Rhaegar e Lyanna: Paixão de Inverno
8 Responsabilidades de um princípe
RHAEGAR TARGARYEN
Aquele sentimento familiar em seu peito, tornava-se cada dia mais perigoso. Seria a eminência de uma tragédia ou uma reviravolta em sua vida?
Lyanna estava treinando novamente. Mostrando a ele a agilidade de sua espada enquanto trajava um belo vestido roxo que destacava a face alva da garota. Ela gostava muito das cores roxo e azul. Com certa frequência, usava vestidos daquelas cores. Os dois vinha se encontrando em segredo aos arredores do torneio e ele nunca estivera tão impressionado com uma garota antes. Lyanna vivaz, forte. Era como as guerreiras valerianas das histórias e ele era obcecado pelas histórias desde que era um garoto. Havia aprendido a usar a espada pelos contos que lia e agora...
Pelos deuses! Ele era casado com Elia Martell. Rhaenys era uma garotinha de 2 anos enquanto Rhaegar tinha quase 25 anos. Quando Rhaenys nasceu, Meister Pycelle garantiu que a princesa Martell jamais teria outro filho, mas há pouco tempo Elia havia anunciado outra gravidez. Isso fora há semanas atrás.
Alguns chegaram a comentar sobre uma anulação de seu casamento, dado a fragilidade das crianças Targaryen. Se Aegon não sobrevivesse, como muitos bebês da mãe de Rhaegar, Rhaella, não sobreviveram a sequer um mês, todo o reino dependeria de uma única criança, Rhaenys. O príncipe prateado se negou a continuar com aquilo porque pensou que era seu dever honrar sua esposa. Não eram exatamente felizes um com o outro, mas a princesa Martell o amava. Ele podia ao menos respeitá-la.
Agora se arrependia dessa decisão. Pensava que um príncipe merecia mais do que uma mulher apaixonada por ele, mas uma que ele realmente amasse. Por vezes se ressentia até mesmo do cheiro de Elia. Nunca dizia nada, porém se pegava pensando como seria tocar Lyanna ao invés dela.
A princesa Martell estava frágil quando não estava sangrando. Por anos, Rhaegar se condesceu com a dor dela e tentou acalmá-la com gestos gentis. Ele sempre fora um homem considerado gentil. Talvez porque havia em si um certo apego por tragédias. Quando novo, costumava se inspirar nas canções e versos a respeito de Solarestival. Ia as ruínas e compunhas as mais belas canções. A tristeza lhe caia bem. Se questionava se era esse seu destino. Se havia de fato um destino.
Quando conheceu Elia Martell havia pouco tempo que se considerava um cavaleiro. O primeiro ano foi amistoso e ele foi o mais simpático que pode. A loucura de seu pai e a amargura de sua mãe faziam dele um homem responsável, quieto e condescendente na maioria dos casos. Ele queria ser honrado e justo.
Agora, entretanto, conhecera o amor e sentia que há qualquer momento poderia quebrar uma pedra com a mão ou levantar uma montanha. Seu coração batia ansioso a cada vez que ia ver Lyanna e ele não tinha paciência para lidar com a maioria das coisas que antes o angustiavam. Sentia sua lucidez travar uma batalha intensa com seu coração.
Dois dias após o início do torneio de Harrenhal, seu pai havia bebido muito novamente. A loucura combinada ao álcool faziam de Aerys um homem violento. Ele estava reclamando com Rhaella. Chamava-a de infértil e dizia que teria sido melhor ter se casado com Joanna Lannister. Rhaegar, por vezes, suspeitava que o pai tinha tido alguma paixão pela falecida Joanna pois constantemente comparava a mãe dele a mulher Lannister. Além disso, cortara qualquer possibilidade de uma união com a família por matrimônio quando humilhou Tywin Lannister no torneio em homenagem ao nascimento de seu irmão mais novo, Vicerys.
O pai bateu em Rhaella e queria mata-la quando Rhaegar se aproximou da cena. Ele enfrentou o pai como de costume e dessa vez ao invés de se desculpar ou se encolher, o rei Aerys começou a dizer que o príncipe estava conspirando para tirá-lo do trono. Ele ouviu todo tipo de xingamento e a situação toda era um inferno em terra. A vida com seu pai no castelo era ruim na maior parte do tempo. Ele humilhava o sobrenome Targaryen e constantemente feria Rhaella desde que Rhaegar era um garoto.
O jovem príncipe primeiro se escondia nos livros. Tentava a todo custo imaginar histórias brilhantes para fugir da realidade em que vivia, mas com os anos isso não mais era suficiente. Todos diziam que ele começou a lutar por causa das histórias, mas Rhaegar apenas percebeu que as histórias não eram suficientes. Ele se tornou um guerreiro porque queria se tornar o homem que seu pai jamais fora.
Lyanna era como um raio de luz em sua vida amargurada e perversa. Ela era jovem e bonita, esperançosa de uma vida melhor. Apesar de sua beleza, também era esperta e tinha punhos de aço. Ele a admirava. Uma garota que tinha os mesmos sonhos que ele um dia teve. Ela era tão diferente e tão igual. A ideia de que ele poderia viver uma vida de amor, uma vida de cavaleiro ao lado de uma guerreira era atraente como o paraíso.
Ele finalmente estava se acostumando ao mundo real e ela o puxava em direção ao impossível novamente. Primeiro o encantou com suas atitudes, então ele percebeu que era incrivelmente fácil conversar com ela e passaram a ser amigos. Mas então.. por que aqueles pensamentos não deixavam sua mente? Ele pensava que a ilusão de amor sumiria ao tê-la perto, mas o sentimento havia se tornado mais intenso.
O fato dela ser tudo aquilo que sonhava tirava dele a sensação do real. Fazia-o se afundar cada vez mais na ilusão de que poderiam ficar juntos. Sua vulnerabilidade em relação a ela chegava a irritá-lo em certos momentos. A diferença de 8 anos de idade entre os dois fazia com que o príncipe a considerasse imatura em relação a muitas coisas. Ainda assim, ele a amava. Quando brigaram por suas atitudes infantis e Lyanna o abandonou – um dia inteiro sem conversar com ele e sequer olhar em sua direção – ele soube que não poderia mais ficar sem ela.
O Targaryen iria honrá-la e fazer dela sua esposa. Estava disposto a muito para isso. Praticamente tudo se precisasse. Pensava ele ou aludia que sua dificuldade em tê-la provavelmente eram causadas pelos deuses para provar que seus sentimentos eram dignos e resistiriam a provações.
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