Retardados completos
4 Acho que vou virar um sátiro!
Notas iniciais
Eu lia A Esperança calmamente enquanto tomava sorvete de flocos, assim como os dálmatas. No momento eu sentia extrema raiva do Snow e de seus cachorrinhos pelo estrago que fizeram em Peeta, foi quando a voz do Sr. D soou pelo acampamento:
– Ervilha Swety, por favor na Casa Grande. AGORA!
Cerrei os punhos. Como aquele velho desgraçado se atreveu a me chamar de ervilha? Fechei o livro e fui para a Casa Grande. Cheguei na frente da mesma, respirei fundo e abri a porta.
– Seja lá o que aconteceu, não fui eu! – levantei as mãos em forma de rendição.
– Não se preocupe Ellen...
– É Evylla seu velho chapado!
– Bom, tanto faz. E olhe o respeito viu? – ele apontou o dedo para mim de forma acusatória. – Eu e o meu amigo centauro te chamamos aqui, porque queremos que você nos faça um trabalho especial.
– Hum? – o incentivei a continuar.
– Um novo semideus foi descoberto em Manhattan, e nós gostaríamos que você buscasse ele e o trouxe-se até aqui. – Quíron disse e tomou um gole do vinho que Sr. D havia colocado em seu copo. – Muito fraco Didi.
Franzi a testa para o apelido.
– Mas esse não é o trabalho dos sátiros? – perguntei confusa.
– Sim, mas resolvemos dar um mês de férias para os coitadinhos. – Mentiroso, os sátiros se recusaram a trabalhar a algumas semanas. Disseram que estavam sendo explorados, então, só então, Sr. D deu férias a eles – Vários semideuses partiram para missões assim na última semana.
– Não! – respondi convencida, e quando estava quase fora da casa grande:
– Espere! – ele apelou – Você terá comida de graça!
Parei por um momento e considerei a proposta. Bom, vou ter comida de graça, não vou ter que participar da corrida de escalada, captura da bandeira ou qualquer outro exercício, não vou ver a cara de puta da Drew, é, até que vale a pena.
Suspirei e me virei para encará-lo.
– Okay, quando eu vou para a escola? – perguntei sem nenhum interesse.
– É na verdade um internato – Sr. D falou – Você não vai ter que passar muito tempo por lá, eu suponho. Você partirá amanhã de manhã.
– Ótimo. – comecei a andar e parei na porta – Ah, eu acho bom a comida de lá ser gostosa.
. . .
– Tchau mana, (não) vou sentir falta de você – Nico disse e me abraçou.
Estávamos todos na colina meio sangue.
– Sr. D? – chamei.
– Sim Evelyn...
Ignorei a troca de nomes.
– Poderia me fornecer uma foto do individuo?
– Oh sim, claro – ele mexeu a mão e uma foto apareceu na minha frente. Peguei-a e analisei o garoto. Cabelos escuros que caiam em uma linda franja, olhos azuis brilhantes como o mar ao pôr do sol, lábios cheios e vermelhos ( nem tanto tá? Não vai exagerar na dose ), nem muito alto nem muito baixo, nem muito magro nem muito gordo, muito pelo contrário, era perfeito.
– Adeus pessoas que eu odeio! – disse e entrei na van. Argos iria me levar até o internato, já tinha matrícula.
– Também te amamos! – responderam Nico, Clarisse, Percy, Annabeth e Quíron em uníssono.
Depois de duas longas horas e um bumbum doendo, Argos anunciou que chegamos.
– Argos, você vai ficar aqui até eu conseguir? – perguntei manhosa.
– Claro que não! – ele revirou todos os olhos do corpo.
– Então como farei uma fuga se algum monstro mitológico estiver por aqui? – fiquei desesperada.
– Sr. D irá te ajudar. – ele sorriu encorajador.
Hump! Aquele velho? Me ajudar? Já tirei o meu pônei da chuva querido!
– Okay , okay. Adeus Argos! – acenei para ele e fui até o portão, aonde fui recebida pelo diretor da escola. Sr. Holkens.
Um homem muito simpático e legal se querem saber. Ele me mostrou o meu dormitório – que eu dividiria com uma punk mal humorada – e foi embora. Joguei minha malas em qualquer lugar por lá e dormi. Porque, viajar durante horas, ficar com a bunda doendo e dormi tarde, ninguém merece!
. . .
– Acorda o preguiçosa! – a punk – que eu descobri se chamar Paulina, não me pergunte como, ela fala dormindo – me jogou da cama.
