Rizzoli And Isles - Life As We Know It
9 Capítulo 9 - Trocando o incerto pelo certo
Notas iniciais
Ótima leitura!
PS: Eu revisei né, mas se tiver erros, me desculpem.
É difícil saber quanto um relacionamento vai durar. Por mais que você queira, por mais que você tente, por mais que você trabalhe, por mais que você faça de tudo para que ele dure, ás vezes ele não dura por que não depende só necessariamente de você. Um relacionamento é feito por duas pessoas e se a segunda pessoa não quer que ele siga em frente, ele dificilmente vai. Mas existem também os relacionamentos onde as duas pessoas fazem de tudo para salvá-lo, fazem de tudo para dar certo e ele simplesmente não da, ás vezes não tem nem explicação por qual motivo não deu, simplesmente não da e é cada um seguir com a sua vida a procura de seu relacionamento duradouro, o que realmente vai dar certo. Só que existe também os relacionamentos que dão certo, ás vezes todo mundo, até o próprio casal pensava que não ia levar em nada e quando veem já estão com 90 anos e imensamente felizes, independente das diferenças, independentes das brigas, se um relacionamento é para durar, ele vai durar.
Ninguém colocava a mão no fogo pelo namoro de Jane e Maura, na realidade fizeram até apostas para ver quanto tempo levaria até as duas terminaram porque Jane tinha a traído, mas quando os meses foram passando, perceberam que o relacionamento das suas era realmente sério. Mesmo que Jane não disfarçasse de maneira alguma que estava olhando para as garotas – isso nos primeiros meses – e ocasionasse em várias brigas entre ela e Maura, nada abalou as duas, continuaram namorando como ninguém nunca pensou que um dia viria Jane Rizzoli namorando, deixando as garotas que eram completamente apaixonadas por Jane muito irritadas já que ela era a garota “não sou de namorar” e deixando Angela muito feliz porque parecia que finalmente a filha tinha tomado jeito. E as duas estavam felizes também, cada dia mais apaixonadas e sem duvida nenhuma as pessoas que fizeram as apostas agora poderiam apostar que elas se amavam e que o amor era verdadeiro, caso contrário o namoro não teria durado uma semana sem Maura ser traída com qualquer garota que Jane encontrasse na rua.
Um ano e cinco dias tinha completado naquela noite em que Jane e Maura estavam deitadas no gramado da praça em que elas tinham oficializado o “tentar” que dias depois Maura chamou de namoro, mas já tinha começado naquele dia, há um ano e cinco dias. Já se passava das 23 horas e elas pareciam que não estavam com nenhuma pressa de irem embora, pelo contrário, não tinham nem motivos para irem embora, o ano letivo já tinha acabado e a noite estava maravilhosa, o céu completamente estrelado, a noite com uma temperatura agradável e a conversa que maioria das vezes eram assuntos bobos e engraçados também estava ótimo, não tinha motivo algum para deixar a praça antes do sol nascer.
– Eu fui aceita em Oxford.
Em um momento de silêncio Maura simplesmente disse esboçando um discreto sorriso. Precisava compartilhar isso com alguém e não tinha ninguém mais importante nesse mundo que ela queria contar primeiro que não fosse Jane, porque ela estava feliz, Oxford a queria. Jane que estava olhando para o céu admirando as estrelas, virou a cabeça para o lado e abriu um pequeno sorriso.
– Não me surpreendo. Basicamente todas as universidades dos Estados Unidos falaram que te querem, não seria diferente com uma universidade de outro continente. Seria uma honra terem um gênio como você estudando para eles. – Maura alargou o sorriso e recebeu um beijo de Jane. – Eles vão ficar muito chateados quando você falar que não vai estudar com eles.
– Na realidade... – Maura fez uma pausa, sabia que o que ia começar a dizer ali ia causar confusão, mas precisava continuar. Jane automaticamente fechou a cara. – Eu não sei se eu vou dizer “não” para Oxford, Jane.
