Rizzoli And Isles - Life As We Know It

23 Capítulo 23 - Isso não vai dar certo


Notas iniciais
Bom... Não vou dizer nada não, mesmo porque nem acordar eu acordei ainda, então... Só queria dizer que fiquei feliz por saber que vocês não me abandonaram *-* hahahahaha Ótima leitura!

A manhã na casa de Jane e Maura tinha começada animada. Só que não era uma animação de felicidade por aparentemente Maura começar a desenvolver uma relação com Cailin. Esse até que podia ser o motivo da animação, mas TJ tinha resolvido receber toda a atenção. O bebê tinha madrugado chorando e mesmo depois de tomar mamadeira e ser balançado de um lado para o outro da casa, tanto o lado de dentro quanto o lado de fora, ele tinha parado de chorar, mas continuava inquieto, como se alguma coisa o incomodasse. A primeira e única conclusão cabível que chegaram foi que um novo dente estava nascendo, e isso não fugia da realidade, ainda mais por TJ estar um pouco febril, claro que outras doenças foram citadas por Maura, inúmeras delas, mas não da pra ser mãe e médica ao mesmo tempo, então Jane teve que ligar para Julie e assim ela acalmar a amiga.

– De tudo que Maura me contou... Não sabia que cozinhar também fazia parte do pacote.

A morena disse bem humorada assim que chegou a cozinha e encontrou Cailin fazendo algumas panquecas. A garota quase deixou a panqueca que estava acabando de virar cair no chão devido ao susto. Claro que Jane percebeu e Cailin percebeu que Jane percebeu, então foi inevitável as duas não caírem na risada devido a cena.

– Pensei em ajudar... – Ela virou a panqueca no prato onde se encontrava o monte de panqueca, antes que dessa vez ela caísse de verdade. — Como vou passar alguns dias aqui e vi que vocês mal dormiram porque TJ não estava bem, não custava nada fazer o café da manhã.

– Eu agradeço. – Jane pegou a panqueca e soltou logo em seguida em cima do balcão seguido de um “ai” porque estava quente. Cailin foi obrigada a rir. – Mas você não precisa ficar cozinhando para a gente, você é visita e Maura está muito feliz por ter você aqui.

– E eu estou muito feliz por estar aqui também.

Se tinha uma coisa que Jane aprendeu esse tempo todo sendo detetive foi ler pessoas. Claro que isso era essencial para o seu trabalho, mas normalmente os detetives não tem uma leitura 100%, ás vezes se deixam enganar ou até mesmo não sabem ler certo tipo de pessoa, mas ela sabia, então só bastou Cailin finalizar a frase e lhe mandar um olhar que trazia um pouco de receio, mas também felicidade, que ela pode concluir que a garota não estava mentindo, que ela estava realmente feliz por estar ali, mas claro que a morena tinha algumas outras perguntas que provavelmente só com um olhar não seria capaz de obter respostas, só que foi interrompida de começar a fazê-la por causa da campainha tocando. Jane foi atender a porta já pensando que era Beth em alguma crise existencial já que não tinha dado notícia a noite inteira, mas quando abriu a porta seu cérebro até parou de funcionar por alguns segundos devido a quem ela viu do outro lado.

– Bom dia. – Uma mulher de cabelos loiros, um sorriso doce e um rosto com aparência completamente simpática lhe desejou. – Aqui é a casa da Maura Isles?

A única coisa que Jane conseguiu fazer foi balançar a cabeça em positivo e abrir espaço para que a mulher entrasse. Mesmo nunca tendo visto nenhuma foto e só ter ouvido a história uma vez de Maura, sabia muito bem que aquela mulher ali em sua frente era a mãe biológica de sua namorada, não por causa das histórias, mas sim porque se fizessem um clone da Maura provavelmente não seriam tão parecidas.

– Desculpa incomodar, mas é que eu tive uma discussão com a minha filha há duas noites e eu acredito que ela esteja aqui...

– Cailin? – Jane perguntou, pois provavelmente era a única coisa que ia sair de sua boca naquele segundo. Ainda não conseguia acreditar que aquela mulher ali em sua frente era alguém que não agradeceria por um transplante de rim, que foi feito pela sua própria filha para salvar sua outra filha. A mulher só fez um afirmativo com a cabeça. – Ela...

