Rizzoli And Isles - Life As We Know It
21 Capítulo 21 - Segundo Natal Favorito
Notas iniciais
Não existe nada melhor do que as festas de final de ano. Quando dezembro vai chegando aquele clima natalino já começa a invadir a casa das pessoas que enfeitam suas casas com árvore de Natal e pisca-piscas. Elas começam a preparar a lista com os pratos que vão ser servidos na ceia, começam a procurar presentes para dar as pessoas amadas, e o mais importante, chamam essas pessoas amadas para passar o Natal com elas, pois não existe coisa melhor no mundo do que passar uma das datas mais esperadas do ano com nossos familiares, pessoas que amamos.
Claro que existem aquelas pessoas que odeiam essas comemorações de fim de ano, algumas tem motivos plausíveis para odiar tal data, outras simplesmente não gostam de nada e adoram ficar as desmerecendo. Jane era a primeira opção, na realidade ela tinha se tornado a primeira opção, pois mesmo que desde pequena sua mãe adorasse vesti-la com aqueles vestidos de menininha para passar o Natal e ela odiando a roupa, ela não tinha o que reclamar, ela tinha seus irmãos, tinha seus pais, tinha seus avós que sempre vinham da Itália para as comemorações de fim de ano, mas com o passar dos anos isso foi se perdendo, chegou um ano que não tinha mais seus avós devido a morte deles e depois não teve mais seu pai. Felizmente apareceu Elisabeth na mesma época que estava na mesma vibe de não achar o Natal tão interessante do mesmo modo de quando ela era menor, e com isso elas se apoiaram e começaram a fazer as comemorações mais suportáveis, ás vezes elas tinham o pensamento de fugir e passar as festas em um lugar onde não tivesse ninguém transbordando felicidade, só que sabiam que não podiam fazer isso e nem iam conseguir, pois Angela e a avó de Beth iam atrás das duas nem que fosse no fim de mundo, mas isso era ainda quando elas comemoravam, só que depois que cada uma perdeu o grande amor de sua vida elas passaram a não apreciar muito as comemorações de fim de ano.
Para Jane o seu melhor Natal foi o único que ela passou com Maura e para Beth o melhor foi quando ela passou com Julie. A ruiva ainda teve ótimas comemorações de final de ano, pois Warren era um grande fã de festas natalinas, assim como sua mãe, então as ceias eram sempre cheias de gente e com isso diversões, já que a mãe de Warren odiava Beth e a detetive sempre usava isso a seu favor para deixar os jantares mais engraçados, mas mesmo assim não era a mesma coisa, ela não era completamente feliz quando passava os Natais com seus pais ou até mesmo depois com Jane. Já Jane virou a típica pessoa que ficava sentada em um canto nas comemorações, pois ela tinha perdido Maura e depois de um tempo Beth foi embora, a ruiva era o único motivo dela conseguir aguentar as festas, então sem Beth era sinônimo de sem uma mínima diversão, mas nesse Natal elas tinham voltado a compartilhar daquele sentimento de fim de ano, aquela ansiedade que todos tem em reunir a família e fazer uma ceia memorável, pois estavam juntas novamente e tinham os amores de sua vida por perto, mesmo que Maura estivesse mais perto de Jane do que Julie estava de Beth, mas isso já contava.
Entretanto podia juntar a ansiedade e animação de Jane e Beth que não dava o nível de ansiedade e animação de Maura para essas comemorações. Nunca teve comemorações decentes com sua família, na verdade ela não conseguia lembrar quando teve uma comemoração decente com ela mais seus pais. Nos anos que esteve no colégio interno não chegava nem perto de ter algo que pudesse ser chamado de comemoração de Natal, pois seus pais sempre inventavam uma desculpa para não poder pegá-la no colégio, então ela passava seu Natal brincando com o mundo de bonecas que eles mandavam como consolação ou ficava lendo os diversos livros que tinha na biblioteca do internato tomando um chocolate quente que uma das freiras que tinha uma simpatia por ela fazia. Quando conheceu Jane que ela foi realmente ver o que era um Natal em família. Seus pais estavam parecendo mais como sua família naquela época e ela ainda tinha a família de Jane, assim como sua namorada, o Natal que ela passou junto com Jane foi o melhor de sua vida e ela não pode se abater nos Natais seguintes porque Lydia era louca obcecada por essas comemorações, vivia arrumando um jeito de ter sua mãe presente nas ceias e em consequência dava um jeito dos pais de Maura aparecerem também. Foi muito agradável todos os anos de comemorações com Lydia, mas ela não se sentia mal em ter esse Natal com mais importância do que todos os outros de sua vida, tirando o que ela passou com Jane, então ela queria que tudo fosse perfeito.