Com a cara mais fechada ainda Jane se sentou no gramado e Maura a acompanhou, sabia que viria discussão. Aquilo só podia ser brincadeira, Maura não podia estar falando sério sobre aceitar estudar em Oxford, uma universidade em outro continente que já tinha sido descartada há tempos e que Maura só tinha mandado sua carta de aplicação por mandar, para ver se seria aceita, mas nunca foi o plano ela querer ir estudar lá, não com elas juntas.
– Essa é a forma de você dizer que nosso namoro não está dando certo?
– O... O que? Não Jane, nosso namoro está dando muito certo.
– Então por que você está pensando em ir para Oxford? Você disse que só iria se nós não déssemos certo, mas como estamos...
– Esse é meu futuro Jane e é meu sonho desde pequena, eu sempre sonhei em estudar em Oxford e eu não vejo porque não devo ir, não tem nada que me prenda aqui.
– Não tem nada que te prenda aqui? – Jane levantou do gramado completamente indignada com o que tinha acabado de ouvir. A respiração já estava começando a ficar mais pesada, por que ela estava com raiva, mas não queria explodir, não ainda, mas não demoraria muito. – Sério Maura? Não tem nada que te prenda aqui? Eu virei nada agora?
– Não, não Jane. – Maura levantou e tentou se aproximar da namorada para tentar acalmá-la, mesmo sabendo que se não falasse tudo que tinha para falar antes não conseguiria, mas Jane deu um passo para trás, não queria Maura perto dela. – Você é tudo Jane, por isso que eu quero que você vá para Londres comigo. Você não se inscreveu para nenhuma faculdade, não tem por que você ficar aqui em Boston também.
– Minha mãe está falida, Maura. Ela vai ficar pagando os meus estudos pelo resto da vida dela porque eu fui uma idiota, você acha mesmo que eu tenho dinheiro pra comprar uma passagem para Londres? Não Maura, eu não tenho!
– Eu pago para você! – Jane soltou um riso incrédulo e balançou a cabeça em negativo, só podia ser mentira tudo que ela estava ouvindo. – Você não vai precisar se preocupar com os gastos Jane, meu pai pode conseguir um apartamento pra gente e eu sei que você não vai querer viver à custa dele, então você pode arrumar um emprego por lá ou pode até procurar um curso de alguma coisa que você goste para fazer, acredito que meu pai vai ficar muito feliz em pagá-lo para você.
– Você sabe que eu não quero viver a custa do seu pai e mesmo assim está sugerindo que eu aceite ele pagar um curso para mim? Todo esse tempo e você não me conhece em nada Maura? Eu não vou deixar Boston, eu não vou deixar minha mãe lidando com as dividas da escola sozinha, eu vou arrumar um emprego e...
– Um emprego em uma lanchonete ou em um posto de gasolina como você veio dizendo o final do ano letivo todo? Sério, Jane?
– Oh... Qual o problema garota esnobe? Vai ter vergonha de me apresentar para seus amiguinhos de Oxford e dizer “essa aqui é minha namorada e ela lava pratos para se sustentar”? Não precisa ser assim, Maura!
– Realmente Jane, não precisa ser assim, por que você tem potencial para trabalhar de qualquer outra coisa do que em uma lanchonete, porque você é inteligente. E eu não teria vergonha de te apresentar para ninguém independente do emprego que você tivesse, não julgo nenhum trabalho, mas sei que você pode mais do que isso. E eu te conheço muito bem a ponto de saber que você não ia querer me apresentar para seus amigos como uma médica, não se você trabalhasse em uma lanchonete, um emprego que você não ia gostar.
– Você pensa que sabe tudo, não é verdade? Mas fique sabendo que você está enganada, eu teria muito orgulho de dizer que minha namorada é uma médica, que salva a vida de pessoas.
– E você acha que eu vou ser sua namorada pelo resto da vida?
