriram. Mia deu um pulo e me abraçou, e meu nariz ficou abafado nos seus cabelos alaranjados com cheiro de lavanda. Ela sempre foi meiga, com suas sardas, seu cabelo bem arrumado com travessas e seus olhos castanhos claros com sombra rosa glitterizada. Às vezes eu chamava ela de Gina Weasley.
–Haver!! Espero que você tenha lido a última postagem do meu blog! –Disse Bel. Tinha cabelos enrolados loiro-escuros e olhos verdes, ela poderia se passar por um anjo se não fosse tão maluca. Ela tinha um blog e adorava bater fotos, a totalmente fã de bandas pop esquecidas, tipo Backstreet Boys.
–Aquele da nova edição do clipe de Perfect do Simple Plan?
–Esse mesmo, eu tava mostrando pra Mia! Quer ver?
–Sim... –Eu disse tentando ser gentil.
–Ok, pega o fone... –O professor de geografia chegou bem na hora, me salvando.
–Depois da aula eu vejo... –Procurei uma cadeira para me sentar e joguei a mochila no chão.
A aula foi se arrastando lentamente, até que eu não aguentei mais e peguei meu celular. Quando vi, tinha uma mensagem nova: “Você faltou? Não vi você na entrada” do Lucas, então lembrei que ele queria falar comigo. Lucas era do 9º ano A e eu era do B, então só nos víamos na entrada, no intervalo e na saída.
“Eu cheguei atrasada hoje” respondi.
“Novidade kkkk”
“Então, o quê você queria falar comigo?”
“Ah... hum, a gente se fala pessoalmente... tenho que fazer uma coisa aqui na aula, tchau!”
“Ah, tá bom... bjs”
As duas aulas seguintes de geografia passaram penosamente, um papo repetitivo sobre globalização e países capitalistas.
Exatamente 10:30 a campainha do intervalo bateu, e saí rapidamente da sala com Mia, pois Bel estava ocupada demais mostrando à todos o bendito clipe do Simple Plan , ao chegar ao parque da escola, onde os alunos ficavam, fui logo atrás de Lucas, pois já estava curiosa. Ouvi Mia gritando alguma coisa atrás de mim, mas ignorei.
Procurei aquele garoto em cada canto da escola, e não o achei. Até que sentei exausta em um banco do parque e percebi que estava faminta, e tudo culpa do suco de manga.
Assim que a campainha tocou, me direcionei para a sala irritada, faminta e com uma sensação que meu maldito namorado tinha fugido de mim.
Não sei se foi a irritação ou a curiosidade, mas o resto do dia passou como um borrão, cansei de ouvir Bel falando sobre o diretor, o figurinista e o diabo à quatro do Simple Plan e Mia perguntando se eu estava bem e que era para eu ser feliz pois a vida é bela.
Quando finalmente a campainha tocou, recolhi rapidamente meus cadernos, os joguei de qualquer jeito na mochila e fui a primeira a sair da sala. Dessa vez não ia procurar aquele idiota, fui direto para o portão da frente onde me encontrava com Andrew, mas ironicamente topei com Lucas.
–Ah, oi... –Ele me olhou com seus olhos negros e seus cabelos igualmente negros em um corte de cantor de pop que endoidava a metade das meninas na escola.
–Hum... Oi... O que você queria comigo? –Murmurei impaciente.
–Eu não sei como te dizer...
–Olha, meu irmão deve tá quase pra sair, e então teremos que ir pra casa... Se você pudesse ir mais rápido...
–É que eu acho que não tá dando mais certo isso... –Ele desviou o olhar de mim –É melhor para nós dois terminarmos isso... O namoro digo.
–Hã? –Devo ter ficado igual uma biruta, boquiaberta, assustada, e perplexa. Provavelmente fiquei assim por uns 5 minutos, pois o garoto teve que pigarrear para eu voltar à realidade. –Hum...ah...hum...ok, então tchau... –Disse assustada. -Só isso?
–É... –Ele disse confuso.
–Então tá, tchau.
–Haver! Espera, é só isso, você não quer dizer nada?
–O que você queria?? Que eu começasse à entrar em depressão e escutasse algumas músicas depressivas?? Que eu começasse a chorar?!
–Não...é só que...você não quer conversar sobre isso?
–Não temos mais nada a conversar. –E me virei bruscamente. E fui andando com passos rápidos e pesados. Então avistei Andrew na frente da escola conversando com um amigo nerd, loiro, e até que bem bonito, mas eu estava irritada demais para reparar, passei pelo meu irmão, irritada, puxando ele pelo braço, deixando o amigo dele com uma cara de espanto.
–Vamos. –Eu disse, friamente, sem olhar no rosto de Andrew. E uma coisa que devo admitir é que meu irmão me conhece muito bem, então ele sabia que eu estava irritada, logo, ele ficou caladinho o caminho inteiro de volta para casa. Ele precisou correr para acompanhar meus passos.
É nesse momento que você me pergunta: “Mas você não disse que não gostava do seu namorado?”; é, eu disse, mas é que eu não estava preparada para isso, e sim, eu sei, vai soar egoísta, mas eu sempre achei que eu fosse terminar com ele.
Subitamente, alguém puxou meu braço esquerdo, e eu me virei, levantando o braço direito com força, para bater o que quer que estivesse atrás de mim.
–AI!! –Era Andrew, com uma cara retorcida de dor.
–Desculpe! Achei que era um assaltante! Ah Andrew, para de leseira, nem foi tão forte assim! –Exclamei, com um tom de risada na voz.
–Sim, dói muito quando dão um cruzado de direita devastador no seu estômago! –Ele exclamou, e eu sorri, pois Andrew sabe tanto quanto a mim que meus socos não doem nada e ele disse isso só para melhorar meu humor.
–Mas o que você queria? –Perguntei.
–Te avisar que nós já chegamos em casa, pois você continuou andando, igual uma maluca.
–Sério? –Olhei em volta assustada, estávamos na frente pequena e caprichada de minha casa, eu podia ver a janela do meu quarto.
–Onde você está com a cabeça?
–Lugar nenhum. –Eu disse rapidamente, entrando em casa. Corri para meu quarto, joguei a mochila na cama, ficando só com o Iphone na mão. Depressa, fui para o banheiro e liguei o chuveiro.
“O que você queria?? Que eu começasse à entrar em depressão e escutasse algumas músicas depressivas?? Que eu começasse a chorar?!”
Foi o que eu disse.
Ainda bem que ele não podia me ver agora, pois eu ia escutar toda minha playlist da Adele.
Notas finais
A rua da casa dos Moore(http://www.1000dias.com/fototmp/574-casas-vitorianas-na-alamo-square,-em-san-francisco,-na-california,-nos-estados-unidos-nikon%20(61942).jpg)
Quarto de Haver(http://3.bp.blogspot.com/-mEtsQ99T-y8/TcP_VGEvuKI/AAAAAAAAAR8/MZB6Uq1WkNc/s1600/designspongecrian%25C3%25A7a1.jpg)
Prometo diminuir os capítulos com o tempo....e me amem(ou odeiem) nos reviews! Devo demorar um pouco para postar o 2, então, paciência...
Como eu disse, é minha primeira original, então necessito críticas!
Fui!
~Nox~
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