Notas iniciais
Esqueci de dizer que cada capítulo vai mudar o narrador, tipo assim: O 1 capítulo foi narrado pela Haver, o segundo, este, vai ser narrado pelo Andrew, irmão dela. O terceiro pela Haver, o quarto pelo Andrew, assim vai.
Bem, esse capítulo tá menor que o anterior, como prometi, mas ainda tá um pouco grande...
Boa Leitura!

~ANDREW~

Sim Haver, muito tocante sua história, mas é minha vez de falar. Primeiro quero constar que não sou nerd, apenas me preocupo com meu futuro, diferente da minha irmã negligente. Outra observação é que nossa casa é pequena, então, só tem um banheiro, e ele estava completamente ocupado por minha irmã, seus 10 kg de depressão e sua playlist da Adele infinita.

-Sai daí garota!! –Eu disse pela milésima vez na porta do banheiro. –Eu quero tomar um banho, tá um calor infernal, e você já está aí há 30 minutos!!

-Me deixa em paz!! –Ela gritou lá de dentro com a voz abafada.

-Você poderia ficar aí com toda paz do mundo se esse não fosse o único banheiro da casa!

-Meu querido Andrew, se você está infeliz com a arquitetura da casa não é comigo que você deve se queixar! –Fez uma pausa -SAAAI DAQUI!

Bufei irritado, mas sabia que ela não ia sair de lá, era muito teimosa. Fui à cozinha e molhei o rosto na pia, tentando me refrescar. Tinha um lado bom de minha irmã estar no banheiro, o quarto dela estava livre, assim podia acessar o notebook dela à vontade, pois meu computador demorava 30 minutos só para ligar.

Entrei no quarto dela, o notebook estava em baixo da cama, como sempre, sentei no chão e esquadrinhei com o braço em baixo da cama e puxei o aparelho. Em cima do laptop havia um envelope amarelado, com uma caligrafia familiar. Dentro havia um cartão postal, e me surpreendi quando vi uma figura conhecida: Tio Luke.

Estranhei assim que vi no verso: “Parabéns pelos 7 anos, seu tio tá com saudade!”, como assim? Haver era muito nova pra lembrar, mas Luke nunca gostou de nós, e nunca, de modo algum, iria lembrar do aniversário de Haver. Ele sumiu quando eu tinha 7 anos, e Haver tinha 4, ela não poderia lembrar dele, e nós só tivemos notícias deles de vez em quando. Enfim, ele não era o tipo de cara que escreveria “[...] seu tio tá com saudade”.

Ouvi um barulho de fechadura, Haver deveria ter saído do banheiro. Saí correndo do quarto dela, se ela me visse no quarto dela, ela surtaria. Mas levei o cartão postal comigo.

Fui direto pro meu quarto e logo fiquei satisfeito com o que eu via, comparado com o quarto de Haver o meu era impecável. Minha cama de solteiro com uma colcha de quadriculado verde, junta à uma cômoda de roupas, uma estante imensa entupida de livros, uma escrivaninha com um computador velho e vários materiais escolares. O chão de mogno lustrado e papel de parede de mosaicos verdes.
Joguei o cartão postal na escrivaninha, não queria pensar no meu tio agora e liguei o computador, mesmo que o sistema fosse demorar uns 30 minutos para iniciar.
Olhei a hora no relógio que eu ganhara de meu avô, eu achei muito exagerado, era um daqueles relógios caríssimos, eu não queria aceitar, mas meu avô insistiu. Já eram 16:00 horas, eu ainda tinha que fazer o jantar, porque se eu fosse deixar pra minha irmã ela provavelmente explodiria a casa...Peguei meu celular(Que só não era mais velho que o computador) e vi que tinha uma mensagem..."Ah não" pensei, abri a mensagem e tinha escrito assim:

"Oii! Como você tá? Nem vi você hoje..." — Era da Luana...Carolina? Sei lá, é uma garota da escola que me perseguia, parece eu sou bonito ou coisa e tal, mas a minha irmã diz que essas meninas tem retardamento mental, e que nenhuma garota em sã consciência me acharia bonito....bem, se isso fosse verdade, modéstia a parte, nós estudamos em um hospital pisiquiátra. Como essa garota conseguiu meu número?

Ignorei a mensagem e disquei o número de minha mãe, depois de alguns segundos ela atendeu...

–Alô? Andrew?

–Oi..hum...mãe, você e o papai vêm jantar?

–Acho que eu vou filho, mas seu pai tá meio ocupado... Eu vou chegar daqui umas 2 horas, você pode fazer tudo direitinho aí?

–Posso sim, eu vou desligar, tchau.

–Tchau Andr...

Eu desliguei rápido demais, talvez pela euforia de minha mãe vir almoçar... Esse diálogo acontecia todo dia, eu sempre perguntava pra ela se eles viriam, mas a resposta era sempre negativa. Verifiquei o computador, ainda tava escrito 'Windows'. Saí meio pulando e saltitando pelo corredor e fui pra porta do quarto de minha irmã, bati e disse:

–A mamãe vem jantar! Vê se sai desse quarto!

