Rizzoli And Isles - Life As We Know It
12 Capítulo 12 - Você precisa de uma amiga!
Notas iniciais
Ótima leitura!
Nem sempre seguir em frente é a opção mais fácil e menos dolorosa e Maura era a prova viva disso. Por mais que ela estivesse certa da decisão que tinha tomado, ela não queria ter tomado aquela decisão.
A loira tinha chegado dois meses antes do começo das aulas em Londres e desde então não tinha deixado seu apartamento por nada, passou o restante de suas férias lendo tudo que tinha direito, conversava com seus pais umas três vezes na semana e só, era o máximo de contato “humano” que ela tinha. Ela poderia ter usado todo esse tempo para conhecer a cidade ou até mesmo conhecer a faculdade, mas não aconteceu, estava deprimida, sentia falta de Jane e nos primeiros dias a cada cinco minutos olhava para o telefone e se segurava para não ligar para a ex-namorada, por sorte tinha muito auto controle, caso contrário as coisas poderiam ter sido diferentes, provavelmente um diferente para pior, porque conhecendo Jane como ela conhecia sabia que a morena estava furiosa com ela e era capaz de desligar o telefone em sua cara, mas talvez fosse isso que ela precisava para se desapegar de Boston, mas ela não quis viver do talvez. Maura preferia concentrar toda a dor, tristeza, chateação e um pouco de vontade de não viver na leitura e em consequência disso no primeiro dia de aula – que foi uma luta para ela levantar da cama e ir para a faculdade, por que nem vontade de seguir mais seu sonho ela tinha, mas colocou na cabeça que ia segui-lo mesmo assim caso contrário ela não ia se perdoar nunca – ela estava completamente perdida, não sabia para onde ir, não sabia em que prédio sua sala ficava e como estava andando distraidamente tentando encontrar o prédio que ela tinha anotado no papel que estava sua sala ela esbarrou em alguém.
– Oh me desculpa! – Disse envergonhada ajudando a garota a pegar todos os livros que ela tinha feito com que ela derrubasse.
– Isso nunca é como nos filmes, não é verdade? – A garota comentou terminando de pegar seus livros e olhando para Maura que a encarava com um olhar confuso. – A garota que esbarra no garoto, os livros caem, ele a ajuda a pegar os livros e eles acabam vivendo felizes para sempre...
– Ah as comédias românticas. – A garota fez um positivo com a cabeça sorrindo. – Não costumo mais assistir a elas e me desculpa novamente, mas é que eu estou um pouco perdida.
– Você não fez o tour pelo campus? Que tipo de caloura é você?
– Não das melhores. – Respondeu com um pequeno sorriso triste. – A única vez que fiz um tour aqui eu tinha seis anos e foi quando eu decidi que queria estudar em Oxford.
– Não tem problema! Você esbarrou na pessoa certa, posso te mostrar seu prédio se quiser. Desde que eu cheguei em Londres todo dia que tem tour pela universidade eu faço, devo conhecer ela mais do que os veteranos... – Fez uma pequena pausa. – Tudo bem que os veteranos só devem conhecer os blocos dos dormitórios que tem festas, mas enfim... – Estendeu a mão para Maura. – Sou Lydia.
– Maura. – Respondeu cumprimentando a garota. – Ficaria muito feliz se você me mostrasse onde fica o prédio dos alunos de medicina.
– Medicina? – Lydia levantou uma das sobrancelhas, estava surpresa. — Sério? Pensei que ia fazer algo ligado a moda, por que né... – Olhou Maura de cima a baixo, mas não como uma forma de ofensa por achar que Maura não tinha jeito para ser médica, mas sim porque ela se vestia impecavelmente bem. – Mas vamos, vou te mostrar onde fica o prédio, que por sorte é o mesmo do meu curso.
– Sério? – Maura perguntou enquanto elas começaram a caminhar rumo ao prédio. – Qual o curso?
