Notas iniciais
Bom... Bom... Bom... Sem spoilers, acho melhor vocês lerem mesmo. Ótima leitura!

O fim de semana tinha chegado para Jane e Maura, e com ele a casa da loira só para elas, pois Richard e Constance tinham viajado e não voltariam antes da segunda-feira a noite. Com a casa só para elas, Maura não pensou duas vezes antes de pedir para que Jane passasse o fim de semana lá com ela, e obviamente nem passou pela cabeça da morena recusar tal convite. Fazia tempo que Jane queria a casa só para duas, pois Maura era filha única, não teria ninguém atrapalhando o fim de semana das duas como normalmente acontecia em sua casa quando ela pensava que tinha a casa só para elas e do nada aparecia Frankie ou Tommy invadindo seu quarto, não era nada agradável.

Á pedido de Maura, as duas passaram a sexta-feira à noite em casa. Claro que foi muito, mais muito difícil mesmo convencer a morena a trocar uma sexta-feira que tinha uma festa por esquina, para ficarem em casa comendo seja lá o que fosse que Maura tinha pedido para que a empregada fizesse no jantar. Pois é... Os pais de Maura poderiam ter ido viajar, mas deixaram a empregada, coisa que na realidade não incomodava, pois Jane sabia que aproveitaria a casa da namorada com ou sem empregada, mas Jane queria aproveitar a casa depois das festas da sexta-feira, só que com muito custo, bicos e carinha de criança pidona Maura conseguiu convencê-la a passar a sexta-feira em casa jantando com ela.

– Eu poderia me acostumar com essa vida. – Comentou Maura após terminar de tomar um gole de seu suco. – Você não?

– Mesmo não sabendo o que eu estou comendo... Sim, claro! Sempre bom uma excelente refeição. – Respondeu Jane dando uma garfada em sua comida arrancando risos da namorada. – O que? – Perguntou com a boca ainda cheia de comida.

– É que eu não estou falando da comida, Jane. Estou falando de nós duas sozinhas em casa.

– Tecnicamente não estamos sozinhas. Sua empregada fica toda hora vindo nos espionar e ela acho que eu não percebi. – Fez uma careta. – Mas sim, me acostumaria fácil com mais fim de semana desses. – Abriu um pequeno sorriso deixando suas covinhas a amostra antes de colocar mais uma garfada de comida na boca.

– Não estou falando de só finais de semana Jane, estou dizendo a vida toda, como casadas.

Ao ouvir “como casadas” parecia que Jane tinha perdido toda a força de seu corpo, tanto que largou o garfo, que fez barulho ao cair no prato, e a única coisa que conseguiu fazer durante alguns segundos foi encarar Maura como se só de olhá-la conseguisse entender que aquilo era algum tipo de brincadeira, mas pelo visto não era, pois a namorada estava a encarando com um olhar de confusão devido a possível cara de assustada que ela fazia.

– Você não está pensando que vamos realmente casar, está? – Perguntou erguendo uma das sobrancelhas realmente preocupada com a resposta que podia receber.

– Não, claro que não! – O suspiro de alivio de Jane foi completamente visível ao ouvir aquilo. – Não agora, ainda somos jovens, namoramos há quase 7 meses, mas no futuro, por que não?

– Primeiro... O casamento gay não é legalizado e segundo nós nunca vamos nos casar Maura.

– Não oficialmente devido a esse problema da legalização, mas...

– Mas nada Maura! – Disse com um tom de irritação. – Se você quiser casar vá namorar com outra pessoa, por que se continuar namorando comigo nós nunca vamos casar, eu não quero casar!

Deixando Maura sem entender absolutamente nada daquele surto repentino, Jane deixou a mesa e foi sentar no balanço que tinha no jardim da casa da namorada, lugar que foi encontrava minutos depois pela loira.

– Vai me explicar o que está acontecendo? – Maura perguntou sentando-se no balanço ao lado da namorada. – Isso tem a ver com você sempre dizer que é uma Rizzoli?

Jane não sabia na realidade o que dizer. Não sabia como explicar o porquê de toda a exaltação de minutos atrás, mas sabia que tinha muito o que agradecer, pois se fosse qualquer outra pessoa que ouvisse o que Maura ouviu sem duvidas já teria começado uma enorme discussão, mas esse não era o jeito de sua namorada, e pelo jeito Maura a conhecia como ela pensava que alguém não podia a conhecer em tão pouco tempo. Se balançando um pouco no balanço Jane olhou para Maura por alguns segundos, voltou sua atenção para o chão e soltou um longo suspiro.

