Rizzoli And Isles - Life As We Know It
20 Capítulo 20 - Churrasco na Laje
Notas iniciais
– Tem o que para o café da manhã? – Uma Beth completamente de mau humor perguntou. – Espero que o café esteja forte.
– Bom dia para você também Beth. – Disse Jane sarcasticamente dando uma colherada de papinha na boca de TJ. – Dormiu bem?
A ruiva se segurou para não fazer nenhum gesto obsceno já que estava na frente de TJ, e também se fizesse ia ter que lidar com uma Maura que já estava esperando ela fazer alguma coisa que não fosse classificação livre, então ela se limitou só a fazer uma careta e se encostar no balcão da cozinha. Na realidade ela quase deitou no balcão da cozinha. Aquela era a resposta de que ela não tinha dormido bem, e mesmo que Maura não conhecesse Beth absolutamente bem como Jane conhecia, ela reconhecia aquilo, via de longe pessoas que sofriam por amor, pois já tinha passado por essa experiência. Pegou uma xícara e serviu um pouco de café e colocou perto dos braços debruçados de Beth que estavam no balcão.
– Obrigada.
Para surpresa das duas, Beth respondeu realmente com educação a Maura lhe servindo café. Não tinha como a ruiva responder diferente, na noite passada tinha contado a pior história de sua vida onde a amiga de Maura estava inclusa e mesmo chegando as conclusões que chegaram não tinha motivo para Maura lhe tratar bem e não ficar 100% ao lado de Julie, então o gesto significava muita coisa para ela, ainda mais porque no passado tinham sido boas amigas, ainda que ela soubesse que a loira morria de ciúmes dela, mas nunca demonstrava, mas se davam bem e sempre tiveram ótimas conversas, ainda mais porque mesmo que ela por tabela fosse uma das culpas por Jane e Maura terem ficado separadas por tanto tempo, ela ajudou e muito na relação das duas antes que as coisas dessem um tempo de dezessete anos. Beth deu o primeiro gole no café e em sincronia a campainha tocou. Maura ia sair de traz do balcão onde estava fazendo algumas panquecas para ir atender a porta, mas Jane fez sinal para que ela continuasse com o café da manhã, pousou a papinha de TJ na cadeirinha e foi abrir a porta, quando voltou não deixou de trazer uma grande surpresa.
– Elisabeth Miller... You look hot!
Claro que a surpresa era Giovanni, um colega de escola que Jane e Beth tiveram. A ruiva não deixou de revirar os olhos ao ouvir a frase final do italiano, na realidade foi pela presença em si dele. Já estava tendo um ótimo dia mesmo, só que não.
– Giovanni? – Maura perguntou surpresa com um sorriso. – Quanto tempo! Não sabia que vocês ainda tinham contato.
– Fiquei muito feliz quando Jane disse que vocês estavam juntas novamente, pois como sempre vivi dizendo, se não sou eu só a Jane. – Mandou um sorriso de canto de rosto para Maura fazendo com que Beth revirasse mais os olhos fazendo uma careta. – Beth...
– O que ele está fazendo aqui? – Ela finalmente perguntou, sem paciência.
– Você tem um carro com os quatro pneus furados e Giovanni é mecânico, então... – Jane deu de ombros. – Ele disse que vai dar um ótimo desconto.
– Sério? – Beth ergueu a sobrancelha completamente desconfia com aquele gesto. – Em troca do que?
– Por que você acha que eu sempre quero alguma coisa em troca? – Giovanni perguntou realmente sem entender. – Fiquei feliz quando Jane disse que você estava de volta. Sinto falta das nossas noites na oficina.
A ruiva fingiu ânsia, Jane segurou o riso e Maura ficou olhando aquela cena completamente confusa.
– Jane também participava dessas noites na oficina? – Maura perguntou inocentemente. Estava achando que era algum tipo de encontro entre amigos.
– Eu? Deus me livre! Não gosto de ninguém lambendo minha cara não.
