Revolting Child

20 A Revolta das Crianças Revoltantes


A mãe de Violet não ia encontrar uma nova escola para ela de um dia para o outro, então, como o dia em que elas finalmente conseguiram se acertar foi uma quinta-feira, a menina teria que esperar pelo menos até a próxima semana para sair da Crunchem Hall. Tudo bem, ela tinha aguentado 3 anos lá, podia aguentar mais um pouquinho... Será que podia?

Na sexta-feira, então, Violet foi pra escola com um pensamento um pouco diferente do que tinha nas outras sextas, que era fugir da formatura. Ficou pensando em como tinha passado tantos anos fugindo de tudo naquela escola e agora estava fugindo da escola. Quer dizer, não estava fugindo, ia embora porque sua mãe tinha concordado em tirá-la de lá, mas... isso tinha acontecido exatamente quando Violet decidiu que não ia mais fugir de seus problemas.

Mas será que não era exatamente isso que ela faria se saísse da escola assim, sem mais nem menos? E os outros alunos? O que aconteceria com eles? Nem todos eram bons em escapar dos problemas como ela... Violet ainda estava pensando nessas coisas, quando se deparou com algo muito estranho ao cruzar os portões da Crunchem Hall: o trepa-trepa, o único brinquedo e a única coisa de que gostava na escola, em ruínas. E, diferente das outras sextas-feiras, não estava tendo formatura nenhuma.

Violet viu que Alice estava lá perto e resolveu perguntar a ela o que estava acontecendo. Tinha certeza de que sua colega saberia a resposta, pois, apesar de estar sempre atrasada pra aula, ela sempre era a mais adiantada pra saber das fofocas. E ela sabia de tudo mesmo: disse que a Trunchbull destruiu o trepa-trepa porque alguém destruiu o Sufoco na floresta.

— O quê?! Você sabe quem foi? Espera... só pode ter sido...

— Eu não sei, mas, se você tá pensando na Matilda, da turma da Dona Honey, eu também acho que foi ela. Você não veio ontem, né? Ficou sabendo da revolução?

— Não — Violet respondeu, impressionada e curiosa.

— Pois é, parece que antes de ontem a Matilda Wormwood disse "não" pra Trunchbull quando ela quis levar o Bruce Bogtrotter pro Sufoco. Aí ontem todo mundo começou a espalhar isso pela escola e dizer que ela tava começando uma revolução. Ah, e tem mais um motivo pra eu achar que foi a Matilda: a diretora decidiu assumir a turma da Dona Honey e tá lá no refeitório com eles agora.

A cabeça de Violet quase explodiu com essas informações. Ela não podia simplesmente assistir aula agora, como se nada estivesse acontecendo, então seu primeiro impulso foi ir em direção à floresta.

— Pra onde você tá indo? — Perguntou Alice.

— Eu quero ver como tá o Sufoco. Quer ir também?

— Tá maluca? Não dá pra gente ir na floresta e voltar a tempo pra aula, e se eu chegar atrasada de novo vou receber a minha trigésima advertência, isso se não for expulsa!

— É sério que você tá preocupada com isso agora? Tá tendo uma revolução na escola, as coisas vão mudar, nem o Sufoco existe mais!

— Não sei, não, Violet... Você viu o que a Trunchbull fez com o trepa-trepa, né? Ele era só um brinquedo, mas um brinquedo enorme! E os alunos da Dona Honey estão como reféns dela, então eu acho que ela ainda pode fazer alguma coisa horrível com quem desrespeitar regras como chegar atrasada na aula...

— Ah, tá bom, então eu vou sozinha!

Violet saiu correndo e Alice continuou lá no pátio. Mas isso foi só por um tempo, pois, um pouco depois da primeira chegar perto dos destroços do Sufoco, uma Alice ofegante apareceu e ficou tão chocada quanto ela ao olhar para o estrago que possivelmente Matilda tinha causado.

— Como ela fez isso?! — Perguntou Violet. — Ela é tão pequena...

