Rhorus
14 Allan
Notas iniciais
Allan
Cavalgara todo o dia pela estrada de pedra real, assim como fizera no dia anterior e também como fizera no decorrer de quase todo aquele mês. Estava sozinho e seu alazão negro que um dia fora forte e temperamental estava fraco e manco. Allan vinha do Extremo Norte, das terras da Geada, onde um dia nascia e morria sem que se visse o sol; mas isso só no inverno, no verão não, no verão o sol se recusava a se por e quando se punha sempre havia uma aurora ainda mais brilhante que ele, era até difícil decidir qual o pior.
Ele partira de Baixada de Inverno assim que soubera do torneio que haveria na Capital e estava disposto a participar. Fora ungido cavaleiro por Sir Arthur Winterborn uma semana depois de o corvo chegar à Baixada de Inverno falando sobre os preparatórios desse torneio; um Torneio como o reino jamais viu igual, dizia a carta enviada pelo Conselheiro do rei. No dia em que o corvo chegou, o Conselheiro dos Winterborn levou a mensagem direto a Sir Arthur, que se animou assim que leu; era seu costume participar de torneios e ele pretendia participar desse também, e Allan como seu escudeiro o acompanharia. O jovem rapaz nunca antes havia ido a um torneio, mas ouvira o cavaleiro falar diversas vezes de como eram; de como as arenas lotavam com senhores e senhoras de alto nascimento e dos cavaleiros brilhando em suas armaduras, mas isso é o que as moças gostam de ver, a melhor parte é o sangue, ah, e o som que faz quando derrubamos o outro do cavalo, ele fazia lembrar, e de como gritam nossos nomes. Sim. O melhor é a aclamação, por vezes Allan acreditava que pra Arthur não havia melhor.
Contando deste dia em diante seriam 30 dias para o torneio, ele e Sir Arthur partiram no dia seguinte levando consigo seis guardas portando em estandartes o símbolo da Casa Winterborn – a árvore cinza coberta de estalactites em fundo azul celeste –, cavalos e uma carruagem, que ali no Extremo Norte durante uma longa viagem como aquela seria a diferença entre vida e morte, e também porque Arthur Winterborn não se esgueirava dessas regalias que tinha como herdeiro de Baixada de Inverno; era um belo homem, mesmo com já seus 37 anos, e vaidoso, costumava sempre andar com seus cabelos negros azulados amarrados por anéis de bronze e ouro assim como seu bigode e sua barba, e vestir as melhores peles; não seria o frio do Extremo Norte que o impediria de mostrar a todos o quão era vaidoso. Em contra partida Allan era simples, sem um nome para se gabar e com feições simples; cabelos castanhos cortados na altura das orelhas, nariz adunco e olhos negros, era um rapaz baixo e de baixo nascimento que teve a sorte de se tornar escudeiro do futuro Senhor do Norte... ou o futuro Senhor do Norte teve a sorte de me encontrar, como Allan gostava de lembrar a si mesmo.
A viagem para o Sul era dura e longa e ali haveria poucos lugares bons para repouso, só encontraram a primeira vila depois de três dias de viagem tendo de acampar a céu aberto antes de encontrá-la. Na vila conseguiram camas quentes para dormir, além de comida e vinho aguado para lhes aquecer o estomago, e Allan até viu uma mulher ou duas se esgueirando para fora do quarto de Arthur durante a noite, nuas e aos risinhos. E na manhã seguinte partiram.
À medida que avançavam pela estrada de pedra real, passando por fazendas e pequenas vilas os povos se ajoelhavam saudando milorde ao verem os guardas portando o símbolo dos Winterborn e a carruagem passando logo em seguida, Allan se perguntava o que eles pensavam, será que pensam que Sir Arthur descerá e dará a todos uma peça de ouro por ajoelharem-se na neve e na lama para saudá-lo? Ou fazem apenas oque se espera que façam? Allan acabou por achar mais provável o segundo já que era o que ele fazia e o que se esperava que ele fizesse. Aquelas pessoas talvez sequer soubessem a quem estavam se curvando. Talvez pensassem, é só um fidalgo qualquer.