– Lambendo... – Obvio que Maura não precisou nem concluir, pois estava vendo o olhar de ódio que Beth estava lançando para sua namorada e Jane continuava se segurando para não rir. – Vocês dois...? Quando?
– Foi só uma vez! – Beth tentou se explicar. – Tive um problema com o carro, esse aproveitador disse que ia dar uma olhada e que enquanto isso eu podia beber uma cerveja. Tudo desculpa para me embebedar e depois fazer sexo comigo.
– Uma vez quando você estava bêbada né? – Provocou Jane. – Pois das outras vezes tenho certeza absoluta que você estava sã.
– Mas ela não estava bêbada da primeira vez também não. – Disse Giovanni. – Ela só tinha tomado uma cerveja, eu que estava bêbado.
E quando Maura pensava que não tinha mais com o que se abismar quando se tratava de Elisabeth, vinham com esse tipo de história logo de manhã.
– Eu era jovem e não tinha um pingo de juízo. – Mandou um sorriso cínico e jogou a chave de seu carro para Giovanni. – Fica pronta na segunda-feira?
– Com toda certeza. Pode passar na minha oficina segunda para pegar o carro.
– Não... Você vai deixar o carro na delegacia segunda. Prometi que nunca mais ia pisar na sua oficina.
– Medo de cair na tentação Beth? – Jane perguntou debochadamente. – Sei como foi difícil você desapegar das lambidas.
– Vá para o inferno!
– Fico feliz por ver vocês todas juntas de novo. Lembram o que eu propus uma vez...
– Nem sonhando! – As três responderam juntas.
Maura poderia estar perdida em todo o assunto, mas se lembrava muito bem das propostas indecentes de Giovanni e era sempre assim que as três respondiam. Pareciam que estavam tendo um remember dos velhos tempos.
– Nos vemos segunda-feira Beth. – Mandou uma piscadela para ruiva que revirou os olhos mais uma vez. – You look hot também, Maura.
Claro que a loira soltou uma risada de nervoso enquanto acompanhava o mecânico ir embora. Jane também foi obrigada a rir, mesmo ainda tendo contato com Giovanni por ele ser seu mecânico oficial, não deixava de se surpreender com a cara de pau do rapaz. Diferente de todos os outros homens que davam em cima da Maura, o italiano sempre foi motivo de diversão, não diversão por maldade, mas sim por ser engraçado ele se empenhando em suas investidas que no final das contas acabam sempre sendo as mesmas.
– Por que vocês terminaram? – Maura perguntou a Beth. Não ia deixar isso passar. – Você o traiu também?
– Como eu ia trair alguém com quem eu não tinha nada? Não pode nem se fazer sexo em paz! E terminamos porque ele queria um relacionamento sério e eu não sou obrigada. – A Jane. – Será que você pode me emprestar seu carro para eu ir até o apartamento pegar um biquíni?
– Biquíni para o que?
– Não é churrasco na piscina? – Beth perguntou confusa. – Pensei que eu ia poder mostrar as minhas curvas.
– É churrasco na piscina e sim é para usar biquíni. – Respondeu Maura.
– Eu não vou usar biquíni nenhum. – Disse Jane. – E depois estamos quase entrando no inverno, não vejo necessidade de liberar a piscina.
– Está um ótimo tempo para ter a piscina liberada. Aquecimento Global faz essas coisas.
– Vocês inverteram os papéis? – As duas encararam Beth sem entender. – Era para Maura estar reclamando de um churrasco com piscina, pois ela é muito fina para essas coisas.
– Ela quer ser uma mãe “normal”. – Respondeu Jane. – E como todas as famílias normais fazem churrasco...
– E eu também quero me desculpar e vê se os pais mudam de opinião sobre a Jane que fica sujando o filho dos outros de sorvete.
– Eu estava defendendo o TJ! – Tentou se defender, ofendida com a acusação. – O menino sujou o TJ de sorvete, então eu sujei o menino, quando o TJ souber se defender sozinho eu não vou me intrometer. Não é filho? – Em resposta ganhou uma gargalhada do menino e uma batida na cadeirinha. – Esse povo é muito exagerado.
