Rizzoli And Isles - Life As We Know It

25 Capítulo 25 - No final das contas...


Notas iniciais
Demorei? :P Ótima leitura!

Como todas as manhãs de Maura e tardes de Lydia, elas tinham um encontro marcado no Skype, só que Maura estava atrasada, entretanto, diferente dos dias comuns de Lydia, nesse ela não precisava se preocupar com seu horário de almoço chegando ao fim porque podia ficar online no Skype conversando com Maura o tempo que fosse já que estava de licença maternidade.

Podia-se dizer que esse era o dia mais importante, pelo menos para Lydia que estava totalmente ansiosa e não via a hora de Maura atender sua videochamada, finalmente ela conheceria o TJ.

Não demorou muito até que Maura aparecesse com mil pedidos de desculpas, mesmo que não tivesse conseguido completá-los porque ficou completamente hipnotizada com aquela pequena coisinha no colo de sua melhor amiga.

– O que foi? – Lydia perguntou preocupada com o silêncio da amiga. – Tem alguma coisa errada com ele? TJ nasceu careca desse jeito, mas o médico disse que é normal, que daqui a pouco ele vai ter mais cabelo que eu, não é problema nenhum não.

– Eu sei... Não é isso, é só... – Maura abriu um sorriso, ainda encantada com TJ. – Ele é lindo!

– Não é? – Concordou Lydia com cara de mãe babona. – Pensei que ele ia alargar a minha vagina, mas ta tudo bem e já to pensando em ter mais uns 3 desses. – Maura a encarou assustada. – Mas não agora. No momento só quero curtir esse pequeno. – Deu um beijo na cabeça do filho. – Ta vendo, TJ? Essa é a sua madrinha. Ela que vai cuidar de você sempre que eu e o papai quisermos dar uma saída. Não é madrinha, Maura?

– Com toda certeza!

– Queria que isso fosse mesmo verdade, não a história de você ser babá, mas poder ficar um pouquinho com ele.

– Mas vai ser verdade. – Lydia a encarou sem entender. – Eu só estou resolvendo umas coisas aqui em Londres e vou voltar para Boston. Quero ser presente na vida do meu afilhado.

– Você ta falando sério? – Perguntou Lydia animada. – Maura... – Lydia fez uma pausa e logo em seguida abriu um sorriso divertido. – Vai ter muitas surpresas quando chegar aqui.

– Surpresas? Você sabe que eu não gosto de surpresas.

Lydia ia dizer algo, mas ouviu Tommy a gritando. Qualquer outro dia ela podia passar o tempo que quisesse com Maura no Skype mesmo, mas não nesse dia.

– Desculpa, Maura. Mas é que a família do Tommy chegou para o almoço e paparicar mais um pouco o TJ.

– Não tem problema. Daqui há alguns dias estarei de volta em Boston e ele será todo meu.

– Cuidado doutora Isles porque é capaz de você se apaixonar tanto pelo meu filho que vai querer que ele seja seu.

– Não se preocupe, isso não vai acontecer.

Só que aconteceu, mas não nas circunstancias de Maura ser a sequestradora do parque e roubar TJ da sua melhor amiga e sim porque a própria amiga deu oportunidade para isso. Poderia ter escolhido qualquer pessoa para cuidar de seu filho com sua morte ou simplesmente deixar que Jane e Angela se virassem, mas não, ela a incluiu no pacote também e com isso vinha toda a expectativa que ela se daria muito bem no papel de mãe, que livraria TJ de todos os maus e que o garoto seria muito bem educado para ser uma pessoa de bem, doce, trabalhadora, um orgulho de homem, só que existem coisas que a gente não prevê e por mais que Maura quisesse não poderia ter impedido que TJ parasse naquela mesa de cirurgia. Se acreditasse nas forças do universo saberia que tudo acontece por algum motivo, mesmo que não estivesse muito bem claro que motivo era esse.