– Oh... – Jane abriu um sorriso de canto de rosto, mostrando que sua irritação já tinha passado dos risos de indignação e balançar de cabeça. – É sobre isso que se trata então? Você está pensando que o que? Que você dizendo que vai pra Oxford eu vou te pedir em casamento, que vamos comprar uma casa e ter vários filhos? Por favor, Maura!
– Não é sobre isso que eu estou falando...
– Quer saber, Maura? Dane-se! Faça o que você quiser. Pode ir pra Inglaterra, Alemanha, Japão, Brasil, se quiser pode ir até para o inferno, eu não ligo! Mas só digo uma coisa... Eu não acredito em relacionamento a distancia.
Jane virou as costas e foi embora sem nem ao menos se importar com Maura gritando por seu nome pedindo para que elas terminassem a conversa. A loira sabia que no momento que tocasse no assunto uma discussão surgiria, mas não imaginava que a namorada iria agir do jeito que agiu. Se Jane estava irritada, ela tinha ficado decepcionada e confusa, não sabia o que fazer, queria ir para Oxford, mas não queria perder Jane, mas tinha muitas duvidas sobre a relação das duas que não conseguiu tirar devido ao surto de Jane, precisava conversar com alguém e só tinha uma pessoa, que graças a Jane tinha se tornado muito mais próxima dela e que se fosse em outros anos nunca poderia ter uma conversa como essa, mas agora podia, então decidiu ir para casa.
– Maura é você? – Constance chamou pela filha ao ouvir o barulho da porta abrindo, em segundos a loira apareceu na sala onde a mãe estava. – Quando você ia me contar? – Perguntou balançando um papel. – Desculpa, mas estava aqui em cima da mesa a carta e fora do envelope, então...
– Não tem problema mãe. – Disse com um meio sorriso. – E eu ia contar, mas pensei em contar para Jane primeiro.
– Imagino a felicidade que ela esteja por você ter falado que não vai para Oxford, por causa dela.
– Ela não ficou feliz... – Maura sentou no sofá. Estava tão desanimada e chateada que seu corpo chegava a ficar pesado como se tivesse acabado de correr uma maratona. – Eu disse para ela que queria dizer sim para Oxford.
– Sério? – Constance não deixou de esboçar um largo sorriso. Sempre tinha deixado bem claro que apoiava o namoro das duas, mas que não achava sensato Maura estudar em qualquer outra universidade que não fosse em Oxford só por causa de um namoro, mas vendo a expressão triste da filha o sorriso teve que desaparecer e ela se sentou ao lado de Maura. – Vocês brigaram? – Maura fez um afirmativo com a cabeça. – Eu não imaginei que você estava cogitando ir pra Oxford agora, íamos até fazer aquela reunião de eliminatória para ver qual faculdade daqui você escolheria... O que mudou?
– Nada mudou e é isso que me incomoda mãe. Eu sei do meu futuro, mas eu não sei o que esperar do meu futuro com a Jane. Eu sei que ela deve ter algum sonho, mas ela não compartilha comigo e nem vai atrás dele. Ela acha que vai ser feliz servindo mesas ou colocando gasolina em carros quando ela sabe que podia ter outra profissão? E nossa relação... – Maura soltou um longo suspiro. Tinha evitado ao máximo aquele assunto, por que sempre que pensava naquilo doía e muito, mas ela precisava conversar com alguém e de preferência alguém que não fosse explodir com ela. – Eu amo a Jane e eu sei onde estamos agora e se depender de Jane vamos ficar assim pelo resto da vida ou vamos acabar terminando e... – Sabia que não deveria ter entrado naquele assunto, já estava sentindo seus olhos marejados e não queria de jeito nenhum começar a chorar.
– Querida você precisa conversar com a Jane sobre tudo isso que você está pensando, porque se você só ir amanhã e fazer as pazes com ela dizendo que não vai para Oxford e daqui algum tempo a relação não terminar bem por causa de tudo isso que você está me dizendo e não disse para ela, eu não vou querer ver você se culpando por não ter ido seguir seu sonho certo para seguir um incerto.