– 3 horas sem febre já Jane, acredito que deve ser por causa do den... – Se não fosse TJ que Maura estivesse carregando em seus braços, com toda certeza teria deixado cair com o choque que levou ao ver com que sua namorada estava conversando. – Hope?

– Olá Maura. – Hope disse com um pequeno sorriso, mas Jane percebeu muito bem que era um sorriso forçado e que o “momento desconforto” tinha começado.

– Mãe?! – Cailin disse surpresa. Ao perceber que Jane tinha demorado para voltar tinha resolvido ver o que tinha acontecido. – O que você está fazendo aqui?

– O que eu estou fazendo aqui Cailin? – O tom de voz de Hope era de irritação, mas em nenhum momento ela levantou a voz. – Você veio da Europa a América do Norte como se estivesse andando pelas ruas de Londres. O que deu em você?

– Espera! – Maura estava confusa. – Você não sabia que ela estava aqui? Cailin disse que você estava viajando devido as duas pesquisas e... – Balançou a cabeça em negativo. – Ela não te avisou, não é verdade?

– Não. Nós tivemos uma discussão há duas noites e ontem quando acordei ela não estava mais no quarto. Me desculpa a intromissão, Maura. Vamos Cailin!

Maura encarou Cailin tentando buscar uma explicação para o que estava acontecendo. Desde que a garota tinha aparecido em sua porta ela tinha ficado um pouco receosa devido as reais intenções da irmã estar lá, mas a conversa que tinham tido a noite foi tão boa e passou a acreditar que ela estava ali realmente para que as duas pudessem se conhecer melhor, mas definitivamente tinha se enganadol. Cailin só desviou o olhar de Maura e passou a encarar o chão enquanto seguia para fora da casa sem dizer uma única palavra.

– Obrigada por tê-la deixado ficar aqui na sua casa e desculpa por qualquer coisa. Depois peço para alguém vir buscar as coisas dela. Tenham um bom dia.

Em choque, sem saber nem o que dizer, Maura viu sua mãe biológica deixar sua casa. A loira caminhou até a sala. Precisava de um lugar para sentar porque não sabia quanto tempo mais ia conseguir ficar em pé e mesmo tão perplexa do jeito que estava ela não tinha esquecido que estava com TJ no colo.

Jane percebeu o quanto a namorada estava abalada, e não era pra menos, não é todo dia que sua mãe biológica bate na porta de sua casa e te trata como se você fosse uma completa desconhecida. Tratou de pegar TJ do colo dela para ela se sentir mais confortável para lidar com tudo que deveria estar passando em sua cabeça sem se preocupar em derrubar o menino.

– Eu não entendo. – Foram as primeiras palavras dela enquanto fitava o nada. – Ela só me procurou porque tinha brigado com a Hope? Porque queria atingir a mãe de alguma forma?

– Você não sabe Maura. Ela pode ter usado essa briga como desculpa para vir te ver, pois ela já estava querendo vir te ver.

– Vocês vão precisar de mim hoje? – Finalmente ela voltou a encarar Jane. E em seu olhar ela trazia tristeza, decepção e frustração. – Eu estava pensando...

– Não... Nada de você pisar naquele departamento hoje. Você já nos ajudou e muito ontem, pode ficar em casa cuidando do TJ ou até mesmo ir atrás da sua irmã e tirar satisfações.

– Eu não vou atrás de ninguém tirar satisfações. Eu só quero... – Levantou do sofá e pegou TJ dos braços de Jane. – Eu só quero passar o dia com o meu filho. – Deu um beijo na cabeça do menino. Jane a encarou. – Eu vou ficar bem. Prometo.

Mesmo sabendo que ela não ia ficar tão bem assim como dizia, Jane deu um beijo em Maura, outro na bochecha de TJ e foi trabalhar. Por ela trocaria um dia de trabalho para estar ali com a namorada, mas ainda tinham um assassino para pegar, daria toda a atenção que Maura merecia quando chegasse em casa mais tarde.

***

– Bom dia Angela. – Disse Beth sentando em uma das mesas da cantina. – Me vê uma panqueca feliz, um latte e um conselho, por favor.

Angela já estava com o copo na mão para o latte de Beth, mas ficou sem reação por alguns segundos assimilando o pedido final da ruiva. Provavelmente aquela foi a primeira vez em que Angela atendeu um pedido tão rápido quanto atendeu o de Beth. Eram raras as vezes que Elisabeth lhe pedia conselhos, não podia perder essa oportunidade.

