Tudo começou quando decidi virar um matador de aluguel. Sei que esse trabalho não é fácil, mas tudo depende de um ponto de vista. O meu era ganhar dinheiro, então, está tudo feito.

– Padre eu matei um homem. – Eu disse, quando estava no confessionário.

– Que homem? – Pergunta o padre.

– Você, sr. Padre.

– Eu?

É nesse momento que começo a atirar sem culpa nenhuma, afinal, não acreditava em pecado. Mas também é nesse momento em que um dos tiros atinge um menino que estava indo ao confessionário, com um papel na mão escrito: Aqui está meus pecados Padre.

– Não respeitei meus pais

– Não fiz meus temas
Agora, meu ponto de vista tinha totalmente virado outro, só o que queria era me matar. Tinha matado um menino, não só um padre, padre és um homem, mas um menino. Aquele menino não tinha completado nem 8 anos e morreu por um incompetente igual à mim no seu primeiro dia de trabalho. A única coisa que pensava era fugir dali ou me matar. Fui mais tolo ainda, fugi. Claro, meu chefe soube de tudo, e me mandou para Bruges junto com meu colega de trabalho, Ken, para esfriar a cabeça. Primeiramente, como esfriar a cabeça naquela droga de cidade, que só tem igrejas, e tudo é feito de pedra? Segundo, meu amigo é gay e terceiro, na verdade não existe terceiro.

– Rey, tenta se divertir. – Disse Ken.

– Ah, claro! Nesta cidade vou conseguir. – Eu respondo rindo ironicamente.

Nessa hora que começo a me divertir depois de me deparar com a filmagem de um filme, tinha pessoas pequenas, e uma mulher muito linda, loira de olhos azuis.

– Vamos sair daqui. – Diz Ken.

– Não, não, espera aí, estão filmando pessoas pequenas. – Eu respondo.

– Ah, ok ok. Fiquei olhando por alguns minutos, até a mulher desaparecer em toda aquela nevoa.

– Vi que conseguiu atravessar os guardas. – Diz a mulher.

– Sim, é esse meu trabalho. – Eu respondi.

– Hum, roubar?

– Mais especificamente, matar e fugir.

– Ual, emocionante.

– Vai ser emocionante depois que tivermos um encontro.

Ela saiu sem responder nada, parece que minha tentativa não deu certo como pensava, mas então, ela joga um papel. Por minha sorte, no papel, estava escrito seu nome e seu número. É aí que saio pulando de felicidade, como um criança.

– O que houve? — Perguntou Ken.

– Vou ter um encontro amanhã a noite. — Respondi.

– Ah, muito legal. Mas então, vamos fazer o que quiser até amanhã à noite.

– Ok então.

Ken me obrigou ir a igreja, lugar que não gostava muito depois que acontecera aquilo no meu primeiro dia do meu trabalho.

– Dizem que aqui tem um cálice com uma gota do sangue de Jesus, mas está seca. Mas também dizem que ela vira liquida no inverno. — Diz Ken todo entusiasmado.

– Nossa, muito legal. — Respondo sem convicção alguma.

– Vamos subir pra ver?

– Não, vá você, eu estou bem aqui.

– Ok, tudo bem, pensava que iamos fazer o que queria, mas enfim.

Ken foi subindo as escadas pensando que depois do que dissera pra mim eu ia subir junto, mas na verdade, só sai pra fora da igreja e me sentei num banco. Ele olhou pra trás e viu que já não estava mais lá, cheio de raiva, mas mesmo assim continuou subindo degrau por degrau. Depois de ver o cálice sai porta a fora, com raiva ainda, e gritando em direção ao banco que estava sentado.

– Você está com o que na cabeça? – Perguntou Ken, cheio de raiva. – Não está aceitando Jesus?

– Só acho isso uma besteira. – Eu respondi sem medo algum.

– Ah, olha aqui, não estou bravo pelo simples fato de não estarmos fazendo o que eu quero e sim porque não se importou por algo tão maravilhoso. Eu vim para Bruges pra me divertir, e com ou sem você, eu vou.

– Ok, nos vemos depois então.

Ken saiu triste, com raiva, com nojo de mim, mas eu nem liguei, sabia que depois ia se desculpar. Ou eu iria, pois pensei bem, eu fui tolo. Cada um tem suas crenças, e vou ter que perder o meu medo de entrar em igrejas, e resolvendo esse problema, é entrando em uma ou me matando pra me esquecer do que tinha acontecido no meu primeiro dia de trabalho. Sabe, nem quero lembrar, vou só tentar superar, como Ken diz pra mim. É algo totalmente difícil, eu sei, mas é eu me matar, eles me matarem ou eu fugir.