Notas iniciais
Capítulo dedicado a Naiade, Nai, Princess Nai, chamem como quiser, mas não façam amizade por que não curto não dividir as minhas amizades, enfim... Espero que goste Nai, começando pelo nome do capítulo ♥

Ótima leitura!

Quatro dias tinham se passado desde que Maura tinha pegado Jane lhe traindo e desde então ela não saia do quarto para nada. Sabia que não tinha motivos para estar arrasada daquele jeito sendo que desde o começo de seu relacionamento com a Jane ela tinha sido avisada pela própria namorada que eventualmente ela acabaria lhe magoando, machucaria seu coração e tudo iria acabar, assim como ela sabia também que se acabasse o caminho certo a seguir era ir para Londres e se tornar a médica que sempre sonhou, mas mesmo sabendo de todas essas coisas estava difícil parar de chorar, estava difícil acalmar seu coração, como estava difícil também querer seguir em frente sabendo que não teria Jane ao seu lado.

Estava trancada em seu quarto, como sempre desde a separação, já tinha chorado sua quota diária e estava pensando em o que ia fazer de sua vida, mesmo que a resposta fosse a mais óbvia de todas, quando ouviu bateram na porta de seu quarto.

– Pode entrar. – O tom era desanimado, era o único tom que ela tinha ultimamente, além de pensar que fosse sua mãe com mais um de seus discursos de como era errado ela ficar trancada no quarto as férias todas, mas foi surpreendida e sua expressão fechou quando viu que quem batia era Elisabeth. – O que você está fazendo aqui? – Depois de quatro dias o tom desanimado mudou para um tom ríspido e com um pouco de irritação.

– Eu sei que eu e a Jane somos as últimas pessoas que você que ver na face da terra. – Elisabeth adentrou mais no quarto, estava receosa, não sabia como era Maura irritada, vai que ela lhe tacava algo. – E eu sei também que você tem toda razão do mundo para me odiar pelo resto da sua vida e não querer levar em consideração nada que eu tenho a dizer, e eu não vou discordar disso, mas mesmo assim eu preciso dizer, eu só queria que você deixasse a Jane conversar com você, ela te ama Maura e está arrasada por você não querer falar com ela e por saber que te fez sofrer, porque te fazer sofrer era a última coisa que ela queria na vida.

– E mesmo assim ela fez! – Beth sabia que Maura estava magoada e irritada, porque ela era tão doce e gentil falando com todo mundo, até com ela mesma e agora estava com a voz carregada de dureza. – Eu não duvido que a Jane me ame, mas eu também não duvidada de que ela não iria me trair, que ela podia mudar, mas... – Ergueu os ombros. Ainda bem que já tinha se acabado de chorar, caso contrário não conseguiria parecer tão firme e inabalável naquele momento.

– Mas a Jane mudou! E no fundo você sabe disso Maura, ela nesse tempo todo de namoro nunca te traiu, pelo contrário, ela dizia que não tinha vontade de ficar com garota nenhuma que não fosse você, mas você conhece a Jane, sabe como ela é estourada e faz coisas sem pensar.

– E isso quer dizer que ela mudou? Toda vez que ela ficar muito irritada comigo ela vai me trair com você e eu vou ter que aceitar isso? Por que não namoramos nós três logo?

– Não seria uma má ideia, mas eu acabaria traindo vocês duas e... – Beth resolveu não concluir devido o olhar de repreensão que Maura lhe mandava. – Desculpa.

– Me fala a verdade Beth... Você ama a Jane não ama?

– Claro que eu amo a Jane! – O olhar de Maura se entristeceu, vinha pensando muito nisso ultimamente e ao ouvir aquilo muita coisa poderia se explicar. – Oh não, não... – Tinha percebido o olhar da loira e viu que ela tinha entendido errado. – Pelo amor de Deus, não! Eu não amo a Jane que nem você ama a Jane, não romanticamente, credo! Eu a amo como amiga, como uma irmã. – Fez uma pequena pausa refletindo sobre o que tinha acabado de dizer. – Não, como uma irmã não, senão seria uma relação um tanto quanto incestuosa... Jane não faz o meu tipo Maura.

– E porque você fez sexo com ela?

– Despedida? – Disse cerrando os dentes, não tão certa se podia dizer aquele tipo de coisa em uma situação como essa. Mais um olhar de reprovação de Maura. – Olha... Eu não sei por que eu fiz, mas sei que foi idiotice e que eu nunca mais vou transar com a Jane na minha vida.

– Eu não me importo Beth. Você e a Jane podem fazer o que quiserem. Agora se você não se importa eu gostaria de ficar sozinha. E diga para Jane que eu não querer falar com ela significa não querer falar com a melhor amiga dela também, então ela não precisa ficar te mandando vir aqui.

– Tudo bem. – Elisabeth se encaminhou até a porta do quarto, mas antes de sair ainda tinha algo que precisava dizer. – E não foi a Jane que me mandou aqui, ela nem sabe que eu vim e se souber é capaz de me matar, eu vim porque eu sou uma idiota e que mesmo sabendo que você não vai muito com a minha cara eu gosto de você Maura e me importo também, porque você foi a melhor coisa que aconteceu na vida da Jane esse tempo todo.

E sem esperar que Maura pudesse dizer algo – se é que ela ia dizer – Beth deixou o quarto da loira.

Pensou que já tivesse superado o episódio Jane e Beth, mas não tinha e a prova disso foi quando Maura resolveu ir encontrar Jane no Dirty Robber. Talvez sua mãe tivesse razão. Talvez ela devesse mesmo ter uma conversa com a Jane, aquela conversa que já tinha sido adiada por dezessete anos. Talvez Jane fosse agora alguém que ela pudesse mesmo se apaixonar e eram tantos “talvez” que ela resolveu dar uma chance para a conversa.

