Rizzoli And Isles - Life As We Know It
18 Capítulo 18 - Longa História 1
Notas iniciais
Eu menti! Quero dizer... Eu não menti, menti... Eu não sai de Washington porque não queria ser do FBI. Quero dizer... Eu não queria mesmo ser do FBI, mas é que eu arrumei uma confusão lá e falaram que se eu quisesse continuar com o treinamento eu teria que passar alguns dias naquele retiro de suco de fruta que você foi Jane. Só que eu decidi não ir para aquela porcaria, então fui expulsa do treinamento, mas acho que apesar dos pesares eles gostavam de mim ou só queriam que eu nunca mais aparecesse em DC mesmo, por isso me deram várias indicações para que eu voltasse a trabalhar como detetive, mas eu estava de saco cheio, então eu decidi que não iria mais trabalhar de porcaria nenhuma. Não enquanto eu não soubesse o que queria fazer da minha vida, pois eu tinha saído de Boston para virar gente, mas eu não estava sentindo que estava virando gente, não em Nova York causando no relacionamento Caskett e nem em DC lutando para não causar no relacionamento B&B. Eu estava puta. Todo mundo era um casal e eu só era aquela que atrapalhava e não se relacionava. Eu estava em crise, então precisava de um tempo para me achar e quem sabe não achar um mozão.
– Se você tivesse me ligado essa crise não existiria. – Disse Jane. — Eu ia te situar rapidinho.
– Se eu tivesse te ligado não teria essa história, pois eu não ia pensar duas vezes para voltar para cá. O que no momento seria uma maravilha na minha vida, mas...
Eu resolvi ir para Seattle. Tinha uns amigos que estudaram comigo quando eu morava em Lowell passando um tempo por lá. Eles tinham ganhando na loteria e por algum motivo que eu desconheço ao invés deles irem gastar alguns milhões nos cassinos de Las Vegas, eles resolveram ir para a cidade da chuva. Bom... Cada milionário passa um tempo onde quiser né?
Eu estava irritada, chateada, inconformada, desempregada, humilhada e todas essas desgraças terminadas em “ada”, acho que tava até menstruada. Estava me sentindo mais excluída que Plutão do Sistema Solar. Meus amigos sabiam que eu não estava bem, então me levaram para encher a cara em um bar. Estávamos até que tendo uma ótima noite, relembrando os velhos tempos, até que alguém, juro por Deus que dessa vez não foi eu, começou uma briga e eu como amante de brigas que sou, levantei e comecei uma torcida. Não lembro muito bem para quem eu estava torcendo, pois eu já estava na fase de embriaguez que mal lembrava o meu nome. Torcida vai, torcida vem, pedi um pompom para fingir que eu era líder de torcida, mas ninguém me arranjou e minutos depois eu só senti algo acertando a minha mão. Não sei se foi uma garrafa, um copo ou algum osso exposto do cara que estava perdendo a briga, eu só sei que quando fui ver já tinha era perdido uns 15 litros de sangue.
Não sei como, mas meus amigos conseguiram me levar para o hospital, andando claro, mas por sorte o hospital era na frente do bar, então não tinha como se perder, mesmo eu achando que ficamos andando em círculos por uns 10 minutos.
– É por isso que eu não gosto de ir a bares quando eu to deprê! – Disse Beth com a voz pastosa. Estava pra lá de bêbada já. Já tinham colocado ela deitada na cama do hospital e ela só estava esperando para levar os pontos. – Sempre sai briga! Seja eu brigando ou alguém querendo se mostrar mais que eu. Agora estou com esse corte na mão que devo levar uns 100 pontos. E se eu tiver sequelas? Eu preciso da minha mão gente!
– Precisa nada! – Disse Leo, um dos amigos, pra lá de bêbado também. – Você pode ser passiva, usar só a outra mão ou pegar só homens.
