Rise of Jedi
14 De volta à Supremacy
Notas iniciais
Rey pilotava em silêncio, com um sorriso no rosto enquanto sentia suas padawans; ocasionalmente levava a mão esquerda à fina trancinha em seu cabelo, e senti-la a preenchia de incomensurável alegria! Agora, Brenwen também usava uma igual em seus cabelos louros e ondulados, e Asala apenas não o fazia por não possuir cabelos, mas trançara fios de couro ao redor de um dos pequenos lekkus; ambas portavam orgulhosamente seus cristais: o da humana possuía um tom verde, mas estrias douradas o marcavam suavemente. A Togruta portava uma gema amarelo-ouro com um leve toque alaranjado, e ambas se fascinavam pelas joias, plenas de felicidade.
Sem ocultar a própria esperança e satisfação, a Jedi pensou sobre os últimos dias: todas elas haviam crescido e aprendido muito, desenvolvendo não apenas as habilidades físicas, mas psíquicas. Ela aprendera a usar a Força para saltos e quedas impossíveis a outras pessoas, a banir o medo e confiar para se equilibrar no alto de galhos finíssimos que balançavam ao sabor do vento... Nisso, Asala fora mais sua mentora do que ela da Togruta, mas haviam todas tido sucesso, até mesmo Brenwen, embora houvesse nela um bloqueio emocional que a impedia de deixar seu potencial fluir, de fato. Rey alimentava suspeitas do que ocorria com a humana, mas não ousaria ler os pensamentos desta... Nem mesmo pedir parecia uma boa ideia, pois sabia que haveria uma recusa imediata e um distanciamento surgiria... Tudo bem... O tempo poderia aproximá-las o bastante para tais perguntas... Ou não. Não lhe saía da mente o conselho de Anakin, para entregar Brenwen aos cuidados de Ben, se a menina de fato pendesse para o Lado Sombrio. Tampouco esquecia o sorriso misterioso do mestre ao dizê-lo.
Contudo, era hora de afastar esses pensamentos de sua mente: não precisava olhar para os radares e navegadores a fim de saber que estava muito perto, agora. Precisava ajustar a rota para baixo, corrigir o curso; assim que o fez foi possível ver a enorme Supremacy, e avisou às garotas:
— Meninas, sentem-se. Pouso se aproximando. – ativou os emissores e receptores da nave, puxando o microfone para junto da boca – Supremacy, aqui é a White Comand A, solicitando permissão para aproximação.
Demorou apenas alguns segundos para que viesse a resposta:
— Confirme sua identidade, Nave Comando.
— Jedi Rey Solo, voo A5-49, curso 0092. Permissão 107362-N.
— Identificação confirmada, Lady Solo. Pouso livre no hangar 9.
— Obrigada, controle central. – A moça sorriu e, após se certificar de que as meninas haviam de fato se sentado, dirigiu-se rumo ao hangar na parte posterior da nave triangular. Estavam a cerca de vinte minutos do pouso, já extremamente próximas à Supremacy, quando Rey captou algo... Era um pressentimento... Não conseguia precisar exatamente o que, mas algo parecia terrivelmente errado.
— Rey – avisou Brenwen – alguma coisa não está certa.
— Percebi. – ela não pensou no que fazia, apenas gritou um “segurem firme!” e ligou os propulsores de desaceleração em máxima potência. Desligou a alimentação de todos os demais equipamentos e propulsores, redirecionando a energia para uma aceleração para trás; voar de ré poderia ser virtualmente impossível, e ela sentia a nave ranger e estremecer sob o esforço de ir contra o movimento para o qual sua aerodinâmica fora projetada, mas apenas aumentou a potência ao máximo. Sentindo o hiperaquecimento dos motores, Asala perguntou em pânico:
— O que está havendo, mestra? A nave vai despedaçar!
— Vai despedaçar de qualquer jeito, se eu não nos tirar daqui! – Rey acionou os propulsores traseiros esquerdos e deu uma guinada de 90 graus, desligando de uma só vez a frenagem e substituindo-a por uma aceleração que fez zumbir os ouvidos do trio. Foi o tempo preciso, pois logo a seguir um raio fotônico foi disparado contra a posição que ocupavam apenas milissegundos antes! Os radares detectaram subitamente a presença de naves sem bandeira... Combatentes aéreos Rodianos e Zagarryanos... Aquilo não era bom!
— Rey, estão disparando em nós! – exclamou Brenwen, sem entender a calma e concentração de Rey, que parecia ter previsto isso!
— Eu já reparei nisso, copiloto – ironizou a Jedi, mergulhando sob a Supremacy num parafuso que enjoou as mais jovens. Puxou o comunicador e chamou – sala de controle, White Command falando. O que está acontecendo?! – e ante a falta de resposta – filhos da p... – Franziu o cenho; naves mercenárias, alvejando-as pelo flanco direito e esquerdo, confundidas na mira pela súbita ré... A estratégia não duraria muito tempo! – meninas, segurem firme e confiem em mim: esse pouso será “divertido”.