Infelizmente Maura deixou se animar com a possibilidade de finalmente poder ficar junto, poder reatar com a ex-namorada. Deixou se animar pelo pensamento de acordar todo dia nos braços de Jane e também deixou se animar pelas loucuras de sua mãe e se pegou imaginando como seria as duas cuidando de TJ, para sempre, como filho das duas e por causa de todas essas animações encontrar Jane conversando com Elisabeth no Dirty Robber, lugar onde as duas deveriam sentar e conversar, fez com que ela voltasse para a realidade e se lembrasse do motivo de ter dito que mesmo continuando apaixonada por Jane ela não voltaria para a morena, porque ela não tinha mudado e acabaria lhe fazendo sofrer de novo, então ao ver a cena ela foi embora, sem nem ao menos ser percebida e resolveu que iria parar de se iludir quando algo envolvesse sua relação amorosa com a Jane.

Não conseguiu dormir muito bem a noite e como parecia que TJ quis acompanhá-la os dois passaram boa parte da noite “conversando”. Jane e Maura tinham combinado que não acostumariam TJ a dormir na cama com nenhuma delas, mas naquela noite Maura precisava do bebê, ele lhe tranquilizava e não a julgava pelas decisões que ela tomava, tudo bem que ele não dava nenhum conselho também, mas era melhor assim, porque quando ela resolveu seguir o conselho de sua mãe só ganhou mais uma decepção.

Jane também não conseguiu dormir, sua cabeça passeava de pensamentos a lembranças e isso lhe dava raiva. Não raiva de Maura por tentar proteger seus sentimentos e ter dito não para uma segunda chance, mas sim raiva dela mesma por ter causado isso. Fazia muito tempo que ela não se lembrava como tinha sido feliz ao lado de Maura e também porque nunca namorou sério com mais ninguém nenhuma única vez. Ninguém era como a Maura, ninguém a faria feliz como a loira fez e mesmo se ela viesse a se relacionar com alguém poderia ficar com ela por um tempo, mas era capaz de acabar como o casamento de Beth acabou e ela não queria isso, uma coisa era passar uma noite com alguém com a promessa de que ia ligar ou não, outra coisa era sustentar um relacionamento que ela sabia que não ia ter futuro porque ela não seria feliz e consequentemente não faria a outra pessoa feliz.

Levantou-se naquela manhã antes de Maura, queria preparar um café da manhã, alguma coisa que indicasse que ela não estava brava e muito menos que tinha passado a noite com alguém. E foi com esse pensamento que a loira levantou. Foi até a cozinha com TJ no colo pronta para encontrar alguma garota vestindo uma roupa de desenho animado tomando seu suco de laranja, mas se surpreendeu quando encontrou Jane sozinha fazendo o café da manhã.

– Bom dia! – A morena desejou com um pequeno sorriso fazendo com que Maura estranhasse ainda mais seu comportamento. – Fiz seu café, não sei se ficou bom, porque essa sua máquina de fazer café é muito complicada e desnecessária.

– Está tudo bem Jane? – Maura teve que perguntar tentando passar tranquilidade, mas estava confusa. Tinha dito um “não” para Jane na noite anterior e agora ela estaca fazendo seu café da manhã? Colocou TJ na cadeirinha. – Olha... Sobre ontem, eu não quero que...

– Maura está tudo bem. – Jane a interrompeu. – Eu não estou brava, eu não tenho motivos, mas também o que eu disse ontem é verdade, eu vou provar para você que eu mudei, que eu mereço uma segunda chance. – Colocou um pouco de café na xícara que estava em cima do balcão e a empurrou até o outro lado do balcão onde estava Maura. – Seu café. – Ainda estranhando todo aquele comportamento bom humorado de Jane a loira pegou a xícara de café e deu um gole. – Bom? – Maura fez um afirmativo com a cabeça tomando mais um gole, estava realmente bom o café. – Você se importa de ficar com o TJ agora pela manhã? Meu chefe me ligou e quer que eu dê uma passada no departamento. Prometo que passo o resto do dia com ele quando voltar.

– Pode ir Jane, eu não me importo de passar o dia com o TJ. Não é meninão? – Em resposta ganhou uma risada de TJ. Jane acenou positivamente com a cabeça, pegou suas chaves e o celular que estava em cima do balcão, deu um beijo na cabeça de TJ e já ia deixando a cozinha... – Jane... – A morena se virou para encarar a loira. – Obrigada pelo café, está ótimo.

Jane mandou o sorriso mais doce possível, deixando suas covinhas a amostra fazendo com que Maura se derretesse, mas claro que a legista mascarou bem e só acompanhou com o olhar a ex-namorada deixando a casa.

Era tudo tão confuso. Ela estava irrita com Jane pela cena que tinha visto no Dirty Robber noite passada e ficava imaginando coisas que Jane poderia fazer só para ter mais motivos – não concretos. Não reais. – para continuar brava com a morena e ter a desculpa de não dar uma segunda chance ao relacionamento das duas, mas sem duvida alguma aquele comportamento matinal de Jane foi algo de se surpreender e algo também que fizesse Maura se questionar por alguns minutos se a ex-namorada não estava mentindo quando disse que mudou.

***

– Não me diga que essa reunião logo cedo é pra dizer que você está de volta? – Perguntou Frost ao ver Jane cruzando a entrada da sala.

– Não. – A detetive respondeu olhando em volta e estranhando todos estarem ali antes do expediente realmente começar. – Cavanaugh pediu para que eu viesse. Provavelmente deve querer me demitir porque o psicólogo não me libera para eu voltar a trabalhar e eu estou recebendo para nada.

