Notas iniciais
Olar! E chegamos ao penúltimo capítulo. Espero que gostem! Ótima leitura!

De: Lydia e Tommy, mas só eu, Lydia, vou falar porque Tommy não consegue levar essa carta a sério e já sujou três vezes de ketchup e suco o papel, então mandei ele assistir a algum jogo com o TJ e me deixar escrever isso aqui em capaz.

Para: Jane e Maura

– Ian? Doutor Harris? – disse Maura surpresa assim que abriu a porta e viu os dois lá parados. – O que vocês estão fazendo aqui? – abriu passagem. – Entrem!

– Obrigada, Maura, mas essa passagem é rápida. Estou indo para o aeroporto. Vou voltar para Londres.

– Mas já?

– Já? Acho que já criei problemas demais para poucos dias. – os dois soltaram um riso. – Eu só vim te entregar isso. – entregou uma pasta para Maura. – Você está livre de mim. Espero que a Jane te faça muito feliz.

Maura rapidamente folheou os documentos que tinha dentro da pasta e viu que eram os papeis do divórcio devidamente assinados e já processados.

– Muito obrigada. – A loira agradeceu com um pequeno sorriso.

– Harris é um grande conhecido meu, então conseguiu agilizar isso antes de eu ir embora.

– E eu vim te trazer isso. – Harris também entregou uma pasta para Maura. – Esses são os documentos oficiais da guarda do TJ. Ele é seu filho com a Jane agora. Queria entregar antes de voar para Roma, tenho negócios a tratar lá.

– Muito obrigada, doutor. – respondeu com um largo sorriso. – Obrigada mesmo.

– Sempre que precisar.

Ian só ia mandar um acenar de cabeça em forma de despedida, mas Maura o puxou para um abraço. Não ia ser ingrata. O médico sempre foi uma excelente pessoa com ela e também no pouco tempo que ficaram casados foi um ótimo amigo, não tinha motivos para destratá-lo.

– Boa viagem e se cuida.

– Pode deixar. – Ian deu um beijo na bochecha dela. – Tchau.

– Tchau.

Maura esperou que tanto Ian quando Harris entrassem no táxi e voltou para dentro da casa. Foi até a sala onde TJ se encontrava brincando. Depois de tudo que havia acontecido nos últimos dias, poucos eram os momentos que ela desgrudava do menino, e como Jane estava ausente nesses últimos dias também, não queria descuidar do filho.

A loira sentou no sofá e começou a folhear a pasta de documentos que Harris havia lhe dado quando encontrou uma carta endereçada a ela e Jane. Não pensou duas vezes antes de abri-la. Tirando o testamento de um ano atrás, não tinha mais nada envolvendo todo esse processo da guarda de TJ.

Eu não tenho planos de morrer.

Não agora.

Não que eu queira viver para sempre. Quando falam em viver para sempre eu lembro do Superman e em como deve ser chato viver para sempre, ainda mais com seu amor verdadeiro sendo a Lois. Perdê-la porque ela não é imortal também, isso sim deve ser uma morte horrível.

Obvio que a morte é inevitável, mas o máximo que eu puder evitá-la, eu farei.

As lágrimas não deixaram de escorrer do rosto de Maura ao ler cada palavra daquela carta. Naquele momento ela percebeu o quanto sentia falta da amiga e em como nunca pôde se despedir dela. Que todas suas desculpas para não voltar logo a Boston fizeram com que ela não pudesse dar uma última risada com Lydia.

Quero ver o TJ crescer. Ensinar a ele o certo e o errado. A jogar videogame e comer o tanto de besteira que ele conseguir em um fim de semana, mesmo que isso faça com que ele pare no hospital, mas só assim para as crianças saberem que comer porcaria demais faz mal. Pelo menos foi assim que minha mãe me ensinou.

– Mamã...

Maura se dispersou da sua leitura porque TJ estava em pé de seu lado lhe entregando algo. Não somente entregando, como parecia que estava dizendo suas primeiras palavras entendíveis.

– Mamã...

– Mamã? – Ela perguntou, radiante, pegando a coleira de Jo Friday, já que esse era o objetivo que ele lhe entregava. – Quem é sua mamã?