– Meu pai foi embora e eu pensei que tinha sido por minha causa, por não ter aceitado que eu gostava de garotas, pois quando eu contei ele não disse nada e sempre que ele conversava comigo eu não sabia o que ele estava pensando porque ele não falava comigo sobre o assunto, então ele foi embora sem nem ao menos se despedir e eu pensei que tinha sido por isso, por eu não ser a filha “normal” que ele pensava que eu era. – Jane fez uma pausa, mas continuava encarando o gramado do jardim e não pode prestar atenção na forma que Maura lhe olhava enquanto ouvia sua história, uma olhar cheio de carinho e compaixão que ficava ainda melhor no rosto angelical que ela tinha. – Só que depois de um tempo ele voltou e eu me enchi de esperança pensando que ele só tinha tirado um tempo para pensar e que tinha voltado para casa, só que então eu o ouvi conversando com minha mãe dizendo para ela parar de procurá-lo, que ele não queria e não ia voltar para casa, que ele já estava cansado dessa “coisa” de família, que ele queria aproveitar a vida, e com aproveitar a vida ele quis dizer sair com mulheres que tinham idade para serem minhas irmãs. Eu fiquei muito irritada com aquilo, minha mãe ficou devastada e eu jurei que não ia ser que nem ele, mas quando percebi, eu já estava sendo igual ele. Eu ficava com as garotas, dizia que não queria compromisso, fazia com que elas me odiassem e nesse meio tempo colocava fogo em ginásios de escolas por que não sabia controlar a raiva que estava sentindo do meu pai.

– Você não é como seu pai, Jane. – Maura disse com uma voz calma, doce, fazendo assim com que Jane finalmente olhasse para ela.

– Você tem certeza?

– Nunca fiquei sabendo que você abandonou uma família por ai. Como você mesma disse, você ficava com as garotas, mas sempre dizia que não ia passar daquilo, você não as iludia, isso mostra que você é diferente.

– Eu tinha jurado para mim mesma que jamais iria me apaixonar, pois eu não queria machucar ninguém, mas então você apareceu... – Jane voltou a olhar para o gramado. Sempre foi péssima em se expressar, mas nesse dia em especial parecia que estava sendo pior ainda. – Você é a mulher da minha vida Maura e eu te amo tanto que só de pensar que talvez eu possa te magoar acaba comigo. – Voltou a olhar para namorada que agora lhe encarava com um pequeno sorriso nos lábios e com o mesmo olhar doce. — Eu não posso pensar em ter uma família com você, porque eu não sou gente, eu não sou confiável, eu posso ser sim igual ao meu pai e eu não quero que você tenha isso na sua vida.

– Quando começamos a namorar você disse que ia me trair. Ainda não fiquei sabendo de nenhuma traição.

– Porque elas não existem. Quando eu estou com você eu não tenho vontade de estar com mais ninguém.

– Nós ainda somos jovens, Jane. – Maura levantou-se do balançou e foi até Jane parando de frente para ela, fazendo com que a namorada a encarasse. – Ainda temos muito que fazer para casarmos e assim como você dizia que não era alguém para se apaixonar, que nunca ia namorar, as coisas mudaram, você está namorando, comigo. – Abriu um sorriso que fez com que Jane abrisse um pequeno sorriso também. – E eu posso esperar até você estar pronta para casar, assim como esperei sete meses para ouvir seu primeiro “eu te amo”.

– Maura nós completamos sete messes esses dias, eu não demorei... – Fez uma pausa. – Oh meu Deus! Eu acho que andei dizendo “eu te amo” mentalmente para você esse tempo todo e... Droga! Saiu na pior hora.

– Não... – Maura deu um leve beijo nos lábios de Jane. — Saiu na melhor hora.

Com um imenso sorriso Jane puxou Maura para mais perto de si a agarrando pela cintura e lhe deu um beijo. Tinha pensado em várias formas de contar para a loira essa sua história com seu pai, mas nenhuma delas era desse jeito e particularmente tinha saído melhor do que ela esperava.

– Eu prometo que quando eu estiver pronta para ter uma família eu vou bater na porta da sua casa e te pedir em casamento para que possamos começá-la, por que se eu não for formar uma família com você, não vou formar com mais ninguém.

Se as coisas estavam maravilhosas no passado, no presente estavam longe disso.

