Rizzoli And Isles - Life As We Know It

22 Capítulo 22 - Novas Perspectivas


Notas iniciais
Queria pedir desculpas pela demora da postagem do capítulo, era depois do dia 11, mas eu não pensei que era tão depois assim hahahahahahaha Culpem Smallville que comecei a maratonar pela terceira vez. Essa vida de shipper Clois não é fácil. Bom... Não vou falar muito aqui não porque sei que vocês querem ler a história ao invés de me ler, então... Ótima leitura!

Dizem que ano novo é significado de vida nova. Faça uma lista de metas, as realize e tudo vai ser perfeito. Você vai ter um emprego perfeito, amigos perfeitos, um amor perfeito, sua vida vai ser perfeita. Mas na realidade sabemos que não é bem assim. Sabemos que ano novo significa um novo começo, com metas de melhoria a ser seguidas, mas independente disso nada é perfeito e ás vezes não conseguimos cumprir certas metas, assim como ás vezes cometemos os mesmo erros do ano anterior e ás vezes também repetimos as mesmas coisas, não necessariamente para ser classificado como um erro, mas repetimos algo que falamos que nunca mais íamos fazer, pois não nos faz bem, nos atrasa. Talvez não fosse para acontecer, mas talvez não tinha como não acontecer, pois independente das metas que traçamos e tentamos cumprir, existem coisas que estão realmente predestina a acontecer.

O celular de Beth tocava e não era nem a primeira e nem segunda vez naquela manhã. Na verdade ela já tinha perdido as contas de quantas vezes seu celular havia tocado. Ela não queria levantar da cama, queria dormir até tarde, mas então lembrou que tinha um emprego e que tinha que atender aquele telefonema. Abriu os olhos com dificuldade, olhou para seu lado esquerdo da cama e sorriu, só aquela imagem daquela pessoa dormindo ao seu lado fazia com que ela ficasse menos mal humorada por ter seu celular tocando atrapalhando o seu sono. Passou a mão pelo criado-mudo procurando pelo aparelho e assim que o achou atendeu.

– Miller!

– Já estava quase mandando alguém para o seu apartamento... Pensei que você pudesse ter tido um ataque cardíaco de tanto ter transado com a Julie. Você sabe que isso pode acontecer.

– O que? Eu não... – Beth olhou para o seu lado e viu que Julie tinha acordado. A loira lhe mandou um sorriso enquanto levantava para se vestir e em resposta ganhou um sorriso de volta. – Eu não estou transando com a Julie, não sei da onde você tirou isso. Credo! – Viu Julie fazendo uma careta por ouvir o “credo” vindo de Beth. A ruiva só ergueu os ombros, tinha sido pega de surpresa ali. – O que você quer?

– O que eu quero? Eu não quero nada, mas a cidade de Boston quer que você pegue assassinos já que esse é o seu trabalho.

– Me mande o endereço que eu já estou indo. -... – Ta, tchau! – Desligou o celular. – Você pode ficar para o café se quiser.

– Não... – Disse terminando de colocar sua jaqueta. – Lembrei que tenho vários pacientes agora de manhã, então... – Pegou sua bolsa em cima de uma poltrona que tinha no quarto.

– Posso te ligar mais tarde e almoçamos juntas?

– Eu acredito que não. Estou com a agenda cheia hoje. – Deu um beijo em Beth. – Eu te ligo.

– Okay. – Respondeu com um sorriso contrariado.

– E não precisa ficar mentindo para a Jane sobre nós... – Disse parando no meio da porta antes de sair. — Não acredito que sexo casual seja crime.

– Você contou para a Maura?

– Não.

E antes que Beth pudesse dizer qualquer outra coisa Julie já tinha deixado o quarto. A detetive só fez um afirmativo com a cabeça seguido de um “Okay” e foi procurar alguma coisa para vestir. Ainda não tinha conseguido entender exatamente o que tinha com Julie, na realidade estava tendo dificuldade para entender até a própria Julie, pois tinha dias que ela estava completamente romântica e disponível e em outros dias parecia até que Beth estava se vendo na loira, pois ela inventava desculpas de que ia ficar ocupada o dia inteiro e que mais tarde ligava, só que esse mais tarde nunca chegava.

***

– Você tem sorte de não estar mais atrasada do que o legista... – Disse Jane ao avistar Beth passando por baixo da faixa amarela que rodeava a cena do crime. — Caso contrário o Tenente ia querer explicações.