– Ce... – o garoto deu uma risada. – Mamã. – ergueu os bracinhos para que Maura o pegasse.

– Eu sou sua mamãe? – o menino fez um positivo com a cabeça, cheio de sorrisos. – Eu sou sua mamãe. – deu um beijo na cabeça dele. Lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto. Era muita informação para poucos dias. – Eu sou sua mamãe.

Só que vocês sabem em como eu acredito no universo e em como as coisas podem não ser como queremos. Meu desejo é poder cuidar do meu filho, criá-lo, vê-lo crescer, escolher uma profissão, casar, ter filhos, ser um homem do bem, mas caso isso não se torne possível por causa do universo, eu sei que vocês duas vão dar conta disso, juntas. Caso contrário, prefiro que meu filho seja adotado por estranhos.

“Nossa Lydia, como você só fala besteira!”. Besteira nada, a realidade.

Se vocês duas não conseguem deixar as diferenças de lado e cuidar de uma criança que eu tenho certeza que é um dos grandes amores da vida de vocês, como é da minha, ele não merece ser criado por vocês.

Algo que Maura percebeu devido a carta também, foi que fazia tempo, mais muito tempo mesmo que não ia até o cemitério visitar a Lydia. Pelo que se lembrava a primeira e única vez que tinha ido lá foi para agradecer por ter confiado seu filho a ela e agradecer por ter dado um jeito, mesmo depois de morta, juntar ela com a Jane. Não achava mais estranho conversar com um túmulo, não depois que o fez e depois de tudo que aconteceu estava devendo uma visita a amiga, tinha tantas outras coisas para contar, tinha desculpas para pedir e não sabia ao certo se ainda tinha que agradecer sobre o seu relacionamento com a Jane, mas estava devendo isso a ela, mesmo que depois dos últimos dias falar de túmulo e cemitério estava sendo um assunto delicado por causa de Elisabeth.

Eu sei que eu não vou morrer. Pelo menos espero que não. Mas se acontecesse alguma coisa comigo e com o Tommy queria ver vocês durante um ano, cuidando juntas do meu filho, morando na mesma casa, fazendo todos os afazeres que pais costumam fazer. Sabem por quê? Por que vocês iam lembrar o motivo de uma ter se apaixonado pela outra e iriam compreender o motivo de nunca serem felizes com ninguém.

Jane queria ter cabeça para qualquer outra coisa. Queria voltar a seguir com sua vida, mas não conseguia. Não sabia como fazer isso sem sua melhor amiga para lhe dar aquele pequeno empurrão. Era engraçado porque tinha ficado 10 anos sem Beth em sua vida, só trocavam mensagens em datas comemorativas, mas nada que puxasse uma extensa conversa de contarem tudo que tinha acontecido durante aqueles meses, mas pelo menos ela sabia que a amiga estava lá e se precisasse só bastava um pedido e ela deixaria tudo que estava fazendo para ir ajudá-la, mas agora...

– Tinha esquecendo mesmo como levar um tiro doía pra caramba!

Jane que estava dormindo na poltrona que estava ao lado da cama de Elisabeth, ao ouvir a voz da amiga despertou imediatamente, no susto.

– Oh meu Deus! – abraçou a amiga. – Você acordou!

– Acordei, mas se continuar me apertando assim vou perder meu braço. – disse fazendo uma careta de dor. – Que isso Rizzoli! Tava pensando o que? Que eu ia morrer?

– Mas você morreu... TRÊS VEZES! Os médicos não sabiam nem responder se você ia acordar.

– Nossa! Então foi minha avó, meus pais e minha irmã que eu vi mesmo na luz branca? Falaram pra eu voltar que não me queriam lá em cima ainda não porque tava uma paz o céu.

Jane foi obrigada a rir e deu um tapa no braço da amiga.

– Imbecil!

– Não sei pra que esse desespero todo. Devo ter dormido só por umas horinhas.

– Se 62 horas são algumas horinhas para você...