– Onde você pensa que vai com essa estrela? – Perguntou Maura a Beth que tinha terminado de colocar o último enfeite na grande árvore de Natal que ela tinha comprado e colocou no canto da sala.
– Você já terminou ai né? Vou colocar a estrela no topo da árvore.
– Não. – Pegou a estrela da mão de Beth. – Eu vou colocar a estrela no topo da árvore.
– Por quê? Eu sempre coloco na estrela no topo da árvore. – Pegou a estrela de volta. — Fala para ela Jane.
– O que? – Jane que estava comendo um sanduíche pouco se importando com a árvore ou a discussão voltou sua atenção para as duas. – Olha...
– Olha nada! – Disse Maura. – Beth sempre colocou a estrela quando vocês comemoravam o Natal juntas e tenho certeza que ela deveria colocar quando ela era casada. Essa é minha árvore. – Pegou a estrela de volta. — Então eu coloco a estrela.
– Eu só ia dizer para vocês resolveram seus problemas, eu não vou me meter.
– Você não vai se meter porque você não quer dormir no sofá por ficar do meu lado né? – Disse Beth fazendo uma careta. – Você não era de ficar em cima do muro Jane.
– Desde quando ela vai ficar do seu lado? Fala para ela Jane que a árvore é minha e eu vou colocar a estrela no topo e que você não está “em cima do muro”, pois você não está mesmo já que você está aqui na nossa frente sujando todo o carpete de farelo de pão.
– Eu não... – Jane disse com a boca cheia olhando para o chão. – Eu já disse que não vou me meter.
Jane podia até não querer se meter e terminar de comer seu sanduíche em paz, mas estava convivendo com Maura a Beth fazia muito tempo para saber que isso não seria possível. As duas começaram a discutir e Jane foi inclusa no meio da discussão, mesmo ela não entendendo absolutamente nada do que as duas diziam, só ouvia a palavra “estrela” ser citada duzentas vezes em casa frase que as duas falavam. Poderia estar louca, mas Jane gostava mais dessa relação que Maura e Beth tinham agora do que quando eram adolescentes, não sabia explicar, mas mesmo que sempre que tivesse que ficar no meio das discussões, gostava de ver que as duas discutiam, mas depois terminava tudo bem, só que aparentemente aquela discussão ia demorar um pouco mais, pois elas estavam determinadas a fazer Jane escolher um lado.
– Silêncio! – Maura disse em um tom não tão alto.
– Você começa essa discussão e agora pede silêncio? Se respeite, Maura! Termine uma discussão que nem mulher.
– O que? Não! Eu não... – Não entendiam porque Maura tinha parado a discussão e também o motivo de não estar olhando para elas e muito menos por estar abrindo um imenso sorriso. – Olha...
Ambas seguiram o olhar de Maura e não deixaram de abrir um sorriso também quando viram que no meio da sala, enquanto uma discussão estava correndo, TJ estava dando suas primeiras engatinhadas.
– Mas... – Disse Jane bestificada com a cena que estava vendo. – Pega um celular, Beth! Eu preciso gravar isso! Minha mãe vai ficar louca!
– Por que eu que tenho que pegar o celular...?
– Por que você não é a mãe dele. Vai logo!
Mesmo contrariada por perder alguns segundos da cena, a ruiva foi até a cozinha e pegou um dos celulares em cima do balcão, mas quando voltou encontrou as duas paradas, uma ao lado da outra olhando para TJ que tinha sentado, parecendo que tinha desistido de engatinhar. Entregou o celular para Jane e quando a morena começou a gravar o menino fez posição novamente de que ia continuar com sua descoberta de que podia sair andando pela casa em “quatro pernas”.
