Reviravoltas
17 A cirurgia
Notas iniciais
Peguei o carro do meu pai no estacionamento do prédio e saí de pressa.
Assim que cheguei no hospital, vi a mãe de Kate cabisbaixa, não deixei que ela me visse, fui desviando entre as pessoas no corredor até sumir da vista dela.
Bate na porta do doutor George, ele abriu rapidamente.
– Oi Tyler que bom que veio rápido — Disse sentando-se.
Eu fiquei em pé atrás da cadeira aonde os pacientes se sentam.
– O que está acontecendo com Kate?
– Ela está piorando, os remédios não estão fazendo mais efeito! Só você para salvá-la.
– O que tenho que fazer?
– Vamos para sala de cirurgia, vai ser uma cirurgia de emergência. Preciso que me entregue os papéis e aguarde a liberação por alguns minutos.
Minhas mãos estavam trêmulas por causa da cirurgia e por causa da situação de Kate, fiquei em sua sala aguardando até que voltasse com notícias.
Vinte minutos depois ele voltou para sala.
Assim que abriu a porta encarei buscando notícias em sua expressão.
– E aí doutor?
– Deu tudo certo, venha comigo!
Foi tudo muito rápido, deitei em uma maca e eles me anestesiaram e depois disso apaguei, não vi mais nada.
Umas horas depois acordei com George me chamando, estava um pouco tonto e enjoado, vendo tudo dobrado.
– Tyler? Acorde. A cirurgia foi um sucesso! — Disse sorrindo.
Sorri e dormi novamente.
Quando acordei novamente vi minha mãe e meu pai próximos à mim.
– Mãe? Pai?
– Oi filho! O que eu falei para você Tyler? Por que não me escuta? Quando tem uma ideia, ninguém tira dessa sua cabeça dura — Disse minha mãe com uma expressão preocupada com uma lágrima escorrendo em seu rosto.
– Já passou mãe! — Disse segurando sua mão.
Meu pai piscou com um dos olhos para mim, para que minha mãe não visse como se quisesse dizer: "Deu tudo certo!"
O doutor George apareceu na sala com uma prancheta e uma caneta nas mãos.
– Como se sente Tyler? Sua recuperação vai ser super rápida.
– Estou ótimo doutor.
– Gostaria de falar com você à sós.
Minha mãe e meu pai entenderam e saíam da sala.
Ele sentou-se na ponta da cama.
– Eu falei para os pais de Kate que havíamos encontrado um doador e você ia ficar muito feliz ao ver a reação deles.
– Como foi? — Perguntei curioso.
– Me abraçaram forte, abriram um sorriso enorme, e agradeceram ao doador umas mil vezes, insistiram em saber o nome, mas falei que era anônimo! — Disse sorrindo.
Sorri e senti uma paz enorme, era o mínimo que eu podia fazer depois de todo o mal que eu fiz a Kate.
– Agora vou me preparar para a cirurgia de Kate, mais tarde volto com notícias.
– Tudo bem.
Aqueles aparelhos grudados em mim e aquele barulho estavam me irritando, queria ir embora no mesmo dia.
No dia seguinte, cerca de 07:10 George voltou em meu quarto para me examinar.
– E aí doutor? — Perguntei ansioso, quase não dormi esta noite.
– Ela está dormindo e daqui a pouco ela acorda! Correu tudo bem! — Disse sorrindo.
Suspirei aliviado, temia por outras notícias.
No outro dia, segundo dia que eu estava no hospital recebi a visita de Lucy.
Ela sentou-se na poltrona que tinha na sala, me encarou por alguns minutos em silêncio absoluto.
– Por que fez isso Tyler? Você mal a conhece,nem se quer falava com ela. Acho que isso é loucura, está se importando demais com essa garota, sua vida está girando em torno dela. Eu duvido que faria isso por mim — Disse desviando o olhar para janela.
– Por favor Lucy, não comece. Quem te falou que eu estava aqui?
– Sua mãe, porque nem isso você teve coragem de me contar! Acho melhor terminarmos por aqui! — Falou com os olhos cheios de lágrimas.
– Se realmente é isso que você quer... Vá em frente! — Falei alterando o tom de voz.
Ela pegou sua bolsa e levantou-se, mas antes de sair não pôde deixar de dizer:
– Você está perdendo seus amigos, sua vida e agora sua namorada por causa dessa garota! — Saiu furiosa em seguida bateu a porta com força.
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