Rizzoli And Isles - Life As We Know It
28 Capítulo 28 - Só bebendo
Notas iniciais
Tem coisas que não fazemos por mal.
Exemplo: Não contar para a noiva que vai sair para jantar com o ex-marido porque sabe que ela não verá isso com bons olhos por você já ter o histórico de magoá-la e dar para trás no relacionamento mais uma vez.
Outro exemplo é não contar para sua namorada que você ainda está casada com seu namorado britânico por não saber qual será a reação dela.
Nem Beth nem Maura haviam feito por mal.
Elisabeth pensou que teria um jantar agradável com o ex-marido, que eles resolveriam todos os mal entendidos e voltariam a ser amigos, e assim como Julie disse que não ligava para a aposta que ela havia feito anos atrás, contanto que ela fosse sincera e não desse aquela desculpa esmagadora de corações, também não ligaria quando ela dissesse que saiu para jantar com Warren e que estavam na paz novamente e que se ela quisesse podiam marcar alguma coisa para ela conhecê-lo.
No mundo de Elisabeth isso funcionaria perfeitamente, caso Julie não tivesse pegado ela beijando Warren no meio da rua.
Quando esses mal entendidos acontecem o que devemos fazer? Exatamente! Beber.
De volta ao seu apartamento, Beth pegou uma cerveja na geladeira e sentou-se no sofá para fazer quantas ligações precisasse até Julie falar com ela. Tinha demorado tanto tempo para virar gente, para finalmente reconquistar o grande amor de sua vida, para uma besteira separá-las? Não deixaria isso acontecer. Só que infelizmente Julie não estava muito a fim de ouvi-la e muito menos ouvir as dezenas de mensagens que a ruiva deixou em sua caixa postal.
A mais nova integrante da sofrência estava prestes a pegar mais uma cerveja quando ouvi uma batida na porta. Se animou, até abrir a porta e dar de cara com Jane.
– Ah é você. — disse com desânimo. — Não venha aqui para dizer "eu te avisei" porque não estou boa e vai baixar o Dexter em mim.
– O que? — Jane de encaminhou até a geladeira e pegou uma cerveja. — Julie descobriu que você saiu para jantar com o Warren?
– Não... — pegou uma cerveja na geladeira também. — Ela viu o Warren me beijando no meio da rua.
Jane que estava já tomando um gole de sua cerveja quase devolveu o liquido para a garrafa.
– Você beijou seu ex-marido?
– Claro que não! Ele que me beijou!
E como em filmes, um flashback do momento passou pela sua cabeça.
– Eu não sabia que a Jane tinha virado seu ex-marido.
– Warren quanto tempo! — disse Amelia com um sorriso como se nada tivesse acontecido.
– O que...? — Warren estava totalmente perdido. Por mais que ele conhecesse Amelia e Charlotte não fazia a mínima ideia do que as duas estavam fazendo em sua frente. — Beth?
– Warren essas sem coração que amam ver a desgraça dos outros você conhece. Aquela ali é a Meredith Medusa e essa aqui é a Julie, minha noiva.
– Você está noiva? — perguntou Warren perplexo. — Beth, eu...
– Me diz que você não estava jantando com ele esse tempo todo e por isso não deu tempo de falar que você estava noiva.
– Claro que não deu tempo de falar que ela estava noiva, a língua dele estava na boca dela. — disse Charlotte fazendo com que Amelia e Meredith se segurassem para não rir. Aquele não era um momento muito feliz.
– Julie eu posso explicar...
– Se sua explicação não for como Jane, a pessoa com quem você disse que ia jantar, se transformou no seu ex-marido eu não quero saber. Eu já estou cansada disso, Beth.
– Julie vamos pra casa, me deixa explicar, não é nada disso...
– Não use a desculpa de não é nada disso que você está pensando porque não tenho mais argumentos para tentar te defender. — disse Meredith.
– Julie...
A loira não quis saber. Elisabeth ia segurá-la pelo braço com a esperança dela ceder e conversar, mas a noiva, pelo menos até o momento, se desvencilhou e saiu andando sem nem ao menos olhar para trás.
