Rizzoli And Isles - Life As We Know It
19 Capítulo 19 - Longa História 2
Notas iniciais
Depois de deixar Julie no apartamento eu fui até ao bar encontrar meus amigos e claro ter minha aposta paga, mas eu fui contar que realmente tinha gostado do encontro, que Julie era uma ótima pessoa, essas coisas e isso fez com que aquelas criaturas tivessem outra ideia de aposta.
– Se você gostou tanto dela porque não continua saindo com ela? – Perguntou Leo. – Você nos disse que queria ser gente, namorar, talvez até casar e ter uma família. Julie parece ser essa pessoa.
– Vocês são solteiros, não me venham com essa conversa.
– Eu aposto que você não consegue namorar a Julie por seis meses. – Disse Ryan – Você tem medo de se comprometer Beth. Admita!
– Eu não tenho medo de me comprometer! Eu só não quero me comprometer com a Julie. Qual é gente! Vocês a viram? Não é o tipo de pessoa que estou acostumada a sair.
– Por isso mesmo! – Disse Arthur. – Você está tão acostumada a sair com as mesmas pessoas que não se da a chance de sair com alguém diferente. Julie pode ser essa pessoa.
– Não, não é.
– Então você não vai aceitar a aposta? – Perguntou Ryan. – Elisabeth Miller fugindo de uma aposta minha gente!
– Eu não estou fugindo de aposta nenhuma, pois o significado de aposta para mim é que depois de comprida ela tem um prêmio e até agora não foi me oferecido prêmio nenhum.
– O prêmio é o que você quiser. – Disse Leo. – Te damos um cheque em branco e você faz o que quiser com ele. Você vive namorando carros. Pode comprar o carro que quiser, até uma Ferrari que nem nós compramos ainda.
– Se eu fosse comprar uma Ferraria seria para deixar em uma garagem na minha mansão, mas eu não tenho uma mansão e nem uma garagem. – Tomou um gole de sua cerveja. – Então é só isso? Eu tenho que namorar a Julie e eu ganho um cheque em branco?
– Você tem que namorá-la, mas de verdade, por seis meses. – Disse Arthur. – E de verdade eu digo não traindo ela e saindo para os lugares, fazendo programas de pessoas que namoram e depois desse seis meses se você nos disser que é algo que realmente não vai dar certo o cheque é seu.
– Vocês só podem estar brincando comigo! Julie tem cara de ser maior ruim de cama.
– É um cheque em branco, Beth. – Disse Ryan. – Acho que vale o esforço.
Gente milionária é uma porcaria né? Não pode ter uns milhões na conta bancaria que pensam que podem comprar todo mundo com um cheque em branco. Mas como dizia minha mãe... Eu não sou todo mundo e eu era uma desempregada sem muito rumo na vida que não gostava de fugir de uma aposta, então esperei Julie me ligar para marcamos um novo encontro.
Foram 13 oficias encontros em 2 meses, isso porque eu não sabia que tinha essa história de encontros oficiais ou não, pra mim qualquer coisa era um encontro. 13 oficias encontros para que finalmente fizéssemos sexo e Maura pode estar me fuzilando com o olhar ao ouvir isso, mas fique sabendo que eu que adiei o máximo que eu pude, mas eu não sou um robô.
– Vocês querem que eu narre a parte do sexo ou...
– Se eu quisesse história pornô eu lia 50 Tons de Cinza. – Respondeu Jane.
– Você leu esse livro? – Perguntou Beth surpresa. — Não consegui sair da primeira página.
– Verdade Jane. Esse livro é horrível e você como não é muito fã de leitura...
– Eu não li... – As duas a encararam. – Não cheguei nem na metade do livro, okay? Será que você pode continuar a história?
Diferente do que eu pensei Julie passava longe de ser ruim de cama. Na realidade ela era muito boa. Melhor até que você Jane, desculpa e desculpa também Maura pelo comentário.
– Normalmente sou eu que fujo de madrugada. – Disse Beth chegando ao terraço e encontrando Julie virada de costas encostada no parapeito. – Se não queria que eu ficasse era só ter me dito que eu ia embora.