De todas as decisões estúpidas que tinha tomado em sua vida, uma das que Jane classificava como uma das maiores foi ter ido para o Retiro-SPA-Academia, ela ainda não tinha entendido muito bem o que aquele lugar era, provavelmente uma junção dos três, mas só de pisar no lugar ela já estava odiando tudo e queria voltar para casa, só que ela sabia que isso não era possível, que teria que passar um mês nesse lugar onde as pessoas pareciam que estavam de férias em um hotel cinco estrelas de tão felizes e animadas que elas eram, nem parecia que tinham sofrido algum tipo de trauma que as afastaram do trabalho e por isso estavam ali. Ela detestava a felicidade daquelas pessoas, mas não porque elas estavam felizes, mas sim porque ela não compartilhava daquela felicidade.

Todos os dias pareciam que eram os mesmos. Acordava em determinada hora, tomava seu café da manhã, tinha uma hora de descanso, então ia para o campo onde passava quatro horas tendo treinamentos idênticos com os que teve quando foi para a Academia de Policia, depois do treinamento tinha mais uma hora de descanso, almoço, duas horas de terapia em grupo e depois tinha o restante do dia livre para fazer o que tivesse vontade de fazer, o que não era pouca coisa, pois o lugar dispunha de piscina, uma sala de jogos imensa, que incluía um X-box com pessoas pagando mico dançando no tal kinect ou sendo completamente competitivas no novo GTA, mas Jane não tinha humor para fazer nada disso, pois ela sentia falta de casa.

Mesmo sabendo que não deveria sentir falta de casa já que Maura possivelmente em sua ausência estaria dividindo ela com outra mulher, ela sentia, mas não só da sua casa em si, mas de Boston. Sentia falta de sua mãe e de seus conselhos e puxões de orelha que ela não gostava nenhum pouco. Sentia falta de conversar com Frankie, Frost e Korsak. Sentia falta da Beth e de seu nosense. Sentia falta de TJ, de passar um tempo com ele, estranhamente sentia falta até de trocar suas fraldas e obviamente também sentia falta de Maura. Estava machucada, magoada e irritada sim, mas não conseguia fazer com que seus pensamentos fossem para outros lugares ao invés dos ótimos momentos que ela passava com a ex-namorada. Quando ela ligava para casa os assuntos só eram relacionados ao TJ, assim quando elas estavam brigadas, ás vezes Jane tinha vontade de puxar uma conversa, mas se segurava. A realidade era que ela só queria que as coisas se ajeitassem e que ficasse tudo bem para quando ela voltasse para casa.

E ás vezes até parecia que estavam se ajeitando...

– Parece que os primeiros dentes já estão nascendo. – Maura contou animada. – Está mordendo tudo que vê pela frente, e claro que sua mãe mais a minha mãe já encheram essa casa de mordedores. – As duas soltaram um pequeno riso.

– Se os dentes saírem antes de eu voltar, por favor, me mande fotos, eu quero ver os dentinhos.

– Pode deixar que você vai ser a segunda a vê-los, porque a primeira serei eu, claro. Mas... Como você está?

– Morrendo de tédio. – Sabia que Maura ia abrir a boca para explicar o motivo de não podermos morrer de tédio, mas ela foi mais rápida que a ex-namorada. – É... Eu sei que pessoas normais não morrem de tédio, mas o meu caso pode ser raro. – Ouviu uma risada do outro lado da linha. Foi inevitável não abrir um sorriso, sentia tanta falta daquela risada. – Mas eu estou bem... Pelo menos posso olhar essa noite bonita que está fazendo hoje aqui deitada na minha rede.

– Deitada na rede?

– Sim. Do lado de fora do chalé que eu divido com mais três pessoas tem uma rede. Gosto de passar algum tempo deitada aqui. Ainda mais com uma noite como essa.

Desde o primeiro momento que Jane tinha citado a noite, Maura foi até o lado de fora da casa para ver o que a ex-namorada estava vendo, pelo menos para se sentir um pouco mais perto dela.

– Sabe o que essa noite me lembra? – Jane nada disse. Só esperou que a própria Maura concluísse. – Quando íamos a praça que aconteceu nosso segundo beijo. Passávamos horas deitadas no grama olhando as estrelas.

– Não tem como esquecer. Eu ficava dando nome as estrelas e você nunca entrava na brincadeira.

– Você deu meu nome para uma das estrelas e ainda prometeu que aquela estrela seria minha.

– E você brigou comigo dizendo que não podíamos ser donos das estrelas, mas o que você não sabe é que hoje em dia podemos comprar uma estrela e dar um nome para ela. Vem até com certificado, as coordenadas de onde encontrá-la e um mapa para emoldurar onde a estrela comprada fica em destaque.

