Rightful - Interativa
10 Crescente
Notas iniciais
Rodopiou, sorridente, seu mais novo vestido, sentindo os olhos julgadores de suas damas sobre si. Há alguns anos, ter aquela repreensão vinda das senhoras da corte certamente a faria se encolher e pedir desculpas humildemente; porém, Fucsia não havia pagado dez dragões de ouro naquele vestido para não rodopia-lo.
—Fucsia, você está me ouvindo?- Chamou sua mãe, com a voz cansada. A rosa observou enquanto a mãe fazia uma careta, sentando-se na cadeira mais próxima, segurando delicadamente a barriga, que mostrava seu estado de gravidez avançada. A Tyrell nunca entenderia como uma mulher beirando os quarenta e cinco anos poderia ter ficado grávida.
—Claro.- Respondeu, dando de ombros.- Pode repetir, por favor?
—Seu pai recebeu outra proposta de casamento.- Meredyth disse, fazendo o simples ato de falar de parecer com um martírio.- De sor Martyn Florent, dessa vez.
—Papai irá se casar com Florent? Mas como? A senhora ainda parece bem viva para mim…- Deu um sorriso amarelo, enquanto servia mais uma taça de vinho da Árvore.
—Fucsia.-A mais velha suspirou.- Lorde Florent quer casar com você. E eu sei que entendeu isso da primeira vez. Por que ainda insiste em ser mal-educada e agir como uma moça de taberna? Pensei que essa fase fosse passar quando viesse morar na capital.
—Talvez não seja uma fase, mamãe.- Pronunciou a última palavra com acidez.- E talvez eu não queira me casar com Florent. Ou com o que veio antes dele. Qual foi mesmo? Costayne?
—Caswell. Você sabe que os Costayne foram extintos nos tempos de Maegor.- A mais velha parecia cada vez mais irritada. Fucsia quase se sentiu culpada. Ela se importava com a mãe, porém, sua insistência quase ridícula em transformá-la em uma dama perfeita a cansava.- Filha, é óbvio que não quer se casar com Florent, ou com Caswell, ou qualquer um que seu pai lhe apresente. E eu entendo o porquê.
—Continue.- Pediu, friamente.
—Você está apaixonada.- O coração da Tyrell se apertou; ela quase se descompassou. Sua mãe não poderia saber. Ela havia feito de tudo para manter aquilo em segredo; ninguém sabia dele, ninguém que fosse capaz de contar para Meredyth, ou Mern, ou qualquer um.
—Como?- Questionou, com a voz ligeiramente abalada, sem voltar a olhar para a mãe.
—Eu não seria estúpida de te deixar viver na corte sem alguém para cuidar de você. E também não seria idiota a ponto de revelar meu informante.- Meredyth parecia orgulhosa; Fucsia nunca pensou que seria capaz de sentir raiva de alguém que não sabia quem era.- Não queria ser o tipo de mãe que destrói os sonhos adolescentes dos filhos, querida, mas isso parece inevitável. E não é como se você facilitasse as coisas, amor. Tinha que ser ele?
—Nós não escolhemos quem amamos.- Disse, alterada.- Eu não vou abandona-lo. Eu o amo! Você deveria estar aqui por mim!
—Se pelo menos vocês tivessem se conhecido antes.- Grunhiu a senhora de Jardim de Cima.- Fucsia, eu não posso fazer com que fiquem juntos. Seu pai não irá abrir mão de nem uma moeda de cobre para salvar um amor de sua única filha com um homem que não é nem o herdeiro de uma grande casa.
—Parabéns, Meredyth, você conseguiu estragar meu dia.- Levantou-se, rudemente.
Era óbvio que seus pais não a ajudariam; Lorde Mern Tyrell era capaz de dar um castelo para um servente antes de ceder qualquer coisa para Fucsia. Ele preferia gastar seu tempo, além de bancando ser senhor da Campina, com seu filho mais velho, Sebastian, o Pequeno Psicopata. Bem, ela não esperava qualquer conforto vindo da família, de qualquer maneira, resolveria as coisas de seu jeito, como sempre fizera. E, quando terminasse, ninguém jamais poderia chamá-la de estúpida novamente.
