Retalhos

14 Capítulo XIV


Notas iniciais
Heeey você leitor de Retalhos! Muito obrigada a todos que não desistiram e comentaram no capítulo passado me dando apoio e inspiração. Muito obrigada! Boa Leitura!

RETALHOS

Escrita por Coffee

Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez

CAPÍTULO XIV

Ela andou incerta, com o salto alto e o vestido verde-musgo.

Parecia que ela nunca havia saído com ninguém na sua vida.

Desse jeito nunca mesmo.

Sua mente a lembrou. Ao longe viu Suigetsu, ele usava uma blusa azul marinho e uma calça jeans. Ela olhou novamente, incerta, verificando se era ele mesmo. Quando se aproximou, ele sorriu sem graça, e lhe estendeu em sua frente.

Uma única rosa, vermelha.

E dessa vez ela sorriu sem graça.

Pegou a rosa incerta, e eles entraram no restaurante. Ela podia jurar que suas bochechas estavam coradas, mesmo que aquilo não fosse do seu feitio.

[...]

– Sakura-chan?

– Sim?

– Você acha que... Perdoaria o teme?

Ela ficou em silencio.

– Naruto...

– É sério Sakura-chan, você ainda... Ficaria com ele?

– Você sabe que eu sou fraca quando se trata dele.

Naruto fez uma careta.

– Não me julgue Naruto.

– Não estou julgando.

– Mas eu voltaria se sentisse que ele me quer ali, ao lado dele sabe. Mas se fosse para ter um não-relacionamento, como éramos antes, eu não voltaria.

O loiro suspirou profundamente.

– Eu espero que isso se resolva.

– É complicado...

– Eu sei que é, mas não aguento mais ver meus dois melhores amigos desse jeito.

Sorriu triste também.

Nem eu.

Ela quis dizer, mas escolheu o silêncio.

[...]

Após algum tempo, conversando sobre nada em especial, a coragem veio.

Sua mão ainda suava, suas pernas tremiam e ela agradeceu por estar sentada.

A torta de morango – sua sobremesa – estava intocada. Ela tomou coragem uma ultima vez, e finalmente perguntou.

– Por que me chamou para sair?

Suigetsu a olhou incerto, entre uma garfada e outra da torta de limão.

Ela pensou naquele momento que não obteria uma resposta. Pensou que ele fosse gaguejar fazer uma piada, ou mudar de assunto, mas a resposta a surpreendeu.

– Porque eu gosto de você. Muito.

Ela ficou paralisada por alguns segundos, minutos ou horas.

– A ruiva desbotada costuma chamar isso de amor.

Ele disse.

– Eu não entendo muito disso, nunca senti algo assim por ninguém, mas acho que ela tem razão, afinal, ela é medica.

– Amor não é uma doença Suigetsu.

– Então porque eu tenho os sintomas?

Ela sorriu, olhando para baixo sem saber o que dizer.

– Olha cenoura – Ela nem ao menos se importou por ele chamá-la assim – Eu sei que você está em recuperação da sua ultima doença com sintomas.

Ela riu.

– Mas eu... Queria dizer que...

Ele pareceu pensar, como se parecesse incerto sobre como expressar o que sentia.

– Eu vou estar aqui por um bom tempo.

Ela entendeu, afirmando com a cabeça, deixando claro que entendia, para que ele não precisasse falar mais, ela sabia o quanto aquilo tudo era difícil para ele.

Naquela noite, onde a lua cheia iluminava os quatro cantos de Konoha, ele a levou para casa, deixando-a em frente ao prédio em que morava.

Eles não se beijaram, nem se abraçaram. Ela apenas ficou lá, em pé, vendo-o sumir pelas ruas da vila oculta da folha, com os lábios secos, a garganta arranhando, as pernas gelatinosas e o coração aquecido.

[...]

Desde o massacre do seu clã ele nunca havia se dado a chance de ser feliz.

Admitia que os poucos momentos de paz e felicidade que tivera fora com o time 7. Momentos esse em que esquecia sua vingança, a morte que rondava sua mente e sua alma, e toda dor e se permitia aproveitar algo verdadeiramente.

Fosse caçando gatos perdidos, aprendendo justsos, subindo em arvores, andando sobre as água, ou apenas deitados na grama, comendo guloseimas que Sakura sempre trazia, só ali, junto deles, Naruto, Sakura e Kakashi é que ele podia sentir alegria, sentir-se seguro.

Com Sakura em particular ele não só sentia-se bem, como se sentia amado. Um amor puro e infantil, que acabara ultrapassando mais barreiras do que um dia sequer imaginaria.

Na floresta da morte foi quando a culpa lhe atingiu pela primeira vez. Ela havia o acolhido após ter recebido o selo amaldiçoado, havia o abraçado, e ele havia chorado e gemido de dor nos braços dela.

Mas, quando acordou depois com Sakura machucada, e sangrando, e com os vários fios róseos espalhados pelo chão foi quando percebeu que ele não podia se permitir ser feliz. A vida não era feliz, a vida era amarga e machucava todas as pessoas com que se tem um mínimo de afeição, não importa o quanto você goste, ou o quanto queira protegê-las.

Ele não merecia aquilo, aquela felicidade, aquele cuidado.