– Não é isso. – Julie respondeu ainda de costas. – Eu só perdi o sono.
– Podia ter me acordado. – Beth abraçou a loira por trás e lhe deu um beijo no pescoço. – Adoro vir em terraços que tem uma placa de “proibido subir” na madrugada. – Julie soltou um pequeno riso.
– Eu que coloquei aquela placa. Gosto desse canto só para mim.
Preciso admitir que aquele dia no terraço foi um dia que eu quase tive uma parada cardíaca, pois eu tinha pensado que indo em mais encontros com a Julie e ela se sentindo confortável ao meu lado, ela começaria a se vestir melhor, arrumar aquele cabelo direito, usar uma lente, mas não aconteceu, em nenhum momento. Mas naquele dia no terraço, ela se virou para mim, os cabelos estavam soltos e mais arrumado do que qualquer outro dia e ela estava sem os óculos e mesmo com aquele sorriso metálico que ela tinha, Julie estava longe de se considerada feia, ela era tipo a Anne Hathaway em O Diário de Princesa, só precisava de uma ajudinha. E vocês podem dizer “ah, mas você transou com ela, a viu sem óculos antes do terraço!”. Claro que não! Vocês me respeitem, pois estava escuro e naquele momento eu estava pouco me importante em reparar em óculos ou não.
– Adorei o seu canto. – Deu um beijo em Julie. – Talvez ele se torne o meu canto também, não sei.
A loira mandou um sorriso tímido, trocou olhares com Beth por alguns segundos e ainda sem jeito voltou sua atenção no chão, talvez procurando um jeito de falar o que tinha para falar.
– O que estamos fazendo Beth?
– Conhecendo o seu canto? – Perguntou receosa, já sabendo que aquela não era a resposta certa, pois o tom de voz de Julie indicava que não era daquilo que ela se referia.
– Não... – Voltou a olhar para o chão. – Estou falando de nós. Eu sei que eventualmente isso vai acabar, porque sempre acaba, mas eu preciso ter uma ideia de quando para eu não ir muito longe.
– Eu sou uma perseguidora, esqueceu? – Beth levou sua mão até o queixo de Julie e o ergueu para que a loira voltasse a encará-la. – Você pode ir o longe que você quiser porque eu vou atrás de você e caso você fique eu não vou para lugar nenhum. A não ser que você ainda queira pedir aquela ordem de restrição contra mim. – Julie só fez um negativo com a cabeça rindo. Estava feliz e agora podia realmente se sentir feliz com aquela relação, pois tinha ouvido algo que não ouvia há muito tempo e mesmo que ouvisse provavelmente não estaria pronta para ouvir, pois não era a pessoa certa, mas agora parecia que era. – Seus olhos são realmente lindos.
E foi nesse dia que começou a contagem para os seis meses de namoro. Algo que eu achei um absurdo! Tinha que começar a contar desde o segundo encontro, mas tudo bem... Era um cheque em branco para uma desempregada que não era gente, então...
Nunca pensei que namorar fosse tão complicado viu. Só foi oficializar essa porcaria que tudo começou a dar errado. Não errado de errado como esses casais idiotas que ficam brigando de cinco em cinco minutos, na realidade a gente nunca brigava. Eu me dava mais bem com a Julie do que com muita gente que tive que conviver, mas as coisas começaram a dar errado porque parecia que resolveram dar todos os plantões para ela trabalhar. Ver a Julie era quase luxo. No começo passávamos vários dias conversando só pelo celular e não estava fácil. Como disse... Eu não sou um robô, então quanto mais Julie estava lá salvando vidas eu só queria ir em algum bar conhecer alguém e... Não precisa me olhar desse jeito Maura, eu queria, mas não fui, sou honesta nas minhas apostas. Ao invés de sair por ai para conhecer pessoas e trair minha namorada, eu fiquei em casa comendo muitas pizzas, jogando videogame e assistindo séries. Acho que era Satanás me testando para ver se eu ia conseguir mesmo ganhar essa aposta, porque ele nunca duvida desses mal feitos, mas acho que dessa vez até ele tava duvidando que eu ia conseguir.