– Não sei qual a necessidade. Tanta coisa que poderia ser feita com o dinheiro, como doar para instituições de caridade, vai ficar gastando comprando uma estrela que você provavelmente nem vai consegui-la vê-la em olho nu?

– Isso quer dizer que você não quer que eu cumpra minha promessa?

Pois bem... Jane sabia que desde o momento que não cortou Maura quando a loira perguntou como ela estava alguma coisa assim acabaria ocorrendo e não foi diferente. Pensou em alguma forma de como encerrar o assunto, mas era a vez de Maura dizer alguma coisa ao telefone.

– Eu sinto sua falta, Jane.

– Fale para o TJ que eu o amo e que sinto falta dele, tudo bem?

Jane poderia ter respondido que também sentia falta dela, ver aonde aquela conversa as levaria, mas ela sabia que se fizesse aquilo no outro dia estaria arrumando suas malas para voltar para casa, então fez o que deveria ter feito desde o começo da conversa com Maura, encerrou o assunto com o motivo da ligação: TJ. Claro que ao encerrar a ligação seus pensamentos não cessaram e olhando para o céu ela só conseguia lembrar dos ótimos momentos que teve com Maura só olhando para aquele céu, mas o que ela não sabia era que a ex-namorada fazia a mesma coisa de sua casa em Boston.

Só que nem sempre os telefonemos acabavam assim. E essa era a parte que parecia que as coisas não estavam se ajustando...

– Alô!

Definitivamente a voz que Jane ouvia do outro lado da linha não era a de Maura e consequentemente seu sangue já começou a ferver.

– Nossa Julie, me desculpe! – Claro que o sarcasmo já era evidente no tom de voz de Jane. — Eu poderia jurar que estava ligando para casa já que eu não estou conseguindo falar com a Maura pelo celular, mas como você atendeu ao telefone eu devo ter ligado para sua casa sem querer, pois se eu tivesse ligado para a minha casa Maura teria atendido, porque ela vive lá, então teoricamente ela que tem que atender ao telefone, já que TJ mesmo esperto do jeito que é ainda não consegue atender e já está tarde para você estar na casa dos outros.

– Não tem o que se desculpar Jane. – Se a morena podia ser sarcástica ela também podia. – Você não ligou para a minha casa, mesmo porque eu não estou lembrada de ter te passado meu número, então você não podia ligar para mim por engano já que você não o tem. – Ouviu um bufar de Jane do outro lado da linha. – Maura está tomando banho e já tem algum tempo, deve sair a qualquer momento, se você quiser podemos conversar e nos conhecermos melhor enquanto ela não sai ou você pode ligar daqui a pouco.

– Só avisa a Maura que eu liguei e que ela não precisa me ligar de volta.

– Você tem cer... – Mas antes que pudesse terminar a frase percebeu que já estava falando sozinha. – Meu Deus!

– Era a Jane?

– Era. – Maura ia pegar o telefone para retornar a ligação, mas foi impedida por Julie pegando o aparelho antes. – Acho melhor você não retornar a ligação.

Maura soltou um longo suspiro e sentou-se ao lado de Julie no sofá.

– Por que tudo tem que ser tão difícil?

– Não pergunte para mim amiga.

***

Mesmo com Jane fora Maura não conseguiu se livrar de mais uma visita da assistente social. Pelo menos dessa vez ela resolveu fazer a visita em horário comercial, mas mesmo assim Maura estava nervosa, tinha medo de falar alguma coisa errada e isso comprometer a guarda de TJ, e ela não queria que isso acontecesse, primeiro por amar o menino como se fosse seu filho e segundo se a relação dela com Jane já estava ruim imagine se a guarda do menino fosse comprometida? Por sorte Julie estava em sua casa aquela hora e como trabalhava com crianças deveria lidar melhor com assistentes sociais, mas a realidade era que de sorte aquilo lá não tinha era nada.

– Eu sei que a Jane teve que se ausentar da cidade devido ao seu problema com o trabalho, mas... – Voltou seu olhar para Julie. A pediatra podia jurar que sentiu sua pele queimar, então desviou o seu olhar de Janine para TJ que estava em seu colo. – Ela está morando aqui?

– Morando? Não. Não. Não! Ela... Ela é só uma amiga.

– Olha... Eu preciso ser sincera... Não estou feliz com essa situação não. Primeiro você e a Jane fazem sexo e agora você e...

– Julie. E nós não fizemos sexo. Como Maura disse... Somos só amigas.

– Hum...