– Mas Oxford não era só o meu sonho, era seu e do papai também.
– Não Maura... – Constance pegou as mãos da filha e abriu um pequeno sorriso. – Como diz seu pai: Meu sonho é te ver feliz. Você pode não escolher Oxford, mas você vai continuar escolhendo medicina, a única diferença é que você vai fazê-la em uma universidade aqui nos Estados Unidos, de preferência em Harvard –as duas soltaram um riso – e vai estar com a pessoa que você diz ser o grande amor de sua vida.
– Jane é o grande amor da minha vida mãe.
– Então converse com um grande amor de sua vida e vê se trocar seu sonho certo por um incerto vale a pena.
Se alguém perguntasse para Maura se algum dia ela esperaria que pudesse conversar com a sua mãe como estava conversando agora ela sem duvida nenhuma diria que nunca, mesmo que ainda houvesse muitas coisas a serem trabalhadas, a conversa tinha melhorado e muito, se fosse em outra época Constance jamais tinha parado um minuto que fosse do seu tempo para ouvir os problemas da filha, ela que conversasse com alguma empregada, mas agora... Abriu um sorriso e abraçou a mãe que de começo ficou um pouco desnorteada porque elas não eram de abraços, mas segundos depois abraçou Maura de volta, essa nova fase de fazer parte da vida da filha estava muito boa como nunca pensou que ficaria.
– Obrigada mãe.
– Mas converse com ela amanhã, deixa Jane se acalmar.
Maura assentiu com a cabeça e mandou um sorriso para mãe. Era bom esperar as coisas esfriarem, mesmo porque assim ela teria um tempo para ensaiar o que ia dizer sem que outra discussão começasse.
***
Era incrível como tudo em sua vida em um segundo podia estar perfeito e no segundo seguinte virava tudo lixo, só podia ser algum tipo de maldição ou uma macumba bem forte que alguma de suas ex’s tinha feito, por que só isso poderia fazer sentindo para Jane. Esse tempo todo que Maura recebeu as cartas das faculdades em nenhum momento ela tinha citado que cogitava ir para Oxford, pensou que a página já tinha sido virada e que elas escolheriam uma faculdade dos Estados Unidos, mas pelo visto estava completamente enganada e divido a isso estava irritada e queria quebrar a cara de alguém, mas como já era tarde e não tinha ninguém na rua para ela bater, resolveu descontar toda sua raiva no basquete. Tinha uma rede em seu quintal, então ela batia a bola com toda força do mundo no chão e uma hora ou outra arriscava uma cesta, tentava se acalmar, mas não estava funcionando.
– Daqui a pouco você vai furar o chão e mais tarde vai estar nos noticiários que um japonês foi atingindo por uma bola de basquete e vão vir atrás de você.
Claro que a dona da voz não podia ser ninguém mais ninguém menos que Elisabeth que pensou que com aquele comentário ganharia pelo menos uma careta, mas não, Jane continuou batendo a bola no chão e quando parecia que tinha processado o que a ruiva disse só mandou um:
– Vá se ferrar!
– Qual foi o motivo da briga com a Maura dessa vez?
Foi a pergunta que fez com que Jane parece de bater com a bola no chão e voltasse sua atenção para Beth. Se tinha alguém que sempre sabia quando tinha alguma coisa de errado com ela, esse alguém era Beth.
– Por que todo mundo que eu amo me abandona? Eu não entendo!
– É o que? – Elisabeth olhou para os lados e viu que o carro de Angela não estava na garagem e que as luzes da casa estavam apagadas. – Não vai me dizer que sua mãe foi embora e te deixou? Não me surpreenderia, mas...
– Larga de ser imbecil, Beth! Claro que minha mãe não foi embora, só foi passar a noite com minha tia e levou meus irmãos, eu estou falando da Maura. Acredita que ela quer ir para Oxford?