Instintivamente, Brenwen prendeu sua cadeira à de Asala, travando-as contra a parede e abraçando a Togruta, sussurrando baixinho para que ela não olhasse, que tudo ficaria bem. A Jedi, por sua vez, estava zangada, mas não assustada: pilotar era algo que fazia bem, a sua zona de conforto, e não estava disposta a morrer hoje, ou perder suas meninas. Pousar no hangar seria suicídio, pois os caçadores de recompensas contavam com isso, mas um pouso externo numa das escotilhas de descarte lhes permitiria entrar na nave em segurança... A White Command era pequena o bastante para isso! Mas precisava ALCANÇAR a nave, antes, e havia três combatentes mercenários entre ela e sua meta.
— Asala, Brenwen, assumam os canhões de retaguarda – ordenou. As jovens se apressaram em obedecer, mas a humana não gostou nem um pouco ao ver Rey dobrar as asas da nave em um formato de L... Aquilo era configuração para manobras rápidas... Giros, mais precisamente!
— Mestra, estamos sem mira, eles estão acima de nós! – avisou Asie.
— Vocês vão ter cinco segundos para disparar – alertou ela, iniciando um mergulho; as naves entraram no campo de visão das garotas, e Brenwen fez mira com um dos canhões, Asala com outro. Dois veículos Zagarrianos foram abatidos, e no minuto seguinte elas sentiam a direção do Jet se inverter, enquanto subiam verticalmente; Rey manobrou numa curva fechada, e agora estava atrás da nave que antes as perseguia. Mas outras se aproximavam... Disparos das asas eliminaram o inimigo que se interpunha a elas e a Supremacy, e agora tinham caminho livre para tentar um pouso. A Jedi acelerou emparelhada ao Mega Destroyer, e enquanto executava um ziguezaguear perigoso para despistar os canhões de fótons, expandiu sua mente para encontrar o esposo. De onde viera aquele ataque súbito, afinal?!
Não foi difícil encontra-lo: ele emanava raiva e escuridão de forma intensa, e ela captou a sensação de morte ao redor dele. Um breve vislumbre através dos olhos do próprio Kylo Ren permitiu-lhe saber que ele acabara de entrar na sala de controle aéreo, e logo sua nave recebeu um sinal; Rey atendeu com alívio, ouvindo a voz de Ben:
— Rey, avance para o hangar 1 e pouse sem identificação!
— Vão nos alvejar!
— Apenas faça o que eu disse: atire no sistema de blindagem para poder passar, os controles internos foram danificados! – ordenou ele, a voz alterada, e a Jedi soube que precisava confiar nele. Desacelerou até ter o hangar 1 em seu campo de visão; executou uma volta abrupta e acelerou o suficiente para confundir os mecanismos operadores de defesa; os escudos anti-colisão se ergueriam assim que as portas blindadas fossem fechadas, mas Rey foi mais rápida, alvejando as casas de máquina com a artilharia leve das asas de sua nave; as portas diminuíram a velocidade com que se fechavam, dando tempo suficiente para que o pequeno modelo A passasse quase incólume, perdendo apenas uma parte dos estabilizadores de cauda, esmagados entre as duas pesadas folhas. Ainda assim, a Jedi conseguiu manter o controle durante a turbulência na desaceleração, e somou o uso da Força à frenagem poderosa do equipamento para se estabilizar. Pousaram abruptamente, a nave raspando horrivelmente no chão, lançando faíscas para todos os lados antes de, finalmente, parar. Os dedos da mulher doíam da força feita para manter o controle no leme, mas seu rosto estava apenas vermelho de esforço, sem medo ou espanto... Bem diferente das Padawans, que tinham no semblante uma mistura de medo, enjoo e choque.
— Melhor se recuperarem e pegarem os blasteres – disse a mestra, soltando os cintos de proteção e se levantando com o sabre de luz azul em mãos, o próprio blaster na outra – teremos uma recepção calorosa, ao que parece. Fiquem atrás de mim.
As jovens se recuperaram depressa e pegaram as armas, seguindo Rey para a porta da nave, olhando de esguelha pela beirada, avaliando se seria seguro desembarcar. Chegou a elas a voz de Ranktor, o comandante Kel Doriano responsável pelo Hangar 1, outro amigo pessoal de Rey:
— Lady Solo, o ataque foi controlado. O terreno é seguro.
Ela encarou as meninas e estendeu a mão, indicando-lhe que permanecessem ali, antes de descer a rampa sozinha:
— Ranktor, o que aconteceu aqui? – perguntou, entre alívio e preocupação, com um enorme zanga na voz – Há naves mercenárias lá fora, a sala de controle anunciou pouso livre e, de repente, sequer respondia a meus contatos! O que está havendo nesta nave?!
— Um levante de mercenários Niktos, senhora, possibilitado por membros embarcados que tomaram o controle da sala de comando aéreo; até onde soube, parecem aliados aos republicanos. O levante interno foi debelado pelo Imperador e sua guarda, mas o hangar foi bloqueado para impedir que cheguem aqui. Parecem ter sido contratados para atentar contra sua vida.
— Quase fomos feitas em pedacinhos! – exclamou Brenwen, aparecendo na rampa e começando a descer, com Asala ao seu lado. – os Rodianos passaram a um segundo de acabar conosco!