– Então... – Beth estava nervosa, isso era aparente, ainda mais porque ela estava jogando mais mel do que o normal em cima da panqueca. – Julie me chamou para conversarmos hoje pra gente resolver esse nosso relacionamento que está mais confuso do que a segunda temporada de Revenge, só que antes ela me chamou para jantar na casa da mãe dela, mas eu to com um mau pressentimento porque a irmã dela vai estar lá e da última vez eu tenho quase certeza que ela me jurou de morte. – Angela ia abrir a boca para dizer alguma coisa, mas foi interrompida, pois Beth não tinha terminado de falar ainda. — Mas na realidade eu não estou preocupada com isso, se Anna me matar pode ser até bom porque não vou precisar encarar a conversa de depois do jantar já que eu não sei o que dizer para a Julie, não sei como fazer ela acreditar que eu virei gente, essas coisas.

– Já mandei você contar a verdade. – Disse Jane em tom de tédio sentando a mesa junto com as duas. – Eu e Maura só conseguimos nos entender quando eu finalmente admitir que eu fui a imbecil da relação, então você precisa fazer isso também.

– A verdade é mais complexa do que aquela história que eu te contei.

– O que? – Jane perguntou abismada. — Não vai me dizer que você fez uma versão “Elisabeth Miller” na história?

– Posso ter omitido algumas coisas, mas nada que estragasse o enredo.

– Mas pra Julie vai fazer a diferença caso você conte? – Beth primeiro olha para Jane com aquela cara de cachorro abandonado e depois faz um positivo com a cabeça. – Então você já sabe o que tem que fazer hoje caso Anna não te mate né? – Mandou novamente o olhar de cachorro abandonado e fez outro afirmativo com a cabeça. – Certo! Agora vamos subir porque temos um assassino para pegar!

– Não, deixa eu terminar de comer... – Só deu tempo de Beth colocar um pedaço de panqueca na boca, pois Jane a puxou pelo braço. – Muito obrigada pelo conselho Angela.

Angela só soltou um suspiro, não sabia nem o que dizer sobre aquele momento de conselho que foi arrancado de si. Ficaria para uma próxima vez.

***

– Chegou tarde... – Disse Constance com um sorriso vendo Maura se aproximar empurrando o carrinho com TJ. — O café da manhã de quinta-feira acabou agora pouco.

– Na verdade... – Maura parou o carrinho do bebê ao lado de sua cadeira e se sentou. — Eu estava esperando com que suas amigas fossem embora.

– Está tudo bem Maura? – Perguntou Constance ao perceber o olhar triste da filha.

– Você alguma vez se arrependeu de ter me adotado mãe?

– O que? – Constance pensou que não tinha entendido muito bem a pergunta, mas pelo olhar de Maura era aquilo mesmo. – Claro que não Maura! Eu posso não ter sido a melhor mãe do mundo para você, mas você foi meu melhor presente, tenho certeza que não tinha outro bebê no mundo que eu quisesse adotar que não fosse você. Mas qual o motivo da pergunta? Normalmente os filhos perguntam isso quando são mais novos.

– Hope foi lá em casa hoje. – Constance não escondeu a reação de surpresa ao ouvir aquilo. – Foi buscar a Cailin que estava lá desde ontem e parece que ela só foi lá pra casa porque brigou com a Hope e quis assustar a mãe saindo de casa sem avisar. – Soltou um suspiro de frustração. – Hope me tratou hoje como se eu fosse uma estranha mãe. Eu já desisti da ideia de querer uma relação com ela, mas eu só fui mesmo uma doadora de rim para salvar a vida da Cailin? Quero dizer... Nem isso, pois doadores recebem cartões de agradecimento.

– Maura você é a mulher mais brilhante, adorável, amável e com o maior coração que alguém pode ter, eu tenho o maior orgulho de ter você como filha. – Constance pegou as mãos da filha e mandou um pequeno sorriso para ela. – É Hope que está perdendo com tudo isso, em não poder conhecer a filha maravilhosa que ela fez. E tenho certeza que Cailin não quis perder isso. Converse com sua irmã.

– Elas já devem estar em um avião de volta para Londres.

– Tenho certeza que Jane pode conseguir o número e o email dela para você.

– Obrigada mãe.

– Pelo o que?

– Por ter me adotado. Eu sei que quando eu era mais nova eu desejava ter uma mãe como a Angela, mas nos resolvemos e eu não queria que nenhuma outra pessoa no mundo tivesse me adotado a não ser você e o papai.

