Reviravoltas
18 O encontro
George apareceu na sala com as mãos no bolso do jaleco, dando um leve sorriso em minha direção.
– Você já pode ir para casa!
Arregalei os olhos e abri um sorriso em seguida.
– Sério doutor?!
– Claro que sim!
Uma hora mais tarde eu estava me trocando, minha mãe havia trazido algumas roupas minhas de casa.
Coloquei uma camiseta polo azul, uma calça jeans e um tênis, ela dizia que azul realçava a cor dos meus olhos, coisas de mães.
Dei uma última olhada no espelho do banheiro ajeitando meu cabelo.
– Vamos? -Minha mãe que parecida estar com pressa.
Dei alguns passos em direção a porta, fazendo assim com que George ficasse para trás.
– Espere! Preciso falar com o senhor. Me espere no carro por favor mãe.
– Tudo bem. Mas não demore, tenho uma audiência em menos de uma hora.
Ela estava vestida a caráter, com uma camisa social azul marinho com pequenas flores rosas quase não dava para percebê-las, calça social preta e um salto, não sei como as mulheres conseguem andar nessa coisa!
– Ok — Concordei com a cabeça.
Esperei em silêncio até que ela saísse da sala.
– Kate já acordou?
– Sim, ela acordou e está muito bem, melhor do que pensei que estaria. Só um pouco sonolenta.
– Posso vê-la? — Encarei esperançoso.
Ele correu o olhar por toda a sala, coçou a barba que uns fios brancos começavam a aparecer e por fim concordou.
– Ta bom. Não pode dizer isso a ninguém! Já sabe né?!
– Da minha boca não sairá nada.
– Os pais dela se emocionaram bastante ao vê-la acordada pela primeira vez depois do acidente — Comentou enquanto caminhávamos pelo corredor.
– Imagino! — Falei sorrindo.
O corredor parecia não ter fim, senti como se tivesse borboletas em meu estômago.
Assim que chegamos em frente ao quarto, George achou melhor entrar sozinho para avisá-la que tinha visita.
Alguns minutos depois, apareceu na porta permitindo minha entrada.
Suspirei fundo e entrei.
Fiquei em pé próximo a sua cama, ela estava com o rosto virado para janela.
– Kate! — Minha voz soou estranha até mesmo para mim.
Ela virou para mim e sua reação foi surpreendente.
– O que você está fazendo aqui? Saía daqui! Você foi o culpado por tudo. Saía daqui agora!! — Gritou com toda sua força, arrancando alguns fios que estavam presos ao seu corpo.
Seu rosto branco se corou imediatamente, as máquinas mostrava seu batimento cardíaco acelerado, faziam barulhos descontrolado.
– Saí daqui Tyler, por favor — Gritou George, injetando alguns medicamentos através de sua veia para acalmá-la, não podia se esforçar de maneira alguma.
Saí rapidamente, me encostei na parede do corredor do lado de fora do quarto escorregando até o chão, abaixei minha cabeça encostando-a em meus joelhos, fiquei muito assustado, um mar de pensamentos tomou conta da minha cabeça.
Tomei um copo d'água e fui em direção ao estacionamento. Entrei no carro e logo minha mãe percebeu que eu estava um pouco ofegante.
– O que aconteceu? Você está pálido! Está bem? — Perguntou me examinando, encostando sua mão em minha testa.
– Está tudo bem mãe, hoje está muito quente. Deve ser apenas isso.
O caminho até chegar em casa não era muito longo, mas ela me observava com o canto dos olhos de cinco e cinco segundo para ver se eu estava bem.
Minha mãe me deixou em frente ao prédio e foi trabalhar, estava um pouco cansado, fui para o meu quarto dormir um pouco até o jantar.
Era quarta-feira, eu havia recebido um atestado para dois dias, voltaria para escola apenas na segunda-feira. Estava ansioso e receoso para retornar as aulas.
Na segunda de manhã, diferente do que eu estava acostumado, meu pai entrou no meu quarto alegre, cantarolando, abrindo as cortinas do meu quarto, a claridade fez com que eu fechasse os olhos imediatamente.
– Precisa de ar nessa casa!
– Podia esperar eu acordar né pai?! — Resmunguei, morrendo de preguiça de me levantar.
– Levanta dessa cama, o café está na mesa — Disse puxando minha coberta.
Levantei, tomei um banho e me encaminhei para cozinha ainda sem camisa, de bermuda e chinelos.
Na mesa havia frutas, pães, frios, bolo, suco, leite e café.
– Cadê minha mãe? — Perguntei sentando-me à mesa.
– Saiu logo cedo.
– Foi para onde? — Perguntei enquanto adoçava minha xícara de café com leite.
– Disse que ia resolver algumas coisas do escritório.
– Ah — Falei desconfiado.
Ele colocou seu óculos e abriu o jornal para ler as notícias da manhã.
Olhei no relógio e como sempre estava atrasado. Corri para o meu quarto para me trocar, bebi o café e peguei um pedaço de bolo de chocolate em cima da mesa.
– Tchau pai, estou atrasado — Falei apressado pegando minha mochila que estava no sofá.
– Eu te levo. Tenho que resolver algumas coisas.
– Que coisas?
– Vou passar na clínica de um amigo, quando soube que estava aqui em São Francisco me chamou para ser seu sócio — Disse enquanto descíamos no elevador.
– Acho ótimo.
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