– Direito. – Respondeu com um sorriso orgulhoso. — Eu tenho esse problema com a lei, mas não sirvo pra ser policial, atirar nas pessoas, não... Sou a primeira a correr quando ouço um tiro, então acho que vou me sair bem defendendo os inocentes... Pelo menos eu espero. Mas me diz... Você não é daqui não né? Não tem sotaque. Você sabe... Amo o sotaque dos britânicos e amo os britânicos... – Maura olhava para Lydia com o olhar divertido. A garota não parava de falar, mal parava para respirar. – Mas hem... Você não é daqui né?
– Não... Sou dos Estados Unidos, Boston.
– Sério? – Perguntou animada. – Eu sou de lá também, mas da escola pública e você não tem cara de quem já estudou em uma escola publica e isso é até legal sabe, porque se você estudou mesmo em uma escola particular você é diferente dos outros, por que esse pessoal que estuda nessas escolas sentem cheiro de quem estuda em escola publica e não quer chegar nem perto, mas você não é assim, pelo menos eu espero que não, nem sei né, vai saber agora que eu disse que eu era de escola publica e... – Lydia percebeu que estava falando mais que a boca novamente e que Maura estava olhando ela falar com um sorriso porque achava tudo aquilo muito engraçado. – Desculpa, sou hiperativa e não consigo falar pouco, falaram que isso pode me ajudar com minha profissão, como também falaram que se eu não der certo como advogada eu posso ir trabalhar como telemarketing ativo.
E as duas foram o caminho todo até o prédio conversando. Na realidade Lydia foi o caminho inteiro falando e às vezes com sorte Maura conseguia dizer umas duas palavras, mas a maioria do tempo a futura médica só conseguia dar risada.
– Bom... É aqui.
– Muito obrigada Lydia. – Respondeu com um sorriso. – Nos vemos depois?
– Claro!
Óbvio que esse “nos vemos depois” não aconteceu, não antes de sexta-feira quando Maura estava sentada em uma das mesas do campus que ficava ao ar livre mais usadas pelos alunos para almoçarem, tomarem um café ou até mesmo conversarem antes da próxima aula. Maura estava com um dos seus livros gigantes e inseparáveis de anatomia, não que ela precisasse lê-lo, porque ela já tinha lido vários nesses seus 18 anos, mas como fazia parte do seu curso... Uma salada acompanhava sua leitura e assim que Lydia viu a futura médica sentada ali comendo não pensou duas vezes em se aproximar, aproveitando que carregava um sanduíche.
– Oi doutora. – Lydia disse um pouco envergonhada. Podia ser hiperativa, mas ainda sim sofria de um pouco de vergonha.
– Lydia. – Um largo sorriso surgiu no rosto de Maura que até deixou seu livro de lado. – Tudo bem? Sente-se.
A futura advogada vez um afirmativo com a cabeça e com um sorriso se sentou na frente de Maura.
– Pensei que íamos nos ver antes, mas está uma loucura essa semana não é? – Maura fez um afirmativo com a cabeça. – Está gostando?
– Estou amando. É maravilhoso sair dos livros e realmente ficar perto de um corpo, segurar um bisturi... Não vejo a hora de abrimos um corpo.
– Você vai ser daquelas cirurgiãs de série de TV não vai? Que vai brigar por cirurgias. – Maura ficou um pouco envergonhada, ás vezes esquecia que se empolgava demais quando falava sobre abrir corpos e essas coisas. – Que incrível! Vai ser divertido conhecer alguém assim, se continuarmos nos falando, claro...
– Mas e você? Está gostando?
– As aulas são incríveis, mas meu dormitório não. Divido ele com mais quatro garotas e eu pensei que elas eram sossegadas, mas agora que começou as aulas eu não vejo elas fazendo outra coisa que não seja assistir Sexy and the City ou ouvir Britney Spears e isso está atrapalhando meus estudos e eu não posso ir estudar na biblioteca por que só fica aberta até as 18 horas e eu sou uma pessoa noturna e elas também são, mas não para o estudo. – Soltou um longo suspiro. – Não vai dar certo pra mim.
– Se você quiser você pode vir morar comigo. Eu não estou dormindo nos dormitórios, eu tenho um apartamento próximo a faculdade e ele tem dois quartos e como meu pai disse para eu arrumar uma colega para dividir o apartamento, bem...