Depois de uma semana de viagem pararam em Matadegelo, a fortaleza dos Lynx, que eram vassalos dos Winterborn. O castelo era todo feito de pedra cinzenta e sua mais alta torre não chegava nem a metade da altura da mais baixa torre da fortaleza dos Winterborn, mas ainda assim era uma rica construção.
Lorde Wilmar Lynx estava no pátio de treino em frente à porta levadiça de sua fortaleza já a espera do primogênito de seu suserano e seus acompanhantes. Ao lado de Lorde Lynx estavam seu intendente, seu conselheiro, sua esposa e sua única filha, uma donzela de cachos loiros e olhos lilases, Allan pôde ver a forma que ela olhava para Sir Arthur. As donzelas todas ficam arrebatadas por um cavaleiro, e as mulheres úmidas, era o que Arthur lhe dizia e Allan queria acreditar que também seria assim com ele quando tivesse um sir na frente do nome, mas ele sabia que tudo era questão de nascimento.
Lorde Wilmar se pôs a frente começou a falar.
– É com grande honra que o recebo em minha casa, Sir Arthur Winterborn. Será bem vindo a partilhar nossa comida e usufruir de nossa hospitalidade.
– Fico honrado. – disse Arthur. – De fato aceitaremos sua hospitalidade. A viagem para o Sul é longa e já estamos bastante fatigados do caminho até aqui. Mostre a Allan meus aposentos por gentileza e ele tratará de levar meus pertences até ele. E se não for pedir demais, gostaria que o rapaz tivesse um quarto próximo ao meu.
– Como quiser senhor. – Lorde Wilmar falou e em seguida chamou os criados. – Ajudem o rapaz a levar a arca com os pertences de Sir Arthur até o quarto na Torre Morna. Arrumem também um quarto para ele lá.
Os criados assentiram se curvaram reverenciando e se retiraram com a arca e Allan os acompanhando.
O grande salão de Matadegelo era bastante grande visto de dentro, com um teto abobadado e paredes com longas faixas douradas, além de pinturas retratando caça a gigantes e outras criaturas que há muitos milênios habitaram os picos nevados que rodeavam as terras do Lynx. Uma grande mesa de carvalho dividia o salão em dois e na parede ao fundo do salão uma enorme bandeira estava presa à parede com as cores dos Lynx; um lince branco andando furtivamente no fundo dourado.
Depois disso os criados guiaram Allan por uma escadaria que subia à esquerda e um corredor e por fim outra escadaria, até chegar à Torre Morna.
A Torre Morna não era morna apenas no nome, em todos os corredores que ligavam um quarto a outro se viam enormes lareiras que eram sempre abastecidas e por isso o ambiente era tão bom, podendo até se despir das peles e descalçar as luvas sem morrer de frio. Os quartos preparados para ele e Sir Arthur ficavam um de frente para o outro e eram semelhantes em tamanho, mas não em luxo. Quando entrou no quarto preparado para Arthur, Allan viu uma enorme cama com um colchão de penas que caberiam até seis pessoas, além de uma lareira própria e um sino disposto ao lado da cama que deveria ser soado para chamar os criados, pelo menos era o que Allan acreditava. Seu quarto não tinha tanto luxo; apenas um colchão de palhas, uma mesa de escrivaninha, cadeiras e um balde para se aliviar, mas fosse como fosse, era próximo ao de Arthur, como ele pedira.