– Tava precisando mesmo descansar, muitas acontecimentos... – Jane só conseguiu mandar um sorriso para a amiga. Não conseguia expressar em palavras a felicidade em vê-la falando besteira. A felicidade em vê-la viva quando quase nem a esperança existia mais. – Mas me diga o que se passou nessas 62 horas... TJ está bem? Você e Maura já casaram?

– TJ está ótimo, graças a você. Obrigada. – Elisabeth só mandou um sorriso. O olhar de Jane mostrava que o agradecimento estava sendo mais do que sincero e que qualquer piada naquele momento faria pouco caso do mesmo. – E eu e Maura nem conversamos ainda. Ela está fugindo de hospital. Ficou um pouco aqui com você enquanto eu tomava um banho em casa, mas está se dedicando totalmente ao TJ.

– A Maura me ama demais, né? – Jane soltou uma risada. A pessoa estava mais impossível do que o normal. – E vocês se amam. E eu acordei, então não tem desculpa para vocês não conversarem, se entenderem, casarem, terem mais filhos lindos que nem o TJ. – abriu um sorriso. – A Maura me ama demais!

– Não só ela...

A pessoa por trás do buquê de flores gigante que acabará de entra no quarto era Warren. Quase não tinha saído do lado da Beth também enquanto ela “descansava” por 62 horas.

– Nossa... Ta parecendo até quando a gente brigada.

– A gente nunca brigava. – Warren colocou o imenso buquê na mesa ao lado da cama da Beth e em seguida lhe deu um beijo na testa. – Fico feliz em te ver acordada.

– Por mais que tenha soado que parecia que eu ia, eu não vou a lugar nenhum.

– Assim espero! Por que o clima de enterro que esses dois estavam enquanto você dormia não era o dos melhores.

– Ah Jordan, vai falar que você me ama também?

– Acordou carente de amor? – Elisabeth ergueu o ombro direito, já que o esquerdo estava imobilizado e estava realmente doente. – Você foi uma verdadeira heroína lá, Miller. Obrigada por não ter deixado com que eu invadisse.

– Qualquer coisa estamos ai! Você viu que eu não tenho planos de ir embora tão cedo.

Jordan só mandou um sorriso enquanto Jane apertava a amiga em um abraço de um lado e Warren apertava a ex-esposa de outro e ainda lhe dando mais alguns beijos na cabeça. Todos estavam realmente felizes por ela ter acordado.

– Só vocês que ficaram me olhando dormir durante essas poucas 62 duas horas?

Ambos sabiam do que realmente se tratava aquela pergunta e só ficaram trocando olhares. Não sabiam ao certo o que responder e não sabiam ao certo se era a resposta que Elisabeth procurava. Foram tantos olhares que ela entendeu até o recado. Se nem com sua quase morte fez com que Julie aparecesse em seu quarto. O que faria, não é verdade?

– Ela acordou! – Se não conhecesse a postura de Constance poderia dizer que ela tinha entrado no quarto praticamente berrando. – Angela ela acordou! – abraçou Elisabeth que estranhou completamente o gesto. – Você pensa que é quem para ficar dando um susto desses na gente?

– Você entrou no quarto errado, Constance? Por que...

– Não fala besteira. – A mãe de Maura abraçou novamente Elisabeth.

– Não liga não minha filha. – disse Angela se divertindo com a cena. – Acho que ela aprendeu até a rezar pedindo para que você sobrevivesse.

– Quando você sair da cama desse hospital vai me ensinar a dançar naquele Kinect que Richard vive tirando a coluna do lugar.

A ruiva estava achando graça de tudo aquilo. Engraçado como quase morrer trazia uma perspectiva nova as coisas. Não entendam errado, ela estava feliz em descobrir que era querida daquela forma mesmo por pessoas que ela achava que só a suportava, mas ao mesmo tempo aquilo lhe deixava triste. Querendo ou não ela teve uma história de amor com Julie e saber que a loira não tinha ido nem saber se ela ia sobreviver não fazia com que os sentimentos antes dela experimentar as três mortes sumisse. Tinha errado demais com a ex-noiva. Parecia que a mágoa tinha vencido o amor que elas viveram.

– Maura não está respondendo minhas mensagens, então eu vou atrás dela e além de trazer ela e o TJ vou trazer vários hambúrgueres para você, certo?