Constance abriu um sorriso emocionada. Sempre soube que nunca foi um exemplo de mãe, mas quando teve uma segunda chance para resolver isso, mesmo achando que era tarde demais, ela resolveu e não podia ter sido mais feliz, pois Maura era a filha dos sonhos de qualquer mãe.

Depois de conversar com sua mãe, Maura se sentiu mais tranquila. Não queria mais ficar triste pelo mesmo motivo de um ano atrás quando Hope só quis saber de seu rim. Resolveria depois se ia querer realmente saber as reais intenções de Cailin ter ido procurá-la no dia anterior, mas outro dia, pois queria aproveitá-la com TJ que parecia estar realmente melhor, mesmo dormindo boa parte do dia, mas isso não precisava ser nenhum médico para saber o motivo, tinha passado boa parte da manhã acordado, uma hora teria que dormir.

No departamento as coisas ficaram tranquilas antes do horário de almoço, pois conseguiram pegar logo o assassino, claro que a tranquilidade era somente no caso, porque no escritório enquanto tinham que terminar o relatório não estava nada tranquilo. Beth estava extremamente hiperativa devido ao jantar que ia ter mais tarde e não teve nada e nem ninguém que fizesse com que ela se acalmasse. Chegava a ser até engraçado, porque Jane nunca tinha visto a amiga daquele jeito toda apaixonada não querendo estragar nada. Só esperava que ela fizesse a coisa certa.

– Você esqueceu de trazer o extintor que tem dentro do carro. – Disse Beth segurando a mão de Julie que estava prestes de abrir a porta. – Não gosto da ideia de morrer queimada.

– Vai ficar tudo bem. – Julie deu um beijo na bochecha de Beth e abriu a porta para que finalmente entrassem na casa. – Mãe, cheguei!

– Finalmente! – Disse a mãe indo ao encontro de Julie já com os braços abertos pronta para abraçá-la. – Pensei que tinha esquecido o caminho da minha casa.

– Morei boa parte da minha vida aqui mãe, não acho que isso seja possível.

– Meu Deus, Beth! – Abraçou a ruiva também. – Você continua comendo do jeito que você come? Por que você continua linda!

– Eu acho que como um pouco mais Dana. – Disse em tom divertido. – Obrigada pelo convite.

– Acho que alguém esqueceu de me avisar que teríamos mais um convidada para o jantar. – Disse Anna de braços cruzados e a cara fechada.

– Hey Anna. – Beth disse com toda sua simpatia, mas sabia que não ia conseguir nada ali, estava só esperando a queima de colchão começar. – Eu conheci seus filhos, eles são lindos. Vivi está enorme e é super inteligente.

– Eles também não param de falar de você um segundo. – Parecia que ela tinha baixado a guarda. – Falaram que se divertem muito com você e que você é a melhor namorada da Julie. – Beth abriu um sorriso. – Claro que são crianças, ainda não sabem julgar um caráter muito bem. – Não... Parece que ia ter queima de colchão ainda.

– Anna não começa. – Repreendeu Dana. – Vamos para a cozinha, ainda temos um jantar para terminar.

Contraria Anna seguiu para a cozinha com sua mãe. Era até melhor, porque se ficasse mais algum tempo no mesmo lugar que Beth não responderia por si.

– O reencontro foi melhor do que pensei, ainda estou viva.

– Minha mãe não vai deixar que ela faça nada com você. – Disse Julie com um sorriso divertido. – Vamos ajudar no jantar. Prometo não deixar Anna com nenhuma faca.

***

– Viu como era só o dentinho nascendo? – Disse Jane passando a mão na cabeça de TJ que brincava com o carrinho no chão. – TJ mais saudável do que eu e você juntas.

– Me preocupei de mais, não foi?

– Você não seria a mãe dele se não se preocupasse. – Jane deu um beijo em Maura. – Ele tem sorte. – Ouviram a campainha tocar. – E eu também porque a pizza não demorou uma vida para chegar.

Jane deu um beijo na bochecha de Maura e levantou do sofá para atender a porta. Surpresa ficou quando viu que não era o entregador de pizza.

– Parece que alguém errou o caminho de volta para casa.

Surpresa, Maura deu um pulo do sofá quando viu que Jane voltou para sala com Cailin.