Lorde Lynx deu um banquete naquela mesma noite festejando a chegada do herdeiro de seu suserano. Arthur Winterborn sentou no lugar de honra à direita do Senhor da casa, à sua frente estava a mulher de Lorde Lynx Lady Sussana, e sequencialmente sua filha, a bela donzela de cachos loiros e olhos lilases que mais tarde Allan descobriu se chamar Annabeth Lynx. O rapaz escudeiro Allan não tinha um nome, portanto não poderia se sentar em um lugar de honra, jantou nos bancos ao fundo do salão junto com a guarda da casa e os guardas de Arthur, mas não era um lugar ruim, ali até mesmo ele, um jovem de quatorze anos podia se embebedar sem envergonhar o honrado cavaleiro a quem servia, e as companhias eram também boas.
Um guarda vestindo o dourado dos Lynx cantava alguma música obscena balançando uma caneca de cerveja escura quando Hiwi, um dos guardas de Sir Arthur somou sua voz a dele e num instante todos os homens estavam cantando. Allan observou a mesa dos senhores e viu que lá tudo que se ouvia era o tilintar dos talheres e alguns pigarreis de Lorde Lynx que parecia consternado com a baderna feita pela guarda. É medo de envergonhar seu senhor, Allan sabia, mas se conhecia Sir Arthur – e conhecia – sabia que o homem não se importaria.
As músicas então foram mudando e a cada caneca Allan se sentia menos tímido até somar sua voz a dos outros homens ali. Quando deu por si já estava em cima do banco cantando.
– Parece estar se divertindo. – disse uma voz conhecida de Allan, que fez o rapaz se calar e se virar rapidamente.
Sir Arthur o encarava debaixo com um sorriso brincalhão no rosto.
– Perdão Sir... Senhor... Milorde... Acho que, não sei, não tive a intenção... Devo ter bebido além da conta. – o escudeiro se embaralhava com as palavras enquanto lutava para descer dignamente do banco.
– Não tem porque pedir perdão. Vim me juntar a vocês. – o cavaleiro de cabelos negros falou sentando-se, depois lançou um olhar para a mesa em que Lorde Lynx se sentava. O homem estava rubro. – As coisas ali andavam um pouco tediosas. A filha de Lorde Wilmar é uma pepita de ouro, graciosa de se ver, mas de jeito bobo e afetado, abria a boca apenas para dar risinhos e fazer gracejos sobre minha roupa. O homem é ainda pior, só fala sobre a filha, fazendo-a dar risinhos e lembrando-a de fazer gracejos. Ah, e a mulher, aquela é uma rocha fria. Não sei como Lorde Wilmar consegue dormir agarrado a ela sem congelar.
Allan riu com gosto e Arthur sorriu, mas quando parou olhou para o lado preocupado. Temia que mais alguém ouvisse.
– Lorde Lynx pode tomar isso como uma ofensa. Se mais alguém ouvisse... Há homens dele aqui também.
– Se ainda sei contar apenas sete contando com você me acompanham, então a outra centena pertence a ele, sim. – Sir Arthur falou enchendo uma caneca de cerveja e bebendo. – Ofensa seria fazer-me aguentar aquela mesa por mais alguns instantes. É um crime grave torturar seu suserano com assuntos tediosos.
Allan riu novamente e por fim aquietou seus temores e aproveitou o resto do banquete ao lado de seu senhor.
Acordou no outro dia em sua cama. Não se lembrava de como tinha ido parar ali, nem de quando fora para lá, mas lá estava. Abriu a porta e espiou o quarto de Arthur, mas o cavaleiro já não estava na cama. Allan vestiu algumas roupas, achou o cinto da espada e o prendeu, e depois saiu à procura de seu senhor.
Foi encontrá-lo fazendo o dejejum com Lorde Wilmar e o conselheiro segredando-lhes algo enquanto eles comiam ovos e bacon empurrando-os para baixo com bom vinho.
– Pode trazer-me a carta, Conselheiro Prumrrose? – Arthur perguntou bebendo um gole de seu vinho, pensativo.
– Se o agradar, my lord. – disse o conselheiro curvando-se e saindo para seus aposentos.
Quando Arthur levantou os olhos da mesa pôde ver Allan ali parado, o chamou para perto.
