O enterro pareceu durar horas, dias. Quando eu finalmente estava saindo do cemitério ouço alguém chamar meu nome.


– Joseph!


– Ah, oi Dr. Márcio...

– Joseph eu tenho que te falar um negócio—

– Agora não por favor. Amanhã eu passo no seu consultório pode ser?

– Joseph, vai ser rápido por favor. — ele pede de novo

– Tudo bem. O que é?

– A Isabella me pediu um favor dias antes de... Falecer. — olhei pra ele desconfiado, esperando ele continuar — Ela me fez um último pedido e eu não poderia negar isso a ela, não é mesmo?

– O que ela falou? — perguntei já irritado com toda aquela enrolação

– Ela me pediu para entregar isto para você. — ele tira um envelope beje de dentro do bolso do terno.

– O que é isso?

– Uma carta.

– Eu não quero, desculpe mas eu realmente preciso ir.

Eu não queria ler aquilo. Pra quê? Eu só ia sofrer ainda mais lendo aquilo

– Joseph. — volto o olhar novamente ao médico — Foi o seu último pedido. — ele fala ainda com a carta estendida em minha direção.

Eu me lembrei dos últimos minutos de vida dela e já com lágrimas ameaçando cair, peguei o envelope e fui pra casa. Cheguei lá e fui tomar um banho e dormir, sem ler a carta. Larguei ela em cima da mesa de qualquer jeito.

Acordei no meio da noite, olhei no relógio e constatei que eram 4 horas da manhã. Me lembrei das últimas palavras de Isabella e uma raiva invadiu o meu corpo. Raiva por ela ter partido. Raiva por não poder salva-la. Raiva de mim mesmo por ser tão fraco a ponto de não conseguir cumprir a promessa que fiz à ela. Raiva de tudo. Num impulso eu peguei o envelope de cima da mesa e quando eu estava prestes a rasgar a carta eu vi que tinha algo escrito no verso do envelope.


"Não rasgue o envelope, idiota!"

Ela me conhecia mesmo... Não pude deixar de sorrir com aquele pensamento. Comecei a ler a carta



" Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer por você não ter jogado os meu últimos esforços no lixo, então obrigada.


Enfim, eu não sou uma pessoa muito romântica, daquelas que escreve coisinhas fofas e blá blá blá! Mas eu quero te explicar algumas coisinhas.

Eu nunca mais me apaixonaria novamente. Foi o que eu decidi depois que o meu primeiro namorado me traiu com a Rita. Mas aí você apareceu e mudou tudo. Eu achei que você ia vir e se declarar pra mim, mas não você não o fez. Então eu comecei a puxar assunto com você para fazer com que você se declarasse para mim.

Quando eu descobri que ia morrer a primeira coisa na qual em pensei foi: nada. Eu estava em choque e não conseguia pensar em nada, mas nada mesmo! E aí depois, conforme o tempo passava eu comecei a dar mais valor aos sorrisos e as coisas bobas da vida... A preservar só os momentos felizes. Sempre pensei em namorar sério, casar e ter filhos. Eu não pude realizar este sonho então eu quero que você faça isso por mim, pode ser? Ah e mais uma coisa! Quero que você seja feliz, que encontre uma namorada. Faz de conta que eu te deixei, sei lá! Só não quero que se lembre de mim como uma lembrança triste. Acho que é só isso. Tenha uma boa vida e só isso mesmo! Eu..."

A carta estava inacabada...

Notas finais
No próximo capitulo vai contar a história do segundo casal