Rizzoli And Isles - Life As We Know It
24 Capítulo 24 - Ele vai ficar bem
Notas iniciais
Não existe pessoa mais importante na vida de uma mãe do que seu filho. Quem é mãe se preocupa até quando não tem o que se preocupar e se preocupa o triplo quando tem realmente uma preocupação. Se ela fala pra você levar um guarda-chuva porque vai chover é melhor que você realmente leve, caso contrário voltará para casa todo ensopado. Se no primeiro espirro ela já vem com um remédio para gripe é melhor que você tome se não quiser dar início a uma gripe daquelas.
Mãe sente.
Não. Mãe pressente.
Naquela sala de espera Maura se culpava. Ela ainda não fazia ideia do que TJ tinha, mas mesmo assim ele se culpava. Quando o menino acordou chorando com febre a primeira coisa que ela deveria ter feito era levá-lo ao hospital, pois ela sabia que tinha alguma coisa errada, mas preferiu se tranquilizar quando Julie, pelo telefone, sem nem ao menos examinar a criança, disse que só era o dente nascendo. Foi negligente. Ele era só um bebê e essa meia hora que estava na sala de espera sem notícias do que tinha acontecido com seu filho estava a matando.
Jane já tinha tentado de tudo para acalmar Maura e fazer com que ela parasse de andar de um lado para o outro naquela sala de espera, mas parecia que a namorada estava incomunicável, pois não dava atenção a nada do que ela dizia.
Se tinha alguém que podia acalmar Maura esse alguém era Julie, que finalmente tinha resolvido aparecer na sala de espera antes que a amiga tivesse um ataque ali.
– TJ está estável. – Julie disse tentando tirar um pouco de desespero que estava vendo em Maura. – Mas ele tem uma doença chamada Cardiopatia Congênita.
– Claro. – Maura estava indignada consigo mesma. – Como eu não percebi antes? Ele passou o dia todo dormindo. Parecia cansado na hora de tomar a mamadeira...
– Maura não tinha como você saber. – Julie tentou tranquilizá-la. – Como ele estava com os sintomas de dente nascendo não tinha como saber.
– Vocês duas podem ser médicas, mas eu estou um pouco perdida aqui... TJ vai ficar bem?
– Depois da cirurgia sim. – Jane com um olhar de confusão encarou Julie. – Essa Cardiopatia normalmente se fecha sozinha, mas a do TJ desenvolveu rápido que não chegou a ficar nem perceptível nas vezes que fiz os exames de rotina.
– Você vai operá-lo agora? – Perguntou Maura aflita.
– Não... Resolvemos esperar 24 horas para que TJ esteja o mais instável possível para que não ocorra nenhuma complicação.
– Coloquei várias enfermeiras para ficarem de olho nele. – Disse Richard. – Prometo que vai ficar tudo bem com o TJ.
– Eu posso vê-lo?
Julie fez um positivo com a cabeça e encaminhou Maura e Jane até o quarto que estava TJ. Normalmente os bebês ficavam na UTI Neonatal, mas como o menino era neto do dono do hospital não tinha como ser diferente.
– Maur vai ficar tudo bem, eu prometo.
Jane tentou tocar Maura nos ombros, mas a loira se esquivou. Estava agindo completamente estranha desde que TJ foi levado para o hospital, mesmo sabendo que o motivo daquilo era porque Maura se culpava e provavelmente não queria ver e nem falar com ninguém e só ficar ali com seu filho como uma forma de tentar contornar tudo que ela achava que foi negligencia sua, Jane queria ajudar, queria apoiar a namorada, estava preocupada também e só queria que tudo ficasse bem para que pudessem voltar com suas vidas, mesmo que só estivessem nessa vida conturbada e cheia de desespero com medo de perderem o filho por poucas horas, só que independente se é uma doença mais grave ou um simples resfriado, os pais sempre querem que seus filhos estejam bem, saudáveis e TJ estava muito longe disso.
– Como ele está? – Angela perguntou, entrando no quarto acompanhada de Constance. – Richard tentou nos atualizar, mas linguagem de médico, quem entende?
– Ele está estável. – Respondeu Jane. Sabia que Maura não diria absolutamente nada, não naquele momento. – Mas vão precisar fazer uma cirurgia nele amanhã pra consertar esse problema que ele ta no coração. – As mães olharam Jane com um olhar terno. Por mais que fossem avós do TJ, não conseguiam imaginar como as duas estavam se sentindo. – Eu vou dar um pouco de espaço para ela. Podem cuidar dela pra mim?
Constance só fez um positivo com a cabeça e se aproximou da filha que estava segurando a mão de TJ. Angela passou a mão no ombro da filha e sussurrou um “vai ficar tudo bem”. Jane só balançou a cabeça. Queria acreditar que tudo ficaria bem mesmo porque aquilo estava sendo um verdadeiro inferno. Se encaminhou até a sala de espera e encontrou Beth e Cailin sentadas uma ao lado da outra mexendo no celular.
– Eu odeio esses jogos! – Resmungou a garota.
– Mas eu lá to dizendo pra você jogar? Pedi pra você me mandar vida, só isso!