– Oh... Eu agradeço a oferta, mas vou ter que recusar Maura, eu não tenho dinheiro para dividir um apartamento com você, na verdade não tenho dinheiro pra dividir um apartamento com ninguém, por isso que tenho um dormitório, essa foi as condições de eu vir estudar em Oxford além da bolsa integral.
– O apartamento está pago Lydia, meu pai comprou quando me mudei para cá, então não precisa pagar aluguel porque eu não pago aluguel.
– Me desculpa Maura, mas eu não posso, vão dizer que eu só me aproximei de você porque você é uma Isles e...
– Como você sabe que eu sou uma Isles? – Maura a interrompeu. – Eu não te disse meu sobrenome.
– Não precisou... Todos estão comentando, porque parece que seu pai é uma grande figura para Oxford, assim como ele é nos Estados Unidos com o Boston Memorial, elas sabem quem você é.
– Ótimo. – Suspirou vencida. Ela amava sua família, amava seu pai, mas tinha ido para Oxford para não viver a sombra dele, mas parecia que tinha esquecido que escolheu Oxford por que seu pai tinha estudado nela, então óbvio que iam saber que ela era filha dele. – Eu sei que você não se aproximou de mim porque eu sou uma Isles, Lydia e seria legal ter alguém como você morando comigo do que alguém que só aceitou morar porque eu sou uma Isles, eu tinha muito disso em Boston e não queria que se repetisse.
Não foi fácil para Maura conseguir convencer Lydia a dividir o apartamento com ela, na realidade ela não conseguiu convencer a futura advogada, precisou uma ligação de Richard, seu pai, em conferência com Lydia e sua mãe para convencer a garota a se mudar para o apartamento.
– E esse é meu quarto. – Disse Maura que tinha terminado de mostrar todo o apartamento a Lydia.
A mais nova colega de apartamento de Maura passou o olhar pelo quarto. Estava encantada com tudo. Lydia nunca teve muito dinheiro, tinha um quarto só pra ela em Boston porque era filha única e mesmo assim o quarto dela não era um terço do quarto de Maura e até mesmo de seu mais novo quarto no apartamento. Parou o olhar em um mural que Maura tinha na parede e surpreendentemente viu uma foto da futura médica beijando uma garota pregada nele em meio de muitas outras fotos.
– VOCÊ TEM UMA NAMORADA?
A pergunta saiu em um tom bem mais alto e até mesmo chocado do que Lydia esperava, assustando Maura.
– Na verdade eu tinha... – Disse em tom triste. – Terminamos antes de eu me mudar para cá.
– Ela não gostou que você veio estudar em outro continente?
– Nenhum pouco. – Maura sentou na cama. Era a primeira vez que tocava naquele assunto com alguém depois que tinha se mudado. – Mas não foi por isso que terminamos... Ela me traiu com a melhor amiga dela.
– Mas era uma namorada mesmo? Mulher? Você namorava uma mulher?
– Desculpa não ter te falado antes Lydia, mas não pensei que...
– Isso é incrível! – Maura estranhou a empolgação da garota. – Eu nunca tive uma amiga que gostasse de garotas, eu até prefiro sabe, assim não fica aquele disputa idiota de quem vai ficar com o garoto bonito, que eu sempre acabava perdendo. – Fez uma careta. – Na verdade eu só fiquei com um garoto bonito, que foi meu ex-namorado, mas terminamos também antes de eu vir pra cá, mas não porque eu ia vir pra cá, mas sim porque ele fez uma aposta que ia só namorar comigo até o baile de formatura que foi quando ele tirou minha virgindade, ai ele sumiu. Dizem que ele está em coma porque bateu o carro por estar bêbada, mas minha mãe disse que ele morreu, mas espero que ele não tenha morrido, senão ela vai ser presa já que eu vou ter 100% de certeza que foi ela que matou ele. Mas vai ser divertido a gente não ter que brigar por garotos já que você gosta de garotas.
– Na realidade eu gosto de garotos também. Quer dizer... Eu tive um namorado e depois eu namorei a Jane, mas eu não quero namorar ninguém tão cedo.
