Rizzoli And Isles - Life As We Know It

16 Capítulo 16 - Olhar pelo lado bom


Notas iniciais
Esqueci o que eu ia escrever aqui nas notas porque eu sou esse tipo de gente e tal... Capítulo dedicado a Sissa que fez aniversário ontem *-* E também capítulo dedicado a Mari que está fazendo aniversário hoje. Era pra eu ter postado meia noite pra ser surpresa e tal, mas como teve uns imprevistos to postando agora e tem tudo que você pediu, menos eu com meu bolo de chocolate, mas espero que você goste mesmo assim =P Feliz aniversário Mari! +18 com selo Carol de qualidade! Ótima leitura!

Como de costume, toda manhã na hora de seu café da manhã, Maura ligava o Skype para falar com Lydia, que normalmente estava em seu horário de almoço. Mesmo tendo um pouco mais de um ano que a amiga tinha voltado para Boston, elas não perderam o contato e nem se distanciaram. Viviam sempre trocando mensagens e se falam no Skype duas vezes por dia.

– Maura?! – Lydia a chamou após perceber que já estava na chamada, mas a amiga não estava na frente do computador.

– Estou aqui! – Disse se aproximando do computador segurando em uma mão um prato com seu pão integral e com a outra um suco de laranja. – Desculpa! – Se sentou na frente do computador para que pudesse ver Lydia melhor e também para que a amiga pudesse lhe ver melhor. — Quase perdi a hora hoje.

– Pelo jeito a noite foi boa ontem então... Porque fiquei te esperando e nada de você aparecer no Skype.

– Me desculpa Lydia. – Disse após terminar de tomar um gole de seu suco. – Depois que Ian resolveu fazer esse novo experimento estou tendo muito trabalho no necrotério. Sai do hospital ontem muito tarde.

– Está tudo bem entre você e o Ian? Por que nunca vi vocês trocando sexo por trabalho.

– Mesmo que goste, e muito, de fazer sexo com o Ian nossa relação já passou disso faz tempo.

– É... Eu sei. – Fez uma careta. – Mas então... Eu tenho uma coisa muito importante para dizer, que eu ainda não contei para ninguém, pois eu queria que você fosse a primeira a saber, porque você é minha melhor amiga, esteve do meu lado esse tempo todo, então não tem outra pessoa no mundo que eu quero que saiba primeiro a não ser você, já que... To grávida!

– Você... – Maura deixou o pedaço de pão que estava na mão cair de volta no prato. – O que? Você está grávida? De quem?

– Lembra aquele cliente meu que eu estava cuidando do caso dele no atropelamento do padre? – Maura fez um afirmativo com a cabeça ainda perplexa com a revelação da amiga. – Então... To grávida dele.

– Você está grávida do seu cliente? – Ainda não tinha conseguido assimilar toda a informação. – Lydia...

– Ele não é mais meu cliente. Tudo bem que fizemos sexo algumas vezes quando ele era, mas não era nada demais, não atrapalhava o meu profissionalismo, só que depois que o caso acabou a gente continuou e aconteceu... Só que eu quero saber como isso vai ficar, porque ele não tem emprego e mora com a mãe, mas eu quero muito esse bebê, aliás... Eu quero que você seja a madrinha dele Maura.

– Lydia, espera! – Era tanta informação que Maura não sabia nem se aquela conversa era real ou se estava tendo um sonho muito louco. – Vamos com calma. Do jeito que viemos treinando por anos... Uma informação de cada vez para eu poder te acompanhar, tudo bem? – Lydia fez um afirmativo com a cabeça. – Você está grávida? – Um afirmativo com um sorriso. – E você quer ter esse bebê?

– Claro que eu quero ter essa criança! Mesmo caso eu conte para o pai dele e ele não queira assumir, ela não tem culpa de ter vindo sem planejamento, pois eu não planejava, deve ter dado alguma coisa errada com a camisinha ou eu errei na hora de tomar o anticoncepcional, sabe como as vezes eu faço confusão, mas essa criança não tem que pagar pela minha confusão, você sabe o quanto eu sempre quis ser mãe, ter alguém me chamando de mamãe, claro que talvez eu possa não ser a melhor mãe do mundo, mas...