– Ah... Aproveitando que você está animada para o churrasco Beth, você pode aproveitar e conversar com a Julie também.
– Julie ainda vem para o churrasco? Essa mulher é mais masoquista do que eu pensei. – Maura a olhou com repreensão. – Não sei, não sei. Quando ela chegar eu vejo isso, mas o mais provável é que eu me esconda em algum lugar com um pedaço de carne até ele ir embora. Gostaria que os cinco dedos dela ainda estivesse no meu rosto para quando perguntassem o que foi eu toda hora apontar para ela.
Provavelmente ter Elisabeth e Julie em um mesmo churrasco depois da noite que as duas tiveram não seria uma ideia muito inteligente, pois churrasqueiras já são perigosas por si só, não precisa duas pessoas com assuntos mal resolvidos para deixar isso mais perigoso. Entretanto Maura não queria se preocupar com isso, não por agora. Era seu primeiro churrasco, queria acomodar todos, fazer com que todos se sentissem em casa, fazer com que as crianças se divertissem, pois ela queria dar tudo que ela não teve a TJ. Queria que ele tivesse amigos com quem brincar, que ele tivesse festas normais para se divertir, não jantares de gala onde não tinha uma criança para lhe fazer companhia ou se tinha a criança era criada de uma forma para ficar sentada o tempo inteiro sem trocar uma palavra com ninguém, queria que TJ tivesse uma vida completamente diferente da dela, que ele se sentisse como uma criança normal, como qualquer outra e com esses desejos ela só tinha a agradecer por ter Jane ao seu lado, já que ela sabia se ela desse alguma escorregada como mãe, seguindo o mesmo passo de criação de seus pais, teria a namorada para lhe chamar a atenção e colocá-la no caminho certo.
– Aqui está o meu bebê. – Disse Angela pegando TJ do colo de Maura. – Vovó sentiu saudade de você, sabia? – Deu um beijo na bochecha do menino.
– Oi para você também ma. – Disse Jane sarcasticamente. – Não perca seu tempo perguntando como eu e Maura estamos, dê atenção para o TJ.
– Não preciso saber como vocês estão, pois sei que estão ótimas e cansadas da minha cara, TJ não.
– Vejo que a festa já começou. – Disse Richard se aproximando com Constance. – Maura. – Abraçou a filha. – Jane. – Mandou um sorriso para a detetive que retribuiu.
– O brilho do churrasco chegou!
Obviamente que a dona daquela entrada era Elisabeth que trajava um biquíni azul, uma canga do Brasil e chinelos. Constance na hora que viu a entrada da ruiva revirou os olhos.
– Ela não tem filhos, por que foi convidada?
– Olá Constance. – A ruiva disse sarcasticamente. – Muito bom te ver também. E as artes como vão? Fazendo muita arte com as coisas que a natureza dá? – Constance a olhou com confusão. Quase nunca entendia as coisas que Beth dizia. – Richard! – Os dois se cumprimentaram com uma batida de mão.
– Elisabeth... Que maravilha te ver!
– Precisamos colocar o assunto de todos esses anos em dia, você não acha não?
– Precisamos... Pois fiquei sabendo que até casar você casou.
– Pois é... Mas não estou falando disso não. Você sabe o que é churrasco na laje? – O pai de Maura fez um negativo com a cabeça confuso. – Você ia amar! No Brasil eles costumam fazer muito isso. Montam uma piscina de plástico, colocam uma música...
Com o braço ao redor do pescoço de Richard, os dois foram se distanciando de Jane, Maura, Angela e Constance.
– Não gosto quando seu pai conversa com a Elisabeth. Ele sempre faz coisas estranhas por semanas depois disso.
– Não se preocupe com eles mãe. Beth é inofensiva.
– Seu pai quase colocou fogo na casa uma vez.
– Disse que ela é inofensiva, não o papai.
– Bom... Já que estou aqui... Será que você pode me deixar segurar meu neto, Angela?
– Claro. – Respondeu com um sorriso. – Quando eu não quiser mais segurá-lo.