– Addison vai adorar saber disso. — disse Amelia antes de seguir os passos da amiga. — Bom te ver Beth! Warren você continua maravilhoso!
– Beth, me desculpe, eu...
– Tubo bem Warren. — disse em tom triste. — A culpa foi minha.
– Em que mundo você vive que achou que a Julia ia querer conversar com você depois de ver você beijando o Warren? — perguntou Jane tomando um gole de sua cerveja.
Uma coisa que todos deveriam saber é que existe a Alice e então existe a Elisabeth.
– Em minha defensa eu nunca achei que ele ainda fosse apaixonado por mim, você viu as cocotinhas que ele conversava. Tudo bem que eu, prédio do Dailey Planet que o Clark caiu e Lois descobriu que ele é o Borrão, cocotinhas que o Warren conversava.
– Pelo menos você é divorciada e não recusou meus pedidos de casamento porque caso aceitasse e a gente cassasse você seria bígama.
– Que?
E um flashback também passou pela cabeça de Jane.
– Não... — o homem se levantou. — Sou Ian, o marido da Maura. — estendeu a mão. — Você é...?
– Uma idiota.
– Desculpa, mas era o prefe... Jane?
– Marido? Sério Maura? Você inventava um milhão de desculpas para não aceitar meu pedido de casamento porque você ainda é casada?
– Pedido de casamento? — Ian perguntou sem entender. — Maura...
– Você disse que o motivo não importava.
– Isso foi antes de saber que você ainda é casada com o Ian das suas histórias de Londres. — Jane estava possessa. Totalmente indignada. — Eu esperava muito mais de você, Maura. Muito mais!
E sem deixar com que a namorada se explicasse, Jane deixou a casa.
– Maura seria Piper Chapman com uma mistura de quem se fosse presa por bigamia?
– Eu não sei, só sei que eu não tenho vocação para ser um Larry.
– Nem Alex Vause. Na verdade eu me acho um pouco parecida, sabe. Se eu pintasse o cabelo de preto, colocasse um óculos... — Jane a encarou com a cara fechada. Nenhum assunto aquele ser humano levava a sério. — Jane deixa de ser ridícula que eu tenho certeza que Maura só chamou o Ian para eles se divorciarem e ela poder ter uma família feliz em papel assinado do seu lado.
– Se foi isso porque ela não me contou ao invés de ficar dando desculpas?
– Por que você é cheia de mimimi que nem a Julie. Por isso que a gente não conta as coisas para vocês, pra poupar os sentimentos de moça de vocês.
– Eu não sei por que eu vim aqui. Obvio que você vai ficar do lado da Maura, fizeram a mesma coisa!
– Não foi a mesma coisa, pois euzinha lembrei de me divorciar. — disse em tom de deboche tomando um gole de sua cerveja sem medo de levar uma garrafa na cabeça.
Se Elisabeth pensou em jantar com o Warren e resolver os males entendidos, Maura pediu para que Ian viesse de Londres a Boston para que pudesse conversar com ele e finalmente pedir o divórcio, e depois, com tudo resolvido, contar a verdade sobre os motivos de recusa para Jane e finalmente poder aceitar seu pedido de casamento.
Seria mais fácil se ela tivesse contado toda a verdade logo de cara para Jane? Seria. E o que fazer para resolver isso? Exatamente! Beber.
Depois de toda a confusão, Maura não tinha cabeça para conversar nada com o Ian, portanto disse que era melhor eles se encontrarem no outro dia para conversar, mesmo porque o marido também precisava de pelo menos uma noite para processar toda aquela informação.
A loira colocou TJ para dormir, pegou uma garrafa de vinho, a mais cara que tinha em casa, sentou no balcão da cozinha e se serviu de uma taça. Jane sempre dizia que ela que estragaria tudo entre as duas, mas ninguém esperava esse plot twist.
– Desculpa entrar sem tocar a campainha, mas eu ainda tenho a chave desde aquela vez que eu ajudava você a cuidar do TJ quando Jane foi para aquele retiro do suco de fruta... Vinho! — Julie andou até o armário e pegou uma taça. — Você leu meus pensamentos.