– Vem com a mamãe TJ, vem. – Disse Maura se agachando e fazendo sinal com a mão chamando o bebê, ainda perto da árvore, não queria assustar o menino e ele desistir de engatinhar de vez, mas assustado era a última coisa que TJ estava, parecia que ele estava se divertindo mesmo, tanto que quando ouviu a mãe lhe chamando parou novamente de engatinhar, sentou-se, deu uma gargalhada e voltou. – Isso mesmo! Vem cá.
Cada engatinhada que TJ dava era uma festa por parte de Jane e Maura que tentavam ser as mais calmas possíveis para não desencorajar o filho, mas tinha hora que elas não se aguentavam e começavam a chamar pelo nome do menino, pegaram alguns ursos para ver se encorajava mais o bebê chegar até elas e em nenhum momento deve ter passado pela cabeça de TJ não terminar seu percurso, ele estava se divertindo com suas duas mães lhe chamando, pois ele parava no meio do caminho, ria, batia palmas ainda gargalhando e continuava a engatinhar, até que finalmente ele chegou até Maura que não pensou duas vezes em pegar o filho no colo e lhe dar um beijo no rosto orgulhosa com mais um aprendizado de seu bebê. A felicidade e as caras bobas de ambas as mães era visível, mesmo se quisessem não iam conseguir disfarçar, cada dia que passava elas sentiam o que só costumavam ouvir das mães quando se tratava de filhos, a alegria que uma criança da a cada dia, a cada descoberta, a cada aprendizado, estavam radiantes.
– Acho que você merece colocar a estrela na árvore depois disso. – Maura entregou a estrela para TJ que ficou a balançando todo feliz pensando que tinha ganhado um novo brinquedo. – Você gravou tudo isso Jane?
– Claro que eu gravei! – Deu um beijo na bochecha de TJ não se cabendo de felicidade e depois deu um beijo em Maura.
– Cara onde eu estava com a minha cabeça quando não quis ter filhos? – Beth se questionou também feliz com a cena que tinha acabado de presenciar.
***
– Eu pensei que essa seria a reação da minha mãe.
Maura disse um tanto quanto assustada ao ver Julie chorando ao terminar de ver o vídeo de TJ engatinhando. Não sabia que a amiga era tão sensível.
– Oh não! – Julie disse enxugando as lágrimas, mas a voz chorosa permanecia. – É que esse vídeo lembrou os meus sobrinhos e em como meu Natal vai ser infeliz.
– Por quê? Aconteceu alguma coisa com seus sobrinhos?
– Aconteceu... Eles vão passar o Natal em um cruzeiro, no Brasil! Will ganhou passagens do chefe e vai carregar a família toda para lá, mas aparentemente irmã não é família. Eu até tentei comprar uma passagem separada para ir com eles, mas não tem mais passagem! Minha consolação era fazer um jantar para mim e minha mãe, mas depois que meu pai morreu ela está ousada, esse ano disse que vai passar o Natal na balada com algumas amigas, na balada! Eu não lembro a última vez que pisei em uma balada, mas minha mãe vai passar o Natal em uma. O jeito é comprar umas garrafas de vinho, pizza e colocar as séries em dia.
– Ou passar o Natal lá em casa com todo mundo.
– Esse todo mundo inclui a Beth? – Maura fez um positivo com a cabeça. – Prefiro passar meu Natal com a Emily Thorne.
– Emily Thorne? – Maura perguntou sem entender. – É alguém que você está saindo e esqueceu de me contar?
– O que? Não! Se fosse até que eu não teria um Natal tão infeliz assim. É a protagonista de Revenge.
– Ah ta! A loirinha que a Beth diz que é a rainha de bateria da Vai-Vai. Tive que fazer algumas pesquisas para entender ao que ela se referia e vi que era sobre uma escola de samba do Brasil, mas não vi nenhuma foto da Emily não.
– Não Maura! – Julie soltou um riso. Só Maura mesmo para fazê-la rir em um momento desses. – Ela não é rainha da bateria literalmente, nós dizemos isso porque ela samba demais, que significada que ela é incrível demais em tudo que ela faz, que sempre deixa as pessoas boquiabertas, essas coisas.