– Eu sei que ele não ia querer explicações porque você ia me tirar dessa. – Respondeu com um sorriso convencido.

– Não... Antigamente eu te tiraria, mas agora que você anda mentindo para mim você está sozinha. – Jane disse com um sorriso cínico.

– Olha... Eu não faço ideia do que você está dizendo e... – Beth finalmente olhou para a árvore que continha o corpo responsável pela cena do crime. Tudo bem, ela já tinha visto desde que havia chegado ao local, mas resolveu fazer a surpreendida para desviar o assunto. — O que aconteceu com esse homem?

– Não fazemos ideia. – Disse Frost se aproximando das duas. – Só sabemos que provavelmente ele foi colocado em cima dessa árvore com aquele trator ali. – Apontou para o trator com a cabeça. – Gostaria de saber mais, mas o legista nunca chega.

– E nem vai chegar. – Disse Korsak desligando o celular. – Nosso legista continua com o celular na caixa postal e parece que não só os legistas de Boston como o de toda Massachusetts estão indisponíveis.

– O que vamos fazer então? – Perguntou Beth. – Não podemos remover o corpo e não tem como começar uma investigação sem saber quem esse cara é.

– Eu já não sei mais pra quem recorrer. – Respondeu Korsak.

– Bom... – Disse Jane. – Eu acho que eu sei.

***

Suas mãos estavam ocupadas com um cesto de roubas que ela tinha acabado de pegar da lavanderia. Maura não tinha o que reclamar dessa vida de mãe que ficava em casa, mas parecia que o trabalho de mãe nunca terminava, nem por um misero segundo.

– Agora eu entendo porque eu tinha três babás. – A loira apoiou o cesto de roupa no sofá e olhou para TJ que estava no centro da sala brincando. – Não que eu vá contratar três babás para ficar com você, mas estou começando a reconsiderar a ideia de Jane de contratar uma empregada. – O telefone tocou. Maura deu a volta no sofá para atendê-lo enquanto colocava a cesta de roupas em cima do sofá. – Alô.

– Maura, amor... Antes de eu pedir queria dizer que se você não fosse meu último recurso eu não recorreria a você, mas é que parece que todos os legistas resolveram ficar ocupados hoje e nós temos um corpo em cima de uma árvore que não podemos remover e... Será que você podia vir aqui autorizar a remoção?

– Auto... TJ não! – Maura pegou o menino que está em pé com uma mão apoiada no sofá e a outra tentando derrubar a cesta com roupas, fazendo com que assim ele começasse a chorar. – Jane eu não sei... – Ela balançava o garoto, pois o choro era tão alto que não estava conseguindo ouvir a si própria. – Quem vai olhar o TJ?

– Deve ter alguma babá disponível, caso contrário pode deixar com a minha mãe no departamento, não vai durar mais de uma hora e...

– Um minuto, Jane. – A loira disse após ouvir a campainha. Se encaminhou até a porta e assim que a abriu quase caiu para trás com quem viu parada do outro lado. – Eu... Eu já te ligo de volta. – Desligou o celular, ainda perplexa. – Cailin? – A garota acenou e mandou um sorriso. Sem saber muito bem como reagir Maura abriu espaço para que ela entrasse. – O que... O que você está fazendo aqui?

– Minha mãe foi viajar por algumas semanas devido a algumas pesquisas que ela está fazendo e como eu tive uma folga na faculdade eu pensei que... Bem... Nunca tive a chance de te agradecer por ter me doado seu rim.

– Certo. – Maura ainda estava sem reação. De todas as pessoas no mundo Cailin seria a última que ela imaginou batendo na porta de sua casa. – O que você entende sobre cuidar de crianças?

– Cuidar de crianças? – A garota perguntou confusa. – Eu já fui babá algumas vezes quando minha mãe queria que eu desse valor ao dinheiro...

– Ótimo! – Maura entregou TJ para a irmã. – Eu tenho que resolver um problema e... Fique a vontade. Os números estão na geladeira, qualquer coisa você pode me ligar. – Maura já estava saindo quando percebeu que estava de avental e suas roupas não era o estilo de roupas que ela costumava ir nem ao mercado. – Mas eu vou me trocar antes. TJ é um ótimo bebê, você vai amar passar um tempo com ele.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa Cailin viu Maura subindo feito um foguete. Tinha imaginado vários cenários para quando Maura abrisse e um deles e o mais cabível era a irmã lhe expulsando não dando seu filho para ela tomar conta enquanto resolvia um problema, se existia mesmo um problema.