– Lydia! – Disse em tom repreensivo. Normalmente não ligava para a boca de papagaio da amiga, mas era tanto informação em tão pouco tempo que estava ficando zonza.

– Desculpa...

– Tem chances do pai do bebê não querer o assumir?

– Eu não sei... Você precisa conhecê-lo, ele é um amor e a mãe dele gosta de mim, tudo bem que ela não sabe que estou transando com o filho dela e provavelmente se eu aparecer na porta dela dizendo que estou grávida posso correr o grande risco dela me colocar para correr, mas eu tenho que fazer minha parte, certo?

As poucas vezes que conversaram sobre ter filhos, Lydia sempre foi certa do que queria, ela queria ser mãe e agora com Maura ouvindo essa notícia da amiga não tinha duvidas que ela realmente queria isso, que provavelmente deveria estar realizando um sonho, dava para ver isso nos olhos dela, pois eles brilhavam e ela tinha um sorriso tão feliz que chegava a ser contagiante.

– Você quer mesmo que eu seja a madrinha do seu bebê?

Ainda estava processando todas as informações, mas não podia deixar de mencionar essa em particular, precisava entender tudo que estava acontecendo ali.

– Se não for você vai ser quem Maura? Você é minha melhor amiga, é a pessoa que eu mais confio no mundo, claro que eu quero você como madrinha do meu filho, se alguma coisa algum dia acontecer comigo e eu não puder cuidar dele eu quero que você cuide.

– Nada vai acontecer com você Lydia e nós duas vamos cuidar desse bebê juntas. – Disse Maura com um sorriso deixando Lydia sem entender absolutamente nada. – Se o pai do bebê não quiser assumi-lo nós podemos criar ele juntas sem problemas.

– E como vamos fazer isso Maura? Você mora em Londres e eu estou morando aqui em Boston... Não da para cuidar de um bebê pelo Skype.

– Eu sei... Por isso eu voltaria para Boston para te ajudar a cuidar do bebê.

– Você esqueceu que você tem um grande problema não superado aqui?

– Boston é grande e talvez ela não deva mais morar por ai. Se você tivesse a visto você teria me contado, certo?

– Eu não sei nem se eu a reconheceria, mas... Você está falando sério?

– Assim como falei sério quando disse para você dividir o apartamento comigo. Você é minha melhor amiga Lydia, esteve comigo no pior momento da minha vida e também esteve comigo nos melhores momentos, então porque eu não posso estar com você no seu melhor momento? Eu posso não me ver como mãe, mas ser madrinha é uma ótima ideia. – Disse com um sorriso doce fazendo com que Lydia retribuísse o mesmo com lágrimas nos olhos. – Parabéns mamãe!

Se falassem para Maura que no futuro ela acabaria sendo mãe do filho da Lydia ela provavelmente não acreditaria, mas agora ela estava diante de uma Jane ajoelhada não só lhe pedindo em casamento, mas também que elas fossem uma família, não que na pratica as duas coisas significava uma só, mas ela simplesmente não sabia o que dizer, não sabia como agir, de tudo que ela esperava que Jane podia fazer, isso estava bem longe de seus pensamentos.

– Jane...

– Eu sei que você está em uma relação com essa ai... – Apontou com a cabeça para Julie que fez uma careta. Estava apreciando e muito o momento, nunca tinha presenciado um pedido de casamento tão inusitado, mas Jane não tinha dado chance da loira mudar sua opinião sobre ela e não achá-la tão desagradável. – Mas Maura... Ninguém deixa de lado tão rápido um amor como o da gente, ainda mais esse nosso amor que com o passar dos anos eu só tive mais certeza que é eterno e eu sempre achei essas coisas de eterno bregas já que me lembravam poesias, mas é a verdade... Eu te amo Maur e eu quero viver esse amor ao seu lado...

Não precisou dizer mais nada, quando menos esperou Maura já estava com os lábios colados no seu. Finalmente depois de todos esses meses pode sentir novamente o saber dos lábios da mulher que ela intitulava a mulher de sua vida. O coração de Jane batia acelerado e o que antes era um acelerado de nervosismo tinha passado a ser um acelerado de felicidade misturado com alivio, um alivio de saber que não tinha perdido sua Maura.

