Reviravoltas
16 Só preciso que assine!
Assim que cheguei em casa minha mãe estava em seu escritório. Sentei-me na cadeira em frente sua mesa.
– Mãe, precisamos conversar.
– Pode falar filho — Disse mexendo em seus papéis, nem se deu o trabalho de olhar para mim.
– Mãe eu realmente preciso falar com você, é importante! Preciso que você esqueça um pouco dessas porcarias e olhe nos meus olhos.
Ela suspirou alto e juntou os papéis em uma só pilha e colocou no canto da esquerdo da mesa.
– Me desculpe. Pode falar! — Disse me olhando atentamente, ela não parava de mexer as mãos como se estivesse um pouco nervosa. Isso me chamou atenção foi quando eu vi que ela estava sem sua aliança.
– Eu fiz o exame e sou compatível com Kate, preciso que assine esses outros tipos de papéis — Ironizei.
– Já conversamos sobre isso Tyler, e minha resposta é definitiva. Não!
– Eu não me importo nem um pouco com sua opinião, só preciso que assine.
– Cada dia que passa você fica mais mal criado Tyler, já disse que não. Posso voltar para o meu trabalho agora?!
– Ta bom mãe! — Falei me retirando de lá surpreendentemente calmo.
Ela estranhou minha reação de não ter rebatido até conseguir o que eu queria.
Assim que saí da sala, meu celular tocou.
– Oi pai.
– Oi Tyler, sua carta de habilitação está em dia?
– Tá sim. Por que?
– Eu estou no aeroporto, pegue o carro da sua mãe e venha me buscar por favor.
– Ta bom!
– Estou te esperando.
A chave do carro estava na mesinha da sala, peguei e saí sem avisá-la, mesmo sabendo que ela iria ficar muito furiosa com isso.
Em pouco menos de meia hora eu estava no aeroporto, estacionei o carro e entrei para procurar meu pai. Vi ele sentado no banco mexendo em seu celular com a mala ao seu lado.
Me aproximei.
– Oi pai!
– Oi filho — Disse me abraçando forte.
– Estava com saudades — Falei.
– Eu também.... vamos? Estou muito cansado e tenho várias coisas para te contar.
– Vamos! — Falei pegando uma de suas malas.
Assim que chegamos em casa, ele foi direto atrás da minha mãe. Ela falou normalmente com ele como se nada tivesse acontecido enquanto ele estava fora. Não estava aguentando tanta falsidade.
Fui dar uma volta no parque perto de casa, quando voltei meu pai tinha ido dormir um pouco.
Olhei no relógio era 19:00 horas. Tomei banho e fui até a cozinha pegar alguma coisa para eu comer, meu pai estava na sala assistindo o noticiário.
– Pai.
– Oi?
– Queria conversar com você!
– Pode falar.
Sentei-me ao seu lado e expliquei toda a situação de Kate. Ele ficou comovido e me apoiou em minha decisão.
– Sério que você me apoia pai?!
– Claro que sim, por isso sou médico, penso sempre no próximo e acho que você herdou isso de mim. Fico orgulhoso de você! — Disse sorrindo.
Abaixei a cabeça e dei um leve sorriso, quase imperceptível.
– Você pode assinar os papéis para mim?
– Realmente é isso que você quer?
– Sim, eu tenho certeza.
– Então eu assino.
Não falei nada sobre minha mãe ser contra tudo isso, pois ela iria conseguir fazer a cabeça dele para que não assinasse. Sei que ela vai ficar furiosa quando souber, mas a essa hora não me importava mais com isso.
Corri até meu quarto para pegar os papéis, tropecei no sofá e caí no chão. Ralei todo meu braço, mas não foi nada demais, sou só um pouco desastrado.
Assim que ele assinou os papéis, meu celular tocou, era um número desconhecido, fui para varando para ter mais privacidade.
– Alô.
– Tyler?
– Sim, sou eu! Quem é?
– Aqui é o doutor George, te liguei pois tenho uma notícia nem um pouco agradável para lhe dar.
Assim que ele falou isso meu coração disparou.
– O que aconteceu doutor? Pode falar.
– É sobre Kate, o quadro dela está piorando a cada hora. Ela já esperou muito tempo, e precisa da doação urgentemente. Seus pais assinaram os papéis?
– Sim, estou indo agora mesmo para o hospital.
– Te espero.
Saí apressado sem avisar meus pais.
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