Um buraco estava prestes a se abrir no chão de tanto que Maura andava de um lado para o outro na sala de espera, a preocupação estava dobrada, estava pior do que quando tinham levado TJ ao hospital as presas na noite passada. Julie ainda não tinha aparecido nenhuma vez para atualizar de como estava indo a cirurgia e isso estava a enlouquecendo mais ainda, pela experiência que teve quando era residente, às vezes isso podia significar que as coisas não estavam indo muito bem.

– Finalmente te encontrei, Cailin!

Provavelmente Hope não tinha o melhor timing do mundo, ou só era sem noção mesmo, porque se tava difícil ficar em um hospital sem notícias de TJ, imagine ter que ficar em um hospital, sem notícias do TJ e com alguém prestes a começar um barraco.

– Mãe o que você está fazendo aqui?

– O que eu estou fazendo aqui? Tive que virar Boston inteira te procurando porque nem pra você me ligar avisando onde estava. Me deixou plantada no aeroporto.

– Desculpa mãe, mas é que...

– Não quero ouvir, vamos...

Hope tentou pegar a filha pelo braço, mas ela se esquivou.

– Eu não vou para lugar nenhum até saber que meu sobrinho está bem.

– Cailin você já me fez perder um voou. Eu preciso voltar para Londres.

– Então você volte! – Disse Constance completamente sem paciência, fazendo com que todos a olhassem surpresos. Pensaram que ela seria a última pessoa que se manifestaria por tal falta de respeito de Hope. – Se a garota quiser ficar ela tem todo o direito, diferente de você que não tem o direito nenhum de aparecer nesse hospital e faltando completamente com respeito ao meu neto que está em cirurgia.

– Constance, por favor...

– Por favor, você, Hope. – Interrompeu.

Na realidade Constance não só interrompeu, como surpreendo mais uma vez a todos ali naquela sala de espera, pegou Hope pelo braço e a levou para fora do hospital.

– Você está louca?

– Só vou dizer uma vez... Se você não se importa com essa família a ponto de entrar na sala de espera do jeito que você entrou, a sua filha se importa e todo mundo já está estressado o suficiente para ter que aguentar você fazendo alarde por nada. Quando tudo isso passar, pode ter certeza que eu vou me assegurar para Cailin pegou o primeiro voou para Londres, mas nesse meio tempo se ela quiser ficar para apoiar a irmã, ela vai ficar. — Hope balançava a cabeça indignada, aquilo não podia ser real. Constance não podia estar falando com ela daquele jeito. – Você pode não querer um relacionamento com a Maura, mas a Cailin quer.

– Você também não ia querer se ela te lembrasse tudo de ruim que você quis esquecer do passado. Todo mundo acha que sou um monstro por não querer uma relação com minha filha, mas a Maura não é a minha filha, Cailin é. Maura só faz com que eu me lembre do inferno que foi minha vida ao lado do Paddy e eu não quero mais isso para a minha vida, nunca mais.

– Você podia ter me dito isso desde a primeira vez que nos vimos. – Obviamente que ambas foram surpreendidas com Maura que tinha ouvido toda a conversa. Não parecia abalada com tudo que tinha ouvido e sim indignada. – Eu fiquei todos esses anos me perguntando porque alguém me colocaria para adoção e quando te encontrei me perguntei porque você não queria me conhecer. Se era porque eu não era a filha dos seus sonhos, se meus pais não me criaram do jeito que devia, mas era somente por que eu te lembro o Paddy? Eu não posso imaginar o que você pode ter passado, mas o mínimo que você podia fazer era ter me dito a verdade sobre o motivo de não querer criar uma relação comigo.

– Eu acho que... – Hope estava desnorteada, não imaginava que isso estava por vir, não estava preparada. – Eu acho que não sabia como te contar, mas a verdade é essa. Me desculpe, Maura.