Passado esses dias do Satanás querendo que eu perdesse a aposta, pude fazer o acordado da aposta e fazer coisas de casal com a Julie. Tenho que admitir que no começo eu estava odiando tudo, em uma noite que eu podia estar vadiando por ai tomando umas tequilas, eu estava indo ao cinema assistir a comédia romântica do cartaz. Era algo muito injusto. Só que estranhamente com o passar dos dias esse ódio foi acabando e eu até escolhia ter Julie como companhia, pois ela era uma ótima companhia por tudo que eu já listei no nosso primeiro encontro, mas com bônus de que ela realmente gostava de passar um tempo comigo e não me achava desagradável como a maioria das pessoas ou quase todas elas. Para vocês terem uma ideia ela até assistia série comigo. Ninguém consegue assistir mais de cinco minutos de um episódio comigo, mas Julie conseguia e ainda ficava rindo da minha interação com a televisão. Aquela risada...
Jane e Maura ficaram encarando Beth por alguns segundos, pois ela tinha parado de contar a história e ficou olhando para o nada com um sorriso bobo no rosto. Percebendo que estava com aquele sorriso que fazia tempo que ela não dava e o casal olhando para sua cara esperando que continuasse a história, Beth só fez uma careta como se dissesse que estava incomodada com as duas a encarando e resolveu continuar com a história como se na tivesse acontecido.
Com o tempo eu pensei que estivesse com alguma doença sabe... Porque no começo do namoro eu queria minhas noitadas, mas depois só a presença da Julie bastava, quando eu não a via eu sentia falta dela, cada sms que ela me mandava eu ficava lendo com um sorriso completamente idiota, e por mais que eu soubesse que estava sorrindo feito uma besta, eu não conseguia tirar o sorriso do rosto. Ás vezes só bastava com que Julie estivesse no meu apartamento ou eu no dela, nós duas conversando besteiras, ela me contando como foi o dia no hospital, a gente compartilhando spoilers de série ou até mesmo eu contando uma coisa ou outra da minha vida. Não tinha coisa melhor na vida do que ter Julie por perto. Tanto que os seis meses passaram e eu não dei nem conta, ainda mais porque meus queridos amigos foram viajar não sei para onde uns dias antes dos seis meses completarem e não me falaram nada, então eu continuei com o namoro.
Não tinha coisa mais divertida do que namorar a Julie, pois por ela ser médica tínhamos acesso aos elevadores do hospital e as salas de plantão e... Olha se vocês não transaram em um elevador ou em uma sala de plantão vocês não sabem o que estão perdendo. Pois é... Julie disse que não faria isso, mas ninguém resiste a um/vários pedidos de Elisabeth Miller. Eu gostava de estar no hospital, mesmo que não fosse por estar fazendo sexo corredor a fora, o pessoal era legal e mesmo que eles tentassem me intimidar com “se você magoar a Julie vamos arrancar seu coração fora”, essas coisas, não era fardo nenhum dividir Julie com eles e eu ainda tinha acesso VIP a galeria para ver as cirurgias.
– Você fica ainda mais sexy segurando um coração, sabia? – Disse Beth em um tom sedutor cafajeste com um sorriso de canto de rosto olhando Julie operar pelo vidro da galeria.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntou Julie sem tirar a atenção do coração. – E se Yang ouvir você dizendo isso na cirurgia que era para ser dela...
– Dane-se a Yang! Essa cirurgia é sua, você mereceu. E respondendo a sua pergunta... É que eu tenho um negócio para te dizer, então Mer arrumou um jeito de eu vir aqui.
– O que é tão importante que não deu tempo de você esperar eu terminar a cirurgia?
– Eu te amo.
– Onde você está indo, Maura? – Beth perguntou ao ver a loira levantando do sofá. No primeiro momento pensou que seria agredida.
