Notas iniciais
Oi oi meninaaaaas. Volteiiii

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—Você não tem vergonha de sair brigando assim na rua menino?- Ana grita com Rodrigo. Eles estavam na delegacia esperando que todos fossem liberados depois de uma conversa com o delegado.

—Primeiro: Eu nem queria ir a esta festa. Segundo: Eu só me meti nessa briga porque aquele moleque começou- Rodrigo diz indignado.

—Moleque é você- Pedro de levanta a parte para cima de Rodrigo, mas um policial o segura e sussurra em seu ouvido.

—Você não tá podendo se encrencar mais com a polícia não em garoto. Acho melhor você ficar pianinho.

—Bem, bem vamos nos acalmar um pouco em- diz o delegado- Já que todos já falaram suas versões e todas elas bateram, todos podem ir.

—Vamos ter uma conversa bem seria quando chegarmos em casa- Ana olha para o filho com raiva e sai da sala.

~*-*~

Luciana não conseguia dormir. A briga dos pais, a fuga, os tiros, a carta. Tudo aquilo martelada em sua cabeça. Ela olhava para o céu e via as estrelas passarem rapidamente. Ela se espantava em como as irmãs podiam dormir naquela situação. Em meio a seus pensamentos ela sente Flora de mexer ao seu lado e se assusta.

—Está tendo um pesadelo meu amor?-ela diz vendo a bebê se mexer- Shiu, já passou.

Luciana dá algumas batidinhas no bumbum da pequena até que ela se acalma a volta a dormir. Os lindos cachinhos da menina voavam com o vendo daquela noite quente.

—Você que tem sorte minha irmã- ela diz- Você nunca vai se lembrar de nada disso que aconteceu.

~*-*~

—Me explica agora o que aconteceu- Ana soltava “fogo pelos olhos”. Ela esperava aquele tipo de comportamento de João ou até de Lívia, mas nunca de Rodrigo. O filho que ela julgava ser mais responsável.

—Vou explicar pra você da mesma maneira que falei com o delegado- ele se senta na cadeira e começa a encenar- Senhora, eu estava na minha, curtindo uma festa na qual eu fui obrigado a ir e começou uma discussão na qual eu nem sei o motivo. Eu fui ver o que era a e um menino me empurrou, eu empurrei ele de volta e assim começou a briga.

—Logo você meu filho?- a mãe diz decepcionada- Seu pai vai matar você. Você deve sorte que ela está viajando.

—O pai me entende- ele disse baixinho, mas a mãe escutou.

—E eu sou a malvada da historia?

—Pode ser- ele responde e sai correndo para o quarto.

~*-*~

Depois de algumas horas, Luciana consegue dormir, mas não por muito tempo. Ela se sente sacudida e percebe que Isis a esta acordando.

—Lu, acorda- disse a menina sacudindo a irmã.

—O que foi Isis?- a jovem pergunta ainda um pouco sonolenta.

—O que temos aqui?- Luciana escuta a voz de um homem e logo desperta. Ao abrir os olhos ela encontra o dono do caminhão em sua frente com uma lanterna na mão- O que essas três mocinhas estão fazendo aqui?

—Não faz nada com elas, por favor- Luciana implora- Eu faço tudo o que você quiser, mas deixa elas irem embora.

—Calma, eu não vou fazer nada com vocês- o homem disse sorrindo- Marta, vem cá ver o que eu achei.

Com o grito uma mulher sorridente aparece para elas. Ela era baixinha, assim como o homem, com os cabelos compridos, ruivos e os olhos castanhos.

—Ei, o que essas três princesas fazem aqui?- ela disse sorrindo e se aproximando das meninas.

—Só queríamos uma carona até o Rio de Janeiro- Luciana responde ainda bastante assustada- Mas a gente já está descendo.

—Podem ficar calmas, vamos ajudar vocês- a mulher estende a mão para Luciana.

As meninas estavam relutantes em aceitar a ajuda, mas algo naquela mulher passou segurança a elas. Luciana e as irmãs seguiram o casal até dentro do caminhão e o que encontraram algo que nunca pensariam em encontrar.

No interior simples do caminhão tinham roupas espalhadas e nas cadeiras atrás duas crianças dormindo. Um menino e uma menina.

—Tomas, Lua, se levantem para as meninas poderem sentar- disse Marta para os filhos.

—Que meninas mãe?- Lua disse coçando os olhos.

—Já chegamos no Rio, mamãe?- agora Tomas é que pergunta.

—Não chegamos no Rio ainda rapaz- é o homem que responde.

—Segura ele aqui, Zé- pede a mulher e o homem pega o pequeno no colo. O menino aparentava ter 6 anos.

—Se sentem ali e não liguem pra essa adolescente marrenta não- diz Marta, sorrindo, como sempre.

—Quem são essas, mãe?- Lua pergunta.

—São... bem, não sabemos o nome delas- afirma Marta- Como se chamam?

—Meu nome é Luciana, o da menorzinha é Flora e o dessa moça linda é Isis- Lucina responde em meio a um sorriso tímido.

—Prazer- responde a mais velha.

—Eu já falei pra você parar de ficar fazendo caridade pra qualquer mendigo que passa na estrada- a jovem reclama com a mãe.

—Não somos mendigas- Luciana responde indignada.

—Com essas trouxinhas, sem pais ou qualquer responsável... Sei não- a jovem gargalha de forma debochada.

—Maria Lua, pode parando- repreende Marta.

—Mas eu não...- antes da jovem terminar o argumento a mãe a corta.