– Larga de ser egoísta Angela! Eu não vi o TJ tem a semana inteira.
– Como se eu tivesse o visto a semana inteira né? Depois Constance! Ultimamente você anda vendo ele mais do que eu...
– Eu acho que vou ir ali olhar a churrasqueira. – Disse Jane. – Tony tem cara de que vai deixar as carnes queimarem e...
– Não precisa inventar uma desculpa para fugir da minha mãe mais a sua brigando pelo TJ, mas... Eu vou com você.
– O que eu falei para vocês sobre correrem e... – Não deu tempo de Julie dizer mais nada, pois seus sobrinhos já tinham pulado na piscina. – Eles sempre me escutando...
– Não vejo a hora de TJ começar a correr que nem eles. – Respondeu Maura com um sorriso.
– Quando ele começar você vai querer nunca ter desejado isso e olha que não é sempre que eu passo um dia inteiro com os três.
– Julie sobre ontem... – Jane começou. – Acho que te devo um pedido de desculpas.
– Não se preocupe Jane. Uma hora ou outra eu e Beth acabaríamos nos esbarrando, então... Foi melhor desse jeito.
– Em minha defesa eu não pensei que acabaria em um tapa na cara. – Julie e encarou com um olhar divertido e com falsa confusão como se perguntasse como ela achava que ia acabar. – Mas eu também não achei que acabaria em... Enfim... Eu vou ali na churrasqueira porque Tony tem cara mesmo de que vai deixar as coisas queimarem... – Mandou um sorriso sem graça e saiu.
– Mas de verdade Julie... Desculpa, se eu soubesse que a Jane faria isso...
– Maura não tem porque se desculpar! A culpa foi minha, se eu tivesse contado minha longa história talvez você dissesse “Ah eu conheço um ser humano tão ridículo como esse”, e descobriríamos que era a Beth e o encontro poderia ter acontecido em conjunto para não rolar tapas na cara, mas como disse... Foi revigorante. E caso você queira ouvir, posso te contar minha longa história.
– Não vai precisar... Beth já nos contou ontem e posso te assegurar que foi a versão verdadeira, pois pensei que não podia ficar mais surpresa com as atitudes dela.
– Pois é... – Julie olhou ao seu redor e encontrou Beth sentada em uma das mesas as gargalhadas com Richard. – Eu também pensei que não, mas acontece.
Mesmo com a presença de Julie e Beth no churrasco, ele estava tranquilo e Maura estava feliz por aquilo. Gostava de ver as crianças se divertindo, as pessoas conversando, bebendo e comendo, até Jane estava sendo gentil com as pessoas, na verdade ela estava realmente conversando e de verdade, sem fazer caretas ou inventar uma desculpa para fugir da conversa. Se tinha observado bem ela tinha até feito as pazes com a mãe da criança que ela tinha sujado de sorvete. O churrasco estava saindo melhor do que ela esperava, até sua mãe e Angela tinham entrado em um consenso sobre TJ ou quase chegado.
– Obrigada. – Disse Maura com um sorriso puxando Jane para um rápido beijo.
– Pelo o que? – Perguntou realmente sem entender.
– Pelo churrasco. Eu sei como você não gosta muito de pessoas, ainda mais na nossa casa, então...
– Pelo que eu saiba quem não gosta ou não gostava de pessoas era você que até desistiu de ser cirurgiã e resolveu ter uma profissão que mexe com os mortos.
– Ultimamente até que as pessoas estão agradáveis. – Disse com um pequeno sorriso dando mais um beijo em Jane. – Obrigada mesmo.
– Não tem o que agradecer... Eles até que são pais normais.
Maura soltou um riso e elas trocaram mais um beijo.
Jane gostava de ver a namorada feliz, mesmo se estivesse odiando tudo naquele churrasco não falaria, pois estava vendo a felicidade no rosto de Maura, mas ela também estava feliz, como tinha ditos os pais eram normais e ela gostava de conversar com eles, ainda mais com os pais homens mesmo e estava mais feliz ainda por ver que Maura estava feliz, nunca tinha visto a loira se dando tão bem com pessoas como estava se dando no churrasco, era maravilhoso ver a namorada conversando e rindo com todos e ver também que todos ali gostavam dela, então mesmo que quisesse não ia conseguir odiar aquele churrasco.