– Isso quer dizer um sim? – Jane perguntou após se separar do beijo com um sorriso.

– Não!

– Não? – A morena perguntou sem entender. – Você não quer se casar comigo?

– Não! – Jane lhe encarou com um olhar confuso. — É claro que eu quero casar com você, Jane! Meu sonho sempre foi me casar com você e seu pedido foi maravilhoso, mas é que eu imaginei algo mais romântico, não você fazendo isso para que eu escolhesse entre você ou a Julie.

– Eu não fiz isso para você escolher entre mim e a Julie. – Maura a encarou com um olhar de que não acreditava naquilo. – Tudo bem, mas tudo que eu falei é verdade. Você é a mulher da minha vida e eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado. – Maura abriu um sorriso doce, independente do porque tinha acontecido o pedido ela não deixava de se emocionar. – E Maura... Você não acha que a idade de sonhar com o pedido de casamento não acabou não?

– Minha Nossa Senhora! – Disse Julie incrédula com o que tinha acabado de ouvir. – Você não consegue mesmo ser romântica por cinco minutos, hem?

– Não está na hora de você ir embora não? Já que seja lá o relacionamento amoroso que você tinha com a Maura não vai mais existir?

– Não vai mais existir porque nunca existiu né? – Disse Julie em tom debochado. – Eu e Maura só somos amigas.

– Desde quando?

– Desde sempre! Ela te ama, ainda não entendi bem o motivo já que nas histórias que ela conta você é bem mais agradável, mas ela te ama.

– Mas... – Jane estava confusa. Tinha passado o mês inteiro com uma ideia errada? — Por que vocês não me falaram isso antes?

– Por que você não perguntou! – As duas falaram juntas.

– Olha... Eu acho que vocês duas tem muito que conversar, então... Me liga amanhã, Maura.

Em silêncio as duas acompanharam Julie indo embora com o olhar. Mesmo que não tivesse demorado mais do que poucos segundos para a pediatra fazer o caminho da cozinha até a saída da casa, para Jane pareceu uma eternidade, porque ela estava querendo muitas explicações depois do que tinha acabado de ouvir, mas agora parecia que não precisava mais de plateia, não que precisasse para o pedido de casamento, pois ela teria feito o pedido com ou sem a presença de Julie, mas agora parecia que essa era mesmo uma conversa só das duas.

– Vocês duas são só amigas? Nada mais que só duas amigas?

– Teve um beijo no encontro, mas não passou disso, somos só amigas.

– Por que você deixou que eu pensasse o contrário então? Eu sei que eu não perguntei, mas você poderia ter dito algo, ainda mais porque eu estava agindo como uma idiota. Dava pra ter te poupado disso.

– Talvez eu quisesse que você pensasse que eu e Julie éramos mais que amigas. – Maura soltou um suspiro e se sentou no banco do balcão. Jane a encarou confusa. – Isso é uma das coisas que eu não encontro explicação Jane! Não era minha intenção seguir com o mal entendido, mas uma parte de mim ainda estava incomoda com a volta da Beth e sua amizade com ela e quando eu via como você se comportava quando o assunto era a Julie eu passei a imaginar se você não estava sentindo o que eu sentia com sua relação com a Beth. Talvez eu quisesse que você sentisse o que eu senti, então eu deixei.

– Eu pensei que tivesse te perdido Maura. Que todas aquelas semanas tentando te reconquistar não tinham servido para nada, pois eu sempre via você conversando com a Julie. Pensei até que ela tinha levado crédito pelas minhas flores. – Abriu um meio sorriso. – Eu sei agora como você se sentiu, me desculpa.

– Eu te amo, Jane.

A morena abriu um largo sorriso e não pensou duas vezes antes de puxar Maura para um beijo. Um beijo cheio de amor, carinho e saudade, pois mesmo com o primeiro beijo onde pareceu que tudo ia ficar bem, ela ainda não tinha conseguido matar a saudade dos lábios de sua amada. Sabia que talvez ainda tivesse algumas coisas para resolver com Maura, mas não queria pensar nisso agora, tinha passado o mês inteiro cheia de pensamentos, nesse momento ela só queria aproveitar seu momento com a Maura, pois agora tinha certeza que não ia ter mais nenhum mal entendido.