— Não exagere, padawan – censurou Rey, preocupada: sabia que era odiada naquela nave, mas quem poderia ter conseguido aliciar membros da Primeira Ordem e fazê-los atacar SUA nave? Pois seu jet A era o único branco de toda a frota! – eu tinha tudo sob controle.
— Sob controle? – a humana loira olhou para a nave razoavelmente danificada – olhe o estado da pobre White Command... – ela ficou séria – Rey, isso foi uma tentativa de acabar com VOCÊ. Quem quer que tenha aliciado os mercenários Niktos e convocado os pilotos, está aqui dentro, pois sabia quando retornaria, e qual é sua nave. A White Command pode se passar facilmente por nave republicana. Apenas informações precisas poderiam dizer... Isso foi específico! Pode ter sido, sim, uma manobra republicana, mas pode ser alguém dos nossos que a quer fora do caminho. De um modo ou de outro, houve colaboração interna para embarcar esses Niktos contratados e denunciar sua nave.
Rey não precisou de mais do que um segundo para entender: boatos sobre uma Jedi ao lado da Primeira Ordem poderia trazer muitos dos sistemas resistentes para o lado do novo império, algo que os republicanos certamente desejariam impedir. Ao mesmo tempo, seria tolice, pois ela sabidamente mediava as relações entre a Primeira Ordem e os planetas da Nova República, buscando impedir combates. E claro, a hipótese mais provável era a de alguém da própria Primeira Ordem que a queria fora do caminho. A lista era bem longa...
— Ranktor – começou a Jedi – mantenha as meninas em segurança, aqui. Vou encontrar Lorde Ren: se ainda houver alguma esperança de descobrir quem provocou isso, preciso me apegar a ela. Não deixe nem mesmo UM TIE decolar deste hangar, não importa o que aconteça.
— Tome cuidado, Rey: quem quer que tenha orquestrado o ataque, pode estar à solta pela nave.
— Conto com isso. – respondeu a moça, escapando do hangar blindado por uma tubulação de ar (Asala tinha ideias muito boas, precisava admitir), e deixando as preocupadas Padawans junto ao Kel Doriano. Tentando desfazer um pouco da tensão, Asala brincou:
— Que manobras, não? Precisamos fazer isso de novo, algum dia.
— Ah, claro – interferiu Brenwen – apenas me avisem para NÃO estar junto! – ela tinha um aspecto esverdeado e se apoiava em um pilar metálico – voar é para os droides!
— Você sempre gostou de voar, Brenwen – disse Ranktor, confuso.
— Não tenho problemas com voar, mas o que Rey faz é suicídio! – exclamou a jovem, ainda enjoada, sentando-se no chão. O Kel Dorian riu baixinho através de sua máscara e encarou a amiga:
— Desculpe-me o transtorno do pouso. Sem a sala de controle, não havia como desativar os escudos a tempo. Mas Rey resolveu isso a seu próprio modo, como sempre.
— E quer resolver mais ainda... Tentando falar com quem quer sua cabeça! – Brenwen meneou a cabeça – desculpe, Rey, mas em diplomacia eu tenho mais tempo de prática. – ignorando os alertas do comandante, pulou para o mesmo duto no qual a mestra entrara.
*
Rey apressou o passo ao ver Ben, mas espantou-se profundamente quando, antes de dizer o que fosse, ele a envolveu num abraço firme com o braço que não segurava o sabre de luz. Segurou-a contra si com força inesperada por alguns segundos, antes de soltá-la e perguntar:
— Está ilesa? – sua voz era pura preocupação, ainda aliviado demais em vê-la a salvo para se zangar por não tê-lo obedecido.
— Estou bem. – ela não manifestou a surpresa na voz – o que foi aquilo?
— alguém pagou muito bem por sua morte. – ele golpeou uma parede, com o sabre, em manifestação de ódio – arranquei os pensamentos mais profundos de cada um dos desgraçados, mas quem os contratou usava capuz e um alterador de voz. Disse que a República ficaria grata por esse favor prestado, mas eu sei... Sinto que foi alguém aqui dentro. – ele fechou os olhos e se concentrou – os Niktos assassinaram os controladores de voo e danificaram os controles...
— Calma, está tudo bem – ela acariciou o rosto do esposo – eu estou aqui.
— Mas alguém não queria que estivesse. – rosnou ele – e quando eu encontrar essa pessoa, não restará nada para um funeral. – o alívio por vê-la incólume foi substituído por uma pontada de raiva pelo risco a que ela se expusera – por que saiu do hangar? Estaria segura, lá!
— Se houvesse alguma chance de descobrir quem queria me matar, eu gostaria de saber. – revidou ela – tem alguma ideia de quem pode ter sido?
— Alguém além de todo o alto-comando? Lista reduzida para todos os meus oficiais, Cavaleiros de Ren e... – ele parou por um instante – eu sei bem quem poderia querer sua morte. – eles trocaram um olhar, sabendo que partilhavam da mesma intuição:
— Hux. – o capitão rebaixado era quem mais motivos tinha para odiar a Jedi, que lhe negara uma execução rápida e o mantinha com mãos de ferro sob seu controle, por uma combinação de dívida de gratidão e manipulação. Em outra ocasião, sentir-se-ia mal por fazê-lo, mas sabia o quão perigosa era aquela serpente, e como mata-lo poderia apenas criar um mártir e incentivar motins. Um risco cada vez menor, é claro, mas ainda presente. Não havia pessoa com mais motivos para querê-la morta... E trabalhar com mercenários ou mesmo aliar-se ao que restara da Nova República com falsas promessas não apenas era o tipo de coisa que Hux faria, mas o mais inteligente a se fazer quando pretendia, de fato, tomar o poder. Esse tipo de ambição estava limitada a bem poucos...
