Retalhos

11 Capítulo XI


Notas iniciais
Desculpem pela demora, minha inspiração tinha tirado férias. Capítulo dedicado a Gabiizinhaaas2 que me deixou uma maravilhosa recomendação, muito obrigada! Boa Leitura.

RETALHOS

Escrita por Coffee

Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez

CAPÍTULO XI

DUAS SEMANAS

Ela estava sentada na mesa da cafeteria do hospital, alheia a tudo a sua volta. Seus cabelos vermelhos estavam caindo sobre seu rosto, pessoas conversavam ao seu redor, mas nada realmente a importava.

Seu interior estava em conflito.

Sasuke havia se afastado, assim como ela. Ela não queria mais sofrer. Não queria mais dormir com ele, porque aquilo a dava prazer, a satisfazia, mas isso durava pouco, duravam algumas horas, e depois... Desaparecia.

Desaparecia e ficava a dor.

Porque ela sabia muito bem que Sasuke não a amava.

Ele tinha sim, um afeto por ela, mas ela sabia que era pelo o que haviam passado juntos, e também pela culpa que ele sentia em ter tentado matá-la.

E também havia Suigetsu, que não falava mais com ela, vivia a ignorando, e a deixando pelos cantos, vivia mais alheio que o normal, e só voltava rindo depois de treinar com Sakura.

Ela sabia que Sakura não era uma má pessoa, pelo contrario, era muito gentil, e tão sofrida amorosamente quanto ela.

Porque por mais que odiasse admitir, sabia que Sakura amava Sasuke, não só porque as pessoas da vila comentavam que ela o amava quando era pequena, mas sim porque via o olhar dela quando o via, e o olhar de dor quando o via perto dela.

Ela estava sofrendo.

Sasuke estava sofrendo.

Sakura estava sofrendo.

E ela sabia que precisava se libertar daquilo. Precisa deixar tudo aquilo de lado e seguir a sua vida, porque não havia motivos para continuar insistindo em Sasuke. Ele não a amava, nunca a amaria.

E ela não queria nada disso, não queria viver assim.

Ela queria ser amada, queria sentir o toque de alguém que a ama em sua pele, em seu corpo.

Queria ter ao seu lado alguém que se preocupasse com ela, que cuidasse dela.

E ela sabia que nunca teria isso de Sasuke.

O coração dele – ou o que sobrara dele – pertencia à outra.

Não era a ela, e nunca seria.

E ela sabia que tinha que se afastar desse amor doentio, e aprender a amar alguém que a amava.

– Karin? – A voz a chamou. – Está tudo bem?

Ela ergueu o rosto, vendo a rosada em pé ao seu lado, com as sobrancelhas arqueadas e o cenho franzido.

– Está tudo ótimo. Estou me desafogando.

– O que?

– Estou me limpando.

– Karin? Está com dor? Está tudo bem?

– Estou me libertando Sakura. Liberdade.

E a rosada assentiu como se entendesse. E sorriu tão doce que lhe deu ainda mais forças.

– Liberdade... Sabe há quanto tempo não tenho isso, Sakura?

– Provavelmente há tanto tempo quanto eu.

Ela disse, sorrindo, e depositando uma xícara de café em sua frente. Saindo em seguida. A rosada sabia que ela precisava ficar sozinha.

[...]

Sasuke a olhou intrigado quando entrou na casa dele. Porém ele continuou como estava, sentado na poltrona da sala fazendo absolutamente: nada.

– Eu sei que você não me ama.

Ela disse, sentando no sofá em frente a ele.

– Karin-

– Shii. Eu sei que você não me ama, e isso não me importa mais.

Ele a olhou com as sobrancelhas arqueadas.

– Ok. Ainda importa. Mas daqui algum tempo não vai importar mais. Estou me livrando de você.

E ele arqueou ainda mais a sobrancelha.

– Você é lindo. E eu ainda amo você. Mas estou me livrando disso. Agora. Você não me ama, nem nunca vai me amar.