Jane pegou Maura no colo que no primeiro momento deu um gritinho de susto, mas logo em seguida abriu um sorriso e começou a encher Jane de beijos enquanto a morena subia as escadas.

Assim que chegaram no quarto, Jane colocou Maura no chão. Em pé, frente a frente, elas trocaram um olhar de cumplicidade que dizia tudo, tudo que elas jamais conseguiriam expressar ainda que muito tentassem com as palavras. Voltaram a se envolver nos braços uma da outra enquanto suas bocas colidiam, os beijos cada vez mais intensos, cheios de desejo e paixão. Maura segurava nos cabelos desgrenhados da morena enquanto a mesma abria seu vestido nas costas e puxava o mesmo até que ele caiu sozinho aos pés da loira. Rapidamente Maura se livrou da camisa de Jane e de sua calça, pois estava ansiosa em tê-la novamente, em senti-la... Jane foi para cima da loira, segurando-a pela cintura com força e colando seus corpos quase nus, ambos já bem quentes, implorando pelo corpo da outra. Maura envolveu-a pelo pescoço e no instante seguinte caíram na cama, a morena por cima, cobrindo-lhe com aquele corpo magrelo e atlético. Maura recebeu-a entre seus braços e pernas, enroscando suas coxas no quadril dela enquanto suas unhas passeavam por suas costas, causando deliciosos arrepios. Maura podia sentir as mãos de Jane vasculhando todo seu corpo rapidamente, e apertando-a com vontade. Adorava aquele toque. A deixava louca. Sentiu as mãos da morena cobrir-lhe os seios sobre o sutiã e apertar, em resposta agarrou-a pelos cabelos com uma das mãos e puxou, fazendo com que ela parasse de beijá-la e inclinasse a cabeça para trás, e nesse momento Maura deu uma mordida forte no meio do pescoço de Jane, que soltou um risinho malicioso. Num giro, inverteram as posições e agora Maura estava sentada no quadril da morena, reclinada para frente, abaixando seu dorso e deixando que seus cabelos loiros caíssem de forma sensual sobre Jane, que a olhava com os olhos quase faiscando, enquanto suas mãos desciam dos seios cobertos pela barriga perfeita e depois iam para as coxas e subiam até o quadril, apertando os dedos finos ali. Depois, seguiu pelas costas e retirou o sutiã de Maura, deixando seus seios explícitos, causando um reboliço por dentro de Jane que passou a língua por entre os lábios, abrindo um sorriso malicioso. A loira, com o mesmo sorriso e olhar de malícia, começou a provocar. Passou a mover seu quadril de forma bem sensual, como se dançasse, rebolando, sobre o quadril da morena, enquanto que apoiava suas mãos no abdômen definido dela. Enquanto fazia isso, seu rosto mostrava expressões de prazer e logo passou a gemer baixo, num tom rouco, deixando a morena louca, sentindo sua calcinha encharcar. Jane não resistia ao corpo, a pele, ao cheiro, as provocações, a perfeição que Maura Isles era. Sua Maura. Por isso num ímpeto se ergueu, sentando na cama e deixando Maura de joelhos e a agarrou, colando seus corpos. Beijou-a de forma sôfrega por um instante e em seguida sua boca fez um caminho pelo pescoço, dando várias chupadas e mordidas até o colo dos seios antes de abocanhar um deles e passar a sugar o mamilo com força, fazendo sua Maura gemer alto e arranhar-lhe às costas. Voltaram a posição inicial, com Jane sobre Maura e sua boca continuava exigente pelo corpo da loira, vasculhando todos os cantos, deixando rastros de saliva, enquanto suas mãos, também exigentes, apertavam e a deixavam com a pele vermelha. Jane foi descendo seu dorso enquanto puxava lentamente a calcinha de Maura para baixo. Sorrio ao contemplar o paraíso que havia no meio daquelas coxas pálidas, e antes de chegar no mesmo deu uma mordida em cada coxa e lentamente foi aproximando seu rosto, afundando a cabeça no meio das pernas da loira e se concentrando ali, em uma das coisas que mais amava fazer na vida: dar prazer à sua amada. Além da língua, logo passou a usar os dedos, fazendo Maura gemer alto, mas ainda assim controlada para não acordar TJ e atrapalhar o momento delas.