– O que? – Perguntou confusa. A aquela altura estava difícil de assimilar um simples “oi”. – Não seu doente! Credo! Só pensa em sexo! Eu estou falando do trabalho. Eu uso essa mão para atirar. Jesus! Eu tão pura rodeada de gente pervertida.
– Você não tem mais emprego. – Disse Arthur o outro amigo. – Não precisa se preocupar caso tenham que amputar a sua mão.
– Amputar? – Perguntou com a voz chorosa. – Por isso que eu gosto de karaokê! Porque ninguém arranja briga lá. Você pede uma garrafa de vodca e fica cantando suas magoas pelo resto da noite até alguém chamar um táxi pra te levar embora. Ninguém sai perdendo 20 litros de sangue á toa. Vocês sabem... No Brasil tem ótimas músicas de fossas de karaokê. Eu nunca fui ao Brasil, mas uma vez eu estava pesquisando... Tem essa Alcione Marrom que tem umas músicas que combinam muito com uma garrafa de vinho e tem esse Reginaldo Rossi também... Uma garrafa de pinga e as músicas dele a fossa ta feita! Agora que sou desempregada e que provavelmente vou perder uma mão o que vocês acham de eu abrir um karaokê? Incluiria várias músicas brasileiras. Acho que eu ia até me juntar para fazer dueto com os bêbados, porque...
– Meu Deus! – Exclamou Jane. — Eu tinha esquecido como você fala mais que a boca quando está bêbada! Muito insuportável!
– Antes falando mais que a boca do que jogada nas valetas da vida.
– Sabe o que te animaria? – Ryan perguntou. – Uma aposta!
– Verdade! – Leo concordou animado. – Vivíamos fazendo apostas na escola e você adorava.
– Vocês acham que o que? Que eu estou na quinta série ainda para curtir essas apostas? – Os três se entreolharam já imaginando o sermão que iam levar. – Manda! Qual é a aposta?
– Você chamar o doutor ou doutora que vier te atender para sair. – Disse Ryan. – Se conseguir te damos 10 mil dólares.
– O que? 10 mil dólares só para eu chamar alguém para sair? Mais fácil do que arquitetar um plano para roubar banco. Vocês já viram alguém dizer não para mim?
– Estamos em um ambiente diferente né? – Disse Arthur. – Os médicos não estão bêbados. – Um sorriso cínico.
– Digamos que não aceitem sair comigo, o que não vai acontecer... O que eu tenho que dar a vocês? Tirando minha virgindade, claro.
– Você não é mais virgem! – Disse Ryan um tanto quanto confuso. – É?
Os quatro se entreolharam, fizeram uma careta, balançaram a cabeça em negativo e por fim caíram na gargalhada.
– Se não aceitarem sair com você nós pensamos em algo. – Disse Leo. – Fechado?
– Fechadíssimo!
– Eu não acredito que te pagaram 10 mil reais para sair com a Julie! – Disse Maura completamente abismada. Já estava ali tinha um tempo ouvindo a história.
– Não lembro de ter concordado em contar a longa história para a Maura também não.
– Ela merece ouvi-la depois de você quase a fazer perder a amiga. Alias... Ela ainda é sua amiga né?
– É... Acho que ela já estava mais calma quando eu liguei. Julie disse que bater na Beth foi revigorante.
– Ah que ótimo que alguém curtiu o tapa! – Disse sarcasticamente. – Porque meu rosto ainda está ardendo.
– Vem cá amor. – Jane puxou Maura pela mão para que ela sentasse em seu colo. – Está só no começo da história.
– Se ela ficar me olhando com olhares julgadores eu não vou contar mais nada.
– Ela não vai, eu prometo.
– Não prometa as coisas por mim Jane, você sabe que eu...
– Que tal deixar a Beth continuar? – Interrompeu se segurando para não fechar a boca de Maura com as mãos, pois ela queria muito mesmo ouvir aquela história.