***

– Tudo bem... – Beth disse sem paciência e um pouco irritada com o gelo que Jane estava lhe dando nos últimos 10 minutos. – Eu transei com a Julie noite passada. Feliz? – Jane só mandou um sorriso debochado para a amiga, sabia que uma hora ou outra ela acabaria contando. – Como você soube?

– Vamos ver... – Jane fingiu estar pensando. — Você e Julie sumiram na virada do ano lá no hotel fazenda e no outro dia na hora do café da manhã você apareceu e cinco minutos depois ela apareceu, ambas com a mesma cara amassada. Não precisa ser uma excelente detetive, coisa que eu sou, para saber o que aconteceu.

– Estávamos bêbadas... Era pra ser coisa de uma noite só, mas... – Soltou um suspiro. – Tem horas que eu penso que a gente pode se acertar porque Julie é toda carinhosa, nos divertimos assistindo séries ainda e conversamos, mas tem outras horas que não sei, ela inventa mil e um compromissos, ignora minhas ligações e mensagens... Eu não sei o que pensar. Será que ela está se vingando de mim? Quero dizer... Eu era esse tipo de gente que não ligava, então vai que...

– Não... Nós não éramos as melhores pessoas do mundo, mas éramos decentes. Saíamos uma vez com a pessoa e não ligávamos, não criávamos laços e Julie não tem cara de ser esse tipo de gente, mesmo depois de você ter dito que ela não fica bem no cartão de Natal. – Jane se segurou para não rir, depois de toda história trágica e de chegar a conclusão de que o que Beth havia feito com Julie foi desnecessário ela usava essa história pra encher o saco da amiga que sempre revirava os olhos quando escutava isso saindo da boca dela. — Seja lá o que esteja acontecendo entre vocês é bom resolver porque não quero problema para o meu lado.

– O que minha relação não relação com a Julie tem a ver com você?

– Você é minha amiga, Julie é amiga da Maura e Maura é minha namorada. Se você magoar a Julie de novo ela vai falar mal de você para Maura que logo em seguida vai vir falar mal de você para mim e eu não quero nem imaginar o que pode acontecer depois disso, porque eu tenho certeza que você vai vir se lamentar para mim, mas eu não vou querer me meter, só que eu já tentei ficar de fora de coisas menores como enfeite de árvore de Natal e não deu muito certo.

– Quem falou em magoar a Julie? Se você não ouviu o que eu disse ela que está bipolar.

– Certo... Então converse com ela. Provavelmente ela só está insegura porque você disse que ela não ficava bonita no cartão de Natal. – Disse com um sorriso debochada, fazendo com que Beth revirasse os olhos novamente. — Fala que agora ela fica maravilhosa, sei lá.

– Você nunca vai esquecer disso, não é verdade?

– Não tão cedo.

O assunto podia ter sido prolongado por mais muitos minutos, mas ele foi interrompido quando as duas viram Maura passando pela fita amarela.

– Maur... – Disse Jane com um sorriso ao vê-la. – Deixou TJ com a minha mãe?

– Não. – A loira só se limitou a dizer.

– Eu disse que ela ia conseguir qualquer babá que quisesse, estamos no começo da semana, os pais só falam que vão jantar, mas na verdade vão ao motel com cama d’água no fim de semana.

Jane fez uma cara de confusão ao ouvir Beth dizendo aquilo, pensou em perguntar como ela sabia daquilo, mas era melhor ficar na dela.

– Eu não deixei TJ com babá nenhuma, deixei com a Cailin. – Maura parou na frente da árvore que estava no corpo e deu uma olhada rápida para cima. – Pode trazer uma escada para mim, por favor?

– Cailin? – Jane perguntou um pouco confusa. – Que Cailin? A Cailin?

Maura só fez um afirmativo com a cabeça, como se não fosse nada demais aquela afirmação.

– Quem é Cailin? – Beth perguntou.

– A meia-irmã da Maura pra quem ela doou um rim.

– Você tem uma meia-irmã desde quando que eu nunca soube?

