Reviravoltas Do Amor (hiato)
3 Capítulo 3
Os dias foram passando e Seph se surpreendia toda vez que olhava para ela. Sempre tão brincalhona... Nem parecia, mas por dentro daquela garota sempre tão feliz e tão forte, havia também uma garota frágil.
Uma garota frágil mas ao mesmo tempo forte.
Ela era do tipo de garota que não se deixava levar apenas por uma peça pregada pelo Destino. Afinal, o destino adora nos pregar peças.
Todos os dias sendo ela mesma, como se não soubesse, ou simplesmente não se importasse, com o fato de que iria morrer dali a alguns meses.
E isso era o que ele mais gostava nela. E mais admirava também.
A capacidade dela de seguir em frente de cabeça erguida, de enfrentar o destino com braveza e coragem foi o que fez Seph se apaixonar cada vez mais por ela.
Naquele dia eu levei a Isabella até o parquinho onde costumávamos passar as tardes. Fazia um bom tempo que não iamos lá
– E então? — ela perguntou curiosa — Por que me trouxe aqui afinal??
– Eu te trouxe aqui porque eu quero te fazer uma pergunta. — eu finalmente, depois de meses, criei coragem! — E eu gostaria que você respondesse sinceramente.
– Claro, fala logo! Fiquei curiosa agora!
– Eu quero saber se você... — ela me olhou curiosa — Isabella, nesses últimos meses eu convivi bastante com você. — fiz uma pausa, mas como ela não disse nada, continuei. — E eu acabei descobrindo que, apesar daquela garota forte e confiante que você demostra ser, você na verdade, por dentro, é uma garota frágil e insegura de si. Mesmo que você demostre estar confiante por fora, por dentro você está desabando e—
– Seph, para...- ela disse com lágrimas ameaçando cair
– Não, me deixe continuar por favor. — fiz uma pequena pausa e continuei — Isabella eu sei que por dentro você está desolada, sem chão... Afinal, não tem como uma pessoa lidar com isso assim, sendo tão compreensiva. No fundo você deve estar chorando, guardando para si as suas lágrimas em vez de dividi- las comigo. Uma pessoa que só quer o seu bem. Uma pessoa que só quer te amar e te ver feliz — nesse momento ela olhou para mim — Mesmo que só por alguns meses, eu quero que você seja minha namorada. Porque mesmo depois que você morrer, você vai continuar viva dentro de mim, como a minha eterna amada...
– Seph... Você sabe o que eu fiz no passado... E mesmo assim você...
– Eu não quero saber o que houve no seu passado, eu quero saber se há lugar para mim no seu futuro. Só isso. — falei sorrindo — Não me importa o que você fez ou deixou de fazer, porque isso ficou lá, no passado. O que importa agora é: você aceita namorar comigo?
– Seph eu...
– Ahh é! Eu já ia me esquecendo de avisar um negócio. — ela me olhou confusa — Que eu não aceito um não como resposta! — falei com um sorriso de orelha a orelha.
Ela riu também e então aproveitei para lhe roubar um selinho. Que logo virou um beijo, cheio de desejo e paixão.
Os meses foram passando rapidamente e Isabella ficava cada vez pior e mais fraca. Ela não comia direito e estava ficando muito magra, mas não perdia a teimosia. Ela insistia em dizer que estava bem e que não queria ficar internada.
Estavamos em outubro e Guilherme e Nicole começaram a namorar. Eles pareciam felizes e formavam um belo casal juntos.
Marcamos de ir ao cinema ou fazer alguma coisa juntos no final de semana, estava tudo planejado até que...
– Isabella você está bem?
– Sim, Seph, já é a quinta vez que você me pergunta isso! — Guilherme ficou rindo junto com a Nicole.
– Tem certeza? — perguntei de novo
– Já disse que sim Joseph!! — dei um sorriso fraco
Assim que o filme acabou e saimos de dentro da sala do cinema a Isabella começou a passar mal. Eu levei ela para o consultório do Dr. Márcio.
– E então? Como ela está? — perguntei com certo receio.
Ele soltou um longo suspiro antes de responder — Não vou mentir dizendo que ela está bem...
– Fale logo por favor, doutor. — cortei ele
– Como quiser. — suspirou novamente — O quadro da Isabella não é nada bom, a doença está evoluindo muito rápido. — ele parecia escolher as palavras com cuidado — Talvez ela precise ficar internada.
– O que?!
– É só por precaução, não é nada muito grave... — ele não parecia estar acreditando nas suas próprias palavras — Mas eu vou precisar de alguns exames.