— Agora ele está morto. – Kylo ansiava por partir cada osso do inimigo, mas algo lhe ocorreu, e também a Rey, que interrompeu:
— Ele ainda é mais útil vivo do que morto, e não temos certeza de que foi ele o responsável. Seja quem for o arquiteto disso, o melhor é deixarmos acreditar que mordemos a isca de um pretenso ataque republicano...
— Ele seguirá adiante no plano, e eu saberei quem realmente está envolvido nisso. – suas expressões eram cúmplices, mas Rey achou por bem alertar:
— Ben... SE os sistemas independentes tiveram alguma participação nisso, conversaremos MUITO antes de qualquer decisão. Um erro, agora, transformaria o começo de seu império em uma guerra, e suas bases não estão sólidas o bastante para lidar com algo assim. – se sua intuição estivesse correta, os sistemas independentes não teriam tomado parte no ataque, especialmente à luz dos recentes eventos com a Base Starkiller, a quase aniquilação da Resistência e o Mega-Destroyer Supremacy pronto para erradicar mais um sistema dissidente. Contudo, matar a Jedi aliada do Imperador poderia trazer a simpatia dos republicanos, se os atos da mulher fossem narrados apenas com a mais leve distorção. Maldito mundo da política!
— Parece até que você realmente se preocupa com meu governo, e não com o número de vidas perdidas. – Ele percebia o que a esposa pensava, compartilhavam a linha de raciocínio, complementando mentalmente a lógica um do outro. Era estranho aquele modo de conversar com o olhar e as palavras simultaneamente, mas funcionaa muito bem.
— Eu me preocupo com a estabilidade de seu império em formação porque, no momento, é a única coisa que impede a perda de incontáveis vidas. E eu já lhe disse isso – rebateu a Jedi. – Agora diga-me: algum prisioneiro, ou você matou ou enlouqueceu todos?
— Arranquei tudo o que havia na mente de cada um, antes de matá-los. Os mercenários não eram alinhados a nenhum dos sistemas da Nova República... Apenas mercenários, caçadores de recompensas, e foram contatados por um emissário disfarçado, o qual não se identificou e declarou estar a serviço de terceiros. – ele sentiu uma aproximação e parou de falar: seus Cavaleiros vinham em seu encalço, e não queria parecer próximo demais da Jedi, para a própria segurança de ambos.
Antes, contudo, foram interrompidos pelo som de uma escotilha de ar se abrindo, e Brenwen saltou para o corredor; seus olhos se arregalaram de medo ao ver o Líder Supremo, e já ia se desculpar quando se lembrou de que, agora, era oficialmente a padawan de Rey Solo. Assim, executou uma reverência respeitosa e se dirigiu ao imponente homem diante de si:
— Imperador, perdoe-me a intromissão, mas segui minha mestra por temer por sua segurança.
— Tem uma padawan bastante fiel – declarou Kylo, arqueando uma sobrancelha; no momento em que Asala também surgiu pela escotilha, precisou de algum controle para não demonstrar diversão – ou duas.
— Eu mandei que ficassem no hangar! – censurou Rey.
— Com Zagarryanos querendo sua cabeça? – protestou a humana – não mesmo.
Rey pretendia dizer algo mais, mas quatro Cavaleiros de Ren os alcançaram: Puuan, Kahso, Shalya e Arnut – esta última era uma Dathomiriana de pele muito pálida e cabelos brancos e longos, olhos negros e vivos, enquanto o homem era humano, de cabelos louro-claros e cacheados, barba curta e cheia, olhos castanhos e dissimulados; alguém que poderia mesmo ser bonito, não fossem os olhos reveladores da personalidade traiçoeira. Os quatro pararam em formação atrás de seu mestre, saudando a Primeira Dama com uma reverência; foi Puuan quem se manifestou:
— Ficamos aliviados em vê-la a salvo, senhora. Os invasores já foram exterminados, e faremos nosso possível para descobrir quem, nesta nave, possibilitou tão infame ataque.
Rey agradeceu com um leve aceno de cabeça, e o Líder Supremo se manifestou:
— Puuan, Shalya, confio a vocês o dever de encontrar os conspiradores nesta nave. Kahso, Arnut, quero que vão aos hangares e verifiquem a segurança. Não admitirei falhas. – ele travou o maxilar – e tragam a mim os responsáveis pela vigilância dos setores de controle aéreo.
— Sim, Lorde Ren – disseram os quatro em uníssono, tomando cada um seu caminho. Ao passar por Brenwen, porém, o Conselheiro Arnut parou por um segundo, tomou-lhe a mão no que poderia ser um gesto de deferência, não fosse seu flagrante olhar de desejo e, beijando o dorso da mão morena, declarou:
— Fico aliviado que não tenha se machucado, Alteza. – Rey não aguardou mais um segundo que fosse para intervir: tirou a mão de Brenwen da do humano e empurrou a padawan para trás de si, alertando:
— Mantenha-se longe de minha padawan, Conselheiro. Não pedirei duas vezes.