– Acho melhor você não sair daqui agora e me ajudar a proteger a churrasqueira. – Jane disse ganhando um olhar de confusão de Maura. Só apontou com a cabeça em direção a Beth que andava em direção a Julie que estava sentada na beira da piscina. – Espero que Beth não diga nada idiota dessa vez, mas se falar não vou salvar ninguém caso Julie a afogue na piscina.
– Eu não sei... Mas acredito que não vai ter ninguém sendo afogado na piscina hoje.
– Cuidado Josh! Para de jogar essa bola na cabeça do Parker!
– Anna e Will gostaram mesmo de fazer filhos né? – Disse Beth sentando ao lado de Julie. – São lindos!
O primeiro pensamento de Julie foi ignorar a ex-namorada, tendo em vista que ela pensou mesmo que as duas iam passar o churrasco inteiro se ignorando, com esse pensamento ela não chegou a cogitar a possibilidade de em qualquer momento no churrasco elas terem que trocar algumas palavras, consequentemente ela não pensou em outra coisa que não fosse ignorar Beth, só que uma coisa que ela tinha aprendido nesse tempo é que ignorar nunca é a solução, ainda mais se for Elisabeth Miller quem você tiver ignorando, a solução seria ela ser direta e não dar muita ousadia como ela tinha dado na noite passada.
– Se veio falar comigo com o intuito de conseguir um pedido de desculpas, você está perdendo seu tempo.
– Na realidade eu vim aqui para pedir desculpas. – Julie que estava olhando para seus sobrinhos na água até aquele momento foi obrigada a encarar Beth, pois um pedido de desculpas era a última coisa que ela esperava da ruiva. – Eu não deveria ter dito tudo que eu te disse ontem, mesmo porque era mentira, você continua sendo de longe uma das melhores pessoas que eu já conheci na vida, só que parece que eu continuo sendo a pior pessoa que você conheceu. Me desculpa Julie, de verdade.
– Pensei que a marca dos meus dedos iam continuar no seu rosto hoje, parece que não bati tão forte assim.
Beth foi obrigada a rir. Não estava mais irritada por causa do tapa, na realidade nunca esteve, tinha merecido mesmo, mas é que tinha ficado feliz, pensou que Julie a ignoraria e não daria nem bola para seu pedido de desculpas, ela podia ser uma surtada que sai por ai furando os pneus do carro dos outros, só que mesmo assim ela parecia ser mais evoluída que outras pessoas que provavelmente a jogaria na piscina e mandaria as crianças brincarem de afogar.
– O gelo deve ter ajudado. – Pensou que ia ganhar pelo menos uma risada, mas Julie não esboçou nada, pelo contrário, voltou sua atenção a piscina. – Nós vamos ficar bem?
– Vamos... – Julie levantou da borda da piscina. – Só é você continuar com a sua vida e eu continuar com a minha que vamos ficar muito bem. Vivi olhe seus irmãos porque eu vou ali pegar alguma coisa para beber!
E sem Beth ou até mesmo a própria Vivi, que estava na piscina, pudessem dizer alguma coisa, Julie já tinha virado as costas e ido atrás de uma bebida.
A ruiva entendia Julie não querer prolongar um assunto com ela, tinha feito isso na noite passada e o que tinha ganhado em troca foi ouvir coisas desagradáveis, como dizem... Repetir o erro mais de uma vez é burrice, mas ela não queria ser mais um erro na vida de Julie, ter contado sua longa história para Jane e Maura tinha clareado a sua mente, assim como passar boa parte da madrugada pensando em todas suas atitudes com a ex-namorada e também o que tinha ouvido de Julie sobre ela ser a culpada dela ter uma vida amorosa ferrada e de tanto pensar chegou a conclusão que queria resolver as coisas com a loira, não romanticamente, mas queria que as coisas ficassem bem entre as duas.