– Esse mundo de séries de vocês é muito confuso. Os meus documentários não tem dessas coisas.
– Por isso que você deveria parar de relutar e entrar para esse mundo de séries com a gente.
– Talvez eu faça uma maratona, mas enfim... Pensei que você e Beth estivessem se dando bem.
– E estamos... Nos meus termos. Eu disse para ela que como somos obrigadas a conviver no mesmo planeta e que esse planeta é tão pequeno quanto um ovo, sempre que nos encontrarmos vamos nos cumprimentar e ter no máximo cinco minutos de conversa. Está funcionando muito bem até agora, então não quero estragar isso tendo que passar o Natal com ela.
– Prometo que vou fazer com que Beth fique o mais longe de você possível. Eu só não quero que você passe o Natal sozinha assistindo séries e comendo pizza.
Antes que Julie pudesse responder qualquer coisa, foi interrompida com o celular de Maura tocando. A loira dos olhos verdes amarronzados soltou um riso ao ver quem ligava. Ultimamente não podia citar o nome de Beth que ou ela aparecia ou ligava, parecia até que era invocação.
– Oi Beth!
– Precisamos fazer a nossa intervenção.
– Intervenção? Para quem?
– Para a Jane! Pensei que esse ser humano estava evoluído espiritualmente quando se tratava de amigo secreto em Natal, mas ela não está! Continua com a mesma frescura de que não querer brincar de amigo secreto. Todo mundo está tão animado, seu pai disse que já tem até um presente em mente para quem ele tirar.
– Oh meu Deus! Tem coisas que realmente não mudam. É Jane com birra para brincar no amigo secreto e meu pai que pensa que todo mundo adora ganhar charuto de presente.
– Mentira que seu pai ainda tem essas ideias? Credo! Ele me deu uma caixa de charuto há alguns anos. Vendi aquela porcaria. Não gostava nem de fumar maconha, quando mais charuto. Seu pai deveria nos respeitar!
– Olha... Liga para todo mundo e marca um jantar hoje ás 20 horas que vamos fazer essa intervenção e aproveitamos e já tiramos os nomes.
– Melhor pessoa você, Maura! Te amo com todo meu coração. Faz lasanha.
– Vou pensar no seu caso. -... – Até mais tarde. – Desligou o celular. – Então... 20 horas lá em casa para tirar o amigo secreto?
Julie deu de ombros. Talvez não fosse ser tão ruim assim passar o Natal com Maura e a família.
E não tinha como esse talvez estar tão certo. Tudo bem que o Natal não tinha nem começado ainda, mas na véspera quando todos se juntaram para cozinhar, as coisas já estavam ótimas. Todos ali eram engraçados, tinham ótimos assuntos para conversar e Julie já tinha percebido isso até com o decorrer dos preparativos para a tão esperada ceia. Parecia até que Maura tinha cumprido sua promessa, pois Beth não ficou em cima dela todos esses dias, conversavam normalmente, até davam algumas risadas ou compartilhavam de alguma piada ou pensamento, mas nada que a deixasse desconfortável e com vontade de voltar a sua ideia inicial de passar o Natal assistindo séries.
– Deixa eu ver se entendi. – Disse Richard. Estava na sala junto com Jane, Beth, Frankie, Frost, Korsak e TJ jogando videogame enquanto Maura, Julie, Constance e Angela estavam na cozinha terminando a ceia. – Você faz sexo com a garota de programa dentro do carro, paga ela e depois quando ela sai você bate nela para pegar seu dinheiro de volta?
– Nos outros GTAs sim! – Respondeu Beth. – Mas nesse novo você tem que matar ela mesmo, caso contrário se você só bate nela e pega seu dinheiro de volta a vaca chama a policia para você.
– Mas por que vocês fazem isso? – Richard perguntou horrorizado. – O que custa deixar a moça ir embora com o dinheiro? Vocês vão roubar mais depois.
– Por que essa é a graça do jogo. – Diz Jane.
– Não... – Discordou Frankie. – A graça do jogo é fazer as missões, coisa que eu nunca vi nenhuma de vocês duas fazendo!
– Que graça tem fazer as missões? – Perguntou Beth. – Gosto mesmo é de viver no perigo.