– Bom dia a todos. – Cavanaugh desejou recebendo a atenção de todos. – Gostaria de agradecer por terem chegado antes do expediente para ouvir meu anuncio. Como vocês sabem a detetive Rizzoli ainda está de licença. – Ele apontou para Jane fazendo com que todos brevemente olhassem para ela e logo em seguida voltassem a olhar para Cavanaugh. – E com a ausência dela ficamos com um desfalque, não que detetive Frost, detetive Rizzoli e Sargento Korsak estejam fazendo um péssimo trabalho ou nossos policiais, não... Mas ajuda nunca é demais, então é com um imenso prazer que eu vou incluir mais uma detetive para nos ajudar com os casos. Alguns de vocês já devem conhecê-la, em especial a detetive Rizzoli, pois elas tiveram o prazer de trabalhar juntas durante sete anos. Quero que todos deem as boas vindas a detetive Elisabeth Miller. – Cavanaugh puxou as palmas fazendo com que todos aplaudissem Beth que ao ser anunciada saiu da sala do chefe. – É muito bom tê-la de volta detetive. – Cavanaugh apertou a mão da ruiva. – Atualizem a detetive sobre os casos em aberto. Rizzoli será que...

– Claro, mas antes... Bebeu comigo a noite inteira ontem e não teve a coragem de dizer que estava aqui em Boston para roubar o meu lugar? – Jane perguntou fingindo irritação.

– Eu queria fazer uma surpresa Rizzoli e já que você tinha estragado a surpresa de eu estar na cidade eu precisava manter essa.

As duas se abraçaram.

– Seja bem vinda de volta e vê se não resolve tirar mais dez anos de folga de Boston.

– Pode deixar. – A ruiva respondeu com um sorriso.

Boa parte dali não conhecia Elisabeth, eram poucos os rostos conhecidos, mas muitos os curiosos, incluindo Frost, porque quando ele começou a trabalhar no departamento ele tinha vindo para substituir Beth e agora tê-la trabalhando com eles novamente era uma grande surpresa. Jane ficou feliz por ter a amiga de volta ao departamento onde começaram suas carreiras, lugar pelo qual Jane gostaria de trabalhar até se aposentar, mas no momento estava difícil até trabalhar. Deixando Beth com toda a euforia do pessoal por ter mais uma detetive trabalhando no departamento ela se encaminhou até a sala de Cavanaugh que a esperava.

– Olha Tenente... – Resolveu por falar antes do chefe, porque imaginava o que ele iria dizer, então queria se explicar, mesmo que não tivesse nada para explicar, a culpa não era dela se o seu psicólogo não a liberava. – Eu estou indo as sessões com o psicólogo, mas ele não me libera, eu não sei mais o que eu tenho que dizer para ele.

– Eu sei Jane, ele manda um relatório para a gente toda a semana e ele nos disse que você ainda não está pronta para voltar. – Jane revirou os olhos. Já não aguentava mais ouvir aquilo. – Mas eu conversei com ele e perguntei se você podia nos ajudar em um único caso e ele concordou. – Um sorriso brotou nos lábios de Jane. Finalmente ia voltar a pegar bandido, mesmo que fosse uma única vez. O dia parecia que ia ser bom. – Mas a condição que ele deu é que você não saia do prédio e não entreviste nenhum suspeito. – Ou não. – Você pode ficar a par do caso, rever depoimentos, olhar com outros olhos, os seus olhos.

– Se o senhor acha que eu vou aceitar trabalhar nessas condições o senhor está... – Cavanaugh já esperava o barraco começar. – O senhor está certíssimo. Cadê esse caso? Vamos resolvê-lo!

Cavanaugh ficou surpreso por Jane ter aceitado sem nem reclamar, porque ele estava disposto a quebrar algumas coisas que o psicólogo disse só para tê-la de volta naquele caso. A realidade era que Cavanaugh estava quase ignorando essas sessões de Jane e a trazendo de volta sem ela nem ao menos ser liberada, mas como isso era algo que ele não podia fazer sem criar problemas, se contentaria com esse único caso, assim como Jane.

Seria divertido trabalhar com Beth novamente e prova disso foi que elas passaram a manhã inteira se atualizando sobre o caso. Era estranhamente legal ver como as duas eram trabalhando juntas, como elas pensavam igual e chegavam as mesmas conclusões, mesmo que Jane fosse voltar só para aquela caso ia ser divertido e interessante ver as duas trabalhando juntas novamente.

– Viu quem está de volta? – Perguntou Jane animada a sua mãe, assim que ela e Beth se sentaram no balcão. Precisavam de um café para começar de verdade o dia.

– Claro! Já me contou todas as aventuras dela fora de Boston. – Beth mandou um sorriso para Angela, estava adorando estar de volta. – E claro que eu já disse o quanto foi errado ela jogar fora um casamento de cinco anos.

– Eu já disse que não joguei fora Angela, mas ele era perfeito demais para mim.

– Se você quisesse casar com alguém igual você então deveria ter se casado com a Jane! Duas idiotas cabeças duras.

– Cabeça dura é a sua nora dos sonhos ma. Ela é a pessoa mais difícil que eu já conheci na vida.

– Ainda bem que ela é difícil, assim você não desiste dela. Porque você é acostumada com o fácil.

– Quer dizer que deu ruim mesmo você e a Maura? Ela não quis te dar uma segunda chance?

– Ela acha que eu não mudei. – Soltou um suspiro vencida. Cada vez que pensava naquele assunto ficava cansada, era muita complicação. – Mas eu mudei. – Ganhou um olhar descrente de Angela e Beth. – Ótimo! Se nem vocês acreditam em mim, claro que Maura não vai acreditar né.

– Eu acredito em você Rizzoli. – Beth tomou um gole de seu café. – Aliás, eu acredito na Maura, porque só ela tem o dom de fazer você mudar, então...

E isso não podia ser mais verdade, pena que Maura não sabia que possuía esse dom ou se tinha conhecimento com toda certeza não acreditava.