– Eu só ia te mandar vida, mas comecei a jogar para ver como que era e... Olha só... Perdi de novo! Desisto! Desisto! – Ao abaixar o celular desistindo mesmo do jogo a garota percebeu que Jane estava parada em sua frente e ficou completamente sem jeito. Seu sobrinho na UTI e ela jogando Candy Crush. – Jane eu só estava... Eu...
– Está tudo bem. – A morena respondeu com um sorriso triste. Sentou-se na poltrona na frente das duas. – Na verdade eu acho que sua irmã adoraria sua companhia lá no quarto também.
– Tem certeza?
Jane fez um positivo e Cailin não pensou duas vezes antes de levantar da poltrona e ir até o quarto de TJ. Estava agoniada com tudo que estava acontecendo, por mais que só estivesse convivendo com a Maura por pouco tempo já a tinha como alguém importante e ela estava adorando demais essa história de ser tia e mesmo que não pudesse fazer nada para ajudar TJ ficar melhor, poderia pelo menos apoiar a irmã e era isso que ela faria até todo aquele pesadelo acabar.
– Você não me disse como foi seu jantar com a Julie.
Jane aproveitou que a cunhada tinha liberado a poltrona ao lado da de Beth e sentou nela. Elisabeth ao ouvir o que a amiga disse parou imediatamente de jogar, coisa rara.
– Pode me dizer em que momento dessa noite eu conseguiria te contar sobre meu jantar com a Julie? Ah sim... – Sarcástica – Desculpa, Julie, mas antes que você diga como TJ está deixa eu contar aqui para a Jane como foi nossa jantar porque isso parece ser mil vezes mais importante. Desculpa não ter mais timing para as coisas.
– Pelo jeito não foi muito bom.
– Eu não quero falar sobre isso, mesmo porque aqui não é lugar.
– Qual é Beth! Eu to uma pilha de nervos, Maura não me quer do lado dela no momento...
– E eu tenho que te contar o desastre da minha vida amorosa para você se sentir melhor?
– Me sentir melhor não, mas talvez para me distrair, sim!
Elisabeth fez uma careta e ameaçou voltar a mexer no celular. Ainda estava processando o que tinha acontecido naquela noite e sair correndo para o hospital porque TJ tinha resolvido falhar – pensamentos de Beth – não tinha ajudado muito no processamento, mas viu o olhar da amiga e ela estava realmente precisando de uma distração. Respirou fundo e resolveu contar o desastre que foi sua noite.
– Eu não sei como eu não vim parar nesse hospital com uma faca cravada em meu peito porque Anna estava descontroladíssima! Tudo bem que eu mereci tudo aquilo que ela me falou, mas... – Beth desviou o olhar para o chão, talvez estivesse processando de vez tudo que tinha acontecido. – Julie poderia ter me falado tudo aquilo, sozinha, não ficar só sentada ouvindo a irmã me matando com palavras.
– Você sabe que isso nunca vai mudar, não sabe?
– O que... – Beth olhou a amiga com um olhar incrédulo. – Não precisa me animar desse jeito também Jane. – Disse sarcasticamente. – E não vai mudar mesmo não porque terminamos de vez. Não tem como viver com uma pessoa que mesmo depois de todos esses anos não consegue lidar com os sentimentos. – Beth levantou da poltrona. – Sei que eu fui uma desgraçada, mas desgraçadas também amam e eu virei gente! – Jane a encarou com um olhar não tão crédulo a aquela afirmação. – Vá pra merda!
Desistindo de contar qualquer detalhe de como foi seu jantar, tendo em vista que Jane não estava merecendo nenhuma palavra, Beth virou as costas para a amiga, não a deixando sozinha no momento em que ela precisava, foi só para pegar um café na maquina que tinha ao lado da onde elas estava sentadas, por mais que Jane estivesse merecendo, jamais a deixaria sozinha naquele momento, só não diria mais nenhuma palavra de sua vida.
***
– Não sei porque falam tanto que comida de hospital é horrível. Olha esse lanche de atum que delícia.
Já havia amanhecido. Jane e Beth tinha resolvido comer alguma coisa já que nem só de café vive um ser humano , palavras de Beth.
– Obviamente que a comida daqui tinha que ser uma delícia. – Disse Jane em tom de tédio. — É a comida da cantina, estamos pagando por ela!
– Se essa comida fosse servida para os pacientes eles não ficariam metade do tempo que ficam internados. – Beth deu uma mordida em seu sanduíche e avistou Maura se aproximando. – E ai, Maura? – Estendeu seu lanche. – Atum?
A loira fez um negativo com a cabeça e sentou na cadeira vazia na mesa em que Beth e Jane se encontravam.
– Jane, me desculpa.
– Maur está tudo bem. – Jane colocou sua mão em cima da mão de Maura que estava sem cima da mesa. – Eu sei que não está sendo fácil, então se precisar descontar em mim tudo que está sentido por mim está tudo bem.
– Eu não quero descontar em ninguém, muito menos em você. Não é culpa de ninguém.