– Venha quebrar o jejum conosco, Allan. – o escudeiro se sentou ao seu lado, mas havia algo errado no sorriso brincalhão do cavaleiro. Mesmo Lorde Lynx parecia meio desamparado.
– Obrigado, Sir... Aconteceu algo?
Sir Arthur sorriu. – Tem olhos rápidos o rapaz – ele disse para Lorde Wilmar Lynx. – pretendo ungi-lo cavaleiro em breve.
– Me deixa lisonjeado, Sir. – o escudeiro falou fazendo uma meia reverência com a cabeça. Ainda via algo errado no sorriso de Arthur, mas não voltou a comentar.
Quando Allan esvaziava a primeira taça de vinho o Conselheiro voltou com uma carta em mãos. A pequena árvore congelada foi pressionada sobre a cera azul. Era o selo dos Winterborn, mas já havia sido rompido. Sir Arthur pegou a carta das mãos de Prumrrose e passou os olhos rápidos pelas letras. Começou a ler em voz alta.
– É desejo informar a todos que servem e amam à Casa Winterborn – começou ele. – que aquele ao qual vocês fizeram seus votos de servir, proteger e louvar; o homem justo e honroso que governava o Norte e Extremo Norte; o homem que era a chama nesse lugar frio; este homem pariu. Lorde Orly Winterborn morreu em sua cama. Ainda não se sabe como, nem o porquê, mas é sabido que Sir Arthur Winterborn; agora Lorde Arthur Winterborn; herda todos seus títulos e poderes, terras e riquezas. É com muito pesar que lhes transmito estas palavras, bons senhores do Norte. Peço que assim que Lorde Arthur Winterborn voltar de sua viagem para o Sul, que venham para Baixada de Inverno prestar suas homenagens e juramentos ao nosso novo Senhor do Norte. Que a graça dos Deuses do Gelo e da Rocha e das novas Cinco Donzelas do Paraíso esteja com todos.
Quando terminou a leitura os olhos de Lorde Arthur estavam cheios de lágrimas por derramar. Lorde Wilmar Lynx estava sobre um joelho, e Allan não demorou em segui-lo. Arthur amassou a carta fechando o punho e forçou-se a sorrir.
– Até onde se sabe estou viajando para o Sul. Fiquem de pé, por favor. – Lorde Lynx se colocou de pé e Allan se preparava para fazer o mesmo. – Esta carta tem mais palavras de minha mãe que do Conselheiro Bon. Allan, acho que isso muda muita coisa.
– Sir...? Digo, milorde? –o escudeiro perguntou incerto, indo para se colocar de pé.
– Não, não se levante. – Arthur disse colocando uma mão no ombro do rapaz e a outra no punho da espada. – Isso, fique de joelho. Não. Sobre um joelho, assim. Isso. Não se mova. – a mão que estava no ombro de Allan encontrou a mesa, correu sua superfície até encontrar o que procurava; um potinho de azeite que fora usado na salada na noite passada. – Allan, de não-sei-oquê, veio até mim ainda criança, – os olhos de Allan se esbugalharam quando compreendeu o que estava acontecendo, depois fechou-os e baixou a cabeça. Lorde Wilmar deve ter feito o mesmo. — veio a mim em uma noite nebulosa, durante uma perseguição a estupradores. Foi-me mandado pelos deuses, se bem sei. Naquela noite três homens tentaram estuprar uma moça, mas ela fugiu e entrou correndo na estalagem em que eu estava. Eu e mais cinco guardas meus. Nós saímos, pegamos os cavalos e começamos a perseguir os criminosos. Depois de um tempo correndo à toa nos separamos; eu fui para oeste, para a colina da cidade, onde os mendigos dominavam a rua e ladrões os becos. Foi um erro ir sozinho. Bem, encontrei os homens, sim, mas eles fizeram uma emboscada e o cavalo caiu sobre mim. Era certo de que eu morreria. Os três homens que tentaram estuprar a moça se aproximaram de mim com adagas e punhais e eu sob o cavalo, sem poder me mexer. – Allan deu um tênue sorriso. – O resto da história você conhece, não é Allan? Você apareceu do meio da nevoa armado com um pedaço de pau. Acho que tinha nove anos, mas já era forte pra idade, cabelo bagunçado e ranho no nariz. Era só uma criança. Bateu no primeiro homem e no segundo, e enquanto o terceiro se virava para acertá-lo eu tive tempo para me libertar e matar os três. Nesse dia tomei-o como pajem. Bem, você não tinha pais, e morava na rua, então não posso dizer que “tomei-o” como pajem, mas que seja. Depois vi que tinha aptidão para a cavalaria e fiz de ti meu escudeiro. Agora Allan, de não-sei-onde, erga a cabeça – e o rapaz ergueu. – estou fazendo de ti um cavaleiro. – Arthur mergulhou o dedo no azeite e pressionou contra a testa do rapaz. Depois desembainhou a espada, batendo-a em um ombro, depois no outro enquanto falava. – Jura honrar suas palavras, honrar seu pai (onde quer que ele esteja, e seja quem for) e honrar seu rei? – o cavaleiro perguntou.