***

Maura já tinha trocado fralda, dado mamadeira, dado banho, passado noites em claro, tinha lido histórias, tinha conversado com TJ, tinha brincado, aguentado golfadas em suas roupas de grife, – isso até hoje Jane nunca tinha ficado sabendo, por que ela sabia que esse era o maior desejo da morena. – praticamente já tinha passado por tudo que uma mãe passa com um bebê, – não que ela se considerasse mãe de TJ, ela sabia muito bem seu lugar e que ele só era o filho de sua melhor amiga – mas claro que ainda faltava ela passar pela fase do bebê doente. Tudo bem que TJ não tinha febre, não estava tossindo, não tinha o nariz escorrendo e não estava chorando por qualquer coisa por que algo estava o incomodando, mas quando ela estava dando banho no menino e viu uma protuberância no umbigo dele, algo que não estava lá nos dias anteriores porque a maioria das vezes ela era que dava banho em TJ. Assustada com o que aquilo podia ser não pensou duas vezes em ir para o hospital. Ligou para Jane incansavelmente, mas o celular só dava caixa postal, teria que passar no pediatra sozinha. Já conhecia o pediatra de TJ das outras vezes que teve que levar o bebê para tomar as inúmeras vacinas que os bebês tomam, mas mesmo que não gostasse de levar TJ para tomar as vacinas por que a criança começava chorar, preferia estar com ele no médico para mais uma dose do que para qualquer doença que fosse.

– Thomas Rizzoli Junior?

Foi a voz de uma mulher que Maura ouviu, pensou que fosse de alguma enfermeira, então levantou da cadeira da sala de espera que ela se encontrava e se encaminhou até a sala do pediatra.

– Boa tarde.

O sorriso depois do “bom dia” era encantador, tudo bem que ele não vinha do charmoso pediatra de 40 anos que Jane não ia nem um pouco com a cara porque dizia que ele dava em cima de Maura, o que era mentira, o médico só era simpático e a tratava como tratava qualquer outra mãe que chegava em seu consultório com um filho doente. O encantador sorriso era pertencente de uma médica, dos olhos verdes claríssimos, pela branca, cabelo loiro trazendo uma franja de lado, era bem mais baixa que Maura medindo seu 1,63, magra, a voz dela era suave, delicada e um sexy não proposital e ela estava na casa dos 30 anos, a médica era lindíssima. Mas Maura não deu nem importância para o sorriso encantador quanto mais para o conjunto, porque ela estava preocupada com TJ, ela só se importou e estranhou não ser o doutor charmoso que estava atendendo.

– Eu sou a doutora Julie Rosewater. – Julie estendeu a mão para Maura que a cumprimentou educadamente, mas ainda sem entender por que o pediatra que cuidava de TJ desde que ele nasceu não estava lá. – Eu vou ficar agora com todos os pacientes do doutor Charles porque ele pediu transferência para um hospital em Oregon, espero que confie seu filho a mim como confiava para o doutor Charles, prometo que não vai se arrepender.

Impressionante como a médica respondeu tudo que Maura queria saber sem nem ao menos ela abrir a boca. A loira dos olhos verdes amarronzados mandou um sorriso sem graça para a doutora dos olhos verdes claríssimos e resolveu que estava na hora de se apresentar.

– Sou Maura.

– Maura... – Um doce sorriso a médica abriu. – Então... O que esse meninão tem?

– Eu estava dando banho nele e percebi uma protuberância no umbigo dele e ela não estava ontem.

– Pode colocar ele aqui pra mim, por favor? – Julie apontou para a maca e Maura colocou TJ nela. – Vamos ver o que tem nesse umbigo.

O celular de Maura tocou.

– Desculpa... – Maura apontou para o celular sem graça e a doutora só mandou um sorriso e assentiu com a cabeça dizendo que ela podia atender e foi o que ela fez. – Jane, finalmente!

– Me desculpa Maura, eu desliguei o celular por causa de uma reunião e esqueci de ligá-lo novamente. Aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu... Não, não aconteceu... Eu não sei! TJ está com uma protuberância no umbigo então eu o trouxe ao pediatra.

– Como assim uma protuberância? Ele está bem? Ele estava com febre? Oh meu Deus, Maura! Me desculpa pelo celular desligando. Você está no Boston Memorial? Eu estou aqui no departamento ainda porque Cavanaugh me pediu ajuda para um caso, mas eu vou sair daqui e vou te encontrar...

– Não Jane, não precisa. Eu vou esperar o parecer da médica sobre o que ele tem e já te ligo, tudo bem?

– Tem certeza, Maura?

– Tenho sim. Eu já te ligo de volta. -... – Tchau. Me desculpa, mas é que eu tentei falar com ela o caminho inteiro e...

– Está tudo bem. – Mais um sorriso simpático da médica. Se ela tratasse assim todas as mães ou pais de seus pacientes os pais não iriam querer deixar o consultório dela nunca. – Sua esposa?

– Minha... Oh, não, não, ela... Longa história.

– Bom... Eu tenho ótimas notícias. O que esse meninão tem é uma hérnia umbilical.

– Hérnia umbilical? – Parecia que a mente de Maura tinha começado a clarear e ela percebeu que não precisava se desesperar tanto. – Mas hérnia umbilical não acontece em 20% dos bebês, mas bebês meninas?

– Sim, são raros os casos em meninos, mas acontece. Parece que a mamãe andou fazendo o dever de casa. – Disse em tom divertido.

– Não, ele não é meu filho... – Julie a encarou com confusão. Primeiro não era a esposa dela que estava ligando, agora não era o filho dela ali. – Longa história. Eu deveria ter percebido que era hérnia umbilical, quero dizer, eu sou médica, aprendi essas coisas, mas parece que quando se trata dele eu não sei de nada. – Soltou um riso de nervoso. – Fiquei preocupada a toa.

– Preocupação com um bebê nunca é a toa. E quer dizer que estou diante de uma médica também?

