Notas iniciais
Demorei? Sim, com certeza? Desculpem-me, a escola voltou com tudo agora e (obrigada gregos!) o feriado do Carnaval me deu tempo de postar e por isso vou tentar recompensar vocês e postar um capítulo ainda esse fim de semana e ir postando durante a semana porque eu tenho um evento no próximo sábado e não poderei postar.

Devo admitir que Lucy pode ser a pessoa mais assustadora da Terra se ela quiser, às vezes tenho mais medo dela do que de Setrakus Rá.

O momento que entramos na casa, a ruiva começa a gritar de como não podemos ficar saindo por aí sem que eles saibam, francamente estávamos no jardim e não na cidade, no entanto conhecendo Lucy, sei que se ficássemos por um momento fora de seu campo de vista ela ficaria louca atrás de nós.

– Enquanto ela fala, ou melhor berra conosco, -'Harley se aproxima mais de mim, como se estivesse se escondendo do olhar selvagens nos olhos de Lucy.

– O que aconteceu com o seu nariz? — Lucy para todo o seu discurso para falar de um assunto que eu tentei esquecer.

Eu e Harley nos entreolhamos rapidamente.

– Eu tropecei. — minto.

– E seu nariz quebrou? — ela espreme os olhos como se não acreditasse, honestamente ela não deveria, é uma desculpa péssima.

Ambos balançámos a cabeça.

Minha Cepan desaparece pela porta da cozinha e, nesse momento Harley ri e eu não resisto e a acompanho.

– Tropeçou? — ela sussurra. — Obrigada.

– Não há de que. — sorrio — Lucy não é bem do tipo que gosta de ver alguém me machucando.

Ela ri novamente.

– Foi um acidente. — diz.

– Você jogou a cabeça para trás, como aquilo foi um acidente?

– Não tinha a intenção de quebrar seu nariz.

– Eu tenho certeza que não.

Harley coloca rapidamente uma mecha de seu cabelo castanho para trás, um sorriso em seus lábios e os olhos verdes brilhando como sempre.

– O que você acha que ela foi fazer?

– Não se... — sou interrompido por Lucy que volta da cozinha carregando um pano de linho.

Ela coloca o pano na mão de Harley e literalmente nos empurra para o quarto.

– Se virem. — bate a porta nos deixando em um silêncio desconfortável.

Ambos caímos na gargalhada o momento que a porta se fecha, mas voltamos a realidade quando solto uma exclamação de dor.

– Ok, como isso funciona? — murmura Harley.

Mesmo que queira responder, tenho certeza de que foi uma pergunta retórica e não quero que saiba que ouvi.

Delicadamente sua mão alcança meu nariz, colocando o pano em volta dele, ela segura-o por um tempo ali e enquanto isso tento ignorar o fato de estarmos tão próximos, o que torna a experiência desconfortável.

De repente sinto uma pontada de dor diferente, quase como se meu nariz estivesse se dissolvendo. Gemo de dor e Harley rapidamente tira o pano.

– Fiz alguma coisa errada? — ela recua.

Balanço a cabeça incapaz de dizer uma sequer palavra, olhando de coração partido ela encarar os sapatos enquanto mexe no pano nervosamente.

– Nã-não. — gaguejo, provavelmente vermelho.

Seus olhos focam em mim e posso ver que voltaram a brilhar alegres, Harley sorri se aproximando novamente, no entanto ela para no meio do caminho, ficando pálida como um fantasma e seu sorriso desaparece.

– O seu nariz. — ela aponta debilmente para o próprio nariz.

Elevo minha mão até que o alcanço que entendo o que a garota quer dizer, meu nariz não está mais sangrando e muito menos doendo.

– O-o que? — indago não acreditando no que acaba de me acontecer.

Não há muito tempo para pensar sobre isso quando a porta se abre e revela Malcolm segurando um livro.

– Almoço. — indica com a cabeça a direção da cozinha.

Assentimos e o seguimos até a cozinha onde Lucy coloca os sanduíches sobre a mesa.

Malcolm se senta ao lado de Lucy e me resta agora sentar ao lado de Harley que parece menos incomodada do que eu, muito concentrada em seu sanduíche, comendo-o sem parar.

– Alguém está com fome. — brinca Lucy, voltando a sua forma natural de gentileza, eu tenho medo dela.

A morena parece perceber que todos estamos olhando para ela e abaixa o sanduíche, engolindo o pedaço que acaba de morder.

– O que? — pergunta — Não vão me dizer que vocês rezam antes de comer.

Todos rimos e isso parece deixá-la mais confusa, no entanto acredito que sua fome seja maior, pois ela simplesmente dá de ombros e volta a comer fervorosamente e nenhum de nós espera para seguí-la, acabando com o almoço rapidamente.