– Exatamente! Não é culpa de ninguém, nem sua. Você não tinha como saber, você é a rainha dos mortos, não dos vivos.
– Isso era pra ela se sentiu melhor? – Perguntou Beth bebendo um pouco de seu refrigerante. – Jane está precisando melhorar nesses conselhos, de verdade.
– Falando em conselhos... Como foi seu jantar com a Julie? Com tudo isso acontecendo não tive tempo de perguntar nada para ela.
– Não sabia que de detetive eu tinha passado a ser a pessoa que distraí os casais com as histórias do meu caos amoroso.
– Elas terminaram de vez. – Jane resolveu responder a namorada, sabendo que Beth faria todo o drama do mundo antes de começar a contar a história, era melhor poupar tempo. – Anna quase matou a Beth com palavras.
– E isso é só uma linguagem de expressão. – Se adiantou Beth antes que Maura começasse suas explicações. – Sabemos que não da para matar ninguém com palavras, mesmo que se a Anna tivesse se esforçado um pouco ela conseguiria.
– Anna não foi muito agradável com você ontem a noite é isso?
– E Julie ficou 100% nem aí com tudo que ela dizia. – Respondeu Beth fazendo uma careta. – Eu cansei da sua amiga, não quero mais saber dela não, ela que arranje alguém que a irmãzinha querida dela goste, ela que... – Antes que Beth pudesse terminar com seu drama viu Julie se aproximando acompanhada de duas mulheres. – Quem são essas duas biscates com a Julie? Não tem nem 24 horas que terminamos e ela já ta dormindo com meio mundo do hospital?
– Maura, Jane, queria apresentar para vocês a doutora Arizona Robbins e a doutora Teddy Altman. Elas que vão cuidar do TJ durante a cirurgia e não tem com o que se preocupar porque Arizona é a melhor cirurgiã pediátrica que eu conheço e já tive o prazer de trabalhar em Seattle, assim como a Teddy.
– Eu pensei que meu pai ia ligar para a Yang.
– Yang não ia conseguir chegar até a hora da cirurgia. – Respondeu Teddy. – Mas não se preocupe, ela foi minha aluna, seu filho estará em ótimas mãos.
– Seattle hem... – Disse Beth com os braços cruzados olhando fixamente para a Arizona. – Como andam as coisas lá no Grey Sloan?
– Estão bem. – Respondeu Arizona simpaticamente. – Você conhece o hospital? É médica também?
– Não... Eu era namorada da Julie quando ela trabalhava lá.
– Ah...
Arizona não sabia muito bem o que dizer. Sentia que estava com problemas, mas não sabia ao certo o motivo.
– Mande lembranças para Meredith, diga que sinto falta das nossas noites de tequila.
– Pode deixar que vou dizer sim. – Respondeu Arizona com um sorriso sem graça. – Será que podemos conversa com vocês duas? Queremos discutir algumas coisas antes da cirurgia.
– Julie não vai participar da cirurgia? – Perguntou Jane um pouco confusa. – Você não é a cirurgiã do TJ?
– Não... Faz tempo que não opero ninguém.
– O que é uma pena. Julie tinha um potencial incrível para ser uma cirurgiã pediátrica.
– Olha pelo lado bom... Você tem o Karev agora.
Arizona mandou um sorriso e pediu para que Jane e Maura acompanhassem ela e a Teddy para discutirem sobre a cirurgia.
– Qual o seu problema? – Julie perguntou a Beth com um tom de irritação. Elisabeth a encarou fingindo que não tinha entendido a pergunta. – Mande lembranças para a Meredith. – Imitou a ex-namorada. – Se você quisesse mandar lembranças para a Meredith você mesmo ligava para ela ou enchia o saco em qualquer uma dessas redes sociais que você usa.
– Você fez sexo com ela, não fez?
– Arizona é casada e tem uma filha! – Julie fez uma pausa. – Bom... Ela era casada até dia desses com a Callie e as duas tem uma filha, mas a relação dessas duas é tão complicada...
– Espera! Ela é casada com a Callie? A mulher que você não tinha só uma crush como um penhasco inteiro? Mas minha gente...
– Olha eu não tenho que ficar te dando satisfações da minha vida porque nós não temos absolutamente nada.
– Não temos por que você é muito covarde para falar as coisas que sente e tem que ser representada pela irmã.
– Beth eu não vou discutir isso com você agora, não vou mesmo.
E não ia mesmo já que seu paiger tocou e ele não lhe trazia boas notícias...
– Nós vamos ter que levar TJ para a cirurgia agora. – Disse Julie. – Ele teve uma parada, mas... Eu sei que nós não devemos fazer promessas, mas prometo que ele vai ficar bem.
Não deu tempo de Maura fazer nenhuma pergunta sobre o estado do filho, pois Julie saiu correndo corredor a dentro para auxiliar Arizona e Teddy que já estavam se preparando para operar o pequeno. A única coisa que restou para a loira era se encolher no peito de Jane sendo envolvida por um abraço. Tinha certeza que as próximas horas até que a cirurgia acabasse e ela recebesse a notícia que o filho estava bem seriam tenebrosas.
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