– Médica legista, mas não pratico desde que esse meninão entrou na minha vida. – Disse com um sorriso fazendo carinho na bochecha do bebê. – Não vai precisar receitar nada para ele, certo? Some com o tempo não é?

– Sim... – Julie dizia enquanto escrevia alguma coisa na receita. — Não precisa se preocupar que vai desaparecer com o tempo, mas nunca é demais ficar de olho para ver se ele vai ter febre e se tiver o traga aqui novamente. – A doutora entregou a receita para Maura.

– Pensei que ele não ia precisar tomar nada. – Disse Maura confusa ao pegar a receita.

– Não é para ele é para você.

– Pra... – Maura então se preocupou em ler a receita e não deixou de soltar um riso quando terminou. – Château Monbousquet? Como sabe que eu gosto desse tipo de vinho?

– Eu não sabia... É que esse é um dos meus favoritos e eu sempre tomo para relaxar e eu acredito que você como mãe que não é mãe de primeira viagem está precisando tomar um bom vinho para relaxar e como são ordens médicas nem ouse não tomá-lo.

– Ordens médicas? – Maura abriu um sorriso de canto de rosto respondendo a todo flerte que estava acontecendo ali. – Aqui tem um número de telefone também, tenho que ligar para ele por que são ordens médicas?

– O número de telefone é só uma opção.

– Você passa seu número de telefone para todas as mães de seus pacientes?

– Não. – Julie soltou um riso balançando a cabeça em negativo. Poderia não parecer, mas ela estava envergonhada com o flerte todo que ela tinha começado. – Só para as mães que não são mães de primeira viagem que tem uma longa história para contar.

– Então... – Maura pegou TJ de maca. – Muito obrigada doutora Rosewater e eu fico feliz que o hospital tenha contratado alguém tão eficiente quanto o doutor Charles.

– Obrigada e prazer te conhecer, Maura.

Desde que tinha voltado para Boston cantadas e flertes para Maura estavam em extinção, porque desde que ela tinha começado com essa história de mãe que não é mãe de primeira viagem ela só se preocupava com TJ, então consequentemente os lugares que ela ia eram lugares que os pais frequentavam com seus filhos, os parquinhos da vida e lá ela conversa mais com algumas mães e se tinha algum pai solteiro/divorciado/viúvo que flertava com ela provavelmente ela não percebia e assim era quando saia para almoçar com sua mãe, se tinha alguém flertando com ela era difícil que ela percebesse e o mais certo era que ninguém flertava, caso contrário sua mãe comentaria algo. Mas isso não a incomodava, estava focada só em cuidar de TJ, não começar um novo relacionamento, – que não fosse com a Jane, mas como ela já tinha descartado a possibilidade das duas voltarem... – mas até que se sentiu bem com as flertadas da nova pediatra de TJ e depois com o fim do susto pode perceber que ela era incrivelmente bonita e que talvez se ligasse para Julie e marcasse um encontro elas poderiam se dar bem, claro, se sua vida não fosse essa complicação que estava, se ela não estivesse cuidando do filho de sua melhor amiga e morando na mesma casa que sua ex-namorada por quem ela ainda era completamente apaixonada e até a noite anterior estava pensando em dar uma chance para elas voltarem, a doutora não merecia entrar nessa bagunça e se entrasse não daria certo, ela já tinha um exemplo disso e Jane nem parte de sua vida fazia mais, não fisicamente. Ainda bem que foi tirada de seus pensamentos com seu celular tocando, porque de marcar com encontro com Julie os pensamentos de Maura já foram para a bagunça que é o seu não relacionamento com Jane para começar a pensar na desagradável visão da noite anterior seria dois minutos e ela já estava cansada de pensar nisso.

– Oi Jane!

– Já falou com o médico? O que o TJ tem?

– Ela só tem uma hérnia umbilical.

– Hérnia umbilical? – Jane perguntou assustada. – Vai precisar operar? Já estou indo para o hospital.

– Não Jane, não, não, não, calma. Hérnia umbilical é normal em bebês, vai sumir com o tempo, não precisa se preocupar, está tudo bem.

– Tem certeza? Eu já falei com o Cavanaugh, estou indo para casa.

– Não precisa Jane, eu juro, está tudo bem. Se precisam de você no departamento acho melhor você continuar ai, não era você que estava reclamando tanto que queria volta a trabalhar? Então... Pode fazer seu trabalho, o TJ vai ficar bem.

– De verdade Maura?

– De verdade Jane, qualquer coisa eu prometo que te ligo e você pode vir para casa.

Conversaram mais algum tempo até Maura realmente convencer Jane a não ir para casa e aproveitar seu trabalho no departamento. Provavelmente se ela soubesse que Jane estava trabalhando com Beth sem duvida nenhuma mandaria a ex-namorada ir para casa, mas como ela não sabia e o menino estava realmente bem e ela tinha ordens médicas para seguir, bom...

***

Não tinha do que reclamar sobre sua “volta” para o departamento. Mesmo que Jane não tivesse voltado com distintivo e arma, foi ótimo ajudar na investigação e continuar ajudando nos próximos dias já que ela ainda não tinha sido resolvida, mas curiosamente com o fim do dia chegando ela foi sentindo falta de casa, de TJ e de Maura, era como se ela fosse aquelas mães que tinha acabado de voltar da licença maternidade e não via a hora de voltar para casa, era estranho porque nunca tinha se imaginado sendo esse tipo de gente, mesmo porque ela nunca tinha se imaginado sendo mãe, estava até um pouco assustada, mas era um susto bom e assim que passou pela porta de casa, depois de um longo dia de trabalho se sentiu feliz, mas era uma felicidade difícil de se explicar, porque era aquela felicidade de pessoas casadas que tem uma família, que passam o dia fora e não veem a hora de voltar para casa e ver sua família novamente, mas tirando TJ que era seu sobrinho, ela, TJ e Maura não eram uma família, ela não era casada com Maura, TJ não era seu filho e tudo parecia confuso, porque ela se sentia assim, se sentia como se fosse e era pra ser se Maura não tivesse receio de engatar um relacionamento com ela.