— Perdão, senhora – as palavras soaram humildes, mas o brilho no olhar dele não era de resignação; apenas o olhar ferino do Líder Supremo o obrigou a simplesmente baixar a cabeça e acatar a ordem da Jedi. Rey conhecera muitos homens assim, em sua vida, e se livrara de mais de um com seu fiel bastão metálico... Talvez precisasse ensinar Bren a ser menos “diplomática”, pois o modo como ele fitara a adolescente realmente preocupava a Jedi.
O grupo se dispersou, restando apenas o soberano e as moças; após um momento de silêncio tenso, Rey se voltou para suas padawans:
— Meninas... Foi uma viagem longa, e um pouso perigoso: recuperem suas coisas no hangar, e vão descansar. Vemo-nos hoje à noite, no refeitório, está bem? Tenho coisas a resolver, mas nos reuniremos após o jantar para uma pequena conversa. Há uma tarefa a lhes passar, mas haverá tempo para isso. – ela agradeceu mentalmente quando nenhuma das garotas se opôs, apenas desejando à mestra boa sorte e pedindo que tomasse cuidado. Enfim sozinha com Kylo Ren, a moça relaxou um pouco os ombros que não percebera estarem dolorosamente tensos, até o momento. Ele se mostrava absorto em pensamentos, ainda que cuidadosamente alerta ao entorno, e parecia estranho. Bom... Mais estranho do que de costume. – Ben?
— eu sei que pretende ir ter com o capitão Hux, mas sugiro que não faça parecer um encontro ao acaso.
— Se eu o pressionar, agir como se soubesse de algo, ele irá negar. Mas o modo como o fará será revelador o bastante... Suas emoções. Se estiver confuso, podemos descarta-lo; raiva, medo e postura defensiva o acusam. – ela deu um sorriso cansado para o esposo – não pareça surpreso: interpretar reações é matéria básica no treinamento de sobrevivência em Jakku.
Ele a fitava intensamente, mas decididamente não era surpresa o que estava em seu rosto; o novo líder sentiu o entorno cuidadosamente e, vendo-se de fato sozinho com a esposa, cedeu ao que desejava fazer desde que pousara os olhos em sua figura: empurrou-a bruscamente contra a parede e tomou seus lábios num beijo intenso, voraz, como se desejasse compensar em um único momento todos os dias de ausência! Ela se espantou, num primeiro momento, mas logo correspondia, embora sussurrasse entre um beijo e outro:
— Ben... Alguém vai nos ver! – e ainda assim enlaçava o pescoço dele com os braços, ficando na ponta dos pés para beijá-lo mais intensa e profundamente.
— Não há ninguém por perto – respondeu ele, pressionando-a mais contra seu corpo de modo possessivo – é o mínimo que mereço por ser tão compreensivo, permitindo que passasse tanto tempo longe de mim, e depois arriscasse a vida com sua pilotagem insana.
Ela riu baixinho: há pouco mais de um mês teria ficado zangada, afirmado que não pertencia a ele, que não precisava de sua permissão. Agora, sabia que aquele era apenas o modo “Kylo Ren” de dizer que sentira sua falta e estava aliviado em vê-la a salvo após o inesperado ataque. Quando finalmente se afastaram, ela acariciou o rosto do esposo e declarou:
— vou lidar com Hux, e depois disso talvez entre em coma até a hora do jantar – seus braços doíam e tremiam com o esforço de controlar manualmente a nave praticamente desgovernada, e a tensão gerada pela preocupação com as padawans, somada ao esforço de parar a nave com o auxílio da Força, parecia ter amarrado pesos de aço a seus membros – mas à noite... – ela deixou a promessa no ar.
— Tenho de lidar com meu pessoal. Uma invasão dessas não poderia jamais ter sido bem-sucedida, e isso pode me ocupar por algum tempo – ambos sabiam que isso significava mortes e ameaças, e Rey franziu o cenho com desagrado — mas irei ao seu encontro, à noite. – ele segurou a mão dela contra seu rosto, desfrutando do único toque pelo qual ansiava, o qual o reconfortava e fortalecia.
— Não descarregue sua raiva em pessoas inocentes. – pediu a jovem, sem retirar a mão do rosto dele, mas imprimindo tom veemente à própria voz.
— Eu quase vi morrer diante dos meus olhos a única pessoa inocente desta nave. Qualquer um que tenha possibilitado isso, por incapacidade ou conivência, é um facilitador e será punido pela gravidade de seu crime. – Kylo apertou a mão pequena na sua, como se para marcar o que dissera, enviando a Rey a cara mensagem de que iria protegê-la de tudo e de todos capazes de feri-la, quisesse a moça ou não.
— Não. Mate. Inocentes. – enfatizou a garota, sua voz prometendo um conflito sério, se o fizesse – e você sabe muito bem discernir a diferença entre um conivente e alguém que foi enganado. – ante a expressão endurecida dele, insistiu – prometa, Ben!