É uma promessa.
*****
Golpeou mais uma vez, dessa vez deixando uma marca profunda e longa na casca marrom apodrecida; quase podia imaginar o sangue vermelho e vivo escorrendo pelos sulcos naturais da pessegueira, em direção a terra molhada abaixo de si. Sorriu para aquele pensamento. Era realmente uma pena que árvores não sangrassem.
Assim como é uma pena que o pai não tenha deixado ir naquele torneio, pensou, raivoso, eu poderia ter feito muitos daqueles falsos cavaleiros sangrarem.
Porém, Mern não parecia interessado em “destruir a imagem de seu herdeiro”, mostrando para toda Westeros que ele gostava de fazer as pessoas se machucarem. Sebastian não conseguia entender porque seu pai pensava daquela maneira: será que ele realmente achava que qualquer um iria reparar nisso quando estavam diante do rapaz mais belo dos Sete Reinos? O que ele poderia fazer em Jardim de Cima? O castelão da sede da Casa Tyrell era o meio irmão de seu pai, sor Elys Flowers, e estava expressamente proibido de oferecer um banquete. Isso será um tédio.
Para completar sua desgraça, além de ser privado do maior evento social das últimas décadas, ele tinha que aguentar as ordens estúpidas de sua tia, Myna, que se recusava a deixá-lo participar das reuniões que tinha com Lorde Redwyne e Lorde Rowan e outros senhores menores. Ele sabia que ela estava planejando algo, por que não só contar para ele?
—Sebastian!- Ouviu seu meio-tio chamar.- Os Sete sejam bons, o que essa árvore fez? Discursou a favor dos Blackfyre?
—Você é hilário, senhor castelão.- Respondeu o herdeiro de Jardim de Cima.- A que devo sua ilustre presença?
—Deixe de ser estúpido, Sebastian.- Ralhou Elys.- Oh, espere, isso é demais para você.
—Novamente hilário, sor. — Atirou a espada ao chão.- O que quer?
—Quero saber o que pensa sobre um casamento.- Elys não sorria mais.
—Eu já estou noivo.- Respondeu o mais novo.- Da garota Baratheon, se lembra? Verona.
—Bem, é sobre isso que quero falar.- Elys disse, sombrio.- Estive conversando com seu pai e com sua tia. Todos concordamos que se casar com a senhora Verona não a melhor opção para você. Pelo menos não agora.
—Casando-me com a garota Baratheon teremos um aliado externo. Mais pessoas para irem para a guerra conosco se necessário.- Ele citou as palavras do pai, de anos atrás, quando lhe explicara o porquê dele ter sido prometido para uma garota quatro anos mais nova.- Por que mudar de ideia agora?
—Verona é filha de Saera Targaryen, tal como todos os Baratheon vivos, além de Ormund. Eles não irão lutar ao nosso lado na nossa guerra.
—Pelo que sabemos das ações do Baratheon mais velho, não me parece que eles vão ser muito fiéis a seu sangue.
—Não, Sebastian.- Disse Elys, por fim.- Nossa guerra é apenas nossa. Ninguém lutaram ao nosso lado, além dos senhores da Campina. Mas isso não significa que não teremos o apoio de outras Grandes Casas.
—Os Baratheon?-Chutou a Rosa Charmosa.
—Você não ouviu nada do que eu te disse? Os Baratheon não vão ser lá uma grande ajuda.- Elys deu as costas para o sobrinho.- Porém… você se lembra de que reinos se uniram para lutar contra Aegon, o Conquistador, no Campo de Fogo.
—Nós e as Terras Ocidentais.- Sebastian não viu qualquer lógica nas palavras do tio.
—Uma aliança gloriosa, de fato. Quase vencemos os dragões. Do que acha que seríamos capazes se nos uníssemos de novo, agora que os dragões estão mortos?
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