Rizzoli And Isles - Life As We Know It
10 Capítulo 10 - 3x4
Notas iniciais
Tem umas partes da fic que eu escrevi e eu estava alcoolizada e pensei que estavam sem nexo, mas eu li e ta tudo bom, meu senso critico aprovou, mas diga vocês porque meu senso critico não vale de nada =P
Ah acho que consegui cumprir a promessa de não demorar pra postar dessa vez né? Quantas estrelinhas eu mereço? ^.^
Eu tinha mais coisas para dizer, mas esqueci... Tô hiperativa. Ah e por eu estar hiperativa pode ter passado alguma coisa na revisão, então...
Enfim... Vou deixar vocês lerem =)
Ótima leitura!
Somos seremos humanos e devido a isso somos cheios de imperfeições e por isso estamos propensos a cometer erros, mas cometer erros, por mais graves que eles sejam é uma forma de aprendizagem. É como diz o ditado: “É errando que se aprende”. E um dos maiores passos para aprender com seus erros é aprender a admitir que errou, coisa que não é todo ser humano que sabe fazer, alguns mesmo que não admitam que estão errados vão aprender mesmo assim para não errar novamente, porque para ele, ele sabe que errou, mas não vai admitir para as outras pessoas, mas outros infelizmente além de não admitir o erro ainda vão persistir no mesmo e é aonde entra outro ditado: “Errar uma vez é humano, errar duas vezes é burrice”.
Jane tinha errado há dezessete anos e ela já tinha admitido isso, pelo menos para ela e para seu psicólogo, coisa que por todo esse tempo ela não tinha feito porque sempre culpou a Maura por tudo, um modo mais fácil, primeiro porque ela pensou que nunca mais veria Maura novamente e segundo porque era melhor culpar alguém do que culpar a si mesma, então nada melhor do que culpar alguém que ela pensou que sumiria de sua vida definitivamente.
Era engraçado como as coisas tinham mudado nos últimos dois meses, porque se perguntassem para Jane se ela chegaria a propor uma tentativa de uma segunda chance para Maura assim que a loira voltou para sua vida, ela só faltaria bater na pessoa que tinha perguntado um absurdo daqueles, porque no começo ela estava irritada, ela queria agredir Tommy e Lydia por tamanha loucura de querer que as duas dividissem o mesmo teto, mas com o passar dos dias a raiva foi diminuindo, as coisas foram ficando mais claras em sua mente – maior mérito de seu psicólogo – e ela pode começar a ver com clareza que o que tinha feito há dezessete anos foi um dos piores erros já que pode cometer em sua vida e que ela queria Maura de volta, mesmo não aceitando muito bem e demorar pra admitir que queria a ex-namorada de volta já que ela tinha ficado imensamente confusa quando ouviu a loira dizendo para TJ que ainda era apaixonada por ela (Jane), mas quando tudo clareou de vez em sua mente e ela estava certa de que queria Maura de volta, ela simplesmente foi atrás.
"Eu sou alguém por quem você pode se apaixonar, Maur." E isso foi suficiente para fazer a loira entregar-se a Jane. E mais do que se entregar a ela, estava se entregando aos seus sentimentos, ao amor que por mais que tentasse esconder, ainda sentia. E como sentia. Não era preciso dizer que depois de tantos anos longe uma da outra, ambas estavam morrendo de saudade. Mesmo estando convivendo juntas em baixo do mesmo teto por conta do TJ, conversando, se vendo quase que o tempo todo, elas ainda assim sentem saudade. Uma saudade diferente. Uma saudade que muito mais do que física, era uma saudade de almas. Suas almas sentiam falta de estarem conectadas como se fossem uma só no momento em que elas deixavam seus corpos se entregarem ao prazer e a paixão avassaladora que sentiam. Há quem acredite que fazer amor é o ritual mais sagrado do Universo. Que quando duas pessoas que realmente se amam deixam-se levar e a junção de corpos acontece, é como se os dois corpos se tornassem apenas um, criando uma ligação, um elo entre suas almas que nenhuma força terrena seria capaz de compreender e muito menos separar. E Jane e Maura ainda se amavam, mesmo que não tivessem noção real do tamanho e da intensidade desse amor por causa dos anos de separação e de tudo que se sucedeu.
Maura beijou Jane com paixão, desejo, amor e entrega. Sem intenção de interromper o contato para prolongar uma discussão idiota sobre se elas deveriam ou não tentar de novo. Não que o assunto não fosse importante e que não tivessem mesmo que falar sobre aquilo, mas naquele momento o desejo e o amor que sentiam era maior, e o assunto realmente poderia explicar. Em poucos minutos Jane pegou Maura nos braços, erguendo-a do chão pelas pernas e carregou escadas à cima. Colocou-a no chão e antes mesmo de chegarem ao quarto já estavam quase completamente nuas, deixando suas roupas espalhadas enquanto se beijavam, se agarravam de forma intensa. Jane no meio do caminho, de vez em quando, prensava Maura contra a parede, suas mãos apertando-lhe o quadril, os seios por cima do sutiã, descendo até as coxas na parte interna, provocando, e Maura correspondia puxando os seus cachos, arranhando suas costas, especialmente a região lombar, um dos pontos fracos da morena. Chegaram cambaleando e quase caindo no quarto de tanto que se avançavam como se fossem dois animais famintos brigando, disputando por espaço, por liderança para ver quem comandaria. Mas eram só duas mulheres apaixonadas, entregues à uma paixão que ficou adormecida durante anos, mas que pelo visto estava tão intensa quanto na época que se iniciou, senão mais. Jane se livrou do sutiã de Maura enquanto ainda estavam de pé e apertando os braços ao redor do quadril dela, desceu sua boca distribuindo beijos e mordidas pelo pescoço, passando pelos ombros, a clavícula toda até os seios, onde não esperou para dar atenção especial aos mamilos, chupando-os com certa pressão, arrancando suspiros e gemidos baixinhos da loira, que segurava forte em seus cabelos. Logo Jane caiu sobre a loira na cama e seus beijos seguiram agora mais lentos por toda a barriga até chegar na calcinha. Parou para encará-la e naquele momento não havia dúvidas, incertezas, ressentimentos, absolutamente nada além de desejo e de muito amor nos olhos verdes. Não resistiu e teve que subir para beijá-la com paixão novamente, enquanto suas mãos serpenteavam nas coxas rumo à calcinha, que foi puxando para baixo lentamente... Elas se apertavam com força, os corpos estavam bem colados, juntos. Precisavam tanto daquele contato, daquele calor, das peles como se fossem uma só, dos cheiros se misturando. Se beijavam muito e sem parar, dando rápidos intervalos apenas para recuperarem o fôlego. Sentiam tanta saudade de tudo aquilo, que poderiam perder horas e horas apenas com beijos e carícias leves, mas elas estavam muito quentes e Maura já sentia uma umidade absurda no meio das pernas quando a mão esquerda de Jane encontrou seu interior e tocou-a nos grandes lábios, logo a ponta dos dedos passeando por entre eles, tocando toda sua extensão de maneira bem fácil, por conta da umidade que só aumentava. A loira precisava de mais. Precisava de Jane.