– É sério! – Maura já estava mais nervosa que o normal. Aquela mulher conseguia lhe intimidar. Foi tão mais fácil lidar com ela quando estava bêbada. – Nós nos beijamos só uma vez, mas faz tempo, foi antes de sermos amigas e... – Resolveu se calar, pois estava recebendo um olhar de reprovação de Janine. – Você não tem nenhuma pergunta sobre o TJ?

– Nem... – A mulher fechou a pasta que sempre carregava. – Não faço perguntas, eu só observo. – Janine olhou para TJ que mordia seu mordedor, aparentemente não se importando com o que acontecia a sua volta, e tanto Maura quando Julie podiam jurar que a mulher tinha esboçado um pequeno sorriso. – Como eu disse da primeira vez... Pensei que esse seria um caso fácil, mas... Depois disso vou voltar para os divorciados, menos dor de cabeça. – Levantou do sofá. – Fico feliz que não esteja alcoolizada dessa vez senhorita Isles. Tenham uma boa tarde e não precisam me acompanhar até a porta.

Maura não podia dizer se aquela visita tinha sido pior do que a primeira. Provavelmente deveria ter sido, pois como já foi mencionado, da primeira vez ela estava bêbada.

– Da primeira vez que ela veio você estava bêbada? – Julie perguntou incrédula. – Sério Maura?

– Você que tinha dito para eu beber. Foi no dia que nos conhecemos.

– Não achei que tivesse que especificar que era uma taça de vinho. Você bebeu o que? A garrafa inteira?

– E se não me engano uma garrafa de cerveja também.

– Maura!

A loira dos olhos verdes amarronzados a encarou com um olhar de confusão e em seguida as duas caíram na gargalhada.

Mesmo que certas horas batesse aquela saudade de Jane que dava vontade de pegar seu carro e ir atrás da ex-namorada, Julie estava fazendo com que a ausência da morena fosse suportável. Não havia duvidas nenhuma que aquele beijo trocado no primeiro encontro não significou absolutamente nada, que elas seriam ótimas amigas e era exatamente isso que elas eram. A pediatra lhe distraia com várias de suas histórias, ainda mais com seu passado amoroso, que mesmo que às vezes ela percebia que não era fácil para Julie entrar em certos assuntos, ainda mais quando se tratava de sua “longa história”, ela contava. Maura também podia contar com vários conselhos da amiga, ainda mais quando era relacionada a sua relação com Jane, se é que iria haver alguma relação quando a morena voltasse. E por fim a ajudava a cuidar de TJ, mesmo que isso não fosse de sua obrigação, mas a loira dos olhos verdes claríssimos vivia dizendo que não se importava, que já estava acostumada a cuidar de crianças devido aos seus três sobrinhos. Julie era uma pessoa maravilhosa para passar o tempo, porém quando Julie ia embora e TJ dormia, não tendo com o que ela se distrair, seus pensamentos não hesitavam em pensar em Jane e lembrar da saudade que ela estava da ex-namorada e o mais importante, fazia com que ela pensasse se as coisas não podiam ser diferentes se ela tivesse dito pra Jane que tudo não se passava de um mal entendido, mas agora não tinha muito o que pensar sobre isso, o que estava feito, estava feito.

Mesmo diante de diversas atividades, rodeada de diversas pessoas, com Jane era a mesma coisa, só era chegar a noite e ela ter algum tempo sozinha que seus pensamentos iam diretamente para Maura e ela ficasse se questionando se as coisas não poderiam ter sido diferentes. Ás vezes ela tinha vontade de perguntar para a loira o que realmente acontecia entre ela e Julie, se era algo sério, mas no fim as coisas que tinha ouvido quando resolveu ir para o retiro vinham em seu pensamento e ela chegava a conclusão que não tinha nada a ser feito, que Maura tinha seguido em frente, então o que lhe restava era ficar olhando o plano de fundo de seu celular e ficar imaginando como as coisas poderiam ter sido.

– Ei Rizzoli, estamos indo para um happy hour. Ta a fim de se juntar a nós? – Perguntou Cooper, um dos companheiros de chalé de Jane.

– Happy hour com suco de frutas sem nenhum álcool?

– A gente faz o que pode não é verdade? Você está precisando se divertir. O mês está acabando e... – Cooper puxou o celular da mão da Jane, pois tinha percebido que estava falando sozinho, já que ela não tirava a atenção do aparelho. – O que é isso? – Ele olhou o plano de fundo do celular e abriu um sorriso. – Gente corre aqui! Jane é casada!

Em segundos Ryan e Jennifer apareceram em frente a cama de Jane e o celular foi passado para as mãos dos dois para que pudessem entender ao que Cooper se referia.