– Quem está perdendo é você. – Disse Constance puxando Maura para mais perto de si. – Está perdendo a oportunidade de conhecer uma mulher extraordinária. Eu estou longe de ser uma mãe exemplar, mas se tem uma coisa que eu não me perdoaria nunca era se não tivesse dado a devida atenção a Maura e a afastasse de mim e perdesse a oportunidade de ver essa mulher que ela se tornou. – Abraçou a filha de lado acariciando seu braço e em troca ganhou um meio sorriso de Maura. – Você tem todo direito de não querer um relacionamento com a Maura, mas se quisesse que a Cailin não quisesse ter um relacionamento também, não teria ido atrás do rim da Maura para salvar a vida dela.

As vezes a verdade é mais dura do que aparenta e essa era uma das verdades na vida de Hope. Por mais que conhecesse Maura, soubesse mesmo que ela é uma boa mulher, não conseguia nem sequer olhar para a loira quanto mais querer criar um relacionamento com ele, mas não podia privar sua filha disso, ainda mais que a meia-irmã tinha lhe salvado a vida, era de todo o direito da Cailin viver o que estava vivendo, então no final das contas Constance tinha toda razão do mundo.

– Só peçam para a Cailin me ligar, tudo bem?

Fizeram um positivo com a cabeça e Hope virou as costas indo embora.

Era engraçado porque Maura pensou que quando ouvisse o motivo de sua mãe biológica não querer nada com ela ia se acabar de chorar, mas não aconteceu. Talvez fosse porque tivesse o seu filho para se preocupar e não podia se dar ao luxo de sentir qualquer coisa que não fosse preocupação com ele, mas na realidade é que por mais que a verdade tivesse sido dura, Hope nunca foi sua mãe, e por anos, por mais que tivesse tido uma relação um pouco conturbada com Constance ela sempre foi sua mãe, de seu jeito sempre esteve lá por ele e nesse dia não foi diferente, a mãe esteve lá por ela, lhe defendendo e conseguindo a verdade que ela buscou a vida inteira, então a única coisa que fez foi abraçar a mãe em forma de agradecimento por estar ali, por ter lhe adotado, por ter a feito a mulher que ela é hoje.

– Está tudo bem?

Jane perguntou ao ver as duas retornando a sala de espera.

– Não. – Maura não mentiu, mas não era necessariamente a resposta para a pergunta especifica que Jane estava fazendo. – Eu só vou ficar bem quando a Julie trouxer notícias do meu filho.

Não demorou muito para que o desejo de Maura fosse atendido, mas era aqui que começava o problema...

A expressão dos médicos depois de uma cirurgia sempre é indecifrável. Enquanto eles não chegam até você, não da para saber se eles estão trazendo notícias boas ou ruins. Não é necessariamente algo que se aprende na faculdade, talvez seja algo desde quando se inventou a medicina, pois imagine o médico do seu familiar estar passando pelo correr para te atualizar sobre a cirurgia com a cara toda fechada, expressão triste, enquanto o médico da família ao lado aparece todo sorridente? Por mais que isso faça você entender mais ou menos o que acontece, pode acontecer de se entender menos para mais e já presumir coisas horríveis, quando na realidade pode não ser nem metade disso.

A expressão de Julie estava indecifrável e isso estava deixando Maura mais aflita do que quando estava nem notícias nenhuma e a aflição só aumentou a partir do momento em que Arizona e Teddy cruzaram o corredor também, com a mesma expressão.

Um milhão de coisas passaram na cabeça de todos ali naquela sala de espera, mas na cabeça de Maura só se passava uma única coisa: Se a notícia fosse ruim, como Lydia agiria a isso. Não acreditava necessariamente nessa história de que as pessoas vão para um lugar melhor depois de mortos, mas conviveu com Jane e com a própria Lydia que a fazia ficar aberta a todas essas possibilidades, então se a amiga pudesse vê-la seja lá da onde estivesse, o que estaria pensando sobre ter deixado o filho para ela cuidar e no final das contas ela ter feito um péssimo trabalho?

Mas ela nunca saberia a resposta para essa pergunta...

– A cirurgia foi um sucesso. TJ está completamente fora de perigo.

Por que a notícia era a mais positiva possível.