– Me desculpa por ter mentindo para você dizendo que minha mãe sabia que eu estava aqui Maura. – A garota resolveu começar logo de uma vez, estava mais tímida e envergonhada do que da primeira vez. – Mas não menti nas minhas intenções, eu queria mesmo te conhecer, mas acho que não quis te magoar mais do que já magoamos. – Maura a encarou com um olhar de confusão. – O motivo de eu e minha mãe termos brigado foi você. Eu já queria vir te ver, eu queria manter contato com você, mas ela nunca gostou dessa ideia porque acha que obrigatoriamente se eu fizer parte da sua vida ela vai fazer também. Eu ainda não sei por que ele não quer te conhecer, não quer fazer parte da sua vida, mas como eu não vou querer que você faça parte da minha vida Maura? Você salvou minha vida e eu sempre quis saber como é ter uma irmã.

Emocionada ao ouvir tudo aquilo a loira não sabia o que dizer, sua única reação foi abraçar a irmã. Já estava praticamente conformada em não ter realmente Hope em sua vida, ás vezes ela achava que seria melhor assim, não precisava de outra mãe quando ela já tinha a Constance, mesmo que também tivesse curiosidade em saber o motivo de Hope tratá-la do jeito que tratava, quando até Paddy mostrou mais carinho e até amor por ela, mas talvez isso fosse algo que ela ia viver sem saber.

– Parece que oficialmente você ganhou uma tia TJ. – Disse Jane que estava sentada no chão com o filho assistindo toda a cena com um sorriso no rosto. A campainha tocou. – Espero que você goste de pizza verde Cailin. – Jane levantou do chão. – Pois não vou dividir minha pizza de gente normal com ninguém.

– Esse é o jeito dela de me convidar para o jantar? – Maura fez um afirmativo com a cabeça rindo. – Queria deixar registrado que eu prefiro a Jane ao Ian, você fez uma ótima troca.

Cailin mandou um sorriso para a irmã e já foi se sentar no chão para brincar com seu mais novo sobrinho. Maura não conseguia esconder sua felicidade ao ver aquela cena e também por ouvir tudo que Cailin disse. Sempre quis ter uma irmã também e mesmo depois de todos esses anos talvez fosse ótimo ter uma.

***

– Fiquei sabendo que você casou Beth. – Dana resolveu puxar assunto, pois um jantar que era pra ser animado e divertido estava mais para um jantar de mudos. – Com um homem? É sério isso?

– Eu não sei por que quando eu conto isso as pessoas ficam surpresas. – Disse Beth em tom brincalhão arrancando risos de Dana. – Claro que é verdade, por cinco anos.

– Tenho certeza que ele era um ótimo homem. – Comentou Anna. Por ingenuidade tanto Beth quanto Dana pensaram que finalmente ela ia entrar no assunto sem ser desagradável, mas... – Por que você o traiu com a própria secretária dele não foi? – Dana que estava com um garfo pronto para colocar na boca o parou no meio do caminho e olhou para a filha com um olhar de repreensão. – A culpa da traição foi mesmo de que ele merecia alguém melhor que você? Se você já sabia que era um traste na vida dele porque demorou cinco anos pra falar algo? E depois... Não precisava traí-lo, era só sentar e conversar com ele, acredito que ele sairia menos magoado. Só dizendo.

– Anna...

– Anna nada mãe! – Disse irritada. – Você aceita essa pessoa de volta aqui em casa como se nada tivesse acontecido.

– Eu sei que eu magoei a Julie, mas...

– Mas nada Beth! – Anna a interrompe. – Eu ainda não entendi porque depois de tudo que você fez Julie aceitou voltar com você! – Beth olhou para Julie que estava sentada bem em sua frente pensando que seria uma boa ela intervir a qualquer momento naquela discussão, mas Julie só ficava olhando para o seu prato se fazendo de surda, como se nada estivesse acontecendo. – Acho que ela deve ter esquecido da fossa que ela ficou que a fez quase largar o emprego, acho que ela esqueceu as lamentações que tive que ouvir durante semanas. Não foi fácil colocar ela de volta aos trilhos, pois ela realmente te amava e acreditou que cada mentira que você contou era verdade. Só que você não estava aqui para ver como ela estava acabada e tenho certeza que se magoá-la de novo quem vai estar aqui novamente sou eu, não é você, porque você pode ter vindo com esse papinho de que mudou, mas diferente da Julie, eu não vou te dar uma segunda chance tão fácil assim.