Como sabia que respondendo ou não Beth ia conseguir a resposta que queria, pois Jane não ia perder a oportunidade de contar essa história, Maura aproveitou que a escada já estava apoiada a árvore, então ela optou por não responder e sim subir a escada.

– Ela também não sabia, descobriu um tempo desses em Londres quando encontrou sua mãe biológica, mas nenhuma das duas quiseram saber dela, não até precisarem de um rim para a tal de Cailin, Maura doar e elas não falarem nem um “obrigada”.

– Você doou um rim seu para uma meia-irmã que você mal conhecia? – Beth parecia horrorizada por ouvir aquela pequena história. – Você é louca?

– Se eu não doasse ela ia morrer.

– Qual o problema? Não é como se você a amasse e ela fosse importante na sua vida. E se alguém que realmente importa, que você não consegue viver sua vida sem, tipo eu, precisasse do seu rim?

– Se eu tivesse que escolher entre você e a Cailin para doar meu rim, com toda certeza eu escolheria a Cailin. – O sorriso que Beth estava no rosto pensando que a resposta que ia vir era ao ser favor se desmanchou. – Pelo menos eu não preciso vê-la todo dia. – Em resposta ganhou uma careta. – Sem nenhum traumatismo. – A loira disse dando uma pequena olhada no corpo. — O corpo da vitima está cheio de hematomas devido a escavadeira que o colocou aqui em cima. – Disse Maura descendo a escada. – No laboratório vou ter mais respostas sobre a causa da morte.

– No laboratório? – Jane perguntou arqueando uma sobrancelha.

– Vocês estão com problema com legistas e eu estou disponível, não vejo problema em ajudar.

– Isso não teria nada a ver com você fugindo da sua irmã, certo?

– Eu quero ajudar. – Maura respondeu andando na frente de Jane para evitar a real resposta para a pergunta.

– Você não respondeu minha pergunta.

– Por que você está se preocupando tanto com ela responder sua pergunta? – Perguntou Beth. – Ela disse que não me doaria um rim. – Disse indignada e ofendida. – Se um dia ela precisar de um órgão meu...

– Que médico em sã consciência vai deixar você doar algum órgão? – Jane perguntou com uma expressão realmente séria fazendo com que Beth se perguntasse qual era o problema. — Seus órgãos funcionam a base de álcool, ia dar falência em qualquer outro corpo.

A ruiva só mandou Jane ir para o inferno e saiu andando na frente em direção ao carro. Já estava tendo um dia maravilhoso para o casal perfeito ficar tirando uma com a sua cara de dois em dois minutos, não era obrigada a aceitar esse tipo de coisa.

***

Jane já tinha passado pelo necrotério inúmeras vezes só naquela manhã e não se cansava. Já tinha recebido as informações principais da autópsia como a causa da morte, mas mesmo assim continuava indo lá para ver Maura trabalhando. A verdade era que ela estava adorando a cena, sempre tinha visto Maura só estudando para o que ele pensava que seria ser uma grande cirurgiã, depois disso só viu Maura trocando fraldas, dando comida e banho em TJ, então vê-la trabalhando em algo que ela realmente gostava era de ficar toda boba olhando para a namorada.

– Pensei que vocês detetives tinham outras coisas a fazer ao invés de ficar olhando os legistas trabalharem.

Maura disse sem tirar a atenção do corpo, tirando Jane do seu encantamento por ver a na namorada trabalhando.

– Gostamos sempre de ver de perto se o novo legista está fazendo um bom trabalho. – A morena foi se aproximando da mesa em que estava o corpo. – E você está fazendo um excelente trabalho doutora Isles, mas eu sei que tem alguma coisa te incomodando.

Penso que fugiria desse assunto até o fim do dia, mas era Jane sua namorada, não ia passar da hora do almoço.

– Eu levei um susto quando vi Cailin na porta de casa, ainda mais dizendo que queria me agradecer pelo rim e conversar. – Soltou um suspiro. – Eu fiquei sem reação e em consequência disso deu um filho para ela ficar de babá. Eu sou uma pessoa horrível!

– Tão horrível que Cailin não deve mais aguentar seus telefonemas a cada meia hora perguntando se está tudo bem em casa. – Disse Jane com um pequeno sorriso fazendo com a namorada sorrisse também. – Maur se ela veio até aqui atrás de você quer dizer que ela realmente que conversar, se quisesse agradecer tinha te mandado um cartão virtual, então...