Devo admitir que, tão rápido quanto a manhã, a tarde passou, sem treinamentos, sem sermões, apenas eu e Harley sentados no sofá o dia inteiro vagando pelos canais, mesmo que não haja nada para ver. Estou tão distraído com Harley, que se encosta em meu ombro enquanto passa os canais que não percebo a noite chegar. Minha mente volta a se concentrar quando sinto Harley se remexer ao meu lado e percebo que a televisão está desligada e que no momento ela está dormindo.

Cuidadosamente, para não acordá-la, eu me levanto do sofá, colocando sua cabeça em uma almofada.

– Você realmente não deveria deixar ela dormindo no sofá. — pulo de susto ao ouvir a voz de minha Cepan.

Levanto a cabeça para ver seu rosto sorridente.

– E o que você sugere?

– Ela não é tão pesada, tenho certeza que você pode simplesmente colocá-la na cama. — Lucy aponta para Harley e depois para o corredor — Não perderia tempo se fosse você.

Suspiro, revirando os olhos. Uma vez irritante, sempre irritante.

– Que seja. — murmuro passando uma mão por baixo das pernas da Garde e a outra por seus ombros, levantando-a do sofá sem muita dificuldade.

– Foi tão difícil? — sei que é uma pergunta retórica portanto não respondo — Não. Agora seja um cavalheiro e ajude ela. Aproveite e vá dormir também, mocinho.

Sorrio para ela, enquanto ando em direção ao quarto, com Harley dormindo em meus braços. Devo admitir que até hoje nunca percebi o quão leve ela é, não tive dificuldades em levantá-la, na verdade eu quase não senti, com isso fico me perguntando se é saudável. Tudo nela é quase um extremo, a falta de peso, a altura, a palidez, algumas pessoas topariam com ela na rua e se não fosse por seu sorriso, diriam que estava doente, mas sorrisos enganam. E eu me preocupo, pois sei que se ela estivesse não diria nada, apenas para não machucar alguém ou receber tratamento especial, afinal Harley acredita que pode resolver tudo sozinha.

Estou tão distraído com meus pensamento que quase bato na porta fechada do quarto. Para não ter que derrubar a garota em meus braços, eu uso Telecinesia para abri-la.

Coloco Harley em sua cama, colocando o cobertor sobre ela e sentando em minha própria cama ao ficar satisfeito com seu conforto.

Ela parece pacífica quando dorme, não tenho certeza do porquê, mas ela parece. Seus cabelos caem em seu rosto e inconscientemente sua mão os tira e descansa novamente ao lado da cabeça. Eu acho magnífico como nossa mente é tão próxima das mentes humanas e começo a acreditar que na verdade talvez não sejamos muito diferentes.

E com pensamentos alegres, eu adormeço.

***

Acordo bruscamente, só para perceber que estava molhado.

Olho para o lado encontrando Malcolm com um balde vazio e um olhar preocupado.

– O que diabos? — pergunto, eu até poderia esperar aquele comportamento vindo de Harley, mas de Malcolm? Nunca.

– Elas sumiram. — diz com os olhos arregalados e sai do quarto.

– O que? — me levanto da cama correndo atrás dele — O que você quer dizer com "elas sumiram"?

Malcolm continua a caminhar até a porta da frente, saindo para o jardim e jogando o balde no chão de frustração e o chuta.

– MALCOLM! DESCONTAR EM UM BALDE NÃO VAI TRAZER NINGUÉM DE VOLTA. — grito chamando sua atenção.

Ele bufa, me ignorando e mais uma vez chutando o balde várias vezes antes de cair de joelhos no chão. Rapidamente estou ao seu lado, evitando que continue a se machucar ou chutar coisas, afinal o balde não fez nada para ele.

– Eu falhei com ela novamente. — Malcolm tenta interromper as lágrimas. — Eu deveria ter sido um Cepan melhor para ela, talvez se eu ficasse de guarda.

Naquele momento percebo de quem está falado, Harley. Sinto um aperto no meu peito ao entender que todo seu nervosismo era por isso e uma raiva começa a crescer dentro de mim.

– O que aconteceu? — pergunto em uma voz baixa e perigosa.

– E-eu não sei. Quando acordei de manhã elas não estavam mais aqui, eu procurei por perto da casa, mas não achei nada.

Eu o abraço, sabendo que isso seria o que Harley conseguiria fazer se a situação fosse ao contrário.

– Malcolm não podemos esperar que elas venham até nós, temos que achá-las, ok?

Ele assente, se recompondo.

– Arrume suas coisas, vamos sair daqui depois do almoço. — diz com a voz rígida e fria.

Tenho certeza de que vamos achá-las e se um dia eu encontrar o responsável, vou fazer com que deseje que nunca tenha nascido.

Notas finais
Eu simplesmente precisava fazer isso, sei lá, mexer um pouco com a parte Harley/Scott, eles estavam tendo uma vida muito fácil. Prometo de que agora em diante a vida deles vai ser um inferno *u* tenha um bom dia. Tá parei, mas é sério acabou a felicidade doméstica. Espero que tenham gostado, não se esqueçam de comentar! Kisses Sammy