– Ainda bem que eu não pedi porra de nenhuma chance para você Anna! – Beth levantou da mesa realmente irritada, nem tanto com as coisas que Anna estava lhe dizendo, mesmo porque eram coisas que ela não fazia ideia, de certo modo merecia ouvir tudo aquilo, a sua irritação era devido Julie não se opor. – Se Julie quis voltar comigo mesmo eu sendo esse monstro que ela pensa que eu sou o risco é dela. Ia dizer que ela já está grandinha pra precisar de você a defendendo, mas pelo visto estou enganada. Muito obrigada Dana, o jantar estava maravilhoso, mas... Desculpa qualquer coisa.

E deixou a casa.

Dana ficou olhando para as duas filhas simplesmente incrédula com aquela situação. Pensou que tinha criado duas pessoas mais civilizadas, mas pelo visto estava enganada. Percebendo o olhar de fúria, indignação e decepção de sua mãe, Julie resolveu levantar e ir atrás de Beth, caso contrário tudo que Anna ia ouvir acabaria sobrando para ela também.

– Beth, espera!

Elisabeth que estava do lado de fora da casa esperando a companhia de táxi atendê-la, desligou o celular ao ouvir a vez de Julie.

– O que foi? – Perguntou irritada. – Quer que eu volte para dentro pra sua irmã continuar me dizendo as verdades que você não tem coragem de dizer?

– O que? – Perguntou confusa. – Você acha que eu mandei a Anna dizer todas aquelas coisas?

– Não sei Julie... Você mandou?

– Claro que não! – Respondeu ofendida por Beth pensar que ela poderia ter feito algo do tipo. – Anna está com mais raiva de você do que eu imaginava e eu não tiro a razão dela.

– Ah, por favor, Julie! Eu sei que temos muitos assuntos mal resolvidos, mas deixar sua irmã entrar no meio deles não vai resolver porcaria nenhuma!

– O que vai resolver então Beth?

– Não sei Julie, me responda você. Eu vim a esse jantar para sua irmã ter a oportunidade de me esfaquear ou porque você queria realmente conversar depois dele? Porque depois de toda essa cena eu fiquei confusa!

– Eu sei que Anna passou dos limites, que isso é algo que eu e você devemos resolver sozinhas, mas me desculpa Beth, ela estava dizendo tudo que eu queria te dizer todos esses anos e simplesmente não consegui.

Beth soltou um riso de nervoso e balançou a cabeça, incrédula com o que estava ouvindo.

– Se você ainda me vê como aquela pessoa porque estamos nisso?

– Por que tem hora que eu esqueço que você é aquela pessoa e por mais que eu tente esquecer para sempre e só seguir com a segunda chance eu não consigo. Parte de mim ainda acredita que a qualquer momento você vai me dar o fora e que se eu estiver envolvida de novo eu vou sofrer tudo novamente e de verdade eu não quero passar por aquilo mais uma vez.

– Me diz o que eu tenho que fazer então para que você confie e mim e acredite que eu não sou mais aquela pessoa e que eu não vou fazer você passar por isso de novo.

– Se eu soubesse eu juro que te falaria, mas... – A voz começou a embargar. – Eu acho que nunca mais vou confiar em você de novo, Beth.

– Então eu acho que isso não vai dar certo, Julie.

Julie só ergueu os ombros como se concordasse com Beth e elas só passaram a se encara. Aquilo parecia um término de algo que na realidade nem tinha terminado direito. Antes Beth sabia tudo que se passava na cabeça de Julie, mas agora teve que ter um desastroso jantar para ela descobrir o que realmente se passava e ela não fazia ideia do que fazer. Sabia que tinha magoado e muito a loira, mas não imaginava que era a um ponto de nunca mais conseguir ganhar a confiança dela. Parecia que não tinha mais nada a ser dito. O que restava era Beth realmente ir embora, mas quando a ruiva pensou nisso o celular de Julie tocou.

– Oi Maura. — ... – O que? Maura se acalma. -... – Maura... -... – Não. Fique calma, eu já estou indo para o hospital. -... – Maura eu já estou indo. – desligou o celular.

– O que aconteceu? – Beth perguntou preocupada.

– Eu não sei... É alguma coisa com o TJ.

Notas finais
É disso que eu gosto! É disso que eu to falando! Até o próximo capítulo ;)