– Eu sei... – Disse com um meio sorriso. – Á noite eu vou conversar com ela.

– Á noite? – Jane consultou o relógio. – Por que não agora na hora do almoço?

– Por que eu já estou atrasada para o meu almoço com a Julie. Você sabia que ela e a Beth voltaram a fazer sexo?

– A confirmação eu só tive hoje, mas eu já desconfiava. Julie te contou?

– Não... Mas pelo modo que ela vem agindo desde o ano novo deu para presumir. – Deu um beijo em Jane. – Nos vemos depois.

– Vou ficar aguardando ansiosamente, pois quero saber a pauta do almoço.

Maura soltou um riso, deu mais um beijo na namorada e deixou no necrotério. Querendo ou não ela também queria saber a pauta do almoço, mesmo já fazendo ideia.

***

– Você sabia que as principais substâncias tóxicas do cigarro são Acetado de chumbo, Cádmio, Fósforo P4 P6 e Arsênio, que são metais pesados potencialmente cancerígenos, mais Benzeno e Formaldeído, substâncias comprovadamente cancerígenas, mais a nicotina que é uma substância que causa dependência química, obviamente, tirando os gases tóxicos produzidos pela queima como...

– Monóxido de carbono, Amônia, Cetonas e Terebentina. – Respondeu Julie interrompendo a aula antidrogas de Maura. – Eu sei... Posso não ter estudado em Oxford, mas estudei em Yale. Tenho a obrigação de saber as substâncias tóxicas do cigarro e eu não fumo... – Maura olhou descrente para as mãos de Julie, uma que segurava um cigarro e a outra o isqueiro. Resolveu sentar-se na mesa que ficava de fora do restaurante na frente da amiga. Lugar que elas sempre costumavam sentar para almoçar. – É sério... Com 14 anos eu até tentei, não sei o que eu tinha na cabeça, mas eu odiava o cheiro do cigarro e quase morri engasgada com a fumaça, então parei minha vida de fumante por ali mesmo. – Julie olhou para suas próprias mãos e fez um negativo com a cabeça. – Não sem nem pra que eu comprei isso, acho que ando assistindo filme demais que a pessoa não fuma, mas quando ta estressada compra um cigarro dizendo que isso a deixa calma. – Soltou tanto o cigarro quanto o isqueiro. – Eu e Beth estamos dormindo juntas, desde a virada de ano. – Maura ficou a encarando como se dissesse “agora me conta uma novidade”. – Mas você já sabia...

– Eu desconfiava, mas hoje Jane confirmou. Queria saber qual é o problema.

– Qual é o problema? – Julie perguntou indignada. – Eu falei que nunca mais ia beijar aquela criatura quanto mais ir para a cama com ela, mas... – Soltou um longo suspiro. – Ela ainda me faz sentir tudo que eu sentia quando namorávamos e tudo mais forte, parece que os sentimentos estavam todos comprimidos e agora... – Balançou a cabeça em negativo.

– Tudo bem... Mas eu ainda não entendi qual é o problema Julie.

– Oh meu Deus! – Bufou. – Beth era linda, maravilhosa, romântica, divertida, engraçada, era alguém que eu gostava de passar o tempo há 7 anos e continua sendo, só que ela só agia assim por causa de uma aposta, o problema é que ela continua sendo a mesma pessoa que apostou para ficar comigo.

– E se ela não for mais essa pessoa Julie? Quero dizer... Só se Jane apostou para que ela ficasse com você, algo que eu espero que ela não tenha feito, senão vou matá-la... – Julie olhava para Maura com um olhar de confusão. – O que estou querendo dizer é que ela pode ter mudado e que você deveria dar uma segunda chance. Eu tinha esse medo também de dar uma segunda chance para a Jane e agora estamos criando um filho juntas. Você deveria conversar com a Beth, talvez tenha até alguma história que você não conhece sobre tudo isso.

– Provavelmente deve ter sim, pior do que a original, então não quero nem saber.

– Julie...

– Eu vou pensar... Tanto jeito de começar o ano e eu começo cometendo erro de anos passados. – Balançou a cabeça em negativo. – Vamos logo pedir o que comer porque eu to com fome.