– Isso é mentira! – Disse Ryan perplexo. – Como alguém como a Jane poderia ter casado com alguém como essa loira aqui? Jane é um pé no saco, impossível!

– Se vocês se esqueceram eu estou aqui ainda.

– Meu Deus! Como seu filho é lindo, Jane. – Disse Jennifer completamente eufórica, adorava crianças. – Por que você não nos contou que era casada?

– Agora está explicado esse mau humor todo. – Disse Cooper. – Até eu se tivesse que passar um mês nesse retiro e deixar uma mulher dessas eu ficaria mal humorado.

– Larga de ser idiota Cooper. – Jennifer deu um tapa no braço dele. – Ela está assim porque veio pra cá brigada com a esposa, não é verdade?

– Vocês não precisam dar uma de detive para saber as coisas da minha vida não. – Respondeu um pouco irritada. – Vocês não iam pro happy hour sem álcool?

– Eu sou casada Jane. Meu marido é maravilhoso, mas tivemos nossos problemas, quase nos separamos, mas eu resolvi lutar pelo meu casamento e agora temos dois filhos. Você tem uma família maravilhosa, seja lá o que estiver acontecendo com vocês duas tenho certeza que vocês vão superar e resolver, nessa foto da para perceber o quanto ela te ama.

– E da para perceber também o quanto você a ama. – Disse Ryan. – Mas também... Com uma loira dessa, quem não ia amar?

– Você sabe que é por isso que você é solteiro, não sabe? – Disse Jane arrancando risos de todos. – Eu não sei se vai dar para resolver isso.

– Quando o amor é verdadeiro e a família é essa lindeza como a sua, com toda certeza da para resolver. – Jennifer devolveu o celular para Jane. – Agora vamos nos divertir um pouco no nosso happy hour sem álcool.

Família. Durante o happy hour que Jane se deu por vencida e resolveu ir tentar se divertir um pouco com o trio, mas essa palavra ficou martelando em sua cabeça. Mesmo com seu pai indo embora quando ela era adolescente com a desculpa de que estava cansado de ter uma família, ela teve um ótimo exemplo de uma. Angela era uma mãe maravilhosa e apesar dos pesares ela não tinha o que reclamar sobre ter Frankie e Tommy como irmãos, mas depois que ela começou a conviver com Maura e começar a criação do seu sobrinho com a ajuda da ex-namorada, ela tinha começado a sentir que aquilo era o começo de sua família, pois ela podia esconder para o mundo, mas não podia esconder para si mesma que o TJ tinha passado há muito tempo de ser só o seu sobrinho, ele tinha passado a ser seu filho, ela amava o menino como se fosse seu filho e tinha certeza que Maura também o amava assim, mesmo que ela não comentasse, mesmo que ela continuasse dizendo que após terminar esse um ano ela não brigaria e entregaria a guarda integral para Jane e mesmo que elas tivessem separada, ás vezes ela se sentia como se realmente fosse casada com Maura, pois a ligação que as duas tinha era tão forte que não tinha como se sentir diferente. Estranhamente pensar em uma família, em constituir uma família com Maura não causava mais pânico em Jane, não como era quando ela era adolescente que vivia fugindo do assunto e dizendo para Maura que nunca casariam, que ela não estava pronta para tal compromisso, mas agora essa ideia lhe agradava e muito, aliás, começou a pensar que nada lhe faria mais feliz do que formar uma família com Maura e outros pensamentos começaram lhe rondar e ela precisava de alguém para conversar.

– Estou ocupada.

Disse uma Elisabeth que tinha acabado de colocar o celular no viva-voz para que não fosse completamente atrapalhada em seja lá o que fosse que ela estivesse fazendo no computador.

– Você está vendo vídeos dessa tal de Claudia Leitte no Youtube de novo? Qual sua doença, Beth?

– Não tenho doença nenhuma e se você ouvisse as músicas que te mandei no WhatsApp também estaria vendo vídeos da NegaLora no Youtube.

– Eu ouvi uma música... – Ao invés de cantar a música, Jane só a citou, ainda em um tom de que estava citando a coisa mais absurda da face da Terra. — Lirirrixa, dibaleia, badala, badala, balada, rucutum, tam, tam, tam... Que língua é essa? É algum tipo de macumba?

– Como você é ridícula! Não entende nada mesmo. Eu também não entendo, mas essa música o que vale é a coreografia. Aliás... Deixa eu cantar um pedaço de uma música nova pra você, a coreografia é ótima. Escuta... Virou, mexeu, tirou ondinha, vai na tarrachinha. – Jane podia não estar vendo a amiga, mas tinha certeza absoluta que além de cantando Beth estava fazendo a coreografia e ela não estava errada. – Você tem que aprender, Jane!