– Qual o problema? – Beth perguntou tranquilamente como se não entendesse por que Jane estava fazendo grande caso de tudo aquilo.
– Qual o problema? – Jane estava indignada pela pergunta. Teria mesmo que explicar? – Oxford — Londres, Inglaterra, na Europa. Pelo que eu saiba eu não moro lá e não vou morar, ela que não pense que vai me arrastar para lá.
– Espera! Ela te chamou para ir a Londres? Com ela?
– Não é um absurdo? – Beth olhava toda aquela indignação de Jane completamente confusa. Ainda não tinha entendido porque ela estava tão brava. – Disse que eu não tenho nada de importante para fazer aqui em Boston mesmo, que era melhor eu ir pra Londres com ela do que ficar aqui lavando prato em uma lanchonete qualquer.
– Isso eu tenho que concordar com ela. – Jane a encarou com a expressão fechada. – Não concordo com ela?
– Por que você me deixou fazer isso hem? Eu era uma pessoa tão mais feliz quando eu era solteira e podia ficar com a garota que eu quisesse sem ter que me preocupar com a porcaria dessas brigas.
– Você era mais feliz? – Elisabeth soltou um riso. – Poderia ser até ser divertido, mas você não era feliz, você namorando a Maura ficou muito menos mal humorada e até ficava com cara de idiota. A melhor coisa do mundo que você fez foi namorar a Maura.
– Claro! – Respondeu com um sorriso sarcástico, a ironia ia começar. — A coisa mais incrível que eu fiz, agora ela está indo até para Londres! Mas sabe de uma coisa? Ela pode ir, vai ser melhor, vai ser ótimo, por que assim eu não preciso me preocupar com alguém me enchendo o saco dizendo que eu tenho potencial pra fazer coisa melhor do que lavar pratos, que assim eu não preciso me preocupar em ter um futuro a dois e querer realmente arrumar um emprego que preste... Assim vai ser muito melhor!
– Na verdade...
– E eu não quero mais saber disso! – Jane a cortou. Pegou a bola de basquete que estava no chão e jogou para Beth. – Vamos brincar de Cesta Stripper.
– Sério? – Elisabeth perguntou com um sorriso de canto de rosto. – Da última vez chamaram a policia para gente por – começou a imitar a voz da vizinha que tinha ligado para a policia – “essas meninas são tudo umas sem vergonhas, atentado ao pudor isso, atentado ao pudor!” – As duas riram lembrando da cena.
– Deixa chamar. – Jane deu de ombro. – Eu to pouco ligando.
Elisabeth balançou a cabeça em negativo com um sorriso. Se tinha alguma vez que ela se questionava por que era amiga de Jane, esse tipo de atitude lhe dava a resposta.
Foi surpreendida com a morena tentando tomar a bola da sua mão para que o jogo começasse, Jane fizesse a primeira cesta e assim ela tivesse que tirar a primeira peça de roupa, era sempre assim quando Jane inventava esse jogo, queria sempre trapacear para que ela acabasse sem roupa primeiro, mesmo que no final as duas acabassem sem roupa. Querendo quebrar essa rotina do jogo, Beth tentou proteger a bola para que Jane não pegasse, mas a morena estava determinada a pegar a bola dela, mas Elisabeth estava mais determinada ainda em não deixar com que a amiga pegasse e percebendo isso e vendo que iria ser difícil mesmo tomar a bola de Beth, sem nem pensar Jane deu uma pequena rasteira na ruiva, o suficiente para que ela se desequilibrasse, soltasse a bola e caísse deitava no chão, mas antes que caísse, ela fez questão de puxar Jane pela blusa fazendo com que a morena caísse junto com ela, na realidade, em cima dela. Ambas caíram na gargalhada com a cena ridícula que tinham acabado de fazer, mas depois que a gargalhada virou um silêncio e Jane não fez menção de sair de cima da Beth as duas ficaram se olhando, até que surpreendentemente Jane vai e da um beijo na amiga. Sem duvida nenhuma era algo que Elisabeth não esperava, não naquelas circunstancias, aliás...