— Os inocentes viverão. Mas quem é inocente ou não, é um julgamento meu. – ela ia dizer algo, mas o Cavaleiro cortou a conversa – eu não discutirei mais, Rey. Você está cansada, precisa se refazer, e ainda tem um parasita a confrontar. Ver-nos-emos mais tarde.
Ele a segurou e deu um beijo breve e possessivo na testa da garota, sentindo a contrariedade dela, mas também algum grau de compreensão; Rey sabia que a ausência de punição seria um erro fatal e, mesmo não concordando com os métodos do esposo, aceitava ser algo mais importante do que questões de moral. Sabia que ele não sairia matando desenfreadamente, mas preparava-se para sentir as perturbações na Força causadas por algumas mortes. Seria algo que a própria Leia faria, na Resistência... E ao pensar na figura feminina, Ben tratou de banir tal imagem imediatamente. Não sabia se o pensamento viera dela ou dele, mas não queria se lembrar da General, especialmente agora.
Separaram-se, seguindo cada um por seu próprio caminho, e o Imperador viu-se profundamente incomodado e preocupado com um detalhe: o modo como seus sentimentos se haviam agitado e saído de controle ao ver Rey. Cada vez menos tinha comando sobre o que sentia pela moça, e não tinha nada a ver com a conexão criada entre ambos pela Força... O que sabia sem dúvida alguma era que ela, inexplicavelmente, com seus protestos, desafios constantes e visão oposta do mundo, tornava-o mais forte, seguro, senhor de si e de seu império.
*
Rey não precisou de mais do que meia hora para encontrar seu alvo: Armitage Hux acabara de sair de uma passagem das tropas em revista pelo agora general Isval Shan; o humor do homem não podia ser pior, e isso podia ser visto à distância, de modo que a Jedi preferiu abordar o assunto diretamente. Caminhou pelo corredor largo em linha reta, até interceptar o homem ruivo, que a fitou de alto a baixo com expressão cínica:
— A que devo a honra, Primeira Dama?
— Não se faça de desentendido comigo, Hux – ela falou em tom neutro, autoritário, mas não agressivo – você e eu sabemos muito bem o que fez.
— Eu faço muitas coisas, “alteza”, e não sei a qual delas está se referindo. – ele tentou passar, pego de surpresa quando Rey usou a Força para o imobilizar e obriga-lo a fita-la:
— Estou falando de sabotar a Supremacy, infiltrar os Niktos que mataram a equipe na cabine de controle aéreo e destruíram os controladores de voo e radares detectores. Estou falando de sua tentativa de me matar. – os olhos do homem se arregalaram em puro espanto, não com a primeira frase, mas com a última. Um espanto genuíno, do tipo que não se podia fingir.
— O quê?! – ele tentou se libertar, mas seus pés estavam travados no chão – escute uma coisa, menina: uma coisa é acusar-me de ambição, pois isso eu não nego, mas estupidez não é um defeito meu. Se cometesse um atentado contra sua vida, eu não deixaria rastros, nem manteria viva qualquer pessoa que participasse do plano.
— Nega que participou como informante desse ataque? – ela insistiu, pressionando suavemente sua mente contra a de Armitage a fim de captar quaisquer pensamentos involuntários que o denunciassem. Nada. Ele realmente era inocente, pelo menos quanto ao atentado... Contudo, a Jedi encontrou coisas que não esperava... Coisas que logo desapareceram enquanto a surpresa dava lugar ao costumeiro controle do militar, e sua mente se fechava. Ela poderia invadir seus pensamentos, se precisasse, e viu-se fortemente tentada a fazê-lo: seria tão fácil! Entretanto, lembrou-se da sensação da violação mental, do que isso significava, e censurou a si mesma por haver sequer considerado a hipótese. Não faria aquilo, a menos que fosse inevitável. Mesmo porque, com o que vira já sabia o suficiente para entender as intenções de sabotagem do trapaceiro; o militar era ambicioso, inteligente e perigoso, mas sua previsibilidade o tornava um adversário menos terrível do que se poderia esperar. Ele cheirava a traição e, começando a apreender mais profundamente como aquele mundo funcionava, Rey sabia exatamente como frustrar seus planos. Precisaria falar com alguns oficiais, com Eilenia e outros das equipes de diplomacia... Mas não conseguiria fazer nada disso antes de descansar ao menos um pouco! Vinte e duas horas de viagem, seguidas de um ataque, pilotagem defensiva e uso maciço da Força para ajudar a frear uma nave desgovernada estavam cobrando um preço caro de seu corpo.
Rey caminhou para o quarto a passos mais lentos do que o costume: tomou uma ducha rápida para se limpar, enrolou-se na toalha e foi até a cama; imaginava se conseguiria dormir, preocupada com duas coisas: a primeira dizia respeito a frustrar os planos de vingança e sabotagem de Hux, antes que chegasse a Rakata Prime e ele os pudesse executar; a segunda era um pouco mais enervante: se não fora ele, então quem? Contudo, o cansaço apagou essas questões por completo, lançando-a em sono profundo antes mesmo que o rosto se acomodasse no travesseiro.