– Por que eu sou uma pessoa que adora dançar, não é verdade? – Disse sarcasticamente. – Tenho dó dessa Claudia, tenho certeza que você não deve deixar a mulher em paz no twitter.

– Me respeita Jane! Eu falei com uns contatos meus e eles vão me arrumar o número do celular dela.

– Você sabe que você não fala português, não sabe?

– Claro que eu sei falar português!

– Ah claro! Igual quando tivemos que fazer um trabalho de História e tínhamos que escolher um país e escrever um texto no idioma deles e você escreveu altas barbaridades sobre o professor?

– Aquilo foi proposital. – Fez uma careta. – E se você não sabe estou aprendendo a dizer várias coisas usando o Google Tradutor, ta bom?

– Okay. – Jane soltou um suspiro se segurando para não rir, essa era sua melhor amiga Beth, sempre nosense e não seria ela que mudaria isso. – Será que você pode deixar sua obsessão de lado cinco minutos e me dar atenção?

– Espero que sejam cinco minutos mesmo, porque eu ainda tenho outro DVD para assistir. Fale...

– Esse relacionamento...

No xenhenhém

No xenhenhém

Você vai se dar bem

Jane foi interrompida com essa música tocando do outro lado da linha.

– Desculpa! Apertei sem querer o play. – Disse colocando o notebook do seu lado da cama para não correr o risco de começar a tocar música de novo. – Diga...

– Esse relacionamento da Maura com a Julie é sério?

– Muito sério. – Ao ouvir aquilo Jane deu uma desanimada. – Tão sério que elas vão casar mês que vem e Maura me chamou não só para ajudar com os preparativos do casamento, mas também para ser sua dama de honra, porque somos muito amigas, melhores amigas para falar a verdade. Se quiser eu te arranjo um convite do casamento. – O desanimo de Jane já tinha ido embora depois de todo o sarcasmo de Beth. – Se ajuda Jane! Não vejo a Maura desde que você foi pra esse retiro ai porque tenho medo dela conseguir me matar com o olhar, não sei se esse relacionamento dela com a Julie é sério, mas o que eu sei é que você tem que parar de ser ridícula e voltar logo, porque se não for sério corre o risco de virar. – Mesmo não vendo a amiga, Jane sabia que Elisabeth estava com um sorriso cínico no rosto.

– O que você entende de alianças?

– Não fala em aliança. Só consigo lembrar do ridículo do Warren. Acredita que ele me bloqueou no facebook? – Disse aparentando estar realmente indignada com aquilo.

– O que você fez?

– Eu não fiz nada!

– Uhum...

– Esses dias tinha uma mulher com maior cara de rodada cheia das graças pra cima dele, parecia que os dois tinham saído pra jantar, ai ficavam lá exibindo as fotos que tiraram juntos. – Revirou os olhos fazendo uma careta. – Então chamei essa criatura no chat e disse que o Warren não era fazendeiro pra ficar dando milho pra galinha, só que acho que ela contou para ele nossa pequena conversa, então ele me chamou no chat e disse para eu ir cuidar da minha vida e me deu block. Eu me divorciei dele para que ele conhecesse uma ótima mulher, alguém melhor que eu, não essas rodadas. Mas pelo menos ele me bloqueou, mas parou de falar com ela.

– Como você sabe?

– Eu o adicionei com sua conta do facebook.

– Você fez o que? Eu troquei minha senha desde que você usou minha conta pra entrar naquele grupo e votar na sua foto.

– Sou sua melhor amiga Jane, suas senhas são todas previsíveis, por favor.

– Enfim... O que você entende de alianças?

– Nada! Warren que comprou a de noivado e casamento, só que eu fui obrigada a devolvê-las porque aquela velha louca da mãe dele disse que se eu ficasse com as duas era capaz de eu penhorar para pagar mulheres pra dormir comigo. Absurdo! Mais fácil as mulheres pagarem pra dormir comigo do o contrário. Mas para que você quer saber?

– Por que eu preciso comprar uma já que vou pedir a Maura em casamento.

– Você vai o que? – Perguntou perplexa. – Da onde surgiu isso? Porque se eu me lembro bem ontem você estava querendo se matar.

– Eu não estava querendo me matar. – Respondeu em tom de tédio. – Esse tempo que eu fiquei nesse lugar clareou minha mente. Então vou tentar uma última vez.