– Oh Jane... Que saudade do seu toque... — Sussurrou com a voz falhada no ouvido da morena, mordiscando sua orelha em seguida de maneira a deixá-la completamente arrepiada. Suas mãos se perdiam no corpo da morena, tocando cada parte o tempo inteiro, subindo e descendo, apertando, arranhando. Agora elas se encontravam nas laterais, seus dedos fazendo uma leve pressão na pele morena, que ficava avermelhada sob seus toques exigentes. — Oh... — Deixou escapar um gemido mais alto quando a morena passou o dedo sobre seu clitóris, mas logo o afastou dali, para desespero de Maura, que a encarou com desejo — Por favor, Jane... Eu preciso de você, preciso te sentir.
A morena sorrio, beijou seus lábios de forma leve enquanto continuava passeando o dedo, até que a encarou de perto e então começou a fazer o que à loira queria. Num ritmo ainda calmo, começou a estimulá-la vagarosamente, movendo o indicador em seu clitóris de forma circular, vendo as expressões no rosto da loira mudarem constantemente e indicarem seu prazer o tempo inteiro, enquanto de seus lábios doces saíam gemidos baixos e um arfar delicioso. Jane ficou ali, concentrada naquela ação, alternando os movimentos e aumentando a velocidade enquanto beijava e dava chupões no pescoço e nos seios da loira, enquanto seus gemidos ficavam mais altos, até a mesma estremecer em baixo dela e se render, chegando ao ápice do prazer. Quando isso aconteceu, imediatamente Jane afundou dois dedos no interior da loira, sentindo todo seu calor, sua umidade e suas contrações por causa do orgasmo. Maura gemeu ainda mais alto e se agarrou na morena, enquanto suas unhas cravavam nas costas dela, fazendo a morena arfar também e fechar os olhos.
– Oooh oh...
A cada minuto que passava o desejo de ambas crescia, os corpos ficavam ainda mais quentes — se é que era possível — dominados por uma saudade misturada com desejo que não tinha como se explicar. Elas só precisavam daquilo. De ficarem ali até suas forças se esvaírem. Até chegarem no limite extremo, até cruzarem às fronteiras de todo e absoluto prazer. Os dedos de Jane eram rápidos e exigentes dentro de Maura enquanto a loira gemia e a arranhava. Logo voltaram a se beijar de forma selvagem e começaram rodar pela cama até que a loira estivesse por cima, no controle, mesmo que fosse Jane quem a comesse desesperadamente, socando seus dedos com toda força que tinha. Maura ficou literalmente sentada sobre eles, suas pernas ao lado do quadril da morena. Apoiou suas mãos no tórax de Jane e a encarava, sedenta de desejo, com seus fios dourados caindo ao lado do rosto de Jane, que olhando Maura daquela maneira, em cima dela, movendo o quadril deliciosamente sobre seus dedos, lhe causava delírios. À noite pelo visto, com certeza seria longa e foi. Maura fez questão de domar a indomável e sedutora Jane, devorando-a com sua boca faminta, degustando do seu mel, sugando todo seu sexo, fazendo-a gemer por muito tempo até gozar em sua boca, com o corpo todo relaxado e coberto de reações químicas que Maura bem conhecia, na teoria e na prática. A cada novo orgasmo de cada uma, porque as carícias não cessavam, elas davam intervalos de poucos minutos para recuperarem o fôlego, mas nesses minutinhos, os beijos sôfregos continuavam e havia muita troca de carinho. Quando paravam os beijos, elas se olhavam e não precisavam dizer nenhuma palavra, ainda que sentissem vontade de fazê-lo. O amor estava ali, e elas sabiam disso. Depois de uma longa noite de amor e desejo, que por um milagre de Deus não foi interrompida, pois TJ misteriosamente dormia feito um anjo sem dar sinal de vida, elas acabaram adormecendo juntas, os corpos cansados e cheios de marcas do amor que tinham feito. Jane adormeceu sobre Maura, exausta e minutos antes de adormecer também, a loira ficou acariciando delicadamente os cachos da morena e a observava dormir, tranquila e serena. Nada era melhor do que ouvir a respiração de Jane enquanto dormia. Nada lhe trazia mais paz.