Instantaneamente, ao ouvir a ótima notícia, Maura abraçou não somente a amiga, mas como Arizona e Teddy também. As últimas horas tinham sido as piores possíveis e estava feliz que todo aquele inferno tivesse acabado. Inferno ao qual ela não queria passar nunca mais.

***

– Eu disse que ia ficar tudo bem, não disse?

Jane deu um beijo na cabeça de Maura e em seguida deu um na testa de TJ que estava no colo da namorada e pelo visto não ia sair de lá tão cedo.

– Mães só acreditam que tudo vai ficar bem quando tudo fica bem, você deveria saber disso. – Disse Angela.

– Como está nosso guerreiro? – Perguntou Julie entrando no quarto. O menino sorriu ao vê-la. – Pelo jeito está ótimo.

– Obrigada, Julie. – Maura agradeceu pela milésima vez. – Obrigada mesmo.

– Eu só fiz o meu trabalho.

– Gente, vocês viram a Beth?

Jane lembrou da melhor amiga, depois de não sabia quanto tempo que estava babando no filho. Fazia tempo que ela tinha saído para pegar um café e até agora não tinha voltado. Só que a pergunta não podia ter saído em uma pior hora já que Julie estava no quarto e provavelmente onde estava Beth era a última coisa que ela queria saber. Percebendo a gafe, Jane resolveu sair do quarto e procurar a amiga por si só. Curiosamente a encontrou no berçário.

– Eu não sabia que você era o tipo de pessoa que olhava bebês para se sentir feliz.

– Eu tinha uma irmã se você não se lembra. – Jane a encarou como se dissesse “tudo bem, mas não é só isso” e não era mesmo. – Quando eu namorava a Julie uma vez fui buscá-la no hospital e ela estava em cirurgia e Meredith mais essa amiga Izzie dela tinham tido um péssimo dia e eu tinha mandando mensagem pra Mer dizendo que estava no hospital e ela disse para eu subir no andar que ela estava e quando me dei conta era o berçário. Elas falavam que tudo ficava melhor quando elas olhavam para os bebês, não que ela quisessem um, mas tudo parecia tão mais calmo e elas podiam até estar certas, ainda mais quando eu olhava os bebês na companhia da Julie, então toda vez que eu ia buscar a Julie no hospital e ela estava em cirurgia eu subia para ver os bebês, ás vezes eu encontrava com o Alex lá e ficávamos dando nomes bizarros para as crianças. E essa pode ter sido a história mais imbecil que eu já contei em toda minha vida.

– Beth você sabe o que tem que fazer.

– Está me incentivando a roubar um bebê?

– O que? – Jane perguntou sem entender. – Por que eu estaria te incentivando a roubar um bebê? Independente das ideias loucas que está passando na sua cabeça nesse momento você sabe que não é a nenhuma delas que eu me referi.

– Então não sei do que você está falando.

– Sabe sim! Você quer se acertar com a Julie, quer ter um monte desses bebês com ela, mas isso só vai ser possível se você contar a história toda pra ela.

– Deixa de ser ridícula. – Disse com uma cara de tédio. – Nem você sabe a história toda.

– E nem preciso saber, a Julie precisa.

No final das contas Beth sabia que Jane tinha razão, se não contasse toda a história, aquela que estava tentando esconder até de si mesma, perderia Julie para sempre, porque ela sempre guardaria todo aquele sentimento que era expressado pela Anna dentro de si.

Parecida com a noite em que ela terminou tudo com Julie, Beth lhe mandou uma mensagem e a esperou em um dos bancos que tinha do lado de fora do hospital. Pensou que a ex-namorada não ia aparecer, estava quase desistindo de tudo e dane-se sua provável felicidade, mas surpreendentemente Julie apareceu.

– Eu não era gente! – Beth começou e no mesmo segundo ganhou um riso sarcástico em resposta.

– Eu já estou cansada de ouvir essa desculpa. – Disse Julie exausta. Tinha sido um longo dia, não queria brigar. — Na realidade eu estou cansada de tudo isso, Beth.