– Okay. Eu te ajudo a comprar a aliança então. – Jane se surpreendeu ao ouvir aquilo. Pensou que Beth fosse dar um milhão de motivos pelo qual ela não deveria pedir Maura em casamento, mas no fim das contas ficou feliz em ouvir aquilo, pois sabia que sempre podia contar com a amiga. – Vou te mandar Pensando em Você e Busy Man da Claudinha, assim você podia escolher uma das duas músicas para fazer o pedido ou cantar as duas, acho que não tem nada não.

– Como eu saio desse lugar amanhã mesmo... Passo no seu apartamento quando chegar e vamos atrás da aliança.

– Quem diria que você ia virar gente antes de mim hem? Nossa, nossa! Mas era só isso? Porque tenho que olhar aqui se meu contato me arranjou o número da Claudinha. Essa vida de Bolha Bagunceira não é fácil.

– Obrigada Beth.

– Estamos aqui pra isso.

Mesmo não entendendo absolutamente nada sobre alianças, as duas foram para a joalheria assim que Jane voltou para Boston. Passaram mais de uma hora no lugar, pois mesmo que fosse Jane que ia pedir Maura em casamento, Beth sempre discordava das alianças que ela escolhia, não parecendo nada com aquela pessoa que disse que não entendia nada de aliança, para falar a verdade Beth tinha uma visão melhor de alianças que Maura poderia realmente gostar do que a própria Jane. Depois de muitas discussões e de quase terem sido expulsas da joalheria por causa das discussões, finalmente conseguiram escolher a aliança. Beth pensou que depois daquilo Jane já iria para casa pedir a loira em casamento, mas se enganou, já que Jane tinha dado crise de “isso é o certo a fazer?” e Beth teve que tirar conselhos que ela nem sabia que tinha potencial para dar para encorajar a amiga a ir em busca de sua felicidade.

Não foi surpresa quando Jane chegou em casa e encontrou Maura e Julie sentadas no balcão da cozinha tomando uma taça de vinho. Imaginou que elas deveriam fazer isso sempre na sua ausência e era isso que elas estavam fazendo quando a morena resolveu ir para o tal retiro. Mas a cena não fez com que ela desistisse do seu propósito, pelo contrário, lhe deu mais coragem.

– Jane... – Maura disse surpresa por ver a ex-namorada ali. Não sabia que ela voltaria antes do fim da semana. – Eu...

– Me deixa falar... – Disse fazendo sinal para que Maura não completasse o que tinha a dizer. As loiras já pensaram que ia ter discussão. – Eu nunca fui de ter responsabilidade com nada na minha vida, e mesmo depois que entrei para policia não me achava a pessoa mais responsável do mundo, ainda me sentia aquela adolescente que tinha medo de responsabilidade, que tinha medo de compromisso, que tinha medo de se envolver e que provavelmente devo ter destruído tudo por causa desse medo, não que isso justifiquei minhas atitudes... E ter você de volta no começo me deixava com raiva, pois me fazia lembrar da minha irresponsabilidade, me fazia lembrar que meu medo de compromisso fez com que eu te perdesse e também me fazia lembrar que por mais que eu tentasse você nunca ia deixar de ser a mulher da minha vida. – Ainda não era para Maura falar nada e ela sabia disso, mas mesmo que quisesse dizer alguma coisa não ia conseguir, pois palavras lhe faltavam naquele momento e seus olhos estavam começando a se encher de lágrimas. Estava morrendo de saudade de Jane e nunca na vida estava esperando que a ex-namorada ia aparecer dizendo as coisas que ela mais tinha esperado para ouvir esse tempo todo. – Esse tempo que eu fiquei fora fez com que eu pensasse na minha vida, pensasse em nós e eu cheguei a conclusão que eu quero nós, que eu não posso viver sem nós, mas não “nós” eu e você, mas sim “nós” eu, você e TJ, nossa família. Eu quero ter a responsabilidade de ter essa família, pois agora eu sei que não vou a lugar nenhum, que eu nunca vou me cansar de dizer que você é minha esposa, que eu tenho uma família maravilhosa. Então eu estou cumprindo a promessa que eu fiz agora, pois eu estou realmente pronta para ter uma família Maura, ao seu lado, por que eu te amo e eu quero formar uma família com você. – Maura pensou que não podia vir nada em seguida depois daquilo, mas então Jane a surpreendeu se ajoelhando ali na frente e abrindo uma caixinha preta. – Você quer casar comigo Maura?

Notas finais
Qual será que vai ser a resposta da Maura hem? Sim? Não? Talvez? Só digo uma coisa... Ela vai dizer... Melhor deixar vocês descobrirem no próximo capítulo xoxo