– Oi meninão! – Jane tirou o menino do chiqueirinho e lhe deu um beijo na bochecha. – Quer dizer que você resolveu dar um susto na Maura hoje, foi? – Em resposta ganhou um sorriso bem aberto mostrando a boca banguela que Jane tanto gostava de ver. — Falando nisso... – Jane ouviu uma risada de Maura vindo da cozinha. Deu mais um beijo em TJ e o colocou de volta no chiqueirinho e foi até a cozinha ver o que era tão engraçado. – Maur...

– Olha isso aqui Jane... Tem um vídeo aqui no Youtube de um gato tocando piano e... – Não conseguiu terminar a frase por que começou a gargalhar.

– Maura, está... – Jane se encaminhou para mais próximo do balcão onde Maura estava sentada com o notebook e viu na frente da loira uma garrafa de vinho vazia e uma taça ao lado contendo só mais um gole. Soltou um riso. – Você está bêbada, Maura?

– Eu não estou bêbada. – Pegou a taça e virou o último gole que tinha nela. – Só estou vendo vídeo desses gatos e são incríveis, você precisa ver... Tem um que... – E começou a gargalhar de novo.

Jane nunca tinha visto Maura bêbada, por que na época em que elas namoravam a loira não colocou uma gota de álcool sequer na boca, independente do que Jane falava ela não conseguia convencer a namorada a tomar nada que continha álcool antes dos 21 anos e agora vê-la assim era divertido.

– Você nunca tinha visto esses vídeos dos gatos?

– Não! – Respondeu balançando a cabeça em negativo rindo. Pegou a garrafa de vinho e a virou na taça, mas não tinha mais nada lá dentro. – Quem foi que tomou todo meu vinho?

– Você?

Jane tentava segurar o riso devido ao biquinho que Maura estava fazendo ainda com a garrafa virando a sacudindo para ver se caia pelo menos uma gota de vinho, mas a garrafa estava seca.

– Eu não. Essa garrafa estava fechada, eu a abri agora pouco e só tomei uma taça... – Fez uma pausa. – Eu vi um vídeo de um gato que tomava vinho, será... – Maura olhou para os lados, depois olhou pelo canto do balcão, Jane tinha absoluta certeza que ela estava procurando por um gato beber de vinho. – Olha... Tem um vídeo de um cachorro dançando.

Jane balançou a cabeça rindo, era engraçado ver a certinha Maura Isles bêbada. Foi até a geladeira e pegou duas garrafas de cerveja. Estendeu uma para Maura...

– Você sabe que eu não bebo cerveja, Jane.

– Você não bebia, quando tinha 18 anos e eu disse que com 21 você ia tomar, mas... Enfim, antes tarde do que nunca.

– Jane...

Antes que Maura pudesse completar, se é que ela ia completar porque não estava conseguindo formar muito bem uma frase, Jane abriu a garrafa de cerveja e entregou para Maura.

– Se você não gostar não tem problema, eu bebo por você.

Não tendo nada a perder e como já estava alta mesmo era capaz de darem qualquer coisa para ela beber e ela beber sem nem pensar, então a loira só ergueu os ombros e tomou um pequeno gole da bebida a saboreando. Quando Jane pensou que a ex-namorada ia devolver a garrafa para ela porque não tinha gostado da cerveja foi surpreendida com Maura virando a garrafa e bebendo metade do líquido que tinha dentro.

– É boa, não é? – Ganhou só um positivo com o dedo, enquanto Maura tomava mais um gole da cerveja. – Agora vou te mostrar o que é um vídeo engraçado de verdade.

Jane tomou um gole de sua cerveja e a colocou em cima do balcão. Foi para trás de Maura que ainda estava sentada, passou seus braços por cima do ombro dela e começou a mexer no notebook. A loira não estava em seu estado normal, estava rindo a toa e agora já tinha bebido até cerveja, então ter a respiração de Jane perto do seu pescoço não era nada seguro tanto que se pegou olhando – não discretamente – para a boca de Jane e a morena estava tão distraída procurando o tal vídeo que no primeiro instante nem percebeu, mas depois que ela parou de encarar o notebook e se virou para falar algo para a Maura pegou a loira lhe encarando, na realidade encarando seus lábios, sem nem saber o que fazer Jane pensou em dizer algo, mas se perdeu quando os olhos verdes amarronzados cruzaram com seus olhos e então algo lhe disse que ela não tinha que dizer algo e sim fazer, mas infelizmente foi interrompida com a campainha tocando e como parecia que Maura não tinha nem condições de levantar do banco ela foi obrigada a ir abrir a porta.

– Senhorita Rizzoli? – Uma mulher baixinha, negra, dos cabelos curtos perguntou. Jane fez afirmativo com a cabeça. – Eu sou Janine Brookes a assistente social.

– Assistente social?

– Sim. O advogado não avisou que vocês teriam a visita de uma assistente social para acompanhar como você e a senhorita Isles estão lidando com a guarda do pequeno TJ?

– Avisou, mas não avisou que você viria sem hora marcada e ainda á noite.

– Faz parte do trabalho vir em dias e horários não esperados, por que quando marcamos horário vocês costumavam se mostrar a família perfeita, então... Será que eu posso entrar?

– Você pode... – Mostrou o indicador para a mulher como se pedisse para ela esperar um minuto enquanto olhava para dentro de casa. – Só um... – E fechou a porta na cara da mulher. – Sério? – Jane estava indignada. Tanto dia para a mulher bater na sua casa tinha que ser quando Maura estava bêbada? Voltou para a cozinha e encontrou Maura gargalhando com mais um vídeo de bicho. – Você precisa subir e tomar um banho gelado agora!

– O que? – Maura encarou Jane sem entender. – Eu não quero tomar um banho gelado.