– Juro. – Allan respondeu sem pestanejar.
– Jura proteger os mais fracos e usar sua espada para julgar àqueles que fazem o mal?
– Juro. – ele disse novamente.
– Então erga-se. – E Allan se ergueu. – Se ajoelhou como Allan, o Sem Nome. Um garoto apenas. Agora está de pé como Sir Allan, ainda sem Nome, mas tem um Sir, então honre-o. Honre seus juramentos. Honre sua espada e acima de tudo honre o seu título. São essas três letras que fazem você. Agora me diga Allan, Como queres ser chamado? Um cavaleiro precisa de um nome.
Sir Allan pensou por um instante e lembrou-se da noite anterior. Ah, e a mulher, aquela é uma rocha fria. Não sei como Lorde Wilmar consegue dormir agarrado a ela sem congelar. Fora uma boa piada que Lorde Arthur havia feito, e toda aquela situação ainda lhe parecia uma enorme brincadeira. Sir Allan já havia escolhido seu nome.
– Será Allan Coldstone, milorde. – falou com um sorriso zombeteiro olhando para Lorde Arthur e depois para Lorde Wilmar. – Mas eu serei o tipo de rocha fria que congelará os inimigos, não do tipo que se dorme agarrado.
Lorde Arthur deve ter entendido porque ele sorriu. Wilmar apenas balançou a cabeça positivamente, sem notar a troça.
– Então está feito, Sir Allan Coldstone. Temos Lorde Lynx como testemunha de que sagrei-o cavaleiro. Sem dúvida este dia dará uma ótima história para você contar em tabernas, mas você pode pensar nisso na estrada. Você vai para o Sul.
– E o senhor não vem? – Allan perguntou ao seu senhor, mas ele já conhecia a resposta.
– Devo ir para casa. Baixada de Inverno deve estar um caos e precisando de alguém para governá-la. Com certeza o castelão Dunker está se virando dignamente bem, mas eu preciso ir e arrumar algumas coisas. – Arthur explicou. – Mas você vai para o sul. Lutará no torneio em nome da Baixada de Inverno e voltará para casa com o prêmio e a glória de campeão. – Dito isso o lorde deu um saco de moedas de ouro para que Allan comprasse uma nova armadura e deu a ele seu próprio cavalo, um alazão chamado Noite, forte e temperamental, tão negro como o nome.
E assim foi feito. Sir Allan Coldstone partiu nesse dia e depois de quase um mês estava finalmente chegando à Capital. Já podia ver suas muralhas prateadas e a fortaleza dos Bullbuster encimando uma colina como uma enorme coroa dourada e prateada. A cidade era linda. E ele agora era um cavaleiro, indo em direção à glória. Bateu com os pés nas costelas do magro alazão negro e continuou andando rumo ao seu destino.
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