– Essa é ou não é a melhor amiga do mundo, gente?

Jane mandou um sorriso para a ruiva e deixou o quarto. Obviamente que esbarrou com Julie.

– Ela vai ficar muito feliz em te ver.

– Eu tenho pacientes para agora, mais tarde eu passo para vê-la.

– Eu sei que era mais fácil ficar ao lado da cama dela quando ela estava dormindo, mas ela te ama e não faça isso só ser culpa dela, Julie.

– Mas eu não estou fazendo disso culpa dela e eu realmente tenho pacientes, com licença.

Não queria abrir o Pensador.uol aqui, mas um amor que nem o de vocês não é superado, não passa, não some. Ele só fica adormecido e com um pequeno barulho que for ele acorda e começa aquela algazarra, fazendo você desejar nunca ter tido um coração, nunca ter se apaixonado, nunca ter conhecido o significado da palavra “amor”.

– Me desculpe não ter vindo antes, mas esses últimos meses foram uma loucura. – Maura se ajoelhou na frente do túmulo e colocou TJ em sua frente, em pé. – Eu não sei se você está feliz com tudo que viu, seja lá onde você estiver, mas eu juro que estou tentando e vou continuar tentando ser metade da mãe que você seria até que TJ esteja casado e com filhos. Obrigada por confiar e acreditar em mim e ainda mais por acreditar em mim e na Jane. Acho que você foi a única que nunca teve duvidas, a carta que você deixou, que eu tenho certeza que fez com o Harris achasse que esse era realmente seu desejo depois da morte, já que ela nunca chegou as minhas mãos e estava junto com suas coisas, comprovou isso. Parece que eu amo mais a Jane do que há 18 anos e eu amo ter uma família com ela. Obrigada por ter me proporcionado isso e eu prometo que vou fazer que de hoje em diante você não se arrependa nunca dessa sua escolha. Eu te amo, Lydia e você está fazendo muita falta.

– Os dois fazem muita falta.

Maura levou um pequeno susto ao ouvir a voz da namorada.

– Jane... Como...?

– Depois dos dias que tivemos esse também era o lugar que eu mais pensava em vir.

– A Beth...?

– Ela está bem. Acordou e está cobrando as cervejas. – Maura soltou um riso. – Maur...

– Antes que você diga qualquer coisa... – estendeu a carta que Lydia havia escrito para Jane. – Por favor, leia isso.

Um amor como o de vocês não tem a desculpa de “eu não sou gente” ou “nós nunca vamos ser felizes juntas” ou o clássico “eu estraguei tudo”. Não existe nada que não possa ser superado com uma conversa franca ou até mesmo com gritos no meio da rua. Nada melhor do que extravazar tudo que tem guardo dentro de si durante anos e depois poder seguir em frente, com aquela conversa franca, descobrindo que tem muitos assuntos mal resolvidos e resolvê-los.

Jane não pôde deixar de abrir um sorriso, besta com tudo que tinha lido. Só sua cunhada poderia ter escrito uma carta tão inocente que mudou totalmente o destino de sua vida e ela só tinha a agradecer.

– Eu sei que eu devia ter te falado do Ian. Sei que não deveria ter descuidado do TJ, mas eu te amo Jane e se tem uma coisa que eu aprendi nesse último ano é que eu amo ter uma família. Eu amo ter um filho, e eu vou amar muito ter uma esposa. Você quer casar comigo, Jane?

Com toda certeza Jane foi pega de surpresa, tanto que não sabia nem o que dizer.

– Mamã... – TJ puxava a calça de Maura, apontando para um lago cheio de patos que tinha lgo na frente.

– Mamã? – Jane ergueu uma sobrancelha, sorrindo.

– Ele me chamou assim mais cedo. Não que eu tenha o ensinado para que me chamasse assim antes de você, mas é que...

Jane foi obrigada a puxar Maura para um beijo. Estava com saudades daqueles lábios e aquele pareceu o momento perfeito para que matasse tal saudade.

– Sim! Eu quero me casar com você quantas vezes você quiser casar comigo e quantas vezes Tommy e Lydia gostaria que cassássemos. Sim!