– Você como médica deveria saber que ainda não existe uma tecnologia para leitura de pensa... — Julie encarou Maura com o olhar "é modo de falar" e entendendo o recado a loira serviu um pouco de vinho para a outra loira. — Você estava certa.
– Como eu não escuto isso com frequência, tirando os pais dos meus pequenos pacientes, você pode ser mais específica? — Maura nada disse, só tomou um gole de vinho com o olhar mais tristonho do mundo. — A Jane descobriu que você é casada com o Ian, não descobriu? — A mãe de TJ fez eu afirmativo com a cabeça. — Eu disse para você contar a ela.
– Eu ia contar depois que eu resolvesse tudo com o Ian, mas saiu tudo errado.
– Por que vocês acham que esconder as coisas, da pessoa que supostamente amam, é algo que vai dar certo?
– Isso não é mais sobre mim, não é verdade?
– Eu acabei de pegar Beth beijando o ex-marido. — Maura não conseguiu esboçar nenhuma expressão. Por mais que ela às vezes ainda esperasse as piores coisas da Beth, isso era algo que ela não esperava, não depois de tudo que já tinha visto da relação dela com a Julie. — Eu sabia que ela ia dar pra trás! Fica falando em casar e ter filhos quando na verdade ela queria era acabar com nós duas de novo. Por que ela não pode terminar um relacionamento como uma pessoa normal?
– Julie eu tenho certeza que ela tem uma excelente explicação para isso.
– Obvio que você vai ficar do lado dela, está na mesma situação!
– Se estamos na mesma situação então Beth não quer acabar com o noivado de vocês duas porque eu não quero terminar com a Jane. Eu pedi para o Ian vir pra pedir o divórcio para que eu pudesse casar com a Jane.
– Você não vai casar com a Jane e eu não vou casar com a Beth porque nesse momento eu tenho certeza que as duas estão fazendo sexo.
Maura foi obrigada a se servir de mais vinho, não ia conseguir ouvir os delírios de Julie se estivesse sã.
– Você sabe que esse é o jeito delas de lidar com as coisas.
– Você acredita mesmo? Quando isso aconteceu há 18 anos? E você nem conhecia a Beth nessa época.
– Velhos hábitos nunca mudam. — Maura olhou Julie com um olhar de "sério?". A pediatra virou a taça de vinho toda na boca e se serviu de mais. — Eu amo aquela ruiva maldita! Ela me fez acreditar que dessa vez não ia dar pra trás no nosso relacionamento. Que íamos casar e ter filhos! Mas por que ela estava beijando o ex-marido e mentiu para mim dizendo que ia jantar com a Jane quando na verdade estava indo jantar com ele? Achou o que? Que eu ia surtar se ela me contasse? Pois eu ia mesmo!
– Vai te ajudar se pensarmos que elas estão nos traindo?
Julie olhou para a Maura com cara de cachorro pidão e em seguida disse:
– Não... Mas se elas não estão nos traindo estão fazendo o que?
A resposta é simples: Bebendo! Entretanto, não estavam bebendo mais no apartamento de Elisabeth. A cerveja havia acabado, então a ruiva deu a ideia de irem para um bar, só que ao entrar nele, Jane percebeu que foi enganada e que não tinham ido só para beber.
– Quem é vivo sempre aparece! — gritou Helenize ao ver as duas cruzando a entrada do bar.
Para que não lembra, Helenize era aquela que tinha uma crush eterna pela Jane, que quase a embebedou para levá-la a Las Vegas e casarem por lá.
– Pensei que vocês iam dar bolo na gente suas quengas.
– Beth... — Jane parou a amiga no meio do caminho. Se ia passar uma noite, em um bar, com suas colegas de escola, precisa xingar a amiga antes por isso. — Você não me falou que era hoje o encontro.
– Por que você disse que não ia vir. E eu estava com planos de enganar você e a Maura chamando vocês pra beber e com isso trazer vocês aqui, mas eu tive o jantar com o Warren e deu tudo errado...
– Por isso que você e Julie não são mais noivas.
– Você pare de dizer isso porque ela não terminou comigo, sua ridícula! — Beth deu as costas para Jane e se aproximou do balcão onde estavam as colegas. — Tainá como que está o Acre? Já tem internet por lá?