– Ela machucou seu coração não foi? – Maura ia abrir a boca para dizer como era impossível alguém machucar o coração de outra pessoa literalmente, mas desde que tinha conhecido Lydia não conseguia soltar sua enciclopédia por que a futura advogada falava mais que ela. – Mas não se preocupe Maura... Você precisa de uma amiga para fazer você sair da fossa, na verdade você não precisa, eu sou essa amiga e vou fazer você esquecer a Jane porque vamos arrumar vários britânicos, mas... – Maura encarou a mais nova amiga esperando pelo “mas”. – Você tem livro ensinando como flertar? Por que eu não sou boa nisso e provavelmente só vamos conseguir garotos que ficam com a gente por causa de apostas...
“Deus não da o que a gente quer e sim o que a gente precisa.” Essa sempre foi uma ótima frase e mesmo que Maura não fosse tão religiosa, desde que ela tinha se mudado para Londres o que ela mais queria era se jogar de algum lugar, mas o que ela mais precisava era de uma amiga para que ela pudesse conversar sobre tudo que estava sentindo e mesmo que ela não fosse uma amiga tão comum assim para não dizer anormal essa apareceu em seu caminho fazendo com que a estadia de Maura em Londres fosse melhor do que ela imaginou.
Amigos... Maura nunca tinha ligado muito para isso, mesmo porque se ela se importasse os anos que passou no internato teriam sido piores, porque tirando seus livros e uma das freiras ela não tinha companhia, todas as crianças que se aproximavam se distanciavam ainda mais rápido do que se aproximava, mas depois que ela conheceu Jane ela passou a dar mais importância para a amizade, porque mesmo depois que elas começaram a namorar elas conversavam sobre tudo, não deixaram de ter aquela amizade do começo do ano letivo e mesmo que depois que tudo acabou ela conheceu Lydia que se mostrou ser uma ótima amiga também, então ela começou a ver que a amizade era importante, que todos na vida deveriam pelo menos ter uma amiga, mas no mundo de Maura isso não se aplicava quando o caso era a amizade de Jane e Beth.
Não demorou muito para Maura descobrir que o caso em que Jane estava trabalhando incluía ter Elisabeth como sua parceira. A morena tentou esconder o quanto pôde, não por achar que estava fazendo alguma coisa errada, pois não estava, ela só estava trabalhando com sua melhor amiga, mas mesmo assim escondeu por que sabia que Maura não ia receber a notícia muito bem e ela não estava errada. Claro que Maura não fez um barraco quando descobriu, antes de qualquer coisa ela ainda tinha classe, mas ela deixou bem claro que não queria esbarrar com a ruiva.
– ESSE TIME É TÃO RUIM, MAIS TÃO RUIM QUE EU FICO ATÉ COM PROBLEMAS!
Elisabeth gritava de pé na frente da televisão. Ela e Jane assistiam ao jogo dos Rex Sox na casa da morena. Jane puxou Beth pela camisa para que ela sentasse de volta no sofá e saísse da frente da televisão.
– Tinha dois minutos que você está elogiando o time.
– Por que eles estavam ganhando... Agora essas porcarias estão perdendo e eu não sou... – Em sincronia Beth e Jane levantaram do sofá levando as mãos a cabeça por causa de um lance que tinha acabado de acontecer no jogo. – MÃO FURADA! – Apontou para televisão irritada. — EU NÃO TENHO QUE AGUENTAR ESSE TIPO DE COISA! – Voltou a sentar no sofá. – Eu disse que ia parar de assistir os jogos do Rex Sox, isso não é vida para mim. Aliás... Eles só estão perdendo por nossa culpa. – Jane encarou a amiga sem entender. – Quando íamos ao estádio ver o jogo eles não perdiam um jogo, não lembra?
– Lembro... Até disse que eles tinham que nos pagar por sermos o amuleto da sorte do time. – Disse sarcasticamente ganhando em resposta uma careta de Beth. – Mas precisamos ir mesmo, comprei um uniforme para o TJ, mas ele nunca usou porque ainda não consegui levar ele pra o estádio.
– Vou resolver is... VOCÊS TÃO CEGOS? PUTA TIME RUIM!