*
O jantar animou Rey em seu retorno; se os problemas já a haviam alcançado, ao menos também revia pessoas que começava a considerar amigos, como Teff, Ranktor, Bib — um Twi’lek responsável pela parte do controle financeiro da Primeira Ordem, que já ensinara muito a Rey sobre o funcionamento do fluxo monetário em todo o império e nos sistemas independentes – Nehaen – uma capitã Echani de rara beleza, cabelos brancos e olhos cinzentos, a qual começara a instruir a Jedi em técnicas de combate desarmado – e outros. A grande maioria se mostrava feliz com o retorno da Jedi, e ela foi chamada a inúmeras mesas diferentes para reencontrar conhecidos mais do que satisfeitos em ter de volta a gentil, inteligente e corajosa Primeira Dama.
Em meio a tantos reencontros, rever Eilenia foi ainda mais animador: após o jantar, reuniram-se no escritório particular da diplomata, que ouviu com alegria os relatos das jovens – especialmente das empolgadas Brenwen e Asala — a respeito dos ocorridos em Dantroix. Congratulou-as efusivamente pelo sucesso e pela obtenção de seus cristais Kyber e depois, resumidamente, explicou os pequenos problemas que vinham tendo na Supremacy, com os oficiais ainda testando a capacidade de comando de Kylo Ren. Após uma demonstração de poder bastante clara — na qual o Imperador reunira todo o alto escalão e, com um gesto da mão, dominara a todos através de um lento sufocamento, encerrado apenas quanto cada um dos presentes estava sobre os joelhos, prestes a desfalecer – ele reafirmara as regras de seu comando, e isso divergira opiniões: muitos haviam passado a respeitá-lo, de fato, mas novas conspirações pareciam prestes a ocorrer, a despeito da certeza de morte para os insubordinados. Nisso tudo, os Cavaleiros de Ren tinham sido importante arma na manutenção da ordem, enquanto a diplomata tinha a maior parte de seu tempo ocupada com a direção de inúmeros acordos com planetas e sistemas periféricos, alguns declarando neutralidade, outros recusando-se a se submeter e negociando os termos da liberdade, outros ainda deixando os farrapos remanescentes da República e se submetendo a um novo imperador que parecia não apenas mais poderoso, mas mais capaz do que o Líder Supremo Snoke. De fato, quase todos os antigos planetas centristas, do tempo da Nova República, já se haviam submetido por boa vontade.
Ouvir aquilo dividia Rey entre satisfação por haver alguma paz na galáxia, e receio pelo que viria a seguir. Uma vez alcançada a estabilidade, como deveria agir? Como poderia trazer de volta a liberdade, de um modo que esta não fizesse reviver as cisões responsáveis por causar o colapso de dois sistemas republicanos? Não fazia ideia, mas cria estar se adiantando muito. Precisava manter sua mente no aqui e no agora.
Sentando-se com as padawans, ensinou a ambas como se conectar com seus cristais, e passou-lhe um dever: “conversar” com a joias, senti-las e encontrar a melhor forma para os sabres que com elas fariam. Uma vez conseguindo realizar isto, deviam materializar seus sabres, no que a própria Jedi as ajudaria em caso de dúvidas quanto aos aspectos técnicos do projeto.
Com sua nova tarefa dada, as mais jovens se despediram e seguiram para o dormitório, deixando Rey e Eilenia a sós. Sentaram juntas num sofá macio junto à janela voltada para o exterior, contemplando por alguns momentos uma bela nebulosa a poucos parsecs dali, antes que Rey dissesse:
— Fico feliz em estar de volta, apesar de toda esta confusão. – virou-se para a amiga, que a abraçou fraternalmente:
— Esta nave fica mais fria e escura sem a luz de certa Jedi. – a Twi’lek franziu o cenho – e mesmo com seus progressos no treinamento, você ainda é péssima em esconder o que sente. O que aconteceu?
— Estou preocupada com algumas coisas... A primeira dela é mais perigosa, pois não fazemos ideia de quem armou aquela emboscada; seja quem for, está aqui dentro, e pode preparar outras sabotagens. Fui confrontar Hux, um forte candidato a ter sido o mandante do ataque, mas ele era inocente, o que aumenta muito a lista de suspeitos. – a humana apoiou os cotovelos nos joelhos dobrados e reclinou a cabeça sobre o espaldar do sofá – mas confrontar aquela cobra ruiva levou à preocupação menor, porém tão urgente quanto.
— O que Hux armou? – a diplomata conhecia bem demais o desagradável ex-general e sua ambição desmedida, bem como seu rancor e desejo de vingança.
— Ele tem planos para sabotar instalações, convencer seus seguidores restantes a incitar motins e fingir tratar-se de ataques republicanos, para provocar a guerra, a fim de atestar a “incapacidade” de Kylo e a necessidade de um líder, hm... ‘Melhor preparado.”
— Filho da p... – Eilenia reprimiu um palavrão – isso é a cara dele! Mas ainda lhe restam seguidores, depois das missões fracassadas em que foi enviado? – Rey e Ben haviam acordado que o melhor modo de minar a imagem de Hux seria lhe dar trabalhos inúteis e fadados ao fracasso, porém mascarando a situação como fracasso pessoal do oficial rebaixado. Já com sua imagem abalada pela perda de um couraçado, o capitão tivera sua imagem cada vez mais degradada, reduzindo drasticamente seus apoiadores. Os restantes, porém, pareciam bastante decididos quanto ao lado que apoiavam...
