Notas iniciais
Oi oi meninaaas Cap novo e fresquinho pra vocês. Espero que gostam. Boa leitura!

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–Digo, Digo- Glauco chega eufórico perto do amigo que está sentado no banco da praça- Vamos sair hoje?
–Pra onde?- ele perguntou desanimado.
–Vai ter uma festa incrível lá perto da minha casa.- ele diz animado, mas percebe que o amigo não deu muita bola- Vamos Digo, vai ser legal.
–Garotas, bebida, música alta. Nossa, que divertido- Rodrigo disse sarcástico- Cara, você devia estar mais preocupado com o vestibular do que com festas.
–O vestibular demora a chegar ainda cara- ele argumenta- Vamos Rodrigo. Você é único amigo meu que está solteiro sabia?
–Sabia sim, mas imagine que eu estou casado com ela- ele diz apontando para um livro de matemática que estava lendo antes do jovem chegar- Ela não deixa eu sair. Sinto muito.
–Por que esse desânimo todo cara? Não to reconhecendo você- Glauco disse chateado.
–E que eu não aguento mais essa vida sabe- Rodrigo desabafa- E sempre igual. Casa, escola, curso, skate, festas e casa de novo. Tá chato isso já.
–E você espera mudar isso sentado no banco da praça de cara feia?- Glauco pergunta e o amigo reflete- A aventura está mais perto do que você imagina.
Depois do que disse, Glauco sai e deixa o amigo pensativo. Já era a segunda pessoa que lhe dizia aquilo. Será que a aventura estava tão perto assim?
~*-*~
–Eu não tenho nada pra falar com você- Luciana disse nervosa.
–Garota, não me desafia não. Posso transformar sua vida em um inferno sem fim- Josué olhou bem fundo nos olhos da jovem.
–Minha vida já é um inferno- disse ela- O que você quer aqui?
–Que tom de voz é esse?- ele chegou perto do rosto da jovem . Tão perto que ela pode sentir o bafo quente de cerveja- Pra você e senhor. Ouviu?
Luciana assentiu em silêncio. Apesar de enfrenta-lo quase sempre ela morria de medo daquele homem.
–Quero saber onde está o dinheiro que você me roubou- ele disse.
–Eu não roubei dinheiro nenhum do senhor- disse ela indignada.
–Vai me dizer que o dinheiro saiu da minha carteira andando?- ele volta a se aproximar da jovem- Eu não sou idiota menina. Sei que você pegou o dinheiro porque tinha a esperança de fugir daqui, mas como eu disse você só sai daqui morta.
–Fui eu que peguei seu dinheiro, Josué- disse Maria- Fui eu.
–Você?- disse ele impressionado.
–Vai lá pra sala ficar com suas irmãs- ela disse para a jovem que se levantou relutante. Antes que Luciana pudesse sair do quarto a mãe lhe deu um abraço e sussurrou em seu ouvido- As bolsas estão atrás do sofá. Quando eu pedir pra vocês irem não sejam teimosas. Corram o mais rápido que puderam. Eu amo vocês. Amo muito- Maria beija o rosto da filha que sai ainda sem entender a situação e vê a irmã do meio chorando no sofá.
–Ela se despediu de mim Lu- disse a menina soluçando.
Antes de Luciana ter algum tipo de reação a porta do quarto foi trancada e a espinha da jovem gelou. O grito dos dois foi ouvido e elas começaram a pegar as bolsas. Maria gritou para que as filhas corressem , mas Isis se recusou a ir.
–Eu não vou sem a mamãe, Lu- disse Isis.
–Temos que ir, Isis. A mamãe vem depois- Luciana disse puxando a irmã pelo braço.
–Você promete? Promete que a mamãe vem depois?- Luciana afirmou e saiu correndo com a irmã mais nova no colo.
Elas correram o mais rápido que puderam, mas a briga da mãe e do pai ainda podia ser ouvida. Quando já estavam um pouco distante da casa elas pararam a esperaram. O silêncio se instalou, mas logo depois dois tiros foram ouvidos e todos os vizinhos saíram de casa para ver o que estava acontecendo. As meninas voltaram a correr pela estrada até que saíram da cidade. Ali as três se sentaram na ponta da estrada, chorando, desesperadas. A mãe morreu por elas.
–Você disse que ela ficaria com a gente. Você prometeu, Lu- a menina gritou desesperada.