– Mas você vai. – Jane pegou o braço de Maura e a puxou para que ela levantasse do banco. – A assistente social está lá fora e ela não pode te ver desse jeito.

– Desse jeito... – Maura olhou para suas roupas, não estava entendendo o que Jane estava falando. – Por que você não pediu para ela entrar?

– Por que você está bêbada, Maura!

– Eu não estou bêbada...

– Não? – Jane soltou o braço da loira e ela se desequilibrou quase sentando no banco de novo. – Agora sobe e tome um banho gelado para melhorar um pouco essa sua bebedeira.

– Você sabe que banhos gelados não melhoraram a embriaguez, certo? Por que é o fígado que metaboliza o álcool e dependendo da quantidade tomada pode demorar horas para que...

– Maura eu não me importo! Sobe logo e tome um banho com a água bem gelada.

– Mas...

– Mas nada... Não quero que a assistente social pense que Lydia deixou a guarda do bebê para uma alcoólatra.

– Não se pode mais nem tomar uma taça de vinho por ordens médicas que já te chamam de alcoólatra... – Maura foi andando até a escada. Jane não entendeu como ela não caiu, porque as pernas estavam se enroscando de uma maneira. – Não está certo isso. Se os gatos tomaram o restante do vinho... – Maura colocou o primeiro pé no degrau da escada quase escorregou, por sorte estava segurando no corrimão. – Ops.

Estava engraçado ver Maura bêbada, até ter uma assistente social batendo em sua porta e Jane já começou a se desesperar. Elas eram ótimas com o TJ, não seria justo um dia que Maura resolver beber um pouco a mais a assistente social pensar errado da criação que elas podiam dar para o menino. Mesmo que as duas criarem o TJ juntas depois desse um ano estava uma realidade distante já que Maura não queria nada com ela, mas isso era algo a ser trabalhado nesse tempo.

Enquanto Maura tomava o banho gelado ela foi até a cozinha e se livrou da garrafa de vinho, das garrafas de cerveja e da taça. Foi até o chiqueirinho olhar TJ para ver se ele estava bem vestido ou se pelo menos não estava todo babado ou golfado e para seu alivio estava tudo bem.

A campainha tocou novamente...

– Você ainda está ai? – Perguntou Jane com um sorriso amarelo.

– O que está acontecendo senhorita Rizzoli?

– Nada. – Jane abriu espaço para que Janine entrasse. – Por favor, entre.

A assistente social entrou já passando o olhar pela casa e foi se encaminhando para a sala, mesmo que Jane ainda estivesse parada na entrada da casa e quando a morena caiu em si que a mulher estava caminhando pela casa como se fosse um daqueles parentes ousados que pensam que a casa é dele foi andando atrás da assistente social.

– Ele está lindo, grande...

Jane poderia jurar que viu um sorriso aparecendo nos lábios da mulher, mas provavelmente se ela falasse isso para alguém Janine falaria que era mentira. Já tinha percebido que a mulher era linha dura.

– Por que o alimentamos bem. Ele já está até comendo papinha na hora do almoço. Toma várias mamadeiras por dia... Não deixamos TJ passar fome.

– Cadê a senhorita Isles?

– Maura? Ela... Ela ta lá em cima. TJ golfou nela... Ela foi se trocar e...

– Boa noite!

Uma Maura toda animada, vestindo um roupão e com uma toalha enrolada na cabeça desejou fazendo com que Jane quase caísse para traz, talvez a loira estivesse certa quando disse que banho gelado não cura bebedeira. A morena só pode ver o olhar de desaprovação de Janine.

– Senhorita Isles...

– Por favor... – Maura fez uma pausa. — Qual o seu nome? Jane não me disse seu nome...

– Janine.

– Pode se sentar Janine. – Maura apontou para o sofá onde a mulher prontamente sentou e Maura pra seguir foi sentar no outro sofá, mas quase se estabacou no chão, sorte que Jane a segurou e a guiou para que ela pudesse sentar no sofá sem se quebrar toda. – Então... – Maura fez uma pausa, já tinha esquecido o nome da assistente social. – Então...

– Então Janine... – Jane resolveu intervir por que já tinha percebido que Janine tinha percebido que Maura não estava em seu perfeito estado. – Você já viu o TJ, viu que ele está sendo bem cuidado...

– Como está sendo a convivência? Quando recebi o caso de vocês falaram que vocês não se davam muito bem, mas não sabiam a história das duas... Resolveram as diferenças?

– Sim!

– Não!

Jane repreendeu Maura com o olhar. Como assim não? Janine olhou para as duas confusas.

– Eu quero dizer... – A loira tentou formular alguma coisa para dizer, mas o que conseguiu fazer foi rir, ganhando mais olhares confusos de Janine. – Nós até resolvemos, mas sabe... – Mais risadas.

– Ela está nervosa. – Jane tentou contornar. – Ela sempre tem ataque de risos quando está nervosa. Mas estamos bem, o ambiente é saudável para cuidar do TJ.

– Ótimo! Porque quando me passaram o caso de vocês logo pensei que vocês eram um casal brigado... – Mais ataque de risos por parte de Maura. – Está tudo bem senhorita Isles?

– Não... Está, está. – Respirou fundo para conter o riso. – É só que nós éramos um casal, mas então ela me traiu com a melhor amiga dela, então eu fui embora, voltei com essa história de que eu teria que tomar conta do bebê da minha melhor amiga com ela e convenhamos Jane... – Deu um cutuque com o cotovelo na morena. — Você não era a das mais agradáveis nos primeiros dias.

– Mas vocês estão bem agora?

– Sim!

– É, estamos... Mas eu pensei que não estaríamos, porque depois que fizemos sexo e Jane pediu uma segunda chance para mostrar que tinha mudado...

– Vocês fizeram sexo? – Maura fez um afirmativo com a cabeça. – Oh meu Deus! E eu pensando que esse seria um dos casos fáceis.