– Por que você fez isso? – perguntei indignada.
– Temos aula, esqueceu?
– Qual vai ser a primeira? – me levantei e cambaleei um pouco.
– Biologia.
Ughr! Odeio biologia!
– Okay. Obrigada por me acordar e deixar minhas costas doendo.
– Oh, de nada. – não entendeu minha ironia, não está preparada para a vida.
Tomei banho, me troquei, escovei os dentes e fui tomar café. O café da manhã era bacon com ovos montando uma carinha feliz no prato e um copo de suco de uva.
Foi quando eu notei no garoto semideus sentado em uma mesa sozinho, enquanto as outras estavam todas ocupadas por grupos de amigos, ele parecia meio deslocado. Que desperdício, tão bonito. Fui até lá e me sentei de frente para ele.
– Olá! – disse animada.
– Oi – ele respondeu sem nenhuma animação. Estava com a cabeça apoiada no braço que estava na mesa e mexendo no seu bacon, mas parecia sem vontade comer.
– Você parece meio triste. – afirmei – Como é o seu nome?
– Christian. Christian Ozera. – prendi a respiração e acho que ele notou – Não, eu não sou um vampiro. – ele riu pela minha reação.
– Ah, que pena – que decepção. – O que foi Chris? Posso te chamar de Chris não é?
– Sim pode. Eu me sinto sozinho. – ele falou triste.
– As garotas não vem falar com você? – fiquei indignada – Que desperdício!
– Sim, elas vem sim. Mas elas só notam na minha beleza física! E isso me irrita!
– Oh, que pena. E os garotos? Você não tem amigos?
– Não. Eles não gostam de mim.
Nossa que triste.
– Bom – sorri – eu posso ser sua amiga. Se quiser claro.
Ele deu um lindo, maravilho e brilhante sorriso. Digno de Colgate: o mais recomendado pelos dentistas.
– Adoraria.
– Ótimo. Qual sua próxima aula Chris?
– Para minha infelicidade, biologia.
– A minha também.
Terminamos o café e fomos para a sala. A professora entrou, depositou seu material em cima da mesa e se dirigiu ao centro da sala. Era nova, parecia ser uma mulher legal. Peguei um toddynho que eu contrabandeei sem que ninguém soubesse e comecei a tomá-lo.
– Muito bem meus queridos alunos – já não gostei. Ela andou até para do meu lado e olhar para mim – Eu sou a professora de biologia de vocês e me chamo Sra. Dodds. – arregalei os olhos e cuspi todo o meu toddynho na roupa dela, que me fuzilou com o olhar.
– Perdão Sra. Dodds. – disse sem jeito.
– Para a diretoria Srta. Sweetie. – espera, como ela sabe o meu nome?
Suspirei e caminhei para a sala do diretor.
P . O . V Diretor
Alguém bateu na porta.
– Entre.
Para a minha surpresa meu segundo alvo entrou usando um óculos escuro com armação laranja, mascando chiclete – como uma vaca –, com fones de ouvido no volume máximo e sussurrando a música.
– O que aconteceu Srta. Sweetie? – perguntei e ela se sentou.
– Sem querer eu derrubei toddynho na roupa da Sra. Dodds. – ela respondeu indiferente.
– Hum, quer dizer então que a Srta. Estava bebendo na sala de aula. – peguei ela no pulo do gato.
– Han... mais ou menos. Aonde está o Sr. Holkens?
– De férias, agora me explique uma coisa, por que a Srta. mastiga o chiclete como se fosse uma vaca?
– Porque o meu nariz – ela apontou para o nariz – ele está entupido.
– Oh, sim. Muito bem, dessa vez deixarei passar, mas da próxima... – ela fez um gesto com a mão de quem pouco se importa.
– Okay então, tchau.
P . O . V Christian
Evylla já estava na sala do diretor a meia hora, estava ficando preocupado. Foi quando ela passou pelo corredor em que eu estava e acenou para mim, fui correndo até ela.
– E então? Detenção? – perguntei afobado.
– Nah, ele é um cara legal.
– Cara, sem querer ofender mas, porque você mastiga o chiclete como uma vaca?
– Meu nariz está entupido. – ela respondeu sem ligar para o xingamento. – Vamos almoçar?
– Vamos. – fomos andando até refeitório e paramos para ver o cardápio. Macarrão com sardinha, salada e suco de laranja. – Vamos entrar na fila antes que ela aumente.