Depois de voltar a respirar normalmente, Alice falou:

— Será que ela botou fogo? Parece até que houve uma explosão...

Violet pegou um pedaço de madeira e deu pra ver que parecia mesmo estar queimado, então Alice continuou a teorizar:

— Talvez a Matilda não tenha feito isso sozinha, e se os outros colegas da sala dela tiverem ajudado?

Violet se lembrou da conversa que teve com Bruce na quarta-feira e pensou:

— Eu acho que não... não sei se algum outro aluno da escola teria coragem de fazer as coisas que ela faz.

Alice ficou olhando intrigada pra Violet, já que esta sempre tinha tido fama de vida louca, então perguntou:

— Você não teria?

Violet não sabia o que responder. Parece que, mesmo tendo muita vontade de não fugir e fazer alguma coisa, não sabia se conseguiria ser realmente corajosa.

— Eu... acho melhor a gente ir pra sala. — Disse, por fim, soltando o pedaço de madeira.

— Ah, é... Já era, vamos chegar atrasadas!

— Relaxa, eu dou um jeito pra você não levar outra advertência.

— Sério?! Brigada!

As duas voltaram andando mesmo, não adiantava correr, já que chegariam atrasadas de qualquer forma. Além disso, ainda estavam muito impressionadas com o que tinham visto e tensas pelo que podia acontecer, não iam conseguir correr nem se quisessem.

— O que você acha que tá acontecendo com a turma da Dona Honey agora? — Perguntou Violet.

— Eu não sei... mas com certeza ela tá fazendo alguma coisa horrível com eles... Você tá preocupada?

— Sim... Você tá?

— Claro — Alice concordou, mas não conseguia deixar de achar estranho Violet estar se importando com alguém.

— Eu acho que a gente devia fazer alguma coisa.

— O quê?

— Eu não sei... só acho que essa tortura tem que acabar!

— Eu também acho isso. Todo mundo na escola com certeza também, mas... a gente não pode fazer nada agora...

Alice percebeu como Violet estava frustrada por ver que realmente não dava pra fazer nada e precisou comentar:

— Desculpa falar, mas... desde quando você se importa com os outros? Quer dizer... ai, eu acho me expressei mal, espera... Como eu posso dizer...? É que parece que você nunca quer ser amiga de ninguém...

— Tudo bem, eu entendi o que você quis dizer e eu sei por que você tá pensando isso, eu nunca me importei mesmo com ninguém aqui na escola. E nunca quis ser amiga de ninguém também.

— Ah...

— Mas... talvez eu tenha mudado...

— É, eu percebi quando você falou da turma da Dona Honey, por isso falei aquelas coisas. Então você quer ter amigos agora?

— Você acha que alguém ia querer ser meu amigo?

Alice pareceu novamente surpresa e disse:

— Os outros eu não sei... — Então completou, sorrindo: — mas eu iria!

Violet sorriu também. Agora tinha uma amiga na escola, e foi tão fácil! Talvez tivesse tido sorte em falar sobre isso primeiro com Alice, porque ela era muito legal. Inclusive, já tinha sido legal com Violet outras vezes, mas esta não ligou, como quando quebrou o braço.

Mas agora, era a vez de Violet ser legal com sua nova amiga. Quando chegaram perto de sua sala, Alice ficou novamente com medo de ganhar advertência, mas a menina da boina vermelha já sabia o que fazer. Bateu na porta, esperou a professora abrir, então disse:

— Licença, professora! Desculpa pelo atraso, é que eu e a Alice tivemos uma emergência.

Alice ficou com a maior cara de assustada do mundo. O que essa menina ia fazer? Dizer que a emergência era elas darem uma curiada no Sufoco explodido??? Mas é claro que Violet não ia dizer isso. O que disse foi:

— É que a gente comeu um doce estragado e precisou urgentemente ir ao banheiro! A senhora entende, né? Ia ser melhor do que acontecer um acidente aqui na sala...