– Internet deve ter, mas porta para o quarto não. — disse Jade se aproximando delas também. — Olar.
– Da onde vocês conhecem essa mão pesada? — perguntou Jane escondendo o rosto.
Para quem não lembra Jade deu uma mãozada na cara de Jane há muitos capítulos quando Jane ainda era solteira, mas achavam que ela era casada.
– Não lembro não. — respondeu Nize. — Só sei que teve uma vez que Jande ficou curtindo várias publicações nossa no Facebook sobre o evento do Gartic e então colocamos ela no grupo do whatsapp.
– Era nela que você tinha crush, Grima? — perguntou Beth maliciosamente.
– Eu não tinha crush em ninguém, querida.
– Ah vai dizer que você ainda diz que é hetero?
– Não... Aquilo foi só uma fase que já passou, mas eu não tenho crush na Jade, você me respeite sua ridícula.
Para quem não lembra, Tainá era a estudante indiazinha que veio do Acre, que tinha um namorado, mas Elisabeth tentava a todo custo tirar ela do armário. Como se algum dia fosse pegá-la.
– Elisabeth sua ridícula! — exclamou a bartender, que curiosamente se chamava Bruna.
– O que foi shipper Stelena? — Bruna fez uma careta já que aquela era a real life e ela não podia usar o caps lock indignada por a xingarem daquele tanto.
– Já disse para você parar de tentar criar treta com os shippers Olicity por que você não sabe. Para que ta feio e desse jeito não da pra te defender amiga.
– A culpa é minha que agora esse povo só sabe mimimi Felicity, mimimi Laurel chata e não sabem nem fazer uma treta decente?
– Olha... Eu tenho um grupo no whatsapp onde estamos planejando a treta do século. Vou te adicionar lá depois. — Aos berros. – TRÊS LEITES COM NESCAU. – olhou ao redor vendo se alguém aparecia para buscas. — Quem foi que pediu? KEROLIN, SEUS LEITES!
– Desde quando vocês servem batida de chocolate? — perguntou Jane confusa, até ver uma garota indo pegar as bebidas. — Vocês estão vendendo bebida para menores agora? — perguntou perplexa.
– Não... — disse Bruna em tom de tédio. — É noite de Gartic, menores podem entrar também.
– Eu tenho a autorização assinada pela minha mãe, ta bom? — respondeu Kel.
– Mas qual a idade mínima pra isso? Dez anos? — perguntou Jane em tom de deboche.
Kerolin nada disse, e caso vocês não lembrem dela está tudo bem por que ela não tinha aparecido ainda, só se encaminhou até a mesa que estava sentada com suas amigas.
– Jane olha... A criança está com a Princess Nai e a Buu.
– Nai eu disse pra você desenhar uma peruca.
– Mas eu desenhei, Buu. — Naiade pegou o tablet e começou a apontar o dedo para as partes do desenho o explicando. — Não ta vendo como é igualzinha a peruca da Liz na primeira temporada de The Blacklist?
Por mais que Karoline Buu fosse adepta a desenhos sem noção já que ela não era lá uma grande desenhista também, não estava conseguindo enxergar de jeito nenhum a peruca que Naiade disse que tinha desenhado.
– Devia ter ficado em casa assistindo série porque nós não vamos ganhar.
– Claro que vamos, Buu. Acredite nos meus desenhos.
– Naiade sua ridícula! — essa era Beth fazendo um cumprimento educado. — Você acha que tem o direito de me viciar em série dor e sofrimento e simplesmente sumir?
– Eu não sumi. Estou sempre de olho em tudinho que você posta no twitter e não aprovo sua amizade com a Bruna.
– Tive que procurar outra pessoa pra sofrer comigo, né.
– Vocês são amigas desde quando? — perguntou Jane perdida com toda aquela interação. — E se vocês são amigas porque você não perguntou se ela ia ou não ser babá do TJ?
– Eu ia te ligar, Jane. — disse Nai. — Mas meu celular morreu.
– Primeiro o computador, agora o celular. Qual seu problema com eletrônicos? — perguntou Jane indignada. — Você podia ter ido lá em casa.