– SOOOOOOOUUUUUU MULHER DE TE DEIXAR SE VOCÊ ME TRAIR E ARRANJAR UM NOVO AMOR SÓ PRA ME DISTRAIR, ME BALANÇA MAS NÃO ME DISTRÓI, PORQUE JUMBO TROCADO NÃO DÓI, EU NÃO COMO NA MÃO DE QUEM BRINCA COM A MINHA EMOÇÃO.
– Parece que temos uma cantora no PS...
Normalmente quando estamos bêbados, as pessoas tende a ficar mais bonitas, só que com Julie não funcionou. Quero dizer... Ela não era feia-horrível-só nascendo de novo para resolver, ela era... Estranha. Usava uns óculos parecendo que tinha sido feito do vidro mais grosso que existe no mundo. Se ela tomasse um tiro nos óculos sem duvidas a bala voltaria e mataria quem atirou. Ela usava aparelho e o cabelo parecia que não via um pente tinha vários dias, tipo o seu Jane.
– Meu cabelo é ótimo do jeito que é. – Respondeu ofendida.
– Um pente ás vezes seria maravilhoso, só dizendo.
Obviamente que eu fiz a Chelsea e pedi para que a vodca me livrasse daquilo e que aquela pessoa não fosse a médica que eu teria que marcar um encontro, mas parece que pedir para a vodca só funciona para a Chelsea mesmo.
– Eu sou a doutora Rosewater e vou cuidar da sua mão. Me desculpe pela demora, mas é que o PS está uma loucura como você pôde perceber.
– Tem problema não doc. Acho que minha mão já deve ta preta mesmo. Só é trazer a serra e amputar.
– Eu não sou muito fã de amputações. – Disse Julie tirando o pano que estava enrolado na mão de Beth. – Então não conte com isso. Parece que você entrou em uma boa briga hem... Qual seu nome?
– Eu tomei quase uma caixa d’água de bebida hoje... Acho que é demais querer que eu saiba meu nome né?
– O nome dela é Liz doutora. – Disse Arthur. – E normalmente ela não lembra o nome mesmo não.
– E nem você lembra seu ridículo! Liz só era usado quando minha avó materna queria irritar a minha mãe e quando ela queria ver comida voando nos jantares de família. Sempre divertido.
– Então se você não é uma Liz você é uma Beth?
– Provavelmente.
– Ela está bêbada! – Disse Ryan. — Você vai acreditar que o nome dela é Beth? Liz para de mentir para a doutora.
Por um motivo que eu não sei explicar até hoje, sempre que eu e meus amigos estávamos bêbados entravamos em uma infinita discussão sobre eu me chamar Liz ou Beth. Desnecessário, eu sei...
– Que tal vocês irem tomar glicose enquanto eu costuro a mão da amiga de vocês?
– Uh glicose... Amo/sou. – Disse Beth. – Aproveitem amigos. Viemos aqui para isso!
Julie podia ser zoadinha, mas parecia ser uma ótima médica, pois não precisou chamar ninguém duas vezes e nem falar com meus amigos duas vezes para que eles fossem tomar glicose. Tudo bem que era glicose, todo bêbado curte tomar uma glicose.
– Parece que você não vai perder a sua mão. Vai precisa de no máximo 10 pontos.
– Seus olhos são lindos, sabia?
– Não Beth, não! Você não usou a cantada dos olhos.
– Que cantada dos olhos? – Maura perguntou confusa.
– Ta dizendo isso porque sempre teve inveja da minha cantada e depois eu precisava usá-la, nunca tinha usado em alguém de óculos antes, ainda mais alguém que nem dava para ver direito a cor dos olhos...
– Eu... – Julie ajeitou os óculos de nervosismo, nunca foi boa em receber elogios, mesmo que a pessoa que estava a elogiando estivesse completamente bêbada. – Eu vou te dar essa anestesia para que você não sinta dor enquanto eu estiver dando os pontos, tudo bem?