–O quê? -Ela disse com a voz abafada -Hum...tanto faz -Ela tava tentando esconder, mas dava pra ver na voz dela o entusiasmo.

Fui pra cozinha e me deparei com a bagunça, não dava pra ver a pia de tanta louça suja, a geladeira tava cheia de embalagens de fast food, a mesa cheia de restos de comida...

Peguei uma sacola e comecei a jogar as comidas de fast food que tinham estragado, quase todas, joguei a sacola no lixo(ainda estava lá a caixinha de suco de manga de Haver). Passei um pano úmido na mesa e nas bancadas de granito branco, e, criei coragem para lavar a louça. Coloquei uma toalha na mesa de jantar, quase nova, pois nós nunca usamos a mesa pra jantar, eu normalmente como na sala e a Haver no quarto. Sentei-me à mesa cansado, mas a cozinha estava apresentável, só faltava tirar o pó, peguei uma vassoura e comecei a varrer.

–Nossa... tô morrendo de fome... -Disse Haver, vindo do quarto, com o cabelo molhado escorrido e de pijama, foi direto pra um armário e pegou um pacote de biscoito recheado e um copo de limonada.

–Também, seu café inteirinho tá naquela lixeira — Eu disse, em tom de brincadeira, enquanto lutava para tirar molho de tomate do ladrilho.

–Nem me diga, eca. -Ela disse, devorando o pacote inteiro quase de uma vez -Esse suco tá muito forte

–Fica calada e bebe. -Eu disse, ela olhou irritada pra mim, mas bebeu o suco de uma vez, colocou a embalagem do biscoito dentro do copo e largou ele na pia.

–Nossa! Você é uma ótima dona de casa, só falta o avental! -Ela disse rindo

–Eu prefiro ser uma dona de casa... -Larguei a vassoura e peguei o copo na pia. -Do que uma inútil que nem um copo lava... -E coloquei o copo na frente dela.

Se ela pudesse me mandar pro inferno com o olhar, eu já tava fazendo crochê com o Capiroto.

–Lave esse copo, jogue essa embalagem no lixo, termine de varrer a cozinha e, ah...-Usei o tom mais sarcástico que eu encontrei — Leve o lixo pra fora porquê essa cozinha tá fedendo a manga, não vá pensando que sou seu empregado.

Eu consegui calar ela! Comecei a fazer uma dancinha da alegria enquanto ia pro banheiro pra finalmente tomar meu banho. Não fiquei surpreso quando me deparei com um banheiro encharcado. Enxuguei o máximo que pude e tomei uma ducha bem fria e rápida, depois fui correndo pro quarto, coloquei uma bermuda e uma camisa sem mangas, nem penteei o cabelo, passei só a mão pra tirar a água.

Indo pra cozinha passei por Haver na sala de estar assistindo alguma coisa na TV, ela olhou feio pra mim enquanto eu passava. Ignorei.

Abri a geladeira pra ver o que tinha lá: Tinha alguns pedaços de frango congelado, meia abóbora, batatas, cenouras, maionese pela metade, uma caixinha de creme de leite e um pote cheio de molho de tomate... Coloquei o frango na pia pra descongelar, enquanto isso cortei os legumes em cubos, cozinhei eles rapidamente e misturei com a maionese. Misturei molho de tomate com um pouco de creme de leite pra fazer um molho pro frango. Amassei o resto das batatas fiz um purê. Nisso o frango já estava descongelado, só fiz passar na farinha de rosca, fritar, e, por último, joguei o molho por cima.

Coloquei tigela por tigela na mesa e só fiz passar um plástico filme por cima pra nenhuma mosca sentar. Fui pra sala esperar minha mãe chegar, o sofá laranja tava todo molhado da água que escorria do cabelo de minha irmã, ela não falou comigo, estava com raiva, mas uma curiosidade bateu em mim, eu queria saber o quanto ela se lembrava do nosso tio, então eu fui pro meu quarto pra pegar o cartão postal e mostrar pra ela.

Eu já estava no corredor, com o cartão em mãos quando a campainha tocou. Deveria ser a mamãe, dei uma exclamação e saí correndo pra abrir a porta, pois com certeza Haver nem iria levantar do sofá. Saí me batendo todo pelo corredor, bati meu dedo mindinho no sofá e amassei todo o cartão postal na corrida. Mas Haver já havia aberto a porta e estava com uma cara de susto olhando pra alguém na sua frente.

Era um homem.

Bronzeado... Cabelo loiro de água oxigenada... Olhos semelhantes aos meus...

Bem... Na minha mão doída estava um cartão postal amassado com um homem muito semelhante...

Titio voltara para casa...

Notas finais
Bem...Deixe review, avise qualquer erro ortográfico, etc, etc...
Quarto do Andrew, mais ou menos --> http://www.frasesparafacebook.info/imagens/quarto-de-menino-8e5787.jpg
Eu pensei em trazer o link dos personagens, mas nem eu tenho a ideia bem formada deles na cabeça, capítulos mais à frente eu posto.
Kisses.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.