***

– Você estava falando sério? – Perguntou Maura.

Jane que estava a abraçando por atrás, ainda sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, mas imensamente feliz por finalmente ter acontecido, deu um beijo no pescoço de Maura e logo em seguida perguntou:

– Sobre o que?

– Nós. – Maura deu uma pequena virada para que pudesse olhar para Jane. – Eu, você e TJ, como uma família...

– Claro que eu falei sério. Aliás... Já somos uma família tem tempo, só precisávamos nos acertar, mas se isso for muito para você...

– Não Jane. – Maura abriu um pequeno sorriso. – Você não sabe, mas eu me ofereci para ajudar a Lydia a cuidar do TJ quando ela me contou que estava grávida caso ela contasse para o Tommy e ele não quisesse assumir. Ela sempre quis que o filho tivesse uma família, não importava como fosse, acho que ela ficaria feliz com nós duas sendo a família do TJ.

– Oh meu Deus, era você! Mas é claro! – Maura a encarou sem entender, até um pouco assustada. – Uma vez eu e Lydia entramos em uma discussão sobre a madrinha do TJ e ela disse que ele já tinha madrinha e que era pra eu me contentar em ser a tia dele. Era você, não era?

– No mesmo dia que ela me contou me chamou para ser madrinha dele.

– Eu pensava que você era uma amiga imaginária dela, porque nem seu nome ela dizia e agora eu sei por que. Ela falou mesmo que se confiava o TJ a alguém era você, na época fiquei até um pouco ofendida. – Disse em tom brincalhão arrancando risos de Maura. – É engraçado sabia? TJ é meu sobrinho, mas eu sinto como se ele fosse meu filho e eu nunca quis ser mãe.

– Nunca quis ser mãe, nunca quis casar. Como vocês dizem: Virou gente Jane Rizzoli. – Jane soltou um riso e deu um beijo em Maura. – Mas é verdade, é estranho, mas eu não me vejo mais não tendo TJ em minha vida.

– Você é uma mentirosa, sabia?

– Eu não sou mentirosa! – Disse Maura fingindo ofensa. – Você mais do que ninguém sabe que eu não posso mentir.

– Mas mentiu. Você disse que estaria tudo bem em entregar a guarda integral do TJ para mim quando acabasse esse um ano.

– Eu nunca disse que estaria tudo bem, eu disse que daria a guarda integral do TJ para você, pois não queria confusão. Mas eu gostei mais dessa ideia de sermos uma família.

– Para alguém que não aceitou meu pedido de casamento está muito animada com essa ideia de família.

– Você pensa que eu esqueci que você disse que eu estava muito velha para fantasiar pedidos de casamento...

– Olha... Me desculpa, eu não quis dizer aquilo, eu quero que você tenha seu pedido de casamento perfeito, mas é que a presença da Julie me deixa um pouco, em suas palavras, incomodada.

– Você precisa se entender com a Julie.

– Você vai se entender com a Beth?

– Eu e a Beth acredito que já nos entendemos, nós tivemos uma ótima conversa na amanhã após o meu encontro, tudo bem que só ela falou, mas foi uma conversa agradável.

– Talvez eu precise de uma conversa com a Julie que só ela fale. Vamos ver.

Maura balançou a cabeça em negativo rindo. Sem duvidas estava imensamente feliz pelo que estava acontecendo ali. Tinha sonhado tanto com o dia que ela e Jane estariam bem de novo, que estariam juntas que ainda estava parecendo sonho.

– Vamos ser uma ótima família, não vamos? – Perguntou Jane.

– Definitivamente.

