Retalhos
12 Capítulo XII
Notas iniciais
RETALHOS
Escrita por Coffee
Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez
CAPÍTULO XII
– E nós ficamos assim. Vamos criar essa criança, e amadurecer juntos, ao mesmo tempo.
– É tão corajoso, Hinata.
A morena sorriu.
– E você?
– O que tem eu?
– Você e Sasuke, vocês...
– Não o vi mais Hinata. Tanto por evitá-lo quanto por estar sem tempo. E isso é bom, estou exausta, desse negócio todo.
– Karin se mudou para um apartamento.
– Sério?
– Sim, na rua do Ichiraku. Está morando lá sozinha, mas não sei ao certo o porquê. Mas, quem sabe agora, você e Sasuke não possam-
– Eu o amo Hinata. E não consigo imaginar um dia que não o amarei, mas estou cansada demais de tudo isso. Sasuke sempre foi inatingível, e quando eu o alcancei, eu pensei que fosse começar por diversão, e que depois ficaríamos juntos o resto da vida. Que ele aprenderia a me amar, mas não foi isso que aconteceu. A única coisa que aconteceu de verdade...
Uma bola se formava na sua garganta toda vez que falava em Sasuke. Seus olhos marejavam, sua boca secava, e até o som passando por suas cordas vocais fazia com que elas doessem, sua voz virava um fio, dolorido e pesado, e ela sabia que Hinata sabia que ela queria chorar e estava segurando, embora não quisesse demonstrar sabia que era visível demais.
E ela mal podia evitar. Era um peso, uma angustia um desespero.
Sasuke, Sasuke, Sasuke.
Sua mente gritava.
Vá atrás dele, sua mente gritava desesperada e ela fingia que não ouvia, fingia que não ligava, porque a dor era tão grande que se fosse dar ouvidos a todos os seus pensamentos iria se autodestruir.
– A única coisa que aconteceu de verdade – retomou com o fio de voz – foi que eu acabei me apegando ainda mais e sofrendo ainda mais...
– As pessoas mudam Sakura, talvez ele tenha sentido sua falta e-
– E porque não veio me procurar? Porque eu sempre sou a ultima opção? Só veio me procurar no dia do massacre do clã porque sabia que eu não o recusaria enquanto passava seus outros dias com Karin...
– Ele veio te procurar no dia do massacre do clã?
– Sim. Esses tempos atrás. Chegou acabado, como fica em todos – fez aspas com os dedos — aniversários do massacre, estava com barba por fazer, tão largado e tão... Desesperado, que me custou muito mandá-lo embora, foi uma das coisas mais dolorosas que já fiz.
E lá estava tudo de novo. A bola na garganta e o fio de voz ainda mais fino. Se chorasse se sentiria aliviada? Duvidava.
– Se ele te procurou em um dia tão significativo é porque você representa algo importante, você é a família, um lar, um port-
– Esse é o problema. Não quero ser um sofá para ele passar os dias significativos. Quero que ele queira passar todos os dias, os importantes, os frívolos, todos eles, ao meu lado...
Hinata sorriu triste, sabia que não adiantava discutir.
Ela estava despedaçada demais, e a morena sabia que ela não era capaz de costurá-la, somente uma pessoa era.
[...]
Houve duas batidas na sua porta e ela foi aberta em seguida.
Karin passou por ela, maravilhosa.
Usava uma roupa tão colada que não sabia como entrara lá dentro. Os cabelos estavam soltos, mas tão sedosos que mostravam que ela devia tê-los hidratado recentemente. As unhas pintadas, uma maquiagem leve...
– Oi...
Ela disse, sem graça.
– Oi...
Respondeu ainda maravilhada com o visual de Karin.
Quando Hinata havia dito que Karin havia se mudado ela pensara que quando a visse novamente ela estaria desleixada, acabada, no fundo do poço. Mas ela ultrapassou todas as suas expectativas.
Fez sinal para que ela se sentasse, mas a ruiva permaneceu em pé.
– Eu... Vim conversar.
Ela começou, então acenou positivamente com a cabeça como forma de incentivo.
– Antes eu tentava ignorar, não falava disso porque sempre foi embaraçoso demais estarmos apaixonadas pelo mesmo homem.
E ela quis vomitar. Aquele assunto iria ficar lhe rondando a semana inteira?
– Mas eu levantei a bandeira branca.
Seus olhos se arregalaram.
– Eu sei que vocês também tinham seus momentos... Eu sempre vi o olhar que vocês lançavam um pro outro e o modo como você age perto dele, Sakura.
– Ka-
– Eu levantei a bandeira branca. Eu desisti.
Mordeu o lábio inferior, a pergunta rondando em sua cabeça.
– Por quê?
– Ele não me ama.
– Sasuke não ama a ninguém.
– Talvez sim... Talvez não.
Emergência, emergência, por favor, um caso de emergência, entrem aqui, me chamem agora, por favor, por favor...
Ela pensava, mas ninguém abriu a porta.
– O fato Sakura, é que eu não quero isso pra mim. Cansei de rastejar por amor.
Eu também...
– E não vim aqui falar para que você o faça. Para que corra atrás dele. Não vim falar para você aproveitar que eu o deixei, e ir até ele.
Não?
Por mais que pensasse ela não entendia os motivos daquela conversa.
– Arrume-se primeiro.
Ela estava falando que seu cabelo estava ruim? Ou sua roupa?
– Arrume sua vida.
Uma sobrancelha sua se elevou automaticamente.
– Sasuke é uma pessoa muito quebrada Sakura.
Acenou positivamente, ela sabia muito bem como Sasuke era.
– Ele precisa ser remendado. E você sabe que você é a pessoa certa para fazê-lo. Só você pode fazer isso.
– Karin, o Sasuke não me-
– Só você pode costurá-lo, remendá-lo, ensiná-lo. Mas precisa se arrumar primeiro. Precisa se consertar primeiro. Sasuke é difícil de lidar...
– Karin, desculpe, mas eu conheço o Sasuke há-
– Costure-se Sakura. Você está ajudando todos, Suigetsu, Naruto, Hinata, a mim, Sasuke... E está se partindo cada vez mais. Remende-se Sakura, para depois poder ajudar Sasuke com isso, ao contrario de nós ele não consegue fazê-lo sozinho.
Ela não tentou fazer o que fez na conversa de Hinata.
Na verdade ela nem teve tempo.
Ela apenas sentiu as lagrimas descendo, e pingando em sua mesa.
Karin sorriu triste, mas orgulhosa. E saiu.
E ela ficou lá, engolindo aquela conversa. Ela podia esperar aquilo de qualquer um, menos dela.
..
Por que diabos você fez isso por mim?
Por que está me ajudando?
Karin pensava que Sasuke a amava, por esse motivo desistira, então a ruiva não deveria odia-la?
Por quê? Por que fez isso?
Ela andou até o banheiro da sua sala, desesperada. A conversa com Hinata, as palavras de Karin, a lembrança de Sasuke... Tudo rondando sua cabeça, revirando seu estomago.
Até que ela vomitou.
Todo seu café da manhã, todo seu almoço.
Toda bile.
O negócio todo.
E por incrível que parecesse, quando acabou de colocar tudo pra fora era como se estivesse aliviada.
Não estava leve, nem feliz, somente aliviada.
E isso já era um começo.
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