Sakura estava machucada por sua culpa, Sakura estava com os cabelos repicados por sua culpa. Os ninjas do som foram atrás dele, unicamente dele, e ela se colocara em sua frente para protegê-lo, para salvá-lo.

Isso foi um dos pontos cruciais na sua decisão de ir embora.

Ele não podia ficar ali, com aquelas pessoas que o ajudavam, que tinha afeição por ele, porque o amor não era bom, o amor, o carinho o afastava do poder, da sua vingança, do seu destino.

E ele se foi, deixando-a sozinha, sem nem ao menos olhar para trás uma única vez.

Quando ele a via, quando a encontrava, e Naruto e ela imploravam para que ele voltasse ele tinha que ser firme, frio, porque se ousasse deixar-se pensar uma única vez, sabia que acabaria correndo para os braços deles. Eram os seus laços, a sua família.

Algum tempo depois foi quando cometeu o maior erro de sua vida.

Sakura havia tentado o matar. E cego pelo ódio, pela raiva ele ousou tentar matá-la também. Matar Sakura. Sua ex-companheira de time. A pessoa que trazia guloseimas com tomates para que comesse quando mais novos. Aquela que havia dedicado sua vida a ele, a sua segurança, ao seu bem-estar, aquela que estava perdendo sua juventude correndo de um lado para o outro com Naruto atrás dele.

Mas naquele momento ele não tinha a noção de mundo que tinha agora. Não havia percebido que ela havia feito aquilo porque estava – mais uma vez – tentando salvá-lo.

Eu o amo tanto que não aguento.

Depois da guerra, quando voltou, ele não foi forte o suficiente.

Ele se envolveu, pela carne, e pela alma, embora soubesse que ela não tinha conhecimento sobre isso.

Ele havia se envolvido, e diferente do que ela pensava, não só pelo sexo, mas também por ela, pelo seu modo de colocar os cabelos atrás da orelha, pelo modo que suas bochechas ficavam cor-de-rosa quando estava envergonhada, pelo modo que ela sorria para ele como se ele fosse um deus.

Tudo aquilo era demais para ele.

Ele não merecia aquilo.

E talvez, após chegar a essa constatação, fosse por isso que os pesadelos começaram. Os pesadelos lhe mostravam a realidade.

Ele era perigoso, era cruel, não merecia nada daquilo.

Não merecia o sorriso dela, nem a admiração. Ele era sujo.

Nos sonhos ele a matava, sem dó, sem piedade, porque era aquilo que ele era, um demônio.

Após o aviso em seus sonhos, ele tentava se afastar, tentava dormir com outras pessoas para que assim pudesse esquecê-la, para que assim ela ficasse magoada e não o quisesse mais. Porque ele era fraco, ela não conseguia mais ficar longe.

Você merece ser feliz.

Kakashi dissera.

Você merece ser feliz.

Naruto dissera.

Você merece ser feliz.

Karin dissera.

E ele discordava, porque não merecia nem ao menos a atenção de nenhum dos três. Havia machucado Kakashi, seu mentor, seu amigo, seu... pai. Havia machucado Naruto, seu melhor amigo, o estúpido com quem sempre pode contar, que havia o recebido de braços abertos depois de tudo aquilo.

E havia machucado Karin, envolvendo-se com ela mesmo sabendo que não a amava, ele fora egoísta, porque Karin sempre fora fácil de lidar, sem perguntas, sem exigências, sem aquela história toda, aquele antepassado.

Como alguém como ele, que machucara todas as pessoas que um dia ousaram se aproximar dele, merecia ser feliz?

Naquela noite, dormindo no sofá, porque de repente o quarto lhe pareceu solitário demais, ele sonhou.

Não com Sakura, nem com armas ou sangue.

Com a sua mãe.

Com os cabelos negros sedosos e bem cuidados, com o sorriso gentil, exatamente como ele se lembrava. E ela lhe disse uma única coisa, em alto e bom som.

Você merece ser feliz.

Ele quis responder, quis falar.

Mamãe, mamãe, você não viu tudo que eu fiz?

Mas ela já havia desaparecido, e ele, acordado.

Ele precisou de dois banhos, dois dias, e duas caminhadas pela vila para perceber que ele precisava superar. Ele havia feito coisas horríveis, das quais não se orgulhava, mas ele podia mudar isso.

Podia salvá-lo.

O amor da Sakura-chan é maior do que qualquer pecado que você cometeu.

Naruto havia dito a ele há algum tempo atrás.

Era isso? Ele podia ser curado? Podia ser salvo?

Sakura podia salvá-lo, ele sabia, só não entendia se ela merecia esse fardo.

Fica aí, com medo de matar a Sakura-chan se ficar junto a ela, mas não percebe que já está fazendo isso!

O loiro havia gritado.

Sakura seria louca ao ponto de querer ficar com ele? Com todos aqueles fantasmas, e demônios incluídos no pacote? Ela carregaria esse fardo apenas para ficar junto dele?

Ele sabia que somente uma pessoa podia responder aquilo.

Ela.

Então ele se levantou, e pulando rápido pelos telhados de Konoha ele chegou.

Respirou três vezes profundamente, e bateu na porta.

Notas finais
E - finalmente - tivemos noção de tudo que Sasuke pensa ♥ Se você gostou, deixe suas palavras aqui em baixo! Beijos!