Revenge!
11 És o meu espelho!
Notas iniciais
POV RACHEL
Alguém uma vez disse que precisamos amar a nós próprios primeiro, para conseguirmos amar os outros! Esse alguém esqueceu-se de que podemos amar os outros mais que a nós próprios.
Esse era o meu caso!
Se me dissessem há 8 anos trás que eu estaria naquela situação, eu rir-me-ia na cara da pessoa.
Como é que alguém como eu, arrogante e antipática, poderia amar alguém? Eu era muito egocêntrica para pensar nos outros. Ou assim achava eu.
Quando ele chegou, as coisas começaram a mudar. De repente, em vez de pensar em mim, eu me via nas aulas a pensar nele. A lembrar-me dos seus olhos verdes e do seu cabelo castanho-escuro, que parecia não saber como se comportar.
Com a sua chegada eu mudei. Em vez de comentários sarcásticos, eu dizia coisas simpáticas. Eu comecei a preocupar-me com os outros e deixei de me por em primeiro lugar.
Albus mudou isso em mim! Ele fez – me aprender a viver de outra maneira! Ele fez a criança crescer, e virar mulher!
E ao fim de 8 anos, eu continuava apaixonada pelo rapaz tímido que eu conheci no 5º ano de Hogwarts. Agora, Albus era a minha vida! E eu não me imaginava sem ele.
Por isso, não aguentei quando o vi desmaiado e com febre naquela cama. A vida de Albus corria perigo, provavelmente morreria. E como eu iria conseguir continuar a viver, se o meu amor me abandona-se?
Ver Al tão indefeso fez-me sentir fraca e inútil! Como poderia dizer eu que o amava e não o conseguir salvar?
Felizmente, Rose apareceu. Devo-lhe a ela a razão da minha vida. E isso é algo que eu nunca iria conseguir pagar.
Ouvi Al murmurar alguma coisa enquanto dormia.
Vê-lo assim tão pacífico fazia-me sentir feliz. Toda esta guerra e morte em nosso redor tinham retirado parte da luz de Albus.
No entanto, mesmo com tanta coisa acontecer á nossa volta, Al continuava o mesmo comigo. O mesmo sentimento, o mesmo carinho, os mesmos toques. A mesma compreensão!
E era por isso que eu amava Al. Ele compreendia-me e completava-me de uma maneira imaginável. E, agora, olhando para ele, eu podia afirmar.
Eu amo Albus Potter mais que a minha própria vida!
POV ALBUS
Sentado no balcão da cozinha, eu tinha visão privilegiada de Rachel a cozinhar. Ela era tão linda! Tão serena!
Tão diferente, e ao mesmo tempo igual, á menina que eu conheci anos atrás.
Lembro-me de ver Rachel passar nos corredores de Hogwarts, sempre acompanhada de admiradoras. Ela era fria e dura, e ao mesmo tempo linda e frágil. Rachel era feita de contrastes. E fora isso que em chamara a atenção.
Eu já a tinha visto antes. Obvio que sim, sendo eu melhor amigo do seu irmão desde o primeiro ano. Ela nunca me tinha visto a mim, ou pelo menos nunca me ligou. Mas eu sim!
A maneira como ela sorria forçosamente apenas para ser educada era algo que me fazia ri, ainda hoje me faz sempre que me lembro disso.
Agora, olhando para ela enquanto fazia o almoço, eu percebi que a menina que eu tinha conhecido tinha crescido. Eu apaixonei-me por uma menina, agora amava uma mulher!
A sua expressão mostrava o quão concentrada ela se encontrava no que estava a fazer. Concentração que foi quebrada quando uma pequena menina loira entrou na cozinha.
Rachel sorriu para Sophie. Um sorriso carinhoso e terno. Um sorriso que eu estava habituado a receber dela.
Por momentos, imaginei que a criança para quem Rachel sorria era morena. Uma linda morena com o cabelo ondulado e de olhos castanhos chocolate. Uma criança que era a cópia exata da mãe.
Era algo com que eu me podia acostumar. Eu, Rachel e uma criança.
Sorri e saltei para o chão. Deixei Rachel e Sophie na cozinha e dirigi-me á sala.
Rose lia um livro sentada no sofá, enquanto Scorpius fazia zapping na televisão.
– Preciso da vossa ajuda – afirmei, chamando a atenção dos dois.
Scorpius desligou a televisão e Rose fechou o livro.
– Fala Al – disse Rose.
– Eu amo a Rachel – afirmei, convicto.
Scorpius revirou os olhos.
– A sério? Ainda não tinha percebido – ironizou ele.
– Estou a falar a sério – afirmei. – Eu quero passar a minha vida ao lado dela.