– Eu estou tão bêbada doutora que você podia usar um grampeador para fechar esses pontos e eu não ia sentir nada, mas... Seus olhos são lindos, sabia? – Envergonhada Julie só mandou um sorriso sem graça e voltou sua atenção para a mão de Beth. – Os meus são estranhos. Eu nunca sei qual cor eles estão, porque eles são aqueles olhos que mudam de cor conforme o humor e a luz, eu nunca sei se eles estão azuis ou verdes, não sei nem qual é a cor original, acho que nem minha mãe sabia e se sabia nunca me contou.
– Só para você saber... – Julie disse muito sem graça ainda. – Seus olhos estão verdes, não verdes tão claros como o meu, mas estão verdes.
– Sempre verdes quando eu estou bêbada. – Revirou os olhos fazendo uma careta tão divertida que Julie teve que soltar um risinho. – É chato isso, as pessoas sabem como eu estou pela cor dos meus olhos.
– Não seria ruim saber como as pessoas estão pela cor dos olhos. Ajudaria muito em um relacionamento.
– Essa é a cantada dos olhos? – Maura perguntou abismada.
– Sempre funciona. – Disse Beth com um sorriso orgulhoso.
– Mas me diz... É bom mesmo fazer sexo no elevador e/ou nas salas de descanso? – A mão de Julie quase soltou a agulha com o susto que levou pela pergunta. — Sempre ouvi falar maravilhas. Qual o doutor gostoso que você ta pegando? – Beth olhou para os lados procurando algum médico bonito por ali, mas não achou nenhum. Julie permaneceu em silêncio, não podia se ver no momento, mas sabia que estava completamente vermelha. – Qual é doutora! Eu sei que você deve pegar algum médico.
– Não, não fiquei com médico nenhum desse hospital.
– Okay. – Voltou a olhar ao seu redor, mas dessa vez a procura de alguma médica bonita. – Qual a médica então? – Beth não pode sentir devido a anestesia, mas Julie tinha furado sua mão com o susto da pergunta.
– Se você quer saber eu acho uma falta de profissionalismo usar o ambiente de trabalho para fazer sexo, tudo bem?
– Oh... Então tem uma médica?
– O... O que? – Estava completamente desconsertada. Beth a deixava desconsertada. – Acho melhor focarmos na sua mão.
– Julie! – Disse uma médica loira indo em direção as duas. Beth ficou observando para ver qual era a reação que Julie teria ao ver a médica se aproximando para ver se aquela era a médica, mas pôde perceber que a loira que costurava sua mão só abriu um sorriso divertido. – Foi você que mandou aqueles três pra tomar glicose?
– Foi... Senão eles não iam deixar com que eu terminasse de costurar a mão da amiga deles aqui.
– Tudo bem... Mas como que faz pra eles largaram a vodca?
Julie olhou para a médica loira com um olhar que dizia que ela não sabia muito bem o que fazer, ainda mais porque ela estava com a amiga dos três e tirando costurar a mão de Beth, ela não sabia como lidar com a ruiva. Beth só observada as trocas de olhares.
– Não é ela não né? – A ruiva finalmente perguntou.
– Não sou eu o que? – Perguntou confusa. – Tava falando de mim Julie?
– Eu não estava falando de ninguém não Meredith! Ela está bêbada, não dê atenção a ela.
– Ah não, mas agora eu quero saber. – Meredith disse com um sorriso divertido. – O que não sou eu?
– A médica que a doutora ta afim.
– Ah isso! – Meredith olhou ao seu redor procurando pela tal médica e parou seu olhar em uma morena e apontou com a cabeça para ela.
– U A U! – Disse Beth boquiaberta. – Morena, gostosa e latina. Por que não pegou ainda doutora?
– Por que ela casou com o bambi. – Julie quase enforcou Meredith com o olhar e a loira se segurava para não rir da cara que ela ta fazendo.
– É casamento de fachada então?
– Casamento de fachada? – Julie perguntou sem entender. – Não. Por quê?
– Bambi não é apelido pra gay? – As duas derem de ombro. – Ah ta! Ele só parece gay? Entendi então. Sinto muito doutora.