Por alguns segundos, antes de abrir os olhos Jane pensou que toda noite que tinha vivido não passava de um sonho, mas então caiu em si e um sorriso imenso brotou em seu rosto, se sentia tão feliz que não sabia explicar o tamanho de tal felicidade, se pudesse dizer quando se sentiu feliz assim poderia dizer que foi todo o um ano que passou ao lado de Maura quando elas namoravam na adolescência, cada dia com a loira fazendo seu dia, seu mundo mais feliz e ela queria espalhar essa felicidade para o mundo e dessa vez não era diferente, queria gritar pelos quatro cantos o que sentia, mas antes precisava compartilhar essa felicidade com a única pessoa que estava fazendo com que ela se sentisse assim novamente, então tateou a cama a procura de Maura, mas não encontrou a loira mais ao seu lado, fazendo com que assim ela finalmente abrisse os olhos e voltasse a se questionar se aquilo não tinha realmente passado de um sonho.
– Maur...?
Chamou pela loira com a esperança dela estar no banheiro, mas não ganhou nenhuma resposta. Imaginou que TJ pudesse ter acordado e que Maura estava com ele, levantou da cama, se vestiu só com uma camiseta e saiu do quarto a caminho do quarto do sobrinho, mas lá não encontrou TJ e muito menos Maura, só lhe restava a cozinha e foi para onde Jane se encaminhou e também não encontrou ninguém. A imensa felicidade que Jane estava sentindo há minutos atrás estava começando a desaparecer e dando lugar a um desespero, algo que era desnecessário, elas eram adultas e provavelmente estava errada em pensar que a ex-namorada estava fugindo dela como fugiu quando elas se beijaram a primeira vez ainda na adolescência e para tirar isso a limpo e ver que só era coisa de sua cabeça e que Maura definitivamente tinha mudado essa atitude de fugir quando acha que alguma coisa não está certa ela ligou para o celular da loira.
Um...
Dois...
Três toques...
Caixa postal...
E foi assim nas três vezes que Jane ligou. Talvez estivesse certa, provavelmente Maura não tinha mudado e ainda fugia quando alguma coisa não estava certa.
***
Três ligações de Jane e as três ligações Maura ignorou. Sabia que eventualmente teria que falar com a morena, conversarem sobre o que aconteceu, mas sua cabeça estava a mil. Não passava nem perto de seus planos dormir com Jane, tudo bem que depois que tinha voltado para Boston ela não tinha plano nenhum, a única coisa que sabia de sua vida era que cuidaria de TJ durante um ano e ela odiava isso, odiava não ter o planejamento de sua vida, mas o que ela estava odiando mais ainda era não ter o controle de seu coração, mesmo que fosse só um modo de falar, porque corações não tinham controles e o amor que ela sentia por Jane não estava em seu coração, mas enfim... Não podia negar que a noite tinha sido incrível e que ela tinha sentido uma felicidade imensa em poder sentir Jane novamente, que depois que foi embora, que depois que tinha terminado seu namoro com a detetive e ido para Londres essa foi a noite que ela mais tinha dormido bem. Mesmo que a saudade tivesse adormecida por anos e ela nem sabia que ela ainda possuía, naquela noite pode perceber o quanto sentia falta de dormir nos braços de Jane, como lhe trazia uma calmaria, como lhe trazia uma paz e como ela sonhava em acordar daquele jeito todo dia e assim que ela acordou isso veio a tona e junto veio o medo, porque isso não fazia parte de sua realidade, como não fazia parte do seu passado, ela não podia pensar em dormir todo dia nos braços de Jane, isso não iria acontecer, ela não podia deixar se iludir novamente.
Tinha tido a noite mais maravilhosa de sua vida. Na realidade todas as noites que passava ao lado de Jane eram maravilhosas. Jane que não gostava que Maura pensasse que ela tinha saído de algum Conto de Fadas ou algo do tipo, por que a morena sempre dizia que Conto de Fadas eram perfeitos e ela estava longe de ser perfeita, mas sem duvida alguma Jane sempre lhe proporcionava as melhores noites de sua vida, parecendo que ela realmente tinha acabado de viver um Conto de Fadas.
Maura acordou com um imenso sorriso, ainda mais por ter Jane colada em seu corpo lhe abraçando pela cintura, dormir nos braços da namorada era algo que ela adorava fazer, se sentia segura, como se nenhum mal pudesse lhe afetar enquanto estivesse ali entre os braços de Jane e ela gostava dessa sensação, poderia acordar pelo resto da vida ao lado da Jane, nos braços de Jane que não iria se importar. Gostou mais ainda quando viu que a namorada acordou, apertou ela mais entre seu corpo e lhe deu um beijo no pescoço, não deixou de alargar mais o sorriso e se virar para selar seus lábios com o dela.
– Eu te amo, Jane.
O pequeno sorriso que estava nos lábios da morena desapareceu após ouvir aquilo saindo da boca de Maura. Sem duvidas ela não esperava por aquilo e Maura percebendo a expressão de Jane pensou que tinha falado aquilo cedo demais, mesmo ela tendo a certeza que já tinha guardado o suficiente para ela e precisava dizer isso para Jane, que já era tempo, mas vendo a expressão da morena começou a desejar que existisse alguma forma de voltar ao tempo para ela não ter dito tais palavras.
Jane levantou da cama perplexa, ainda assimilava o que tinha acabado de ouvir. Maura pensou que ia ser chutada do quarto, tentou pensar em alguma coisa para dizer, mas não encontrava uma frase certa, algo que ponderasse o que quer que Jane viesse a dizer a seguir.
– Maura... – Jane balançou a cabeça em negativo. – Você não sabe onde você está se metendo.
A loira respirou aliviada depois de ouvir aquilo. Não tinha se precipitado ao dizer, era Jane que ainda não estava preparada para ouvir, como não estava preparada para ouvir várias coisas que Maura já havia dito, como ela dizia que não estava preparada para seguir com aquele relacionamento, como ela não estava preparada para diversas coisas. Abriu um sorriso, levantou-se de cama e se aproximou da namorada.