—Já disse pra parar- a mãe volta a repreende-la e então ela se cala- Me desculpa Luciana, mas as vezes a Lua perde um pouco a noção.

—Eu entendo que ela pense assim- ela responde cabisbaixa.

—Mas porque vocês estão na rua?

—Fugimos de casa- Isis responde e o casal se entreolha.

Isso não vai dar certo— pensa Zé.

—Não foi bem assim que aconteceu- Luciana começa a explicar ao casal toda a historia e o motivo por ela querer ir para o Rio de Janeiro com as irmãs.

—Sua historia e bem mais trágica do eu imaginei- diz Zé com o filho menor dormindo em seu colo enquanto a esposa dirige.

—Por isso que eu quero tanto ir para o Rio- diz Luciana- Preciso achar minha tia.

—Entendo...- diz Marta.

~*-*~

A noite passou em velocidades diferentes para os dois jovens. Para Rodrigo os minutos pareciam horam e as horas pareciam dias. Uma sexta-feira caótica, um sábado monótono.

Para Luciana, aquela noite havia passado voando. Tinha que ser assim. O que lhe confortava, apesar de tudo, era ver que as irmãs tinham um lugar para dormir, algo para comer e podiam ficar um pouco mais aliviadas. Ela tinha pouco. O dinheiro que tinha na bolsa podia sustentar as três por apenas dois dias e ela nem sabia como chegaria ao bairro onde a tia morava. Em uma das paradas que faziam ela se sentou no meio fio e começou a contar quanto dinheiro tinha.

—Não vai dar- ela disse coçando a cabeça.

—O que foi mendiga?- Lua chega e se senta ao lado dela.

—Não sou mendiga- ela responde seca ainda com a mão na cabeça.

—Me acostumei com o apelidinho- ela disse sorrindo, mas Luciana não corresponde- Serio cara, o que aconteceu?

—Aconteceu que... Eu não sei o que fazer- ela disse chorando- Eu to tentando, mas eu acho que não vou conseguir.

—Do que você ta falando?- a menina pergunta confusa.

—Eu to falando da minha vida, Lua- ela respira tentando ganhar folego- Minha vida e a das minhas irmãs. Eu tenho 15 anos, sou órfã de mãe, tenho um pai louco, agora tenho duas crianças pra cuidar, achar uma tia que só me conhece por fotos e de quebra eu não tenho dinheiro suficiente nem para comer quanto mais pra pegar um ônibus até um bairro que eu nem conheço, em uma cidade que eu só ouvi falar

—Perai- a menina se levanta e sai correndo deixando Luciana confusa. Um tempo depois a menina volta com um envelope na mão e estende para Luciana.

—O que é isso?- Lucina pergunta.

—Minhas economias- ela responde sorrindo- É muito para uma menina de doze anos, mas deve ser o suficiente para uma menina de 15 anos e suas duas irmãs.

—Aqui tem muito dinheiro. Eu não posso aceitar- a jovem diz depois de abrir o envelope e olhar dentro.

—Olha Lu, a gente não se deu tão bem no inicio e eu sei que tratei você e suas irmãs um pouco mal- o sorriso tímido de Lua faz Lu sorrir também- Eu não sou má não, só sou um pouco chata as vezes. Esse dinheiro não vai me fazer falta e tem outra, eu vivo em um caminhão, pra onde eu viajo não tem shopping ou algo assim.

—Deve ser legal viver assim- diz Luciana vendo amenina se sentar ao seu lado.

-As vezes sim, outras não. Depende- ela responde- Agora eu entendo o que minha mãe diz.

—O que?

—Quando você dá a alguém algo que ela tem pouco e você tem mais você se sente feliz por dentro- ela sorri tímida e Luciana a abraça.

—Valeu- Luciana agradece sorrindo

—Meninas, vamos embora- Marta grita para Luciana e Lua que a atendem prontamente.

—Amanha bem cedo chegamos no Rio- Zé diz para Luciana- Você quer que a gente leve você até o bairro onde sua tia mora?

—Já demos trabalho demais- ela diz- É só deixar a gente na rodoviária.

—Tem certeza?- ele pergunta.

—Tenho sim- ela sorri. Todos entrar no caminhão e partem. Ainda teriam muito chão até o Rio.

~*-*~

Rodrigo estava sentado em sua cama lendo um livro, Estava praticamente sozinho em casa. Sua mãe, naquela ocasião, tinha saído para buscar Lívia, que estava no cinema com as amigas, seu pai estava na sala trabalhando, como sempre fazia, e o irmão em algum lugar desse mundo. Desde o dia da festa que ninguém via João ele só havia ligado para o pai para dar noticias e mais nada.

O telefone vibrou ao seu lado e ele se inclinou para ver quem era. Era o irmão. Ele não queria atender, mas curiosidade não deixou.

Ligação ON

—Fala maninho- João disse animado- Como tá tudo por ai?

—Normal- Rodrigo responde desanimado- Onde você está?

—Em Petrópolis- ele responde.

—Fazendo?- Rodrigo volta perguntar.

—Pescando cara- ele responde- Por o Rodrigo não veio?

—É a Ciça?- Rodrigo pergunta ao ouvir uma voz feminina no fundo perguntar por ele.

—Sim- o irmão afirma- Cara, eu preciso de um favor seu.

—Fala.

—Você vem me buscar amanha na rodoviária?

—Que horas?

—Quando eu estiver chegando eu te dou um toque.

—Beleza.

—Valeu maninho.

Ligação OFF

Rodrigo voltou a ler e acabou adormecendo.