– Eu ia, mas ai eu abria o tumblr e via fotos da Sarah e da Amy de PoI e eu ficava nem triste, Nicole chorando com a cabra, crie em Spanish, que eu esquecia que tinha que ir na sua casa, mas eu pedi pra Buu te mandar mensagem.
– Eu mandei! Só que ela nunca me respondeu. — Karol pegou o celular e começou a procurar a mensagem, até que... — Eu acho que mandei pra pessoa errada. — Karol mostrou seu celular para Jane em uma foto ampliada da pessoa que ela tinha mandado a mensagem no whatsapp. — Essa aqui não é você não, né? — Jane fez um negativo com a cabeça, se poupando de responder qualquer coisa. — Acho que ela até me bloqueou... Custava dizer que não era você?
– Enfim... Vocês vão ou não ser babás do meu filho?
– Só se a Kel puder vir também. — disse Karol. — Ela ta precisando juntar dinheiro pra quando fizer 18 anos colocar silicone.
– Miga, deixa eu te dizer. — disse Beth tomando um gole do leite com chocolate da Kel. — Você ainda é novinha, os peitinhos crescem. Daqui para os seus 18 anos você vai ter juntado dinheiro até pra fazer plástica e ficar parecida com a Lana Parrilla.
– Gente... — disse Kel. — Tem um snap só pra pessoas ridículas e por isso que vocês acharam essa Beth? Por que ela é ridícula demais!
– Beth você viu as fotos das artes com conchinha que a Yvonne postou no instagram esses dias?
– Eu vi Nai! Os negócios na praia devem estar indo bem demais!
– Então... Queria saber se você consegue um jeito de falar com ela pra ver se ela faz uma sociedade com a Buu.
– Né? Por que eu to fazendo umas pulseiras com bambu que veio direto do Parque Ibirapuera lá de São Paulo no Brasil.
– Pode deixar que eu vou arranjar um jeito de falar com ela. Esse negócio de vender artes da praia ta sucesso demais.
– ESSA CARALHA DESSE JOGO NÃO VAI COMEÇAR NÃO! — gritou Manu bem no meio do bar.
– Daqui a pouco vagabunda! — respondeu Helenize.
– Vocês também conhecem ela? — perguntou Jane sentindo que a qualquer momento uma mão poderia voar em seu rosto.
– Ela estava no grupo do whatsapp também. — respondeu Jade.
– Só que então ela saiu. — disse Grima.
– Mas então colocamos ela de novo. — disse Nize.
– E ela saiu de novo. — disse Bruna. — Cinco minutos pra começar o jogo. Todos para as suas mesas e tentem desenhar sadomasoquismo de uma forma que as pessoas entendam, por favor.
– Se eu beber muito me deixem longe da Nize porque não quero correr o risco de casar em Las Vegas.
– Já superei você vagabunda.
***
– Elas estão em um bar jogando Gartic. — disse Julie em tom sério. Estava stalkeando o instagram de Beth. Logo em seguida cai na gargalhada. — Que idade essas duas tem? Aliás... Que idade essa menina aqui com ela na foto tem? Certeza que Julie tem uma filha fora do noivado! Mas Warren não é negro. Certeza que Elisabeth teve outro homem na vida dela!
– O que é Gartic?
As duas se entreolharam e depois caíram na risada. Estavam totalmente bêbadas e por mais que tudo fizesse sentido, nada fazia sentido.
– Ela não tem uma filha fora desse noivado. — Julie disse o obvio, olhando para sua aliança e a alisando. — Eu acho que eu queria que ela tivesse, assim como queria que ela tivesse mesmo me traído com o Warren porque eu ainda tenho medo dela me magoar, mas eu sei que ela não vai, mas eu tenho medo. Sou otária.
– Não... — Julie ficou esperando que Maura continuasse. Que desse umas palavras de conforto, mas a loira só virou mais uma taça de vinho. — Eu amo a Jane.
– Eu amo a Beth.
– Amanhã, quando você não estiver levemente alcoolizada, como eu estou, você conversa com ela. Vocês se amam e nenhum ex-marido deve ficar no meio disso.
– E eu vou conversar com a Jane porque nenhum marido deve ficar entre vocês.