– Enquanto você não resolve isso... – Jane entregou uma bacia onde elas estavam comendo salgadinhos para Beth. – Vai na cozinha pegar mais salgadinhos e cervejas, assim você acalma seu coração... Ta reclamando demais.
Beth olhou Jane com um olhar de reprovação pela amiga ficar fazendo ela perder o jogo para ir pegar salgadinhos, mas nada disse, era melhor mesmo, senão daqui a pouco ia acabar tendo um ataque cardíaco por causa do jogo.
– Você vai adorar ir ao estádio do Red Sox. – Disse Jane pegando TJ do chão onde ela tinha deixado ele deitado. – Tudo bem que não vai ser legal assistir um jogo no estádio com a tia Beth porque ela tenta entrar no estádio e agredir os jogadores, mas tirando isso...
– Oh Jane essa televisão está muita alta, da para ouvir ela lá de...
Claro que Maura não conseguiu concluir o que tinha a dizer, porque quando estava indo em direção a sala deu de cara com Elisabeth.
– Oi Maura! – Beth disse com um sorriso, mas não foi bem recepcionada porque Maura a encarou com a cara fechada. Por dois segundos e a ruiva pôde jurar que sentiu seu rosto queimar, mas não de vergonha, mas sim por causa do olhar fulminante de Maura.
– O que ela está fazendo aqui?
– Olha... Você disse que ia passar a tarde fora, então eu chamei a Beth para vir assistir o jogo do Rex Sox comigo, só isso... Não é como se estivéssemos transando no sofá na frente do TJ.
Provavelmente era melhor que Jane não tivesse usado essa frase final, mas como usou, então ia ter que aguentar as consequências. A cara fechada de Maura ainda a encarava, Beth colocou alguns salgadinhos na boca porque ela ficava aflita quando presenciava esse tipo de situação – mentira, ela amava, mas não com pessoas próximas – Maura só se aproximou de Jane, — que por alguns segundos pensou que ia ser agredida – pegou TJ do colo dela e sem olhar para nenhuma das duas subiu para seu quarto.
– Eu pensei que era exagero seu quando você disse que ela ainda me odiava.
– Quando o assunto é você e Maura eu não exagero.
– Então essa é a hora que eu vou embora?
– Não... — Jane pegou a bacia com os salgadinhos da mão de Beth. – Ela provavelmente vai ficar com raiva de mim uma semana, então... – Fez sinal para que Beth sentasse no sofá. – Eu não vou terminar de ver esse jogo sozinha, vi muitos jogos sozinhas durante esses dez anos, porque assistir jogo com Korsak, Frankie e Frost é a mesma coisa que assistir com ninguém, então...
– Essa é sua forma de dizer que sentiu falta de mim Rizzoli? – Perguntou com um sorriso convencido.
– Não...
Beth só fez um afirmativo com a cabeça soltando uma risada, se Jane não ia admitir não seria ela que admitiria que sentiu falta da melhor amiga também, mesmo por que elas já estavam velhas para ficar com essa frescura toda.
***
– Me desculpa. – Disse Jane parada na porta do quarto de Maura. Fazia alguns minutos que estava parada ali olhando a loira brincando com TJ, mas como não foi notada... – Você tinha me dito que não ia voltar cedo, então...
– Está tudo bem, Jane.
– Não Maura, não está. – Jane entrou no quarto e sentou na cama de frente para a loira. – Eu que namorava com você, eu que te trai, mas estamos bem.
– Por que temos que conviver em harmonia para o bem do TJ.
– Queria que você tivesse urticárias por dizer algo que não é a verdadeira explicação.
Maura desviou o olhar para alguns brinquedos que tinha em cima da cama. Começou a mexer em um bichinho de pelúcia ainda para evitar o contato visual com Jane, porque se fizesse ia acabar contando o real motivo.
– Maur...
A legista respirou fundo, pelo jeito não ia ter como escapar, sabia o quanto Jane poderia ser persistente. Voltou sua atenção para Jane.