– O que você está fazendo? – Beth perguntou assim que conseguiu se separar do beijo. – Pensei que íamos jogar.
– Você sabe onde sempre esse jogo nos leva, não sabe?
– Sei... – Beth mordeu o lábio inferior. – Está sentindo falta do melhor sexo da sua vida, é isso?
– Não... – Jane se levantou e puxou Elisabeth pela mão para que ela se levantasse também. — Vou sentir quando Maura for embora. – Elisabeth soltou uma risada.
– Você não é gente, Jane!
– Você também não, Elisabeth.
E Jane puxando Beth pela mão e a levou para dentro de sua casa, mas especificamente para seu quarto, quarto esse que a ruiva conhecia bem, mas fazia tempo que não entrava, não para transar com sua melhor amiga.
– Sabe o que eu estava pensando?
Já tinha amanhecido. Podiam perceber pela claridade que entrava no quarto, mas nenhuma das duas tinham dormido ainda, tinham passado a madrugada conversando, parte dela, por que na outra parte passaram fazendo sexo, claro.
– O que?
– Eu te falei que vou fazer a prova pra entrar pra academia de policia? – Jane virou para encarar a amiga, por que isso era uma novidade. – Você deveria fazer também Jane, sempre foi seu sonho.
– Sempre foi meu sonho, mas se eu falar ele para minha mãe com toda certeza não vou realizá-lo, por que ela vai me matar antes. Você sabe como ela é com essas coisas... E depois não quero ela se afundando mais em dividas para pagar meus estudos.
– A academia está dando bolsa integral, Jane. E tenho certeza que Angela vai ficar feliz em saber que a filha dela vai ter uma profissão que não seja lavar pratos e tenho certeza que Maura também.
– O que Maura tem a ver com isso?
– Você não vai estragar esse namoro sua imbecil! Hoje você vai conversar com a Maura e falar tudo que ela quer escutar, por que sei que é o que você quer falar, mas não tem coragem. Você vai dizer para Maura que vai estudar em algo que você gosta e que vai ser aqui, em Boston, então ela tem que ficar por aqui, caso contrário não vai rolar montar a família que ela tanto sonha.
– Por que eu faria isso?
– Por que você a ama e eu não vou aguentar seu mau humor caso terminar com ela.
– Você não poderia ter me dito tudo isso antes de transarmos?
– Podia... Mas você me cortou e veio com a história da Cesta Stripper, ai perdi minha linha de raciocínio e depois eu vou ser a madrinha do casamento de vocês duas, vou ajudar na lista dos convidados e vou convidar todas suas ex-peguetes e no meu discurso vou dizer que fui a última a transar com você antes de você casar e que agora nenhuma delas vai ter mais a oportunidade por que você agora só vai transar com uma única mulher pelo resto da sua vida.
Jane fez uma careta e logo em seguida soltou um riso. Tinha encontrado a amiga mais sem noção do mundo inteiro e ela gostava disso, porque mesmo nas situações mais erradas Beth sempre achava uma maneira para consertar tudo e de tudo ficar bem novamente, mas ela não apostava que provavelmente a sua amiga ruiva não poderia consertar nada, que a ideia era boa, se tivesse dado em outras circunstancias, se Maura não tivesse na entrada da porta ouvindo toda a conversa e seus olhos já estivessem completamente marejados e que quando elas iam trocar aquele que talvez fosse o último beijo das suas perceberam a presença da loira e viram que as coisas seriam mais complicadas do que imaginavam.
– Maur...?
– Vocês são inacreditáveis!
Vendo Maura virar as costas de deixar o quarto, Jane só teve tempo de pensar em se enrolar em um lençol e ir atrás dela e Elisabeth veio logo atrás depois que achou uma camiseta que pudesse colocar.