– Você disse mesmo “eu te amo” para a Julie em um namoro por aposta? Você pelo menos estava sendo sincera?
– Não chega uma hora no relacionamento que a gente tem que dizer “eu te amo”? Então... Se Julie estava enrolando para dizer eu disse. Faz parte do namoro.
Maura completamente indignada nem se deu ao trabalho de responder, caminho até a cozinha para pegar alguma coisa para beber que ela ganhava era mais.
– Eu demorei quase 8 meses para dizer que amava a Maura e não era porque eu não a amava, mas sim porque eu simplesmente não conseguia e você fala assim? Só por causa de uma aposta? Nem eu faria isso Beth.
A ruiva não sabia o que responder. Tinha resolvido contar a história de livre e espontânea vontade e estava sendo julgada por todos os lados mesmo sem nem terem ouvido o fim da história. Resolveu por não rebater, mesmo porque Maura tinha chegado com duas garrafas de cerveja, entregou uma para Jane e sentou de volta no sofá. Parecia que queria escutar o resto da história.
– Cadê a minha cerveja?
– Você não está merecendo nem um copo d’água.
Por trás da máscara que Julie estava usando não dava para ver, mas eu tinha certeza absoluta que ela estava corada e que segundos depois abriu um sorriso ao ouvir o que eu disse. Pensei até que ela fosse se confundir e fazer besteira na cirurgia de tão paralisada que ela ficou com o que eu disse. Todos na sala de cirurgia ficaram revezando os olhares entre Julie ali na frente deles e entre mim na galeria que já estava começando a me preocupar com a criatura sem reação nenhuma, estava esperando o momento que ela ia cair dura ali.
– Eu também te amo, Beth.
Ela me disse aquilo com um olhar tão doce que eu nunca tinha visto ela me olhar daquele jeito. Só consegui sorrir que nem uma idiota mais uma vez e talvez fosse algum problema também, mas fiquei imensamente feliz por ouvir aquilo, meu coração até bateu mais forte, pensei que logo mais seria eu naquela mesa de cirurgia. Mandei um sorriso para ela como se dissesse que ia deixá-la terminar de operar o paciente e quando me virei encontrei Meredith com um sorriso debochado, mas feliz, acho que até ela estava esperando que eu dissesse, era a nossa shipper número um aquela lá. Saudades Meredith, saudades.
Ninguém diria que nosso namoro era por causa de uma aposta que a própria Julie desconhecia, pois a gente se entendia sem nem dizer muitas palavras ou sem dizer absolutamente nada. Tanto que quando a primeira sobrinha dela nasceu eu tivesse que conhecer toda sua família, pois em todo esse tempo eu não tinha os conhecido ainda.
Aproveitando que já estou sendo julgada mesmo por contar essa história, gostaria de dizer que eu vim aqui para Boston conhecer a família da Julie, já que eles são daqui, mas não te procurei mesmo Jane, porque eu não era obrigada. Dito isso...
– Muito obrigada, Beth. – Disse a mãe de Julie com um pequeno sorriso no rosto. – Você trouxe nossa Julie de volta. Desde que a ex-namorada a trocou por outra eu nunca tinha a visto tão feliz assim. Obrigada mesmo. – E para surpresa de Beth a mulher a abraçou.
– Será que você pode soltar minha namorada mãe? Vivi quer conhecer a outra tia dela. – Julie passou o bebê que estava em seus braços para Beth. – Fala “oi” pra tia Beth.
– Ela consegue ser mais fofa que nas fotos. – Disse Beth com um imenso sorriso mexendo com uma de suas mãos na mãozinha da neném. – Vivi vai arrasar corações Will, você que não se prepare não. Tudo bem que ela vai ter no mínimo dois primos, mesmo que mais novos, para espantar o pessoal.
– Dois primos como? – Perguntou Will. – Sou filho único e tirando Julie, Anna não tem mais nenhuma outra irmã.
– Os quatro filhos que e a Julie vamos ter não contam como primos não?