Era para ser um momento bonito, de uma amizade sincera, caso elas não tivessem caído na gargalhada de novo.
***
– Vocês são péssimas! — disse Jane completamente bêbada, rindo, deixando o bar. — Obriga pela noite.
– Jane Rizzoli agradecendo por uma noite de diversão? — perguntou Beth em tom debochado. — Só pode estar bêbada mesmo!
– Espero que vocês se acertem com suas namoradas. — disse Kel. — Especialmente você Jane, senão vai que a gente perde o emprego? Já estou com planos de comer em todos os fasts foods do shopping. Menos no Habib's porque tem rato.
– Precisamos marcar mais dessas. Nai, Buu e Kel vejo vocês segunda! Vai ter até um castelo esperando por vocês! — Jane entrou no táxi. — Eu tenho que conversar com a Maura.
– Amanhã quando não estivermos a ponto de sermos levadas ao AA. E acho que a Julie já está pronta pra conversar, curtiu todas as fotos que eu postei no Instagram ou era um jeito de dizer que pensa que a Kel é minha filha fora do noivado. — deu de ombros. — Sei lá.
Elas se entreolharam e caíram na gargalhada.
E ainda há quem diga que beber não é o melhor remédio.
A amanhã nasceu bem pesada, pelo menos com uma cabeça pesada. A luz entrava pela fresta da janela. Elisabeth até tentou se proteger da iluminação infernal pegando um travesseiro e colocando em seu rosto, mas teve o travesseiro puxado por alguém que estava deitado ao seu lado. Por alguns segundos tentou lembrar quem era que estaria roubando seu travesseiro logo cedo pela manhã, então, após lembrar, virou para o lado para confirmar, e sim, era só Jane.
As duas haviam chegado tão bêbadas mais tão bêbadas que não conseguiram ter discussão nenhuma de quem ia dormir no sofá e quem ia dormir na cama, então as duas se jogaram na cama, com a roupa do corpo, adormecendo.
Sendo detalhista sim senhores para quem já estava pensando mal das duas.
Percebendo que não teria como lutar contra a claridade em seu rosto, Beth sentiu-se obrigada a levantar e preparar um café, pelo menos isso ajudaria ela a lidar com sua ressaca, diferente da sua melhor amiga roubando seu travesseiro.
A ruiva enquanto preparava o café pensou em ligar para Julie, ver se a noiva estava mais calma, se podiam conversar, se ainda eram noivas, mas estava com medo da resposta, portanto achou melhor curar a ressaca primeiro antes de ir atrás da loira, até que bateram na porta de seu apartamento.
Obviamente que ela foi abrir a porta toda sorridente. Dessa vez não tinha Jane para estragar sua felicidade já que a morena estava deitada em sua cama, então só podia ser a Julie... Ou o Warren.
– Eu te acordei?
– Não, mas... — Elisabeth olhou o ex-marido de cima a baixo e ele estava com a roupa toda suja de café. — O que aconteceu? — ela puxou Warren para dentro do apartamento. Era muito café para uma única camisa social.
– Eu estava vindo conversar com você e quando pisei no prédio, fui praticamente atropelado e derrubaram os dois copos de café que eu trazia.
– Meu Deus, Warren! — exclamou Beth já desabotoando a camisa dele. — Antes de eu mudar para cá não morava ninguém decente nesse prédio. Deve estar todo queimado.
– Você sabe que eu sou imune a queimadura de café, né? Por que você vivia derrubando em mim.
– Sempre gostei de olhar para o seu peitoral.
Warren a olhou com um sorriso envergonhado. Para Elisabeth podia ser normal, mas ele estava sem camisa na frente dela, não que fosse uma coisa de outro mundo, mas era um pouco estranho para ex-casados.
– Me desculpa por ontem, Beth. Se eu fizesse o mínimo de ideia que você estava noiva eu jamais teria te beijado. Eu entendi os sinais errado.
– Você não tem nada que se desculpar. A culpa foi minha. Saio para jantar com o meu ex-marido e em nenhum momento digo que estou noiva. Que grande noiva!
– Você é uma ótima noiva e espero que esteja tudo bem entre vocês duas e se não tiver, se quiser que eu explique o mal entendido...
