Risky Proposal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Thiago Bedoya revisou sua agenda.
— Mariana Rinaldi? Quem é? Mais uma pessoa querendo uma obra de caridade? Se for assim, não me interesso.
A senhora Torres tossiu dissimuladamente antes de responder:
—Mariana não tem nada a ver com isso, senhor Bedoya. Ela é dona de uma empresa que se dedica ao paisagismo aqui em Buenos Aires.
— E do que ela precisa?
— Não me disse o motivo de sua visita, senhor. Mas insistiu em ter uma reunião com você o mais rápido possível.
— Tenho certeza que ela quer me pedir algo. Todos procuram algo hoje em dia.
Era o que o sucesso trazia, ou pelo menos era a impressão que Thiago tinha. Desde que ganhou o prêmio internacional de desenho de interiores, os donos de terras, funcionários e arquitetos não deixavam de o perseguir.
Coçou os olhos. Não havia dormido bem essa noite, e a mistura de trovões e chuva não tinha sido um grande incentivo para chegar ao trabalho.
A senhora Torres o olhou cheia de compreensão. Gostava de trabalhar com o senhor Bedoya as poucas vezes que ele visitava seu escritório de Rosario. No geral, ele era um homem de bom caráter, e a tratava como pessoa, não como um móvel, que era como seus antigos chefes a tratavam. E também, pode-se dizer que ele era um dos homens mais bonitos que ela havia conhecido.
— ... No almoço?
Torres saiu de seus devaneios e contestou assustada:
— O que disse, senhor?
Thiago respondeu pacientemente a pergunta, e após isso, a senhora Torres se focou totalmente em seu trabalho, o que a manteve ocupada o resto do dia. Porém, seu trabalho não a deixou tão ocupada a ponto de passar despercebida a chegada de Mariana Rinaldi as três da tarde.
Eram exatamente duas e cinquenta e sente quando as portas do elevador se abriram, e de dentro dele saiu uma mulher jovem que prontamente se aproximou ao balcão da recepção, encontrando-se então com Torres.
— Tenho uma entrevista com o senhor Bedoya as três, meu nome é Mariana Rinaldi.
O peito da senhora pareceu se encher de um certo romantismo. Não havia nenhum tipo de inveja, decidiu por si só que Mariana era o que Thiago precisava em um dia tão cinza como aquele.
— Venha por aqui, por favor. — Disse Torres, parando em frente à porta do escritório de Bedoya, e batendo suavemente três vezes seguidas com a mão fechada contra ela.
Thiago estava trabalhando nos planos de um de seus últimos projetos, a reelaboração da fachada do porto. Estava totalmente concentrado e nada contente com os resultados que tinha. Não gostava de como tinha ficado o caminho, mas não era capaz de descobrir o que faltava também.
— Entre — Disse ele friamente. Não tinha planos de dedicar mais que dez minutos àquela entrevista.
Mar tinha percebido seu tom brusco. Não era o primeiro executivo que a havia tratado de tal modo, nem seria o último, mesmo que sua experiência a ajudasse cada vez mais.
— A senhorita Rinaldi, senhor Bedoya -Disse Torres segundos antes de fechar a porta.
Mar entrou se sentindo segura. Os artigos de periódicos a haviam preparado para seu encontro com Thiago Bedoya, mas pessoalmente era muito melhor que em fotos.
Thiago imaginava que seria uma mulher que já teria seus fios grisalhos, mas se encontrou com uma mulher aparentemente mais jovem que ele, e que acabava por chamar sua atenção.
— Muito amável de sua parte me receber. Sei que provavelmente está bem ocupado.
Ele se levantou rapidamente e desejou pelo menos estar com o cabelo penteado para recebê-la. Tinha a gravata solta, o blazer na cadeira, e as mangas de sua camisa dobradas. Mas bem, ela teria que aceitá-lo assim.
— Posso pegar seu casaco? — Perguntou educadamente.
Ela o tirou, e ele sentiu no ar a essência de seu perfume. Sob a luz que estava apontada para sua cabeça, o cabelo de Mar parecia caramelo.
— Não quer se sentar? — Perguntou ele, ajeitando as mangas de sua camisa, e em seguida ordenando os papéis que anteriormente estavam jogados na mesa de seu escritório.- Em que posso te ajudar?
Ela ficou em silêncio por um tempo, tempo esse o qual Thiago aproveitou para reparar mais na mulher que estava em pé em sua frente. Ela estava com uma saia social de cor azul, e uma camisa branca de seda. Parecia uma mulher confiante com seu próprio gosto, e que aproveitava de texturas e cores. Seu rosto era como um bom quadro: podia olhá-lo incansavelmente e valia a pena fazer isto uma e outra vez. Parecia animada também.
Mar deu um passo para frente e sorriu. Nada do que tinha visto tinha feito ela mudar seus planos.
— Gostaria de te pedir algo, senhor Bedoya, e desejo te dar algo em troca.
Continua...
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