Revenge!
10 Quem é ela?
Notas iniciais
POV SCORPIUS
– Então o que querias falar comigo? – Perguntou Rose
– Eu queria saber porque te foste embora no segundo ano de Hogwarts – afirmei. Rose baixou o olhar. – Por favor.
Ela olhou para o baloiço pendurado na árvore, durante algum tempo, e depois para mim.
– Eu estava cansada Scorpius – informou.
Fiquei confuso. Cansada de quê? De estudar?! Não, Rose nunca se iria cansar dos estudos, além disso ir para Beauxbatons não resolveria esse problema.
– Cansada de quê?
Ela olhou diretamente nos meus olhos. A luz era fraca mas eu sabia que os seus olhos estariam de um azul brilhante. Eu conhecia aqueles olhos com ou sem luz.
– Eu estava cansada que a razão que me fazia sorrir fosse a mesma que me fazia chorar – admitiu. Eu fiquei mais confuso. – Estava cansada de acordar de manha e pensar que te iria ver, e logo a seguir não querer sair da cama pelo mesmo motivo. Estava cansada de sofrer por algo que sabia que não iria dar em nada. Porque simplesmente não podia.
– O que não podia? – Questionei confuso.
–Nós, Scorpius – disse Rose, baixando a cabeça. – Nós não podíamos existir – olhou para mim com lágrimas nos olhos. – Eu gostava de ti. Desde o primeiro diz que te vi, na estação do comboio, que eu gostava de ti – admitiu. Eu fiquei em choque. Ela gostava de mim?! – Sabia que nunca iriamos dar em nada, mas isso não me impediu de sorrir sempre que te via passar ou de sonhar contigo á noite.
– Porque nunca disseste nada? – Isto não podia estar a acontecer. Rose não podia ter gostado de mim!
Ela olhou para mim e revirou os olhos. Sinal de que achava aquilo obvia demais para ser dito.
– E diria o quê? – Perguntou. – Chegava ao pé de ti e dizia, “olha, eu sei que me odeias, e que gozar comigo é a tua atividade preferida, mas não te importas de parar? É que eu amo-te e estás a magoar-me” ? – Ironizou.
–Tu devias ter-me dito o que sentias – afirmei.
– Scorpius – chamou. – Eu tinha sido encorajada a desprezar-te. O meu pai tinha-me dito para nunca, em caso nenhum, me aproximar de um Malfoy – informou. – Eu não podia ignorar o meu pai e admitir que gostava de ti! Além disso, tu não irias parar de me humilhar, talvez até piorasses!
Eu estava em choque. É claro que a Rose pensava que eu a iria humilhar mais, quem não pensaria? Depois de tudo o que lhe tinha dito e feito, como é que eu esperava que ela me tivesse dito o que sentia?
– O Albus sabia que tu gostavas de mim? – Perguntei. Ela acenou.
– Ele é o meu melhor amigo – disse. – Eu contava-lhe tudo, tal como conto agora. Mas porquê?
– Nada, esquece – pedi. É agora, Scorpius, tu tens de saber. – Tu ainda gostavas de mim no sétimo ano?
Rose olhou de novo para o baloiço, suspirou e voltou a olhar na minha direção.
– No início, eu achava que não – sorriu, ainda com lagrimas nos olhos. – Mais tarde, eu descobri que sim.
– E porque não me disseste nessa altura?
– Porque eu só descobri depois de ir embora – admitiu. – Eu só descobri que ainda te amava quando me fui embora á seis anos. Só percebi o que sentia por ti, quando já não te podia ter, nem tocar, nem ver.
Ela engoliu em seco, contendo as lágrimas. E eu esforcei-me para não a abraçar ali mesmo.
– E agora? – Ela olhou para mim, confusa. – Ainda sentes o mesmo?
Ela deu um pequeno sorriso.
– Agora, as coisas são muito mais complicadas do que “eu gosto de ti ou tu gostas de mim” – informou ela.
– Porque dizes isso?
– Sophie! – Um único nome e eu percebi todos os seus significados.
– Oh, pois – suspirei. – O pai dela!
Rose sorriu.
– Isso mesmo – confirmou. – O pai dela complica tudo!
Ela riu-se e a partir dali, não tocamos mais no assunto o resto da noite.
POV ROSE
Quem era ela?
Alison Kingsley! Ou melhor, umas das ex de Scorpius! Auror do ministério! Empregada de tio Harry!
Melhor discrição? Ainda não decidi entre vadia e cínica!