– Não tem o que sentir muito. – Disse Julie. – Eu não estou mais afim dela, mas você tem que sentir muito pela Meredith. – Foi a vez de Meredith quase enforcar Julie com o olhar, mas a loira não se importou, olhou ao seu redor e parou o olhar em um médico que tinha acabado de aparecer no PS e apontou com a cabeça para ele.
– Por que eu tenho que sentir muito pela Mer? Olha o cabelo perfeito desse homem! Pegava ele até no estacionamento.
– Mer descobriu que ele é casado e disse para ele “pick me, choose me, love me” e ele escolheu a esposa.
A cara de Meredith de indignação por Julie ter jogado aquele assunto na roda era impagável. A loira estava se segurando para não rir e Beth obviamente estava amando tudo.
– Eu vou olhar meus pacientes. – Disse Meredith a fim de encerrar o assunto. – E pelo menos eu transei com ele, ok?
Meredith já ia saindo quando ouviu Beth lhe chamar.
– Sobre os meus amigos... Daqui a pouco eles largam a garrafa, pois vão dormir de tão bêbados.
Meredith só assentiu com a cabeça, trocou olhares furiosos com Julie e saiu.
– Já que você não quer mais transar com a latina no elevador do hospital... Quando vamos sair pra jantar?
– Super sutil. – Comentou Jane não tão surpresa com a cara de pau da amiga.
– Eu estava bêbada! – Beth tentou se defender.
– Você faz isso até quando não está bêbada.
– Enfim...
– Desculpa? – Disse Julie pegando a agulha que tinha ficado balançando do lado de fora da mão de Beth quando ela a soltou devido a surpresa da pergunta. – Jantar? Com você? Você é minha paciente.
– Só até você terminar essas suturas.
– Você está bêbada. Jamais aceitaria sair com alguém que me faz um convite embriagada.
– Não tem problema... Eu faço o convite quando estiver sã.
– Eu acredito que não.
Depois de Julie dizer aquilo eu não sei o que aconteceu já que eu apaguei obviamente. Ainda não sei como eu consegui ficar tanto tempo acordada, ainda mais conversando, pois eu estava realmente bêbada aquele dia, deveria ser a aposta que me motivou, adorava uma aposta. Quando acordei Julie estava tirando a glicose do meu braço e com uma expressão de que estava torcendo para que eu não me lembrasse de uma palavra que foi dito naquela noite toda.
– Olá. – Disse Julie com um doce sorriso terminando de tirar a glicose de Beth. – Como está a mão?
– Estou sentindo toda dor que não senti na hora que ela foi cortada agora. Receitou alguma vodca para eu tomar para a dor ir embora? Pois você percebeu que eu não sinto dor quando estou bêbada.
– Eu receitei analgésicos... O que eu acho mais aconselhável, pois vai evitar a dor de cabeça no fim do dia. A receita está com os seus amigos e eu já passei todas as informações de como você deve cuidar dessa mão.
– Você anotou seu celular na receita também? Preciso te ligar para marcar o nosso jantar.
– Eu não vou jantar com você, Beth!
– Você disse que ia caso eu te convidasse sã.
– Tenha um bom dia, senhorita Miller.
Primeiramente eu pensei que ela tinha jogado meu nome do Google, achou meu Orkut e ficou sabendo de tudo que eu já tinha feito na vida, mas depois cai na real e ela só deve ter tido acesso aos meus documentos por causa da conta do hospital, então eu ainda estava na vantagem. E eu continuaria na vantagem, pois a pior coisa não é eu fazer uma aposta e perder, a pior coisa é eu fazer uma aposta e as pessoas ficarem me olhando como se eu já tivesse perdido. Meus amigos estavam com esse olhar quando viram Julie indo embora sem me dar o número do seu telefone, na realidade eles estavam quase pulando no hospital de tanta felicidade por pensarem que eu tinha perdido minha primeira aposta em todos esses anos, mas eu não sou de desistir fácil e talvez Deus tenha mandado um sinal divino para que eu não desistisse, pois colocou uma doutora ruiva em meu caminho.