– Você é a pessoa por quem eu sou apaixonada. – Jane poderia ter ficado feliz por ouvir aquilo novamente, mas Maura tinha dito com um tom tão de tristeza e pesar que a morena se sentiu até mal em ouvir aquilo. Estar apaixonado quando é correspondido é maravilhoso, mas parecia que quando essa pessoa por quem você é apaixonada é a Jane parecia que sempre ia ser um problema. – Eu sei que seria mais fácil eu ficar irritada com você, mas a Beth sempre pareceu mais sensata que você e diferente do que ela sempre pensou eu gostava dela, eu só não gostava dela com você. Eu ficava incomodada com a amizade de vocês duas.
– Incomodada? – Jane ergueu uma sobrancelha e abriu um pequeno sorriso de canto de rosto. – Você não teria ciúmes de mim com a Beth? Da nossa amizade?
– Eu não tinha uma reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa! – Respondeu em tom que mostrava que estava ofendida com o que tinha ouvido. – Eu só pensei que caso você chegasse a me trair seria com outra pessoa, não com a Beth, como eu disse ela parecia ser mais sensata que você, não imaginei que ela faria esse tipo de coisa, pelo contrário, sempre pareceu que ela nos apoiava.
– Certo. – Jane levantou da cama. – Mas ela é uma ótima pessoa, você não precisa ficar “incomodada” com nossa amizade e eu não vou ficar ofendida com você dizendo que Beth era mais sensata que eu. – Caminhou até a porta do quarto. – E você poderia ter me dito antes que tinha ciúmes dela.
E com um sorriso convencido no rosto Jane deixou o quarto. Poderia dizer mil e uma coisas para Maura, mas sabia que não ia adiantar, não enquanto ela não admitisse o ciúmes e tentasse lutar contra ele e começar a ver Beth com outros olhos. Só estava se achando um pouco idiota por nunca ter percebido, mas...
Claro que Maura não ia admitir que sentia ciúmes da amizade de Jane e Beth, que para começo de conversa não era uma amizade convencional, pelo menos na época em que ela namorava com Jane, então não fazia sentido admitir, ainda mais porque ela não estava com Jane e não tinha direito de carregar esse sentimento. A loira sabia que tudo seria mais simples caso ela deixasse tudo de lado, mas também tudo seria mais simples caso Elisabeth tivesse voltado para Boston ainda casada, mais responsável e menos sem noção, mas isso não tinha acontecido, então ela lidaria com seu ciúmes quando tivesse vontade.
***
– Eu preciso de um barco.
Jane, Beth e TJ estavam no Dirty Robber. A ruiva tinha chamado a amiga para discutir sobre um caso e como a morena estava sozinha em casa cuidando do sobrinho o levou até o bar. Demoraram algum tempo para que Jane e Beth pudessem sentar e conversar, porque parece que o bebê era um imã e todo mundo queria vê-lo. Jane já sabia do poder de TJ, mas em mercados, no bar era coisa nova, mas depois de quase meia hora as duas puderam sentar para conversar e quando Jane pensou que Beth ia lhe dizer algo sobre o caso ela soltou essa.
– Por que você quer um barco?
– Dexter pode ter tido o pior final do mundo de séries, mas pelo menos aprendi ótimas lições sobre matar alguém e não deixar rastros, então...
– Você como policial sabe que matar alguém vai contra tudo que você acredita, certo?
– Uma exceção não vai fazer com que eu morra de rancor. – Com voz de choro. — Jane você não sabe pelo que eu estou passando, esse legista novo não merece fazer parte desse mundo. O Pike podia ser chato, ficar falando o dia inteiro na porcaria daquele gravador dele e demorar mil e um anos para realizar a autópsia, mas pelo menos ele fazia, mas esse legista novo não faz porcaria nenhuma e ainda come em cima do corpo!
– Nós comemos em cima do corpo uma vez.
– Por que estávamos pagando uma aposta! Ou era comer em cima do corpo ou andar pelada pelo departamento. E eu ainda não entendo por que você escolheu comer cima de um corpo. – Jane encarou com a amiga com a cara de “sério?” dela. – Qual é Jane! Deus vive nos vendo peladas.
– Mas Deus não nos vê com pensamentos maliciosos.
– Você não sabe... – Mais um olhar desacreditado de Jane sobre o que tinha acabado de ouvir. – Você podia me ajudar nesse caso sabe... Não, pera! Você não pode porque pegou um suspeito pelo colarinho em um caso que você não podia nem chegar perto do suspeito.