– Jane...
– Não Maura é sério... Você não pode sair por ai dizendo que me ama, por que...
– Por que...?
– Por que... – Respirou fundo. – Por que isso ta tudo errado! Eu sou toda errada e eu vou acabar te magoando e você sabe disso.
– Já falei que você não vai me magoar, caso contrário, do jeito que você sempre fala, você já teria feito, porque você pensa que eu não vejo todas essas garotas com raiva e querendo destruir nossa namoro, garotas que você costumava se interessar.
– Exatamente! Costumava... Não costumo mais porque agora eu tenho você e eu não tenho vontade de ficar com mais nenhuma garota que não seja você, porque você é diferente de todas as garotas que eu conheci, você me faz sentir coisas diferentes, coisas que eu nunca senti por ninguém e isso me assusta, porque eu não quero te perder e também porque eu acho que você não é para mim, que você precisa de alguém melhor e...
E Jane não completou porque Maura a calou com um beijo, o que parecia que já estava virando rotina na relação das duas, mas não era uma rotina que elas precisavam se preocupar, não era algo que iria desgastar o relacionamento das duas, pelo contrário, elas adoravam.
– Você não vai me perder e eu não preciso de ninguém melhor, por que eu tenho você. Eu te amo e vou dizer quantas vezes forem preciso para você se acostumar e parar de fazer essa cara como se tivesse ouvido uma notícia ruim.
– Eu não fiz cara de quem tinha acabado de ouvir uma notícia ruim.
– Fez sim.
Assim como Jane não estava preparada para ouvir certas coisas, ela também não estava preparada para dizer certas coisas, mas Maura não se importava com isso, sabia que cada um tinha sua hora e mesmo que Jane não falasse ela demonstrava, então o pequeno sorriso que ela abriu e o beijo que deu em Maura como se pedisse desculpas por parecer tão idiota por não conseguir nem ouvir um “eu te amo” foi o “eu também te amo”.
***
Sem notícias de Maura e já conformada de que a ex-namorada estava fugindo dela só restou para Jane ir para sua consulta semanal com o psicólogo e pelo jeito uma hora seria pouca por tudo que ela tinha a dizer, porque ela estava com sentimentos bipolares sobre toda a situação, ela estava feliz por ter passado a noite com Maura, mas estava chateada e com um pouco de raiva dela continuar tendo o mesmo comportamento de quando elas eram adolescentes.
Entrou na sala do psicólogo e diferente das outras sessões em que ela simplesmente se sentava de qualquer jeito no sofá, Jane se esparramou no sofá dessa vez, chamando a atenção de Gavin.
– Você sabe... Eu sou mulher, mas eu não entendo as mulheres, aliás, na realidade eu entendo, mas eu não entendo na Maura. – Fez uma pausa como se refletisse em algo. – Não, eu entendo a Maura também, ela tem medo, porque eu fui uma estúpida no passado, eu a magoei e provavelmente ela tenha medo de me dar uma segunda chance já que ela pensa que eu não mudei, mas eu mudei certo? – O doutor nada respondeu, só continuou olhando para Jane. – Mas eu mudei CERTO?
– Me diz você... Você mudou?
– Claro que eu mudei! – Fez uma careta como se dissesse que aquela afirmação era óbvia, mas logo fez uma nova pausa para uma nova reflexão. – Quero dizer... Eu posso aparentar ser aquela galinha que eu era no passado quando Maura se apaixonou por mim, mas agora eu tenho um emprego, sou mais responsável e também se Maura me desse uma segunda chance eu jamais jogaria ela fora, eu não sairia dormindo com a minha melhor amiga só porque eu estou com raiva dela, eu não sou mais aquela adolescente que pensava que tudo era lindo, maravilhoso e que eu podia fazer o que eu bem entendesse. Eu cresci, mesmo que eu ainda faça o que eu bem entenda e que metade de Boston me odeie, mas se Maura me desse uma segunda chance e algum dia a gente brigasse e eu ficasse com raiva dela eu não iria traí-la, por que eu não quero perdê-la de novo. Então sim, claro que eu mudei.
– Certo. – Gavin deu uma pequena balançada de cabeça. – Diga isso para ela, não diga isso para mim.
– É só isso que você tem a me dizer? – O doutor fez um afirmativo com a cabeça. – Por que diabos eu venho aqui ainda então?
– Por que você espancou o assassino do seu irmão e sua cunhada quase até a morte?
– E eu ainda estou esperando minha liberação.
– É só você me responder com sinceridade a pergunta que eu faço em toda sessão.
– Eu já respondi o inferno dessa pergunta milhares de vezes e mesmo assim você não me libera.
– Por que você não me responde com sinceridade.
– Por que quando eu te respondo com sinceridade como eu me sinto por ter batido naquele infeliz da na mesma de eu responder qualquer coisa, porque você não me libera do mesmo jeito! – Jane sentou no sofá irritada. Tinha que resolver sua situação com a Maura e também tinha que resolver sua situação com a liberação, estava difícil. – Você acha que se eu for sincera com a Maura como eu fui com você ela me da uma segunda chance?
Gavin só a olhou com a expressão que ela conhecia bem: Só ela sendo sincera para saber.
***
Maura tinha passado a manhã inteira com TJ no parque, mesmo que sua cabeça estivesse prestes a explodir devido a confusão que ela não conseguia achar uma solução, ela adorava passar um tempo no parque com o bebê, na verdade ela gostava de passar o tempo em qualquer lugar com ele, TJ tinha virado parte essencial de sua vida em tão pouco tempo, coisa que Maura deveria se preocupar, porque toda essa convivência acabaria em um ano, mas ela não pensava nisso, a companhia do menino, mesmo que ele não falasse e só sorrisse sempre que ela falava de seus problemas para ele, era sua felicidade, felicidade essa que só conseguia sentir quando estava com Jane e claro que Jane sempre tinha que voltar em seus pensamentos.