– Quatro filhos? – Julie soltou uma risada pensando que aquilo era uma brincadeira de Beth, mas ela percebeu que a namorada não estava rindo. – Você está falando sério?
– Por quê? Um dia vamos casar não vamos? Quero filhos.
– Mas quatro? Quem vai engravidar de tudo isso? Você?
– Engravido de no mínimo dois. Você engravida de dois e depois podemos adotar mais dois.
– Beth... – Julie abriu um imenso sorriso, pois pode ver que a ruiva não estava brincando. – Como você acha que vamos sustentar todas essas crianças?
– Prometo que vou arrumar um emprego.
– Você é louca.
– Por você.
Não nos importamos nem se Vivi estava no meio da gente, nos beijamos ali mesmo. Definitivamente eu era a namorada querida por todos da família. Hoje em dia tenho certeza que se Anna estiver passando de carro e eu estiver atravessando ela acelera só para me atropelar. Várias mensagens ameaçadoras ela me mandou quando terminei com a Julie, mas...
Faltava um pouco mais de uma semana para que completássemos um ano de namoro. O que eu tinha dito sobre arrumar um emprego já estava em prática. Tinha conseguido algumas recomendações e estava realmente ansiosa para voltar a trabalhar como detetive, estava com uma animação que eu não sentia desde depois de algum tempo trabalhando em DC. Eu deveria estar com um tumor cerebral que se curou sozinho, pois eu estava realmente animada com a história de formar uma família. Depois daquele dia com a família de Julie começamos a conversar sobre morar juntas, essas coisas de casal mesmo. Só que meus amigos resolveram voltar para Seattle. Estávamos nos divertindo, bebendo, rindo, quando do nada eles me entregam um cheque em branco. Juro que fiquei algum tempo encarando aquele cheque tentando entender o que ele significava. Até que...
– A aposta...
Beth se lembrou. Só que diferente do que ela pensou há quase um ano quando aceitou participar, ela não se sentiu nenhum pouco feliz quando teve o cheque em mãos.
– Você mereceu, Beth! – Disse Arthur. – Sei que fomos embora um pouco antes dos seis meses acabarem, mas sabemos que você é honesta quando se trata de apostas. Como ela reagiu ao término?
– Na verdade eu não terminei com a Julie. – Disse ainda desconsertada por ter lembrado da aposta pousando o cheque na mesa. – Nós ainda estamos namorando.
Como se aquilo fosse algum tipo de notícia que alguém tinha ganhado na loteria os amigos de Beth começaram a bater palmas e gritarem em comemoração.
– Eu falei que ela era a garota certa para você se apaixonar. – Disse Leo. – Estou orgulhoso de você!
– O que? – Perguntou ainda assimilando as coisas. – Não! Eu não estou apaixonada por ela. Só resolvi continuar com o namoro porque vocês foram pra essa viagem e nunca mais voltaram. Estava contando os segundos para terminar com a Julie. Graças a Deus vocês voltaram!
– Você está falando sério? – Perguntou Arthur. – Você parecia tão feliz com ela que pensamos...
– Pensaram errado! E mais uma vez perderam uma aposta.
– Perdemos uma aposta, mas podemos ter ganhado uma sócia. – Ryan. – Já que não tem Julie e você não tem emprego aqui... Queríamos perguntar se você não quer trabalhar com a gente no nosso cassino em Las Vegas?
– Vocês abriram um cassino?
– Com toda essa história de aposta percebemos que somos bons nisso, então nada mais digno do que abrir um cassino. Então...?
– Eu agradeço rapazes, mas eu tenho algumas coisas para resolver e... – Levantou da cadeira e pegou o cheque em cima da mesa. – Prometo que passa no cassino para jogar e tirar mais dinheiro de vocês.
Não deixei nem que eles falassem nada, eu precisava sair dali, pois a ficha tinha acabado de cair e os pensamentos começaram a me perturbar. Eu tinha apostado namorar com a Julie em troca de um cheque em branco. Comecei a lembrar de quando eu tinha aceitado a aposta, eu não tinha nada a perder, pelo contrário, eu só tinha a ganhar. Namoraria Julie por seis meses e depois disso sairia com um cheque em branco para fazer o que eu quisesse, mas quando peguei aquele cheque em mãos eu percebi que eu tinha ganhado a aposta, que eu tinha ganhado o cheque em branco, mas também percebi que eu tinha o que perder, eu iria perder a Julie.