– O irônico é que vocês passam os dias combatendo esse tipo de violência, mas adoram esse joguinho. Não entendo. – Disse Korsak.
– Ficção Korsak. – Disse Beth. – Ficção.
– Vamos ver. – Disse Richard. – Eu acho que entendi. Inicia o jogo para eu tentar.
– Mãe deixa o papai se divertir. – Disse Maura em tom divertido vendo a expressão de desaprovação que sua mãe estava fazendo ao ver Richard jogando videogame.
– Da última vez ele comprou aquele tal de kinect, ficou jogando não sei quantas horas e depois teve que fazer várias sessões de acupuntura porque ficou com a coluna doendo.
– Hoje eles estão jogando sentados, não se preocupe.
– Julie esse molho está maravilhoso. – Disse Angela. – Quem te ensinou a cozinhar desse jeito?
– Minha mãe me ensinou alguns truques de receitas familiares, mas aprendi a cozinhar de verdade mesmo com a Beth. – Olhou a ex-namorada que estava gargalhando vendo Richard jogando videogame. – Vocês não sabem... Mas ela é uma ótima cozinheira. Claro que ela prefere se encher de pizza e lasanha, mas...
– E quando eu penso que não posso me surpreender mais com a Beth. – Comentou Maura.
– Como dizemos da onde eu vim... Já pode casar Julie!
– Se eu tivesse alguém para casar... – Soltou um pequeno riso.
– Quem já pode casar também é a Maura. – Disse Angela fazendo até com que Maura parecesse de cortar as cenouras que estava cortando. – O que você acha sobre pedidos de casamento no Natal, Maura?
– O que? – A legista voltou a cortar a cenoura, mas de um modo mais acelerado que antes. – Por que eu tenho que achar alguma coisa?
– Por que Jane te tirou no amigo secreto e como presente ia te dar a aliança e te pedir em casamento. – Parou de cortar novamente a cenoura e por pouco não cortou o dedo. – Mas não se preocupe, eu disse para ela não fazer o pedido assim, ela precisa pensar em algo mais romântico.
– Ah eu ia achar lindo se me pedissem em casamento no Natal. – Disse Julie dando uma última mexida em seu molho. – Acho o clima natalino tão lindo e é super apropriado para um romance.
– Eu não concordo. – Disse Constance. – Você ser pedido em casamento ou até mesmo casar nessas datas importantes do ano é arriscado. Eu acredito em casamento que dura para sempre, mas e se não dura? E se o noivado acaba? Você vai se lembrar dessas comemorações como o pedido de casamento ou o casamento que você teve que não deu certo.
– Deve ser lindo mesmo ser pedida em casamento no Natal. – Maura finalmente se pronunciou. – Mas eu penso em algo romântico e só nosso.
– Acho que você que deveria pedir a Jane em casamento então. – Disse Julie em tom brincalhão. – Ou desenhar para ela como quer ser pedida em casamento.
– Ou posso esperar Jane me surpreender. – Disse com um sorriso voltando a cortar suas cenouras.
Julie não podia ser amiga de Maura por muito tempo, mas pelo que já conhecia a legista tinha a impressão que tinha alguma coisa que Maura não estava lhe contando sobre todo esse negócio de ser pedida em casamento, mas era dia de festa, voltaria com esse assunto mais para frente.
***
Quando o relógio bateu meia noite ninguém esperou nenhum segundo a mais para distribuírem abraços entre eles e felicitações de um feliz Natal. Jane e Maura trocaram um beijo apaixonado que era cheio de felicidade por depois de tantos anos estarem passando mais um Natal juntas e ainda de bônus tinham um filho que logo depois de trocarem o beijo fizeram questão de pegar o bebê que estava mais acordado do que qualquer outra pessoa ali presente e encheram ele de beijo também. Até Julie e Beth fizeram as educadas e se abraçaram desejando um feliz Natal. Pelo menos elas foram se abraçar com o pensamento que só estavam sendo educadas, mas na realidade o abraço demorou mais tempo do que as duas perceberam, mas o resto do pessoal percebeu e ainda ficaram só nos cochichos e risos, mesmo que só Jane e Maura sabendo a verdadeira história das duas, não tinha como discordarem que as duas faziam um ótimo casal e que seria legal se elas se resolvessem.
