Rightful - Interativa
11 Feroz
Notas iniciais
Observou a enorme porta avermelhada abrir-se a sua frente, revelando a enorme e imponente sala do trono da Fortaleza Vermelha. Passou os olhos, lentamente, pelos crânios de dragões mortos nas laterais da sala, enquanto avançava em direção a enorme monstruosidade de espadas de Aegon.
O ambiente era abafado e avermelhado, percebeu, bem diferente do ar fresco do lado de fora da Fortaleza. Supora que fosse por causa da quantidade de pessoas juntas, assim como as tochas que iluminavam o ambiente. Porém, aquele lugar parecia ser separado do resto do mundo, como um universo à parte e místico. Ajudando para manter aquela aura de magnificência, sentado sobre o Trono de Ferro, estava um ser pálido, cujos cabelos tinham a mesma cor que a pele, e os olhos violetas escuros se destacavam em meio a vermelhidão do lugar.
Pensava estar acostumado a opulência, afinal, era um Lannister de Rochedo Casterly. Vermelho era uma das cores de sua Casa, tal como o dourado: uma cor nobre, opulenta e única. Todavia, aquele vermelho não era nobre. Não era o carmesim Lannister; era um vermelho profundo e escuro. Não era nobre, era selvagem.
Como os dragões, concluiu Tygett, mais uma diferença entre nossas casas.
Era costumeiro se dizer que o contrário de um Lannister era um Stark e, de certa forma, o Escudo de Lannisporto concordava com isso. Porém, ele frequentemente se pegava pensando nas diferenças dos Lannister e dos Targaryen:
Lannister era dourado, Targaryen prata; Lannister era nobre, Targaryen era selvagem; Lannister tomava o poder de forma imperceptível, Targaryen tomavam reinos por capricho e os clamavam como seus. Targaryen protelava até que não houvesse outra maneira, Lannister pagava suas dívidas.
—Vossa Graça.- Disse, em coro com sua comitiva, se ajoelhando em frente ao Trono de Ferro. Ele não se parecia em nada com o que lhe haviam dito que o rei era.
—Não sou Graça alguma, senhores.- Respondeu o homem sobre o trono, levantando-se.- O rei Jaehaerys não pode comparecer, devido ao horário de chegada de sua comitiva. Eu sou Baelon Targaryen, seu segundo filho e Mão do Rei.
—Senhor Mão.- Apenas o pai de Tygett, Gerion, disse, sorrindo.- É uma honra conhecê-lo. Permita-me que nos apresente. Sou Gerion, da Casa Lannister.- Ele fez uma pausa, gesticulando em direção a Tygett e sua irmã.- Esse é meu herdeiro, Tygett, o Escudo de Lannisporto, e minha filha mais velha, senhora Mylessa.
—É um prazer.- Baelon chegou aos pés do trono, franzindo o cenho.- Pensei que o senhor tivesse mais uma filha.
—Joanna está em Rochedo Casterly, senhor Mão.- Explicou Gerion, ligeiramente nervoso.
Tygett desviou o olhar, sentindo seu coração se apertar. Ele sempre se sentia assim longe da gêmea; Será que ela também pensa em mim assim?, perguntou-se. Não seja estúpido, você sabe que aquilo não significava nada para ela. No entanto, nada- nem mesmo sua adorável amante- conseguia tirar Joanna de sua mente.
***
Quando abriu os olhos esverdeados, após um sonho turbulento, os sons de festas ainda preenchiam o Luz do Oeste, músicas sobre deuses do mar e entidades aquáticas ocupando o navio nortenho oscilando sobre as ondas calmas do Mar do Poente. Ondas que deixavam as primas de Joanna enjoadas e mal-humoradas, mas apenas embalavam os sonhos de Jo.
Sonhos interrompidos pelos grasnados das gaivotas ao longe e pelos rugidos dos soldados no convés.
Jo sentou-se em sua pequena cama observando a cabine, os móveis distorcendo-se no breu quase completo que ela se encontrava. A única luz fraca que transpassava as cortinas pesadas era um fraco feixe de luz lunar prateada, que iluminava fracamente a imensidão negra do quarto.
Sua cabine era na parte média do convés, a menor dentre a dos seus irmãos, e Joanna a dividia com duas de suas primas, Leyla Reyne e Thea Westerling. Thea estava adormecida a seu lado, envolta em um manto verde musgo, porém, Jo não encontrava Leyla em lugar algum.
Abrindo as pesadas cortinas, Jo encarou a lua prateada. Seu mentor, meistre Engel, havia lhe ensinado como ver as horas pela lua, e, se ela não estivesse errada, já passava da meia-noite. Ou eu posso estar errada, não ter dormido por mais de vinte minutos e Leyla ainda está na cabine de jantar com sua mãe.
Apesar de alimentar esperanças que aquela opção fosse a certa, Joanna sabia exatamente qual era: Leyla não havia voltado para o quarto, e já passava da meia-noite.
Mesmo se considerando uma amiga dedicada, Jo ficou tentada em somente ficar em sua cama observando a lua, que brilhava cheia sobre as águas azuis-esverdeadas do Mar do Poente, iluminando as ondas calmas que envolviam o Luz do Oeste e o caminho em direção à… seja lá onde ela estivesse indo.
Leyla pode estar em apuros, pensou Jo, pode ter sido pega por um dos marinheiros bêbados. Pode estar morta agora mesmo.
Por fim, Jo cedeu a sua consciência e lançou as peles para o lado, tentando ao máximo não acordar Thea. Delicadamente, Joanna ajoelhou-se na cama, encolhendo-se quando suas pernas nuas encontraram o ar gelado da madrugada. Saiu da cama vagarosamente, ainda hesitante, parando quando ouviu Thea se mexer ao seu lado.
Havia descoberto, nas duas semanas de viagem em que dividia a cabine com a prima, que seu sono era leve como uma pluma, principalmente quando haviam muitos barulhos no convés.
—Onde você está indo?- Perguntou uma voz grogue atrás dela.
—Leyla não voltou para o quarto.- Respondeu, sem pensar.
—E você vai procurar por ela?- Thea soou descrente. Joanna assentiu.- Sozinha?
—Qual o problema?
—Realmente acha que os homens do seu pai vão te reconhecer? Você vai ser apenas uma garota em uma camisola para eles. Eu vou com você.
—Uma hora você vai ter que contar para ela.- Disse, firmemente, uma voz desconhecida.
—Essa hora não é agora.- Respondeu outra; Jo a reconheceu. Danelle.- Vou esperar até que tenhamos certeza de que dará tudo certo.
—Oh, então vai primeiro colocá-la em um vestido caro, empurrá-la em um septo e fazê-la dizer os votos de um casamento e depois contar o que está acontecendo?- A primeira voz parecia irritada .
Joanna inclinou-se delicadamente para frente, para que pudesse ouvir melhor as palavras da mãe e do desconhecido. Sentiu a mão de Thea apertar a sua. O rosto pálido da mulher voltou-se em sua direção e, como se visse por trás da porta, murmurou:
—Joanna.
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