Tio Harry esperava o relatório de missões hoje de manha. Era costume um dos seus aurores entregarem-lhe o papel na Mansão Weasley. Desta vez, não foi exceção.
As 10 da manha, tocaram á porta. Fui abrir.
A sensação de deja vú foi enorme. Ali estava a mesma mulher que eu tinha visto na minha missão á uma semana atrás.
Ela sorria e trazia uma pasta na mão.
– Bom dia – cumprimentou com um sorriso.
– Bom dia – repeti. – Quem és…
– Alison? – Perguntou uma voz atrás de mim. Eu conheci aquela voz.
– Scorpius! – Alison olhou por cima do meu ombro e sorriu maliciosa para ele. Depois olhou de volta para mim. – Posso entrar?
NÃO!
– Claro que sim – forcei um sorriso e dei-lhe espaço para entrar em casa.
Alison parecia conhecer bem a casa, uma vez que não precisou de indicações para se dirigir á sala onde Harry se encontrava com Draco. Segui-a, juntamente com Scorp.
– Ah, Alison – cumprimentou Harry. Draco fez uma careta, mas logo se recompôs e sorriu forçosamente. – Vejo que já conheces a minha sobrinha, Rose Weasley – apontou para mim.
– Prazer – disse educadamente.
– Igualmente – abriu o maior sorriso que tinha.
Alison, Harry e Draco começaram a falar sobre os progressos das missões, enquanto eu e Scorpius nos encostamos á parede, lado a lado.
– Quem é ele? – Sussurrei para o loiro.
– Alison Kingsley – anunciou. – Ela trabalha para o teu tio, no departamento de aurores.
– É daí que a conheces?
– Também – admitiu. Olhei para ele. – Eu conhecia numa festa que houve á uns anos atrás no ministério. Só depois soube que ela era empregada do teu tio.
Festa? Pois, imagino o que aconteceu nessa festa. A julgar pelo olhar malicioso que Alison mandou a Scorpius quando o viu, não era difícil de perceber o que se tinha passado entre eles.
– Não sabes mais nada sobre ela? – Insisti.
– Não, porquê? – Olhou para mim.
– Por nada – menti.
Eu precisava saber porque tinha tido uma visão com ela.
Os dias foram passando, e Dezembro chegou. O tempo ficou mais frio, a neve apareceu para felicidade de Sophie, Scorpius e Hugo que pareciam umas crianças a brincar.
As coisas não tinham mudado muito. Exceto, talvez, as presenças constantes de Alison.
Havia algo nela que me deixava desconfortável, e não era só a visão. A maneira como sorria para todos, ou como tentava agradar não era normal. E algo me dizia que ela não mostrava as suas reais intenções.
No entanto, eu era a única a pensar assim. A minha mãe e o tio Harry adoravam Alison, Lily e Hugo divertiam-se bastante com ela. Albus e Rachel não lhe davam muita importância, ultimamente andavam focados neles próprios como casal. Luke e Lexi eram os que talvez compreendessem melhor as minhas suspeitas. E Scorpius nem se fala!
Ele andava literalmente sempre atrás de Alison. Era raro não o ver com ela, quando os dois se encontravam em casa.
Sophie não gostava nada de Alison, embora fossem ciúmes pela atenção de Scorpius. A menina dizia que Scorpius a estava a trocar. Foi longa a conversa que tive com ela sobre isso.
Quando tentei colocar as minhas dúvidas a Al as coisas não correram como eu tinha esperado.
– A sério, Al – disse eu. – Ela esconde alguma coisa!
– Rose, a Alison é super simpática – defendeu-a. – Ela não é má pessoa, isso são coisas na tua cabeça!
– Albus – chamei-o. – Estou-te a dizer, há qualquer coisa nela que me causa arrepios.
– Se tu tentasses conhecê-la, talvez esses arrepios te passassem – aconselhou. – Ou então usa um casaco!
– Al…
–Chega Rose – afirmou. – A Alison é uma miúda fixe e simpática! E eu acho que tu estás a dizer essas coisas sobre ela por causa do Scorp. Tu estás com ciúmes?
– O quê?!
Ciúmes?! Porque eu iria ter ciúmes de Scorpius?! Se ele queria andar metido com Alison o problema era dele.
Sim, o bastardo tinha começado a sair com ela há alguns dias atrás. Mas isso não me afetava! Ele era maior de idade e sabia fazer as suas escolhas.
O que eu sentia em relação a Alison não tinha nada a ver com Scorpius.
Eu só ainda não tinha percebido o que era!
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