Passei vários dias completamente incomunicável. Eu não queria ver ninguém, eu não queria falar com ninguém, eu precisava lidar com o que eu estava sentindo naquele momento. Eu estava me sentido mil vezes pior do que eu me senti quando tinha mudado para Seattle. Meu peito doía de um jeito que só tinha doído quando meus pais mais minha irmã morreram naquele acidente de avião e quando minha avó morreu, eu nunca tinha sentido aquela dor por mais ninguém na vida, mas só em pensar na possibilidade de perder a Julie aquele dor se fazia presente. O pior de tudo é que não era a dor de só perdê-la, mas também era a dor de saber que eu iria magoá-la, algo que eu disse que não ia fazer quando peguei o número de telefone para chamá-la pra sair, ainda mais porque Addison estava certa, Julie era uma ótima pessoa e depois de tudo que ela tinha passado com a traição e os pés na bunda, ela não merecia sofrer novamente, não por causa de mim que tinha a iludido falando até em casarmos e termos uma família. Eu naquele momento era a pior pessoa do mundo que não merecia ter o amor da Julie, então depois de vários dias dentro do meu apartamento eu cheguei a uma única decisão, mas que podia ser feita de dois jeitos.
Lembro como se tivesse acontecido ontem... Era um pouco mais de 20 horas e eu tinha mandando uma mensagem para a Julie pedindo que ela me encontrasse do lado de fora do hospital no banco que tinha próximo a entrada. Fazia algum tempo que eu já estava lá sentada a esperando e quando a vi chegando em minha direção a forma em que ela me olhava era de confusão, mas de alivio por saber que eu estava bem depois de todos aqueles dias sem dar notícia. Ela se sentou ao meu lado.
– Por que você desapareceu? Eu fiquei preocupada! Pensei que tinha acontecido alguma coisa com você, mas... Eu fiz alguma coisa para você me ignorar todos esses dias?
– Não Julie, você não fez nada. – Respondeu olhando a namorada, mas o olhar dela o que tinha de confusão e alivio, tinha de tristeza também, como se Julie soubesse que não ia sair nada de bom daquela conversa, então ela foi obrigada a desviar o olhar para suas mãos que mexiam uma na outra quase que involuntariamente de tão nervosa que ela estava. – Na realidade eu fiz... – Não pôde ver já que estava encarando suas mãos, mas o olhar de confusão da loira tinha aumentado. – Eu fiz uma aposta com os meus amigos aquele dia no hospital. Independente do médico que viesse me atender eu teria que o chamar para sair, se ele aceitasse eu ganharia dez mil dólares. Só que de todos os médicos ou médicas que tinham para me atender, você veio. – Tinha um percurso todo pela frente do que iria dizer, então se tinha sido horrível o suficiente para fazer uma aposta, tinha que ser pelo menos decente e dizer o que tinha que dizer olhando nos olhos de Julie, mas assim que voltou a atenção para a namorada se arrependeu profundamente de ter tomado a decisão de ser decente, pois a dor que ela vinha sentindo todos esses dias pôde ver os olhos dela. – Por isso que eu me esforcei tanto para conseguir seu número, não sou pessoa de perder uma aposta. Juro que era só para ser aquele jantar, mas então meus amigos tiveram a brilhante ideia de apostar que eu não conseguiria namorar você por seis meses tendo em vista que eu nunca tinha namorado ninguém em todos esses meus 28 anos, então se eu conseguisse namorar você por seis meses eles me dariam um cheque em branco para que eu pudesse fazer o que eu quisesse. – Os olhos de Julie começaram a se encher de lágrimas e Beth cada segundo se sentia pior ainda, não era para ser daquele jeito. – Você é uma das mulheres mais incríveis que eu já conheci na vida Julie. Quando me falaram que você era a melhor pessoa que alguém podia conhecer eu bem duvidei, mas eles não mentiram, não tem outra pessoa na vida que eu gostaria de ter conhecido no seu lugar, apostar nesse namoro foi a aposta mais fácil que eu já fiz na vida e... – Fez uma pausa. As primeiras lágrimas já tinham começado a escorrer pelo rosto de Julie. – Você não é como as mulheres que eu estou costuma a sair, só que você também não fica boa no cartão de Natal. Quero dizer... – A olhou de cima a baixo. – Desculpa Julie, mas olha eu e olha você... Só com aposta mesmo Julie, me desculpa.
