Retalhos

8 Capítulo VIII


Notas iniciais
Dedicado a MariHaruno pela maravilhosa - e primeira - recomendação. Muito obrigada. Obrigada também a todos que tem comentado e incentivado. Boa Leitura.

RETALHOS

Escrita por Coffee

Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez

CAPÍTULO VIII

Saiu do banho no exato momento em que a campainha tocou.

Eles haviam – finalmente – acabado a missão idiota e sem sentido que Tsunade havia os dado e que só servira para que brigassem.

Andou até a porta despreocupada, abrindo-a.

– Hinata?

A morena nunca havia a visitado, eram amigas, mas Hinata jamais saia do distrito do clã, se não tivesse uma missão, ou um motivo sério.

– Preciso falar com você.

– Entre.

Hinata passou por ela, apreensiva e séria.

Elas se sentaram lado a lado no sofá.

– Quer tomar alguma coisa? Um chá, um café?

– Não... Obrigada.

– Então... O que te traz aqui?

– O que disse para Naruto?

Mordeu o lábio inferior, envergonhada.

– Naruto não fala mais comigo, disse que temos que acabar tudo.

– Eu disse para ele não te magoar mais.

– Sakura... Eu acho que isso é um problema meu e dele.

– Eu... – Envergonhada e se sentindo humilhada, por ter metido o nariz onde não devia, ela não sabia o que falar. – Eu... Sinto muito... Eu...

– Sei que está preocupada comigo, mas você não pode proteger todos de tudo. Eu sei o que Naruto faz.

– E não se importa?

– Você se importa do Sasuke com a Karin?

Abaixou a cabeça, derrotada.

– Como sabe?

– O vi entrando aqui um dia.

– Naruto sabe?

– Acho que não.

Suspirou.

– Não quero que sofra como eu sofri.

– Já estou sofrendo Sakura.

– Eu... Acho que Naruto não vai mudar.

– E você acha que Sasuke vai?

– Já parei de dormir com ele.

– Você sabe que é questão de tempo.

Hinata a disse, e ela ficou lá, calada, por longos minutos.

– Tenho que ir.

Acenou positivamente com a cabeça, a acompanhando até a porta.

– Cuide-se. – Hinata disse, ela viu que a morena parecia arrependida pelo que tinha dito.

Acenou com a cabeça, vendo ela se distanciar.

[...] TRÊS MESES DEPOIS.

Estava distraída, sentada no banco em frente à casa do distrito Uchiha em que morava.

Seus cabelos estavam úmidos pelo banho recente e ela observava as unhas recém-pintadas. Juugo estava nos fundos, plantando algumas flores, e ela não entendia o porquê.

Imaginou que seria algum tipo de terapia que ele estava treinando.

Suigetsu chegou, suado e com a aparência cansada, com alguns arranhões pelo corpo, sabia que ele provavelmente estivera treinando. Ele passou por ela sem nem ao menos olhá-la, como se ela não existisse.

Tinha sido assim desde que o ouvira falando com Sasuke, dizendo que gostava dela. Ele havia falado com ela, na primeira semana, mas depois, quando ele a viu indo à noite até a casa principal, ele fez uma carranca, e não falou com ela.

Ela admitia, sentia falta dele brigando com ela, chamando-a de cenoura, e de ruiva, mas jamais admitiria isso. Ela gostava de Suigetsu, mas não como uma mulher gosta de um homem. Ele não era homem para ela.

[...]

Enfunada no hospital ela pouco vira Naruto e Hinata desde o fim da missão.

Ela também não havia mais procurado Sasuke, e nem ele havia a procurado. A única coisa diferente que fazia era treinar com Suigetsu, uma vez por semana, no fim da tarde em seu dia de folga.

Eles treinavam por duas horas, e depois se despediam.

Ela não sabia dizer o porquê faziam isso, mas lá no fundo algo a dizia que era para se distraírem, não pensarem em seus problemas.

Ele via que Suigetsu estava sofrendo, via nos olhos dele, que ele estava triste e magoado, mas ele nunca a dissera o porquê. Até aquele dia.

– Sabe ruiva...