Cansada de brigar com seus pensamentos sozinha, depois do almoço – que foi feito em um restaurante longe de casa porque ela não podia correr o risco de esbarrar com Jane – Maura foi até a casa de sua mãe, precisava de alguém para conversar, mesmo sabendo que provavelmente seria um grande erro.
– Eu e a Jane fizemos sexo!
Constance que já estava inclinada para pegar TJ do carrinho paralisou por alguns segundos, não recebeu nem um “boa tarde” e Maura já vem dizendo essas coisas?
– Você não deveria dizer esse tipo de coisas perto do TJ. – Constance disse depois de recuperada e pegou TJ do carrinho dando um beijo na testa do bebê. – E qual o problema?
– Qual o problema? – Maura ergueu uma sobrancelha. Duvida que seus ouvidos pudessem ter ouvido realmente essa pergunta. – Não foi você que marcou um almoço dizendo que não queria que eu saísse magoada de novo?
– Foi. Mas eu liguei para Angela depois do almoço e percebi que talvez as coisas possam ser diferentes.
– Por isso que você e Angela tiveram a ideia de eu e Jane sairmos em um encontro? – Constance fez uma expressão de falso espanto com a acusação e ia abrir a boca para se defender, mas Maura foi mais rápida e a interrompeu. – E não venha dizer que não foi armado porque eu sei que foi. Você deve até ter feito as reservas no restaurante francês que a Jane me levou.
– Jane te levou para jantar em um restaurante francês? – Maura fez um afirmativo com a cabeça um tanto quanto receosa, sua mãe parecia surpresa ao ouvir aquilo. – Eu e Angela podemos ter até dado a ideia de Jane te levar para jantar, mas não falamos restaurante nenhum e eu estou realmente surpresa por ela ter te levado a um restaurante bom, pensei que ela fosse te levar a um bar onde todas as mulheres com quem ela já ficou frequentasse, já que ela só sabia fazer isso quando vocês namoravam antes.
Não que desconfiasse da história de Jane do restaurante francês ter sido a lanchonete que elas frequentavam quando eram adolescentes, mas depois da noite anterior passou a ter suas duvidas, passou a juntar todas as peças e entender que aquele jantar tinha sido armado por sua mãe e Angela, mas ficou feliz por saber que o lugar tinha vindo mesmo por Jane e que ela não tinha sido levada a um bar qualquer.
– Por que você não conversa com ela Maura? Está óbvio que vocês duas se amam.
– Amor nunca foi o problema na nossa relação mãe.
– O problema era Jane não pensar no futuro e acredito que já foi resolvido já que agora ela é detetive da Homicídios de Boston.
– Só esse era o problema? – Maura perguntou indignada. Parecia que sua mãe mal estava prestando atenção na conversa, o que era verdade, já que ela estava mais ocupada dando atenção para TJ que era seu novo encanto. Constance deu de ombros e voltou a brincar com o menino. – E a parte que ela me traiu com a melhor amiga dela?
– Não ouvi essa melhor amiga ser citada nenhuma vez agora no presente. – Constance que falava tudo sem tirar a atenção de TJ resolveu olhar para Maura. – Filha você precisa parar de fugir, você precisa conversar com Jane, falar tudo que está sentindo e espera da relação caso vocês voltem. Ter a conversa que vocês não tiveram em dezessete anos e se resolverem, porque eu estou amando essa história de ser avó.
– Qual a parte do TJ não é meu filho e consequentemente ele não é seu neto que você não entendeu?
Constance não deu atenção para a pergunta final da filha, pois já tinha voltado a dar toda sua atenção para o bebê que ela já tratava como seu neto. Algo que fez com que Maura ficasse mais pensativa ainda sobre sua relação ou o mais certo a dizer, a relação que ela pudesse vir a ter com Jane, mas dessa vez conseguindo chegar a uma conclusão.
Depois de passar a tarde inteira na casa de sua mãe, não por vontade própria, mas sim por que Constance não deixou com que ela fosse embora por que não queria largar TJ e ainda ficou dando vários palpites para a criação do menino, como ele seria um grande Isles e sempre ignorando o fato de Maura dizer que ele não era seu filho e nem neto de Constance, ela finalmente chegou em casa.
– Jane?
Chamou pelo nome da morena, mas não obteve resposta. Provavelmente Jane estava a ignorando por ela ter ignorado a ex-namorada o dia inteiro. Empurrando o carrinho de TJ se encaminhou até a cozinha onde pensou que Jane poderia estar, não a encontrou, mas encontrou um bilhete grudado na geladeira.
“Espero que não ignore esse bilhete como você está ignorando todas minhas ligações e mensagens.
Eu estou no Dirty Robber, um bar que fica a uma quadra do Departamento. Será que você podia vir me encontrar? Só para a gente conversar... Eu quero saber sobre minha segunda chance, se é que eu tenho uma segunda chance.
Eu vou ficar te esperando.”
Maura soltou um longo suspiro e mesmo que não tivesse perguntado o que teria que fazer teve uma Jo Friday – que ela não tinha percebido que estava em sua frente, balançando o rabo toda animada como se soubesse todo o conteúdo da carta – latindo como se dissesse o que ela teria que fazer, olhou para o lado e encontrou TJ sorrindo como se também falasse o que ela teria que fazer. Não poderia ignorar Jane pelo resto da vida.