– Você é amiga da minha tia? – Perguntou Vivi se apoiando na borda da piscina.
– Não... Costumava ser. Até te conheci quando você ainda era um bebê, mas então eu disse coisas horríveis para a sua tia e ela não quer ser mais a minha amiga.
– Ah ta! Já sei tudo! Você é a longa história da tia Ju. – Beth encarou a garota surpresa. Como a menina sabia de sua longa história? – Eu e tia Ju somos melhores amigas, contamos tudo uma para outra, ela me contou sobre você e também como a outra namorada dela terminou com ela porque ela ainda te amava. Não citaram nomes, mas eu sei que é você que minha tia ama.
– O que? Não, sua tia não me ama!
– Claro que ama! Mas ela nunca vai admitir, assim como não admite para mim, mas eu sei que ela te ama e se você ainda a ama também tem que fazer que nem da primeira vez, não desistir dela.
Antes que Beth pudesse dizer alguma coisa a garota já tinha dado um mergulho na piscina fugindo do seu campo de visão. Sempre soube que Vivi ia ser mais que um rostinho bonito por ai, mas ela era inteligente, até que demais para uma garota de seis anos, tanto que a deixou pensativa.
Tinha um motivo para que Beth tivesse acordado de mau humor naquele dia. Diferente do que ela tinha dito para si mesma que queria se resolver com a Julie, mas não de um modo romântico era completamente mentira. Com metade da madrugada em claro pensando em todas suas atitudes ela tinha chegado a conclusão que seu término com o Warren foi somente mais uma desculpa, óbvio que ela queria realmente que o ex-marido arrumasse alguém melhor que ela, não melhor de “eu sou a pior pessoa do mundo, não mereço ser casada com alguém como ele”, mas sim uma pessoa que realmente o amasse e que fizesse o casamento durar, quem sabe até que realmente a morte os separassem, que pudessem formar uma família dessas de comercial de margarina, pois ela tinha chegado a conclusão que por mais que gostasse da companhia de Warren, que por mais que ela tentasse fazer o casamento dar certo, que por mais que eles fossem o casal invejado do Los Angeles, ela nunca ia amá-lo de verdade, não da forma que amava Julie. Infelizmente tinha percebido isso com cinco anos de atraso, mas antes tarde do que nunca. Em seus pensamentos a mil na madrugada ela caiu em si que tinha terminado com a Julie porque ela se achava a pessoa pior do mundo e que Julie tinha o direito de ficar com alguém que a amasse e não a fizesse sofrer, só que ela percebeu que não era essa pessoa mais, que tinha evoluído, tanto que usando seu relacionamento com Warren como exemplo novamente, ela foi fiel durante os cinco anos que foram casados e só o traiu porque ainda tinha um lado irracional que falava muito alto ás vezes, e ela pensou que a saída mais fácil fosse o trair ao invés de falar que não era justo continuar em um relacionamento onde ela não o amava como devia, então com tudo isso claro em sua mente ela chegou a conclusão que deveria tentar uma segunda chance com Julie, pois se Jane e Maura tiveram uma segunda chance porque elas não poderiam? Percebeu que o seu “não se resolver romanticamente” era ilusão e depois de ouvir tudo que Vivi disse seus olhos foram abertos de vez.
Antes de tomar a decisão definitiva do que iria fazer ou pelo menos começar a fazer, olhou para Julie que conversava com algumas mães, segurado a bebida que ela disse que buscaria, a viu sorrindo, gargalhando e percebeu que durante todo esse tempo sentiu falta disso e que foi burra o suficiente para deixar escapar. A decisão foi tomada. Não cometeria o mesmo erro.
***
– Vou marcar um almoço com você na semana e espero que leve o TJ, porque Angela mal me deixou ficar com o meu neto hoje.
– O que? – Angela disse indignada. – Eu fui pegar o que comer e você ficou fugindo com o TJ de mim por mais de duas horas.