— Restam alguns. O bastante, pelo que pude perceber, e sabotar a imagem do Imperador quando este estiver fora, em combate aos republicanos e conquista dos últimos territórios livres, seria fácil. Assim como preparar uma armadilha que matasse Kylo. E não duvido que o ataque ocorrido possa ter sido orquestrado por algum de seus seguidores, instruídos a criar “problemas” sem o conhecimento de seu líder, para que a cobra realmente possa alegar ignorância, mesmo sob tortura ou invasão mental. – Rey não tivera dificuldades em juntar as peças do plano de Hux, e enojava-se com a perversidade daquela mente.
— Pela sua expressão calma, eu imagino que tenha ideia de como lidar com ele. E não envolve contar a seu esposo.
— Não esta noite, pelo menos. Não se conseguirmos lidar com isso, nós duas; se eliminarmos Armitage, ou no mínimo seus planos, acabamos com seus apoiadores; Ben faria questão de massacrar cada um deles, e não quero provocar um derramamento de sangue desses.
— Rey, o único modo de lidar com uma cobra como Hux é... Cortando a cabeça da cobra. Você consegue ter esse sangue em suas mãos? Armar a morte de alguém?
Rey fechou os olhos, desgostosa: não, ela não queria ter de fazer isso. Mas sua tentativa de poupar a vida do oficial mostrara-se inútil para dissuadi-lo, e apenas o enfurecera mais, portanto... Sim, precisavam fazer aquilo.
— Quero tentar mais uma coisa, antes de apelar para assassinato. – disse a Jedi – preciso tentar. Mas, se não der certo, então resolveremos de modo mais drástico.
— Se for preciso, eu me encarregarei deste “acidente” – assegurou Eilenia – não preciso ser sensitiva à Força para saber como a ideia a deixa arrasada.
— O que me deixa arrasada é pensar que algumas pessoas se apegam de tal forma a fazer o mal, independente das chances que lhes demos... – a Jedi respirou fundo, tentando não pensar em como seu esposo, ainda que parecesse mais controlado e demonstrasse sinais da luz em seu interior, ainda se apegava ferrenhamente ao poder – se for necessário, eu farei. É minha obrigação, pois dei a ideia. Não vou manchar as suas mãos, Lena... E nem causar acidente algum. Se ele me obrigar a isso, eu o matarei, e arcarei com as consequências, pois isso é o que um Jedi deve fazer. – o amargor em sua boca se aliviou ao ver o sorriso da amiga – o que foi?
— Você é uma incógnita admirável, Rey. Boa, mas implacável. Astuta, mas não insidiosa... Perguntou-me uma vez, por que a Força a teria escolhido, e talvez nunca saibamos a resposta, mas... Se alguém merece usar essa trança em seus cabelos, com certeza é você. E se alguém pode restaurar a Ordem Jedi do modo como esta deveria ter sido, certamente é essa moça para a qual olho. – um sorriso perpassou o rosto jovem da Jedi ao dizer:
— Obrigada, Lena. Por tudo. Por cada coisa que fez, desde o dia em que nos conhecemos. Eu não estaria nem perto de ter alguma ideia do rumo a tomar, sem sua amizade.
— Fico honrada em saber disso, e farei sempre o meu melhor para ajuda-la, porque sua missão e sua intenção são nobres como nenhuma outra, minha amiga. – a Twi’lek consultou as horas – mas, no momento, eu conheço alguém que estará sentindo muita falta de certa jovem Jedi que se ausentou por uma semana. Alguém cujo humor ficou particularmente insuportável em sua ausência, e melhorou subitamente com sua chegada. – Rey riu gostosamente ao ouvir as palavras seguintes – se pensar em viajar de novo, é melhor informar-me com meses de antecedência, para preparar meu psicológico! E se desaparecer por mais de uma semana, quebro meu datapod em sua cabeça, por me deixar com aquele protótipo de Darth Vader!
— Se ele a ouvir falando isso, coloca-a como Primeira Conselheira no ato – comentou a moça, marota, antes de se levantar – vai dormir, também?
— Eu vou dormir – assegurou a Twi’lek – Já você...
— EILENIA! Você e Brenwen têm algum complô para me constranger?! – perguntou a humana, vermelha.
— Céus, como é inocente – riu a diplomata – Rey, relaxe. É uma brincadeira.
— Que quase me transforma num Zabrak, de tão vermelha! – devolveu a garota, saindo com a amiga do escritório – bom, com sua licença eu vou para meu quarto, antes que ouça mais algum comentário para mudar minha cor de vermelho para roxo. Boa noite, Lena.
Separaram-se ambas com um sorriso, e Eilenia ficou bastante satisfeita consigo mesma: conseguira distrair um pouco a moça do peso de seu dever, animá-la e tranquiliza-la. Não sabia exatamente o que a Jedi faria em relação a Hux, mas apostava que envolveria tentar uma última chance de demovê-lo. Essa era Rey: acreditava na bondade e na luz até o último instante. E parecia bom ainda haver ao menos uma pessoa na galáxia capaz de fazê-lo.
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