Todos os colegas começaram a rir, a professora ficou com nojo e mandou elas se sentarem. Alice ficou morreeendo de vergonha! Estava toda vermelha e só queria que um buraco se abrisse no chão pra ela se enfiar. Violet não tinha muita experiência em ser legal com outras pessoas e nem tinha passado pela cabeça dela que a menina não ia gostar da desculpa que ela inventou, mas o importante é que a barra de Alice foi limpa e ela continuava com apenas 29 advertências. Além disso, as pessoas riram da cara de Violet também, a outra não passou vergonha sozinha.

Quando foram para os seus lugares, a menina de cabelos longos tratou logo de dizer ao colega que sentava ao seu lado:

— Isso é mentira, tá? Eu não tava com diarreia!

Violet começou a rir. Era engraçado como sua nova amiga se preocupava tanto com as coisas... Mas, assim que se recuperou da vergonha, Alice se virou para Violet e falou, sorrindo:

— Obrigada!

— De nada — Violet respondeu, dando uma piscadinha.

Depois de um tempinho, porém, as duas voltaram a pensar nos alunos da Dona Honey e na Trunchbull e voltaram a ficar preocupadas. Pois é, Alice não era a única que se preocupava tanto com as coisas... Na verdade, todos os alunos da turma estavam assim, ninguém conseguia prestar atenção na aula, era como se a professora estivesse falando com as paredes.

Mas Violet estava tentando pensar além, ainda queria ajudar de algum jeito. Então, de repente, todos ouviram uma voz pelos autofalantes da escola. Mas não era a voz de Trunchbull como de costume e, sim, a voz de Bruce Bogtrotter, cantando uma música revolucionária:


Não vou deixar que ela ofusque a minha luz

Não vou deixar que me tire a liberdade

Foi tão bom lutar pra conquistar

O aval para ser um pouco levado


Não vou deixar ela me esganar

Não vou deixar essa bully ganhar

E nunca mais duvidar se a minha mãe diz

Que eu sou especial


Nessa hora, Violet foi tomada por um sentimento de força que a fez sentir que podia fazer qualquer coisa. Se as crianças pequenas tinham conseguido resistir a seja lá o que Trunchbull tivesse tentado fazer com elas, tudo era possível. E nenhuma criança daquela escola jamais poderia aceitar as atrocidades daquela mulher novamente.

Violet descobriu que conseguia ser legal, mas às vezes é preciso ser um pouco levada. E agora era uma dessas vezes.

— Alice — Violet sussurrou, cutucando a colega, que estava espantanda com a canção de Bruce assim como o resto da turma. — Eu já sei o que a gente tem que fazer!

Alice ficou intrigada, mas curiosa e otimista. Então Violet foi lá pra frente da sala, escreveu "LIBERDADE" no quadro e, em seguida, subiu na mesa da professora, que ainda estava meio transtornada pela música de Bogtrotter, mas, quando se deu conta do que a menina estava fazendo, a repreendeu:

— Beauregarde, desça daí imediatamente!

— Eu não posso, professora! Vocês ouviram o que o nosso amigo cantou, não é? A gente não pode deixar nunca mais a Trunchbull nos machucar! Quantos de vocês já foram pro Sufoco, foram arremessados de algum lugar ou sofreram qualquer outro tipo de violência? E isso vale também pra senhora, professora, porque a Trunchbull abusa de todo mundo, não só dos alunos!

Todos os alunos estavam concordando com Violet, afirmando em voz alta e alguns começaram a escrever cartazes para apoiar o protesto. Até a professora chegou a concordar com o que a menina dizia, mas só ficou calada e a deixou continuar:

— Ela pode ser a diretora, mas a escola não devia ser só dela, os alunos e os outros funcionários também têm os seus direitos! A gente devia vir aqui pra aprender e não pra sofrer! E a gente precisa mostrar isso tomando essa escola e deixando ela do nosso jeito! Ela diz que nós somos revoltantes, então nós seremos revoltadoooos!!!

— É!!! — Os alunos gritaram e começaram a aplaudir.