– A culpa não é minha que o caso lembrava o do Tommy e a Lydia e muito menos que era um caso teste para ver se eu podia ser liberada. Eu fui enganada!
– Pobre Jane! – Disse sarcasticamente fazendo Jane revirar os olhos. – Vai me ajudar ou não?
– Deixa eu ver esse... – Jane até que ia pegar a pasta com os dados do caso para ver se conseguia ajudar Beth, mas as duas foram distraídas com uma loira, parada ao lado da mesa delas, com os braços cruzados. – Maura? O que você está fazendo aqui?
– Você me mandou uma mensagem dizendo que estava vindo ao Dirty Robber.
– E eu disse que estava vindo me encontrar com a Beth caso você quisesse aparecer.
– Eu sei... Então eu fui até a casa da sua mãe para pegar o TJ, mas ele não estava lá, porque você trouxe um bebê... Para um bar!
– E qual o problema? Não é como se eu tivesse enchido a mamadeira do menino de cerveja.
– Qual o problema? – Maura perguntou incrédula. – Isso é um bar Jane, lugar onde por lei só pode ser frequentado maiores de idade e você como policial deveria saber!
– Mas eu... Na verdade...
Jane não sabia o que responder. Estava acostumada a levar TJ para todo canto quando estava com ele que esqueceu do fato que era errado levar crianças a bares, mas como ninguém tinha dito nada nem se ligou a esse detalhe e não tinha nenhuma placa no Dirty Robber proibindo, pensou que o bar era um bar de família onde era liberada a entrada de crianças. Como não conseguiu formular uma frase e Maura não ia esperar até que ela conseguisse, a loira pegou a cadeira que trazia TJ sentado nela e deixou o bar sem dizer mais nenhuma palavra.
– Você já se deu conta que você está casada, mas é aquelas casadas com aquele casamento falido de quinze anos juntas, onde não rola beijo e muito menos sexo né? – Jane pensou em responder algo, mas nada parecia que fazia sentido no momento. – Acho melhor você ir atrás dela.
Jane nem quis contestar. Era melhor mesmo ir atrás de Maura, estavam em um momento delicado da relação que não era uma relação desde que Beth tinha voltado e a loira de TPM era um doce de pessoa comparado ao que ela virava quando ficava brava com alguma coisa que Jane fez que ela julgava errado só por ela estar com a Beth.
– Me desculpa. – Foi a primeira coisa que Jane disse assim que viu Maura que estava atrás do balcão da cozinha. – Eu não fazia a mínima ideia que ia ter problema levar o TJ para o bar.
– Por que quando você está com a Beth você não pensa! – Disse em tom irritado elevando só um pouco a voz. — Quando você está com a Beth você faz coisas irresponsáveis. Já pensou a assiste social aparece no bar e vê o TJ lá? Ela não pensaria duas vezes antes de levar o menino embora e dar ele para pessoas responsáveis cuidar.
– Meu Deus, Maura! Eu já estou cansada! A cada segundo que passa você está mais insuportável e não tem motivo nenhum para isso. Eu e a Beth só somos amigas e você está agindo como não agiu nem quando você era uma adolescente, quando namorávamos. Você está sendo ridícula e eu já estou de saco cheio. Tudo agora que a acontece você quer culpar minha amizade com a Beth. VOCÊ PRECISA DE UMA AMIGA! – Pois é... Jane tinha explodido. – E eu não posso ser essa amiga, mesmo porque eu acredito que você não quer que eu seja essa amiga, porque um dos papéis da amiga é ouvir seus problemas e dar conselhos, mas como eu sou seu problema e qualquer conselho que eu te der você não vai ouvir então você deveria sair por ai e arranjar uma amiga e parar de implicar com a minha!
Provavelmente Jane não deveria ter estourado, mas se sentiu tão bem dizendo tudo aquilo que não se importou, não até alguns segundos passarem e ela perceber os olhos de Maura marejados e ela saindo de traz do balcão caminhando em sua direção.