– Gostei de mais da presença de vocês duas viu? – Disse Jane pegando TJ do colo de Constance. Não puxaram o menino de um lado para o outro o churrasco inteiro, mas tinha medo que a qualquer momento isso acontecesse. – Mas já podem ir embora. Boa noite.
– Você está nos expulsando, Jane? – Perguntou Constance.
– Claro que não! Eu amo a presença de vocês duas, ainda mais juntas, mas é que vocês vieram de viagem diretamente para o churrasco, precisam descansar.
Contrariadas e não acreditando nenhum pouco na desculpa de Jane, as duas se despediram e foram embora, mas claro, não antes de disputarem quem ia beijar mais o TJ.
– Gostou do seu primeiro churrasco? – Perguntou Jane entregando TJ para Maura.
– Não lembrava como churrascos eram tão divertidos. Me lembrou os churrascos que íamos na adolescência.
– Por que aquilo sim era churrasco, diferente daqueles que você me fazia ir com seus pais.
– Tivemos bons momentos naqueles churrascos também. – Disse com um pequeno sorriso arrancando um sorriso malicioso de Jane. – Temos que fazer mais vezes.
– Churrasco ou o que fazíamos nos churrasco que seus pais davam?
– Jane!
As duas soltaram um riso. Não cansavam de lembrar desses momentos da adolescência.
– Eu vi você conversando com umas mães sobre trabalho... Você não tem vontade de voltar a trabalhar não Maura? Pois desde que você voltou para Boston não vejo você dizendo nada sobre isso.
– Eu não penso em voltar a trabalhar agora, não quero ser uma péssima mãe como a minha foi. – Trouxe TJ para mais perto de si. – Não quero TJ sendo criado por babás. Quero dar todo amor, carinho e atenção que ele merece e que todas as crianças deveriam ter de seus pais.
– Nem se você quisesse você ia conseguir ser uma péssima mãe. – Mandou um meio sorriso para Maura que retribuiu com um sorriso sem graça. — Só por você pensar assim te faz uma excelente mãe, mas TJ não ia ser criado por babás, mesmo trabalhando ele ia ter a gente o tempo todo, não como está acostumado, mas ele ia ter Maur.
– Ele ainda é muito pequeno Jane, e por mais que eu sinta sim vontade de voltar a trabalhar eu ia sentir mais falta do TJ, então vou esperar ele crescer um pouco mais.
– TJ não podia ter mãe melhor no mundo que você. – Disse dando um beijo em TJ. – E eu não podia ter mulher melhor.
– E eu não podia ter família melhor. – Sorriu e ganhou mais um beijo de Jane.
***
– Julie! – A loira atendeu ao telefone.
– Você já comeu pizza de strogonoff com borda de queijo?
Era inacreditável! Não a ligação em si, mas sim ela sorrir da mesma forma que sorriu quando Beth lhe ligou pela primeira vez há sete anos.
– Como você conseguiu meu número?
– Sou sua stalker número um, esqueceu?
– Hm..
– Eu tive que roubar o celular da Maura, mas mesmo assim...
– O que você quer, Beth? – Tentou passar um tom rude, mas tinha quase certeza que não tinha conseguido.
– Arrumar o estrago que eu fiz. – Julie ficou surpresa com o quão direta Beth foi. – Quero provar para você que sou uma pessoa melhor do que há sete anos.
– Se isso é um modo de você dizer que quer uma segunda chance... Não vai acontecer Beth.
– Ninguém falou em segundas chances, mas sim em segunda impressão.
– Isso seria uma segunda chance.
– Uma segunda chance que não termina em café da manhã — Só se você quiser. – Não podia ver, mas tinha certeza que Beth tinha aberto um sorriso de canto de rosto cheio de segundas intenções.
– Mesma confiante de sempre.
– A gente faz o que pode.
– Boa noite, Beth.
Até que não tinha sido ruim para a primeira ligação. Beth tinha pensado que só de ouvir sua voz Julie iria desligar o celular e ainda bloquear seu número, então podia dizer que já tinha saído ganhando e esperava continuar assim, pois tinha certeza que tinha um caminho muito longo a percorrer.
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