Então Violet continuou a música que Bruce, e agora outras crianças mais novas, estavam cantando lá fora:

O nosso bando vai gritar!

E Alice se levantou e acrescentou:

Encontre a sua espada e use pra lutar!

Assim, todos os alunos da classe de Violet se uniram à canção e, liderados pela garota, saíram pela escola cantando, dançando e chamando os outros alunos das turmas dos mais velhos para a revolta, enquanto Bruce liderava as turmas dos mais novos.

Muitos alunos fizeram cartazes e bagunçaram a escola toda. Alguns até conseguiram derrubar a estátua de Trunchbull, que Violet tanto odiava. Quando isso aconteceu, a menina e Bruce subiram no lugar onde ficava a estátua e continuaram dançando e cantando lá em cima. Outros alunos carregaram Matilda, como homenagem e agradecimento a ela, por ter sido a responsável pelo início da revolução.

Mas o legal é que, mesmo que ela fosse a mais corajosa e a que tivesse começado com tudo, ela não tinha pensado só nela nas vezes em que enfrentara a Trunchbull, assim conseguiu motivar os outros alunos e dar coragem a eles também. Por isso Violet, que antigamente sempre queria ser a melhor e fazia tudo sozinha (inclusive enfrentar a Trunchbull), estava se sentindo uma vencedora também naquele momento. Na verdade, ela estava se sentindo mais vencedora do que tinha se sentido em qualquer competição de que participara sozinha.

Violet sempre quis ser especial apesar de Trunchbull sempre dizer que nenhuma criança era especial. Porém, a menina achava que era especial por todos os prêmios que ganhava e que era melhor do que todas as outras crianças, mas já tinha percebido há um tempo que isso não era verdade. Todas as crianças eram especiais do seu jeito: Lily, Charlie, Matilda, Bruce, Alice... talvez até a Cornelia Prinzmetal. Aliás, onde será que tava essa doida, hein? Violet não a tinha visto em nenhum momento naquele dia...

Depois que a música acabou, os pais de Matilda apareceram para levá-la embora. Levá-la embora mesmo, para Guam, não só pra casa. Eles iam se mudar e Matilda nunca mais iria voltar. Ah, não! Isso não! Já não basta o Charlie ter ido embora, agora ela também??? Violet nem tinha tido tempo de conhecer direito aquela menina incrível, ela não podia ir, ainda mais depois de tudo o que a escola se tornou graças a ela!

Alguns alunos protestaram e a garotinha e sua professora foram falar com o Sr. Wormwood sobre o quanto era importante Matilda ficar. Por incrível que pareça, ele cedeu. Ele e a esposa ainda fariam a mudança, mas Matilda podia ficar com a Dona Honey, que, para a menina, era uma figura mais materna que sua própria mãe, que nem tinha se dado ao trabalho de sair do carro para se despedir.

Então a comemoração das crianças continuou.

***

Passou muito tempo até os pais dos outros alunos aparecerem para buscá-los, pois a revolução terminou logo na primeira aula do dia. Então Violet passou um tempão lá com as outras crianças. Primeiro ela quis falar com Matilda e os alunos da Dona Honey, é claro, queria saber tudo o que tinha acontecido com a turma deles. Pra resumir, a Trunchbull instalou um monte de Sufocos no refeitório pra compensar o que Matilda tinha quebrado e aplicou uma prova de soletração. Quem errasse, ia pro Sufoco.

Como ninguém errava, a diretora trapaceou, é claro: inventou uma palavra para Lavender (a outra menininha novata que chegou no mesmo dia que Matilda) soletrar e disse que ela errou porque tinha uma letra muda. Aí depois disso todos os colegas começaram a errar de propósito, porque eles não sabiam que tinha vários Sufocos lá, só tinham visto um e achavam que a Trunchbull não ia poder punir todos os alunos.