– É... – Jane levantou da cadeira com um copo de vinho na mão. Tinham acabado de sentar para começar a comer, estavam todos alegres, conversando, rindo, mas assim que viram a morena se levantar fizeram silêncio e voltaram sua atenção para ela. – Eu sou péssima com as palavras, nunca fui boa em dar discurso em minha vida, mas essa ocasião merece que eu diga algo... Ou pelo menos tente. – Pigarreou. Estava nervosa, tinha ensaiado algumas palavras, mas agora não sabia nem por onde começar. – No começo do ano eu pensei que não ia ter motivo nenhum para comemorar o Natal ou qualquer outro tipo de festa, pois resolveram tirar meu irmão mais novo de mim e ele sempre foi um dos que mais adoravam essas festas. No Natal passado eu tinha um sobrinho a caminho e uma pessoa a mais sentada a mesa para a ceia, então pensar que iam ter duas pessoas ao menos no fim do ano ou em qualquer outra comemoração da família, não fazia com que eu tivesse vontade de celebrar nada. Só que olhem essa mesa agora... Tommy e Lydia morreram e obviamente ninguém vai ocupar o lugar deles em nossas vidas, mas graças a eles eu pude reencontrar a mulher da minha vida e formar uma família com ela. – Jane olhou para Maura com carinho que retribuiu com um sorriso tímido. – Minha melhor amiga finalmente resolveu voltar para Boston. – Jane mandou um sorriso para Beth que fez sinal com sua taça de vinho como se estivesse brindando a isso. – E eu agora tenho esse rapazinho para cuidar... – Jane pegou na mão de TJ que estava sentado na cadeirinha ao lado de Maura. — E vou tentar ser metade da excelente mãe que a minha foi e continua sendo. Eu sinto falta do meu irmão todo dia, assim como a boca de papagaio da Lydia. – Todos soltaram um pequeno riso devido ao tom brincalhão que Jane usou. – Mas não tem como eu ficar de mal com a vida, pois eles se foram, mas me trouxeram tudo isso aqui. – Fez um gesto com a mão apontando para todos da mesa. – Isso inclui você também Julie. – A médica abriu um sorriso sem graça. – E vocês também Constance e Richard. – Sorriram. — Tenho certeza que seja lá onde for que Tommy e Lydia estejam, eles estão felizes por ver que estamos bem. Frankie, Frost e Frankie, obrigada por não desistirem de mim e continuarem na minha vida. – Os três assentiram com a cabeça como se dissessem “sempre que precisar”. – Ma... Eu te amo. – Angela que já estava com os olhos cheios de lágrimas deixou com que elas escorregassem e sussurrou um “eu te amo também” para Jane. – Então gostaria de brindar a família. Gostaria de brindar a nós e ao Tommy e Lydia.
A morena levantou sua taça e todos a acompanharam brindando a aquela momento. Sem duvidas não teria outro lugar no mundo que todos eles quisessem passar o Natal que não fosse ali, ainda mais que depois do brinde além de começarem a comer, todos voltaram a interagir, contar histórias, rirem, se divertirem e Jane olhava tudo aquilo feliz, tirando ter Tommy e Lydia sentado ali junto com eles, não tinha outra coisa que ela queria no mundo a não ser apreciar aquela cena. Esse com toda certeza era o segundo melhor Natal da vida dela.
***
– Okay! – Disse Jane pegando um presente debaixo da árvore. – Eu quero começar esse amigo secreto, pois meu presente é muito importante, assim como a pessoa que eu tirei. – Jane olhou para Maura e mandou um sorriso. Claro que a loira já começou a pensar que talvez a namorada não tivesse seguido o conselho de Angela. – Minha mãe disse que seria uma péssima ideia pedir alguém em casamento no Natal, assim também como ela disse que se eu contasse para ela quem era meu amigo secreto ela manteria segredo...
– A culpa não é dela, Jane. – Maura veio em defesa. – Ela só queria saber o que eu achava sobre pedidos de casamento no Natal.
– E eu só queria ver se ela ia mesmo conseguir ficar sem te contar que eu tinha te tirado, mesmo que eu não tivesse te tirado.