– Por que você está colocando Deus no meio? – Perguntou Maura sem entender. – E o que a doutora ruiva tem a ver com a história?
– Desde quando você acredita em Deus? – Perguntou Beth. — Por que quando você foi embora para Londres você não acreditava, pelo menos acho que não acreditava.
– Lydia consegue ser mais convincente do que a ciência, então...
– Com licença doutora. Será que você pode me ajudar?
A médica ruiva tirou a atenção do prontuário que olhava e mediu Beth de cima a baixo.
– Era você que estava cantando mais cedo aqui no PS, não era?
– Provavelmente sim e deve ter sido alguma música em português.
– Você precisa da minha ajuda para que? Vejo que já cuidaram da sua mão.
– Eu queria um telefone.
– Desculpa. – A médica mostrou sua mão com a aliança. – Sou casada.
– O que? Não! Não... Não é que eu não te ache bonita... – Deu uma olhada no crachá da médica. – Posso te chamar de Addison né? – Não deu tempo da ruiva responder, Beth continuou. — Eu tenho esse pensamento de que ruivas não deveriam namorar ruivas e sim da oportunidade para loiras, morenas, negras namorarem ruivas, pois somos maravilhosas demais, seria injusto com o restante da população se namorássemos entre nós.
– Talvez seu egocentrismo não tenha te ajudado muito na hora de conseguir o número de alguém.
– Eu não sou egocêntrica e eu só falo desse jeito com outras ruivas porque nos entendemos. Vai fala que você não se acha maravilhosa?
– Se eu fosse maravilhosa o meu marido não teria dormido com uma interna e mesmo depois de escolher ficar comigo não estaria apaixonado por ela.
– Oh... Você é a esposa do McDreamy. – Addison a olhou surpresa. Não bastava as médicas e enfermeiras chamando seu marido assim, as pacientes também estavam. – Desculpa, mas eu posso ter ouvido alguma coisa enquanto estava dormindo. Vai me arrumar o número ou não?
– Você quer o número de quem?
– Julie... Julie Rosewater.
– Da Julie? – Beth fez um afirmativo com a cabeça com um sorriso. – Não! Eu não vou te dar o número da Julie. Você tem cara dessas cafajestes que magoam as pessoas. Julie é uma boa pessoa, estava sofrendo porque tinha se apaixonado pela pessoa errada, você não vai machucá-la.
– Eu não vou machucá-la! – Addison a encarou descrente. – É sério! Eu gostei da Julie, só quero levá-la pra jantar comigo e se eu sou tão egocêntrica do jeito que você diz ela nunca mais vai querer sair comigo de novo e depois eu não sou hetero.
– Queria que Callie admitisse isso, mas... Julie não é só uma excelente médica, ela é uma excelente pessoa também... Eu vou te dar o número dela, porque ela está realmente precisando sair para se divertir, pois ultimamente ela só anda vivendo para esse trabalho, mas se você magoá-la vai se ver comigo.
– Eu não sou a favor da violência, mas cadê Addison cumprindo a promessa? – Perguntou Maura.
– Isso não faz parte da história, ok?
Com o número em mãos e a cara de decepção dos meus amigos, eu não liguei imediatamente para Julie, mesmo porque eu precisava de muitas horas de sono e uma pizza inteira já que eu estava com mais fome do que o pessoal da Etiópia. Quando eu acordei lá pelas 22 horas, sem dor de cabeça, mas com o inferno da minha mão coçando e doendo, mas eu não podia nem coçá-la, nem jogar uns remédios para que ela parasse de doer e eu não tava a fim de tomar meus analgésicos, então eu fiz a ligação.
– Doutora Rosewater.
– Qual o sabor de pizza que você gosta?