A loira abriu um sorriso e beijou mais uma vez a atual noiva.

Se pudessem ver o plano espiritual, com toda certeza Tommy e Lydia estariam sorrindo, com o sentimento de trabalho concluído com sucesso.

Provavelmente vocês falem coisas que não devem. Queiram se matar. Façam provocações a ponto de fazer com que a outra exploda. Que digam mesmo que eu estou louca e que não deveria ter feito uma coisa dessas. Não sou professora do amor, mas eu conheço vocês duas. Conheço a história de cada uma. Sei pelo o que vocês passaram, mas sei também que vocês se amam e que tudo pode ser superado, pois terminou de uma forma que não deveria e que se fossem maduras o suficiente não teria acontecido fugas, não teria orgulho, não teria “eu não sou gente”. Depois de toda a raiva passada teria o que uniram vocês desde sempre: AMOR.

– Espero que goste desse cheiro de Primavera. – disse Warren ao abrir a porta do apartamento de Elisabeth. Finalmente a ruiva tinha levado alta e era um finalmente porque ninguém aguentava mais ouvi-la reclamando que queria ir logo para casa. – Acho que Angela passou por aqui.

– Angela sempre passa por aqui, não precisa eu estar no hospital para isso. – Warren soltou um riso. – Obrigada!

– Você tem certeza que não quer que eu fique aqui com você? Sei que Jane está chegando, mas...

– Está tudo bem Warren. Pode ir para o seu encontro com a Jordan.

– Encontro? Com a Jordan?

– Eu vi a forma que vocês estão se olhando. Sua mãe também vai odiá-la, você sabe disso, né? – Warren deu de ombros. – Espero que ela te faça feliz, você merece.

– Vamos ver. – Warren deu um beijo na bochecha de Beth. – Você sabe que também merece ser feliz, não sabe?

Na verdade, ela ainda tinha suas duvidas...

Sei que um fim de semana não será o suficiente para resolver tudo que vocês tem para resolver. Vocês são idiotas. Acho que até um ano vai ser pouco para que tudo se resolva, mas se vocês não se matarem durante esse fim de semana, eu saberei que estou certa, que vocês ainda se amam e que se deixarem o orgulho de lado e agirem que nem gente podem resgatar todo aquele amor, amizade e cumplicidade que tiveram anos atrás.

– E não estou acreditando nessa recalcada da Jane. – disse Elisabeth indignada. Estava parada na frente de uma casa. A casa que ela tinha citado antes de sua quase morte. – Não se pode mais nem confiar nos amigos. – abriu o cercadinho e adentrou a casa. – Só por que você vai casar com a Maura não significa que você tem o direito de roubar a casa que eu ia comprar pra morar com a... Julie? – Perguntou surpresa ao encontrar a sua ex-noiva no cômodo que seria a sala da casa. – O que você está fazendo aqui? A Jane me mandou uma mensagem pedindo para que eu a encontrasse aqui.

– Eu pedi para que ela enviasse a mensagem.

– Ta...?

– Sim! – Elisabeth a encarou sem entender. Ainda estava com o braço imobilizado, tomando analgésicos, mas não estava tão grogue assim a ponto de não entender o que ela loira dizia. – Você quase morreu.

– Na verdade eu morri. Três vezes! – Julie a encarou com um olhar de repreensão. – Desculpa.