– O que? – Angela perguntou confusa. – Você não tirou a Maura?
– Claro que não Ma! E mesmo se tivesse tirado eu não ia dar para ela uma aliança de casamento. Existem outros dias do ano para se pedir alguém em casamento e no Natal não é um deles.
– Concordo! – Disse Beth. — Pedidos de casamentos e casamentos tem que serem feitos em datas não comemorativas para se tornar uma data comemorativa, porque senão é uma festa a menos no ano.
– Exatamente!
– Você teve toda aquela conversa comigo só para me pregar uma peça?
– Para ver se você aprende! Amigo secreto é amigo secreto, ma! Quando eu for pedir Maura em casamento de novo você só vai ficar sabendo quando eu pedir. – Disse com um sorriso cínico fazendo com que Angela fechasse a cara. – Mas voltando ao meu verdadeiro amigo secreto... Qualquer coisa que eu venha dizer essa pessoa vai saber que eu tirei ela, mas eu preciso dizer... – Virou sua atenção para Julie. — Eu não ia com a sua cara, mas graças a Maura eu dei uma segunda chance para te conhecer e estou feliz que você tenha entrado na vida da Maura e também na minha, porque gosto sempre de ter pessoas para provocar. – Estendeu seu presente para Julie. – Você é minha amiga secreta Julie!
Julie não sabia muito bem o que fazer, mas da onde que ela vinha as pessoas pegavam o presente e davam um abraço em quem entregou, então pegando Jane completamente de surpresa pelo gesto, ela abraçou a morena e agradeceu pelo presente.
– Eu não sei se você vai gostar, mas das vezes que te vi no hospital você tava usando sempre um diferente, então...
– Que coisa mais fofa, Jane! – Disse Julie com um sorriso ao abrir a caixa e ver um pequeno ursinho, cachorro e dinossauro daqueles “agarradinhos” que segurava uma plaquinha escrita “melhor pessoa” cada um deles. – Eu adorei! Estava precisando mesmo renovar os bichinhos que uso no meu jaleco porque as crianças já conhecem todos. Obrigada mesmo, Jane. – A morena só respondeu com um sorriso. – Acho que é a minha vez, certo? – Julie se encaminhou até a árvore e pegou seu presente. – Eu ainda acho que vocês burlaram os papéis para que eu tirasse essa pessoa. – Foi caminhando de volta a sala. – Mesmo com a surpresa de reencontrar essa pessoa, ela ainda continua sendo uma das pessoas com quem mais aprendi coisas nessa vida e apesar dos pesares eu fiquei feliz em tirá-la. – Estendeu seu presente para Beth. – Você é minha amiga secreta!
– Ah definitivamente burlarem os papéis porque essa família adora ver as coisas pegando fogo. – Disse Beth em tom brincalhão fazendo todos rirem. Diferente de Julie com Jane, a ruiva pegou seu presente da mão da loira e já foi abrindo e ao terminar de abri-lo não podia acreditar no que estava vendo. – Oh meu Deus! – Beth tirou o presente de dentro da caixa. – O DVD novo da Claudia Leitte? Autografado ainda? Como... Como você conseguiu?
– Eu tenho meus contatos. – Disse com um sorriso orgulhoso. – E parece que ela até te conhece de tanto que você oportuna a coitada.
– Muito, muito obrigada mesmo Julie!
O abraço depois disso foi inevitável. Na realidade teve um abraço daqueles bem apertados de felicidade mesmo e um beijo no rosto para completar o agradecimento, gesto que deixou Julie completamente vermelha de vergonha e todos se divertindo com a situação. Cada vez ficava mais nítido o ótimo casal que elas faziam, mas elas (ou Julie) ficavam se fazendo de difíceis.
E o amigo secreto seguiu com muita diversão como estava sendo o Natal inteiro...
– Você não perde essa mania de vir se congelar na varanda né? – Disse Beth ao ver Julie escorada na varanda. – Espero que a gente tenha feito a ausência dos seus sobrinhos um pouco suportável pelo menos. – Se escorou na varanda ao lado de Julie.
– Definitivamente vocês foram melhores do que ficar em casa assistindo séries. – Abriu um pequeno sorriso. — Emily Thorne não ia conseguir ganhar disso jamais.