Porém, ela podia. Mas, quando estava prestes a fazer isso, a mágica começou. Violet e Alice não tinham entendido bem o que Matilda tinha feito com o Sufoco, mas finalmente entenderam após falarem com as crianças pequenas: ela tinha poderes mágicos e podia fazer o que quisesse com os olhos, como mover e explodir objetos. Era só olhar para eles fixamente e se concentrar muito. Então, no dia anterior, ela explodiu o Sufoco desse jeito, fez a construção queimar sem nem precisar usar fogo. E no dia de hoje, usou seus truques para fazer o giz escrever sozinho no quadro uma mensagem do falecido pai da Dona Honey exigindo que a Trunchbull devolvesse tudo o que roubou dela.

Então, sobre isso, ninguém sabia até hoje, mas a Trunchbull era tia da Dona Honey e na verdade era à professora dos pequenos que a escola pertencia. Babado! Enfim, Matilda assustou a diretora com suas mágicas e a colocou para correr. Na hora da revolta, os alunos das outras turmas não sabiam disso mas a Trunchbull já estava longe e a Dona Honey já tinha tomado posse das chaves da escola. Ela seria a nova diretora agora e mudaria toda a metodologia, pensando no aprendizado e no bem estar dos alunos.

Depois de todas as revelações, os alunos que não eram da sala de Matilda ficaram doidos pra ver os poderes da menina em ação, então ela fez um show de mágica: levitou alguns objetos e até fez Lavender voar. Depois dos aplausos da plateia, as crianças fizeram outras brincadeiras. Em algumas, Matilda usava os poderes, mas na maioria eles não eram necessários.

Violet estava achando tudo muito divertido, mas estava sentindo falta de uma pessoa. Uma pessoa bem chata, mas que ela não conseguia parar de pensar que também deveria se divertir e que, sem a Trunchbull lá, talvez se tornasse uma pessoa legal. Afinal, até a semana anterior, a própria Violet também era muito chata!

Ela saiu perguntando pra alguns alunos da 7ª série se Cornelia tinha faltado hoje e eles disseram que ela tinha vindo, mas tinha sumido. Ninguém a tinha visto desde que a revolta começou. Estranho... Violet a procurou pela escola, mas não a achou. Provavelmente ela tinha ido pra casa mais cedo... Bom, Violet não podia fazer nada quanto a isso, então voltou pras brincadeiras. E conseguiu fazer amizade com várias crianças além de Alice!

***

Scarlett havia acabado de sair de sua primeira sessão de terapia e ainda estava um pouco atordoada pelo tanto de coisa que teve que dizer sobre sua vida pessoal para uma estranha quando chegou na escola para buscar Violet. Então ficou assustada quando se deparou com a bagunça que estava aquele lugar. É que adultos geralmente associam qualquer bagunça a algo ruim. Mas depois a mulher ouviu muitas risadas e percebeu que as crianças e até os adultos pareciam muito felizes.

— MAMÃE! — Exclamou Violet indo direto abraçá-la quando a viu.

— Filha, o que aconteceu???

A menina se desvencilhou dela e disse, com um sorriso enorme no rosto:

— Ah, é uma longa história! Eu vou te contar tudo, mas antes tenho que dizer que não precisa mais me tirar da escola!

A Srta. Beauregarde ficava cada vez mais confusa e a menina estava tão eufórica e falava tudo tão rápido, que era difícil acompanhar. Mas, aos poucos, a mulher foi entendendo. Depois de todas as maluquices que ouvira no dia anterior, agora estava ouvindo sobre uma menininha com poderes e uma revolução que baniu a diretora malvada da escola. Mas, olhando ao redor, Scarlett estava começando a acreditar de verdade.

— Mamãe, eu preciso te mostrar uma coisa! — Disse a menina, agora séria.

Ela arrastou a mãe pela mão e, enquanto andavam, a mulher não pôde deixar de notar que a garota acenava e falava de forma simpática com todos as crianças pelas quais elas passavam. Antes que a mulher perguntasse se elas eram amigas de Violet, as duas chegaram no refeitório, onde a Trunchbull havia instalado o monte de Sufocos. A menina suspirou e disse:

— Você lembra quando eu te contei sobre o Sufoco? Então... ele era uma construção de madeira que nem essas, só que ficava no meio da floresta.