– Maura, espera! – Jane gritou parando uns quatro degraus antes de terminar a escada, Maura já estava com a mão na maçaneta para abrir a porta e ir embora. – Eu posso explicar!
– Explicar o que Jane? – Maura se virou para encarar a morena, as lágrimas escorrendo de seus olhos, mas o olhar emanava fogo, Jane nunca tinha visto nada parecido vindo de Maura em sua vida. – Eu vim aqui conversar com você para que a gente se entendesse, para que você me desse motivos para eu não ir para Oxford, para eu não me arrepender de escolher você a Londres, mas... – Balançou a cabeça em negativo e nem tentou conter as lágrimas que ainda insistiam em cair, estava com raiva, estava decepcionada, estava indignada, estava triste, não ia esconder nada disso. – Você fingindo que apoiava esse tempo todo nosso namoro, mas você estava era dormindo com a minha namorada não é Elisabeth?
– Para de loucura, Maura! Não estávamos transando enquanto vocês namoravam, transamos algumas vezes antes, bem antes de vocês começarem a namorar, mas... – Beth levou um cutucão de Jane e um olhar de repreensão como se a mandasse calar a boca. – Desculpa.
– Eu fui uma idiota.
Maura abriu a porta e deixou a casa fazendo com que Jane descesse os degraus da escada que faltavam e fosse até a porta gritar pelo nome dela fazendo com que assim a loira parasse de andar e voltasse a encarar, ainda com o olhar de fúria.
– Você me avisou, as pessoas me avisaram, mas por algum motivo eu pensei que você podia mudar Jane, mas não, eu preciso aprender que certas pessoas nunca mudam, mas foi ótimo que isso aconteceu, assim fica mais fácil de eu tomar uma decisão.
– Uma decisão que você já tinha tomado? Você só está arrumando como desculpa isso que aconteceu para ir embora sem se sentir culpada, pra dizer que “tentou” fazer esse relacionamento dar certo, mas você nem quer me ouvir.
– NÃO TEM NADA O QUE OUVIR JANE! ACABOU!
– ACABOU? – Soltou um riso irônico. – Tudo bem! Que termine! Pode ir pra Londres também, mas só quero que você saiba que você nunca vai deixar de ser apaixonada por mim e quando você perceber isso eu não vou te querer de volta.
– Eu posso até te amar pelo resto da minha vida, mas eu nunca vou voltar com você Jane, nunca! Por que você não vai mudar e infelizmente eu percebi isso tarde demais.
E sem dizer mais nada Maura virou as costas e foi embora, dessa vez decida a não voltar a olhar Jane por mais que ela gritasse, mas dessa vez a morena não gritou porque sua mãe estava acabando de sair do carro e sem duvida ela tinha presenciado toda aquela cena final.
– Pode me explicar o que está acontecendo aqui Jane?
– Eu acho que você ouviu que Maura acabou de terminar comigo.
– Mas por que Maura... – E antes que pudesse completar a perguntar viu Elisabeth um pouco mais atrás só vestindo uma camiseta e como tinha visto que sua filha estava enrolada só em um lençol entendeu tudo que tinha acabado de acontecer ali. – Eu não acredito que vocês duas fizeram uma coisa dessas.
– Sem sermão agora ta mãe? Eu preciso me trocar e resolver isso com a Maura.
– Mas você acabou de gritar pra vizinhança inteira ouvir que você não se importa.
– É mentira! Eu me importo e não posso perdê-la!
– Então você vai deixar ela esfriar a cabeça e vai conversar com ela amanhã.
– Mas ma...
– Mas nada Jane! Vocês vão ter todo tempo do mundo para se resolver e agora as duas vão colocar uma roupa!
Sem dizer nenhuma palavra Jane e Beth subiram para o quarto.
– Quando eu crescer quero ficar com garotas bonitas que nem a Jane. – Disse Tommy.
– Na cadeia não tem garotas bonitas Tommy, na verdade, não tem garotas nenhuma.