Entramos na fila e um garoto entrou na frente dela, um celular explodiu, xingaram ela, puxaram seu cabelo, teve briga no pátio aonde uma garoto perdeu cinco dentes, uma garota se olhou no espelho do banheiro das meninas e ele quebrou, uma borboleta apareceu e instalou o caos, ela pegou a sua comida e Emily a patricinha da escola apareceu e derrubou sua comida.
– Oh desculpa, vadia. – ela disse na maior cara de pau.
Evylla olhou para ela de um jeito que me fez querer ir para os braços da minha mamãe.
– Olha aqui queridinha – Evylla estalou os dedos na cara da Emily e mexeu o corpo como se fosse uma lagartixa. Ouviu-se um “UHUUL” coletivo de toda a escola. – Eu aceitei quando aquele garoto entrou na minha frente, quando me xingaram, quando puxaram meu cabelo, quando quebraram o espelho da escola, quando aquela droga daquela borboleta entrou aqui, mas não vou aceitar você DERRUBAR A MINHA COMIDA E ME XINGAR DE VADIA! – ela pulou em cima da Emily e começou a estapea-la.
Sete minutos depois...
– Uh, agora sim – ela se levantou e olhou para as mãos que estavam vermelhas e arrumou o cabelo que estava todo bagunçado.
– Isso aí! – gritou uma garota do lado da Evylla. Evylla olhou para ela, sorriu e elas fizeram um high-five.
– Vem Chris – ela me chamou – Vamos para a próxima aula.
Durante o resto da tarde as garotas me mandavam bilhetinhos e beijinhos, isso a deixou irritada.
– Não aguentou mais! – ela explodiu – Acho até que estou com falta da Drew! – como não sei quem é Drew, fiquei quieto. Até que ela me perguntou:
– Chris, você acredita em deuses gregos?
Achei a pergunta estranha.
– Tipo Zeus, Poseidon e Hades? – ela assentiu – Não.
Anoiteceu e cada um foi para o seu dormitório.
– Tchau Chris.
– Tchau Evylla.
P . O . V Evylla
. . .
Eu só estou aqui faz um dia e já me cansei. Preferia ter ficado em hogwarts e ter aulas com o seboso. Decidi que hoje irei levar Chris para o acampamento quer ele queira quer ele não queira.
Levantei, me troquei, escovei os dentes e fui tomar café. Não demorou muito até que eu achasse Christian em uma mesa rodeada de garotas dando em cima dele. Me aproximei.
– Muito bem queridas – disse alto o suficiente para todas ouvirem – o horário de esquina já acabou. Awn, que peninha.
Elas bufaram e saíram.
– Como você consegue? – Chris me perguntou.
– Oque? Espantar elas? – ele assentiu e eu dei um riso – Meu espírito é anti-recalque.
Sim, eu tenho a benção de Zeuza, morram de inveja.
– O universo não conspira ao meu favor. – falei.
– Porque?
– Minha primeira aula é de novo biologia.
– Ah, a minha também.
E assim como ontem terminamos de tomar o café e fomos para a sala.
A aula passou como qualquer aula normal, um saco. A professora imprimiu um texto que ocupava os dois lados da folha e mandou a gente copiar naquela aula. O que eu fiz? Amassei a folha na frente dela e joguei no lixo. Finalmente o final da aula.
– Srta. Sweetie e Sr. Ozera, esperem. – ela disse esperando os alunos saírem e fechando a porta logo após. – Ah, dois filhos dos três grandes. – ela respirou o ar com prazer e eu arregalei os olhos. Quer dizer, eu já sabia que ela era uma fúria, mas não sabia que Chris é filho de um dos três grandes. – Que agora irão morrer.
Ela começou a se contorcer até ficar na sua verdadeira forma.
– O que é isso Evylla? – perguntou Chris desesperado – O que está acontecendo?
– Depois eu explico. – falei e peguei duas facas de bronze celestial. Atirei as duas diretamente no coração da Sra. Dodds.
– Uau, que boa mira.
– Não se anime, um dia ela vai voltar para nos atormentar, agora precisamos ir embora. – peguei-o pela mão e sai correndo. Dois passos que demos fora da sala e o diretor apareceu. – Diretor?
– Olá. – ele começou a andar em nossa direção e se contorcer, até que uma fúria tomou o lugar de seu corpo humano.
– E agora, a gente corre? – Chris perguntou.
– É, a gente corre.
Começamos a correr virando corredores sem saber aonde íamos, quando vi um bebedouro. Quebrei a torneira, peguei uma dracma e joguei lá.