– Fico feliz em ouvir isso e fico feliz também por você não ter chamado a Maura ainda já que fui praticamente ameaçada caso não deixasse você em paz.
– Eu sei me defender sozinha e você está se comportando.
– Eu sempre me comporto. – Disse com um sorriso debochado fazendo com que Julie risse. – Eu tenho um negócio para você. – Tirou do bolso de seu casaco uma pulseira de ouro branco que tinha uma menina segurando metade de um coração e entregou para Julie.
– Você ainda guarda essa pulseira? – Perguntou surpresa e admirada.
– As duas. – Beth tirou do bolso uma segunda pulseira que trazia a menina com a outra metade do coração.
– Onde você achou essa pulseira?
– No meu carro... Ou no que sobrou dele. Achei que seria legal guardá-las para caso algum dia eu te visse novamente.
– Agora que você já me viu novamente o que vai fazer com elas?
– Eu não sei o que vou fazer com as pulseiras, mas sei que vou repetir o que eu fiz quando eu dei a sua.
Julie a olhou por alguns segundos confusa, não fazia ideia do que Beth se referia, até que foi pega completamente de surpresa com a ruiva lhe puxando para um beijo. O pouco de frio que Julie estava sentindo pelo pouco tempo que estava ali fora foi embora com o beijo. Tinha esquecido completamente como era a sensação de ter os lábios de Beth colados aos seus, tinha esquecido como era ter os braços de Beth em volta do seu corpo, tinha esquecido completamente como era ter seu coração batendo tão rápido parecendo que ia sair de seu peito cada vez que Beth lhe deixava e tinha esquecido o mais importante que era como ela ainda era completamente apaixonada por Beth e como esse beijo fez com que seus sentimentos todos viessem a tona, tanto que ao perceber isso foi obrigada a parar com o beijo antes que fosse tarde demais.
– Acho que era melhor você não ter guardado essas pulseiras, porque não podemos repetir o que aconteceu naquele um ano.
– Por que não?
– Por que o final não foi nada feliz. – Colocou a pulseira em cima da varanda. – E eu não quero repetir aquilo.
Beth até pensou em ir atrás de Julie dentro da casa, mas tinha lembrado dos limites que tinha que seguir e também não queria estragar a noite de Natal de ninguém que estava maravilhosa. Ficou algum tempo lá fora pensando mais uma vez em todas as suas atitudes que tinham a levado onde ela estava e nesses pensamentos não deixou de juntar o coração das duas meninas da pulseira e sorrir lembrando dos ótimos momentos que tinha vivido depois que resolveu comprar aquelas pulseiras.
– Sem marca dos cinco dedos no rosto... – Disse Jane parando ao lado de Beth e se escorando na varanda. — Isso significa que as coisas não correram tão ruins assim.
– Também não foram boas. – Soltou um suspiro. – Eu ferrei com tudo.
– Eu também pensava assim, mas veja onde eu estou agora. – Mandou um meio sorriso a amiga. — Só é não desistir Beth. – Deu um tapinha nas costas dela e voltou para dentro da casa. – Podia jurar que Julie ia embora.
– Você me viu indo embora alguma vez? – Perguntou Maura.
– Você fugiu para o parque e você não podia ir embora.
– Mas ela podia ir embora e não foi.
– Você está muito animada para que as duas voltem, sabia?
– Se uma é o amor da vida da outra o que eu posso fazer? – Jane soltou um riso, lhe deu um beijo e em seguido a puxou para um abraço. – Eu te amo, sabia?
– Eu também te amo. – Deu um beijo na cabeça de Maura. – E amei mais ainda esse nosso segundo Natal juntas. Se eu pudesse pedir alguma coisa para o Papai Noel sem duvidas eu pediria exatamente isso.
Maura não deixou de abrir um sorriso e dar um beijo em Jane. Mesmo sabendo de toda “ficção” que é o Papai Noel, se fosse pedir alguma coisa para ele, pediria a mesma coisa que a namorada, pois não conseguia lembrar quando tinha passado um Natal tão maravilhoso quanto aquele. Não depois de ter se mudado para Londres e também nem antes de conhecer a morena. Aquele era sem duvidas seu segundo Natal favorito.
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