– Talvez fosse uma desculpa mesmo, mas que eu usava para mim mesma, para justificar todas as besteiras que eu fazia. Para justificar eu ter apostado que namoraria com você.

– Se você me chamou aqui para relembrar o pior momento da minha vida, me desculpe, mas eu não quero ouvir.

– Julie, espera.

Beth pegou no braço da ex-namorada e fez com que ela lhe olhasse. Pela primeira vez, em todo esse tempo, Julie pode ver um olhar de suplica nos olhos da ruiva. Talvez valesse a pena o que ela tinha para dizer. Sentou no banco seguida de Beth.

– Eu te magoei por causa da aposta, eu sei.

– Não. Não foi por causa da aposta Beth, se você tivesse me contado sobre a maldita aposta e tivesse vindo com uma declaração ao invés de um término eu não me importaria, eu te amava. Você foi uma completa idiota.

– Eu sei. – Beth encarou o chão. Se fosse a Anna ali lhe dizendo tudo aquilo provavelmente não sentiria nada, mas era Julie finalmente lhe jogando as coisas na cara, entretanto isso era algo realmente bom. — Você é uma das mulheres mais incríveis que eu já conheci na vida Julie. – Parecia que a loira estava tendo um dejavu — Quando me falaram que você era a melhor pessoa que alguém podia conhecer eu bem duvidei, mas eles não mentiram, não tem outra pessoa na vida que eu gostaria de ter conhecido no seu lugar, apostar nesse namoro foi a aposta mais fácil que eu já fiz na vida e...

– Beth, para!

Os olhos de Julie estavam se banhando a lágrimas. Não sabia ao certo o que Beth queria com tudo aquilo, mas repetir frase por frase da pior noite da sua vida, noite que ela tentou esquecer por todos esses anos não era algo de alguém que tem um coração faria. Tentou levantar, mas Beth lhe segurou mais uma vez, precisava terminar o que tinha para dizer.

– Você não é como as mulheres que eu estou costumada a sair, só que você também não fica boa no cartão de Natal. Quero dizer... – Não ia conseguir ouvir aquilo novamente, se soltou da mão de Beth e se levantou do banco prestes a ir embora sem nem ao menos olhar para trás. – Quem vai acreditar mesmo que uma mulher incrível como você se apaixonou por alguém como eu? – Isso definitivamente não estava na versão original, o que fez com que Julie não saísse andando, mas também não virou para ouvir o resto do que Beth tinha a dizer a encarando. – Mas eu te amo Julie e quero que você esteja junto comigo em todos os cartões de Natal daqui em diante. Você quer casar comigo?

Definitivamente isso não estava na versão original do término de namoro que ela lembrava. Com algumas lágrimas escorrendo pelo seu rosto, Julie tomou coragem e se virou para ver qual era o tipo de brincadeira doentia que Beth estava fazendo com seus sentimentos. Ao virar, se já não bastasse toda a surpresa com o que estava ouvindo, ainda encontrou Beth segurando uma caixinha preta na mão e dentro dela tinha uma aliança.

– Não era pra eu ter terminado com você naquele dia. — Beth resolveu continuar, só que dessa vez em pé já que parecia que Julie não conseguia formular uma única frase. – Eu ia te pedir em casamento. Eu estava com essa aliança naquele dia. Eu ensaiei tanto, mas tanto essa declaração durante a semana que eu te ignorei, a semana do nosso aniversário... Só que como eu podia pedir você em casamento depois de toda aquela aposta? Posso usar sempre a desculpa do eu não sou gente, mas naquele dia, por mais que eu não conseguisse imaginar minha vida sem você, eu tinha que te dar a oportunidade de encontrar alguém melhor, que não corresse o risco de te trair e de preferência que tivesse um emprego.

– Seria ótimo se ao invés de tudo aquilo você ter me perguntando o que eu queria, não acha?

O choro de Julie parecia que tinha cessado, mas Elisabeth não conseguia distinguir se aquilo era bom ou ruim. Não sabia dizer se daqui a pouco Julie ia sair dali e tacar fogo no carro dela novamente, não conseguir decifrar a ex-namorada naquele momento estava a matando, mas como ela já tinha tomado coragem para chegar até ali ia até o final.