O Dr. Márcio ficou conversando com a Isabella para explicar que ela deveria ficar internada por alguns dias no hospital, onde ele trabalhava. Ele disse também que ela deveria fazer alguns exames que ele precisava para ver melhor a evolução da doença e poder dizer com mais certeza quanto tempo de vida ela ainda tinha. Não gostei muito dessa parte porque mostra que realmente não há cura para a doença, o que me faz ficar pensando em como a vida é injusta as vezes! Mas eu já deveria saber disso já que os meus pais morreram quando eu ainda era pequeno, eu devia ter uns 10 anos, e eu tive de ir morar com os meus avós em uma outra cidade.
Comecei a pensar em como a família da Isabella vai ficar quando ela se for, principalmente a sua mãe, que é muito apegada a filha, mas logo tratei de afastar esse pensamento já que ele era um tanto... assustador. Imagina só você ficar pensando que a mulher que você ama vai morrer dali a alguns meses e que você não vai poder fazer nada. Absolutamente nada.
Os meses passaram voando e logo já estávamos em Dezembro. Estava nevando muito e a Isabella passava a maior parte do tempo em casa. Eu ia lá todos os dias fazer companhia pra ela enquanto os seus pais iam trabalhar, conversávamos bastante e ela sempre adormecia em meu colo enquanto falávamos sobre um assunto qualquer.
Lembro- me como se fosse ontem! Era um sábado e estávamos todos em volta dela em seu quarto no hospital, os seus pais, o médico e eu. Ela estava lá desde quinta-feira quando ela desmaiou e ficou desacordada por algumas horas, levamos ela para o hospital e lá ela ficou até aquele dia...
Eu estava do seu lado, nem havia percebido que adormeci sentado na poltrona que tinha do lado da cama, segurando a sua mão.
- Seph? — chamou ela com a voz rouca
-Sim?
- Seph eu... — ela respirou fundo com certa dificuldade, o que me deixou ainda mais preocupado.
- Eu vou chamar uma enfermeira — quando eu estava indo me levantar ela segurou a minha mão com mais força e voltei o meu olhar a ela.
- Seph... Venha aqui... — pediu ela. Me levantei e fiquei de frente para ela que estendeu a mão para tocar o meu rosto. Aos poucos fui me aproximando até que encostamos os nossos lábios. — Seph olhe para mim — falou com um sorriso gentil nos lábios depois que o beijo se partiu e eu olhei para baixo — Você foi a melhor pessoa que eu poderia ter encontrado nessa vida — ambos estávamos chorando naquele momento. Eu sabia o que era aquilo. Sabia o que ela estava fazendo. — Fico feliz de ter conseguido ver esses lindos olhos pela última vez... Esses olhos que são de uma cor tão linda e pura. Eu nunca tinha visto olhos tão bonitos como o seu e acho que também não deva existir uma outra pessoa que tenha essa mesma cor de olhos, um tom assim, tão profundo. Verde é a minha cor favorita — falou ainda sorrindo — Esse verde escuro e suave... — ela passou os dedos pela região dos meus olhos e depois desceu os dedos até a minha boca — E esses lábios tão macios... Eu espero que você encontre uma nova pessoa para amar... Alguém que te faça tão feliz quanto eu fui ao seu lado... — ela estava se despedindo.
- Não fale isso Isabella! Você...
- Eu vou morrer. — ela me interrompeu — Você sabia disso quando me pediu em namoro... Lembra? — ela fez uma pausa e então suspirou — ... Seph eu quero te fazer um último pedido. — ela olhou para mim e continuou — Eu quero que você seja feliz, que você siga em frente... Está entendendo? — concordei levemente com a cabeça — Quero que você se case e construa uma família. Não quero que você se lembre de mim com o pensamento de que a culpa é sua e até porque a culpa não é. E mais uma coisa, nunca se esqueça de que eu te amo e sempre vou te amar.. Você foi o único homem que eu amei de verdade... Você foi o primeiro e último amor da minha vida...
Eu esperei que ela continuasse mas ela não disse mais nada. Não porque não queria mas porque ela não podia mais falar. Ela tinha ido embora, seguido o seu caminho... Neste momento eu percebi que um buraco se formou em meu peito, um buraco que não se fecharia tão cedo... Pra ela foi fácil dizer pra que eu seguisse em frente, afinal, a morte é muito pior para quem fica, do que para quem vai...Mas é exatamente como ela disse: ''Não tenha medo da morte e sim da vida não vivida. Você não tem que viver para sempre. Apenas viver.''
E era isso o que ela queria que eu fizesse, que eu fosse feliz ao lado de uma pessoa que eu gostasse e que eu construísse uma família. Que eu seguisse em frente com a minha vida.
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