Scarlett arregalou os olhos e se aproximou de uma delas. Ficou olhando atentamente para aquela coisa cheia de espinhos, então olhou para a filha e disse:

— Você... ficou presa num lugar assim???

Violet concordou com a cabeça e a mulher começou a chorar e pedir desculpa à filha novamente.

— Tá tudo bem, mamãe, ninguém nunca mais vai entrar num desses. Sabe... quando o Charlie veio aqui, ele disse pra eu te mostrar o Sufoco, mas eu não tive coragem.

— O Charlie sabia dessas coisas?!

— Sim, eu contei tudo pra ele. Ah, falando nisso, eu preciso escrever uma carta contando sobre a revolução, acho que ele vai adorar saber!

Scarlett ficou aliviada em ver que sua filha estava tão feliz. Como era criança, agora que realmente estava tudo bem ela ia aproveitar a vida, não ficar remoendo coisas do passado como adultos fazem.

Mais tarde e ao longo de todo o fim de semana, várias notícias sobre os escândalos da Crunchem Hall começaram a sair nos jornais. Mas só quem era da escola mesmo sabia de fato tudo de ruim que havia acontecido lá ao longo dos anos. E agora a Srta. Beauregarde não duvidava da veracidade de nenhuma das histórias de sua filha! A menina, por sua vez, tinha ficado feliz por sua mãe ter acreditado nela antes de tudo. Só 1 dia antes, mas pelo menos acreditou...

Falando em mães, ao ouvir Violet falar mais sobre Matilda depois que chegaram em casa, Scarlett se deu conta de que conhecia a mãe dela, Zinnia Wormwood, da academia. Só que a mãe de Violet não fazia ideia de que essa mulher tinha uma filha, pois ela nunca falava da menina. Tudo o que sabia era que o marido dela estava sendo procurado pela polícia, por isso eles tiveram que deixar a cidade.

— Mas é melhor você não comentar sobre isso com os seus amigos da escola, seria muito indelicado...

Violet entendeu perfeitamente. Pensou que também não gostaria que as pessoas soubessem que seu pai tinha outra família e ficassem falando sobre isso por aí. Mas que bom que Matilda tinha a Dona Honey agora! Ela seria sua mãe de verdade. Violet estava feliz por isso e também estava feliz por estar bem com sua própria mãe novamente, por poder confiar nela de novo.

Scarlett, por sua vez, estava percebendo que sua filha era ainda mais especial do que ela pensava e aprendeu algo muito importante com a menina. Desde o início do ano, ela tinha visto a revolta de Violet como algum ruim e tudo o que queria era que a menina se comportasse. Mas foi a revolta dela e das outras crianças da Crunchem Hall contra alguém que as fez muito mal que salvou a escola, e a Srta. Beauregarde estava orgulhosa por sua filha ter feito parte disso.

Além do mais, apesar de já ter reconhecido no dia anterior o porquê de Violet ter voltado a se comportar mal depois das férias e saber que tinha sido injusta com a menina, a mãe conseguia ver isso muito mais claramente agora. Sendo assim, voltou com a proposta que tinha feito à pequena no verão: esperar até o início do ano seguinte para voltar às competições se ela quisesse.

Violet ficou impressionada, pois já tinha se conformado que não ia mais poder ser atleta desde que as aulas voltaram, que seria injusto, já que tinha descumprido com o combinado. Pois é, mas Scarlett também tinha descumprido com a parte de trocá-la de escola naquela época, então elas estavam quites. Era melhor recomeçar a contagem.

É claro que a parte de ter que se comportar ainda estava de pé, mas isso seria mais fácil agora que estava tudo bem. Isso porque antes Violet era uma rebelde sem causa, mas depois que encontrou uma causa e conseguiu vencê-la, não precisava mais odiar tanto seguir regras. Se elas fossem justas, claro.