Não tinha outra coisa para Maura fazer a não ser soltar um pequeno riso depois daquilo, sabia que a amiga queria encerrar com o assunto, então não ia ficar insistindo, só esperava que ela tomasse a decisão certa.

O dia foi estranho, mas estranho de um modo bom. Maura estava muito feliz por depois de tanto tempo finalmente voltar a abrir um corpo, só que ela estava mais feliz porque era diferente você fazer uma autópsia de um corpo em um hospital que possivelmente você já faz ideia da causa da morte do que fazer uma autópsia para o Departamento de Homicídios, pois aquilo ajudaria a pegar bandidos, não que fazer autópsia no hospital fosse menos importante, aquilo poderia gerar novas descobertas na medicina, mas ajudar a pegar assassinos era algo novo. Pensou que se limitaria só ao necrotério, mas Jane quis mostrar como eles trabalhavam e ela acabou até contribuindo para as investigações, vendo detalhes que os próprios detetives tinham deixado passar. Não tinha duvida alguma que tinha sido um ótimo dia aquele.

– Você tem certeza que trabalhava no hospital lá em Londres? – Beth perguntou ao encontrar Maura na saída do departamento. – Porque você fez um ótimo trabalho hoje. Claro que eu não deveria te elogiar porque você me regulou um rim, mas...

– Vou ignorar a parte do rim e só vou dizer um muito obrigada, ta bom? – Disse Maura com um pequeno sorriso fazendo com que Beth sorrisse também. – Eu falei com a Julie hoje. – Beth ficou a encarando como se pedisse para ela continuar. – Não entendo porque você não conta a verdade para ela.

– Ela já está me ignorando o suficiente sem eu contar, não quero nem imaginar caso eu conte. Só se você contou e sabe a reação dela e está disposta a me contar.

– Não, eu não contei nada, mas acredito que não custa nada você contar.

– Vamos? – Jane perguntou se juntando as duas. Beth ia abrir a boca pra responder algo. – Eu e a Maura. – Beth fez careta. – Nos vemos amanhã. – Deu um leve tapa nas costas de Beth. – Vê se você se resolve com a Julie.

– Vê se cuida da sua vida. – Abriu um sorriso debochado. – Até amanhã.

***

– Pronta? – Jane perguntou a Maura. Estavam paradas na frente da porta do lado de fora da casa. – Se não tiver podemos dar mais algumas voltas no quarteirão, não me importo.

Maura soltou um pequeno riso.

– Não, está tudo bem.

Ao entrar em casa encontraram Cailin e TJ na sala, os dois sentados no chão brincando de carrinho. Tanto Maura quanto Jane não deixaram de abrir um sorriso, parecia que a garota realmente estava gostando de passar um tempo com o sobrinho.

– Espero que ele não tenha dado trabalho.

Cailin estava tão intertida brincando com TJ que não viu quando Maura e Jane entraram na casa que ao ouvir a voz de Maura a garota tomou um pequeno susto, enquanto TJ nem ligou para a chegada das mães, estava muito ocupado brincando com seus carrinhos no chão.

– Como eu disse nas não sei quantas vezes que você me ligou... Ele é um amor, não deu trabalho nenhum.

– Essas mães de primeira viagem. – Jane disse em tom brincalhão balançando a cabeça em negativo.

Cailin ficou olhando para a detetive com um olhar de confusão, não fazia a mínima ideia de quem ela era.

– Cailin essa é a Jane... Minha namorada e a outra mãe do TJ.

– Namorada? – A garota levantou do chão e cumprimentou Jane que estava com a mão estendida. – Eu pensei que TJ fosse seu filho com o... Como era o nome dele? Ian não é? Lá de Londres?

– Isso é uma longa história. – Disse Jane pegando TJ do chão. – E que eu tenho certeza que ela vai ter o prazer de te contar enquanto eu e TJ brincamos lá em cima, não é filho? Prazer te conhecer.

Não deu tempo de Maura dizer nada, pois Jane já estava subindo para o segundo andar com TJ.

Um silêncio muito desconfortável imperou no andar debaixo. As duas irmãs ficaram se encarando, com vergonha, pois não sabiam muito bem o que dizer, mas Cailin sabia que se tinha alguém que precisava dizer algo era ela porque foi ela quem apareceu na cara da meia-irmã sem nem avisar antes.

– Me desculpa Maura. Eu sei que deveria ter avisado antes de aparecer aqui na sua casa do nada e...