–Me desculpa- a jovem disse chorando abraçada na irmã mais nova.
–Eu quero minha mamãe- com aquilo que a menina disse a jovem desabou. Tomou para si toda a culpa da morte da mãe.
Ficaram as três ali sentadas, chorando, desoladas. Três meninas com o futuro incerto. Se voltassem o pai as mataria. Se continuassem a andar, quais perigos as aguardavam? Então elas ali ficaram.
~*-*~
Rodrigo estava sentado em sua cama rodeado por livros. Nos últimos dias o que era mais interessante em sua vida era o estudo.
–Você não vai a festa , Rodrigo?- Lívia chega na porta do quarto do irmão.
–Deixa o menino estudar Livinha- disse João sentado na sala.
–Já disse que não estou muito afim de ir a festa nenhuma- ele repetiu pela nonagésima vez naquele dia- Eu tenho que estudar.
–Tem nada, Digo- ela diz se sentando na cama do irmão- Você só diz que tem que estudar pra não sair com a gente. Vamos dar uma espairecida. Só hoje vai.
–Se eu for, vocês me deixam em paz?- a irmã concordou com a cabeça- Tá bom, tá bom eu vou.
Ele se arrumou a saiu com os irmãos. A festa estava bem animada com todos amigos e colegas do colégio, mas haviam também companhias não tão agradáveis. Os alunos do colégio Dom Fernão. A maior rivalidade do bairro. As duas escolas tinham uma rixa a muitos anos e que ia passando de aluno para aluno.
–Olha quem tá vindo. Não são os metidinhos do Leal?- pergunta Beto.
–São eles mesmo- respondeu Pedro- Que tal nós darmos boas vindas pra eles?
–Meninos, deixem esse pessoal em paz- disse Jéssica- Vocês gostam de arrumar confusão né?
–Adoramos- eles dizem em uníssono.
–Quer saber? Desisto de vocês dois sabia- ela sai andando sendo seguida por Nanda e Felipe.
–Vamos lá?- pergunta Beto.
–Deixa pra lá cara- diz Pedro- A gente veio aqui pra se divertir, não pra arrumar briga.
A festa correu bem, mas no final o clima começou a esquentar. Um dos alunos do Leal Brazil bebeu além da conta a tentou agarrar, Jéssica que começou a gritar pelos amigos e aí a confusão se intensificou.
–Tu tá maluco garoto?- Pedro chegou empurrando o menino que caiu pelo abuso do álcool.
–Ei, ei que isso aí?- Roger chega tentando colocar ordem.
–Não se mete não playboy- Pedro grita e o DJ para a música. Todos os olhares de voltam para a confusão.
–Gente, gente calma ai- Rodrigo chega para tentar acabar com a confusão- Não vamos estragar a festa.
–Se mete não moleque. Você nem sabe o que ele fez- diz Beto.
–Moleque não. Eu tenho nome- responde Rodrigo e a discussão de intensifica.
Gritos e empurrões e ai briga fica fora de controle. Todos os alunos, meninos e meninas, estavam envolvidos, ou tentando separar ou colocam mais lenha naquela fogueira. Pedro e Rodrigo saíram no braço e Lívia estava desesperada para tentar separa-los. João tinha saído da festa e ido para outra então a jovem estava sozinha com o irmão.
–Me ajuda, Roger- a menina grita o namorado que fica imóvel.
– O que você quer que eu faça?- ele diz sem reação.
A briga estava tão intensa que não se sabia onde começava Pedro e terminava Rodrigo.
Um barulho alto foi ouvido e 5 policiais entraram na festa. Viram a briga e levaram todos os adolescentes para delegacia para que prestassem esclarecimento.
~*-*~
As três meninas estavam sentadas na beirada da estrada a pouco mais de 400 metros da entrada da cidade. A rodovia estava muito escura e a única luz vista era a dos carros e caminhões que passavam a todo momento. As luzes da cidadezinha também podiam ser vista bem de longe e com as duas irmãs adormecidas em seus braços, Luciana as admirava. Daqui tudo é tão lindo, ela disse com o olhar perdido.
–Me ajuda meu São Judas Tadeu- ela disse beijando a medalhinha presa no pescoço.