Juro que não sei como não tive minha cara desfigurada naquele momento, porque o olhar que Julie me lançou ao ouvir aquilo foi o mesmo que Maura ficou me mandando por muito tempo desde que eu voltei, tanto que ela ficou tão puta da vida ao ouvir aquilo que as lágrimas param e ela levantou do banco tão abruptamente que eu pensei que ela ia pegar uma arma escondida de algum lugar dali ou pelo menos que ela ia gritar tanto comigo que a gente ia parar em uma delegacia, mas não...
– Você podia ter me dito isso ontem ou até mesmo amanhã, mas você é tão desgraçada que escolheu justo o dia do nosso aniversário de namoro para dizer isso né? Muito obrigada por me fazer pensar que finalmente alguém tinha voltado a se interessar por mim e que sei lá, eu podia ser até feliz. Se eu sou a melhor pessoa que você já conheceu, pode ter certeza que você é de longe a pior pessoa que eu já conheci nessa minha vida.
Sabe quando você tem aquele sentimento de que sua vida acabou de acabar, mas você é obrigado a continuar vivendo? Então... Ver Julie voltando para dentro do hospital sem nem ao menos olhar para a trás foi o fim da minha vida. Voltei para casa naquela noite e fiz uma coisa que eu não fazia desde que minha avó morreu: Chorei pra carai! Eu não sabia muito bem pelo que eu chorava, pois tudo em mim doía e eu estava me sentindo tão horrível como nunca ninguém me fez sentir em minha vida. Tinha falhado na missão de ser gente naquele momento, para falar a verdade eu nunca tinha sido tão filha da puta como eu tinha sido naquele momento, eu estava com tanta raiva de mim mesma que eu não pensei duas vezes na hora de rasgar aquele maldito cheque e ficar enchendo a cara por vários dias seguidos. Pensei que ia me tornar uma alcoólatra, tanto que eu fui a uma dessas reuniões do AA, mas eu fui expulsa por levar uma garrafa de vodca debaixo do braço e dizer que tudo aquilo era uma porcaria, que a vida era uma porcaria e que quem quisesse compartilhar as porcarias da vida bêbado, eu ficaria muito feliz em pagar uma garrafa de bebida para todos. Metade do pessoal daquela reunião saiu comigo. Ótimas lembranças desse momento sofrido.
Eu sentia muita falta da Julie, mas não ousava mandar mensagem nem muito menos ligar para ela, mas teve um dia que não sei o que deu em mim que eu fui até o hospital, mas não entrei, cheguei lá no começo da tarde e fiquei lá parada, não conseguia dar meia volta e ir embora como também não consegui dar os 10 passos para entrar no hospital. Já tinha anoitecido quando Meredith saiu pela porta do hospital e ficou me olhando como se fosse me matar a qualquer momento.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntou com um tom de irritação. – Julie não quer te ver.
– Eu sei... – Respondeu cabisbaixa. – E eu não sei o que eu estou fazendo aqui, eu só...
– Só o que Beth? Se você veio dizer para Julie que foi uma idiota e que não quis dizer nada daquilo e que a ama, tudo bem... Vá em frente, eu vou deixar você passar, mas se for alguma coisa diferente disso acho melhor você ir embora. – Elisabeth ficou ali parada, não sabia o que dizer. – Julie é uma ótima pessoa, não merecia isso.