– Está tudo bem Cailin. – A loira disse com um pequeno sorriso. – Na verdade eu estou até feliz que você tenha aparecido aqui em casa sem avisar.

– Já tinha um tempo que eu estava querendo te ver. Você salvou minha vida e eu sou muito grata por isso, de verdade. Eu só queria que você soubesse.

Depois de muito tempo agora Maura sabia e não podia ter ficado mais feliz por isso. Puxou a irmã pela mão e sentaram no sofá. Tinham muita coisa para conversar e pelo jeito conversariam todas aquelas coisas, só precisavam perder a vergonha que o assunto renderia boa parte da noite e sem duvidas rendeu...

Ano novo. Novo ano. Ás vezes as metas que traçamos para ter um ano melhor não precisar ser necessariamente de uma mudança absurda, pode ser só uma nova perspectiva. Era legista de um hospital, agora pode ser de um departamento de homicídios. Queria pessoas novas na vida, podia ser as mesmas pessoas só com novas atitudes. Queria um novo amor, podia ser o mesmo amor, mas sem todas aquelas dores. Podemos fazer um ano novo sem querer excluir totalmente tudo o que aconteceu nos anos anteriores, ás vezes um erro no passado pode se tornar um acerto agora.

Elisabeth sabia que merecia todo o tratamento que estava recebendo, tinha sido a pior pessoa do mundo no passado, mas só queria uma oportunidade para mostrar que ela não era mais aquele tipo de pessoa, só que no momento tinha desistido, já tinha mandando mensagem, já tinha ligado e só tinha sido ignorada, como não queria parecer uma perseguidora (coisa que ela não tinha ligado no passado) resolveu dar um tempo e nada melhor do que dar um tempo causando nos grupos de séries no facebook, mas nem isso estava resolvido, ela não tinha criatividade para criar um post polêmico e nem seguir algum que já estava acontecendo, pois seu pensamento estava todo em Julie. Odiava essa doença chamada amor.

A campainha do apartamento tocou.

– Finalmente! Pensei que eu ia desmaiar de fome antes dessa piz... – Mas não foi o entregador de pizza que Beth encontrou ao abrir a porta e sim Julie, por isso não conseguiu terminar a frase. – Hey! – Abriu espaço para que a ex-namorada entrasse.

– Will vai sair com as crianças amanhã para que minha mãe possa fazer a “Noite das Garotas” que é limitada basicamente em mim e na Anna.

– Certo. – Beth respondeu naturalmente, mas no fundo não sabia se o final daquela conversa ia ser boa.

– Mas eu consegui que minha mãe abrisse uma exceção e você está inclusa no jantar amanhã.

– Pelo que eu entendi Anna vai estar no jantar e da última vez que eu falei com ela, eu não lembro muito bem as palavras usadas, mas tenho certeza que ela tem vários galões de gasolina guardados só esperando a oportunidade de tacar fogo em mim.

– É sério Beth... Depois do jantar podemos sair pra conversar, pois temos muito o que conversar.

– E por que não podemos sair só pra conversar ao invés de irmos a um jantar que sua irmã vai brincar de Jogos Mortais comigo?

– Por que você disse... – Julie pegou seu celular e começou a ler o sms que tinha recebido de Beth. – “Você é uma ridícula, sabia? Não sei mais o que fazer, então me diga você... O que eu tenho que fazer para você deixar de ser ridícula? Faço qualquer coisa.”.

– Então praticamente é minha morte que vai fazer você deixar de ser ridícula? – Julie deu de ombros se segurando para não rir. – Você sabia que eu sou detetive e tenho amigos detetives e se alguma coisa acontecer comigo eles vão atrás da sua irmã, né?

– Pelo que eu saiba ela já matou três pessoas e nunca deixou nenhum rastro. Sinto muito.

– Tudo bem... Tudo para você deixar de ser ridícula.

– Te pego amanhã no departamento às 19 horas então. – Deu um leve beijo nos lábios de Beth. – Até amanhã.

A única coisa que Beth fez foi acenar com a mão respondendo o “até amanhã”. Agora era esperar para ver.

Notas finais
Não sei se eu gostei ou não desse capítulo, tava meio que bloqueada também e por isso demorou mais um pouco pra sair, se vocês puderem dizer o que acharam ficarei muito grata. Até o próximo capítulo.