Só deu tempo de trocarem um rápido beijo, pois TJ resolveu acordar e elas só ouviram o choro da criança pela babá eletrônica, mas o choro do bebê era até música para seus ouvidos de tão felizes que as duas estavam.

***

A última vez que as duas lembraram que se sentiram tão felizes do jeito que estavam se sentindo foi quando começaram a namorar, não que com o decorrer do tempo de namoro elas não se sentiam felizes, mas aquela felicidade era diferente, era a felicidade de algo novo e elas voltaram a sentir aquilo, mas agora com um adentro que não existia ninguém dizendo que aquilo iria dar errado, que alguém acabaria machucado por um erro.

Jane e Maura sabiam que casais discutiam, que casais brigavam, elas já tinha experimentado disso, uma com a outra e Maura com Ian (o único relacionamento que ela levou realmente a sério durante esses dezessete anos), mas agora elas não se importavam com isso, não precisavam se conhecer, pois mesmo com o passar dos anos já se conheciam, poderiam brigar, discutir, discordar, mas já estavam fazendo isso mesmo antes de assumir um relacionamento, então essa parte não seria diferente, a única diferença é que agora ambas sabiam que não iam para lugar nenhum, que elas aproveitariam a segunda chance e fariam com que daquela vez aquele relacionamento desse certo e elas pudessem finalmente realizar o sonho de formar uma família, claro que uma com a outra.

– Bom dia doutor! – Desejou uma Jane completamente feliz, fazendo até com que Gavin estranhasse seu comportamento. – Como passou a semana? – A morena deitou no sofá como se estivesse em sua casa, só que diferente das outras vezes que ela fazia porque estava de mal humor, dessa vez ela sorria. — Sentiu minha falta?

– Parece que o retiro foi muito bom. – Observou Gavin ainda encantado com o surpreendente bom humor de Jane.

– Bom? Foi uma porcaria aquele retiro. Da próxima vez se eu tiver que ir pra esse retiro pra salvar meu emprego eu prefiro trabalhar de segurança na porta do shopping.

– Será que poderia compartilhar então o motivo dessa felicidade?

– Eu pedi a Maura em casamento.

– Sério?

– Pois é... Mas ela disse que não.

Gavin começou a ficar mais confuso do que no primeiro segundo que viu Jane de mal humor. Se nem o retiro e muito menos um “sim” de Maura era o motivo da felicidade da morena o que era? Mesmo com todos os anos de carreira ainda era difícil acompanhar algumas pessoas.

– E está tudo bem para você?

– Tudo maravilhoso! Porque agora vou ter tempo de preparar um pedido de casamento decente, mas não me importo, o importante é que eu e Maura estamos juntas de novo e ninguém vai estragar isso, principalmente eu.

– Eu fico muito feliz por você. – Disse o psicólogo sinceramente.

