Reviravoltas
4 Boa noite Collins
Acordei 00:00 com minha barriga roncando, afinal eu não comi nada desde que cheguei da escola. Levantei e fui até a cozinha descalço, peguei um pote e o cereal no armário, sentei-me no sofá e liguei a TV, estava passando um jogo de futebol americano. Em seguida ouvi pessoas discutindo, parecia que vinha da casa de Kate, eram discretos mas dava para perceber que se tratava de uma discussão.
Assim que terminei de comer, fui para o quarto.
Acordei no dia seguinte com minha mãe gritando.
– Filho vou chegar tarde hoje, vê se não coloca fogo na casa ou algo do tipo por favor tá?! — Gritou enquanto abria a cortina do meu quarto.
Eu odeio quando ela faz isso, parecia que ela fazia isso de propósito.
– Haha muito engraçado mãe! — Falei ainda com os olhos fechados, puxando a coberta até meu rosto por causa da claridade.
Olhei meu celular, ainda era 07:40, voltei a dormir.
Mais tarde, quando estava saindo para ir ao colégio, Kate também estava saindo de sua casa.
Entramos no elevador, olhávamos fixamente para frente, sem nos falar. O clima estava bem estranho depois do que havia acontecido.
Eu e os meninos combinamos de sair hoje, já que minha mãe não tem hora para chegar.
Já era 23:30, eu tinha tomado banho e me trocado, olhei pela janela e vi o carro de Derick estacionado no outro lado da calçada. Desci o elevador rapidamente.
– Boa noite senhor Tyler — Disse David o porteiro do prédio, com um jornal na mão.
– Boa noite David.
– O senhor vai sair? Quer que eu dê algum recado para sua mãe? — Perguntou levantando ao meu lado.
– Não David, não fale nada para minha mãe!
Ele coçou a cabeça levemente e assentiu desconfiado.
Atravessei a rua, e entrei no carro. Em mais ou menos 30 minutos chegamos na balada da cidade vizinha.
Só havia carros de luxo, pessoas bem arrumadas, vários seguranças com quase dois metros de altura, três em cada entrada da balada.
Derick e John estavam impressionados.
– Meu Deus que garotas são essas? — Perguntou Derick em um tom um pouco mais alto por causa da música alta.
Eu já tinha ido uma vez naquela balada, mas estava bem diferente de antes.
– Nossa temos que vir aqui mais vezes! — Comentou John pegando uma bebida no balcão, olhando para garota que passou ao seu lado.
Assim que cheguei em casa, olhei para o meu celular já eram 02:30.
Coloquei a mão no bolso da calça para pegar minha chave, mas nada de encontrá-la.
– Ótimo! — Falei sozinho em voz alta.
Bati na porta várias vezes, mas nada da minha mãe abrir.
Deitei no tapete que tinha diante da porta escrito "Bem-vindo" me encolhi o máximo possível, e peguei no sono em instantes.
Acordei com alguém me cutucando.
– Que vergonha Tyler, sinceramente não sei mais o que fazer com você. Levanta já daí!
Abri os olhos com muita dificuldade, e aos poucos vi minha mãe olhando fixamente para mim.
– Nossa esse chão tá duro demais!
Minha mãe estava bufando de raiva, seu rosto estava levemente corado.
– E ainda faz brincadeirinhas... olha para mim, vê se estou achando alguma coisa engraçada?!
Segundos depois, quem apareceu? Sim, Kate estava saindo de sua casa.
– Boa noite Collins! — Falou com um sorriso irônico andando em direção ao elevador que fica em frente a minha porta.
– Cala boca garota, ninguém te perguntou nada! — Assim que terminei de falar a porta do elevador se fechou, e não consegui ver sua reação.
– Tyler, não foi essa a educação que eu te dei. Mais respeitos com os vizinhos.
– Ta bom mãe, já chega né! — Falei furioso.
Entrei em casa, me joguei no sofá, estava com uma baita dor nas costas.
– Vá se arrumar para ir ao colégio, vai chegar atrasado como sempre — Ordenou entrando na frente da TV.
– Não tem aula hoje! — Falei com uma expressão séria, sem olha-lá nos olhos.
– Por que? Posso saber?
– Porque o diretor tem uma reunião em Washington.
Ela estreitou os olhos me encarando desconfiada com uma das mãos na cintura.
– Não estou mentindo, se quiser pode ligar lá!
Peguei o telefone e estiquei em direção a sua mão.
– Não é preciso! — Disse pegando sua bolsa que estava no sofá — Tchau, não apronte mais nada. Vamos ter uma conversa quando eu chegar!
Assenti com a cabeça.
Não tinha nada para fazer em casa, desci até o jardim do prédio, tinha uns bancos marrons de madeira natural, árvores enormes e uma pequena fonte de mármore à frente que fazia com que a água caísse em cascata.
Deitei na grama com fones de ouvido e olhos fechados, até que senti alguém me cutucando, era Kate mais uma vez. Respirei fundo, visivelmente incomodado.
Ela sentou-se ao meu lado em silêncio.
Depois de um tempo resolveu puxar assunto:
– Está triste?
– Não!
– Ah! — Disse com uma voz suave.
– Sobre aquele dia do fogo...
– Esquece aquilo, já passou! — Interrompi, falando grosseiramente.
– Ta bom, já vi que não vai ser possível falar com você Collins! — Falou irritada, levantando-se bruscamente do banco.
Dei de ombros e continuei lá por um bom tempo, as nuvens estavam levemente cinzas, com alguns raios de sol passando entre elas.
Mais tarde, tomei um banho e liguei a TV, ouvi a alguém batendo na porta, era John e Derick.
– Beleza irmão? — Perguntou Derick entrando e sentando-se no sofá.
– O que tem de bom aqui? — Perguntou John em seguida, trocando o canal da TV, deitando-se no sofá.
– Quem chamou vocês aqui? — Brinquei.
– Sabe como é né?! Aqui a gente é VIP — Disse John sorrindo.
Dei risada e fui até a cozinha, coloquei uma pipoca no micro-ondas e peguei três latinhas de refrigerante na geladeira.
Eles ficaram lá a tarde inteira assistindo e comendo. Depois sobrou a bagunça para mim limpar antes que minha mãe chegasse, seria mais um motivo para ela ficar mais bolada comigo.
Eu estava no meu quarto, fazendo um relatório de química no computador, quando ela chegou em casa.
– Tyler vem aqui, por favor! — Gritou.
Meu coração disparou, me encaminhei lentamente até a sala.
– Oi mãe — Falei sorrindo de nervoso.
– Sente-se! — Ordenou sentada na poltrona me encarando fixamente.
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