– Mas esse é... – Respondeu Jane. Já estava com medo da mulher pegar o TJ e levar ele embora. — Esse é um dos casos fáceis.

– Vocês não podem ter um relacionamento... Isso pode atrapalhar nos cuidados do bebê.

– Como assim não podemos ter um relacionamento? – Perguntou Jane sem entender. – Pessoas que tem um relacionamento, sabem aquelas pessoas casadas? Então... Não atrapalha nos cuidados de uma criança.

– Na realidade se um casal está tendo problemas em um casamento isso pode afetar nos cuidados na criança e... – Maura fez uma pausa. – Eu não lembro o resto, mas é basicamente isso.

– Eu não estou falando de casais casados, estou falando de casais como vocês, começando um relacionamento, vocês podem perder o foco e se o relacionamento não der certo criar um ambiente ruim para a criança conviver.

– Não se preocupe Jan... Alguma coisa. Não tem nenhum relacionamento aqui, era para ter, mas então eu peguei a Jane no bar com a melhor amiga dela, aquela mesma com quem ela me traiu então resolvi deixar as coisas como estavam sabe? Só vamos focar nos cuidados do TJ, que é um amor de criança, precisa ver ele sorrindo para gente... – Maura abriu um sorriso. – Está sendo ótimo passar todo esse tempo com ele.

– Olha... – Janine levantou do sofá e as duas levantaram junto. – Eu vi que vocês estão cuidando bem do garoto, mas não quero problemas, não quero brigas por causa da guarda, nada disso. Então se possível não transem mais ou se quiseram engatar em um relacionamento que não prejudique nos cuidados do TJ, me ouviram? – As duas fizeram um afirmativo com a cabeça. – Ótimo! E espero que essa bebedeira da senhorita Isles não seja comum, caso contrário tenho cartões do AA, eles podem ajudar.

– Não vai ser preciso... Isso foi uma exceção Janine, não se preocupe com a Maura.

A mulher só assentiu com a cabeça e deixou a casa.

Sem duvidas Jane e Maura tinham muito que conversar sobre o comportamento em frente a assistente social, mas como Jane viu que a mulher não tinha levado TJ e não tinha dado nenhuma advertência que elas estavam prestes a perder o menino, a morena poderia se preocupar com outra coisa...

– Você foi até o bar? – Maura não tinha entendido muito bem a pergunta, na realidade não tinha conseguido assimilá-la ainda e como estava um pouco tonta foi obrigada a sentar de volta no sofá. – Maur... – Jane se ajoelhou em frente dela para ficar a altura da legista. – Você foi ao bar? Você me viu com a Beth e por isso todo aquele discurso? Por que você não me disse antes? Você ia me dar uma segunda chance então?

– Eu fui até o bar para a gente conversar, mas como você já estava em uma conversa muito animada...

– Oh meu Deus, Maura! Por que você não disse que tinha visto nós duas?

– Pra que Jane? Não ia mudar em nada minha decisão... Você acha que eu ia dizer que te dava uma segunda chance na noite em que você fez sexo com a Elisabeth?

– O que? Eu não transei com a Beth aquela noite... Na realidade eu a Beth não transamos desde que você pegou nós duas... Nós só estávamos conversando Maura, estávamos esperando por você, mas como você nunca apareceu eu pensei que... – Jane abriu um sorriso. – Você ia me dar uma chance!

– Eu não ia... – Maura levantou do sofá e Jane e acompanhou levantando do chão. – Mesmo se eu fosse... Isso não importa. – Maura foi caminhando até a escada, quase caindo em cada passo que dava, mas foi. – Foi ótimo eu ter visto você com a Beth no bar, assim eu lembrei o erro que eu estava cometendo... Você... – Maura bateu com o indicar no peito de Jane. – Não mudou!

Jane mandou aquele sorriso sacana para Maura. Definitivamente a legista estava muito lerda devido a garrafa inteira que vinho que ela tinha tomado, caso contrário iria saber o que vinha em seguida junto com aquele sorriso sacana: A puxada para um beijo.

Era estranho... Por que cada vez que Maura pensava que tinha tomado a decisão certa para sua vida, para não sair machucada de novo essa decisão parecia errada cada vez que ela ouvia a voz de Jane, cada vez que Jane a olhava e óbvio, cada vez que Jane a beijava, a tocava que ela pensava em mudar sua decisão, mas no momento não iria, que continuasse parecendo errado, então ela empurrou Jane, poderia estar bêbada e provavelmente mais um pouco seria difícil ter controle de suas ações, mas enquanto ainda conseguia...

– Você coloca o TJ para dormir hoje.

– Eu já disse que eu mudei e que vou provar isso. – Disse enquanto a ex-namorada subia as escadas, com dificuldade, mas subia. Só ganhou uma balançada de cabeça de Maura. – É sério Maura.

Para não dizer novamente que era estranho, era confuso. Quanto mais Maura ouvia tudo que Jane dizia, como ela se comportava, as promessas ou até mesmo a morena dizendo com convicção que tinha mudado ela não sabia no que acreditar, não sabia o que pensar e muito menos que decisão tomar, porque por mais que ela achasse que já tinha tomado uma decisão e que seria definitiva segundos depois ela pegava se pensando se aquilo era o certo, se ela estava agindo bem, se ela não estava fugindo de algo que dessa vez poderia ser sua felicidade, mas então o passado vinha a tona, algumas atitudes de Jane lhe lembrava o passado e tudo ficava confuso novamente e ela passava a noite em claro pensando na melhor saída, mas nunca chegava a uma, por sorte essa noite ela estava bêbada e por essa noite ela não pensaria em nada disso. A confusão continuaria quando ela acordasse.

Notas finais
Quem gostou da Julie põe o dedo aqui que já vai fechar...

Até o próximo capítulo =)