***
Jane estava no balcão do bar. Estava esperançosa de que a qualquer momento Maura passaria pela porta daquele bar e elas conversariam, caso claro ela tivesse ido para casa e lido seu bilhete, senão não ia adiantar muita coisa. Teve sua cerveja servida e como mania de quando estava sozinha no bar ou quando estava esperando alguém se virou para passar o olho no lugar que estava com o movimento regular. Ia tomar um gole de sua cerveja enquanto ainda olhava em volta do bar, mas sua atenção paralisou em uma ruiva que estava sentada em algumas mesas logo a frente, estava tão distraída mexendo no celular que provavelmente se alguém sentasse na mesa ou pegasse todas as cadeiras da mesa, menos a dela, ela nem perceberia. Abriu um sorriso porque tinha certeza que não estava vendo coisas, nunca iria confundir aquela ruiva independente de quantos anos se passassem. Carregando sua garrafa de cerveja ela se encaminhou até a mesa em que a ruiva estava sentada e parou ao lado dela.
– Espero que você esteja concentrada nesse celular porque está me mandando uma mensagem dizendo que está de volta a Boston e que quer me ver.
Mesmo sem tirar a atenção do celular conhecia muito bem a dona daquela voz rouca e não deixou de abrir um discreto sorriso.
– Não... Na realidade eu estou jogando Pou mesmo. — Dito isso a ruiva se levantou já com um largo sorriso e abraçou Jane. – Pararam de te alimentar Rizzoli? Está mais vara pau do que eu me lembro. – A ruiva comentou após o abraço ser desfeito arrancando uma risada de Jane.
– Quando você vai deixar de ter inveja do meu metabolismo hem Elisabeth Miller?
– Inveja do seu metabolismo? – Soltou uma gargalhada. – Isso já passou do metabolismo faz tempo Jane, isso se chama bulimia, já que você não ia servir para ser anoréxica porque come mais que a boca, pelo menos comia da última vez que eu te vi.
– Não se preocupe, ainda podemos competir pra ver quem come mais pedaços de pizza.
Tanto Jane quanto Beth estavam bestas com o reencontro. Desde que passaram a não ter mais contato elas sempre pensavam no momento que se veriam novamente, mas tinham medo de que as coisas tivessem mudado, que elas tivessem mudado e que não servissem nem para tomar uma cerveja juntas, mas depois só dessas poucas palavras trocadas souberam que podiam passar um ou vinte anos sem se verem a relação de amizade das duas continuaria intacta.
– Se eu me lembro bem você disse que estava deixando Boston porque precisava de novos ares... – Jane se sentou a mesa acompanhada de Beth e tomou um gole de sua cerveja. – Achou esses ares ou voltou pra Boston por que dez anos foi o tempo que você pode suportar longe de mim?
– Se enxergue Jane! Eu estava muito feliz só com as mensagens de feliz aniversário, feliz dia do amigo, feliz Natal e feliz ano novo, sendo que a mensagem de feliz dia do amigo eu sempre achei desnecessária. Se não fosse isso talvez eu nem lembrasse de sua existência.
– Claro! Por que era sempre eu que mandava todas as mensagens meia noite em ponto, não é verdade? – Beth fez uma careta como se falasse que era desnecessário ela dizer aquilo. – Mas me diga... Por onde você esteve esses dez anos?
– Nova York.
– Você só pode ta brincando comigo! – Jane disse tentando parecer aborrecida, mas não conseguiu conter o riso. – Você saiu de Boston pra ir pra Nova York? Esse tempo todo você estava em Nova York?
– Claro que não sua ridícula! Nova York foi um dos lugares que eu passei. Sempre li que aconteciam casos maravilhosos para se resolver lá e que também tinham ótimas pessoas que provavelmente não me conheciam e que não me dariam um tapa na cara caso eu as encontrasse na rua.
– Nem me fale desses tapas na cara. – Uma Elisabeth com um olhar curioso a encarava como se quisesse a continuação da história, mas Jane só tomou um gole de sua cerveja e resolveu não prolongar o assunto. – Mas continue. Tirando querer novos ares você também disse que...
– Eu não queria ser uma Jane Rizzoli. – Beth a interrompeu completando a frase fazendo com que Jane fizesse careta. – Nova York foi minha primeira parada. Trabalhei na Policia de Nova York. Sabe a Kate Beckett? – Jane mesmo com receio fez um negativo com a cabeça, aquele nome não lhe era estranho. – Nikki Heat. Aquela dos livros do Richard Castle.
– Espera! Eu sei quem é! Você está me dizendo que trabalhou com a Beckett? – Beth fez um afirmativo com a cabeça abrindo um sorriso de orelha a orelha. – Você não...
– Claro que não! Ela é gostosa, eu casaria com ela se ela quisesse, mas ela infelizmente gosta de homens, então eu fiquei com o Castle.
– Você ficou com o Castle? – Jane estava incrédula. Não era possível uma coisa daquelas. Ainda com o sorriso aberto mostrando orgulho pelo que contava Beth fez um afirmativo com a cabeça. – VOCÊ ficou com o Castle?
– Tudo bem. Na verdade foi só um beijo no elevador, então eu percebi que estava em um triângulo amoroso, porque o Castle era apaixonado pela Beckett e a Beckett era apaixonada pelo Castle.
– Se o Castle era apaixonado pela Beckett e a Beckett apaixonada pelo Castle... Onde que está o triângulo amoroso nisso? Pelo que eu saiba você estava sobrando.
– Olha... A história é minha e se eu estou falando que éramos um triângulo amoroso é porque éramos. Quando for sua vez de contar a sua história você pode contar ela como realmente aconteceu, eu não ligo, mas não queira se meter na minha. – Jane balançou a cabeça rindo. Como sentia falta de Beth e de toda essa loucura. – O que importa é que eu juntei os dois e há boatos de que eles vão casar, então está tudo bem. De Nova York eu fui para Washington, FBI me chamou para trabalhar com eles depois de um caso que resolvi em Nova York e como eu estava sobrando mesmo na relação Caskett eu decidi aceitar.