– Ka-

– Eu sei que você se sente culpado por ter tentando me matar, e o que eu tenho pra lhe dizer é que eu o perdoo. Eu o desculpo por ter feito aquilo. Do fundo do meu coração, eu te desculpo.

– Eu-

– Dá pra me ouvir? Você já me salvou, já cuidou de mim, já me protegeu você fez com que eu passasse de uma garota, para uma mulher. E eu nunca vou esquecer isso, e nem quero. Você é uma parte da minha vida. E eu nunca vou me esquecer de tudo que fez por mim.

– Mas-

– Você fez coisas ruins também, eu sei, e estou falando que te desculpo. Você não precisa mais dormir comigo para tentar remendar o que fez antes. A partir de agora vou me remendar sozinha.

– Karin, eu sinto muito eu-

– Deveria ir atrás dela. Você é um idiota. Lindo, mas idiota.

E ela se levantou, sabendo muito bem que ele sabia a quem ela se referia.

Quando abriu a porta da casa principal, ela se sentia renovada. Limpa. Nova.

Subiu as escadas, andando até seu quarto, pegando uma bolsa grande que tinha, e jogando todos os seus pertences dentro dela.

Suigetsu apareceu na porta e pela primeira vez em semanas, falou com ela.

– O que está fazendo?

– Mudando-me. Estou indo para um apartamento no centro. Estou me libertando.

– Vai deixá-lo?

– Deixar quem? – Ela disse e sorriu, o garoto-tubarão sorriu com ela.

Ele continuou na porta, quando ela acabou de jogar todos os seus poucos pertences na bolsa, e andou até a porta onde ele estava.

– Vou ficar muito feliz se você ir me visitar um dia desses.

Disse sorrindo, e piscou sacana para ele.

Ao contrário de qualquer expectativa, ele puxou seus ombros e a abraçou.

– Vou sentir sua falta aqui, cenoura.

E ao ouvir o apelido, ela relaxou. Algumas lágrimas desceram seu rosto, pingando na camiseta de Suigetsu, e ela permaneceu ali, agarrada durante um tempo, até se afastar e sair pela porta sem dizer mais nada.

Também vou sentir a sua.

Eu acho.

[...]

Naruto tinha falado com a garota assim como ela. Como havia imagino ela não queria a criança, havia ido atrás de abortos clandestinos, e ela não permitiu, explicou que assim que a criança nascesse iria pegá-la e a criança jamais saberia que ela era a mãe.

– Tem certeza que quer fazer isso?

Naruto perguntou a ela quando saíram da casa da garota.

– Não sou mulher de voltar a trás.

– Hinata... Seu pai não vai...

– Naruto? Você me ama?

Viu o loiro parar, feito pedra ao seu lado.

– Responda.

Ele suspirou, e relaxou, embora seus ombros parecerem tensos.

– Eu a amo Hinata. Amo mais do que tudo. Eu nunca admiti, eu nunca disse isso, porque nunca me achei suficiente para você, nunca estive a sua altura. Eu te machucava, eu me machucava, eu tentava inutilmente me esquecer de você, mas a cada mulher que eu dormia, eu ficava ainda mais machucado, porque sabia que estava machucando você, magoando você. Perdoe-me, perdoe-me por-

– Shii. – disse, colando os lábios dele com os seus – Era só isso que eu precisava saber. Respondendo sua pergunta, sim, eu quero fazer isso. Já falei com meu pai, ele odiou a ideia, e eu não me importo. Porque você vale tudo isso, Naruto.

Ele sorriu.

– Você vale isso e muito mais.

[...]

– Karin foi embora.

Suigetsu o disse, entrando na sua casa sem ser convidado.

Assentiu como se soubesse, embora não.

– Ela te chutou?

Não respondeu.

– Disse algo sobre se remendar sozinha.

Respondeu, um tempo depois, quando Suigetsu estava prestes a sair.

– Você pode ajudá-la.

Completou. O garoto-tubarão sorriu, deu um tapa em suas costas e saiu. E ele permaneceu lá, sozinho, no escuro, tentando digerir o dia e as palavras de Karin.

Notas finais
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