– Eu estava pensando... – Jane sentou no sofá. – Eu não acredito em destino, acredito que as coisas acontecem por alguma razão, e talvez Tommy e Lydia tenham morrido por essa razão. Não que eu esteja feliz com a morte dos dois, eu ainda trocaria minha vida para os dois estariam aqui, para que TJ pudesse ser criado pelos seus pais, mas uma coisa que Lydia sempre dizia, mas que nunca prestei atenção já que aquela ali falava mais que a boca, e ás vezes era difícil demais acompanhá-la, mas ela sempre dizia que temos que olhar pelo lado bom das coisas, mesmo que pareça que a morte não tenha lado bom nenhum, mas se não fosse por esses dois terem colocado eu e a Maura nesse testamento a gente nunca se encontraria ou se nos encontrássemos talvez nunca fossemos ficar juntas de novo, não sei, a morte deles fez com que convivêssemos juntas e agora estamos juntas, somos um casal novamente e ganhamos um filho maravilhoso. Acredito que Tommy deve estar orgulhoso de mim já que eu vivia dizendo que não queria ter uma família e tenho quase certeza que mesmo não tenha sido intencional eles morrem, fazer com que eu e Maura ficássemos juntas era. Fiquei pensando que eu não quero mais aquele desgraçado que matou os dois morto, não me arrependo de ter batido nele, mas agora eu quero que ele passe cada segundo de sua vida preso, pois Tommy e Lydia encontraram um ao outro, eu encontrei a Maura, várias pessoas vivem se encontrando, se apaixonando, montando uma família e vivendo juntos até seus últimos dias de vida e ele não vai saber o que é isso, mesmo que talvez exista uma doida que queira viver a paixão pelo assassino, não vai ser a mesma coisa, ele nunca vai estar ali para sua família, na realidade nunca vai ter uma família, ele não vai saber o que é viver rodeado pelo amor, ele nunca vai saber o que é ter uma relação como a do Tommy e Lydia, ele nunca vai saber como é ter uma relação como a minha e a da Maura, talvez isso deve estar soando como alguém estupidamente apaixonada que vai voltar a sua razão nas próximas horas, mas depois que eu conheci a Maura aprendi que os poetas tem razão, a pior coisa que existe no mundo é viver sem amor, então para que vou querer que ele morra se existe coisas piores que a morte? Eu vou ter raiva dele todo segundo que passar por ele ter matado meu irmão e minha cunhada, mas eu não quero mais sua morte, porque não quero viver em uma prisão como ele, não quero ser digna de pena, eu quero viver o meu amor, eu quero formar a minha família, eu quero criar o meu filho, eu quero ser feliz, coisa que ele nunca vai ser. E caso tudo isso que eu disse faça com que eu tenha que vir o resto da minha vida a terapia... – Jane deitou de volta no sofá cruzando as mãos debaixo da cabeça. – Eu não me importo!

Gavin nunca tinha se sentido tão feliz e realizado em toda sua carreira profissional como estava se sentindo agora. Já tinha ouvido todos os tipos de sinceridades vindas realmente do coração, não aquelas da boca para fora só para ser liberado para o trabalho, mas ouvir Jane foi completamente diferente, pois desde que ela pisou na sua sala soube que ela não era boa em falar de seus sentimentos e pensamentos e ouvir tudo isso foi um imenso presente, fez com que ele lembrasse porque tinha escolhido aquela profissão, tanto que ao ouvir tudo que Jane disse ele só conseguiu sorrir e pegar um papel que há tempos ele guardava em sua mesa.

– Na verdade... – Estendeu o papel para Jane. – Acho que você pode ter sua festa de volta ao trabalho.

– Desculpa? – Jane pegou o papel e se ajeitou no sofá para que pudesse lê-lo. – Você está falando sério? – Perguntou incrédula e em resposta só recebeu um positivo com a cabeça de Gavin. Nunca foi de dar abraços, nunca gostou de receber abraços, mas naquela situação foi inevitável não abraçar Gavin. Em menos de 24 horas tinha conseguido o grande amor de sua vida de volta e seu emprego. – Obrigada doutor! Muito obrigada! – Se soltou o abraço. – Me desculpa, mas... Obrigada! Obrigada!

– Obrigado você, Jane.

O doutor se limitou a dizer com um pequeno sorriso. Sentiria falta dos desabafos semanais de Jane, mas tudo que ele tinha fazer já estava feito, mesmo que o maior dos méritos fosse mesmo da detetive.

***

– Adivinha quem tem novidades? – Disse Jane entrando no escritório balançando sua liberação no alto.

Antes que pudesse fazer qualquer outro comentário ou ganhar alguma adivinhação vinda do pessoal sobre qual era sua novidade, todos do escritório começaram a aplaudir.

– Vocês já sabem? – Perguntou em tom de tédio fazendo careta. – Como?

– Você morreu, não respondia minhas mensagens, então tive que contar para eles. – Disse Beth. – Para quando é o casamento? Tenho que começar a escolher meu vestido.

– Que casamento?

– O seu com a Maura. – Disse Korsak. – Beth disse que você ia pedi-la em casamento ontem.

– Ah ta! Eu pedi, mas ela disse não.

– Como é? E você está bem com isso? Nem andou fazendo a Demi?

– Eu não sou você Beth e nunca um “não” foi tão bem recebido por mim.

– Você está bêbada?

– Não! Eu estou muito bem, porque eu e Maura estamos juntas com casamento ou sem casamento, claro que vai ter casamento, mas não agora.

