Right or wrong

2 The conversation


Notas iniciais
Hey guys, espero que gostem.

Me sentei e senti ele me olhando, não senti tipo fisicamente acho que isso é impossível afinal, mas aquela sensação engraçada me envolvia o estômago, engraçada não é bem a palavra certa, bizarra acho que é. Sabia que ele estava me olhando, então todo movimento era controlado, aja naturalmente eu gritava para mim mesma, mas eu não estava a fim de conselhos naquela hora, antes que eu sequer percebesse estava mordendo a droga da caneta, uma coisa que ele uma vez mencionou que achava sexy, que droga, eu não podia ficar fazendo isso.

Uma daquelas placas de incêndio brilhavam em minha mente, PERIGO PARE BOY DE AMIGA FRUTO PROIBIDO, mesmo com tudo isso me proibindo ou talvez por essa proibição eu me sentia atraída por tudo que ele fazia, cada olhar que ele dava, cada comentário, sarcásticos ou não, os primeiros eram meus preferidos, mostravam sua inteligência que eu sabia que não era pequena discretamente, em comentários que só outras pessoas inteligentes poderiam entender. Ou seja, conversávamos sobre coisas e todos os outros ao nosso redor participavam também sem entender realmente, seu jeito cavalheiro foi uma das primeiras coisas que me chamaram atenção nele, seu cheiro a segunda coisa e a mais marcante, ele usava perfume sim, mas seu próprio cheiro era melhor ainda o que eu viria a descobrir mais tarde.

Voltando a placa brilhante de incêndio, parei de morder a droga de caneta e a devolvi para o estojo. Foquei no professor e esqueci ele, essa era a teoria, a prática? Não foi bem assim, depois de largar a caneta eu ainda sentia seus olhos queimando em minhas costas. Passei a aula decidindo entre falar ou não com ele. Eu poderia fingir que tudo que aconteceu entre nós era apenas um sonho como eu prometi para a Isa, mas eu estaria mentindo para mim mesma sobre como eu queria beijar ele de novo, passar minhas mãos em seus cabelos e sentir o seu corpo tão próximo do meu, para que eu sentisse como se fossemos uma mesma alma dividida em dois corpos. Eu sentia falta de meus diálogos bobos e fáceis que eu tinha com ele na hora de ir para casa, eu e ele no mesmo ônibus, se tinha apenas uma cadeira ele deixava eu sentar e eu segurava sua bolsa, era fácil, era um ritual, e desde aquele maldito beijo ele sempre saia correndo e conseguia pegar o ônibus antes que eu, o maldito estava me ignorando e me abandonando todo dia. Oh meu Deus, foco. Tinha que tomar uma providência e seria agora, passei o bilhetinho para ele antes de amarelar e jogar no lixo.

Me espera na saída por favor, preciso muito falar com você.

E o cretino teve a capacidade de me responder com apenas duas letras.

Ok.

Poxa, era só esperar e meu destino seria decidido, é acho que agora é só uma questão do tic tac do relógio ser um pouco mais rápido.

–Isa, depois eu falo contigo, me liga hoje à tarde, preciso ir.

Que droga, justo quando eu tinha resolvido essa vaca vem encher meu saco.

–Laura, eu preciso te contar uma coisa.

–Você me conta hoje à tarde, me liga, eu chego em casa as 3 e a gente conversa com a tarde inteira prometo, preciso ir agora ou meu pai me mata, beijos, tchau.

–Mas precisa ser cara a cara.

–Então a gente se fala pelo Skype, por favor Isa, me pai vai me matar.

–Esquece eu te conto amanhã.

–Ok, tchau, te adoro viu.

Eu odiava aquela menina ao mesmo tempo que amava, é possível isso? Enfim, corri a toda para encontrar o Daniel antes que ele entrasse no ônibus e graças aos dias de Educação Física que eu fazia forçada consegui, mas mereço um prêmio por tantas vezes que já fiz isso, isso no caso é correr de mais e ver o ônibus virando a esquina.

–Droga, que merda, por que faz isso comigo papai do céu? Que zueira, justo agora que eu tinha me decidido.

–Decidido o que?

–Puta merda Daniel, me assustou seu viado.

–Eu não sou viado e você sabe disso. — Comentário desnecessário, senti meu rosto esquentar apenas com a lembrança da prova que ele me dera que não era viado.

–Ok, desculpe, mas mesmo assim, você me assustou.

–Acho que você devia estar mais ligada, imagine se era um ladrão.

