Rhaegar e Lyanna: Paixão de Inverno
7 Uma canção de gelo e fogo
Lyanna Stark
Sentada num dos bancos sob a tenda da família Stark, me vejo com uma mão sobre a outra enquanto as duas estão perfeitamente encaixadas em meu colo numa postura polida e distante.
“Como uma fodida lady da Corte” penso comigo mesma e sei que além do vestido azul com branco, meus cabelos pendem soltos sobre meu ombro direito que está exposto pelo corte do vestido.
“16 anos agora. Diante do último dia do torneio onde sir Baristan Selmy luta contra o príncipe herdeiro” retomo completamente distraída do combate em si “É provável que o príncipe ganhe essa batalha. Então terei a oportunidade de presenciar uma de suas vitórias antes de ser arrastada de volta ao Norte para me casar com Robert” concluo e logo sou tirada de minhas divagações por aplausos que irrompem por todo a arena, junto com assobios e um certo ar de euforia.
Meus olhos são atraídos para Rhaegar em seu bonito cavalo branco com a armadura de dragão intacta. Olho em direção ao outro cavaleiro vendo-o caído e logo percebo que o príncipe dragão venceu o torneio como lhe era predestinado.
“É claro que ganharia. Meu princípe era mais forte que qualquer homem” penso com animação
Ele tira o capacete de sua armadura prateada, entregando-a ao que parece ser um garoto jovem de 13 ou 12 anos. Rhaegar recebe uma coroa de flores em sua mão. É pequena e oval no tamanho de um cabeça, as flores são azuis e combinam com o vestido que eu estou usando agora.
“A cor do gelo” complemento comigo mesma e logo vejo-o olhar adiante. Não em algum ponto acima de minha cabeça onde provavelmente está seu pai Aerys II e sua esposa, Elia Martell, mas diretamente para mim. O lema de sua família é fogo e sangue, enquanto o meu se trata do inverno sombrio e frio.
“Somos gelo e fogo. Tão opostos e tão parecidos” completo em distração
Ele começa a galopar de maneira vagarosa dessa vez e por alguma razão, penso que os cascos do cavalo contra o chão representam meu coração. Meus batimentos estão audíveis demais, pulsando diretamente em minhas orelhas e eu sequer entendo porque estou tão desesperada.
“Seria o prenúncio de uma tragédia?” questiono perdida “É por isso que estou tão afoita?” inquiro novamente tentando me controlar, mas até mesmo minha respiração parece suspensa no ar e quando ele se aproxima da bancada de madeira em que estou. Todos os aplausos começam subitamente e rapidamente a se reduzirem.
Eu olho para ele e sei que meu desespero é agora palpável porque não tenho ideia nenhuma do que pode acontecer. Não daqui alguns anos, não daqui alguns meses. Nesses pequenos segundos em que ele vem a minha direção, sinto como se o mundo inteiro tivesse parado de se mover enquanto o observo.
— Nada neste mundo poderia reduzir a adoração que sinto por você– declara em tom sério e logo deposita a coroa de flores a minha frente. Tão perto que basta esticar minhas mãos para tocá-las. É como se um boom de diferentes pensamentos invadisse minha mente e ele apenas se vira antes de galopar velozmente para longe e eu me vejo aturdida, inconsequente, querendo-o para mim sem que sequer possa conceber tal ideia de maneira racional.
Me levanto com a clara intenção de me virar e ir para.. para algum lugar. Qualquer lugar. Para longe, em algum lugar onde todo esse turbilhão de emoções possa ser enterrado e esquecido. Mas para onde? Para onde posso fugir? Voltar a Winterfell? Já não é o suficiente fugir por uma única vez, agora me vejo querendo fugir novamente porque não sei como ficar neste mundo sem voltar a trilhar algum caminho na direção de Rhaegar. Eu o havia afastado na outra noite quando tocou minha mão quando queria beijá-lo. Então o afastei de novo quando queria ficar perto dele e agora... O que fazer?
Estava assustada e até mesmo com raiva ao pensar que ele seria igual a Robert. Pensei comigo mesma e o julguei diversas vezes ao se aproximar de mim. Imaginava em minha vã desilusão que ele seria apenas um fanfarrão que traia a esposa, mas homens de natureza bohemia não se declaravam desta forma as ladies a quem enganavam.
— Não corra atrás dele! – declara Richard segurando meu braço tão logo caminho apressada rumo as escadas e eu olho para ele. Em seguida, meus olhos correm em direção a coroa de flores azuis como a cor de meu vestido e eu me pego pensando se tal cor é proposital ou se o destino agora atua como meu inimigo.
— Não posso aceitar aquilo— digo me referindo a coroa de flores
— Não aceitar implica ofender o trono – declara ele em tom grave e eu me vejo subitamente encurralada, sem nenhuma direção a fugir.
— Mas, pai.. – começo em tom queixoso
— Pegue-a, Lyanna – ordena e apenas solta meu braço. Me vejo caminhando de volta a onde estava e pegando a coroa em minhas mãos como se fosse algum recipiente de vidro facilmente quebrado ao meu toque e uma parte de mim sente que foi condenada a algum tipo de sentença que não sei nomear ou enxergar.
Talvez aquele fosse destino, afinal. Um príncipe guerreiro ao invés de um lorde bêbado e mulherengo de Ponta de Tempestade. Robert dizia amá-la, mas se deitava com putas e seria um homem infiel, tentando enquadrá-la em tudo aquilo que ela odiava: a bela senhora com vários filhos. Uma que saiba bordar e tricotar. Aquela que é sempre boa e quieta. Aquela que é constantemente traída, mas considera como natural. Pensando assim, se imaginou dizendo um grande: vá se ferrar, Robert.
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