– Eu sei, mas... Julie precisa de uma pessoa melhor que eu.
– E se ela não quiser uma pessoa melhor que você? E se ela quiser você?
Eu não tinha o que dizer não. Só ergui os ombros e murmurei um “me desculpe”, virei as costas e fui embora torcendo para que um carro me atropelasse no meio do caminho só de leve, já que eu estava me locomovendo a pé porque Julie tinha destruído meu carro.
Você ligou para a Jane Rizzoli. No momento eu não posso te atender, pois estou pegando bandidos ou fazendo sexo, depois do sinal deixe uma mensagem e eu retorno se eu quiser.
– Quando Maura foi embora como você fez para que parasse de doer? Eu sei que não era pra tocar nesse assunto e não era nem pra eu ta te ligando, mas... Essa história de namorar é uma porcaria, ainda mais quando a gente estraga tudo. Talvez a gente não tenha nascido para ser gente, talvez nós não fomos feitas para casar e formar uma família com ninguém ou talvez nós estragamos essa oportunidade, sei lá... Eu odeio essa vida.
Claro que cinco minutos depois eu entrei na sua caixa de mensagem e apaguei essa porcaria. Pois é... Você desde sempre usando a data de nascimento da Maura como suas senhas. Depois desse telefonema eu resolvi que ia parar de ficar sofrendo, que eu tinha que continuar com meu projeto de vida de ser gente, então arrumei minhas coisas e fui para Los Angeles onde consegui um emprego de detetive, conheci o Warren e quase fui agredida pela Addison, pois ela ficou sabendo toda a história, já que quando ela mudou de Seattle para LA eu e Julie ainda estávamos namorando, mas isso é uma outra história. Fim!
– Não é a toa que você e Jane são melhores amigas. – Maura se limitou a dizer só isso. Ia deixar com que Jane dissesse toda a real para a amiga.
– Lembra quando eu estava tão apaixonada pela Maura que achava que eu não era o suficiente para ela e que a qualquer momento eu ia fazer alguma besteira para magoá-la? – Beth fez um afirmativo com a cabeça, mas estava confusa com tudo aquilo. – Parabéns Beth, você estava apaixonada pela Julie.
– Eu o que? – Soltou um riso de nervoso. – Não estava nada... – As duas e encaram com um olhar desacreditado referente aquela afirmação. – Estava não estava?
– Você está ainda. – Disse Maura. – Senão não tinha dito aquelas coisas horrorosas para a Julie mais cedo. Por que você não conta a verdade para ela? Eu não sou a favor de um relacionamento entre você e a Julie, mas se vocês se amam.
– Por que você não cuida da sua vida? – Perguntou com um sorriso cínico. – Meu rosto não permite que eu diga mais nada para a Julie, pois ele ainda está chateado pelo tapa.
– Você mereceu... – Maura levantou do sofá. – Mas acredito que você deveria conversar com ela, mas... – Deu de ombros e logo em seguida deu um beijo em Jane. – Vou ver o TJ e vou dormir. Boa noite.
Jane só respondeu com um sorriso e Beth nada disse, ainda estava se acostumando com outras pessoas sabendo a sua longa história sem ser ela, pois não tinha contado para mais ninguém.
– Maura tem razão... – Disse Jane levantando do sofá. – Se não for contar a verdade por trás dessa longa história, pelo menos peça desculpas pelo que você disse hoje. Julie é uma ótima pessoa e você aparentemente está se tornando gente. – Deu três tapinhas de leve no ombro de Beth. – Boa noite.
Talvez elas tivessem certas, talvez não estivessem, mas naquele momento Beth não queria pensar em mais nada daquilo, pois já tinha sido difícil demais contar aquela história, mesmo parecendo que era algo corriqueiro e que parecia que ela não se preocupava com nada que ela tinha dito ali, mas a verdade era que não teve um dia que ela não tivesse parado de pensar na Julie e como as coisas teriam sido se ela tivesse feito diferente na sua decisão.
Mas nada como o amanhecer...
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