– Ó Íris, deusa do arco íris, aceite a minha oferenda. Mostre-me o Sr. D no acampamento meio-sangue. – a mensagem de íris se formou e o Sr. D apareceu – Sr. D precisamos de ajuda.
– E...? – velho desgraçado.
– Precisamos sair daqui.
– Desculpe minha querida otária, estou ocupada. – quando ele disse ocupado ele quis dizer: jogando pinochle.
Bufei e passei a mão pela mensagem, o velho não vai me servir de nada.
– Vem, mudança de planos. – falei.
– A gente tinha um plano? – Chris perguntou confuso.
– Esquece, só corre. Sabe aonde é a saída dessa merda? – perguntei.
– Por aqui. – ele pegou meu braço e saiu me puxando. Viramos um monte de corredores e finalmente a luz do sol nos atingiu. – E agora?
Olhei para todos os lados e avistei um homem indo pegar o seu carro.
– Por ali. – corremos até o homem. – Com licença, precisamos do seu carro. Estamos em uma situação complicada, o Sr. Nos empresta? Oh, sim obrigada. – peguei a chave antes que ele pudesse reagir, entrei no carro com Chris e sai rasgando pneu.
– Esperem! O meu carro, voltem aqui com o meu carro!
– Para aonde nós estamos indo? – Chris perguntou.
– Acampamento meio sangue.
– Acampamento o que?
– Esquece! Você vai ver quando chegarmos lá. – ele deu de ombros. – Ela ainda está nos seguindo?
– Não, acho que nós despistamos ela.
– Ótimo.
Depois de dois longos minutos, chegamos na colina do acampamento. Desci do carro e ele me acompanhou.
– Vem vamos entrar.
Para a minha surpresa, todos os campistas, Sr. D e Quíron estavam lá nos esperando.
–Muito bem Effie você... – começou o deus do vinho.
– É EVYLLA SEU VELHO TARADO! – berrei para ele.
– Tanto faz!
– Nossa – disse Drew afobada – Esse é o novo campista? – Hum... tarada...
– Drew! – disse e sai correndo para abraça-la – Lá tinha tantas vadias que cheguei a sentir sua falta.
– Eu também senti sua falta, ninguém tira o seu posto de rainha da loucura e da nutella. – ela olhou de um modo estranho para Clarisse.
– Qual o seu nome garoto? – Sr. D perguntou para Chris.
– Christian. Christian Ozera.
– Muito bem Carlos,...
– É Christian.
– Tanto faz, tanto faz. Venha comigo para a casa grande, precisamos conversar. Os outros estão dispensados. – Chris e Quíron entraram e ele ficou por último. E quando ele estava quase entrando estendeu o braço para o lado e disse: – Você não Srta. Tanaka.
Drew bufou e saiu pisando duro.
. . .
Estávamos todos na fogueira comendo, bebendo e zoando. Eu estava na esperança de que Chris fosse reconhecido.
– Você acha que meu pai olimpiano vai me reconhecer? Acha que eu sou bom o bastante? – ele perguntou – Ai meu Zeus será que...
Puxei ele e dei-lhe um tapa.
– Cala a boca e espera.
– Alguém tem um espelho? – já estava ficando irritada com a inquietude desse garoto.
– Toma. – Drew entregou um espelho para ele e tentou tocar no seu cabelo
Chris deu um tapa na sua mão e se afastou.
– Não toque no meu cabelo!
– Okay estressadinho.
Então, quando ninguém menos esperava, um tridente rosa choc apareceu em cima da cabeça dele. UM TRIDENTE ROSA CHOC! POXA! O MUNDO TÁ PERDIDO!
Sr. D arregalou os olhos.
– Oh, pelos deuses! – ele exclamou – Todos saúdem Christian Ozera, filho de Poseidon – Todos se ajoelharam em volta de Chris, menos eu.
– Ajoelhe-se Srta. Sweetie. – Quíron mandou.
– Não.
– Ajoelhe-se ou então...
– Ou então... ? – fui até ele e lhe dei um tapa. – Se liga cavalo.
E sai de lá like a diva.
. . .
– Ervilha Swety na casa grande. AGORA! – a voz do Sr. D soou pelo acampamento.
Fui até a casa grande e me preparei para o que quer que viesse a seguir.
– Seja lá o que aconteceu, não fui eu!
– Acalme-se Enty...
– É EVYLLA CARAMBA!
– Tanto faz! Temos um novo trabalho para você.
Suspirei. Acho que vou virar um sátiro.
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