– Eu não vou nem perguntar. Você e Maura sempre foram um casal confuso, mas enfim... Se o casamento não era a novidade o que é?

– Eu sei que você deve estar adorando ser a única detetive mulher do departamento, mas... – Entregou sua liberação para Beth. – Eu voltei!

– Não brinca! – Disse Beth sem tirar os olhos do papel.

– É sério mesmo Jane? – Perguntou Frost. A morena fez só um afirmativo com a cabeça. – Finalmente! Pensei que não fosse voltar nunca.

E todos felizes com a notícia da volta de Jane não deixaram de abraçar a morena, que de tão feliz que estava não fez careta e não recusou nenhum dos abraços. Era maravilhoso ter sua vida de volta aos eixos quando há algum tempo ela pensou que nunca teria sua vida de volta. Talvez aquela vida de seis meses atrás, antes de ser responsável por TJ realmente não existisse mais, para falar a verdade ela não existia, ela não era mais aquela Jane irresponsável que só dava importância ao seu emprego e que saia com uma mulher diferente quase toda noite e que só saia com o sobrinho para passar o tempo, agora ela criava o sobrinho e estava com uma única mulher que é e sempre foi a mulher da sua vida, estava em uma nova vida e não poderia existir vida no mundo que ela queria ter a não ser essa.

– Chegamos. – Disse Maura parando o carrinho de TJ na frente do túmulo de Lydia. A loira tirou o bebê do carrinho e se agachou na frente do túmulo sentando o menino em seu joelho. – Quando sua mãe morreu e você me contava que conversa com ela atrás de seu túmulo eu nunca entendi. Na verdade eu ainda não entendo isso de conversar com a pessoa no túmulo sendo que a pessoa não vai ter ouvir já que ela está morta e só tem o corpo dela no caixão debaixo da terra, mas você também sempre vivia dizendo onde quer que a alma da pessoa estivesse ela poderia te ouvir, não vou mais questionar isso, pois mesmo não me sentindo muito confortável com isso eu estou aqui conversando com você e... Obrigada Lydia. Nós sempre discutíamos porque você dizia que eu nunca ia ser feliz com ninguém que não fosse a Jane e acredito que você estava certa. Do jeito que eu estou feliz eu só me senti assim há 17 anos quando comecei a namorar a Jane. – Soltou um pequeno riso, pois se lembrou de alguma de suas discussões com Lydia. – Você está vendo como TJ está lindo? Já começou a nascer os dentes decíduos dele, os dois incisivos centras inferiores já nasceram e ele pensa que já pode morder tudo que vê pela frente. – Soltou um pequeno riso. — Não larga nenhum segundo o mordedor. – Deu um beijo na cabeça de TJ que até o momento estava mesmo mordendo o mordedor, mas que parou e começou a apontar ele para o túmulo da Lydia. – Essa é a sua mamãe TJ. Ela tinha esse pensamento de que quando os pais morrem cedo eles ficam do céu cuidando de você, assim como vou fazer que você acredite em Papai Noel, vou fazer com que você acredite nisso também, eles estão cuidando de você. Obrigada por ter confiado a mim a guarda do TJ. Prometo que vou tentar ser metade da excelente mãe que você seria. – Abraçou o TJ encostando sua cabeça na dele. – Eu sinto sua falta Lydia.

Foi impossível lágrimas de saudade não rolarem no tempo que Maura ficou ali na frente do túmulo de Lydia conversando com ela. Precisava tirar o atraso de todos esses meses que não tinha passado nem perto do túmulo da amiga. Ainda era triste Lydia não fazer mais parte dos vivos, mas ela só tinha o que agradecer a amiga por ter feito com que ela tivesse sua devida segunda chance, que mesmo que a morte de sua amiga fosse horrível ela teve que olhar para o lado bom das coisas, como Lydia também lhe ensinou.

Notas finais
Acho que tenho fixação em colocar Maura pra conversar com túmulos, mas não sinto muito sobre isso. Pronto! Rizzles juntas, criando TJ como uma família de verdade agora, mas só não vai rolar casamento porque ai eu ia ta boazinha demais. Só amor os próximos capítulos ou não.