– Você aceitou um emprego no FBI? – Dali para o final da conversa Jane iria mudar o nome da incredulidade para Elisabeth Miller, por que estava difícil de acreditar. Beth fez um afirmativo com a cabeça. – Mas você odiava o FBI.
– Eu ainda odeio. São tudo um bando de gente burra que se acham os donos dos Estados Unidos, não tenho paciência. Tudo bem que a fase em que eu estava em experiência eu trabalhei com pessoas legais, não sei como trabalhavam para o FBI. Você já deve ter ouvido falar do Seeley Booth, não? – Jane fez um afirmativo com a cabeça, não ousaria dizer nenhuma palavra porque era muita informação para processar. – Ótima pessoa para trabalhar e provavelmente para se ter uma família, mas nem tentei, não queria me envolver em outro triângulo amoroso. Não querendo mexer na sua ferida nem nada, mas a Maura que ia gostar de ter trabalhado lá com o FBI, ainda mais com a Brennan, porque a boca de Google dele era inacreditável, eu ficava imaginando ela e Maura conversando e dava legue na minha cabeça, sem condições.
– Brennan... De Temperence Brennan? A Antropóloga Forense que também escreve livros? – Beth fez um afirmativo com a cabeça tranquilamente como se aquilo não fosse grande coisa. – Meu Deus!
– Então eu vi que o FBI não era pra mim, que eu odiava aquele povo, nem passei da fase de experiência e fui para Los Angeles trabalhar no departamento de lá. E eu casei.
Dessa vez Jane cuspiu a cerveja que estava tomando, porque de tudo que Elisabeth tinha contado até agora não chegava nem perto do surreal que era ouvir que ela tinha casado. Elisabeth Miller tinha se casado.
– Quem foi a doida que quis casar com você?
Foi a única coisa que Jane conseguiu perguntar. Ainda estava perplexa, essa era uma informação que ela demoraria séculos para processar.
– Não é doida! – Respondeu ofendida com a pergunta de Jane. – Casei com um advogado lá do departamento.
– Advogado? Homem? Você casou com um homem?
Não seria de se surpreender caso Jane caísse dura ali no chão por falha de seu coração.
– Warren Daniels. – Entregou o celular para Jane onde mostrava uma foto dos dois no dia do casamento no civil. – Melhor marido do mundo.
– Tem quanto tempo que vocês estão casados? Um mês?
– Não... Cinco anos.
O celular de Elisabeth que estava na mão de Jane despencou em cima da mesa e uma Jane com a boca literalmente aberta a encarava perplexa.
– Você está casada com um homem há cinco anos? Quem é você e o que você fez com a Beth?
– Eu disse que eu não ia ser uma Jane Rizzoli. Warren é maravilhoso. Ele é romântico, engraçado, carinhoso, protetor, ótimo cozinheiro, era alguém que eu estava realmente procurando para passar o resto da minha vida ao lado, montar uma família. Conversamos até sobre ter filhos.
Depois de tudo isso que Jane tinha ouvido ela não sabia muito bem como ainda estava viva, se é que estava viva, provavelmente tinha morrido e nem percebeu, porque era muita informação em tão pouco tempo, preparar as pessoas antes para falar essas coisas seria o ideal para não dar problemas, mas com Beth era tudo de supetão.
– Elisabeth Miller... Eu... Talvez não tenha sido uma má ideia você ir atrás de novos ares. Eu pensei que nunca ia viver para ouvir uma coisa dessas. Estou orgulhosa de você. Seu marido veio com você?
– Não... – Disse fazendo uma expressão como se falasse que era um absurdo ele ter ido a Boston com ela. – E Warren não é mais meu marido, nós nos divorciamos tem um mês, eu traí ele com a secretária, então...
– Você... Você traiu o seu marido com a secretária dele? – Beth fez um afirmativo com a cabeça e tomou um gole de sua cerveja. – Essa sim é a Elisabeth Miller que eu conheci. Já estava começando a ficar preocupada.
– Eu tentei ser gente Jane. Tentei não ser uma você, aquela que nunca ia casar e ter uma família e Warren era o homem perfeito, mas ele era tão perfeito que era até pecado eu ficar casada com ele, esses cinco anos foram legais, foi um ótimo casamento, mas sei lá... – Deu de ombros. – Mas chega de contar minhas histórias awesome, quero saber o maior acontecimento da vida de Jane Rizzoli enquanto eu estive fora. Aliás... Sinto muito, eu soube do Tommy e como nosso acordo de manter a amizade por mensagem não incluía mandar mensagens de “meus pêsames” eu deixe para dar pessoalmente... Sinto muito Jane.
– Está tudo bem. Estou suspensa por que quase matei o assassino de tanto espancá-lo, mas está tudo bem. – Beth mandou um meio sorriso para a amiga, sabia que não estava tudo bem, mas também que não estava tão ruim assim como sabia que deveria estar nas primeiras semanas. – E o maior acontecimento na minha vida foi que Tommy e Lydia, a esposa do Tommy, deixou a guarda do TJ comigo.
– Você está cuidando de uma criança? – Jane fez um afirmativo com a cabeça. – Cuidando mesmo? Ela está morando com você? Você troca fraldas, da mamadeira, coloca pra dormir, essas coisas que mães fazem?
– Não faço tudo sozinha... A guarda na realidade é compartilha.
– Ah bom. – Beth fingiu um suspiro de alivio. – Essa Lydia deveria ser a parte inteligente da relação não é? Por que ninguém seria doido de deixar você com a guarda de uma criança sozinha. Frankie ou Angela é a outra pessoa?
– Na realidade é a Maura.