Julie ficou surpresa com a ligação, mas não ficou irritada, pelo contrário, tinha ficado feliz por Beth ter ligado, mesmo não fazendo muita ideia do porque e também ficou envergonhada, pois nunca ninguém na vida tinha se empenhado tanto para conseguir um encontro com ela, tanto que soltou um pequeno riso, inaudível para Beth e mesmo tendo gostado da ligação no primeiro momento não demonstrou.
– Eu vou ter que pedir uma ordem de restrição contra você?
– Por quê? Não estou te assediando, só estou querendo saber o sabor de pizza que você gosta, pois abriu uma pizzaria nova e eu como amante de pizza gostaria de ir até lá e não seria ruim se eu tivesse companhia.
– Só no hospital tinha 3 pessoas que podiam te fazer companhia na pizzaria.
– Já fui a várias pizzarias com eles, nos conhecemos desde pequenos. Queria a companhia da doutora que salvou minha mão, pois mesmo que a pizza seja ruim eu tenho certeza que a companhia vai ser agradável.
– Nunca ninguém disse não para você não é verdade?
– Não que eu me lembre. Qual é Julie! É só uma pizza, não é como se fossemos casar.
– Peruana.
– O que?
– Minha pizza favorita é peruana. Para uma amante de pizza você não está sabendo muito os sabores não.
– Porque eu menti. Sou amante de lasanha, mas não me importo em provar todos os sabores de pizza. Isso é pizza do que? De peru?
Elisabeth só ouviu uma risada do outro lado da linha.
– Não! É pizza de atum com queijo. Espero que seja boa como as que estou acostumada a comer.
– Se estiver ruim pelo menos você vai ter uma companhia agradável.
– Você vai levar mais alguém com você? – Perguntou ironicamente fazendo com que Beth soltasse uma risada sarcástica.
– Muito engraçada. Te pego amanhã às 20 horas.
– Eu sou uma médica, não posso sair no horário que você bem quer.
– Você não vai estar de plantão amanhã, então pode sim.
Julie já estava intrigada por não fazer ideia de como Beth tinha conseguido seu número e agora ela sabia até sua escala de trabalho. Poderia ficar assustada e até pedir uma ordem de restrição mesmo, mas na verdade ela estava era animada, mesmo que não devesse, pois sabia muito bem como aquilo acabaria, mas não custava nada sair para comer alguns pedaços de pizza.
– Depois desse encontro se continuar me perseguindo a ordem de restrição vai ser séria.
Olha... Antes de qualquer coisa eu gostaria que vocês soubessem que eu já estava com a aposta ganha, então eu não tinha a obrigação de ser legal com ninguém e nem pagar a conta, mas como meus amigos que são ótimos perdedores também me deram o dinheiro para pagar a conta e eu estava de bom humor, pois não é todo dia que você ganha 10 mil dólares só pra comer pizza, então não tinha porque eu não ser legal com ela. Dito isso...
O povo é cheio de dizer que a primeira impressão ás vezes pode enganar, mas no meu caso não enganou. Pensei que Julie só se vestisse do jeito que ela se vestia no trabalho para não ter desavisados chamando ela para comer uma pizza. Mas não gente! Ela me colocou uma calça jeans, uma blusa regata azul, um tênis, prendeu aquele cabelo e não dava nem pra dizer o modo que ela prendeu aquele cabelo, porque ela deve ter pego ele de qualquer jeito, colocado o prendedor e pronto, achou que estava gata linda maravilhosa, tirando aqueles óculos ridículos. Se ela estava querendo com que eu corresse, se eu não tivesse saindo com ela por causa de eu aposta, sem duvidas eu correria. Como disse... Eu fui gentil, mesmo achando que aquele jantar ia ser o pior da minha vida, mas eu estava enganada. Julie podia ser feinha, mas ela era uma ótima companhia. Ela era tímida, porém engraçada. Ela conhecia as melhores piadas do mundo, piadas que eu nem fazia ideia que existiam e ela tinha ótimas histórias também, claro que quando era voltada a sua carreira, pois quando focava em sua vida pessoal era uma desgraça só. Na realidade a parte escolar e romântica já que ela tinha um ótimo relacionamento com sua família. Quando eu disse que Julie era a melhor pessoa que alguém poderia conhecer, não menti, pois era mesmo. Ela era doce, com um dos corações maiores que eu já vi, mas era insegura por causa de suas decepções amorosas. O jantar que tinha acontecido só por causa de uma aposta, tinha passado a ser um dos melhores jantares que eu já tinha tido na vida.