– É por isso que eu sempre saio de errada quando falo do fim do nosso casamento. Você não cansa de ser perfeito Warren.
Mais um sorriso sem graça. Desse jeito ficava difícil não entender as coisas errado.
– Eu vou pegar uma blusa que eu roubei de você quando nos separamos porque sei que você está totalmente desconfortável com essa situação. Eu já volto.
Warren era sem dúvidas o homem perfeito. Aquele tipo de homem que está em falta no mundo e quando você da a sorte de encontrar um como ele faz de tudo para não perdê-lo, entretanto ele não é o tipo de homem que você quer encontrar atrás do balcão da cozinha do apartamento de sua noiva, sem camisa e se servindo de um café dando a entender que a noite havia sido muito boa.
Julie esperava Elisabeth a trair com Jane, pelo menos na noite anterior enquanto estava se embebedando, não que ela acreditasse que podia mesmo acontecer, ainda acreditava no amor de Beth por ela, mas a cena que ela estava vendo em sua frente doeu bem mais do que se a ruiva tivesse a traído dez vezes seguidas com Jane.
Se Boyhood demorou 12 anos para ser produzido, a história de Otáriahood protagonizada por Julie estava quase para bater o recorde e com toda certeza ganharia um Oscar.
Warren sabia que tinha dado ruim assim que viu a expressão completamente desolada de Julie ao vê-lo daquele jeito.
– Julie...
A loira só fez um negativo com a cabeça, não queria ouvir nada que viesse sair da boca de Warren. Já estava cansada de constantemente ser magoada quando em um momento de ilusão pensou que isso nunca mais aconteceria.
Julie só se aproximou do balcão e deixou sua aliança de noivado lá em cima. Sem dizer uma única palavra.
– Julie, me escuta, não aconteceu nada...
Ela não quis saber, deu de costas para Warren e deixou o apartamento. O advogado até tentou ir atrás dela gritando por seu nome, mas começou a ser atração no andar do apartamento e também não sabia se faria algum bem tentar falar por Beth.
– Eu ouvi errado ou você estava gritando o nome da Julie?
Warren só olhou para a aliança em cima do balcão, e sem nem pensar duas vezes, Elisabeth saiu correndo apartamento abaixo para ver se conseguia encontrar Julie na saída.
– Amor, espera!
Julie que estava a uns 15 passou a frente parou e virou para encarar Beth.
– Por que você não pode terminar com as pessoas como alguém normal? — o tom era de irritação e as primeiras lágrimas já haviam começado a cair dos olhos da loira.
– Por que eu não quero terminar com você! — Beth exclamou em desespero. Tinha um pressentimento de que aquela discussão não terminaria bem. — Eu quero me casar com você! Ter uma família com você. É difícil você entender isso?
– É sim! É muito difícil quando a única coisa que você faz é mentir! Para quantas pessoas você usou a desculpa "eu te amo, mas você merece alguém melhor então vou estragar esse relacionamento e fazer você me odiar". Quantas?
– Eu não estou acreditando nisso! — a ruiva disse indignada. Não acreditava que ela estava mesmo incluindo aquilo na discussão. — Me diz uma mentira que eu te contei desde o nosso noivado? Eu só não te contei do meu jantar com o Warren por que sabia que você surtaria. Você vive dizendo que eu vou dar pra trás, que eu vou te magoar, que eu vou estragar tudo entre nós, mas quem está fazendo isso é você!
– Me desculpe se eu não confio completamente em você depois de saber que eu não fico bem no cartão de Natal! – disse debochadamente.
– Julie... — Beth soltou um riso incrédula. Só podia ser uma piadinha tudo que ela estava ouvindo. — Você tem certeza que é em mim que você não confia? Eu te pedi em casamento e você não respondeu. Eu te chamei para morarmos juntas e você disse que era muito cedo. Acho que você não confia em si mesma, por trás dessa maravilhosa médica bem sucedida que é tão linda que tem uma fila de homens e mulheres babando por ela ainda vive aquela residente que mal penteava o cabelo e usava aqueles óculos ridículos, totalmente insegura. Aquela mulher que não acredita que pode ser feliz com alguém. Que não consegue acreditar que pode conquistar alguém, ser amada e ter um final feliz.