– Você quase morreu e a única coisa que passava pela minha cabeça era como eu iria viver sem você. Ficamos sete anos separadas, eu não sabia se você ainda morava nos Estados Unidos, se estava viva, se ainda pensava em mim, se ao menos lembrava que eu existia, mas imaginar que você poderia morrer me fez questionar porque estávamos brigadas, porque eu não consegui falar um “eu te amo” antes de você ir resgatar o TJ, por que era isso que eu queria falar, era isso que eu estava sentindo, mas eu estava com muita raiva e nem era de você. Sua quase morte me fez imaginar como deveria ter sido difícil para você pensar que tinha destruído tudo quando na verdade eu que destruí. – Julie soltou um riso, de nervoso, as primeiras lágrimas começavam a ameaçar cair de seus olhos. Tinha passado dias ensaiando aquilo e estava com medo que fosse tarde demais. — Eu estava com medo de ser feliz sim poque você estava me assustando. Quando conversamos sobre casar e ter filhos foi na época em que tudo era uma aposta e eu era aquela mulher insegura que todo dia quando acordava ao seu lado perguntava o que você tinha visto em mim e o problema era que mesmo com o passar dos anos eu ainda me perguntava isso, ainda mais que dessa vez não existia aposta, que eu sabia que você realmente me amava, mas eu sabia que continuava sendo a mesma insegura de sempre, só que dessa vez mais chata. O problema realmente nunca foi você. – Julie fez uma pausa. Viu a cara de Beth de “nossa essa desculpa do o problema não é você sou eu é velha demais”. — Na verdade o problema era você sim, porque somos completamente o oposto, você tem esse negócio de “the farofa never ends”, fazendo com que todos ou gostem de você ou te odeiam e eu sou a pessoa que olham e falam que eu não faço parte dessa farofa. Você tem todo esse jeito de levar as coisas na piada, de fazer com que tudo vire festa. Você tem uma alegria e disposição para tudo que é até difícil de imaginar que uma pessoa que passou por tudo que você passou possa ser desse jeito. Talvez eu tivesse medo de você finalmente perceber que eu não faço parte do seu mundo e assim terminaria comigo, com uma verdadeira conversa, pois se tem alguém que é realmente gente entre nós duas é você Beth.

Caso eu esteja errada... Segue em frente, tem novas pessoas, novos amores ou tem simplesmente vocês curtindo a vida.

Elisabeth estava totalmente paralisada com tudo que tinha acabado de ouvir de Julie. Tinha passado dias achando que a ex-noiva a odiava, que não queria saber dela e por isso não tinha ido lhe dar nem um misero “oi” no hospital, mas agora tinha se dado conta de que ela ainda a amava e parecia que tinha escutado todo sua declaração pós-quase morte. Se aquele não fosse o momento mais feliz de sua vida, com toda certeza seria o mais vergonhoso. Precisava rever as coisas que dizia nessas suas quase mortes.

– Você não cansa nunca de ser ridícula, não é verdade? – Essa foi a única coisa que ela conseguiu dizer em meio a todo seu desconserto.

– Aprendi com a mais ridícula de todas.

– Você pode ser a mulher mais chata, certinha, que me xinga quando eu conto spoilers bombásticos e detesta quando fico arrumando briga com os fandons, mas você é a minha chata.

Julie abriu um sorriso e foi puxado para um beijo. Depois de toda aquela declaração ambas não podiam ficar mais uma sem os lábios da outra.

– Aquele “sim” no começo foi para meu pedido de casamento?

– Se ele ainda estiver valendo... Mas não vamos casar dia 10 de julho.

– Por que não? Uma data tão linda...

– Vai pedir para que cantem parabéns para a Claudia Leitte quando estivermos cortando o nosso também?

Elisabeth soltou uma gargalhada e puxou a noiva para mais um beijo.

– Oh meu Deus! Como eu queria que essa casa fosse nossa para que a gente pudesse batizar ela.

– A casa é nossa. – Beth a encarou sem entender. – Eu a comprei mais cedo ou você acha que vamos criar nossos filhos naquele lixão que você chama de apartamento?

– Doutora Julie Rosewater... – Beth a puxou novamente para perto de si, com um sorriso malicioso e lhe deu mais um beijo.

– Mas nada de batizar a casa hoje, pois não quero ser a responsável por estourar seus pontos.

– Sério? – Julie soltou uma gargalhada. – Eu te amo, sua ridícula.

– Eu também te amo. – e deu um beijo na ruiva, selando mais uma vez o noivado.

Só que eu não estou errada e essa história irá terminar com um “E viveram felizes para sempre”. Eu tenho certeza!

Notas finais
Acharam mesmo que eu ia matar a Beth? Quer dizer... Eu até pensei mesmo porque ficou tão bonita a cena em que ela morre, mas eu amo demais essa ruiva louca e não podia fazer isso com vocês que amam ela também, ainda mais que no começo da fic eu só falei implorar para que vocês a amassem hahahahahaha Logo mais venho com o capítulo final