–Ah não, sem lição de moral por favor.

–Como perdemos o primeiro ônibus e o próximo só chega daqui 40 minutos o que acha de um sorvete para enganar a fome?

–Eu topo, mas eu quero falar com você sobre uma coisa.

–Que coisa?

–Uma bem séria.

–Boa ou ruim?

–Depende do que acontecer depois, a notícia não é boa nem ruim por conta própria.

–Sua mãe aceitou pagar uma cirurgia plástica para você?

–O que?

–Ué, o resultado depende do procedimento, mas certeza que é uma notícia boa, pior que você é não fica.

–Engraçadinho, pode ficar um pouquinho sério?

–Desculpe, fale.

–É sobre o beijo que você me deu semana passada.

Devo ressaltar que foi uma das únicas vezes que vi ele ficar sem palavras.

–Daniel? Terra chamando Daniel.

–Desculpa, estava huum. O que você quer falar?

–Você acha que pode esquecer o que aconteceu?

–O que?

–Tipo deixar para lá, fingir que nada disso nunca aconteceu.- A cada palavra mais perto da coisa certa, eu partia meu coração um pouquinho mais, eu queria retirar todas aquelas palavras e beijar cada centímetro do rosto dele enrugada naquela careta de incompreensão.- Eu acho que foi coisa do momento sabe, nós dois estávamos muito próximos e tal, nada a ver nós dois. Digo, você tem o seu futuro traçado, eu nem sei o que quero fazer na faculdade, sua amizade é muito boa para mim, mas acho que é só isso. — Meu Deus, acho que nunca fui tão boa atriz na vida, já tinha decorado meu texto no dia anterior, ensaiado de uma forma que parecesse natural, que ele não entendesse que na verdade tudo o que eu mais queria era me jogar em seus braços e mandar um foda-se para o mundo, eu só queria que fosse mais fácil entre nós.- Desculpa Dani, mas eu acho que é o melhor.

–É o melhor? Melhor para quem? Para a Carol? Saiba que aquele beijo não foi uma coisa do momento, eu penso nisso desde o primeiro momento que eu e vi, toda encolhida no primeiro dia, e como você ria com as suas amigas, e de repente eu queria que você risse quando estivesse comigo também. Você é uma das pessoas mais sensíveis que eu já vi na vida, você se esconde nessa casca grossa para ninguém entrar, mas surpresa, eu já te conheço, não adianta fugir, não adianta tentar esconder nem fingir que nunca aconteceu, e eu sei que você sentiu o mesmo com aquele beijo, eu te amo. E não adianta quantas vezes você diga isso eu não vou aceitar, eu não vou deixar de lutar por uma coisa que nem começou. Eu não tenho falado com você não porque eu não queria mais te ver, porque eu sabia que assim que eu te visse, esse desejo de te abraçar, de te beijar seria muito mais forte que eu. Eu quero que você pense sobre isso antes de qualquer coisa. Eu não quero ser o cara que te separou das suas amigas, mas me perdoe, se elas se separarem, então elas não eram tuas amigas.

–Cala a boca, você não pode falar assim das minhas amigas na minha frente. Você nem ao menos conhece elas.

–Então quer dizer que elas podem falar mal de mim e eu não. Você pensa que eu não percebo você sendo uma na minha frente e outra perto delas? Eu só queria saber se eu me apaixonei pela verdadeira ou pela falsa. Uma hora, você é minha melhor amiga, no outro diz que eu sou egocêntrico. Eu disse que te entendo, mas somente um lado, o outro você nunca me mostrou. Então me perdoe se eu fico confuso com você.

Ele não podia ter dito isso, meus olhos lacrimejaram e eu só conseguia ver ele partindo, coloquei minhas mãos em seus ombros e implorei.

–Dani, não vai, fica aqui. Olha para mim.

–Para que? Para você me dar outro beijo, tirar meu chão e depois pedir para eu esquecer tudo? Ou para eu me apaixonar mais uma vez pelos seus olhos e ignorar tudo que você tenha feito? Ou ainda para eu dizer que posso ser seu melhor amigo de novo, para ter pelo menos uma parte de você, quando na verdade que quero você inteira, cada beijo, cada lagrima, eu posso cuidar de você e cuidar de tudo isso, desde que eu saiba que elas são verdadeiras. Você não tem o direito de pedir que eu fique se você não sabe nem ao menos se você queria que eu tivesse chegado.

Notas finais
Sim, discurso lacrador. Mas não me odeiem. Continua...