Reviravoltas

13 Enquanto houver 1% de chance, vale a pena lutar


No dia seguinte vi que Diana estava em sua casa, acho que para descansar um pouco e resolver algumas coisas.

Aproveitei para ir até o hospital, não ficava muito longe de casa. Olhei para o relógio que marcava 8:00 horas da manhã.

No caminho passei em uma floricultura e comprei uma rosa branca.

Ao chegar no hospital vi o pai de Kate sentado em um banco na sala de espera, lendo um jornal.

– Bom dia! Sou Tyler amigo de Kate — Falei cumprimentando-o com um aperto na mão.

– Lembro de você — Disse um pouco seco — Eu nem tive tempo de me apresentar, sou Adam.

– Como ela está? — Perguntei sentando no banco ao lado.

– Continua na mesma, eu e Diana fizemos o teste para vermos se éramos compatíveis para ser o doador. Mas infelizmente não somos — Disse cabisbaixo — Só nos resta esperar que apareça algum — Completou.

Nem sabia o que dizer, apenas me calei e coloquei minha mão em seu ombro, como um gesto de solidariedade.

– Vou aproveitar que você está aqui, vou ali na padaria da esquina tomar café da manhã, tá?

– Pode ir lá. Ah antes que eu esqueça queria que você colocasse no quarto de Kate — Disse entregando-lhe a rosa.

Fui até a recepção perguntar do doutor que estava atendendo Kate.

– Moça, você pode me dizer se o doutor George está aqui?

– Não, hoje ele só vem á noite para o plantão.

Ela viu a decepção em meus olhos e disse um pouco receosa:

– Mas ele trabalha em um outro hospital.

– Pode me passar o endereço?

– Na verdade eu não posso, é uma informação pessoal. Mas vou passar para você! — Disse baixinho para que ninguém ouvisse.

Abri um sorriso.

Ela escreveu em uma folha de caderno e me deu.

– Obrigado, você não sabe o quanto me ajudou.

Ela deu um pequeno sorriso e assentiu com a cabeça.

Assim que Adam voltou, fui até o hospital que George estava trabalhando, ficava a uma hora da capital aonde eu morava.

Peguei um táxi, que me deixou na porta do hospital.

Entrei e para minha sorte o vi na sala de espera falando com alguns familiares de algum paciente.

Assim que terminou me encaminhei de pressa até ele.

– Doutor!- Gritei baixinho.

– Oi? Você é o amigo de Kate, acertei?

– Isso! Preciso muito falar com o senhor.

– Vamos até minha sala, mas tem que ser rápido, pois isso aqui está uma loucura hoje.

– Pode deixar.

Entramos em sua sala, era bem espaçosa e chique, com algumas fotografias em sua mesa, acredito que era de sua família.

– O que quer? — Perguntou com as mãos cruzadas sobre a mesa.

– Bom...fiquei sabendo que os pais dela não são compatíveis para serem o doador e eu queria que o senhor fizesse o teste comigo.

Ele sorriu e balançou a cabeça negativamente, recostando-se na cadeira.

– Tyler... sua atitude é tão nobre, mas a chance de você ser compatível é de 3%, pois não tem nenhum laço familiar.

– Por favor doutor, mesmo que houvesse 1% valeria a pena lutar.

Ele me encarou por um tempo com um olhar de admiração e finalmente concordou.

– Ta bom! Não custa tentar, mas eu não garanto nada. Passe no hospital amanhã às 9:00 horas. Seja pontual! — Completou.

– Estarei lá.

– Vou te deixar avisado, caso você seja compatível seu pai ou sua mãe tem que assinar para que possa doar, pois você é menor. Mas não se iluda muito Tyler.

Cheguei em casa com um pequeno sorriso.

– Vejo que está um pouco melhor filho. Que bom!

– Posso te pedir uma coisa? — Perguntei sentando-me ao seu lado no sofá.

– Claro.

Perguntei se ela assinaria os papéis e expliquei toda a situação.

– Não Tyler, isso já é demais. Você vai colocar sua vida em risco e isso eu não permito.

– Por favor mãe, Kate precisa de ajuda urgentemente.

– Sinto muito, mas isso não! Afinal você está sendo precipitado, sei que a porcentagem de ser compatível é pouco.

– Vou repetir o que eu disse. Mesmo que tivesse 1% de chance valeria a pena lutar!