– E esse foi o pior erro da minha vida ou eu estava com medo da sua resposta ser a que eu tinha resolvido dar para nós duas. Eu tinha sentimentos confusos naquela época. Eu nunca tinha me apaixonado, você não sabe pelo que eu passei.

– Por que só importa o que você passou não é verdade? Dane-se os sentimentos da Julie.

– Não! Não foi isso que eu quis dizer. Eu... Eu to fora da minha zona de conforto aqui, eu não sei me expressar nesses momentos. Claro que seus sentimentos são importantes, caso contrário eu não estaria aqui. Olha... Deixa eu consertar... O que eu estou tentando dizer é que...

Elisabeth nem precisou dizer ou pelo menos tentar dizer nada porque foi surpreendida com Julie lhe dando um beijo.

Por todo esse tempo, a única coisa que Julie queria era uma explicação para tudo aquilo. Ela não mentiu quando disse que não se importaria com a aposta contanto que não tivesse levado aquele fim. Graças a maldita aposta elas tinham se conhecido, se apaixonado e Julie tinha vivido o melhor um ano de sua vida e sempre pensou que Beth se sentia daquela maneira também e quando teve seu coração esmagado sem dó nem piedade, no fundo pensou que Beth fosse voltar atrás em todo seu discurso e lhe dizer que tudo aquilo era por causa da aposta e que ela não era merecedora do seu amor, obviamente pensou que estava se iludindo todos esses anos e que ela só tinha sido mesmo uma mera aposta, mas no final das contas ela estava realmente certa e o fechamento daquele dia chegou.

– Você é uma idiota! — Disse Julie após o beijo. — Mais idiota do que normalmente as pessoas pensam que você é.

– Você está louca, querida. Por que para algumas pessoas eu sou idiota em um nível que ninguém imagina.

Disse Beth em tom brincalhão, arrancando risos de Julie.

Como parecia que sua pergunta tinha sido respondida, Beth pegou a aliança de dentro da caixinha e colocou no dedo da sua provavelmente atual noiva.

– Nunca pensei que você tinha bom gosto para alianças.

– Eu tinha um cheque de 10 mil, mesmo se eu não tivesse a vendedora ia dar um jeito para eu ter.

– Ela é linda!

Disse Julie com um sorriso. Estava radiante, tanto que em alguns segundos ficava se perguntando mentalmente, mesmo sem querer porque achava aquilo uma besteira, pois ela não era mais uma adolescente, se era realmente real.

– Isso é um "sim", então?

– Não.

– Não? — Beth perguntou sem entender. Julie estava a confundindo de uma maneira que ela pensou que nunca conseguiria. Provavelmente efeito de toda a sua ansiedade e nervosismo para aquele momento, nem em seus pesadelos se imaginava realmente pedindo alguém em casamento, mas aquilo era real e ela não sabia lidar muito bem com nada daquilo, mas de uma forma boa. – Se isso é um não para meu pedido de casamento você está fazendo isso errado. Você está usando a aliança.

– Por que ela ficou maravilhosa no meu dedo. – Julie colocou a mão esquerda para frente, fingindo que admirava a aliança. – Não ficou? E eu tenho que ver como o TJ está, não tenho tempo para respostas desse tipo no momento.

Julie já ia se virar pra realmente entrar no hospital, mas não porque tinha que olhar o TJ, o garoto não poderia estar melhor e ela conferiu isso antes de encontrar com a Beth do lado de fora, ela estava fazendo aquilo para provocar a provavelmente noiva e obviamente que Beth entendeu aquilo e não deixou com que a loira andasse mais nenhum passo, a puxou pelo braço e a beijou, selando novamente o noivado, mesmo sem uma resposta definitiva para o pedido de casamento.

Um dia que tinha começado cheio das aflições, terminou extremamente ótimo.

Notas finais
Alguém vai ficar velho capítulo que vem. Vamos acompanhar!