Ela ficou por alguns minutos rezando. Era muito devota desde que era criança e a avó, já falecida, a levava para missa e contava as histórias de cada santo. O silêncio foi quebrado pelo barulho alto de um caminhão estacionando. Ela rapidamente acordou a irmã do meio, ajeitou a mais novo no colo e correu para trás da vegetação que ficava a beira da estrada. Um homem baixo e um pouco acima do peso saiu do enorme veículo para se aliviar na vegetação. Ela parou a poucos metros das três irmãs e começou a assoviar na medida que “tirava água do joelho”.
–Lu, é a nossa chance- disse a menina, mas a irmã não entendeu.
–Chance de que menina?- ela disse confusa.
–De sair daqui- a com isso, Isis correu e subiu na caçamba do caminhão. Luciana ficou sem reação por alguns segundos até fazer o mesmo.
–Eu ainda vou matar você- disse ela subindo no caminhão com dificuldade tanto pela dor nas costas, braços e pernas quanto pelo peso de Flora que ainda dormia em seus braços.
O homem terminou de se aliviar e voltou ao caminhão. Ele coçou a nuca e deu a partida sem nem ao menos perceber a presença das 3 meninas na caçamba. No veículo ela levava um grande carregamento de feno para o Rio de Janeiro, mas as meninas não sabiam que ela estava indo a esse destino.
Com muito cuidado, Luciana ajeitou os blocos de feno e faz uma cama improvisada para que ela e as irmãs ficassem ao menos uma noite tranquilas. Forrou um pano no feno e colocou Flora ainda adormecida. A pequena de cachinhos negros e finos mantinha seus olhinhos acinzentados fechados, com um semblante tranquilo. A menininha estava alheia a absolutamente tudo que acontecia ao seu redor.
–Ela não vai voltar nunca mais. Não é?- com a pergunta de Isis, Luciana se despertou de seus pensamentos.
–Não- respondeu de forma terna e calma- Mas ela vai estar sempre perto da gente.
–Mas como?- a menina pergunta com os olhos marejados.
–Está vendo aquela estrela ali?- a menina concordou- A mamãe sempre me dizia que quando pessoas morrem elas viram estrelas grandes e brilhantes. Imagina que aquela estrela é ela.
A menina olhou para aquela grande estrela e sorriu. A sensação de ter a mãe assim trazia conforto e calma para aquele coraçãozinho tão novo e magoado. Ela se deitou na perna de Luciana e pediu carinho. Luciana começou a acariciar os longos cabelos castanho claro com mechas douradas enquanto a menina ia adormecendo lentamente. Das três, Isis era a que mais se parecia com sua mãe e Luciana chorou baixinho ao reconhecer essa semelhança.
Quando a menina havia dormido profundamente, Luciana a pós de lado com delicadeza e começou a remexer nas bolsas que havia trazido. Haviam roupas, alguns sanduíches e um pouco de dinheiro, mas algo chamou sua atenção. Uma carta. Havia no fundo de uma das bolsas um envelope fechado com cera de vela branca e borrifado com o perfume de sua mãe. Ela abriu e começou a ler.

“Minhas filhas. Minhas lindas e preciosas meninas. Espero que estejam bem longe da cidade com leram essa carta. Sei que não foi a mãe que esperavam ou mereciam, mas eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para proteger e educar vocês. Por anos eu aguentei tudo para que vocês pudessem ter uma boa educação e deu bem certo. Três meninas inteligentes, esforçadas e tenho certeza que muito bem educadas. Tenho somente uma coisa pra falar a vocês: Sejam felizes! Tenho certeza que vocês vão conquistar tudo de bom nessa vida e me farão ter muito orgulho. Esteja eu onde estiver. Saibam que eu amo vocês mais que qualquer coisa no mundo inteiro. Flora e Isis, obedeçam sua irmã que agora ela está no comando de tudo. Luciana, não deixa que suas irmãs esqueçam de mim. Eu amo muito vocês.
P.S: Tentem encontra a tia de vocês. Ela mora no Rio de Janeiro, em um bairro chamado Santa Terezinha e o nome dela é Sueli. Ela vai ajudar vocês.
ASS: Mamãe♡”

Com lágrimas nos olhos ela terminou a leitura e carta e sabia que a mãe tinha dado a vida para salva-las. Ela cumpriria o desejo da mãe. Chegaria no Rio e acharia a tia.

Notas finais
E ai meninas. Estão gostando? Comentem. Beijinhos