– Eu tinha uma amiga, a melhor de todas, que me ajudou a... Usando a expressão de linguagem de vocês... Que me ajudou a limpar a bagunça que você tinha deixado a minha vida, mas então ela foi assassinada e eu só fiquei sabendo uma semana depois porque queriam me ver por causa do testamento... Eu não pude ir nem no enterro do dela. – A voz de Maura estava embargada. Jane já estava se odiando por cada letra dita. – Os anos podem ter passado, mas eu continuo sendo aquela pessoa que não sabe fazer amigos e que descobriu que prefere os mortos aos vivos o que é irônico já que minha melhor amiga está morta, então não Jane, não venha me dizer que eu preciso de uma amiga.
– Maur me desculpa, não foi isso que eu quis dizer...
– Não Jane, foi exatamente isso que você quis dizer.
Maura estava chateada. Tudo que Jane tinha dito por mais verdade que fosse doía ouvir, porque desde que ela tinha mudado todo o percurso de sua vida ela queria alguém para conversar que não fosse sua mãe ou Angela, e sempre que ela pensava em outro alguém Lydia vinha em sua cabeça, e ás vezes ela até pegava seu celular pronta para ligar para amiga, mas então ela lembrava que não tinha mais a amiga para ligar e isso fazia seu coração – não literalmente – se despedaçar em milhares de pedaços.
Em consequência da briga Jane e Maura passaram dias sem se falar. Por mais que a morena tentava fazer as pazes foi difícil fazer com que a ex-namorada voltasse a falar com ela, pois suas palavras tinham a chateado e também a magoado, teve que esperar o tempo dela.
***
– Você deveria ir a encontros. – Disse Constance ganhando um olhar confuso da filha. Estavam em um restaurante almoçando e conversando e claro que ela tinha que tocar nesse assunto. – Já que meu plano e da Angela de juntar você e a Jane de novo deu errado e você não quis dar uma segunda chance para ela já que a melhor amiga voltou para cidade você deveria sair com alguém.
– Eu não tenho tempo para sair mãe, eu tenho um bebê para cuidar.
– Engraçado que para sair para almoçar comigo você tem tempo.
– É diferente mãe, eu não... – Maura não conseguiu completar porque algo na televisão que estava logo na sua frente chamou sua atenção, na realidade alguém. – Mas...
– O que foi?
Constance virou o pescoço para ver o que tinha roubado a atenção de sua filha e qual não foi sua grande surpresa ao ver Jane, TJ e Elisabeth aparecendo na televisão, ambos trajando um uniforme do Red Sox, porque estavam no estádio assistindo um jogo e pela cara da Maura ela não fazia ideia de que eles estariam lá.
***
– É campeão! É campeão! É campe... – Jane que estava balançando TJ no alto enquanto caminhava pela casa parou ao se deparar com Maura. – Maura, oi! – Disse com um sorriso assustado. Do jeito que as coisas andavam não estranharia caso algum vaso voasse. – Eu pensei que depois do almoço você ia fazer compras com a sua mãe, e...
– Não marque nada para sexta-feira. – A loira disse interrompendo Jane. – E caso marque que seja em um lugar que você possa levar o TJ, porque eu tenho um encontro.
– Você não precisa chamar de encontro um jantar com a sua mãe, Maura.
– Eu não vou jantar com a minha mãe. Eu tenho um encontro na sexta.
– Um encontro? – Jane perguntou ainda desacreditada. — Com quem?
– Com a Julie.
– Quem é Julie?
– A pediatra do TJ.
– Que pediatra do TJ? Cadê o doutor Charles?
– Eu comentei com você que ele pediu transferência e que foi contratada uma pediatra no lugar.
– Mas você esqueceu de dizer que essa pediatra fica convidando os outros para sair. Isso não é antiético?
– Antiético seria se ela chamasse o TJ para sair e também fora da lei.
– Mas...
– Espero que tenha se divertido no jogo.
E com o sorriso mais irônico do mundo Maura subiu as escadas para seu quarto deixando uma Jane completamente perplexa. Desde quando o mundo tinha estragado sua Maura? Jane não tinha curtido nenhum pouco, tinha achado completamente ofensivo e ela daria um jeito nisso.
Notas finais
Até o próximo capítulo =)
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