– Obrigada pela pizza e pela companhia, as duas realmente foram ótimas. – Disse Julie com um sorriso tímido.
– Eu que agradeço. Graças a você tenho mais um sabor de pizza a minha lista.
As duas ficaram algum tempo em silêncio. Beth até tentou trocar uns sorrisos e olhares, mas Julie estava tão tímida que ficava olhando para seu tênis que ela fazia movimentos como se estivesse esmagando algum inseto, parecendo uma adolescente em seu primeiro encontro.
– Eu acho que já vou... – Beth disse apontando com a mão para qualquer direção.
– É... Você não quer subir? Tomar um café? Eu não sei...
– Eu acho melhor não. – Julie voltou a desviar o olhar para seu tênis. – Não que eu não queira subir, mas é que se eu subir o café vai acabar se tornando café da manhã.
– Você é realmente muito confiante não é? – Disse Julie com um sorriso divertido balançando a cabeça em negativo um pouco incrédula com o que tinha acabado de ouvir. Beth só deu de ombros como se dissesse “o que eu posso fazer?”. – Foi realmente muito bom o jantar Beth. Boa noite.
Ás vezes eu acho que minha vida faz parte de um filme sabe. Julie estava prestes a entrar no apartamento dela, mas como eu tinha recebido um sms quando estava a caminho de deixá-la em casa dos meus amigos que eu não vi, mas estavam me seguindo para ver se eu realmente estava em um encontro com a Julie, eu tive que puxar e beijá-la. Pois é... No sms dizia que eles me dariam mais mil dólares se eu a beijasse. Só que mais uma vez eu quebrei minha cara. Pensei que Julie beijava muito mal, que ela era aquelas pessoas que não abrem a boca ou abrem a boca demais parecendo que vai te engolir, mas não... Ela beijava tão bem que por alguns segundos pensei que eu estava fazendo parte desses filmes de romances onde até o pé levanta. Foi ridículo demais, mas ao mesmo tempo foi o melhor beijo da minha vida.
– Eu sou muito confiante. – Respondeu Beth depois do beijo. – E eu quero sair com você de novo, mas vou deixar com que você me ligue e marque o próximo encontro, caso você queira sair comigo de novo, porque não quero ficar com fama de perseguidora por ai.
– Boa noite Beth.
Foi a única coisa que Julie conseguiu dizer. Ainda estava completamente sem reação devido ao beijo, então antes de falar alguma besteira ou ficar parecendo tonta na frente de Elisabeth resolveu subir para o seu apartamento e pensar se arriscaria um novo encontro com a ruiva.
– Pensei que o “você me liga” tinha sido aposentado quando você resolveu ser gente. – Observou Jane.
– Eu fui obrigada! Eu não posso simplesmente beijar alguém e dizer que vou ligar. Eu ainda precisava tirar os pontos.
– O que é o “você me liga”? – Maura tinha medo de perguntar, pois cada vez que se aprofundava nas safadezas de Jane e Beth, mais chocada ficava, mesmo quando parecia que não tinha como.
– Bom... – Jane começou. — Nós falávamos para as mulheres nos ligarem então quando elas ligavam ou a gente não atendia ou uma atendia o telefone da outra e dizia que o número estava errado ou que tinha acabado de achar o celular na rua. Funcionava muito bem.
– E você ia usar isso com a Julie? – Maura perguntou incrédula. — Mesmo depois de tê-la beijado?
– Por que Maura está fazendo essa história ser mais horrível do que já é? Eu hem...
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