Os olhos de Rose brilharam e Scorpius olhou-me confuso.
– Tu queres pedi-la em casamento – disse Rose. Não era uma pergunta.
– Quero – admiti. – E preciso da vossa ajuda. Eu não sei como fazer isso!
Scorpius sorriu.
– E achas que eu sei? – Perguntou ele.
Sim, ele tinha razão. Ele nem conseguia admitir que amava a mulher sentada á sua frente, quanto mais saber fazer um pedido de casamento.
Claro que não lhe disse isso.
– Rose? – Chamei implorante.
Ela suspirou e sorriu.
– Não precisas de te preocupar, Al – assegurou. – Só precisas ser tu mesmo! Ela ama-te como és, não iria querer que mudasses.
Scorpius olhou para a minha prima e sorriu.
Não sei como Rose não percebia que o loiro estava caidinho por ela! E ela por ele!
Isto é um monte de gente com falta de óculos por aqui!
– Só ser eu? – Procurei confirmar.
– Só seres tu – repetiu.
Quando a noite se aproximou, levei Rachel para o jardim.
O por do sol seria o cenário perfeito para um pedido de casamento. Com a aliança de noivado no bolso das calças e um coração a bater a mil, ali estava eu, prestes a pedir a pessoa que mais amo em casamento.
– A noite está linda – disse Rachel.
– Sim, tu estás! – Ela corou com o elogio. – Rachel, eu preciso de te dizer uma coisa.
– O que foi Al? – Perguntou preocupada, vendo me nervoso.
– Lembras-te da primeira vez que falamos? – Ela acenou. – Tu estavas na biblioteca e deixaste cair os livros, eu ajudei-te…
– E eu fui antipática contigo, devia ter agradecido…
– Não importa agora – interrompi-a. Olhei-a nos olhos. – O que eu queria dizer é que tu estavas linda naquele dia. E nos outros todos também. Porque tu és linda! E eu achava maravilhosa a maneira como tu falavas comigo – peguei-lhe na mão. – Eu ainda te acho linda, maravilhosa e perfeita. Perfeita para mim – afirmei sem desviar os meus olhos dos dela. – Tu completas-me totalmente! És a minha outra metade! É como se tu fosses o meu espelho! – Ela sorriu com a declaração e corou um pouco. – Adoro ver-te corada, ficas ainda mais bonita, se isso é possível! Eu adoro ver-te logo pela manha ao meu lado, mesmo com o cabelo todo despenteado. Eu amo quando tu dizes o meu nome! Amo ainda mais quando me beijas – afirmei. – E eu ficaria extremamente feliz se o pudesse fazer toda a minha vida. – Ajoelhei-me á sua frente. Rachel arregalou os olhos calculando o que viria a seguir. – Rachel Zabine, dar-me-ias a honra de te cansares comigo? – Ela não respondeu e eu comecei a ficar nervoso. – Eu prometo amar-te todos os dias da nossa vida e, até para alem disso se possível…
– Sim – ela disse baixinho.
– Como? – Eu precisava ouvir de novo.
– Sim! Sim! Sim! – ela repetiu a sorrir, com lágrimas nos olhos.
Peguei no anel e coloquei-o no dedo, levantei-me e beijei-a!
Ela tinha aceitado! Eu estava noivo! Eu iria casar com Rachel! Luke iria matar-me!
Mas eu não me importava, nada disso importava agora! Eu estava feliz! Totalmente feliz!
Soltei Rachel que ainda sorria e corri para dentro de casa, não me contendo!
POV ROSE
– Importas-te de parar com isso? – Perguntei a Scorpius. – Estás a irritar-me!
Ele olhou para mim e bufou, parando de fazer zapping.
– Andas muito irritada ultimamente – afirmou.
– Porque será? – Ironizei.
– Por acaso eu não sei – admitiu. – Mas adoraria saber!
Olhei para ele. Scorpius estava a falar a serio, ele queria mesmo saber!
– Não te diz respeito – cortei.
– Olha, … — Ele iria responder se Albus não tivesse entrado pela sala a correr.
– ELA DISSE QUE SIM – gritou ele.
Sem pensar duas vezes, levantei-me e abracei a primeira pessoa que vi. Para meu azar, era Scorpius que também se tinha levantado.
Quando nos apercebemos o que estávamos a fazer, soltamo-nos.
Olhamos um para o outro constrangidos.
– Ah, parabéns Al – disse ele, tentando suavizar o ambiente.
– Sim, Albus parabéns! – Afirmei e sorri.
Al olhava para nós dois com um sorriso na cara, estava claramente feliz. Mas não foi isso que em chamou a atenção. Foi a sua expressão que mostrava claramente que ele sabia o porquê de termos agido daquela maneira.
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