Após ouvir tudo aquilo, se acabando de chorar e uma raiva imensa tomando conta de seu ser, Julie sabia que não tinha mais nada a ser discutido e muito menos resolvido ali.
– Pelo menos uma coisa que estava certa... Você acabou mesmo com a gente, de novo!
Elisabeth sabia que a partir do momento que abrisse a boca não teria como voltar e seu mau pressentimento sobre aquela conversa não acabar bem se concretizou. Sempre foi desbocada. Se às vezes as coisas que dizia pensando machucavam os outros, imagina as que ela dizia sem pensar? Aquilo não podia estar acontecendo de novo. Ela e Julie não podiam ter terminado novamente.
Com o coração em pedaços, sem acreditar no que tinha acabado de fazer com seu noivado, Elisabeth voltou para o apartamento. Jane que tinha acordado estava no balcão da cozinha junto com Warren tomando um café quando viram a ruiva cruzar a porta do apartamento. Estava acabada e nem ao menos olhou para os dois. Só pegou a aliança que estava em cima do balcão e sentou no sofá da sala, olhando para a joia e deixando as primeiras lágrimas escorrer por seu rosto.
Será que se bebesse logo cedo resolveria esse problema também?
***
Resolvendo seu próprio problema, sem tomar uma gota de álcool, Maura resolveu se encontrar com Ian no parque que costumava levar TJ para brincar.
– Nunca quis acreditar que você estava falando sério quando pediu o divórcio. — disse Ian. — Você foi embora e eu pensei que isso fosse só você querendo um tempo então quando você me ligou perguntado se eu tinha uns dias pra gente conversar eu pensei que esse tempo tinha acabado e que íamos voltar. Quase um ano e eu ainda pensava isso.
– Me desculpa, eu não devia ter pedido pra você vir aqui.
– Devia sim. — disse com um pequeno sorriso. — Só precisava me certificar de que você estava feliz e você tem até uma família, então...
– Não pense que você não significou nada na minha vida.
– Lydia sempre soube que não íamos dar certo, não é verdade?
Os dois soltaram um riso.
Só Deus sabe o quanto Ian sofria com os olhares de Lydia e quando ele e Maura casaram então só piorou, como se ele fosse adivinhar que ele nunca seria o grande amor da vida dela.
– Sabe aquele sorvete de creme com queijo que comemos no nosso primeiro encontro que deu errado? — Ian fez um afirmativo com a cabeça. Maura olhou para trás mostrando o sorveteiro que estava alguns passos atrás deles. Ian abriu um sorriso. Amava aquele sorvete depois do desastroso jantar em que derrubou ele todinho na roupa de Maura. — Eu já volto.
Maura se encaminhou até o carrinho de sorvete e fez o pedido dos dois de creme com queijo, até que seu celular tocou.
Viu que era Jane e não deixou de abrir um pequeno sorriso. Se Jane estava ligando era porque finalmente iam conversar, pelo menos esperava.
– Jane?
– Maur eu não quero ficar brigada não. Sei que você deve ter tido seus motivos para não me contar que ainda era casada e eu quero ouvir. Vou só me certificar aqui que Beth não vai tentar suicídio e eu já vou pra casa, ta bom?
– A conversa das duas não deu certo?
– Foi pior do que não dar certo.
– Jane, eu te amo. Você sabe!
– Eu também te amo, Maur.
Por mais que não tivesse ficado feliz com a péssima notícia sobre o término de Julie e Beth, nas próximas horas precisava pensar em seu relacionamento com a Jane e estava muito feliz pela namorada não ter demorado muito para conversar. Pegou os sorvetes com um imenso sorriso e seguiu para onde estava sentada com o Ian, mas alguma coisa não estava certa.
– Cadê o TJ?
– Está... — Ian olhou um pouco a frente onde a criança brincava. — Ele estava ali, eu só fui pegar a bola de umas crianças, mas ele estava ali!
Foi inevitável os sorvetes que a Maura carregava não caírem no chão. Aquilo não estava acontecendo.
E beber não resolveria.
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