Rhorus

10 Lionel de Monteprata


Notas iniciais
Gente, mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem. :3

A Vila Gazua era uma vila erguida na margem sul do Sinuoso. O porto em si era enorme, tão grande quanto os portos do litoral. Era ali que o Sinuoso acabava, para recomeçar a oeste, até o Mar Nascente; até a Capital. A Vila Gazua fornecia um serviço de cruzar navios por terra até o Sinuoso Oeste, há alguns quilômetros dali. Era melhor do que dar a volta pela costa sulista, mas era um serviço caro e poucos tinham condições de pagar; mas o Capitão Barbus tinha ouro em pergaminho; a palavra escrita de um cavaleiro.

– Vou até a vila – o capitão falou para Lionel naquela manhã – suas promessas devem nos valer uma travessia, mas talvez eu precise de você, então não se afaste do navio, sir.

Ele precisará de mim, o cavaleiro de prata pensou enquanto o capitão saía. Ele conhecia o cavaleiro daquelas terras. Um River. Sir Herrys River, ele lembrou, Isso torna as coisas ainda mais complicadas. Sir Lionel conhecia a história. Todos conheciam a história. Os River eram uma Casa antiga, os antigos Senhores Alagados, Protetores do Sinuoso e Suas Afluentes; a sede era o secular castelo de Riverstone. Certa vez o antigo Senhor Alagado planejou tomar o trono. Isso foi há quanto tempo? 15, 16 anos? Qual era mesmo o nome do senhor? Qual o grau de parentesco entre este cavaleiro e ele? O cavaleiro de Monteprata não era lá muito bom em lembrar coisas que não tivessem acontecido com ele. O senhor fugiu para o norte, além da Fronteira, e perdeu as terras de sua família, disso Lionel se lembrava. Traído por algum de seus vassalos... O Atual Senhor Alagado, provavelmente... Mas quem é? Era melhor desistir de tais lembranças, decidiu se deitar e aguardar o retorno do capitão.

Foi acordado algumas horas depois por um dos homens de Barbus.

– O Capitão solicita sua presença no castelo de proa, sir. Ele está com um homem. Deve ser o cavaleiro destas terras.

Lionel afastou o sono dos olhos e agradeceu.

– Diga-lhe que já estou indo.

Para se encontrar com Sir Herrys e o capitão, Lionel vestiu sua roupa mais fina; um traje azul com bordados feitos em fio de prata. A espada, Tormento dos Deuses, estava na bainha presa ao cinto de espada. Lionel foi até o castelo de proa.

O Capitão Barbus se encontrava atrás de uma mesa, e à sua frente um homem que era todo sorrisos encarava Lionel. Ele ainda é jovem, o cavaleiro de prata notou, não deve ter mais que 29 invernos vividos. O cavaleiro da travessia se levantou e acenou um cumprimento. Tinha olhos castanhos e cabelo coral, e sardas sobre o nariz.

– É uma surpresa vê-lo aqui, sir. – Herrys falou, sem tirar o sorriso do rosto. – Ouvi dizer que pretende ir para a capital e até prometeu ouro que não tem.

– É ouro que terei. – Lionel disse em resposta. – Não há ninguém em Rhorus capaz de me derrotar em uma justa. Deixe-nos atravessar, sir, e terá sua parte.

– Isto, é claro, se o rei permitir que você participe. Eu não estava lá há seis anos, mas a história é conhecida. Todos ouviram falar de como trapaceou e aleijou o irmão mais novo do rei, só um rapaz escudeiro na época. – as palavras foram ditas em tom de tristeza, mas o sorriso continuava em sua boca, o que significava escarnio.

Um rubor subiu pelo pescoço de Lionel e ele quis puxar a espada e fazer Sir Herrys cuspir suas desculpas com sangue. Mas em vez disso se acalmou e disse:

– Um trágico acidente. O rei admitiu que o erro fora do irmão, nada que eu deva me preocupar. – Mas estou preocupado, ah, como estou.

– Então eu devo concordar. Você é um dos melhores cavaleiros do reino. – disse Herrys. – Certa vez, há uns 10 anos, você me derrubou do cavalo em um torneio em Porto dos Sonhos. Eu era um cavaleiro inexperiente na época, mas nunca me esqueci de como você estava quando recebeu sua bolsa de ouro. Um cavaleiro de prata em um cavalo prateado. Eu sempre te admirei, sir.

Eu já justei contra ele?, sir Lionel de Monteprata que não esquecia suas derrotas, mas as vitórias eram tantas que embaralhavam em sua mente.

– O torneio em Porto dos Sonhos, sim. Os Lindelm fizeram um ótimo trabalho com aquele torneio.

– Mas em comparação a este, aquele torneio será visto como um circo de pulgas. – sir Herrys se levantou. – Eu melhorei muito desde aquela época, sir. Combati os Saqueadores do Sinuoso, piratas que nasceram com um convés se movendo sob os pés. Venci-os em seu próprio campo tendo metade dos homens que eles tinham. Competi em mais torneios e fiz dinheiro com eles. Não sou o mesmo rapaz imberbe de 10 anos atrás.

– Estou vendo. Recordo-me vagamente de um garoto de cabelos rosados que derrubei do cavalo há muito tempo. Você não parece com ele.

Sir Herrys sorriu.

– Conversei com seu capitão sobre sua travessia. Ele não ficou feliz com a conversa.

Capitão Barbus que até então se mantivera calado e ouvindo explodiu em sua ira.

– Ele não nos atravessará sir. Disse-me que tem ouro o bastante para não precisar de suas promessas.

– E não é só isso – o cavaleiro da travessia falou. – Se você não comparecer ao torneio eu terei mais chance de vencer.

Sir Lionel encarou o cavaleiro impiedosamente, os fios de cabelo dele à luz do sol eram hora vermelhos, hora cor de rosa. Eu deveria saber que era pra isso que ele queria conversar comigo. Ele colocou a mão no punho da espada, a luz do sol que entrava pela janela fazia o cabo de prata da Tormento dos Deuses brilhar. Puxou alguns centímetros de aço para fora da bainha, apenas para o cavaleiro da travessia ter um vislumbre rápido, depois voltou a guardar.

– Posso prosseguir de viagem a cavalo. – declarou por fim. – Ensinarei a você, sir, como se justa de verdade.

Dessa vez sir Herrys gargalhou.

– Espero que consiga chegar a tempo. As estradas estão cheias de saltimbancos e criminosos. O atual Senhor Alagado não dá conta deles. – dito isso virou-se para o capitão. – Seu navio parece rápido, capitão. Posso pagá-lo para atravessar. Com ouro, não promessas. Tudo que tem que fazer é não aceitar este homem em sua tripulação.

– Feito. – o capitão falou de imediato. – Lamento sir. – ele disse para Lionel.

O cavaleiro de Monteprata não disse nada depois daquilo, apenas se retirou para sua cabine e pegou seus pertences, humilhado. Foi até uma estalagem e pediu um quarto. O mais barato. Passaria a noite por lá e na manhã seguinte seguiria para a capital a cavalo. Estava bem mais motivado agora.

Notas finais
Então, aqui estou eu de novo. Demorei um pouco pra trazer mais esse capítulo, e ele infelizmente ficou pequeno, mas fiz de coração. s2 Lionel não é o único cavaleiro com sede de ouro e pelo visto ele descobriu isso da pior maneira. E Sir Herrys também terá uma participação ainda maior na história. Enfim, espero que vocês gostem, leiam, comentem. Obrigado aos que aguentaram até aqui. q Até o próximo capítulo.