– Maura? A sua Maura? A boca de Google Maura? Aquela que foi embora pra Londres por que você a traiu comigo? Aquela Maura? – Agora era a vez de Beth ficar perplexa. Jane só fez um afirmativo com a cabeça. – Desde quando Maura voltou e desde quando vocês estão juntas de novo?
– Não estamos juntas. Quero dizer...
Jane contou toda a história para Beth. Desde a morte de Tommy e Lydia até os dias atuais onde ela estava cuidando de TJ junto com Maura e claro não deixou de mencionar a noite passada e o motivo dela ter ido ao bar naquele começo de noite. Óbvio que a amiga não deixou de gargalhar em certas partes da história, se surpreender em outras partes e também em dar seus conselhos que Jane tinha sentido tanta falta nesses últimos dois meses, mais falta do que tinha sentido nos últimos dez anos.
Da história da Jane passaram por outros tantos diversos assuntos, que vieram seguidos de mais algumas cervejas, risadas, muito diversão como estavam acostumadas a ter sempre. Sem duvidas poderia passar o tempo que fosse elas continuarem sendo aquelas amigas da escola, poderiam ter algumas mudanças pessoais, mas na amizade era a mesma coisa, conseguiam rir das mesmas coisas ou rir de coisas novas com a mesma proporção. Quando perceberam já estava tarde e Maura não havia aparecido, porque mesmo que elas estivem conversando e se divertindo, elas não esqueciam que Jane estava ali para se resolver com a Maura e sempre se pegavam olhando para a entrada para ver se ela aparecia, mas ela infelizmente não apareceu.
– Sinto muito pela Maura não ter aparecido. – Beth disse sinceramente ganhando um meio sorriso de Jane em agradecimento. As duas já estavam do lado de fora do bar, prontas para irem embora – Mas isso não significa que vocês não possam conversar e se acertarem.
– Quem sabe. – Ergueu os ombros. Estava chateada. – Você está morando onde? Quero levar o TJ pra você conhecer.
– Na verdade eu não estou morando em nenhum lugar, vou atrás de qualquer hotel para eu dormir e depois eu resolvo onde vou morar.
– Nem sonhando você vai dormir em um hotel. – Jane pegou seu molho de chaves, tirou a chave de seu apartamento dele e estendeu para Beth. – Pode ficar no meu apartamento, não estou usando ele mesmo.
– Você ainda mora naquele apartamento? A vigilância sanitária não foi fechar aquele horror ainda não?
– Não... Mas fechou o apartamento do lado, sabe aquele que você costumava morar? – Beth fez uma careta e pegou a chave da mão de Jane. – Pode ficar o quanto você quiser, não vou voltar para ele tão cedo mesmo.
– Ainda pode levar mulheres para lá? Cansei dos homens depois de ficar cinco anos casada com um.
Jane soltou um riso e puxou Beth para um abraço. Seria ótimo tê-la de volta.
***
Chegou em casa já se passava das 22 horas, as luzes do andar de baixo todas apagadas, se Maura tinha voltado para casa sem duvidas já deveria estar trancada no quarto só para poder continuar a evitando. Foi até o andar de cima e encontrou a porta do quarto de TJ aberta, a luz do abajur acesa e parou na entrada do quarto onde viu Maura sentada em uma poltrona que tinha próxima ao berço fazendo com que o bebê dormisse, na realidade ele já dormia, mas ele permanecia no colo dela.
– Ei... – Jane disse fazendo com que Maura percebesse sua presença. – Maur, eu...
– Me desculpa Jane, mas eu não posso. – Maura se levantou da poltrona e levou TJ até o berço. – Eu não posso deixar você me magoar de novo.
– Mas eu não vou Maura. Eu fui uma idiota, eu fui uma imbecil no passado, eu realmente não te merecia, mas eu aprendi, eu não vou te machucar de novo, eu mudei, eu juro.
Maura que ainda estava de costas para Jane olhando TJ no berço se virou e quando isso aconteceu Jane pode ver os olhos da loira já transbordando em lágrimas.
– Maur...
– Não Jane! Você não mudou. Você pode ter arrumado um trabalho que você goste, pode ter aceitado a responsabilidade de cuidar do seu sobrinho, mas eu não acredito que você realmente mudou em questão de relacionamento e que dessa vez podemos ficar juntas.
– Tudo bem. – Soltou um suspiro. Era algo que Maura já imaginava, sem duvidas ia acordar com uma adolescente tomando seu suco de laranja na manhã seguindo, por que a Jane Rizzoli que ela conhecia não gostava muito de ser rejeitada. – Eu vou provar para você que eu mudei, vou provar que eu não vou te magoar, vou provar que aquela Jane Rizzoli que vivia dizendo que você era louca por me amar não existe mais.
Sem dizer uma palavra Maura só olhou para Jane por alguns segundos, estava surpresa, pensou que a morena ia sair dali brava e que ela estaria certa sobre tudo, mas por aquilo ela não esperava, mas mesmo assim não mudou o que ela ainda achava. Passou por Jane saindo do quarto e se encaminhou até o seu, abriu a porta e antes de entrar simplesmente disse:
– Eu queria poder acreditar nisso, mas... – Abriu um meio sorriso triste. – Boa noite Jane.
Se ela fosse a Jane Rizzoli antiga com toda certeza voltaria para o bar e ficaria com a primeira garota/mulher que encontrasse, mas desde que tinha finalmente aceitado que queria Maura de volta em sua vida ela não era mais desse jeito e entendia Maura não acreditar em uma palavra do que ela dizia, pois ela tinha sido a pessoa que tinha machucado o coração da loira quando Maura acreditou que ela não o faria, a única coisa que lhe restava era cumprir sua palavra e provar para Maura que ela tinha realmente mudado.
Notas finais
Beth is back ♥ E capítulo que vem tem personagem novo... Keep Calm and observem.
Até o próximo capítulo =)
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