***
Uma semana tinha se passado desde que Maura tinha visto que Jane havia a traído e a morena não tinha conseguido ainda a oportunidade de sentar e conversar com a namorada que estava mais para ex-namorada, mas não por falta de tentativa, porque o que mais Jane tinha feito nessa uma semana foi tentar conversar com Maura, mas a loira não queria vê-la e Constance usava várias desculpas para que Jane não visse a (ex)namorada e isso estava lhe despedaçando, nunca tinha ficado tanto tempo brigada com Maura, tudo bem que nunca tinha feito algo tão estúpido enquanto a namorava, mas mesmo assim, odiava saber que tinha magoado a pessoa que mais amava na vida, isso lhe doía e ela queria consertar isso de alguma forma, então cansada de toda aquela rejeição durante uma semana, ela resolveu ir para a casa de Maura e não teria ninguém que fizesse com que ela saísse de lá sem falar com a loira.
– Eu sei que ela está em casa Constance e eu não vou sair daqui enquanto não falar com ela. – Jane disse assim que Constance abriu a porta e percebeu que a (ex)sogra ia dizer algo assim que a viu.
– Ela não está Jane.
– Não mente! Eu sei que ela está e eu quero falar com ela.
Sem dizer nenhuma palavra Constance abriu espaço para que Jane entrasse, a morena assim que entrou já ia seguir para o andar de cima para ir até o quarto da (ex)namorada, mas foi impedida por Constance que a direcionou até a sala. Por alguns segundos Jane pensou que a (ex)sogra pudesse estar colaborando e que iria deixar com que ela e Maura conversassem, mas ao chegar a sala e não encontrou ninguém viu que talvez não seria assim tão fácil, já estava pronta para virar as costas e subir até o quarto de Maura, mas ficou intrigada quando Constance lhe entregou um envelope, não pensou duas vezes antes de abrir e assim que abriu tirou uma carta de dentro e a carta trazia a letra de Maura.
“Eu queria te agradecer, mas não poderia fazer isso pessoalmente por que eu estou muito chateada e magoada com você e talvez se eu te visse novamente eu não poderia seguir com a minha vida.
Obrigada por ter me dado o melhor ano da minha vida Jane, onde eu pude conhecer uma amiga e o grande amor da minha vida, onde eu pude aprender um pouco de sarcasmo, ironia e ler Contos de Fadas, onde eu pude começar a ter uma relação melhor com os meus pais e até com as pessoas ao meu redor. Obrigada por ter sido tão boa comigo.
Só gostaria de te pedir que você não jogue sua inteligência fora, que você possa fazer alguma coisa de sua vida pela qual você sinta orgulho e que talvez me mostre que eu estava errada em dizer que você não pode mudar, mesmo que talvez nós não nos encontremos nunca mais.
Eu não vou pedir desculpas por ter ido embora, por que esse era o combinado caso nossa relação não desse certo e eu acredito que não deu.
Eu te amo e espero que você esteja errada e que algum dia eu possa deixar de amar a irresistível Jane Rizzoli.”
Ela poderia ter pegado o primeiro voo para Londres. Poderia ter escrito uma carta pedindo desculpas pela estupidez que tinha cometido. Poderia ter feito qualquer coisa que fosse para reparar aquilo e não perder Maura, mas ela já tinha sido abandonada uma vez na vida por alguém que ela a amava e isso a irritava, então ser abandonada pela pessoa que ela mais amou na vida foi de destruir completamente seu coração a ponto de desejar nunca ter descoberto o sentimento que era o amor, sentimento pelo qual ela não ia ousar sentir novamente, porque depois de ter algumas lágrimas sendo derramadas na carta que sua agora oficial ex-namorada tinha lhe escrito, ela não se envolveria com mais ninguém na vida, continuaria sendo a irresistível Jane Rizzoli e que Maura fosse para o inferno.
Notas finais
Até o próximo capítulo =)
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