Ele disse, ela sabia que aquele era o jeito com que ele chamava Karin, mas ela não se importava, ele a chamava assim desde que começaram a treinar juntos e ela fingia não perceber.

Ela não havia perguntado nada aquele dia. Havia observado que ele estava ainda mais triste que o normal, mas preferiu ficar em silêncio. Surpreendentemente ele começara a fazer por si só.

– Karin... E Sasuke estão...

Ele disse, sentando no chão, há alguns metros de si.

Ele não precisou dizer mais nada, ela compreendeu, e acenou positivamente com a cabeça, mordendo o lábio inferior.

Ela imaginava isso quando Sasuke parou de procura-la após brigarem, mas ouvir o garota-água a contando fazia parecer ainda mais real, ainda mais doloroso.

Ocupando o tempo toda sua mente ela não tinha muito tempo para pensar sobre isso, ela fazia questão de gastar muito sua reserva de chakra no hospital, e cansar-se o suficiente para que chegasse em casa e em questão de minutos caísse no sono.

Ela não gostava de falar daquilo, nem ouvir, nem pensar.

Era doloroso demais.

Não conte Suigetsu, não conte.

Seu interior gritava, mas ela sabia que não poderia pedi-lo isso, ele estava tão machucado quanto ela.

– Quanto tempo? – Ela perguntou, de olhos fechados. – Quanto tempo depois da missão?

– Desde o ultimo dia.

Seus olhos se apertaram ainda mais, fechados.

Ele... Ele havia deixado pra lá?

Tão... Rápido?

Haviam brigado em um dia, e no outro ele dormira com Karin?

– Sabe o que mais me dói? Ela ouviu. Ela me ouviu dizendo que gosto dela.

Acenou positivamente com a cabeça.

Ela não sabia o que dizer.

– E o pior é que eu sei que daqui a algum tempo ele vai se cansar, e ela vai ficar sozinha, chorando pelos cantos, porque a culpa não é dela... Ela realmente gosta dele.

A culpa não era dela de gostar de Sasuke...

Mas e Sasuke?

Ele... Ele o fazia de propósito.

– Preciso ir.

Ela disse, de repente, colocando os fios rosas do seu cabelo atrás da orelha.

– Preciso ir.

Ela repetiu.

Não estou quebrada.

– Eu... Sinto muito ruiva. Eu queria te falar a algum tempo, mas sabia que ficaria magoada.

– Não estou magoada.

Ela disse, mas sua voz estava tão quebrantada que ela quase riu de si própria.

Não estou magoada.

Não estou.

[...]

Hinata estava em sua casa. Ela estava na cozinha, fazendo ramén e ele assistindo televisão.

Ele não soubera como chegaram a esse estado. Mas sabia que tinha que parar.

Ele não era homem para Hinata, ela era doce, meiga, gentil, era linda e inteligente.

Jamais estaria a altura dela.

Mas quando ela viera chorando, dizendo que precisava dele, que eles precisavam tentar algo sério, ele não conseguiu dizer não.

Mas sabia que estava na hora de acabar com aquilo.

– Hinata...?

Ele perguntou incerto.

– Sim?

Ela apareceu na porta entre a cozinha e a sala.

– Venha aqui.

Ela voltou até a cozinha, provavelmente desligou o fogão e foi até ele.

– O que aconteceu?

– Hinata... Eu não-

A campainha tocou, interrompendo-o, e nervoso ele andou para atendê-la.

– Naruto-kun? – A garota o chamou, quando abriu a porta. – Precisamos conversar.

Ele não soube o que fazer. Havia dormido com aquela garota um mês atrás. Mas já estava em seu relacionamento sério com Hinata. Sabia que Hinata desconfiaria. Olhou para dentro, vendo Hinata olhando-o, decepcionada.

– Não posso falar agora.

Disse, e pôs-se a fechar a porta. A garota, loira, não permitiu.

– Precisamos conversar. – Ela repetiu, irritada.

– Já que não posso!

– Eu estou grávida!

Ela soltou, ali, de uma vez, para ele e para Hinata.

E seu mundo desabou.