Amor? Uma vez havia amado uma mulher, e isso tinha o levado a uma grande dor. Mas ele não ia se apaixonar por Mar. No entanto, o ato de ter feito amor com ela, havia feito com que, além de ter satisfeito seus desejos, querê-la mais ainda.

***

Ainda não tinha amanhecido quando Mar acordou. Por um momento não soube onde estava. Sua bochecha descansava no peitoral de um homem, seus dedos estavam pousados na barriga do mesmo.

— Ricardo? – soltou de repente, assustada, como se estivesse acordado de um pesadelo, se afastando de Thiago.

— Ricardo era seu esposo? –Perguntou ele.

Mar percebeu que era a cabeleira escura de Thiago que estava em seu travesseiro, não a loira de Ricardo.

— Sinto muito. — Sussurrou ela — Foi torpeza da minha parte, não? — Ele apenas sorriu — Sim, ele era meu marido... E jamais dormi com outro que não fosse ele, então não estou muito acostumada a encontrar um homem na minha cama pela manhã.

— Um homem que está disposto a te sequestrar... — E a puxou até tê-la em cima dele.

Podia ter perguntado mais sobre seu esposo, mas não queria que o sorriso em seu rosto se desmanchasse. E também não queria entrar em detalhes, de maneira que faça com que ele acabe se envolvendo mais em uma relação com ela.

O pouco de pelo que havia no peitoral de Thiago fazia cócegas em seus seios. A boca dele parecia estar com fome, e suas mãos se moviam com a maestria que havia demonstrado na noite anterior. Agora ela tinha perdido o medo, dando espaço a outras sensações.

A boca do homem sobre seus peitos era como fogo. Era possível notar a excitação dele contra seu sexo, e ela respondia tudo com entusiasmo.

— Me toque, Mar. Aqui e aqui...

Ela deslizou suas mãos timidamente pelo corpo dele, descobrindo o contorno de seus músculos e ossos. Depois desceu mais, e então escutou seu gemido de prazer. A medida que ela tomava confiança, ele lhe devolvia cada um de seus beijos e carícias. Ela o desejava. Arqueou os quadris para recebê-lo, olhando no fundo de seus olhos, enquanto se deitava sobre ele.

— Agora, Thiago. — Pedia ferozmente.

Ele nunca tinha sentido uma sensação de união tão grande. Era como se perder no corpo de uma mulher. Era como se todas as suas barreiras tivessem sido derrubadas entre eles, isso era o que pensava. Mas ao mesmo tempo, sabia que não podia expressar aquilo com palavras, que não deveria dizer. A abraçou forte e fechou os olhos.

***

A luz do outro lado das cortinas parecia cada vez mais intensa, e mesmo que não quisesse, tinham que levantar. Mar tinha um compromisso às nove, mas desejava ficar com Thiago na cama pelo resto do dia.

Depois daquela noite, tinha a sensação de ter feito uma viagem infinita, da qual ainda precisava descobrir mais coisas. Tinha aproveitado de uma liberdade que jamais conhecera em sua vida.

Como pôde mudar tanto em tão poucas horas? E quando devia a Thiago por aquilo?!

Teve tanto medo do fim de semana, e agora sentia que os próximos quatro dias seriam muito largos para ela. Talvez Thiago pudesse deixar o hotel e se instalar em sua casa, assim poderiam estar juntos todo o tempo que seus respectivos trabalhos permitissem.

Mar desenhou a curva de sua sobrancelha suavemente, logo se dirigiu à barba rala que estava presente, depois subiu aos lábios bem desenhados. 'Meu!', pensou possessivamente. 'Meu!'

Então como se estivesse preparada para avançar, lembrou do motivo pelo qual Thiago estava em sua cama. O bebê! Como podia esquecer? E como não tinha pensado na possibilidade de estar grávida até esse momento?

Tinha se deixado levar pela maneira que ele a tratou. Ele era o motivo d'ela ter esquecido. A estranha sensibilidade de Thiago tinha feito com que ela esquecesse de seus temores, e era evidente que tentava não apressá-la com seu próprio desejo.

Mas era melhor não pensar nisso.

Então ela ligou o rádio para tentar afastar seus pensamentos.

— Vem aqui, mulher. – Disse ele, tomando a mão dela para si. Ela riu.

— Tenho que levantar. Tenho um encontro às nove. — Ele se queixou.

— Eu estou esperando uma ligação de Mendoza por um contrato, então também não posso chegar tarde.

— Quem toma banho primeiro? — Perguntou animada e ele abriu um olho.

— Eu. A não ser que tenha uma máquina de barbear, então você pode tomar banho enquanto eu arrumo minha barba.

— Ah... – Murmurou ela, corada.

Thiago sorriu, então ela o fez também.

Ele levantou e alongou os braços. Tinha os movimentos elegantes como os de um animal. 'Mas é lindo', pensava Mar. Thiago se inclinou e a beijou, sendo correspondido e notando satisfação no ato, então correu para o banheiro.

Esse beijo... Não tinha nada a ver com ficar grávida.

A não ser que fossem como crianças que acreditavam que os bebês eram feitos assim.

Continua...